quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A vaca leiteira, a crise dos vaqueiros e a vaca da caixinha

Os produtores de leite voltaram a fazer uma marcha lenta. 
Diziam eles, e um deles eu conheço-o de criança (o Agostinho da Marinha), que o preço do leite tem caído ao longo dos anos o que é incompatível com a subida do custo de vida.
Fui então buscar dados sobre a evolução do preço do leite e os dados indicam que, apesar de a tendência ser uma pequena subida ao longo dos anos, atualmente está em 0,274€/litro, 15% abaixo da tendência e 11% abaixo do preço médio dos últimos 20 anos (0,31€/litro).

Fig. 1 - Preço nominal do leite, 1996:2016 (dados: EU)

 Mas houve a inflação.
Aplicando a taxa de inflação no consumidor aos preços do leite no produtor, observamos uma queda ainda maior. Comparando o preço médio em 1996 com o preço médio em 2016, a queda foi de 37%.

Fig. 2 - Preço real do leite (constante de 1995), 1996:2016 (dados: EU e IPC do INE)

O problema é que o preço nos nossos parceiros estar ainda menor.
Se compararmos o preço do leite pago ao produtor nos países da União Europeia, o preço em Portugal está 7% acima do observado nos nossos parceiros o que, com as fronteiras abertas, não deixa hipóteses para que o preço em Portugal aumente.

Fig. 3 - Relação entre o preço do leite em Portugal e na UE, 1996:2016 (dados: a partir de EU)

Mas o leite não se pode transportar!
Pis não porque o custo de transporte é na casa dos 0,12€/litro para chegar da França até aqui (fazer 2000km), um sobrecusto de 50% sobre o preço atualmente pago. Por isso, os produtores do centro da Europa não podem exportar leite para o nosso mercado (nem nós exportar para o deles). Mas existe o queijo e a manteiga que absorve metade do leite produzido e que tem facilidade de transporte e que, indiretamente, compete com o leite de beber. Por isso, não pode ser pago aos nossos produtores um preço superior ao que é pago nos restantes países da UE.
E, já agora, uma boa notícia, no Brasil o preço é na ordem dos 0,40€/litro (ver) pelo que não será competitivo ao Brasil exportar leite para cá.

E, agora, o que se poderá fazer relativamente aos nossos produtores de leite?
Há uns anos ouvíamos os esquerdistas e os lavradores "Deixem-nos produzir, acabem com as cotas leiteiras." As cotas acabaram e, talvez por causa disso, o preço do leite caiu. digo "talvez por causa disso" porque a produção de leite na UE não aumentou significativamente. Mas agora já ouvimos os mesmos esquerdistas e lavradores (a estes, podemos-lhes perdoar porque são pouco mais que analfas) "Proíbam a produção, voltem as cotas que estão perdoadas."
Mas a solução não está em cotas nem em subsídios. 

Está na diminuição dos custos de produção 
E isso passa pelo aumento do tamanho das explorações leiteiras.
No tempo em que era criança, na minha aldeia, os produtores tinham entre 2 e 6 vacas.Com o tempo, os que tinham apenas 2 acabaram e os que tinham 6 passaram a ter entre 10 e 15 vacas. Depois passaram a 50 e agora estão na casa das 100 vacas. 
Claro que há 40 anos havia mais de 100 produtores e hoje já só há 3 ou 4 (não sei bem porque não tenho andado por lá).

Temos que passar para as 1000 (ou 10000) vacas por exploração.

Mas em Portugal temos pequenos proprietários de terra!
Temos que separar a agricultura da pecuária criando uma "bolsa de forragem." Se o Estado se dá ao trabalho de ter lotas para o pescado, também pode criar um mercado para a transação de silagem de milho e palha de forma a que os donos da terra se possam especializar na produção de plantas que, depois, vendem aos pecuaristas. Também antigamente as galinhas e os porcos eram criados em casa com o milhito que os campos davam e agora são criados em grandes instalações.

