sexta-feira, 29 de abril de 2016

Naturalmente, no 1T2016 o défice ficou nos 4% do PIB

Não pode a raposa comer e a galinha sobreviver. 

Se em janeiro o corte no meu salário, da responsabilidade do Eng. Sócrates, foi parcialmente revertido e se o Costa deu (anunciou mais do que deu) dinheiro a toda a gente, naturalmente, não poderíamos querer que o défice no primeiro trimestre de 2016 tivesse diminuído.
Naturalmente, o défice aumentou de 698,1 milhões € para 928,7 milhões €, um aumento relativo de 33% sendo que, desculpem, sou um dos principais culpados.
Extrapolando o défice do 1T2016 para a totalidade de 2016 (usando a famosa Regra dos Três Simples), teremos: 
     Défice em 2016 = 3,05% * 928,7/698,1 / (1+1,5%) = 4,0% do PIB

3,05% -> Défice em 2015
1,5% -> Taxa de crescimento do PIB para 2016, previsão do Banco de Portugal.




Esta Geringonça até pode andar, mas é uma coisa muito esquisita que até confunde a mente


E muito mais irá, ao longo do ano, cair no orçamento.
Virão as 3 reposições no meu salário (Abril, que já aconteceu, Julho e Outubro), o corte no IVA da restauração, a redução do horário dos funcionários públicos das 40h/ para as 35h/s e ainda uma coisas menores.
Com o caminho que estamos a ver, não consigo imaginar como vai ser possível reduzir o défice de qualquer coisa próxima de 3,1% em 2015 para 2,2% em 2016 e para 1,4% em 2017. Mas, estou-me agora a recordar, em 2017 faz 100 anos que apareceu a Nossa Senhora em Fátima ...

Para assinalar os 100 anos das suas aparições em Fátima, Nossa Senhora vai meter o défice de 2017 nos 1,4% do PIB. Como curiosidade, o meu pai disse toda a vida que o senhor dentro do círculo é o pai dele e meu avô, Jerónimo Alves Vieira, de Aguiar de Sousa, que assistiu ao Milagre do Sol. Eu irei assistir ao Milagre do Défice
 
Não nos podemos auto-derrotar.
Sendo que o Orçamento de Estado 2016 não contém um caminho que consiga terminar na meta do défice de 2,2%, ou o défice acaba em 4% ou vai ser preciso o costa fazer alguma coisa "recessiva".
Como acho muito improvável que a Comissão Europeia permita o resvalar do défice, vai então ser preciso fazer um orçamento retificativo (ou vários) onde o costa vai meter o "Plano B".
No tempo do Sócrates o "Plano B" começou por ser chamar PEC e, depois, veio o PEC2, PEC3 e, finalmente, PEC4.
Então, porque atacam os esquerdistas as medidas adicionais que o Gasparzinho teve que fazer obrigado pelas circunstâncias orçamentais adversas?
Porque atacam o resvalar das metas orçamentais do tempo do Passos Coelho quando era isso mesmo que os esquerdistas pediam?
Quando o Senteno tiver que apresentar o Orçamento Retificativo, talvez dois ou três, com que cara vai aparecer aos portugueses?

O problema das previsões da geringonça é o relógio não parar.
Quando a Geringonça apresenta as suas previsões para o futuro e o Banco de Portugal, o FMI, o Banco Mundial ou a Comissão Europeia apresentam outras, é tudo uma questão de previsões. O problema é que lentamente, minuto a minuto, dia a dia, semana a semana, mês a mês, sem fazermos qualquer esforço e sem a Geringonça o poder evitar, a realidade vai sendo criada o que torna visível a realidade e, assim, como a Gerigonça falhou nas suas previsões.
E, se a previsão relativamente ao governo neo-liberar era que o défice e o desemprego iriam diminuir e o PIB e o emprego iriam aumentar, no primeiro trimestre a realidade foi exatamente ao contrário. Claro que o Marcelo veio dizer "os dados do 1T são do orçamento de 2015" mas antes fossem pois, nesse caso, o défice não teria aumentado.
A única coisa que aumentou dentro das previsões foi o meu salário.

A crise energética na Venezuela e o subsídio no preço.
À escala mundial, a Venezuela é uma pais de rendimento intermédio com um nível de vida razoável, 10% superior ao do Brasil e apenas 30% abaixo do nosso.
Mas não é sobre a economia venezuelana que vou falar mas apenas da crise energética e dos preços controlados.

E também me apetecia falar das mulher boas que há por toda a Venezuela (Miss Marjorie De Sousa)
 
Os preços controlados / subsidiados.
Existem bens que são muito importantes para as pessoas como, por exemplo, os alimentos de primeira necessidade. Então, será de pensar que os preços destes bens têm que ser baixos sob pena de os pobrezinhos não os conseguirem comprar. Ao reduzirem-se os preços, como esses bens têm um custo de produção, será preciso subsidiar esses bens (ou serem produzidos por empresas públicas que terão prejuízo).
Por exemplo, em Portugal o IVA dos produtos alimentares e dos medicamentos é de 6% e as consultas médicas e o ensino não pagam nada. Os transportes coletivos públicos têm prejuízos enormes.

