quarta-feira, 29 de junho de 2016

Grexit, livre comércio, camiões e racismo

OK, vou tentar ligar estas coisas todas! 
No rescaldo da votação do povo britanico para sair da UE, têm surgido nos comentários questões sobre eu conseguir (ou não) dar racionalidade à decisão de sair. Como as minhas respostas foram num comentário, não ficou claro aquilo que a Ciência Económica e a evidência empírica mostram.

A) A movimentação de bens, serviços, capitais e trabalhadores é um factor chave no desenvolvimento dos povos.
Sobre esta questão não pode ficar a mais pequena das dúvidas.
E este ganho de bem estar vem de vários caminhos.

Os escoceses são tão diferentes dos ingleses que o Mel Colm-Cille Gerard Gibson fez de escocês e é de origem galesa, Colm, holandês, Cille, inglês, Gibson e nasceu em NY.
O Mel Gibson está para os escoceses como os brancos com a cara pintada de preto para os africanos.

Primeiro, as descobertas de novos produtos como, por exemplo, medicamentos, software ou processadores, têm um custo fixo de I&D muito elevado e um posterior custo de produção muito mais baixo. Assim, quanto maior for o mercado, mais os custos de I&D vão ser diluidos o que leva a preços mais baixos e a lucro mais elevados para quem faz I&D o que leva ao seu aumento.
Vamos supor que uma farmacêutica precisa investir 1000 milhões € na descoberta de um novo antibiótico cuja produção custa 1€ por caixa. Vamos ainda supor que a farmacêutica precisa de um lucro de 50% para fazer face ao risco e que a patente se mantém por 20 anos.
Num mercado em que se vendam 1 milhão de caixas por ano, o preço de venda ficará em 76,5€ por embalagem, =(1000E6/(1E6*20)+1)*1,5 e o lucro da farmacêutica será de 510M€.
Num mercado global onde se vendam 100 milhões de caixas por ano, o preço médio de venda ficará reduzido a 2,25€/embalagem, =1000E6/(100E6*20)+1, e o lucro da farmacêitica aumentado para 1050M€.

Segundo, as economias de escala permitem produzir a um custo mais baixo.
Uma fábrica de automóveis, um estaleiro de contrução naval, uma siderurgia, conseguem custos de produção mais baixos se produzirem volumes maiores. Então, havendo mercados maiores, é possível conseguir preços mais baixos para os consumidores, lucros maiores para os produtores e mais diversidade para os consumidores.

Terceiro, as regiões podem-se especializar nas actividades em que têm vantagens competitivas.
Por exemplo, Portugal tem um clima agradável durante a maior parte do ano enquanto que o RU tem frio, chuva e vento. Então, será de nos especializarmos na produção de turismo e o RU na produção de outra coisa qualquer para pagar as estadias dos turistas britâncos aqui.

Falei apenas de bens mas podemos aplicar os mesmos princípios ás pessoas. Por exemplo, uma equipa de cirurgiões que se especializou depois de milhares de horas de investigação e estudo no tratamento das roturas do tendão cruzado do joelho, porque se trata de uma lesão bastante rara, obriga a ter acesso a um "mercado" muito grande para poder ser rentabilizada.

B) Existe racionalidade na saída do RU da UE.
Vamos imaginar que, separados, o PIB do RU era 800€ e o da UE 9000€ e que, unidos, o PIB do RU passa a ser 1000€ e o da UE é 10000€.
Olhando para esta situação, não há qualquer dúvida que o RU deve fica na UE mas também que a UE deve ficar com o RU. 
O problema é a guerra pela divisão do ganho do comérico (um total de 1200€). É que o RU acha que o justo é receber 500€, metade do ganho da UE, e a UE acha que o justo é o RU ainda lhe pagar 100€.
Como nas guerras nunca há cavalheiros, esta negociação tem que passar pelo esticar da corda que, agora, partiu do lado do RU.

Será que a separação vai durar para todo o sempre?
Depois de a Alemanha ter bombardeado Londres dia e noite durante 5 anos e de Dresden ter sido reduzida a um monte de escombros, seria de prever que a separação seria para sempre e não foi.
Agora, o RU apenas tem que mostrar que a UE vai perder muito e ele pouco e a UE mostrar o inverso.
O RU vai avançar com negociações com países terceiros e retaliar com tarifas onde a opinião pública seja mais sensível como, por exemplo, nos vinhos e queijos franceses e a UE vai atacar noutro sítio qualquer.
Mas estas coisas todas não passam de fases do processo negocial da divisão dos ganhos do comércio.



