segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O fim dos taxis está muito próximo

A geringonça está a preparar a machadada final nos táxis.
Os táxis são uma tecnologia muito antiga, do tempo em que as carroças eram muito caras e de manutenção difícil, quase ninguém sabia conduzir e o custo da mão de obra (do cocheiro) era baixo.
Ao longo das décadas tudo isto mudou, o que foi contrariado pelo aumento das restrições legais à profissão de taxista.
Para avaliarem a facilidade de manter um carro funcional, na segunda-feira passada fui à oficina mudar o óleo ao meu carro sendo que a anterior vez que o tinha feito tinha sido em Abril do ano passado, há 17 meses, 26 mil km atrás, sem nunca nada mais fazer do que meter gasolina (talvez 1600€).

Vejamos o custo do transporte individual.
O meu carro custou 10000€ e dá para 300000km. Somando um consumo de 4,5litros/100km, com amortização, combustível, seguro, manutenção e portagens, o custo fica ligeiramente abaixo dos 0,15€/km.
Este custo é metade do preço de uma viagem em autocarro nos STCP (Porto) ou na CARRIS (Lisboa) que têm uma média de 0,30€/km e um oitavo do preço de uma viagem de táxi que andará numa média de 1,2€/km (incluindo a bandeirada).

Mas eu sou o condutor e não levo dinheiro!
Sou o condutor mas isso não me causa desgaste nenhum relativamente a ir sentado no lugar do morto.
Aposto mesmo que pelo menos 80% das pessoas que precisam de transportes não fazem qualquer sacrifício em conduzir o veículo.

By the way
A minha ucrhanianhazinha gostou do meu carrinho, tendo mesmo dito "Your car is huge inside, I could live in it" o que é bom indicativo. Olhando para um carro tão pequenino e dizer "It is huge" liberta-me um pouco do pior dos pesadelo de um homem pode viver: ouvir "You pendrive is enormously small".
Pelo lado das ucrhanihanazinhass, o pior pesadelo é que lhes digam "Your boobs are so tiny looking like a  par of fried eggs."

Mas vendo os ovos, não se saber se a carne é ou não gostosa
 
Porque será que ainda existem táxis?
Não parece ter lógica económica que existam clientes para carros com condutor quando quase todos nós somos capazes e até sentimos gosto em conduzir.
Para existir tem que haver algum problema.
Mas antes de falar desses problemas, vou explicar a economia dos táxis.

O mercado fechado.
O mercado de táxis é fechado no sentido de que o número é limitado por lei e o preço é igual em todos.
1 => Existe limite na quantidade.
2 => Não é possível fazer descontos no preço.

Estas duas condições traduzem que os taxistas fazem um cartel o que, apesar de estar regulamentado por lei, é contrário à lei da concorrência.
Ao formarem um cartel, quem sofre são os clientes que têm que pagar um preço mais elevado e andam menos de táxi do que andariam se o mercado fosse concorrencial.

Quem ganha com o mercado fechado?
Podemos pensar que são os taxistas atuais.
Se qualquer pessoa pudesse pegar no seu carro e fazer transportes de passageiros, o preço do transporte iria por ai abaixo fazendo como os salários dos condutores fossem cada vez menores.
Se hoje, por exemplo, ser taxista rende 6€/h, este valor diminuiria e, no final, só pessoas disponíveis para ganhar menos é que continuaria a fazer transportes. Por esta razão é que em Londres só se veem indianos a conduzir táxis.

(POR FAVOR, NÃO LEIA O QUE VEM A SEGUIR: escrevi indiano como um termo genérico para "Pessoas oriundas de países onde o salário médio está abaixo de 100€/mês e que imigram para o ocidente à procura de uma vida melhor sujeitando-se a trabalhar como taxistas por tuta e meia e, as mulheres, a trabalhar deitadas e a casar com o Pinto da Costa ou com professores decrépitos que já lá só vão com dose de 100 mg de Viagra".)


Quem ganha não são os taxistas mas os detentores das licenças.
Vamos supor que o custo sem condutor de um táxi é 0,25€/km e que faz uma média de 100km/dia a 1,00€/km. Neste caso o táxi tem uma margem de 100€/dia-25€/dia = 75€/dia.
Se um motorista estiver disponível para trabalhar por 60€/dia então, depois de pagos todos os custos, o dono da licença ganha 15€/dia o que, para uma taxa de juro de 5%/ano, traduz que a licença vale 112 mil€ (uma obrigação perpétua, =15/((1+5%)^(1/365)-1).)

