sexta-feira, 17 de junho de 2016

A Estrada da Beira e a Estrada da Beira

Mas os Esquerdistas pensam que podem vender duas coisas iguais como diferentes.
Esta semana estalou a polémica da emigração. 

Em Outubro de 2011, um jornalista perguntou ao Passos Coelho:
Por exemplo, os professores excedentários que temos e temos muitos O sr. Primeiro Ministros aconselhar-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e procurarem emprego noutro...

A que o Passos respondeu:
Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra e de professores. Nós sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos, nós estamos com uma demografia decrescente como todos sabem, portanto, nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo-se manter como sobretudo professores, podem olhar para todo o mercado de lingua portuguesa e encontrar ai uma alternativa. Isso é verdadeiramente possível.
Em Junho de 2016, o António Costa disse sobre um acordo com o Holland:
“É muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui.”

Para mim, o que disse o Passos Coelho em 2011 é exactamente igual ao que disse o Antóniuo Costa em 2016 com a pequena diferente de o Passos se referir aos países de língua portuguesa e o Costa aos de língua portuguesa a viver em França.

Mas a análise feita na comunicação social foi muito diferente.
Os esquerdistas fizeram um arraial minhota quando ouviram as palavras do Passos Coelho e remeteram-se ao silêncio com as palavras do Costa. E a comunicação social foi atrás.

É a famosa "austeridade inteligente."
O que seria o outro caminho, o caminho da crescimento do emprego, o fim da austeridade, do fim dos salários chorudos nas empresa públicas (leia-se CGD), transformou-se na mesma coisa mas "inteligente".
Digamos que o Povo tem razão quando diz que "Quem feio ama, bonito lhe parece."
A coisa é cada vez mais a mesma coisa e ainda pior (mais desemprego, menos crescimento) mas agora é um caminho uma austeridade sustentável e inteligente.

Reparem nesta resposta.
Uma colega minha (RM) que, em tempos, até andei a pensar em transformá-la em minha amante perguntou ao marido "Preferias uma mulher bonita ou inteligente" a que ele respondeu "Nem uma coisa, nem outra porque amo é a ti."!
Se perguntarem a um esquerdista "Preferias um governo que acabasse com a austeridade ou que fizesse a economia e o emprego crescer?", ouvirão "Nem uma coisa nem outra pois o que eu amo é a Geringonça."!

Insanidade: fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes (Einstein).
Não foi Einstein quem escreveu esta frase mas aparecer Einstein faz parte da mensagem da frase.
Passo então a explicar.


Fig. 1 - Causas iguais levam a resultados diferentes

Para causas iguais, resultados diferentes.
A Física de Newton funciona bem com corpos da nossa dimensão mas não funciona com copos muito grandes como planetas, estrelas, galáxias e buracos negros. Acontece que Einstein, com a sua Teoria da Relatividade, consegue explicar o que Newton já não conseguia explicar (a trajetória de Mercúrio).
Mas persistiram problemas ao nível da física das partículas sub-atómicas (constituintes dos átomos) que foram resolvidos com a Mecânica Quântica.
Ao nível da Teoria da Relatividade (que se aplica aos corpos grandes), as trajetórias são linhas, a velocidade é finita, a energia varia de forma contínua e, se aplicarmos as mesmas forças a dois corpos diferentes, os seus comportamentos serão iguais.
Mas ao nível quântico, nada disto acontece, os objetos desaparecem num sítio e aparecem noutro instantaneamente (velocidade infinita!), a energia varia em saltos (quantas) e, se aplicarmos as mesmas forças a dois corpos semelhantes, o comportamento poderá ser radicalmente diferente.

