quarta-feira, 4 de maio de 2016

O fim do "modelo político de baixos salários"

O maquinista de geringonça apelou ao fim do "Modelo Político dos Baixos Salários".
Os esquerdistas e as mentes simples bateram palmas mas eu fiquei com uma dúvida.

O que é um Modelo Político?

O conceito "Modelo Político" refere-se à forma como o Estado se organiza seja em termos territoriais (Estado Unitário, Estado Federado, Estado Confederado ou um misto disto tudo) seja em termos de exercício do poder (Monarquia, Aristocracia, Democracia ou um misto disto tudo).
Sendo assim, esse "Modelo Político de Baixos Salários" é uma criação do maquinista da geringonça.


O Costa vai ficar na História por ter acabado com o que nunca chegou a existir.
É mais que possível se atendermos ao facto de Nietzsche* ter ficado na História por ter matado o que nunca existiu, i.e., Deus e D. Quixote ter ficado na História por ter lutado e vencido guerreiro enormes que também nunca existiram (não passavam de moinhos de vento).
Assim, daqui a 100 ou 200 anos, quando já todos estivermos velhinhos ou mesmo mortos, ainda se falará de Costa. Dirão os livros de História de então "Nos princípios do Sec. XXI, Marcelo fez a paz em Moçambique e Costa exterminou de forma implacável o que nunca chegou a existir."
Na Wikipédia ser-lhe-á mesmo atribuído o seguinte texto:

"O Modelo Político dos Baixos Salários está morto! O Modelo Político dos Baixos Salários permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!"


Encontrei um texto interessante do Pedro Portugal (2006).
"O Esgotamento do Modelo Económico Baseado em Baixos Salários", Banco de Portugal (ver)
O Pedro Portugal foi meu colega de trabalho quando eu era estagiário e ele já era doutorado e com trabalho científico de grande valia. Agora, está lá para Lisboa a fazer coisas importantes para o país (e a ganhar bom cacau) e eu estou aqui a escrever estas coisas.
Reparem bem na diferença de discurso entre um tosco, o maquinista da geringonça, e quem sabe, o Pedro. 
Não é o "Modelo Político de Baixos Salários" (serão os salários uma decisão política?),  mas sim o "Modelo Económico Baseado em Baixos Salários" (já faz algum sentido porque os salários são uma determinação económica).

Mas, mesmo o Modelo Económico Baseado em Baixos Salários, não existe.
Quem o diz é o Pedro Portugal.
Assim, o salário não passa de um preço de um serviço determinado da mesma forma que o preço de qualquer outro bem ou serviço, BoS.
Sendo a nossa economia livre, o salário resulta da concorrência entre os trabalhadores e os empregadores, sujeito a interferências políticas da mesma forma que os preços dos transportes públicos ou dos medicamentos têm influência política.

Se o Maquinista tivesse razão, o Cristiano Ronaldo 655,08€/mês.
Segundo a ideia linear dos esquerdistas, como os empregadores procuram pagar o mínimo salário legalmente possível, toda a gente deveria ganhar o SMN, os tais 530€/mês (que correspondem a um custo total para o empregador de 5,00€/h de trabalho) ou 655,08€/mês para quem trabalha em Espanha.
Se a grande maioria das pessoas ganha mais do que 5,00€/h, é porque a tese dos esquerdistas não tem aderência à realidade.


Vamos então ver como, em termos económicos, o salário é determinado.
Existe um espaço de processos produtivos (tecnológicas de transformação) de inputs em outputs, espaço F, que contém todos os processos possíveis, f1, f2, f3, ..., fn.
Cada processo conseguem transformar inputs (matérias primas + bens e serviços intermédios + mão de obra + capital) em outputs (outros bens intermédios + bens finais + mão de obra + bens de capital) onde a mão de obra é apenas um dos inputs.
Para manter um certo grau de generalidade, o output pode ser mão de obra, por exemplo, uma empresa que fornece médicos a hospitais e que tem nos seus quadros de pessoal, além dos médicos, motoristas e pessoal administrativo. 
No limite, a mão de obra é um processo produtivo que transforma arroz, massa, carne, chamadas telefónicas, etc, em trabalho.
 

Modelo Económico de uma empresa (processo de transformação)


Qualquer pessoas pode pegar num processo produtivo e implementá-lo, tornando-se assim empregador. Faz um leasing do capital (máquinas, instalações, veículos, etc.), vai ao mercado comprar bens e serviços intermédios e contratar trabalhadores e volta ao mercado para vender os seus outputs.
A economia vai ser uma malha com milhares de "processos tecnológicos de transformação" ligados pelos bens e serviços intermédios. Assim, é um circuito aberto que começa nos recursos naturais e acaba na lixeira.


 
Uma economia é um fluxo que começa nos recursos naturais, passa por milhares e milhares de processos produtivos interligados e acaba na lixeira.

