sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dívida e Défice, não bate a bota com a perdigota


O Estado gasta dinheiro, é a despesa pública.
Gasta massa em salários, pensões, aquisição de bens e serviços, subsídios.
Depois, estes gastos têm que ser financiados com impostos (IVA, IRS, ISP, IC, IMI) e taxas (TSU, ...) e, quando esta receita não é suficiente, tem que se endividar.
Naturalmente que se tem que verificar a igualdade seguinte:

   Despesa = Receita + Endividamento

Qualquer 4.a classe compreende isto.
Mesmo que seja uma 4.a classe muito fraquinha, daquelas (como a minha) feitas na "passagem administrativa" de 1975.

Fui ver a execução orçamental para Junho 2016.
Para já, no site da DGO só encontrei os dados para o primeiro semestre (ver).
    Despesa efectiva 39546,4M€
    Receita efectiva   36679,2M€

Diz a execução orçamental que o défice / endividamento foi de 2867,2M€
Eu, 4a classe atrasada, concluiu que o endividamento líquido no primeiro semestre deveria resultar desta diferença

   Endividamento = Despesa - Receita
   Endividamento = 39546,4M€ - 36679,2M€
Mas, diz o Banco de Portugal, que foi de 3903M€
Quem o diz é o Banco de Portugal (ver), fonte mais credível que a Geringonça, sobre o aumento da "Dívida na ótica de Maastricht líquida de depósitos da administração central".
Como é possível que o Estado tenha tido um défice de 2867,2M€, e, no entretanto, se endivide em 3903M€ e isto tudo bata certo?

3903,0M€ = 39546,4M€ - 36679,2M€ ?

Vamos fazer a prova dos nove às contas da Geringonça
Do lado da dívida temos 
    3+9+0+3+0 => 1+5 = 6
Do lado da despesa menos a receita temos 
    (3+9+5+4+6+4) - (3+6+6+7+9+2)  => (3+1)-(3+3) => 2
A prova dos 9 não bate certo.
Deve ser de ter feito a 4a classe nas novas oportunidades.

Terá a ver com o famoso aumento nos impostos sobre os combustíveis e o tabaco?
Mesmo assim, não chega.
Estamos a falar no primeiro semestre de um desvio de mais de 1000 milhões de euros entre o endividamento e o défice anunciado.


Mas sobre isto já eu tinha falado e ninguém comentou (ver
Mas o pior +e que, só em julho 2016, a dívida pública aumentou mais 2311M€!
Eu não posso estar a ler bem as estatísticas mas, aparentemente, é o que diz o Banco de Portugal.
Apenas em um mês, a dívida pública líquida passou de 221996M€ para 224307M€.
Só posso, e o BP, estar a delirar.
Não há ninguém capaz de perguntar aos especialistas em economia que aparecem na televisão e nos jornais como é possível que isto tenha acontecido?

 Lanço daqui uma pergunta directa aos 12 sábios do PS.
Estimados sábios
1. Elisa Ferreira,
2. Fernando Rocha Andrade, 
3. Francisca Guedes de Oliveira, 
4. João Galamba, 
5. João Leão, 
6. João Nuno Mendes, 
7. José Vieira da Silva, 
8. Manuel Caldeira Cabral, 
9. Mário Centeno,
10. Paulo Trigo Pereira, 
11. Sérgio Ávila e 
12. Vítor Escária
Para onde foram estes mais de 3000 milhões de euros de aumento da dívida pública do Estado que não aparece no défice orçamental?
Será que estão a fazer o TGV e não dizem nada a ninguém?
Será que estão a ajudar o Maduro?
Por favor, ajudem-me que eu estou a dar em maluco. 
Nem durmo a pensar "E se os meus alunos me perguntam para onde foi estes 3000 milhões € não orçamentados até julho e eu digo que não sei? Vou desprestigiar totalmente a universidade onde vendo aulas."

Já agora, porque será que ninguém pergunta por estes números?
Porque será? Terão os jornalistas medo que lhes aconteça o que está a acontecer aos seus colegas da Venezuela, a verdadeira democracia na óptica dos nossos esquerdistas e comunistas?
É que, desde 1 de janeiro de 2016 até 31 de julho de 2016, diz o Banco de Portugal que a Dívida Pública aumentou 6214 milhões de euros, qualquer coisa como 5,5% do PIB dos primeiros 7 meses.

É que, segundo as contas do Banco de Portugal, o défice dos primeiros 7 meses está acima dos 5% do PIB

Recordo que o Costa, no orçamento que diz estar a correr bem, tem lá que o défice para os 12 meses de 2016 vai ser de 4125M€ e que, até 31 de julho, já nos endividou em 6214M€.
Já está 2009M€ acima do orçamento todo de 2016.
E ninguém diz nada.

O défice? Não sei, não me lembro, ide-vos todos foder.

5 comentários:

Francisco disse...

fabuloso post!

Obrigado.

Gato Gorka disse...

A geringonça tem dito - noutra linguagem, claro - que tem enchido os cofres (com a dívida). Claro que não dizem desta forma, pois foi o que a Maria Luís disse, mas será isso que justifica que a dívida tenha crescido mais do que o défice?

Económico-Financeiro disse...

Olá Gato Gorka,
Não porque a dívida é líquida dos depósitos.
Em 31Dez2015, dívida = 231345M€ e depósitos = 13252M€ (saldo de 218093M€)
Em 31Jul2016, dividda = 240855M€ e depósitos = 16548M€ (224307M€)
Em 7 meses, a dívida aumentou 9510M€ e os depósitos 3296Me pelo que a dívida líquida de depósitos aumentou 6214M€.

Dividindo 6214M€ pelo PIB dos 7 primeiros meses (106756M€ calculado como a média mensal do primeiro semestre multiplicada por 7), dá um défice medido pela dívida líquida de 6214/106756 = 5,8%

Como diabo alguém pode dizer que o défice foi de 2,7% quando a dívida aumentou 5,8%?
Para onde foi o dinheiro?

Ricciardi disse...

Há movimentos que não entram nas contas orçamentais. Os depósitos não são o único activo. Quer dizer, há dívida contraída que não implica despesa efectiva ea constituição de depósitos não é a única operacao que permite aumentar o endividamento sem aumentar a despesa. Há movimentos financeiros que se fazem num ano mas que a despesa foi registada em anos anteriores (óptica de contabilidade nacional vs pública). Por exemplo, se um governo contrata uma obra em 2015 mas se compromete a pagar em 2016. Para efeitos de maastrich a despesa ocorreu em 2015 mas a necessidade de fundos ocorreu em 2016.
.
Rb

Ricciardi disse...

O governo não faz um balanço e uma demonstração de resultados como as empresas. Porém o mais próximo dum balanço que temos é o PII. Posição de investimento Internacional. Este indicador coloca dum lado as disponibilidades sobre o exterior e do outro as responsabilidades para com o exterior. No 1 semestre este indicador melhorou. Quer dizer, a dívida externa líquida de Portugal diminuiu cerca de 2,5 mil milhões de euros. O que significa que, podemos estar num ponto de viragem positivo.
.
Rb

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