quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Carrilho, a violência, a eutanásia

Será que numa relação temos direitos sobre a outra pessoa? 
No modelo tradicional de relação amorosa, um parceiro passa a ter direitos sobre o outro parceiro.
E, como estamos mergulhados nesse modelo tradicional, achamos natural esses direitos.
E é isso que mostram os estudos de opinião.
Por exemplo, ninguém considera como uma violação o marido ter práticas sexuais com a mulher em algum dia que ela não o queira.

E, realmente, é demais!!
Diz o nosso Código Penal que quem, por meio não muito violento, coagir a mulher a práticas sexuais é punido com pena de prisão de 1 a 6 anos (Art.º 164-2).
Estão ali os dois nus enroscados e a mulher diz "hoje não porque doí-me a cabeça". O homem aperta-a um pouquinho e ela abre as gambias para ele meter o carrinho na garagem e, depois de repetir isto uma meia dúzia de vezes ao longo do ano, o homem apanha 15 anos de cadeia.

Não faz qualquer sentido.
Eu acho que se uma pessoa diz "Não", além de não ser preciso invocar qualquer razão, tem que ser respeitada a sua vontade mas, daqui, comparar o parceiro sexual normal com um violador é anedótico.
A mulher disse ontem sim, hoje diz não, amanhã diz outra vez sim, depois não e por ai fora para no fim do mês o homem tantos anos de cadeia como se a tivesse matado.
Isto é totalmente diferente de alguém ser agarrado por um desconhecido na rua e ser obrigado a práticas sexuais contra a sua vontade.

Fig. 1 - Não deve ter sido nada de positivo!

Mas vamos ao Carrilho.
Se o homem não pode obrigar a mulher a ter práticas sexuais, também não tem o direito de lhe impor seja o que for na sua vida privada.
A mulher tem o direito de fazer o que bem entender da sua vida seja embebedar-se, cheirar mal, cantar desafinado, usar mini-saia e decotes provocantes ou mesmo ter relações sexuais com outras pessoas.
Quem não gosta disso, pura e simplesmente, salta fora do comboio. 
Não pode é, argumentando, "eu amo-te muito e isto é para o teu bem", proibi-la de ter amigos, sair à noite, beber uns copitos ou fazer o que bem entender da sua vida e, caso isto aconteça, tentar destruí-la em termos pessoais e profissionais.
Eu penso mesmo que isto é mais violência do que "pressiona-la" a deixar meter a minhoquinha na quentinho.

Mas sexo também tem a ver com religião.
Se analisarmos os pecados, as religiões combatem a felicidade e o prazer.
E, como o sexo dá prazer, as religiões elegeram as suas práticas como principal mal da humanidade.
É uma focalização tão forte no sexo que, quando a Bíblia diz que o Adão comeu do fruto da árvore da sabedoria (sem mais nada especificar), foi logo dito que "a Bíblia diz que fomos expulsos do Paraíso porque o Adão carimbou a Eva." 
A cobrinha não seria nada mais do que a minhoca do Adão e que o primeiro homem, olhando para a sua minhoca (que nessa altura falava) e para a toca da Eva, somou dois com dois e pensou, o lugar desta minhoquinha é na toquinha da Eva.

Eu sou contra a eutanásia.
Faz agora um ano, quase que mataram a minha mãe num hospital. Não vou dizer o nome desse hospital apenas porque a minha mãe continua a fazer lá hemodiálise.
A minha mãe falava, tal com fala hoje, queria viver (diz que quer durar pelo menos mais 10 anos), não tem  dores insuportáveis (controlo-as facilmente com buprenorphine) mas uma médica decidiu há uma ano, sem nada perguntar à minha mãe nem a mim, que estava na hora de morrer. O argumento foi " A coitadinha está a sofrer tanto que o melhor para ela é acabarmos com o seu sofrimento."

Mas será que a morte liberta do sofrimento?
Concerteza que não. 
A morte apenas acaba com a vida e a vida tem alegrias, tristezas, felicidade e sofrimento.

E agora vamos a questões práticas.
Será que uma pessoa idosa, doente e num momento de sofrimento, estará suficientemente lúcida para tomar a decisão de acabar com a sua vida?
Não.
A minha mãe ainda hoje, quando acordou, pensou durante longos minutos que estava na praia. Quando eu liguei o televisor disse admirada "Como conseguiste arranjar electricidade aqui no meio do areal? Compraste uma televisão a pilhas?"
Com o passar dos minutos começou a dizer "Interessante que esta praia é muito parecida com o meu quarto. Olha, olha, apareceu ali um guarda-fatos igual ao meu, deve ter sido trazido pelas ondas."
E, depois, ficou bem. 

Uma médica disse-me.
"Se não desligarmos a hemodiálise a sua mãe nunca mais morre."
Se não morrer mais, paciência, é sinal que eu continuo a receber a pensão.
Naturalmente que as pessoas não morrerem mais é um problema económico grave, o óptimo seria meter no dia do nascimento de cada um um bomba na cabeça programada para explodir aos 70 anos.
Mas não se pode fazer porque, olhando o que aconteceu com o Hitler, daqui a nada, nós próprios somos vistos como um fardo para a sociedade.

Nós temos que nos sentir seguros.
Não eu ter todo o cuidado com a saúde da minha mãe, dar-lhe os medicamentos à hora, comidinha, tudo como deve ser, leva-la para um hospital com a ideia de que vai melhorar e, pura e simplesmente, matarem-na.
A minha mãe passou-me logo um procuração a dizer que "Quando eu não estiver no meu juizinho, o meu filhinho passa a ter poder de decisão sobre o que se passa comigo."

Fig. 2 - Afinal a Morte não é assim, veste bata branca, usa estetoscópio e trabalha num hospital

A sociedade pós verdade.
Agora o Centeno, o Carlos Costa e a pós verdade.
Claro que já ninguém se lembra mas há uns meses, o Centeno continuamente atacava o governador do Banco de Portugal.
Era uma novela mesmo feia.
Um dia isso acabou!
Alguém é capaz de identificar o acontecimento que fez com que o Centeno deixasse de atacar o Carlos Costa?
Eu lembro-me.
Foi o Teixeira dos Santos ter obtido por parte do governador do Banco de Portugal o "atestado de idoneidade" para ser presidente do BIC.
Concerteza que foi apenas uma coincidência temporal.


Provavelmente, vou ter outro processo por ter identificado esta coincidência!
Antigamente havia a honradez da "palavra". Agora, já nada vale, é tudo uma má interpretação.
Digamos que o Centeno se transformou num cabalista, o que foi dito pela sua boca quer dizer tudo o que quisermos que diga e também o seu contrário.
E isto e a imagem seguinte (foi eu que a censurei, à cautela)

Em nova isto estava mais no sítio mas ainda estou aqui para a brincadeira.

Agora tenho que ir dar o lanche à minha mãezinha que a pensão está quase a chegar.

2 comentários:

Carlos Neves disse...

lá está você a meter-se em sarilhos...
nunca esqueça:
quando uma esposa diz que não, quer dizer "já cá devias estar"
quando uma esposa diz talvez, quer dizer "já estás com uns dias de atraso"
quando uma esposa diz que sim, bem... ou é amor ou está com "culpas"
e cuide-se porque se as gajas o ouvem ainda o despedem... e depois só a reforma da velhota não dá nem para uma ucraniana maneta :)

Anónimo disse...

caro Pedro,

leia return of kings ou afins e deixe-se de preocupar com que os pares acham de si.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code