A margem económica de uma empresa tem que ser, no mínimo, zero.
Uma empresa, que pode incluir vários processos produtivos, apenas sobrevive se o preço conseguido com a venda dos outputs for, no mínimo, igual ao preço dos inputs utilizados. Esta diferença é a  Margem Económica da Empresa e quantifica o valor criado pela empresa.
   Valor Criado pela Empresa = Preço dos outputs - Preço dos inputs incluindo mão de obra
 
Se a Margem Económica for negativa, a empresa apenas poderá continuar a funcionar se for financiada com os impostos, sendo uma empresa pública deficitária ou uma empresa privada subsidiada.

Como é decidido o preço dos inputs.
O empresário vai ao mercado comprar os inputs e vender os outputs.
Os esquerdistas gostam de falar do "monstro mercado" mas, de facto, as compras e as vendas são realizadas por pessoas, mano a mano, que negoceiam os termos da compra e venda.
O empresário, primeiro, vai procurar potenciais fornecedores, trabalhadores e clientes e, depois, vai regatear com cada um deles os preços e qualidades de forma a conseguir que a margem económica seja o mais positiva possível.
Os outros intervenientes nos negócios (vendedores, trabalhadores e compradores) têm exactamente a mesma estratégia (maximizar a margem dos seus negócios ou do trabalho) pelo que é difícil conseguir um "bom preço".
Numa economia em concorrência, a margem económica é zero (depois de pagos todos os inputs onde se inclui a remuneração do empresário e os juros do capital investido)

O regatear é fundamental para a eficiência económica.
Porque vai permitir descobrir onde o recurso é melhor utilizado.
Se eu quero um mínimo de 30€/h pelo meu trabalho, ao negociar com um agricultor cujo processo produtivo não pode pagar mais de 4€/h, nunca chegaremos a acordo. Então, eu vou procurar outras oportunidades e ele também até que eu encontre um trabalho em que seja suficientemente produtivo para poder receber 30€/h e ele encontre um trabalhador que seja produtivo exactamente na sua empresa (por exemplo, porque tem baixa escolaridade).
O salário de cada pessoa surge desse processo de regateagem e não do bicho papão a que os esquerdistas chamam Mercado.




Querias bloguista de merda, mas não tens palheta para esta viola.


O Desemprego de Longa Duração.
É um problema de informação quanto ao impacto do trabalhador na margem económica.
Quando o empregador considera contratar um trabalhador, avalia quanto essa pessoa irá aumentar a margem económica da sua empresa. Se pensar que o impacto na margem vai ser negativo, não a contrata.

A informação.
Não é fácil avaliar com rigor qual será o impacto de cada trabalhador na margem económica da empresa pelo que, usando dados do passado, o responsável pelos recursos humanos, constrói regras de actuação. O que a evidência empírica mostra é que:
Regra 1 => Quem está desempregado tem algum problema.
Imaginemos que tem uma colega de trabalho com muito bom aspecto que, de repente, é largada. Sendo que ela o convida para tomar um café, salta-lhe logo à cabeça "Porque será que foi largada? Deve ter algum defeito que não estou a ver pois, caso contrario, não teria sido largada!"
Agora imagine que conhece o ex-dela e que o acha uma joia de pessoa, vem-lhe logo à cabeça "Deve ter um feitio impossível de aturar."
Com os trabalhadores passa-se o mesmo, há informação que é publica (o currículo e como responde na entrevista) e outra que é desconhecida (quanto vai contribuir para a margem da empresa) e é necessário estimar a informação desconhecida a partir da conhecida.


Questão 1) Imagine que pretende contratar um economista e que lhe aparecem dois candidatos. O candidato A está empregado há 10 anos em Lisboa onde está a ganhar 1200€/mês mas que pretende vir morar para o Porto porque arranjou ali uma mulher boa. O candidato B está desempregado há 5 anos. Se ambos pretendem um salário de 1000€/mês, qual será a pessoa que irá contratar?


Regra 2) Quantas mais vezes foi despedido ou há mais tempo estiver desempregado, mais problemas deve ter.
Com o passar do tempo, foi a mais entrevistas e teve mais hipóteses de mostrar o seu valor. Se não arranjou emprego ou arranjou mas depois foi novamente despedido, mais é certo que a pessoa tem problemas.
Também, com o passar do tempo, a pessoa vai-se desactualizando e perdendo conhecimentos e capacidade de trabalho.

Questão 2) Imagine que pretende contratar um economista e aparecem-lhe dois candidatos que estão actualmente desempregados. O candidato A licenciou-se há 2 meses e o candidato B já se licenciou há 10 anos, teve 10  empregos que em média duraram 3 meses e já não trabalha há 5 anos. Se ambos pretendem um salário de 1000€/mês, qual a pessoa que irá contratar?

Penso que respondeu a ambas as questões que contrataria o candidato A. Sendo assim, fica justificado porque os desempregados de longa duração têm tantas dificuldades em arranjar novo emprego (e os solteirões como eu mulheres boas).

E como se resolve o problema?

Eu dava duas medidas para combater o desemprego de longa duração.

