terça-feira, 16 de agosto de 2016

O emprego do Costa, Guantanamo do Obama e os transportes da Guiné

Hoje vou falar de 3 assuntos.
Vou falar da esperança que o Presidente Marcelo tem para o terceiro trimestre, de como o Obama acabou com o problema de Guantânamo e uns pensamentos sobre transportes marítimos que, a sua melhoria, pode ser o factor de desenvolvimento da "nossa" Guiné.

Os dados do crescimento e emprego.
O maior problema da Geringonça é que a realidade do primeiro semestre de 2016 é muito pior que as "palavras pessimistas e o mau agoiro" com que o Passos Coelho era presenteado pelos esquerdistas há 6 meses. Se o Passos Coelho dizia que em 2016 o PIB não cresceria mais de 1,4%, os dados indicam um crescimento de 0,85%!
Para atingir 1,8%, no segundo semestre a nossa economia terá que crescer 2,8%.

Mas o Marcelo está cheio de esperança.
Diz o presidente que, como o emprego cresceu no segundo trimestre, ainda não está tudo perdido. Sendo assim, vou ter que analisar a evolução do emprego e relaciona-la com o crescimento.

 Fig. 1 - Evolução do emprego (milhares) entre 1T2012 e 2T2016 (dados, www.ine.pt)

Na Fig. 1 marquei a vermelho a evolução do emprego no primeiro e segundo trimestres dos últimos 4 anos (período de expansão económica). Observa-se um aumento de 4720 empregos por mês, 0,1% por mês, 1,2% por ano.
Agora, vou pegar nesses 4 anos e ver como o semestre do Costa compara com os 3 semestres do Passos Coelho, Fig. 2.

 Fig. 2 - Evolução relativa do emprego (milhares) no tempo do Passos Coelho (2013:2015) e do Costa (2016), dados, www.ine.pt.

No emprego não há indicação de que o PIB vá disparar.
Vemos nos dados que o primeiro semestre de 2016 compara-se quase na perfeição como primeiro semestre de 2014, ano em que o crescimento da economia se ficou pelos 0,91%.
Por isso, e como as vacas voadoras não apagam incêndios (porque mijam pouco), também não vão fazer a economia crescer. Desta forma, o mais certo é acabarmos 2016 como o Passos Coelho acabou 2014, com um crescimento miserável de 0,9%.

O fim de Guantânamo.
O Presidente Bush criou Guantânamo para meter as pessoas mais perigosas contra os interesses americanos. No máximo, Guantânamo teve 780 prisioneiros, todos homens.
Entrou o Obama e mais nenhum homem, mulher ou criança foi transportado para Guantânamo.
Em alternativa, o Obama liquidou com um míssil, 45 mil pessoas, homens, mulheres e crianças, destruiu 5 mil carros e 3 mil casas.
O interessante é que ninguém fala dessas 45 mil pessoas abatidas sem julgamento (mesmo que sumário), sem se saber mesmo a identidade dessas pessoas e sem qualquer mandato da ONU ou de um qualquer tribunal mesmo que de uma tirania qualquer africana.
Matam-se 45 mil pessoas porque houve uns atentados na França e na Bélgica executados por franceses e belgas e não se levanta nenhuma voz contra este problema.
E o Obama ainda é visto como amigo dos muçulmanos!

É preciso construir paises.
O Obama é especialista em destruir países. Manda um drone e mata 10 ou 20 e, além disso, permite que a Rússia bombardeie os aliados americanos/europeus que estão no terreno.
Tem o Afeganistão, o Iraque, a Síria, o Yeman e a Líbia em níveis crescentes de violência e destruição.
Mas não se pode ter como estratégia para os países muçulmanos matar à bomba diariamente todas as pessoas que se opõem à estratégia mediática dos políticos europeus e americanos.
Reparemos que, assim que houve os atentados de París, os Holland respondeu não com novas políticas nos bairros franceses mas com bombardeamentos indiscriminados na Síria.
Mas o que é preciso é congelar os conflitos e construir países. 
Redividir os países do médio oriente em novas unidades políticas mais homogéneas e dar incentivos aos locais para a reconstrução, um pouco como foi feito no período 1945-2000.
Bem sei que o Saddam era ditador mas hoje morrem violentamente mais pessoas no Iraque num dia que no tempo do Saddam num ano.
Parece que o único objectivo americano (do Obama/Clinton) é destruir a Síria e o Iraque e entregar o que sobrar aos Russos e aos Iranianos.

Vou para África, para ver os transportes marítimos.
20km a norte da Guiné Bissau fica a cidade Zinguichor que, diz a wikipédia, tem um porto muito importante.
O porto foi melhorado com ajudas externas passando a aceitar barcos até 5,5 m de calado (profundidade) mas, coitadinho, não tem qualquer equipamento, isto é, não tem gruas pelo que  as cargas e descargas são feitas apenas à força de braços.

Fig. 4 - Porto de Zinguichor, Casamança, Senegal

Se isto é assim, como será o Porto de Cachéu?
Nos mapas da Guiné Bissau, há um porto "importante" no Norte, o Porto de Cachéu.
Cachéu é a capital da região mais populosa da Guiné Bissau, com cerca de 200 mil habitantes.
Fui lá fazer um visita (com o Google) e aquilo é mesmo deprimente, não passa de um rotunda com três barracões e um cais de atracagem com 20m.
O calado máximo é 1,80m com a maré vazia e 3,0 m com a maré cheia, nem dá profundidade para dar uns mergulhos.

 Fig. 5 - Porto de Cacheu, Guiné Bissau.
 
