sexta-feira, 15 de julho de 2016

A minha mulher é uma porca

Um homem vive em união de facto com uma porca.

Acho que foi esta a notícia mais interessante num tempo em que fomos campeões europeus de futebol, a Mamona ganhou medalhas nos mundiais de atletismo, e o EconFin decidiu (por unanimidade) que nos devem ser aplicadas sanções.
Fazer o amor com uma ovelha, já todos nós ouvimos que é prática comum no Alentejo. Quem não se lembra destas graças?
  1) De onde vem a lã virgem? Das velhas que correm mais que o pastor.
  2) Se Adão fosse alentejano, sabendo que a ovelha já tinha sido criada, nunca teria pedido a Eva.
  3) A mulher disse para o marido "As ovelhas disseram-me que andas a fornicar com elas" a que o pastor respondeu "Não acredites que elas são muito mentirosas."



Também tive um vizinho que, um dia, disse que "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata." 
Mas de uma porca, já o tinha sonhado, mas nunca o tinha visto dado às noticias (ver).

"Nós amamo-nos e até já falamos em casar e ter filhos", disse o homem.
Isto das aldeias, cada vez mais é uma imagem muito distante e minoritária pois já quase todos somos urbanos.
Mas, quando eu era pequenino, vivia numa aldeia atrasadas (chamada pelos parolos de "Sã Mecente") e os meus pais tinham, com licença, porcos e porcas.
Sim, o parolo nunca dizia porca, vaca, sangue ou qualquer outra coisa destas sem antes dizer "com licença". 
E, realmente, as bichinhas, talvez por usarem pouca roupa, quando se viravam de costas (melhor dizendo, com os presuntos para trás, eram muito sexys, davam uns passos curtos com o rabiosque e as naturezas a abanar para um lado e para o outro, mesmo a desafiar os seres humanos. Parecia mesmo que estava cheias de malícia, tomadas pelo Belzebu, mandatadas para puxar as almas das crianças inocentes para serem bifanas no infernal churrasco eterno.

É que as, com licença, porcas são quase humanas.
No fundo, uma porca é o mais próximo de uma mulher que uma criança da aldeia pode ver ao vivo. Também havia as cadelas, as gatas e as coelhas mas era tudo mais pequenino. Quando, por exemplo, era preciso separar as gatinhas dos gatinhos (para dar os gatinhos e enterrar as gatinhas) ou as coelhas dos coelhos (para meter em casotas diferentes), era uma dificuldade para ver as naturezas de tão pequenininhas. Tinha que se retirar o pelo com os dedos previamente molhados em saliva para ver a pequena diferença entre um coelhinho (ou um gatinho) e uma coelhinha (ou gatinha).
O porco é o animal geneticamente mais próximo do homem que existe (depois dos macacos e dos lémures que são tipo macacos de Madagáscar), muito mais do que o cão.
Além disso, o porco é muito inteligente, reconhecendo as pessoas não só pelo cheiro como tamném pela voz e pelo nome. Um porco consegue mesmo compreender frases inteiras como aquela que o companheiro lhe mandava:
"Minha Bébé, se encostares aqui as naturezas, vou à loja comprar-te um quilinho de farinha de milho."

Mas não é sobre isso que quero falar, é sobre a questão física.
Na aldeia as pessoas gostam de porcas grandes, sempre acima de 10 arrobas que são 150kg. Ora, além do peso, uma porca é muito mais musculosa que um ser humano, tendo umas pernas fortes que são só febra (quem quiser confirmar, basta ir ver um presunto ao talho).
Quando o bicho enterra os cascos no chão e avança de cabeça, é capaz de rebentar com uma parede e esmagar um humano. Finalmente, quando está zangada, a bichinha ferra de forma desalmada a ponto de ter que ser contada às crianças a história de que "uma porca comeu uma criança nas bandas de além, nem os sapatos ficaram" e berra com tal intensidade que se ouve a centenas de metros.
Juntando tudo com o facto de a bichina ter um corpo roliço sem sítio ou saliência para agarrar, o sexo só pode ter sido consentido.