Medida 1) O Salário Mínimo Nacional (ou o salário mínimo previsto no contrato colectivo de trabalho) sofrer uma diminuição de 1% por cada mês de desemprego. Por exemplo, se o trabalhador está desempregado há 3 anos, o SMN reduzir-se para 339,20€/mês, 64% do SMN.

Medida 2) O tempo máximo de renovação do contrato a termo certo aumentar 2% por cada mês de desemprego. Por exemplo, se o trabalhador está desempregado há 3 anos, o contrato poder ser renovado até um máximo de 62 meses, 64% dos 36 meses actuais.

No caso da Geringonça, o mais natural é a Medida 1) ser uma redução da TSU (até ficar a zero).

Falta-me falar do fracasso do Marcelo em Moçambique.
Moçambique é um país muito pobre, com um rendimento corregido dos preços na ordem de 5% do nosso.
Quer isto dizer que, se o salário médio em Portugal é na ordem dos 1000€/mês, em Moçambique é na ordem dos 50€/mês.
Mas 50€/mês não dá para nada, pensa o estimado leitor, e olhando para as imagens dos governantes moçambicanos, estão bem gordinhos pelo que não podem viver com 50€/mês.
Não podem viver nem vivem.
O que se passa é que uma massa muito grande vive com 30€/mês para que a minoria que tem o poder possa ter rendimentos razoáveis.
Moçambique tem uma desigualdade que é das maiores do Mundo (um coeficiente de Gini de 46%)
A guerra vem dai, de os poucos que têm o poder não o querem largar pois isso seria condenarem-se à pobreza a que condenam os outros.

Vejam se tem lógica alguma.
Vamos supor que as eleições de 2014 foram justas.
Moçambique tem 10 províncias, o governo ganhou em 5 delas e em Maputo e a Renamo ganhou noutras 5 províncias, Sofala (56,01%), Zambézia (52,93%), Tete (49,76%), Nampula (49,80%) e Manica (48,76).
Naturalmente, haveria eleições provinciais e a Renamo governaria estas 5 regiões que, por acaso, são as mais pobres de Moçambique (não é por acaso).
Mas não, a Frelimo achou por bem que o governador fosse indicado pelo governo central!
Claro que não há nenhum problema de guerra, há um problema de ditadura.

O que diz o Mia Couto sobre isto?
Contou-me (mas posso estar enganado) que o Mia Couto se referiu a mim como "o racista não sei quê"
Mas será que o Mia Couto vive com os tais 50€/mês que deveriam calhar a cada moçambicano?
O que tem a dizer sobre a Renamo ser maioritária em 5 regiões de Moçambique e a Frelimo ter impossibilitado a eleição dos governadores de província por voto directo?
Parece-me que nada.
É melhor arranjar umas distrações para dizer "eu sou preto por dentro" mas vivo bem como os brancos viviam no tempo do colonialismo.

Para alguns poderem viver como brancos, milhões têm que viver sem nada
 
O Marcelo foi ao local errado oferecer os seus empréstimos.
Não é dizer aos gordos "estou aqui apra ajudar" pois o ajudar seria acabar com a mamadeira.
Tem é que ir oferecer ajuda aos miseráveis.
Não +e fazer um discurso a dizer "Moçambique é um país soberano e estou aqui para ajudar se for preciso" mas teria que dizer "Moçambique é um país com desigualdades gritantes que tenho que denunciar."
Não receberiam tantos abraços e beijo encenados pelo governo mas talvez ficasse na história por ter dito alguma coisa de jeito.
Com esta forma de "fazer política" (dizer o que querem ouvir), o melhor é fazer uma viagem à Coreia do Norte.

Viva ao Camarada Marcelo que é o segundo maior estadista do mundo.


Para onde foi a dívida pública oculta de Moçambique?
Será que foi para combater os mosquitos e a malária como disse o Presidente Machela Quartoou foi para os bolsos dos corruptos que se governam por lá?
Pois, eu não aposto muito na parte do combate à malária.

1 comentários:

Emanuel Marques disse...

Lê-se o que escreve, concorda-se (o que parece estranho! :) ) , mas tenho visto que não “pega na realidade”.

Este é um tema interessante e que me merece atenção para os próximos meses, para mim, e para um grupo de alguns contabilistas, eu incluindo, com gabinetes, que aproveitamos para conversas sobre estes temas.

Temos debatido entre nós este aumento do salário mínimo. Não tenho conhecimento de que tenha havido fortes oposições por parte dos patrões nesta matéria. Está tudo processado (e não são poucos os trabalhadores no conjunto deste grupo e na variedade de empresas de todos nós), está tudo assimilado, os trabalhadores contentes (pelo menos um pouco) e sim, continua-se a admitir pessoal na maioria destas empresas. Este aumento é como tantos outros que as empresas têm de gerir. Mas este, ao contrário de outros, estou com curiosidade em ver se há inversão do indicador da poupança dos portugueses que tem vindo drasticamente a ser diminuído.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code