Vamos à vaca da Caixa Geral de Depósitos.
Está falida o que é natural porque foi o braço direito do Sócrates, por um lado, a dar à manivela do "motor da economia portuguesa" e, por outro lado, a arranjar tachos para os amigos. O problema é que, se o BEZ, BCP, BANIF, BPN, BPP, etc., faliram com gestores competentes, nada mais poderia acontecer à CGD que não a falência com o Vara a chefiar aquilo a mando do Sócrates que levou todo o país à bancarrota.
Agora, é preciso metermos lá 5160 milhões €.
Se o discurso dos esquerdistas era que "O dinheiro dos contribuintes não vai salvar bancos", agora passaram ao "É uma grande vitória a CGD ficar nas mãos do estado."

Depois de ficarmos sem 5160 milhões €, o Estado vai ficar com uma Caixinha.

Lembram-se que o Passos Coelho não prestava por ter feito retificativos?
Batalhavam os esquerdistas que, durante os 4 anos que lá esteve, o Passos Coelho, dada a sua incompetência, teve que fazer 8 retificativos.
O Centêno, ministro das finanças, afirmou então a pés juntos que, no tempo dele, não seria preciso fazer retificativos.
Pois a Geringonça vai pelo mesmo caminho dos retificativos e, agora, já não é demonstrativo de incompetência mas antes pelo contrário.


Será que o Centeno não chega ao retificativo?
É que já falta pouco para 15 de outubro, o dead line para as medidas de austeridade que hão-de levar o défice de 2,2% do Costa para os 2,5% que a Europa nos impôs.
Não é erro, é verdade que para passarmos dos 2,2% do Costa para 2,5% vão ser precisas medidas adicionais de austeridade.
Aos poucos vamos sabendo, o IMI de quem apanha Sol e o IUC sobre os deficientes são apenas uma amostra.
O que me deixa mais descansado é saber que a estratégia do Costa é fundada em 12 sábios que nunca é demais recordar:

Elisa Ferreira, 
Fernando Rocha Andrade, 
Francisca Guedes de Oliveira, 
João Galamba, 
João Leão,  
João Nuno Mendes,  
José Vieira da Silva, 
Manuel Caldeira Cabral, 
Mário Centeno, 
Paulo Trigo Pereira, 
Sérgio Ávila e 
Vítor Escária


Dizem eles que o défice continua a cair.
Mas se a dívida pública continua a aumentar a grande velocidade, para onde é que vai o dinheiro?
Será que, daqui a uns anos, vamos ficar a saber que está na conta do Sócrates?

Só um bocadinho de Trump e da sua politica de imigração.
Vamos imaginar que temos 10000 presos e queremos reduzir esse número sem libertar os rpesos antes de cumprirem as suas penas. A única forma de o fazer é aligeirando o código penal.
Pelos vistos, a América tem 11 milhões de imigrantes ilegais. Então, a forma mais fácil de diminuir este número é alterando a lei de forma a que deixem de ser ilegais.
A imigração americana funciona com um sistema de pontos, por exemplo, quem tiver mais anos de escolaridade, tem mais pontos. contados os pontos, é atribuida autorização de entrada a todas as pessoas que tenham mais do que um determinado limite.  
Agora, se a Lei passar a incluir coisas como, por exemplo, "anos que tenha trabalhado para um empregador americano" ou "ter filhos nascidos nos USA", muitos dos 11 milhões de ilegais poderão passar a ser legais.
Mas tem um pequeno pormenor, os anos de trabalho na ilegalidade contarão para terem autorização de residência e de trabalho mas não contarão para pedir a cidadania americana (os anos começam a contar outra vez no zero).
Não acho que seja uma má solução pois, segundo Freedman (na sua obra Free to Choose), os anos de trabalho na ilegalidade são o mais forte sistema de formação, ajustamento à nova cultura e separação entre os bons e os maus.

O Trump está a recuperar.
Por já, o mais importante é a Florida onde uma sondagem o dá 43%/41%, novamente, à frente da Clinton (ver). É que sem esperança na Florida, o bicho está morto.


1 comentários:

Seriuskiller disse...

Conheci este blog hoje e estou a adorar! Ganhou um fan!

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