Vamos imaginar o liberalizar do mercado (a quantidade e o preço).
O preço do transporte irá diminuir e o tempo de paragem também o que fará com que a margem que antes era de 75€/dia, vai diminuir até aos 60€/dia, altura em que o valor da licença cai a zero.
Nesta primeira fase, quem perde são os donos das licenças.

Na segunda fase, os motoristas que exigem rendimento mais elevado, vão sair para atividades alternativas enquanto que vão entrando pessoas que estão disponíveis a trabalhar ganhando menos. Começarão a aparecer mulheres, jovens estudantes, indianos, africanos e mais pessoas "marginais" porque atualmente, com o GPS nem é preciso saber as ruas da cidade nem sequer compreender bem o português (o cliente pode mesmo escolher diretamente no GPS para onde quer ir).

Qualquer das limitações é fundamental.
O principal justificação para que a licença tenha valor é a limitação da quantidade de táxis (por exemplo, um máximo de uma licença por cada 1000 eleitores) mas a impossibilidade de negociar preço também é importante para aumentar o seu valor (é um cartel)

Agora a Geringonça vai limitar as limitações à entrada de novos operadores.
Se deixarmos entrar qualquer um com o preço que quiser (ver, projeto legislativo), os preços vão inevitavelmente cair até que apenas as pessoas disponíveis para trabalhar ao salário de equilíbrio concorrencial (baixo rendimento horário) ficam no mercado.
Vejamos se o que a Geringonça pretende impor aos transportadores (a que chama TVDE) é suficiente para restringir as entradas
  A) Carros só podem ter um máximo de 7 anos => não me parece
  B) Condutor tem que fazer 30h de formação => não me parece
  C) Têm que ter seguro idêntico ao dos taxistas => não me parece
  D) Não podem andar na via BUS => não me parece
  E) Não têm benefícios fiscais => não me parece
Nenhuma destas limitações me parece um limite à entrada pelo que serão incapazes de manter a atual situação de cartel.

É como a escravatura.
Quem tem licenças vai perder a aparente riqueza que elas aparentemente representavam mas os condutores  sem licença não perdem nada.
Comparemos emtão com a escravatura.
Imaginemos que, em mercado concorrencial, um trabalhador livre ganha 500€/mês e que nesse mesmo mercado livre um escravo custa 200€ em comida e alojamento (não ganha nada).
Apesar de o escravo parecer mais barato 300€/mês, não é assim porque é preciso comrpar o escravo e, em concorrência, o preço de compra do escravo vai traduzir o valor atual de todos esses 300€ que o homem livre iria receber a mais (63 mil € para uma taxa de juro de 5%/ano e 40 anos de trabalho).
Além desta igualdade, acontecia que o escravo não tinha incentivos para trabalhar (trabalhava pouco e só a poder de porrada)
Foi por isto que a escravatura acabou e não por a humanidade se ter tornado mais humana.

Como vejo os transportes públicos do futuro.
Para verem que não estamos sob uma limitação tecnológica mas apenas legal, vou trabalhar com carros iguais ao meu, i.e., que precisam de condutor.
Vou pensar como vai funcionar o mercado dividindo-o em veículos e clientes.

A) Do lado dos veículos
Pessoas compram carros para alugar sem condutor.
Vão a um stand e compram um carro qualquer, novo ou usado, grande ou pequeno, da marca que quiserem e da cor que bem entenderem, a gasolina, gasóleo, GPL, gás natural ou elétricos.
O carro terá apensa que ter um GPS capaz de transmitir a localização do veículo.
Poderá haver pessoas que têm um veículo e outras que têm 1000.
Estou a imaginar que o veículo tem uma luzinha que pode ser vermelha (ocupado) ou verde (livre).

Regista-se o carro em sites de aluguer de veículos sem condutor.
O registo vai servir para ligar a parte dos veículos à parte dos passageiros.
No registo, o dono vai dizer informação que ajude o passageiro a escolher o veículo.
Vai ter que introduzir as características do veículo e quanto quer pelo transporte.
O preço do transporte pode ser simples (0,50€/km), mais elaborado (1,00€ + 0,30€/km + 0,05€ por minuto) ou ser um modelo complexo que incluía, entre outras variáveis, os quilómetro percorridos, tempo da viagem, hora do dia, consumo de combustível, portagens, número de passageiros e peso transportado e que esteja aberto a dar "promoções em cartão".
 O preço será transparente para o cliente através de um simulador.
A cada momento, o site vai interrogar o GPS do carro para saber onde este se encontra.