Porque não permitimos a entrada de trabalhadores sazonais?
Em Marrocos, a jorna agrícola de 8 horas anda na casa dos 5€, cerca de 0,60€/hora. No Bangladesh é na casa de 1€ por dia.
Incluindo salário, viagem e alojamento, conseguem-se trabalhadores a um custo de 2,50€/h para trabalhar na agricultura, sem limite de número, 100 milhões se forem precisos.
Se a nossa nossa agricultura tivesse trabalhadores a 2,50€/hora, poderíamos produzir e exportar muitos mais produtos, frutas e hortícolas, para o Norte da Europa.
Num ano, um agricultor marroquino trabalha 2400 para ganhar 1500/ano.
Como um visto de 3 meses / 936h (12h/dia, 6 dias por semana), esse trabalhador conseguiria, a 2€/h líquidos, levar para casa 1872€, mais 20% que o seu salário anual trabalhando menos de metade das horas.
Nós ficaríamos melhor, os marroquinos ficariam melhor e os países do norte da Europa também pois teriam acesso a produtos hortículas e frutas melhores e mais baratos.
Não faltam pessoas válidas desde vietnamitas até nigerianos passando por bangladeshianos e moçambicanos que estão a passar necessidade grave e que nos poderiam ajudar.

Tudo isto seriam liberalizações que promoveriam o aumento do nosso PIB.
Porque não existe liberdade para que os sazonais possam vir trabalhar para Portugal ao salário que for?
Porque não acabamos com a regulação do mercado de trabalho?
Porque não acabamos com os alvarás dos transportes públicos?
Porque não pode a UBER operar livremente?
Porque não acabamos com o Salário Mínimo?
Porque não privatizamos os portos e acabamos com a chupeta dos estivadores?
Porque não privatizamos o subsídio de desemprego?
Porque não acabamos com as empresas públicas que são ineficientes?
Porque não paga o Estado aos seus funcionários o salário de mercado?(ups, enganei-me pois esta ia doer forte no meu bolso).

Imagine razões várias e serão essas mesmas razões as que levaram os britâncios a votar pela saida da UE.
Até chegará a pensar que "é proibido essas pessoas virem para cá para o bem delas" e que "o melhor era mesmo acabarmos de vez com o seu sofrimento."

C) Para haver livre comércio, o custo de movimentar mercadorias é importantíssimo.
Se eu quiser mandar um camião TIR carregado de Guimarães para Frankfurt (2130km), consigo um preço próximo dos 2200€ que dá cerca de 0,10€/kg. Se pensarmos que uma carga leva 33 europaletes, teremos 67€/palete com um peso na ordem dos 750kg.
Haver um preço baixo para as mercadorias permite que as empresas possam vender no mercado global e, assim, aproveitarem vantagens comparativas locais.
Mas o problema não está nas grandes cargas mas nas pequenas encomendas, um fabriqueta qualquer de sapatos que tem a possibildaide de enviar uma palete com 200 pares de sapatos de Guimarães para uma loja em Frankfurt, outra palete para Milão e ainda outra apra outro sítio qualquer. Sendo que os CTT levam 25,30€ mais 3,20€/kg (ver, CTT), para 300kg, estamos a falar de um valor próximo de 1000€ ( semelhante ao preço da DHL ver, DHL), 5 € por par de sapatos, o que é um entrave a que as chafaricas possam exportar.

Mas a Mercedes já tem um camião que anda sem condutor!
A evidência dos últimos 50 anos mostra que para haver uma redução significativa do preço de um bem ou serviço é preciso robotizar o processo produtivo.
No caso dos transportes, é preciso robotizar os camiões, o processo de bundling / debundling - empacotamento / desempacotamento e de endereçamento e encaminhamento.
A questão é que a Mercedes já tem no mercado um camião sem condutor, o Freightliner Inspiration Truck, que até já tem licença para operar nas auto-estradas do Estado do Nevada / USA (ver) mas, estranhamente, não tem licença na UE que, alegadamente, existe para promover a liberdade de movimentação de bens e pessoas.  Mais estranho ainda quando a Mercedes é europeia.
Na minha previsão, a robotização de que o camião robotizado é um elo importante, vai permitir que o custo de transportar uma  palete individual desça dos actuais 1000€ para qualquer coisa próxima dos 50€.

Vejamos como vai funcionar a tecnologia dos transportes.
Haverá terminais de paletes nas autoestradas que será um grande armazém coberto onde as pessoas vão  levar e buscar carga. 
Eu já pedi repetidamente que se construam terminais de passageiros nas autoestradas mas as entidades não querem porque isso iria permitir liberalizar os transportes colectivos de passageiros (chamam eles, desregulamentar o sector)! 

