quarta-feira, 1 de junho de 2016

O problema do monopolio dos portos maritimos

Os portos são recursos naturais muito raros. 

Existe muito mar por onde um navio pode navegar sem limitações mas, quando se aproxima de terra, há que ter cuidado para não encalhar. Isto porque cada tonelada de peso bruto de um navio tem que ser compensado pela "deslocação" de um m3 água. Assim, se um navio tem um peso bruto de 100000 toneladas, só flutua se tiver debaixo de água um volume de exactamente 100000 m3.
Como regra, 36% do volume do navio está escondido de baixo de água (por cada 1,8 m3 acima da linha de água, há 1 m3 abaixo)
O mais económico em termos de contrução naval e de estabilidade é ter um navio que se afunda muito na água, por exemplo, com 300 m de comprimento, 30 metros de largura e 20 metros de calado (profundidade máxima), poderá deslocar mais ou menos 120 mil toneladas (300*30*20*70%, os 70% são porque o casco é arredondado para diminuir o atrito).
O problema é que para carregar e descarregar um navio com 20m de calado, seria preciso um porto com 22 metros de profundidade que não existe.

Fig. 1 - O volume que não se vê (está debaixo de água) é igual ao peso bruto total do navio

Junto a terra, não há locais com 22 m de água.
Por exemplo, os barcos para poderem ir da Europa para a Ásia só podem navegar se tiverem um calado menor que 20 m por causa do Estreito de Malaca (Malacamax = 20,5 m) e do Canal do Suez (Suexmax = 20 m de calado e que, até 2010, era de penas 15 m).
Outro exemplo da raridade de águas profundas junto a terra é que nos 5 mil quilometros da costa sul/ocidental de África que vão do Gabão à cidade do Cabo, só existem 3 locais propícios para haver um porto com calado na ordem dos 10m (Portos de Luanda = 9.5m; Lobito = 10,5m e de Walvis Bay = 9.5 m).
Em Portugal temos 6 portos que permitem um calado acima de 10m dos quais, 3 portos permitem mais de 12 m (Leixões, Lisboa e Sines).
     Leixões => 14 m
     Aveiro => 10 m
     Peniche => 12m
     Lisboa => 14 m
     Setúbal => 12 m
     Sines => 17 m

Os portos são "monopólios naturais".
Como são um recurso natural raro, em termos práticos um porto não tem concorrência. A distância de Leixões a Peniche é de 230km (230€ para transportar um contentor por terra), de Peniche a  Lisboa é de 110km (130€ para transportar um contentor por terra) e de Sines a Lisboa é de 150km (160€ para transportar um contentor por terra).

Assim, são um monopólio natural no sentido de que, por questões físicas, numa região só existe um "produtor" de cargas/descargas de navios.

Como o monopolista se pode aproveitar de não haver concorrência, acaba por ter um lucro elevado relativamente ao normal à custa dos compradores (das pessoas que precisam utilizar o porto) que vão pagar um preço superior ao que seria normal.
Ser explorado como um monopólio, causa prejuizo à esconomia como um todo porque a quantidade movimentada vai ser menor do que seria óptimo.

Fig. 2 - Neste caso, é um duopólio (a atenção fixa-se na menina ou no king kong)
Vamos imaginar a seguinte tecnologia (que não estará muito longe da verdade):
i) Não existe limitação de capacidade do porto;
ii) O custo eficiente para o porto movimentar um contentor, C, é de 50€/contentor; 
iii) O ganho para as economia de ser movimentado um contentor (ganho marginal) é decrescente com a quantidade movimentada (primeiro, movimentam-se as cargas mais rentáveis).
O preço máximo que os importadores /exportadores podem pagar é dado pela curva da procura:
    P = 250 - Q/250 
Esta curva traduz que o ganho para a economia da existênca do porto é G = (250-C)Q - Q^2/500 em que Q é o número de contentores movimentados.

