sexta-feira, 15 de abril de 2016

Eu compro roupa usada

Hoje estalou uma polémica sobre a roupa dada.

Quando alguém quer dar uma peça de roupa a outra pessoa, seja em África ou num acampamento de ciganos na Roménia, tem que ser ajudada por alguém que
     1) Coloque contentores para recolher a roupa (custa dinheiro!)
     2) Mande uma pessoa numa carrinha ao contentor buscar a roupa (custa dinheiro!)
     3) Veja se a roupa presta, organize-a e a enfarde (custa dinheiro!)
     4) Promover o transporte para o destino (custa dinheiro!)
    5) Distribua a roupa pelos necessitados (custa dinheiro!).
E alguém tem que pagar estes custos todos!

Alguém daria roupa se tivesse que pagar?
Tenho a certeza que muito menos pessoas daria roupa, preferindo enfia-la no contentor do lixo.
Se quem dá a roupa não está disponível a pagar os custos que levam a roupa da sua mão até aos necessitados, têm que ser os necessitados a pagar os custos.
Qualquer burro compreende isto.


Vamos à roupa que eu comprei.
Na minha terra é a ciganada que vende a roupa usada que vem do Norte da Europa.
Comprei 18 peças de roupa:
4 => 3 pares de calças de ganga (2 Levis, 501 e 521, uma Pier Cardin) e 1 de sarja sem marca.
1 => 1 anoraque de penas NAF NAF (excelente para quando, nas minhas caminhadas noturnas em Miramar, faz frio).
3 => 1 casaco curto de ganga bege (Salsa), 1 casaco idêntico mas de pano fino e sem marca e ainda 1 casaquito de malha
8 => 5 camisolas de malha grossas sem marca, 1 camisola de algodão Springfield, 1 camisola de cashemira Gant e 1 camisola aos quadrados, fina, sem marca.
2 => 1 camisa e uns calções de praia.

A Susaninha garantiu-me que, se eu comprasse umas Levis e uma Gant, ia arranjar uma mulher assim boa. Se calhar isto é tão verdade como a previsão do Centeno de que o crescimento em 2016 vai ser de 1,8% e o défice de 2,2%

Qual foi o preço?
Estas 18 peças de roupa novas teriam um preço acima dos 600€ (Umas Levis custam 99€, a Gant 125€, o NAF NAF 120€, a Springfield 25€) As calças valem uma pequena fortuna mas eu paguei 18,00€ por tudo, 3% do preço de novo, em média, 1,00€ por cada peça de roupa (a peça mais cara foi a Gantt que custou 3,00€).

Foi esta a roupa que eu comprei por 18€

Para onde vai o meu euro.
Como pareço cigano, consegui descobrir, mais ou menos, para onde vai o euro que eu paguei por cada peça de roupa.
O António Cigano chega com a sua furgoneta Ford Transit ao armazém (que fica para os lados da Serra da Estrela) onde a roupa é escolhida, loteada e enfardada, e dá uma vista de olhos pelos milhares de fardos que estão empilhados e que têm uma etiqueta por fora a dizer aproximadamente o que contêm, por exemplo, "Roupa de Inverno de homem". 
Aqui vai a informação mais difícil de saber: um fardo contém, em média, 100 peças de roupa e o preço é de 15,00€ o que dá 0,15€/peça de roupa.

Quando o António chega ao acampamento, distribui os fardos pelos familiares. Como é preciso pagar a viagem, vão ter que pagar 30€ por fardo.
O resto vai para o retalho.
Resumindo, o meu euro, vai 15% para a recolha, transporte, escolha e enfardamento, 15% para a viagem do António Cigano e 70% para o cigano que vende a roupa (para o retalho).

Ninguém vai sequer sonhar que a minha Gant é da colecção "Second hand clothes"


Eu acho justo.
Alguém de boa fé imagina que, meter contentores e recolher roupa no Norte da Europa, transportá-la até cá, escolhe-la e enfardá-la por 0,15€ a peça, onde se incluem coisas volumosas como casacos, camisolas grossas e calças, faz alguém rico?
Fiquei contente com o aparecimento deste negócio porque, por um lado, comprei roupa por 1€ a peça que custaria, nova, 30€, por outro lado, ajudei os ciganos retirando-os do caminho do crime e da droga. Finalmente, permiti que quem pretendeu que a sua roupa fosse reutilizada cumprisse a sua vontade.