Mas subsidiar os preços é errado.
Primeiro, porque se a lógica é "ajudar os mais pobrezinhos", ao reduzir o preço para todos (como o IVA em Portugal), os ricos também recebem esse subsídio. Não me parece que faça qualquer sentido o Belmiro de Azevedo ter IVA reduzido no que come.
Em Portugal os transportes coletivos nas grandes cidades (onde o rendimento das pessoas é maior) são subsidiados não se sabe porquê até porque na parvónia não o são (onde o rendimento das pessoas é menor).

Segundo, com o preço mais baixo, a decisão das pessoas, produtores e consumidores, não será o economicamente aconselhável.
Terceiro, para beneficiarmos apenas os pobrezinhos, terá que haver uma infra-estrutura de administração, controlo e combate á fraude que tem custos elevados.
 
Será melhor subsidiar o fornecimento de trabalho.
Para resolver o problema dos pobrezinhos, o melhor é subsidiar o seu trabalho pois, assim, mesmo sendo pessoas de baixa produtividade, sempre produzem alguma coisa para o país.
Subsidiando o trabalho, os pobrezinhos (que têm baixa produtividade) ficarão com um incentivo extra para trabalhar e os empregadores para os poderem contratar.

Por questões de contenção orçamental, primeiro acabávamos com os subsídios aos preços (por exemplo, acabando com o IVA à taxa reduzida e os prejuízos das empresas de transportes coletivos) e pegávamos nessa massa e transformávamos num subsídio ao trabalho dos membros das famílias de mais baixo rendimento. O melhor seria reduzir a TSU paga pelo trabalhador (para incentivar trabalhar) e do empregador (para incentivar a contratação).

Para ajudar os pobrezinhos eu faria uma regra assim.
1 = Calculava o rendimento per capita do agregado familiar, RPC.
2 = A TSU sofreria uma redução em função do RPC:
   i)  Se o RPC fosse menor que 0,5*IAS (209,61€/mês), a TSU ficaria a zero;
   ii) Se o RPC fosse maior que 0,5IAS e menos que IAS (419,22€/mês), a TSU ficaria reduzida a uma percentagem da TSU actual, %TSU = 2* (RPC/IAS-0,5).
Exemplo 1 - Uma família de 5 pessoas (2 adultos e 3 crianças) em que o marido ganha 800€/mês e a mulher trabalha a meio tempo ganhando 215€/mês (meio SMN).
    TSU de ambos seria zero -> RPC = (800 + 215) /5 = 203,00€€/mês < 209,61€/mês

Exemplo 2 - Uma família de 3 pessoas (2 adultos e 1 crianças) em que ambos ganham 530€/mês.
    TSU de ambos seria 68,6% -> RPC = (520 + 530) /3 = 353,33€; > 209,61€/mês e < 419,22€/mês
    Seriam 16,28% para o empregador (23,75%*68,6%) e 7,54% para o trabalhador (11%*68,6%).

Na Venezuela o preço da eletricidade é demasiadamente baixo.
A eletricidade tem um custo de produção. Na Venezuela fica mais barato produzir eletricidade do que em Portugal mas n´s pagamos na ordem dos 0,17€/kwh e o preço na Venezuela é inferior a 0,015€/kmh, menos de 1/10 do que nós pagamos e superior ao custo de produção.
Com um preço tão baixo, a decisão dos agentes económicos deixa de ser economicamente racional, por um lado, as pessoas consomem mais do que seria aconselhável e a produção fica menor do que seria possível  o que obriga o governo a dar subsídios à produção e a racionar energia.

Camarada Maduro, ouve o que te digo, o preço tem que ser variável.
É natural que, num país com enorme capacidade hídrica (actualmente, 2/3 da eletricidade é de produção hidroelétrica no rio Caroní), a produção electrica varie ao longo do ano, mais produção na estação das chuvas e bastante menor na estação seca. como a Venezuela tem a sua produção electrica concentrada no Rio Caroní que varia o caudal entre 6260m3/s (média dos máximos) e 3570 m3/s (média dos mínimos), nos meses maus a produção electrica será naturalmente menor que metade da produção dos meses bons.
 1 = O preço da electricidade tem que variar ao longo do ano
Quando a produção é maior, o preço tem que descer para incentivar o consumo.
Quando a produção é menor, o preço tem que subir para moderar o consumo.
O preço terá que ser de forma a que seja efetiva, tendo que variar até equilibrar a rede.
Se, o preço é 0,05€/kwh, a produção possível é 1000kw e o consumo é de apenas 750kw, o preço vai descendo até que o consumo passe a ser 1000kw, por exemplo, a 0,025€/kwh.
Se agora, a produção possível se reduz para 500kw, o consumo também terá que reduzir para metade o que é conseguido pelo aumentando do preço, por exemplo, até 0,15€/kwh.
Com a recolha de dados, torna-se possível determinar a Curva da Procura e, assim, calcular e publicar   antecipadamente qual vai ser o preço da eletricidade para a semana seguinte.