Havendo concorrência total.
O porto não consegue cobrar mais do que o seu custo de produção pois, caso contrário, perde o cliente (para um porto alternativo). Então, o porto vai cobrar 50€/contentor e movimentar 50000 contentores/ano:
    P = C <=> 250  - Q/250 = 50 <=> Q = 200 * 250 = 50000 contentores/ano
    P = 150€/contentor

O porto vai facturar 2,5 milhões €/ano (mas o seu lucro vai ser zero porque este é o custo. O lucro zero traduz o lucro normal de uma empresa com risco semelhante).
A economia vai ganhar G = (250-C)Q - Q^2/500 = (250-50)*50E3 - 50E3^2/500 = 5 milhões €/ano.
Assim, o ganho economico total será o ganho da economia mais o lucro do porto
     Ganho da economia = 5M€ + 0M€ = 5M€

Sendo monopolista, 
O porto vai poder maximizar o seu lucro porque os clientes não têm alternativa.
Vai escolher Q que maximiza o lucro sabendo quanto os clientes estão disponíveis para pagar no máximo:
Q: Max((P-C)*Q) => ((250 - Q/250-50)*Q)' = 0 =>  (200  - 2Q/250) = 0
=>  Q = 25000 contentores/ano e P= 150€ / contentor

O ser monopolista faz o preço aumenta de 50€/contentor para 150€/contentor e a carga movimentada reduzir para metade.

O porto vai ter um lucro de 25000*(150-50) = 2,5 milhões €/ano.
A economia vai ganhar G =  (250-150)*25000 - 25000^2/500 = 1,25 milhões €/ano
O ganho total reduz-se para 1,25 + 2,5 = 3,75 milhões €/ano

O monopólio implica perdas económicas para a sociedade.
Para o porto monopolista poder aumentar o seu lucro, causará um prejuizo à economia muito maior. Assim, apesar de o lucro do porto aumentar, globalmente há uma redução de 5M€ para 3,75M€, uma perda para a sociedade de 25% do benefício que o porto poderia causar.
Por cada 1€ de lucro a mais do porto, a economia perde 1,25€.

Devem então os portos ser propriedade do Estado?
Os esquerdistas defendem que tudo deve ser do Estado, os portos, as fábricas, os campos e até as escolas. Em particular, acrescentam aos portos o argumento do "monopolio natural": devem ser propriedade do Estado "para que seja usado a favor do povo sem a exploração do capitalista monopólista".
Em teoria, tudo certo mas, não havendo concorrência, o poder de monopólio vai acabar por ser exercido seja por quem for, se não é pelo privado, será pelo Estado na procura do aumento da receita ou pelos estivadores.
Isto acontece porque tudo é comandado por pessoas e os interesses das pessoas são sempre privados.

Os trabalhadores do porto vão apropriarem-se do monopólio.
Sendo que a nossa Lei não permite que os trabalhadores em greve sejam substituidos, os que lá estão vão fazer greve até que o seu salário aumente a ponto de o custo de operação ficar nos 150€/contentor correspondente ao preço de monopólio.
O porto não vai ter prejuizo pelo que não há o argumento de que "o porto dá prejuizo que temos que pagar com os nossos impostos" e os importadores/exportadores privados não têm poder político para fazer ver aos votantes de que um porto competitivo é bom para toda sociedade (e mau para os estivadores que lá estão agora).
Assim, ao nacionalizar-se o porto, criam-se "empregos de qualidade e com direitos" mas à custa de explorar a posição monopolista do proto junto da sociedade a quem prometeram livrar pela nacionalização.

Tem que ser "inventada" concorrência.
A única forma de ultrapassar o risco certo de alguém se aproveitar do monopólio natural que o porto representa, sejam privados, políticos para meterem lá os filhos como fizeram na PT ou estivadores, tem que se criar concorrência. E isso, apesar de parecer difícil, é possível e de várias formas.
Vamos supor a situação mais adversa, em que existe apenas um cais.

Hipotese 1) Dividir o porto em 3 turnos fixos.
O dia em 3 partes de 8 horas, 4h até 12h + 12h até 16h + 16h até 4h. 
Existem 3 operadores fixos e cada um arrenda um turno.



Hipotese 2) Dividir o porto em turnos variáveis, "slots".
Não haverá turnos fixos mas qualquer operador, que podem ser muitos, pode solicitar o arrendamento do cais durante um determinado período de tempo. Por exemplo, o Operador 5 pode solicitar o arrendamento do cais entre as 0h do dia 12/junho/2016 e as 24h do dia 15/junho/2016.

H3) Desintegração vertical.
Juntamente com a divisão dos turnos, pode haver a desintegração vertical das infra-estruturas do porto.
Por exemplo, existem 3 empresas de fornecimento de estivadores, 3 empresas de arrendamento de gruas, um leilão de slots do cais.
Quando um operador pretende movimentar a carga de um navio, vai comprar uma slot no cais, contratar um emprega de gruas e um empresa que forneça os estivadores.