O problema é que nós portugueses somos invejosos.
Lembram-se da "incineração dos resíduos industriais perigosos"? Manifestações, grandes reportagens nas TV's, acções em tribunal e tudo porque "as cimenteiras vão ter lucro com uma coisa que deitamos fora."
As pessoas preferiam que o Estado Português exportasse os resíduos industriais para Espanha o que acarretava um elevado custo a dá-lo às cimenteiras porque estas teriam lucro.
Lembram-se daquele senhor que dava cadeiras de rodas, camas articuladas e muletas aos lares de velhotes mas que se cobrava da "viagem"? Chegavam aos lares camas que custavam 1000€ em novas por 50€ mas, porque o homenzinho tinha um lucrozito, acabaram-lhe com o negócio.
Desde então, esses indignados com o lucrozito do homem fizeram chegar alguma cama articulada aos lares?
Nada.


Sem lucro, nada funciona.
Se eu não trabalho de graça, porque hão-de os outros ter que trabalhar?
Para irem para o Céu? Mas já ninguém acredita no Pai Natal.

Em Portugal os esquerdistas dizem lutar contra os paraísos fiscais ... 
O problema é que a Bolívia, país liderado por um esquerdista total, o Presidente Ivo Morales, é um paraíso fiscal!

E Portugal também é um paraíso fiscal (para alguns).
Além de haver a Zona Franca da Madeira, a Zona Franca de Santa Maria, todo o Portugal é um Paraíso fiscal para os reformados cuja pensão seja de um sistema de pensões não localizada em Portugal pagam zero de IRS.

Já imaginaram esta situação?
Os pensionistas alemães, ingleses, espanhóis, franceses, americanos, etc. que vivam em Portugal todo o tempo, estão isentos de IRS. Este regime é pior que os piores que ouvimos do Panamá porque é zero e só se aplica aos que têm pensão estrangeira (no Panamá, a baixa tributação aplica-se a todos).
Um dia, a Alemanha, Reino Unido, França, USA, etc. vão tributar os seus pensionistas na fonte, o que será de maior justiça já que o rendimento é obtido lá.

Ainda não ouvi nenhum esquerdista contra isto!
Será a Elisa Ferreira contra a isenção de IRS dos pensionistas estrangeiros? E o Louçã, Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins?
E contra o facto de a Bolívia ser um Paraíso fiscal, governada pelo mais esquerdista dos esquerdistas?

Os paraísos fiscais existem para os Estados poderem aumentar os impostos.
As mentes simples pensam que, ao haver paraísos fiscais, Portugal perde receita fiscal mas, sendo assim, é incompreensível a sua existência mesmo em território nacional e em múltiplo.
O que acontece é que os paraísos fiscais permitem "segmentar o mercado fiscal."
Quando a taxa de imposto sobe, mais pessoas fogem ao fisco pelo que, acima de uma certa taxa, a receita fiscal diminui porque a economia para e muitas pessoas passam a fugir ao fisco. Ao haver paraísos fiscais, é possível aumentar as taxas de imposto sem fazer a economia parar e podendo o estado colher impostos ao "pequeno" que não pode fugir. Depois, o Estado ainda vai receber parte do imposto "fugido" com perdões fiscais.

Vejamos um exemplo.
O cigano compra 1000 peças de roupa a 0,30€/peça e, se afixar o preço em "2 por 5€", só vai vender 300 peça (factura 750€), se afixar "2 a 3€" vai vender 700 peças (factura 1050€) e se fixar "2 por 1€" vai vender as 1000 peças (factura 500€). Então, o Cigano vai maximizar a sua facturação segmentando o mercado.
Mete 333 peças em cruzetas e dependuradas a "2 por 5€", outras 333 peças misturadas em cima de uma bancada a "2 por 3€" e, finalmente, 333 peças no chão tudo misturado a "2 por 1€". A roupa é toda igual mas, quem não quiser andar a escolher na molhada, vai pagar "2 por 5€" enquanto que quem não se importar de perder tempo, vai escolher no chão e pagar "2 por 1€".
O Cigano também usa o tempo, às 8h da manhã começa por ter as 1000 peças nas cruzetas, às 10h atira metade das peças para a banca, misturando tudo e, ao meu dia, pega em tudo o que sobra e atira para o chão.
Por exemplo, o meu casaco NAF NAF de penas cujo preço de novo é, pelo menos 120€, foi comprado às 12h45m por 1€. Estava no chão, todo molhado (pois estava à chuva) o que fazia com que as penas formassem grumos. Tinha um aspecto horrível mas, depois de lavado e seco, as penas cresceram e ficou uma maravilha. Antes, vim a saber, o casaco já tinha estado abrigadinho numa cruzeta a 5€.

