sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vitória vs Peseiro, ensino público vs privado, Passos vs Costa

Esta última semana a minha cabeça esteve quase a rebentar. 
E isto tudo por causa de apenas 3 questões.
A primeira questão é saber se o Vitória (Benfica) é melhor treinador que o Peseiro (FCPorto).
A segunda questão é saber se as escolas públicas são uma melhor aplicação dos dinheiros dos nossos impostos do que as escolas privadas.
A terceira questão é saber se o "Caminho do crescimento e emprego e da reposição dos direitos e conquistas de Abril" do António Costa é melhor que o "Caminho Neoliberal, de baixos salários e de austeridade" do Passos Coelho.
A minha cabeça estava quase a rebentar, latejava e sentia tudo a andar à roda (sim, estou com síndrome vertiginoso o que dá direito directo a baixa médica!) mas, a minha mente contra-atacou com uma quarta questão.

Ai que a minha cabeça vai rebentar!


Porque será que acabaram os exames no ensino básico e secundário?

Bingo, está tudo aqui explicado.  É quase como a regra de que "menos por menos dá mais." Se não somos capazes de responder a uma questão, atacamos com outra questão e logo a coisa fica resolvida.

Faz-me lembrar uma guerra de questões nos malucos do riso.
-Oh Compadre, você que é todo esquerdista, diga-me porque é que no caminho da austeridade e da destruição da economia do Passos Coelho o desemprego estava a diminuir e a economia a crescer e, agora com o caminho do crescimento do Costa, a economia está a cair e o desemprego a aumentar!
- Sabe compadre direitista, isto tem a ver com os animais. Sabe-me dizer porque a vaca e a ovelha comem ambas erva e a vaca faz um cagalhotos grandes e a ovelha uma bolinhas pequeninas?
- Não compadre esquerdista, não sei.
- Então se não sabe de coisas de bosta, quer que nós os esquerdistas percebamos alguma coisa de economia?

 

Já estava quase a entrar num estado de loucura
(que, dizem, é o meu estado normal) quando me veio à cabeça uma questão que já estava meio esquecida mas que é a chave para isto tudo.
Porque será que a Geringonça acabou com os exames no ensino básico e secundário?
Será mesmo que é por serem traumatizantes para as frágeis mentes das criancinhas?

Não, nada disso, agora sei que apenas foi para preparar o terreno.

A existência de avaliação faz com que as acções das pessoas possam ser comparadas com a alternativa.
Vamos supor que o Benfica treina 2 horas de manhã, 2 horas a meio do dia e mais 2 horas à noite, 5 dias por semana e, no fim de cada treino, tem uma massagista com mamas secas para cada 3 jogadores.
Vamos ainda supor que o FCPorto treina de 3 horas de manhã, 3 ao meio do dia e mais 3 à noite 6 dias por semana e tem no fim de cada treino uma massagista de mamas boas por cada jogador.

Esta massagem (que custa 20€) só pode fazer bem às dores de costas mas a avaliação clínica diz que é melhor tomar um comprimido de Nimesulida (que custa apenas 0,10€).


Quem é o melhor treinador, o Vitória do Benfica ou o Peseiro do FCPorto?
Bem, não há dúvida que será o Peseiro já que treina mais horas e proporciona mais e melhores massagistas.
Naturalmente, o ensino público é melhor porque as turmas são mais pequenas, há menos alunos por professor (segundo os dados, uma média de 9 alunos por professor!) e as instalações são maiores (mais m2 de área por aluno).
Finalmente, o Costa é melhor que o Passos Coelho porque, além de ter reposto os direitos dos desgraçados (i.e., o meu salário e de outros malandros), ainda acabou com a austeridade e começou o caminho do crescimento e do emprego.

O problema é quando há avaliação.
Por mais que o Benfica e o FCPorto treinem e façam jogos "solteiros contra casados", nunca saberemos no exacto qual das equipas conseguirá jogar melhor quando for "a doer".
Agora, vamos olhar para os jogos a doer, naqueles que há avaliação fiável.
Olhando para o facto de nos últimos 3 campeonatos (2013/2014, 2014/2015 e 2015/16) o Benfica acabar com  uma média de mais 7 pontos que o FCPorto, teremos que concluir sem margem para discussão que o Benfica tem sido melhor treinado que o FCPorto.
Não sei se é por o Pinto da Costa estar dominado pelos comissionistas.
Não sei se é por a Fernanda rebentar com o homem com acrobacias sexuais.
Não sei se é por o Peseiro, o Lupetegui ou o Rui Barros não perceberem da poda.
Não sei se é por causa dos árbitros, das bolas ao poste ou da radioactividade no Dragão ser maior que na Luz (isto é verdade)
O que sei é que, postos a jogar todos contra todos à séria, o Benfica consegui mais pontos.