A) Do lado dos passageiros
Quando o cliente precisa de um carro ...
Procuram nos sites especializados que lhes fornecerão um apanhado dos carros disponíveis com a distância a que estão estacionados, as suas caraterísticas e o preço da viagem pretendida. A pessoa escolhe o veículo e dirige-se para o local onde o mesmo está estacionado.
O cliente também se pode dirigir diretamente a um veículo estacionado que esteja livre (com a luzinha verde) e, usando um ecrã tátil localizado numa janela, perguntar-lhe qual é o preço da viagem que pretende fazer.

Quando chega ao carro, enfia o Multibanco na ranhura e arranca.
O cliente enfia o multibanco na ranhura que tem na porta e marca o código o que faz as vezes da chave. A porta abre-se e, a partir dai, pode por o carro a trabalhar e fazer a sua viagem, desde o ponto em que está até onde bem entender. 
No final da viagem, estaciona o carro num sítio qualquer e, assim que fechar a porta, a sua conta bancária é debitada e o recibo eletrónico emitido. 

Onde está o problema tecnológico para que isto não exista?
Em lado nenhum mais que não seja na necessidade de haver no mercado um seguro contra todos os riscos.
Pode acontecer o cliente arranhar a pintura, rasgar os estofos, ter um acidente ou mesmo roubar o veículo e desmonta-lo para vender as peças. Se eu tiver 1000 carros que custaram 10 milhoes€, a perda de um carro será de apenas 0,1% pelo que todos os riscos se podem diversificar e traduzir numa parcela, talvez 0,05€/km, a somar aos 0,15€/km mas, se tiver apenas um carro, o risco fica relativamente grande. A forma de ultrapassar este problema é o mutualismo, o aparecimento de seguros contra todos os riscos que ultrapassem esta "falha de mercado."
Talvez seja preciso o cliente identificar-se com o Cartão de Cidadão, talvez seja preciso que a conta bancária tenha um saldo mínimo mas tudo vai passar, para além da liberalização da legislação, pelo aparecimento de um seguro que cobra os riscos do aluguer de veículos sem condutor.

As eleições americanas estão a chegar a um ponto de empate.
Hoje é o primeiro debate entre o Trump e a Clinton.
Interessante que, depois de a Cinton ter em Abril uma vantagem de 9 pontos percentuais, agora os dois candidatos estão taco a taco. Na sondagem das sondagens que eu vou construindo, hoje a Clinton está com uma vantagem de 0,7 pontos percentuais, com um erro de previsão na ordem dos 2,4 pontos percentuais.
A Clinton ainda tem vantagem que é mais significativa se descermos ao nível dos estados mas tudo está em aberto.

Evolução da média das sondagens sobre as presidenciais americanas Trump/Clinton

Finalmente, o défice público.
Não tenho confiança nas contas da Geringonça e, mesmo que estejam correctas, o importante, como diziam os esquerdistas quando o Passos Coelho era primeiro ministro, é a taxa de crescimento da economia e a dívida pública (que é o que temos que pagar).
Mesmo assim, estou a ler na televisão que a odéfice foi menor em 81 milhões que o ano passado.
Ora fazendo uma conta simples, se o ano passado o défice foi de 3,1% e este ano queremos que seja 2,5%, teria que haver uma redução de 0,6% PIB que, em 7 meses, precisaria de uma redução de 650 milhões €.
     185*7/12*0,6% =  650 milhões€.
Com uma poupança de 81 milhões €, atira o défice para os tais 3% que o FMI referiu.
Mas vamos aguardando que a Geringonça vai-se estatelando como está a acontecer ao PSOE.
E, no entretanto, o meu salário vai sendo "reposto".

Não tenho visto a menina porque tem estado doente.
Estive a calcular o índice de massa corporal e tem 17,7.

O imc desta deve ser muito maior que 17,7.

Um abraço

1 comentários:

José Longo disse...

Só por curiosidade... já está a ficar mais á frente... http://www.economist.com/news/business/21707263-uber-launches-its-first-self-driving-cars-pitt-stop?fsrc=scn/tw/te/pe/ed/pittstop

Cumprimentos

JL

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