Eu, enquanto escolhia as calças, arrumei-as.
Era um monte que teria uns 100 pares de calças (talvez já tivesse formado um fardo com "Calças de ganga" escrito por fora), misturados de homem e mulher, e eu fui separando para um lado as calças de mulher e, para o outro, as de homem. Depois, fui alinhando as calças de homem. 
O cigano estava distraído com a parte das camisolas e, quando se virou para trás e viu as calças alinhadinhas, foi lá e misturou tudo.
Como o cigano percebe tanto de economia e sem sabe ler nem escrever!

Vejamos os impostos.
O Sócrates  fez um perdão fiscal em que, quem quisesse repatriar dinheiro de paraísos fiscais para Portugal teria que pagar apenas 7,5% de imposto e ficava tudo perdoado.
Não ouvi nenhum esquerdista a insurgir-se contra a ideia.
Nesta leva, o amigo do Sócrates repatriou 30 milhões € de algures para Portugal.  

É a santa hipocrisia e a santa inveja de gente rasteira.


Sou tão invejoso por o meu vizinho ter uma testa linda que não paro de pensar em lhe enfiar um par de cornos.

Falta falar do "Banco Mau" do António Costa.
O Banco Mau chama-se Caixa Geral de Depósitos que tem um buraco de 5000 milhões € por causa do crédito concedido pelos amigos de alguém (como o Vara) para acudir a empresas (e amigos) falidos.
Agora, como não é possível injectar dinheiros públicos em bancos públicos porque tal seria concorrência desleal com os bancos privados, só resta à Caixa Geral de Depósitos a privatização ou a redução do seu activo em 2/3, fechando 450 balcões e despedindo 6000 trabalhadores.
A jogada de Costa é "salvar" a CGD enfiando aos contribuintes um fardo de 5000 milhões €.

E do Carlos Costa?
Havia o perigo de se repetir no BANIF o que aconteceu no BES: nos últimos dias haver transferência de centenas de milhões de euros para lugares esquisitos como, por exemplo, os 1800 milhões € que voaram para a Venezuela.
Constava que as familiares do Roque tentaram levantar 500 milhões €.
Para evitar isso, o Carlos Costa avisou, e fez bem, o BCE para estar atento a estes movimentos.
Com esta precaução, concerteza que nos poupou centenas de milhões de euros.
Mas o António Costa quer meter um amigo no Banco de Portugal. Como fez o João Soares no CCB, estão a meter amigos em tudo que é sítio o que faz lembrar aquelas "democracias" esquerdistas da América do Sul a caminho da bancarrota.

5 comentários:

Lura do Grilo disse...

Boa lição aos corações generosos mas idiotas e invejosos! Vou referir o seu Post no meu humilde blog

Fernando Gonçalves disse...

As pensoes de reformados e' um assunto completamente diferente,as pessoas estão fisicamente ca,usufruem dos recursos do pais,ao contrario do capital k produz nuns paises e paga impostos noutro,indepentemente da residência dos titulares. Alem de que a origem do dinheiro e' perfeitamente clara e legal,ao contrario das offshores.os offshores distorcem a concorrência intra e interpaises,favorecem a criminalidade,promovem a injustiça entre os residentes dum pais que vivem e trabalam no mm pais e são tributados diferentemente,por exemplo as PME face as grandes empresas.Mas só a europa pode resolver isso,pk um pais sozinho não tem incentivos qf os outros continuam a fazer batota.

Fernando Gonçalves disse...

Mais ainda.compreendo os incentivos para repatriar capital,mm k sujo,pois enquanto não mudar a lei,mais vale captar algum k zero.mas agora o seu argumento da destruição da economia não concordo nada:não se sabe se o que se perdia em capital séria superior as receitas fiscais obtidas.alem disso,aplicando para o conjunto dos países todos os estados arrecadariam novas receitas em media antes não tributadas.klaro k mm as PME tb fogem ao fisco,mas pk se arriscam a não cumprir a lei,não pk tenham os meios que as multinacionais e as SGPS disponham.portanto umas faltas não se desculpam por outras.

Zé Verde disse...

Não percebo como chegou ao número de 5000 M€ na parte do banco mau.

Económico-Financeiro disse...

Olá Zé,
5000 milhões de falta de capital na CGD é uma ordem de grandeza, um número que anda no ar.
Temos, como limite optimista, 2000M€ que é a soma dos prejuizos dos anos 2011-2015 (-488,4M€; -394,7M€; -575,8M€; -348,0M€; -171,5M€). Depois, há implícito nas palavras do António costa de que ainda há muitos activos maus.
1ab

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