H4) Preço comparável.
Além de introduzir concorrência local, também pode ser feita uma comparação com o preço que cobtram outros portos onde existe concorrência. Por exemplo, o preço de movimentação de um contentor terá que ser, no máximo, o preço médio praticado nos 3 portos mais baratos da União Europeia.

Quanto mais concorrência, melhor.
Os esquerdistas só são esquerdistas porque são pessoas limitadas intelectualmente e, por isso, confrontados com o facto dos portos serem um monopólio natural, mas não conseguem imaginar que não seja o "grande capital" a explorar o povinho. Mas, sendo que há pessoas inteligentes e imaginativas, temos que dar oportunidade a essas pessoas para que se criem portos concorrenciais e criadores de valor para a sociedade.
O problema é que a Geringonça está a sanear a grande velocidade para meter lá mentecaptos.

Fig. 3 - O Zika contribui, mais do que qualquer outro vírus, para a criação da futura geração de esquerdistas
 
Mas porque falo em 3 operadores?
É sempre melhor que haja mais concorrentes mas, com 3 operadores independentes já existe um grau razoável de concorrência. 
Com 3 operadores consegue-se metade da concorrência que teríamos com 100 operadores.
Calcolando o equilibrio de Nash-Cournot temos que o porto será gerido de forma a que:
 
   Com 1 operador, teremos Q = 25000 e P = 150,00 €, 100% de exploração do poder de monopólio
   Com 2 operadores, teremos Q = 33333 e P = 116,67 €, 67% de exploração do poder de monopólio
   Com 3 operadores, teremos Q = 37500 e P = 100 €, 50% de exploração do poder de monopólio
   Com 4 operadores, teremos Q = 40000 e P = 90 €, 40% de exploração do poder de monopólio
   Com 5 operadores, teremos Q = 41667 e P = 83,33 €, 33% de exploração do poder de monopólio
   Com 100 operadores, teremos Q = 49505e P = 51,98 €, 2% de exploração do poder de monopólio

Resolução do equilívrio Nash-Cournot com n concorrentes:
{q1: Max((P-C)*q1)}
=> ((250 - (q1+(n-1)*q2)/250-50)*q1)' = 0 =>  (200-(n-1)*q2/250 - q1/125) = 0
Com simetria, q1=q2 => (200-(n+1)*q1/250) = 0 <=> q1 = 200*250 / (n+1)
Resulta Q = n*q1 = 200*250 * n / (n+1)

A gestão conjunta dos portos é um erro terrível.
Sendo que carregar ou descarregar um contentor nos portos portugueses tem um preço na ordem dos 150€ e o custo de transporte entre Sines- Lisboa e Peniche - Lisboa é na ordem dos 150€/contentor, neste momento o Porto de Lisboa ainda tem um bocadinho de concorrência nas distancias entre 50 e 100km.
Mas os esquerdistas, falando na eficiência da operação dos portos, o que pretendem é uma redução ainda maior da pouca concorrência que possa existir em origens que estejam equidistantes dos portos.
A co-gestão serve apenas para piorar o monopólio e, assim, serem extraídos para alguns (os da CGTP) os ganhos potenciais de os portos se concertarem.

Fig. 4 - Nas margens do mercado cativo (vermelho), o Porto de Lisboa ainda tem alguma concorrência de Peniche e de Sines que os defensores da gestão conjunto querem acabar

A morte do gorila foi um crime contra a Natureza.
Como já sabem, uma criancinha caiu num espaço no Zoo de Ciccinati onde vivia o Harambe, um gorila das manotanhas. Como pensaram que o bichinho poderia matar a criancinha, decidiram executar o Harambe a tiro antes mesmo que ele tivesse cometido qualquer crime.

Fig. 5 - Harambe na sua pose imperial parece o General Savimbi.

Matar o bichinho foi um crime contra a Natureza porque é uma espécie à beira da extinção, já só há 700 gorilas da montanha, em que cada um conta muito para que a espécie possa sobreviver.
Por oposição, há  7323800241 humanos.
Assim, por cada gorila de montanha, existem 10,5 milhões de humanos pelo que, mesmo que a criança tivesse morrido às mãos do Harambe, não faria a mesma falta à Natureza como faz o bichinho que mataram.
E quantos africanos já morreram para que os gorilas de montanha, os rinocerontes ou os leões ainda possam viver?