Primeiro passo, o leilão.
Ainda na chafarica e talvez uma ou duas semanas antes da partida, o empresário introduz no sistema as características da carga, imaginemos que tem 4 paletes com 300kg cada em que uma vai para Frankfurt, outra para París, outra para Milão e a quarta para Barcelona.
Uma vez no sistema, os diversos transportadores vão propôr o preço, local de carga e de descarga e horário para o transporte de cada palete numa espécie de leilão.
Uma viagem pode ser dividida por diversos transportadores, por exemplo, um desde Guimarães até à Guarda, outro da Guarda até Madrid, um terceiro de Madrid até Paris e o final desde París até Frankfurt. Este tipo de fatiação da viagem já é normal nas viagens aéreas com ligações.
Os transportadores terão programas informáticos que vão propôr preços e desenhar trajectos e o site vai reunindo propostas para que o cliente possa escolher o que achar mais conveninente.

Segundo passo, a carga.
No dia em que vai levar as paletes, o empresário imprime uma folha com um código de barras que cola na parte lateral de cada palete.

Mete as 4 paletes na forgoneta e dirige-se ao terminal de cargas seleccionado.
Chegando lá, encosta a forgoneta e vem um monta-cargas robotizado que descarrega as palettes que armazena à espera de ordens do transportador.

Terceiro passo, o transporte + bundling/debundling + endereçamento.
O transportador chega ao terminal de carga, deixa algumas paletes que vão ser carregadas por outros transportadores (cada terminal de carga é também um ponto ligação) ou por clientes finais e vai meter paletes para transportar até outra zona de carga. Toda a movimentação das cargas será feita pelos monta-cargas robotizados.
Em todo o espaço europeu haverá milhares de terminais de carga / pontos de ligação por onde as paletes viajarão passando de uns camiões para outros camiões, operações empre realizadas por monta-cargas robotizados.

Quarto passo, a descarga.
Chegado ao ponto de destino, a palete é descarregada à espera que vá lá o cliente buscás-la com uma carrinha.

Porque os custos serão significativamente reduzidos.
Primeiro, porque 1/3 do custo do transporte é devido ao motorista que se evitará.
Segundo, porque o camião vai poder viajar dia e noite o que aumenta o aproveitamento do equipamento e permite poupar combustível reduzindo a velocidade.
Terceiro, porque, se for conveniente, o camião pode ficar parado à espera de cargas pois não há o custo da espera do motorista.
Quarto, porque a distância entre dois camiões normais é de 50 metros e entre dois camiões robotizados é de apenas 7,5m o que i) reduz os custos em combustível e ii) ocupa metade do espaço de auto-estrada o que levará à diminuição das portagens.


Os custos vão ficar reduzidos mas não estou a ver a UE a permitir a circulação de camiões robotizados nas nossas auto-estradas. Vão levantar mil e um problemas para evitar ao máximo que leite da Polónia seja vendido em Portugal ou carne de porco português seja vendido na França.

D) O racismo.
Vou aqui chamar racismo quando os cidadãos de um país não querem lá pessoas de outros países a trabalhar e a viver. Neste sentido, não querermos aqui os marroquinos a trabalhar a 2,5€/h é racismo.
Vou então mostrar porque as pessoas são racistas.
Imaginemos que o nosso país tem um recurso natural, seja gás natural, petróleo ou apenas sol, praias e bom tempo.
Imaginemos que a produção, o PIB, é dependente desse recurso natural, de trabalho e de capital segundo uma função produção igual nos dois países (a mesma tecnologia):
      Y = RN^0.1 * N^0.6 * K^0.3.
 
Imaginemos ainda que o país A tem 1000 unidades de RN, 1000 trabalhadores e 1000 unidades de capital e que o país B tem apenas 100 de RN, também 1000 trabalhadores e, porque há liberdade de movimentação de capitais, 720 unidades de capital (de forma a que a rentabilidade do capital seja igual nos 2 países).
Imaginemos que as pessoas do país A são exactamente iguais às pessoas do país B, só diferentes porque nasceram uns em A e outros em B.
Nestas circunstâncias, o PIB per capita no país A é 100% e no país B é de 72%. Na média dos 2 países, o PIB per capita é de 86%.

E se as fronteiras se abrirem?
Neste modelo não haverá comércio porque existe apenas um bem mas as pessoas do país B vão migrar para o país A porque o PIB per capita é superior (porque há mais RN).
No equilíbrio, o país A vai ficar com 1818 pessoas e o país B com apenas 182 pessoas, grande parte do capital vai migrar do país B para o país A e o PIB per capita vai ficar igual nos 2 países. 
A abertura vai fazer com que a economia do país A se desenvolvesse muito e a do país B entre em grave crise. Globalmente, a abertura é boa porque o nível de vida sobe de 86% para 92%.
O problema é que os "nativos" do país A ficam com um nível de vida reduzido de 100% para 92% e o país B fica quase sem população.

A movimentação das pessoas é, globalmente, é positivo.
O problema é que desenvolve o país A mas a população "nativa" fica mais pobre e enriquece as pessoas do país B mas causa desertificação e desinvestimento.
É a diminuição do nível de vida dos nativos de A que leva a que não queiram lá estrangeiros e a desertificação do país mais pobre que faz o António Costa criticar quem emigra.

