segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Afinal, o OE2016 foi chumbado

Eu até dei o benefício da dúvida à proposta do OE2016. 

Claro que é errado haver, sobre o aumento colossal de impostos de 2013 (do Vítor Gaspar) que tanto foi criticado pelos esquerdistas, um incremento para que os funcionários públicos e os restaurantes possam ser aliviados da austeridade. 
Claro que é errado o Salário Mínimo Nacional ter aumentado 9,3% em 2 anos (de 485€/mês para 530€/mês) quando temos uma elevadíssima taxa de  desemprego e baixos ganhos de produtividade e da taxa de inflação indicavam que não deveria ter havido aumento de todo.
Claro que é errado re-nacionalizar empresas, a TAP e os transportes coletivos, que têm dívidas de milhares de milhões de euros e prejuízos anuais elevadíssimos só para agradar a alguns autarcas e à CGTP.
Mas, neste mal todo, apontas a proposta de OE2016 um défice público de 2,2%, não deixa de ser uma boa notícia.

Mas essa meta dos 2,2% de défice será materializável!
Pois fala em 2,2% mas isso, na mente do Costa, é para resvalar.
São os 500 milhões € de corte nos consumos intermédios que aparecem todos os anos e que nunca se materializam (desde 2011, já somam anúncios de cortes no valor de 2700 milhões €) porque esses consumos intermédios não podem ser cortados pois são desde serviços de limpeza, professores contratados à hora e médicos "das empresas" nos hospitais até radiografias, análises clínicas e medicamentos hospitalares.
Depois, quem acredita que vai ser possível reduzir o número de funcionários públicos em 10 mil, diminuir o horário de trabalho de 40h/semana para 35h/semana, reduzir os fornecimentos de terceiros (consumos intermédios) em 500 milhões € e, mesmo assim, haver melhorias na saúde, ensino e demais serviços públicos (e sem aumento dos encargos com pessoal)?
 Nunca, jamais irá acontecer.

Por causa destas falhas todas, a proposta para o OE2016 foi hoje chumbada.
Mas não foi chumbada pelo PCP, BE, Verdes nem pelos Animais. Também não foi vetada pelo Marcelo nem pela Comissão Europeia.Foi chumbada pelos analistas de mercado que, desde sexta-feira, estão a analisar toda a informação disponível para poderem fazem recomendações informadas de compra ou de venda sobre a nossa dívida pública.
Se no 4.º trimestre 2015 os credores avaliavam a probabilidade de falirmos nos próximos 10 anos à grega (fazermos um corte de 30%) em 6,4% por ano (um spread na divida pública Portugal/Alemanha de 1,96 pp) , esta probabilidade aumentou nos últimos dias para 9,4% o que implica um incremento de 1,0 pp na taxa de juro que temos que pagar relativamente ao que pagaríamos se mantivéssemos o risco do 4T2016.

E 1 ponto percentual é muito dinheiro.
Se aplicarmos, no longo prazo, este incremento no risco da república à nossa dívida pública toda, teremos um aumento nos juros de 2300 milhões € por ano, 1,3 pp do PIB!
O Costa está a falar em "aumentar o rendimento das famílias em 1000 milhões €" que abate com impostos, dizem uns de 900 M€ e o Galamba de 300M€, quando isso implica um aumento na despesa em juros de 2300 milhões €.
Será isto governar de forma inteligentes as finanças do nosso país?

Evolução do spread da dívida pública portuguesa a 10 anos relativamente à Alemanha considerando a média do 4T2015 como zero (13 é 1Jan2016, fonte, YCharts e Investing)

O mais inteligente para o PCP é chumbar o OE2016.
Eu não sei se os do PCP têm inteligência política. Mas, caso a tenham, já fizeram sondagens e estudos de opinião para saber se o resultado nas presidenciais (3,95% do Edgar Silva) são passageiros ou se traduzem o fim. É que 3,95% nas legislativas não dá para encher um táxi, dá para 1 deputado para os Verdes (que deixa de ser grupo parlamentar) e 2 ou 3 para o PCP.
Se, nas próximas legislativas, a CDU tiver 3,95% dos votos, vai desaparecer do espaço político português da mesma forma que o PC francês desapareceu da França.