Vejamos a fissão nuclear.
Um átomo quando é atingido por um neutrão tanto pode rebentar libertando uma quantidade de energia E como deitar o neutrão fora e continuar direitinho. Acontece que, se tivermos 2 átomos iguais que são igualmente atingidos por um neutrão, um pode rebentar e o outro ficar igualzinho. O mais grave é que existe uma regularidade estatística, se hoje 100 milhões de átomos forem atingidos, 10 milhões rebentam e 90 milhões ficam igualzinhos daqui a um ano, outros átomos sendo atingidos, mantém-se esta proporção.
Então, o comportamento dos "corpos" ao nível sub-atómico é aleatório, uma vez aplicada a ação, existe uma probabilidade p de acontecer A e uma probabilidade 1-p de acontecer B.

O Einstein nunca aceitou a física probabilística.
Existe a ideia de que o Einstein foi o homem mais inteligente de todo o sempre mas não compreendeu (não aceitou) a Mecânica Quântica mesmo que esta fosse cada vez mais apoiada pela evidência empírica.

Deus não joga aos dados.
É esta a frase que, fraseada, deu "Causas iguais não podem dar efeitos diferentes".
Mas a frase traduz exatamente o contrário, foi a derrota da ideia de que o universo era determinístico, i.e., onde causas iguais levarão sempre a resultados iguais.
Einstein trabalhou os últimos 40 anos da sua vida a tentar acabar com a Física Quântica, queria aplicar a sua física determinística (da escala grande) à física probabilística (da escala pequena) mas falhou. E, quando viu o aproximar da morte e porque mais e mais evidência apoiava a física probabilística, Einstein demonstrou que estava vencido apresentando a "prova" religiosa: Se Deus é omnisciente, na hora em que criou o Universo já sabia tudo o que lhe iria acontecer para todo o Futuro. Então, se, o Universo se rege por leis probabilísticas, Deus não é omnisciente.

Einstein morreu há 61 anos e a Física Quântica mantém-se!
Desta forma, o António Costa fazendo e dizendo as mesmas coisas que fez e disse o Passos Coelho, pode obter resultados diferentes e estes são 1) o abraçar destas medidas pelos esquerdistas que os dizem feitos com otimismo e inteligência 2) um crescimento ainda mais débil que o do Passos.

Até ao fim do ano, vamos entrar em recessão.
Claro que a culpa vai ser, tal como disse o Sócrates em 2008 e em 2011, da crise internacional mas as coisas estão a caminhar para o negativo (ver o Indicador coincidente da actividade económica).
Claro que os brojessos da Geringonça vão dizer "isso são previsões e nós só trabalhamos com dados reais" (como se os dados reais fossem melhores) mas, para desmontar essa questão, mostro como o ICAE se assemelha à taxa de crescimento do PIB.
Se está a cair em terreno negativo, não tarda nada, o PIB também entra em terreno negativo.

  Fig. 2 - Relação entre o ICAE de um mês e o crescimento económico homólogo desse mês (dados, Banco de Portugal).

Os juros da dívida pública portugueses estão altíssimos e os alemães negativos.
Isto traduz risco de a Zona Euro rebentar.
Quando rebentar o Marco Alemão (e a dívida pública alemã) vai valorizar enquanto que o nosso escudinho (e a nossa dívida pública) vai desvalorizar.

Fig. 3 - A geringonça até pode funcionar, mas deita fumaça tóxica.

O jacinto de água e os herbicidas.
Nestes últimos tempos a questão fraturante das esquerdas é o uso do herbicidas glifosato.
É uma parvoíce que não faz sentido nenhum.
O glifosato é um herbicida muito utilizado porque é barato de produzir, potente, praticamente não é tóxico e a patente já expirou. Estudos mostram que uma pessoa não morre se beber até 0,1 litros deste herbicida.
Uma característica importante do glisofato é que existe um gene que torna as plantas resistentes à sua acção, gene que existe, por exemplo, naquela erva cortante que está a encher as beiras das autoestradas (juntamente com as acácias) e que dá um pluma branca ou cor de rosa (erva das pampas).
Por haver esse gene em muitas plantas, a Monsanto meteu-o numa variedade de Soja o que foi o maior contributo individual para o fim da fome principalmente na China, 85% da soja é produzida nos Estados Unidos, Brasil, Argentina e Paraguai e 60% é consumida na China.

