sexta-feira, 11 de março de 2016

O Presidente Marcelo e os consensos políticos

O Papa Francisco e o Presidente Marcelo parecem coisa nova. 

O Mundo tem problemas, a Igreja Católica tem problemas, Portugal tem problemas, o FCPorto tem problemas, cada um de nós tem problemas e, como todos temos uma criança dentro de nós (ou uma candidata a Misse Universo), queremos acreditar que este ou aquele homem que está a chegar vai resolver todos os nossos problemas.
Mas, vamos ver, que isso não é possível e que, portanto, quando acreditamos que é o Peseiro que vai acabar com a crise no FCPorto, ou o Jesus a do Sporting, só podemos sofrer uma desilusão.

O problema de os problemas não terem solução está no "equilíbrio".
Em termos físicos, quando os objectos interagem, estão sempre em equilíbrio. Quer isto dizer que, sendo F a resultante da soma de todas as forças que actuam num corpo, a sua aceleração desse corpo é igual a essa força a dividir pela massa (Segunda Lei de Newton, F= m.a). Isto passa-se quando existem poucos corpos (a bola de ténis que bate na raquete e sofre a atracção da gravidade da Terra) ou muitos (a interacção entre os 250 mil milhões de estrelas e 500 mil milhões de planetas da nossa galáxia).

Nas relações entre os humanos também impera o equilíbrio.
Sendo a sociedade uma interacção entre milhões de indivíduos, também está sempre em equilíbrio. A força que nos move é o interesse próprio (equivalente à força da Física) e a nossa aceleração são as restrições impostas pelo interesse próprio dos outros (equivalente à lei F = m.a).
Os esquerdistas (keynesianos) querem-nos fazer acreditar que o que vivemos não é um equilíbrio pois isso permite prometer que, com consensos e palavras mansas, é possível mudarmos todos para uma situação melhor. Digamos que, sem aumentar os impostos a ninguém nem diminuir as transferências sociais a ninguém, é possível diminuir o défice público.
Também nos querem fazer crer que é possível subir os salários dos trabalhadores sem diminuir os lucros dos empregadores. Chegam mesmo a dizer que, aumentando os salários, os trabalhadores ficam mais contentes, trabalham mais e, assim, os lucros dos empregadores aumentam.

Como seria bom se o mundo fosse assim mas não é.
E não é porque todos os pontos em que era possível optimizar, já foi optimizado. Assim, o equilíbrio que vivemos hoje é o Equilíbrio de Pareto em que, para alguém mudar a sua vida para melhor, pelo menos uma outra pessoa qualquer tem que mudar a sua vida para pior.

Então, a interacção entre os indivíduos é uma guerra.
Os taxistas são contra os da UBER.
Os criadores de porcos portugueses são contra os espanhois.
Os produtores de leite da Galiza são contra os do Norte de Portugal.
Os trabalhadores querem maiores salários e os empregadores maiores lucros (menores salários).
Os activos querem pagar menos impostos e os reformados querem pensões mais elevadas.
Os Cabindas querem a independência (para terem acesso às rendas do petróleo) e Luanda quer manter essas rendas no seu domínio.
A Rússia quer dominar o ocidente da Ucrânia e a Ucrânia não quer deixar.
Os palestinianos querem Israel mas os judeus também.
Milhões de refugiados querem ir viver para a Alemanha mas os alemães não os querem lá.
Os padres católicos querem-se casar mas o Papa não deixa.

Se fosse possível haver consenso, não haveria guerras.
Na guerra existem bombardeamentos, mortes, destruição pelo que seria de evitar a todo o custo. O problema é que os alawitas da Síria (minoria) querem manter o poder e os Sunitas (maioria) querem passar a ter o poder nas suas mãos.
Os Shiitas querem manter o poder no Iraque (são a maioria) mas os sunitas não o querem deixar (minoria).

Há um bolo que é preciso dividir.
Existe a ideia romântica de que, com paz e amor, podemos produzir mais, é o crescimento económico que o Costa diz vir a caminho. Mas a realidade não diz isso, diz que existe um bolo fixo que é preciso dividir entre os diversos grupos.
Dividir entre patrões e empregados.
Dividir entre activos e não activos.
Dividir entre homens e mulheres.
Dividir tachos pelos amigos do António Costa mandando borda fora os amigos do Passos Coelho.

Com o Marcelo vai ser pior que com o Peseiro.
Muita conversa, mas, quando chegar à hora do jogo, quando for preciso meter o défice a 2,2% do PIB, a coisa vai ficar preta.
Prova disso é que o Passos Coelho não esteve no almoço oferecido pelo Marcelo depois da tomada de posse(ver). "Se querem que eu consense com ele? O Costa que se demita e, depois de eu voltar a ser Primeiro Ministro, que consense ele comigo."
 
Por exemplo, qual a razão para os padres não se poderem casar?
Na Bíblia não existe nenhuma razão.
Se é pelo facto de Jesus cristo ser solteiro ... e os padres terem que seguir o seu exemplo ..., primeiro, isso é discutível, não é um facto comprovado e, segundo, os padres não são "o Salvador" mas apenas discípulos da palvra do Salvador.
Mas, o Papa Francisco vai morrer, assim continuará.

Eu não gosto do Marcelo.
Votei nele mas não gosto. A questão é que não havia ninguém que prestasse.


Se a coisa fosse lá com consensos, dava-se o RSI a cada uma das actuais 12653 pessoas presas (ver) e ainda se poupavam 200 milhões € por ano.


2 comentários:

Nemo disse...

Dilema do prisoneiro?

José Paulo C Castro disse...

O celibato dos padres foi instituído ainda no primeiro milénio como forma de garantir que esses padres não tinham herdeiros que reclamassem os bens da Igreja como bens próprios deles (por ex, a casa do pároco, objectos sagrados, ofertas dos fiéis, etc).
Como não havia inventários, nem documentação fácil de registar, nem comunicações rápidas, nem fotografia, etc. para provar o que era de quem, a única forma de impedir o apropriamento desses bens pelos herdeiros dos padres era assegurar que, como padres, morriam sem herdeiros oficiais reconhecidos. Desta forma, tudo revertia para a Igreja e o controlo era efectuado pela comunidade local.
Por isso, é do interesse de uma organização como a Igreja preferir os celibatários a padres casados. É um modo de gestão apenas. Não tem base teológica nenhuma (a própria Igreja o admite). S. Pedro e a maioria dos apóstolos eram casados ! Tem apenas uma base prática, disfarçada de 'maior disponibilidade dos padres para os outros'. O problema só surge quando os celibatários começarem a faltar...

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