Outra história que se contava.
Que, há uns 30 anos, nasceram 14 mulatos de porco (meio humanos, meio porcos) ao Sr. Sharabaneco da Silva (que era um desgraçado, cego, que tinha um filho-neto na filha mais nova que também era cega). O Sr. Padre Augusto batizou as criancinhas e, depois, uma senhora caridosa, teve-os em sua casa fechados até que morrerem, com uns 15 anos, gordos, com mais de 200 quilo cada.
Dizia-se ainda que "quem quiser confirmar esta história, os nomes constam no livro de batismos, um era o José Reco da Silva,  outro o António Reco da Silva, tinha ainda a Rosa Reco da Silva e mais 11 de que já não me lembro do nome."


Até havia fotografias dos mulatos de porco, este era o António, o mais parecidinho com o pai.

Mas, afinal, qual é o crime?
Meter-se uma faca no pescoço da porca, corta-la aos bocadinho e fazer dela chouriços, não é crime nenhum. Mas, prometer-lhe 1 kg de farinha em troco de favores sexuais já é um crime contra a dignidade da espécie Sus domesticus.
Mas afinal o crime foi outro, a bichinha era menor de idade. Diziam os denunciadores que "o homem pratica sexo com a Bébé que só tem 12 meses de idade e já faz isso desde que a criatura de Deus tinha 9 meses de vida".

Sim, para piorar a coisa, o nome da porca é Bébé.
Então, a coisa foi adulterada e no auto da notícia, em vez de "com a Bébé" escreveram "com uma bébé":
"Aldeão atrasado mental praticou sexo com uma bébé com apenas 12 meses de idade."

Uma porca com 12 meses na vida já atingiu a maioridade.
Nós, criados na aldeia, sabemos que cada duas semanas de vida de um porco correspondem a um ano humano. Assim, a Bébé já tem 26 anos e, com 9 meses, já teria atingido os 18 anos da maior-idade.
O problema dos intelectuais da cidade, é que não conhecem a Teoria da Relatividade da Vida dos animais onde 12 meses são 26 anos. 

Estamos a regredir a olhos vistos.
As forças mais retrógradas da nossa sociedade elegeram sempre a sexualidade como algo do Demónio. Mas se o Demónio não existe (nem Deus), porque nos arrastam estes novos esquerdistas bacocos (de que o Partido dos Animais e da Natureza é o exemplo acabado) para esta caça às bruxas?
Deixem lá os campónios fornicar com as porcas, ovelhas, galinhas ou patas porque diz a Constituição da República que todos temos direito a constituir família e a ter filhos. Se não arranjam uma mulher para os desgraçados, que tentem fazer filhos nem que seja numa porca.

Já imaginaram um filho feito numa vaca? 
Daria um jogador de basquete ou lutador de sumo.
Já agora, mais tarde atingi o significado de o meu vizinho dizer "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata" quando ele comentou a história dos 14 mulatos porcos, "é mais seguro ir-me à pata porque dali não tenho descendência pois, assim que sai um ovo, estrelo-o logo".

Como éramos inocentes.
Nesse tempo, até acreditávamos que o défice de 2016 ia ser de 2,2% do PIB e que o crescimento ia ficar bem acima dos anémicos 1,5% do tempo de 2015, tempo do Passos Coelho.
Se eu soubesse que era mentira a história dos mulatos porcos, talvez tivesse sido mais feliz! 

Olhava para a miss Piggy e lembrava-me das minhas porquinhas, todas nuas.

Já agora.
Se o matarroano passou horas a ver o sapo Cocas apaixonado pela porca Peggy, porque não aceitamos que o humano matarruano possa estar apaixonado pela porca Bébé?
É que genéticamente, o sapo é muito, muito mais distante da porca que o humano.

Maria Clara

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