Se vemos que é branco e que a galinha o põe, só podemos concluir que é ovo.

Acabaram com os exames para não poder haver comparação!
É que não havendo avaliação dos alunos, os pais dos alunos (e nós os pagantes de impostos) não podem fazer uma comparação entre o conseguido nas escolas públicas e nas escolas privadas.
Se não podemos comparar, a Geringonça pode dizer à vontade que "o ensino público é melhor que o ensino privado e fica mais barato."
Afinal, o fim dos exames não foi porque tal traumatizava os alunos sem haver ganhos pedagógicos mas porque fazia parte do processo que está a levar ao fim a hipótese dos pais das crianças escolherem meter os filhos numa escola privada com financiamento público ou numa escola pública também com financiamento público).
 
Será que alguém perguntou?
Aos alunos, aos seus pais ou aos psicólogos se as crianças fazerem exames na escola é traumatizante?
Porque será que os pais e as crianças querem meter os filhos em escolas privadas quando têm a menos de 2 km escolas públicas vazias?
Será que esses pais querem filhos ignorantes? Será que têm que ser interditados do seu poder paternal porque só querem fazer mal dos filhos?
Será que essas crianças são dependentes de drogas que lhes alteram o discernimento a ponto de dizerem querer estar numa escola privada?
Será que o ministro da educação é Super Homem a ponto de saber o que é melhor para os alunos mesmo pensando estes o contrário? 

Consta que o amarelo é a cor dos malucos, só pode ser para quererem estar em escolas privadas que lhes fritam os cérebros


3 passos para tornar o sistema de ensino eficiente na utilização dos dinheiros públicos.
Para que um sistema seja eficiente, tem que ser possível compara-lo com outros (menos eficientes). 
Então, será preciso fazer uma avaliação aos custos e ao desempenho de forma a conseguir uma melhor relação preço/desempenho.
Vou considerar o ensino público como referência (benchmark).
1 passo) Avaliar qual é o custo padrão no ensino público.
Este custo padrão será calculado com base no custo médio por aluno nas escolas públicas controlando, por exemplo, pelo anos de escolaridade, pela área de ensino e por variáveis socioeconómicas.
Segundo as estatísticas do governo, cada aluno custa nas escolas públicas uma média de 4660€/ano (ver) sendo mais barato nos primeiros 4 anos de escolaridade, 2772€/ano, que nos seguintes 8 anos de escolaridade, 4921€/ano, (ver).

2 passo) Avaliar qual é desempenho padrão dos alunos do ensino público.
A avaliação do que o aluno sabe tem que ser feito sujeitando os alunos de todas as escolas ao mesmo teste de conhecimentos (incluindo raciocínio, criatividade, etc.) da mesma forma que nos Jogos Olímpicos todos os atletas, independentemente das metodologias de treino, raça ou religião, têm que correr um mesmo percurso de 42195 m (para a maratona).
Para sabermos como se compara a performance dos alunos da escola A em Vinhais relativamente aos alunos da escola B em Faro, todos terão que responder a um teste idêntico de que já existem modelos validados como, por exemplo, o GRE (Graduate Record Examination) cuja classificação é aceite por muitas universidades um pouco por todo o mundo.
Vamos supor que o desempenho padrão dos alunos é normalizado a 60 pontos numa escala de 0 a 100.

3 passo) Financiar todas as escolas que consigam melhor desempenho que as escolas públicas.
Vamos supor que uma escola se propõe ensinar alunos por 80% do custo padrão.
Não interessa se esta escola tem turmas com 10 alunos ou com 50 alunos, o que interessa é que consiga ensinar um aluno com um desconto de 20% em comparação com as escolas públicas e que os alunos consigam atingir o desempenho padrão.

O Estado apenas terá que fazer o seguinte contrato:
Compromissos
1 = O Estado financia a Escola com 80% do custo padrão.
2 = A Escola aceita todos os alunos que a queiram frequentar, independente da origem socio-económica, desempenho escolar, raça, género ou religião.
3 = A Escola garante que os alunos atingem em média, pelo menos o desempenho padrão.

Penalizações
4 = Violando o ponto 2 do contrato, a Escola sofre uma penalização de 10000€ por aluno.
5 = Não atingindo a meta do ponto 3, a Escola tem uma penalização proporcional ao desvio.