Com preços mais elevados, uma pessoa que tenha baixos rendimentos vai desligar o ar condicionado, enquanto um hospital vai conseguir ter eletricidade sem necessidade de ter um gerador a gasolina, bastante mais caro.


2 = O preço da eletricidade tem que cobrir os custos de produção.

O preço tem que, em média, pagar o custo de produção e ainda libertar recursos para o constante aumento, renovação e melhoria da rede electrica. Como a rede electrica venezuelana é atualmente dependente de subsídios estatais, a crise petrolífera leva ao seu colapso.

Fará sentido fazer centrais termoeléctricas de back-up?
Isto terá que ser determinado pelo mercado.
O custo de produção hidroelétrico na Venezuela deve andar próximo dos 0,025€/kwh enquanto que a produção termoelectrica de back-up andará não muito longe dos 0,10€/kwh. Assim, só faz sentido ter produção termo-electrica para os períodos em que o preço da eletricidade esteja acima dos 0,10€/kwh.
Implementado o sistema dos preços variáveis ao longo do tempo, as barragens passarão a ser rentáveis pelo que numa primeira fase surgirão mais barragens. Apenas numa segunda fase e se o preço da eletricidade estiver longos períodos de tempo acima de 0,10€/kwh é que será de avançar com centrais termo-elétrica.

O problema dos taxistas.
Taxista é uma profissão que vai acabar não só por causa da UBER mas porque, a qualquer momento, vão surgir os carros sem condutor.
Por isso, a guerra de hoje é inglória e não levará a lado nenhum.
Tal como na agricultura, dia para dia, "perdem-se" empregos (36 por dia), nos táxis vai acontecer o mesmo, dia a dia os taxistas profissionais vão mudando de profissão e apareceram outras pessoas a trabalhar em part-time até que os carros sem condutor acabarão de vez com a profissão do "motorista de carro de aluguer".

Nos últimos anos, a agricultura está a "perder" 36 empregos por dia, 4,6% por ano.
 
Estará o problema dos taxistas nos "impostos que a UBER não paga"
Nem pensar pois, caso fosse esse o problema, os taxistas defenderiam o fim dos numerus clausus.
Neste momento, o número de taxistas que existem é limitado pela emissão de um alvará. Acabando a necessidade do alvará, deixa de haver espaço para a existencia como hoje de taxistas profissionais.
Por isso, tal como ao longo dos anos, a agricultura reduziu o 

É o "custo" do progresso.
Por vezes passam na TV a pergunta às criancinhas "O que queres ser quando fores grande?" e nunca ouvi "Quero ser taxista." nem "Quero tratar de vacas, andar todo o dia enterrado em merda a´te ao pescoço."
Por isso, não tenhamos pena destas profissões estarem em vias de extinção.
Eu não as queria e, no seu juizo perfeit, também ninguém as quer.
É só que não estão a ver alternativa mas elas existem.

Estivemos a tratar das vacas que é o trabalho com que sempre sonhamos, podemos ganhar pouco mas adoramos os "banhos de merda de vaca"

4 comentários:

Fernando Gonçalves disse...

As contas do governo estão marteladas?sim,mas não é novidade ano após ano qq que seja o partido que esteja no governo.A Europa não deixa alternativa quando impõe medidas que só provocam recessão,por isso terá que fingir que acredita nas contas enquanto o governo ganha tempo até QUE EVENTUALMENTE mude a politica europeia.Interessante o BCE encharcar dinheiro nos bancos para provocar inflação,e os bancos não emprestam à economia, é so para credito à habitação que não é investimento reprodutivo.Era preferível dar dinheiro diretamente às pessoas,como por exemplo o aumento sustentado dos salários mínimos na generalidade da Europa,pois os mais pobres canalizam tudo para o consumo.

Emanuel Marques disse...

Um aparte fora de tópico:
Quem o lê, que é o meu caso, com atenção, constata alguns pontos em que costuma "bater".
Um deles é o seu entendimento acerca das consequências do aumento do Salário Mínimo no nível do emprego.
Mas, por curiosidade, como comenta o Salário Mínimo ter aumentado e a taxa de desemprego ter diminuído ?

Económico-Financeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Económico-Financeiro disse...

Ola Emanuel,
Infelizmente para quem está sem emprego (e não, necessáriamente considerado desempregoado), o número de empregos diminuiu no primeiro trimestre de 2016.

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