Vejamos os escoceses.
São brancos, falam inglês e são protestantes como os ingleses mas acham-se diferentes porque têm gás natural e petróleo (no Mar do Norte).
E, por isso, querem-se independentes do RU, dizendo que querem continuar na UE como argumento.
Mas, quando tiverem que pagar as cotas que agora são pagas pelo RU sem receberem nada em troca (porque têm um PIBper capita muito elevado) e tiverem que receber os estrangeiros que o RU vai deixar de receber, rapidamente, vão ver que é má ideia.
Lembram-se de Cabinda que queria a descolonização para, logo depois, gritar que queria pertencer a Portugal?

Veja se consegue separar as escocesas das inglesas (digo apenas que as mais morenas são inglesas).
A Escócia tem 4% de minorias (ver) enquanto que Londres tem 40%.



Maria Clara (Sr. Reitor, é este o nome que agora a minha mãe me chama.Se lhe quiser meter um processo disciplinar ou uma queixa qualquer, aviso que a senhora morreu em 2004)

4 comentários:

Rodolfo disse...

Sem dúvida que emigração é boa. A questão coloca-se de forma diferente, na minha opinião. Uma país ser xenófobo, também pode significar que rejeita uma determinada cultura que seja 'tendencionalmente contra a propriedade privada', por exemplo. Sendo assim, não receber cidadãos que votem pelo socialismo é bom para um país capitalista e desenvolvido (acho até que é um dos problemas dos EUA). E quem diz socialismo, diz outra coisa qualquer, como em Londres ser eleito um mayor muçulmano que já baniu os anúncios em que as mulheres têm pouca roupa. Querem aceitar muçulmanos que não se integram, perdem as liberdades.. simples assim.
Certamente que se pudéssemos receber 1 milhão de homens da idade da pedra e transportá-los para o Portugal actual, isso não seria benéfico, pois a actividade económica depende de uma série de comportamentos que devem ser respeitados, como por exemplo, a população não ter tendência para o roubo, não ter tendência para matar, conseguir comunicar numa determinada língua, cumprir compromissos. Ora, e se estiver em causa receber migrantes que não respeitam estas condições? Fica a pergunta.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Rodolfo,
Quando vivi no Transvall (hoje província North West), tive um amigo, o Tchingtchoille (era mesmo este o nome dele), de Venda (que agora é parte da província do Limpopo), a comunidade onde nasceu eram caçadores recolectores que nem prática agrícola tinham. Nasceu verdadeiramente na idade da pedra. Foi para a escola e aos 20 anos já era uma pessoa dos nossos tempos.

A agricultura, como apanhar morangos, mirtilhos ou maçãs, adequa-se a qualquer ser humano pois as nossas mão foram desenvolvidas exactamente para a execução dessas actividades.
Se pegássemos num ser humano de há 70 mil anos, seria capaz de trabalhar em estufas.

Quanto às pessoas que não se adaptassem, repatriavam-se para os seus países de origem sem poderem voltar cá.
Estão lá 10 milhões de pessoas que não podem vir porque temos receio de que nos possam causar problemas. Se os deixássemos vir, inicialmente, todos por 3 meses e tivessemos, depois, que proibir que 90% deles voltassem a vir, ainda ficavamos com uma imensidão de pessoas disponíveis para fazerem uns meses de trabalho todos os anos.
Não será isto que fazem os Suiços com os vistos L (limitados a uma parte do ano, por exemplo 3 meses no ano)?

1ab

Rodolfo disse...

Mas eu com isso concordo. Parece-me óbvio que uma pessoa da idade da pedra se fosse educado cá desde criança, seria praticamente igual a nós. Acho que a nível da biologia é praticamente igual. Só defendo que haja uma análise de integração, como por exemplo: Qual a percentagem de emigrantes de determinado país se consegue integrar ao fim de determinado tempo? .. Respondendo a essa pergunta, responder-se-ia também a quantos emigrantes se aceitaria desse país. O conceito de 'integração' também teria de ser bem definido.
Quanto a emigrantes do oeste africano e a muçulmanos, acho sinceramente que há um problema de integração (na Europa). Na Suécia, pelos vistos, 77% das violações são cometidas por 6% da população (muçulmanos). Não acho que isso seja integração.

Há também quem diga que 'ah, mas mesmo dentro dessa população há pessoas que são criminosas (na nossa concepção) e outras que não o são'. É verdade, mas as decisões devem ser tomadas com base em padrões. Não se vai andar a analisar cada uma das pessoas que querem emigrar.

Camões disse...

http://www.ictsd.org/opinion/nothing-simple-about-uk-regaining-wto-status-post-brexit

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code