Quanto poderia custar uma viagem Bissau-Lisboa?
A GB é um dos países mais pobres do Mundo, estando na 12.a posição com um nível de vida que é apenas 5% do nosso (comparação em termos de PIB per capita em apridade do poder de compra, WB). Se, por exemplo, uma família de nivel média-baixa vive em Portugal com 1000€/mês (2 SMN), na GB terá que viver com o equivalente a 50€/mês. 
Além de ser muito pobre, o nível de vida não sai da cepa torta, com um crescimento inferior a 0,5%/ano.
Uma oportunidade de desenvolvimento da GB, à semelhança da castanha de caju que é responsável por 98% das exportações, são as frutas tropicais, a banana, o ananás, a manga e o abacate.
O problema são as dificuldades de transporte.

Vou fazer umas contas simples.

Vou imaginar um barquito com capacidade para 100 TEUs.
Obtive uns dados que indicam que um navio a 20 nós (36km/h), com 13000 TEUs precisa de 70000 cavalos de potência.
Como a potência é proporcional à área molhada, um navio com 100TEUs, à mesma velocidade, precisa de
       70000hp * (100/1300)^(2/3) = 2730 hp
Com um consumo de 0,150 litros/hp/hora, teremos 
      7230*0,15 = 410 litros/hora em combustível
Para percorrer 4000 km, o custo total do combustível será (a 0,65€/litro)
      410*4000/36*0,65€ =  30000€
Por TEU, serão 
      30000/100 = 300€

O custo do navio (2,5 M€) amortizado em 20 anos e com uma taxa de juro de 5%/ano e uma taxa de ocupação na ordem dos 55%, traduz-se em 1000€/dia.
Como a viagem a 20 nós demorará 4000/36/24 + 3 dias para carga/descaga, 8 dias, o barco acrescenta um custo de 80€/contentor TEU. 
Imaginando que a carga num sentido pondera 75% dos costos, o combustível mais o combustível totaliza
 1,5*(300 + 80) = 570€

Acrescentando 130€ para custos diversos e 340€ para a carga e descarga,  teremos 1000€/TEU, 4,00€/saca, 0,085€/kg.

Se a carga for de banana, o custo da viagem de 0,08€/kg traduz um incremento inferior a 25% ao preço à saida da produção.

Mas a viagem para a Europa tem problemas.
O principal é as viagens transatlanticas serem em navios enormes. No design actual o galgamento pelas ondas pode causar o viramento do navio e, por isso, quanto maior, mais seguro se torna.
Mas os países pobres, com estradas fracas que torna impraticável juntar a carga num porto que possa receber esses navios, é necessário um navio com uma filosofia diferente, que, para ser pequeno, possa ser galgado pelas ondas do oceano aberto.

Fig. 6 - Estou a imaginar um navio tipo centopeia, com um comprimento de 10x a largura.



Fig. 8 - Um perfil baixinho para poder ser facilmente galgado, quase como um submarino.

Naturalmente, um roboship.
Quando a ondolação estiver alta, a centopeia vai orcilar muito, com galgamento de ondas e podendo mesmo voltar-se. Por isso, e para reduzir os custos da tripulação, terá que ser um roboship guiado pelo GPS e pelo RADAR. Sim, porque o SONAR pouco pais serve que para medir a profundidade das águas.


Se a produtividade for 20 t/ha/ano.
Imaginemos que 50% do terreno é agricola e que produz 20 tonelados por hectar por ano. Então, para alimentar uma centopeia por semana (com 1200 ton de carga) serão precisos:
    1200*52 / 20 /0,5  = 6240ha
Esta "carreira" permitiria aumentar as exportações em 20 milhões € por ano.
Notar que a Guiné Bissau exporta menos de 150 milhões € por ano, apenas 80€ por pessoa por ano, muito pouco para conseguir pagar tudo o que precisa de importar!

Finalmente, os fogos florestais.
Arde cerca de 1% da floresta todos os anos, ligeiramente menos pelo que os custos para acabar com os fogos florestais não podem ser maiores que 1% da rentabildiade da floresta.
Se a floresta "natural" produzir 8000kg/ano que valem 240€/ano, não é racional gastar muito mais do que 2,40€/ano na prevençao dos fogos florestais.
 Mas os nossos governantes, não tendo capacidade nenhuma para fazer contas e tendo vivido semrpe na cidade, actuam como o Erdogam: para evitar um prejuizo de 1%/ano, impõem um custo muito superior aos desgraçados dos agricultores.

Eu vou esplicar porque os incêndios começam de madrugada.
É que isto já me aconteceu.
Os velhotes querem ter os matos limpos para fugir à ameaça das multas. Então, fazem queimadas mas, só depois do Sol se pôr para que ninguém veja o fumo, o que, no Verão, é lá para as 10h da noite.
Depois, lá para a meia-noite, já tudo queimado, junta-se o braseiro que sobra no meio da zona queimada e apaga-se com terra.
O problema é que, às vezes, as raizes mortas ficam a arder lentamente debaixo da terra e, passado umas horas, o fogo reaparece noutro sítio.
Isto já me aconteceu  mas a minha sorte é que a área tinha erva baixinha e estava cercada por um caminho de terra batida.
Mas, quando cheguei lá no outro dia, foi uma surpresa ver tudo ardido. E eu até tinha apagado tudo com água!

Fig. 9 - Para não queimar as mamocas, o melhor é a menina seguir o exemplo ao lado.

A geringonça destruiu mais floresta que os incêndios todos juntos.
Não existem dados certos sobre a produção da floresta mas a soma da madeira toda não andará muito longe dos 0,6% do PIB português, 1200 milhões€ por ano.
Se observarmos que, relativamente aos 1,5% do Passos Coelho, este ano a economia só vai crescer 0,9%, ai estão os 0,6% que engolem toda a produção da nossa floresta.
E não vejo bombeiros nem meios aéreos a combater a Geringonça.
 

 


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