Fig. 5 - A produção por hectare de soja duplicou entre 1960 e 2016 e cresce continuamente 1%/ano


O glifosato é biodegrável.
Quando o glifosato é aplicado num terreno, em média, a sua concentração reduz-se a metade no espaço de 47 dias. Isto que dizer que, se aplicarmos uma dose de 1300g de glifosato por hectare, ao fim de 1 anos já só restam 6,00g de glifosato e, ao fim de 2 anos, 0,03g de glifosato.
Quando o glifosato é aplicado sobre água, em média, a concentração reduz-se a metade no espaço de 91 dias. Isto que dizer que, se aplicarmos a dose normal de 1300 g de glifosato por hectare numa albufeira,  ao fim de 1 anos restam 80,0g de glifosato e, ao fim de 2 anos, 5,0g de glifosato.

Vamos imaginar que, anualmente, 1% da albufeira é pulverizada.
Os jacintos de água é uma planta originária do Amazonas que flutua na água. É uma das piores espécies aquáticas invasoras porque, além de se reproduzir rapidamente em águas lentas como albufeiras e canais de irrigação, evita que a luz entre na água matando todas as algas e, consequentemente, os bichos aquáticos e peixes. Também é perniciosa porque entope as captações de água e os canais de irrigação. No Alqueva e na Pateira de Fermentelos é um problema gravíssimo que consome milhares de euros todos os anos e com resultados fracos.

Fig. 6 - O Jacinto de Água veio para Portugal como uma planta ornamental (parece um orquídea).


Como o Jacinto é arrastado pelo vento, concentra-se em algumas zonas o que faz com que possa ser controlado pulverizando uma pequena parte da superfície. Assim, pode ser controlado pulverizando apenas 0,0833%/mês da albufeira (1% da área total por ano) com uma dose de 1300g/ha. o que resultaria numa dose média de 5,3g/ha.
Como a albufeira tem uma profundidade média de 16m, teríamos um teor de 5,3g/16000kg = 0,3 mg/kg = 0,3 ppm, um nível 50 mil vezes abaixo do limiar de toxicidade (testado em ratos).
Por mim, aconselhava a fazer-se um teste a ver até que ponto o glifosato é útil no caso do jacinto de água.

O problema em Portugal é que o povo exagera na dose.
Todos nós estamos contaminados com quantidades vestigiais de glifosato e de milhares de outras moléculas de síntese. Mas isso não resulta de este herbicida ser usado no controle de ervas nas beiras da estrada ou em meio urbano. Resulta antes de bebermos água dos rios e de o povinho exagerar na dose.
Em tempos utilizei este herbicida que diluía, conforme as instruções da embalagem, em 300 litros de água. Metia em silvas que começavam a ficar amareladas, perder volume e a definhar ao longo dos meses. Mas o povinho quer morte imediata, aplicar e no prazo de uma semana, já estar tudo seco e, por causa disso, a senhora onde eu comprei o produto não se calava de repetir "diz ai 300litros mas meta só 50 litros pois só assim é que as plantas morrem."
O povinho português não tem paciência (e por isso é que temos lá o Costa).
E com uma dose 6x a recomendável, parte vai parar aos rios que, depois, bebemos.
Não estamos a ser contaminados por aquelas pessoas que vemos aplicar o herbicida mas pelas que não vemos, lá longe, de onde vem a água que bebemos. 


1 comentários:

ADM disse...

Caro PCV, a probabilistica tambem se aplica ao Glifosato.
De facto o glifosato só afecta plantas e afins e não humanos. Porém, na realidade as bacterias intestinais humanas, cerca de 3 kg do peso de um adulto, são afectadas pelo pesticida. E o efeito entre baixa qualidade das bactérias intestinais e doenças graves está a ser provado...

Como você sabe, a engenharia e fiscia não quantica são deterministcas, a economia e a ecologia são probabilísticas...

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