Acho estranho o PAN não dizer nada.
O Partido dos Animais e da Natureza deveria proposto, no mínimo, uma moção de pesar pela morte trágica do Harambe vincando que "é muito discutível se a vida da criança humana tivesse uma superioridade moral face à vida do Harambe, animal que pertence a uma espécie em vias de extinção".
Se face ao risco de perda da vida de uma criança, se mata sem pestanejar um saudável gorila de montanha, que dizer aos milhares e milhares de pessoas africanas que passam fome para deixarem intocáveis os habitates dos gorilas de montanha?

Esta dá que pensar, não dá?

Fig. 6 - Estas crianças não contam talvez porque são pretas

9 comentários:

CENSURADO AGAIN disse...

O GORILA FOI MORTO PRA SALVAR UM PRETO OH BURRO POR ISSO QUE NINGUEM DISSE NADA MAIS UM DISGENICOZINHO A REPLICAR DETROITS ÉS A MESMA MERDA DE QUEM FINGES CRITICAR ABRAAMICO PORCO DISGENISTA

CENSURADO AGAIN disse...

NEM RECEBEM MAIS HUMANOIDES DE 1900 DECENTES E AINDA OS QUE RESTARAM ESTÃO FUGINDO DA CRIMINALIDADE NEGRA E DO ENRIQUECIMENTO NEGRO

CENSURADO AGAIN disse...

OU SEJA OHIO FOI UM LIXO POR SECULOS SEMI VAZIO E QUANDO CONSEGUIU SANGUE NOVO SEU AUGE NÃO DUROU NEM UM SECULO POIS OS VAMPIROS MORES ALOGENOS DESTRUIRAM TUDO

José José disse...

Puxe o autoclismo: o censurado que vá meter comentários no blog do Louçã.

José José disse...

As suas contas sobre o que cabe no porão de um navio conduzem-no a um valor absurdamente baixo. Os comunistas conseguem melhor como pode verificar no livro «Stalin's Slave Ships - Martin J. Bollinger» cf. capítulo 8. Mas quem sabe o que se passou em Kolyma, ou sequer onde fica Kolyma? Mesmo que aquilo seja 4 vezes maior do que a França...

Rodolfo disse...

Professor, porque razão a curva da procura é uma recta?

Económico-Financeiro disse...

Olá Rodolfo,
É tudo uma questão de simplificação sem perda nas conclusões.
Se a curva da oferta é horizontal (assumir que custa sempre o mesmo movimentar um contentores), para haver "solução interior" (i.e., a oferta interceptar a procura)a curva da procura tem que ser decrescente com o preço. E isto acontece porque, com o aumento do preço, há mercadorias que deixam de ser rentável exportar ou importar. Ser uma reta, uma função quadratica ou outra qualquer, dará no mesmo:
Com monopólio o preço é superior a com concorrência de forma que, havendo um monopolio, a sociedade perde (a soma do ganho dos operadores do porto com o ganho da economia decresce).
1ab

Rodolfo disse...

Também não entendi (baseado no modelo que o professor usa) porque razão com 3 operadores, o preço desce mais do que com 2. Não se pode assumir que com competição (seja qual for o número de operadores), é mais rentável para qualquer um dos operadores baixar o preço e ficar com o mercado praticamente para si? Pois, com qualquer número de competidores, fica sempre rentável do ponto de vista da própria empresa baixar o preço.

Rodolfo

Económico-Financeiro disse...

Rodolfo, é "fácil" calcular a situação de monopólio (lucro máximo) e de concorrência perfeito (custo margina = ao benefício marginal = preço). Já quando existem alguns concorrentes (oligopólio) é preciso conjecturar como os outros concorrentes reagem quando "nós" descemos o preço.
No equilíbrio Nash-Cournot é assumido que:

i) A quantidade dos concorrentes se mantém constante. Isto traduz-se por a quantidade ser dividida em duas partes, q1 (a nossa) que vai ser determinada de forma óptima (a derivada aplica-se a q1) e q2+q3+q4+... (a dos outros) que se mantém constante (não se deriva).

ii) Existe simetria (a quantidade de todos os produtores é igual) o que dá q2+q3+q4+... = (n-1)*q1 e Q = n*q1.

A evidência empírica indica que é o equilíbrio Nash-Cournot o que mais se aproxima da "realidade" quando existem poucos agentes no mercado.

Neste caso, 3 agentes no mercado correspondem a metade da concorrência de haver cem, razão porque, por exemplo, em Portugal existem 3 operadores de telemóveis (apesar de, em termos tecnológicos, ser melhor que só existisse 1).

1ab

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