Vejamos um exemplo numérico.
A Escola propôs 80% do custo padrão e consegue cativar um total de 1000 alunos.
Pro razões que não explicou, excluiu 10 alunos em no final do ano, os alunos atingiram um desempenho médio 2 pontos abaixo do desempenho padrão (que é de 60 pontos).
Então, o financiamento total da Escola para este ano vai ser de:
       (1000 * 4921*80% - 10 * 10000€) * 58/60 = 3,71 milhões € por


Para melhorar a eficiência, é preciso avaliar


Mas os esquerdistas falam na "exclusão dos desfavorecidos" por parte dos privados
Mas, facilmente, o sistema de financiamento pode ultrapassar esse problema com um caderno de encargos que inclua na formula de financiamento variáveis socioeconómicas (vou apresentar apenas um exemplo).
O financiamento é atribuído a quem atinge o desempenho padrão (60 pontos na escala 0-100) adaptado à seguinte regra "anti exclusão":
   Rpc = ((Rendimento mensal per capita do agregado familiar do aluno) / 420)^0,5
   Esc = ((Número médio de anos escolaridade dos pais do aluno) / 6 )^0,5
   C = Rpc*Esc
   No caso de C<1, o aluno será financiado se atingir 60 * C pontos.

Por exemplo, uma criança com Rpc = 300€/mês e  Esc = 4 anos, para obter financiamento terá que ter um desempenho de pelo menos 35 pontos, 600 * (300/420)^0,5 * (4/6)^0,5 = 34,5 pontos.

Finalmente, Geringonça contra Caranguejola.
sim, sim, a Geringonça está a funcionar e, por isso, já podemos avaliar do que ela é capaz.
Se disséssemos, "não, o PCP está a levantar obstáculos e o BE não é construtivo" ainda poderíamos pensar "quando a Geringonça começar a funcionar, isto vai ser melhor que o Paraíso" mas não, a Geringonça está a funcionar plenamente.
Então, nestes últimos tempos saíram os resultados para o desempenho da Geringonça. Relativamente ao Passos Coelho temos que
   A) O défice aumentou
   B) A dívida aumentou
   C) O emprego diminuiu
   D) O desemprego aumentou
   E) O crescimento do PIB diminuiu
   F) O investimento diminuiu
   E) As exportações diminuíram
   G) As importações aumentaram
   H) As taxas de juro aumentaram
É que não há uma única vertente onde a Geringonça PS+CDU+BE tenha conseguido melhor desempenho que a Caranguejola PSD + PP.

Os resultados da caranguejola eram anémicos mas os da Geringonça são ainda piores


A culpa é dos outros.
Disse o Peseiro que 2016 foi um ano de transição mas em que, mesmo assim, se não fossem os árbitro e as bolas aos ferros, o FCPorto teria sido campeão. 
Mas, pergunto eu, então não deveria ser a capacidade do Peseiro enquanto treinador que deveria fazer o FCPorto Campeão?

Disseram várias vozes da Geringonça que o primeiro trimestre foi apenas de transição e que, mesmo assim, se não fossem a crise em Angola e no Brasil, o desempenho da economia teria sido melhor que o da Caranguejola. 
Mas, pergunto eu, o Costa quando entrou não prometeu que, pela sua capacidade e do Centeno mais o Cabral,  a economia iria ficar muito melhor que no tempo da Caranguejola? Não era a competência deles que iria fazer explodir o "crescimento anémico" de 1,5% da Caranguejola?
Agora que o crescimento no primeiro trimestre voltou à tendência de 0,5%/ano dos 6 anos do Sócrates (os 0,8% em termos homólogos inclui 2,5 trimestres de 2015 da Caranguejola), só tem a dizer que a culpa é dos outros? 

Não é culpa do Brasil nem de Angola.
Mais não é porque Portugal teve no 1.º T 2016 o pior desempenho da Zona Euro (excluindo a Grécia onde o Costa foi fazer furas de amor e de solidariedade). Faz-me lembrar as provas de bicicleta em que um ciclista estando muito atrasado, há um desgraçado que fica para trás para o ajudar a não desistir.
Num mercado globalizado com milhares de milhões de pessoas, é o preço relativo que conta. Se nós conseguirmos fazer bicicletas mais baratas e melhores que os espanhois, ficamos com o mercado todo espanhol. Se os nossos camionistas conseguirem fazer transportes melhores e mais baratos que os outros transportadores europeus, ficamos com a totalidade do negócio dos transportes na União Europeia.
O mercado é vastíssimo pelo que uma pequena diferença na relação preço/qualidade é suficiente para arruinarmos o nosso tecido produtivo.
é que não foi só a questão da diminuição das exportações mas o aumento das importações também traduz que as nossas empresas se tornaram menos competitivas face às empresas exteriores.