Deputados (azul) e votação (castanho) do Partido Comunista Francês nas legislativas (fonte: wiki)
A evolução da CDU.
É menos dramática que a queda do PCF mas nota-se uma queda continuada nas votações seja nas presidenciais seja nas legislativas, em percentagem e em número de votos.


Votação nas presidenciais (azul,%) e legislativas (castanho, %, verde, milhares) da CDU (Partido Comunista Português, wiki).


Será o PCP um partido como os outros?
Pois é essa a mensagem que vai começando a passar. Afinal o PC pactua com aumentos de impostos na gasolina e no tabaco (os pobres fumam como putas) para financiar os funcionários públicos que ganham mais de 1500€/mês e reformados com pensões milionárias.
Será que esse eleitorado, os funcionários públicos com mais de 1500€/mês, votarão alguma vez na CDU?

O Rui Moreira é o maior opositor à re-nacionalização da TAP.
Hoje, todo o dia, o Presidente da Câmara do Porto está na comunicação social a repetir "Como agora a TAP é para pagar com os impostos, tem que servir o Porto" e remata com "Como as empresas que não são subsidiadas conseguem fazer, o TAP subsidiada com os nossos impostos também tem que fazer."
Será que o Rui Moreira está a dar uma machadada na re-nacionalização da TAP ou não sabe que uma empresa subsidiada não pode voar numa rota onde opere outra empresa não subsidiada?

O Rui Rio pediu ajuda.
A quem lhe pudesse explicar como proibir o Estado Português de dar subsídios às empresas (no caso, à CGD e ao BANIF) prejudica a concorrênica. Se o Estado dá subsídios, haverá mais empresas no mercado, diz ele.
Vou então quebrar a (i)lógica do Rio.
Vamos supor que há no mercado várias empresas, por exemplo, 5, em que o custo médio de produção é igual em todas, 0,95€/unidade. Estando as empresas em concorrência, cobram um preço de 1,00€/unid. (um lucro de 5%) e cada uma vende 1000 unid/hora. Uma das empresas é a CGD, o BANIF, a TAP ou os STCP.
Agora vamos supor que o Estado Português passa a cobrar às empresas um imposto especial de 0,20€/unid. vendida e que entrega a colecta à empresa pública. Agora, a empresa pública pode vender  a 1,10€/unid. e, mesmo assim, expulsar toda a concorrência do mercado (que, a 1,10€/unid. ficam com prejuízo). No final, o imposto leva à falência de todas as empresas privadas ficando a empresa pública monopolista.
Se não fossem as instituições da concorrência, a CGD levaria à falência todos os bancos privados portugueses (acumulando prejuízos pagos com impostos especiais sobre a banca até que não houvesse mais bancos privados), a CP ficaria monopolista no transporte (com impostos sobre os autocarros e os camiões) e assim seria (é) nos transportes públicos dentro das grandes cidades.
É por isso que esse "imposto especial sobre a banca" mais não vai fazer (se os europeus se distrairem) do que levar à falência o BCP, BPI e demais bancos portugueses.

Vejamos o exemplo dos TUB.
Os Transportes Urbanos de Braga eram privados e foram nacionalizados para poderem "servir melhor as populações". Agora, sabe-se que foi para poderem servir melhor alguém.
Pensem nisto agora que estão com ressaca do carnaval.
Esta mulher vale o seu peso em ouro (2M€ a p.p., em leasing a 10 anos, 450€/dia com um valor residual de 30%).

1 comentários:

Josão disse...

450 dia? Ok. Rentabilizada desce para quanto? E o valor residual? Há outras opções?

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