"A partir de agora é que vai ser"
O Peseiro diz que vai ganhar o título em 2017 e muitos mais virão sobre o seu comando.
Os da Geringonça também dizem que é exatamente agora que a economia vai explodir com mais emprego, menos desemprego e mais crescimento económico.
Acredito tanto que o peseiro vai ser campeão no FCPorto como que a Geringonça vá conseguir sair do marasmos dos 0,5%/ano de crescimento.

Então,a subida do Salário Mínimo Nacional eram mais 1000 milhões nas mãos das famílias?
Lembram-se do argumento de que subir o salário mínimo não tem nenhum impacto negativo na economia.
Claro que esta afirmação não resiste sequer à prova por absurdo.
Pois imediatamente, o investimento caiu, o emprego caiu, as exportações caíram, o crescimento caiu e, pelo contrário, o desemprego aumentou.
Se subir o salário mínimo nacional não causa prejuízo a ninguém e melhora a vida dos assalariados então, que se suba o SMN para 1 milhão € por hora.

Força Costa, sobe isso rápido para os 600€/mês.
Porque quanto mais rápido fizeres as asneiras, menos tempo temos que te aturar.

E o Brasil?
Em tempos escrevi um poste a prever que o Brasil ia, lá para 2019, bancarrotar.
Alguns dos brasileiros que são meus leitores insultaram-me.
Afinal, as más notícias não estavam em quem as anunciava, em mim, mas no Brasil.

Mas muita coisa continua boa e gostosinha lá para os lados do Brasil

1 comentários:

Fernando Gonçalves disse...

A questão do ensino privado vs público é que há muitas escolas públicas com muita capacidade excedentária em zonas onde ao pé existem colégios com contratos de associação.A culpa é do anterior governo que criou uma lei para favorecer essas entidades.A questão das avaliações é muita relativa, é preciso compreender que a escola é muito mais que um centro de treino para certos exames,há muitas competências que as escolas formam e que entretanto vão tendo o seu caminho ainda pelo ensino superior e que só na prática,no momento decisivo,que é o mercado de trabalho,se pode avaliar a sua importância.Além disso,mesmo que fixassemos objetivamente os conteúdos que importassem avaliar para aferir do desempenho de cada escola,é muito complicado comparar escolas com públicos muito diferentes umas das outras,quer devido às diferenças socio económicas que se espalham em cada região,em cada cidade duma região,em cada freguesia duma cidade e em cada lugar/zona duma freguesia,quer quanto digamos "à qualidade de raiz dos alunos que entram em cada escola" que tb está dependente do desempenho das escolas já frequentadas pelos alunos.
Quanto às contas publicas,digo que mais vale uma taxa de desemprego acrescida em 4 ou 5 décimas que 1% de empregos criados artificialmente,como foi o caso da massa record de estágios do passos em que em muitas situações,algumas das quais até pessoas que conheço,que nem os 600 euros ou valor do género recebiam pois os patrões metiam ao bolso o dinheiro dos subisidios e não lhes pagavam.Além disso,há um trade of que cada sociedade escolhe entre o valor do salário mínimo e a taxa de desemprego,de tal modo que se um aumento dos salários superiores à perda de empregos resultar num aumento da massa salarial e consequentemente nas contribuições para a segurança social de tal modo que a capacidade publica de subsidiar o desemprego aumente, é uma opção que a sociedade pode preferir.Até porque sinaliza as empresas que não vale a pena de todo criar postos de trabalho low cost.é curioso que de 1974 até ao presente a produtividade do trabalho aumentou imenso fruto de todo o progresso tecnológico e aumento da qualificação das pessoas e que o valor do salário mínimo atual esteja apenas ao nível do de 1974,apenas repondo a inflação,aumento real 0.Será que o crescimento económico não pode ser um beneficio para todos?Sabemos que esta questão da distribuição dos rendimentos está intimamente relacionada com a questão da propensão ao consumo vs poupança,muitas vezes penso que há um excesso de poupança,para abrir em cada esquina uma agencia bancária,um supermercado,uma bomba de gasolina,uma pizaria,um restaurante,um centro comercial,uma loja de mobiliário e decoração,etc,que muitas vezes acabam por encerrar ao fim de algum tempo, é o resultado de muito investimento e pouco consumo que o viabilize.Gostaria de compreender qual seria a taxa de poupança ideal a nível mundial,que rentabilizasse adequadamente os investimentos.

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