terça-feira, 16 de maio de 2017

O crescimento dos 2.8%

Olá amigos,
Estes últimos dias foram dias de milagres.
O Papa veio cá beatificar os Pastorinhos (pelo milagre da queda), o Salvador foi a Kiev ganhar a Eurovisão, O Vitória deu mais uma vitória para o glorioso Benfica e, como tudo está ligado, o Centeno fez a nossa economia crescer 2.8%.
Por hoje vou-me concentrar apenas no crescimento dos 2.8% a ver se será o tal milagre que a Irmã Lúcia precisa para se juntar aos outros pastorinhos.
 
Vamos então ao crescimento.
Como todos sabemos ou deveríamos saber, a produção resulta de trabalho (as horas que o pessoal passa na "fábrica") e de capital (máquinas, instalações e outras coisas menos físicas).
O trabalho é remunerado com os salários e o capital com juros, dividendos, rendas e outras coisitas.
 
O que é o capital?
Como todos sabemos o que é o trabalho (é estar no local de trabalho a operar "máquinas"), não preciso concentrar-me a falar sobre isto. Apesar dos falhados dizerem que não, se trabalharmos mais horas ou mais pessoas trabalharem, maior será a produção.
O capital (na perspectiva histórica) é tudo o que conseguimos acumular no passado.
Nos anos idos trabalhamos e produzimos coisas que fizemos o sacrifício de não consumir imediatamente. Quer isto dizer que o capital de hoje traduz a soma de toda a poupança do passado.
Em vez de irmos passar férias ao Algarve, compramos um frigorífico.
 
A decisão de poupar e investir.
Como poupar traduz um sacrifício, para que alguém invista (e outro alguém poupe) é preciso que o capital seja remunerado com juros, dividendos, rendas, royalties e tudo o que possamos mais imaginar.
Quanto maior a taxa de remuneração do capital, maior será o incentivo para haver poupança e investimento.
 
Para o trabalhador de nada interessa haver investimento.
Esta afirmação é muito forte mas vamos ver se copnsigo explicar o meu objectivo.
Havendo investimento (aumento de capital), a produção aumenta mas esse aumento é para remunerar o investimento. Então, como o aumento de produção vai todo para o investidor, o trabalhador fica exactamente na mesma.
Por esta razão, a chave para a melhoria de vida das pessoas não é o investimento nem ter bons gestores ou emrpesários porque estes "factores" terão que ser remunerados exactamente com o aumento da produção!
Por alguma razão os bons investidores dos países mais desenvolvidos não vêm investir nos países mais pobres.
 
Mas ainda existe a "Inovação Tecnologia"
Se mantivermos o capital e o trabalho constantes, ainda assim a economia cresce por causa, dizem, da inovação tecnológico.
De facto não é nada disso pois a Inovação Tecnológica não é mais que um tipo de capital que também tem que ser remunerado (protegido através das patentes).
O que acontece é que, depois de desaparecer o capital, depois das máquinas e equipamentos ser completamente amortizado, ainda sobra um bocadinho que dura para todo o sempre.
Por exemplo, quem descobriu a forma de controlar o fogo foi remunerado durante muitos anos mas, mesmo agora milhares de anos depois, com esse capital totlmente amortizado, ainda usamos essa invenção no nosso dia a dia.
Falei do fogo mas podia ter falado da máquina a vapor, do motor de explosão, do micro-processador, a Penincilina ou dos Lusíadas. São inovação muito importantes no nosso dia a dia que já estão amortizadas completamente.
 
O potencial de crescimento da produtividade.
Se retirarmos o efeito do trabalho (a taxa de desemprego) no crescimento económico, obtemos o crescimento potencial da economia.
E é isso que vou calcular para os anos depois de 1990, o que já dá uma ideia boa de qual poderá vir a ser o nosso crescimento depois de "digeridos" os desempregados.
Pegando nos dados do Banco Mundial e fazendo umas contas simples, deu-me entre 1990 e 2015 (ainda não tem lá dados para 2016) um crescimento médio de 1,26%/ano, 0,32%/trimestre.
 
Fig. 1 - Até 2010 o crescimento corrigido do ciclo económico foi de 1,6%/ano e, desde então, está a zero (dados: Banco Mundial, cálculos pela Maria Clara)

Acham o crescimento pouco?
Mostro alguns países nossos conhecidos apenas para terem uma ideia de que esses sonhos dos "12 sábios do PS" de que podemos ter crescimentos de 3,0%/ano são apenas uma alucinação de quem não percebe nada do assunto.´
Nós, como 1,26%/ano não somos os maiores mas nem nos localizamos assim tão mal (estamos entre a Espanha e os EUA).
 
País  => Crescimento corrigido do ciclo económico (1990/2015)
Italy => 0,6%/ano
Cyprus  => 1,0%/ano
Canada  => 1,2%/ano
France  => 1,2%/ano
Denmark  => 1,3%/ano
Spain  1,3%/ano
Portugal 1,3%/ano
United States 1,3%/ano

Belgium  => 1,4%/ano
United Kingdom => 1,4%/ano
Austria  => 1,5%/ano
Greece  => 1,5%/ano
Germany  => 1,5%/ano
Czech Republic => 1,5%/ano
Netherlands => 1,6%/ano
Finland  => 1,7%/ano
Sweden  => 1,8%/ano
Luxembourg => 2,4%/ano
Poland  => 3,2%/ano
Ireland  => 3,4%/ano
 
Só agora vou ao nosso crescimento conjuntural de 2,8%/ano.
Como a taxa de desemprego  no 1.º trimestre 2017 diminuiu de 12,4% para 10,1%, por este efeito o crescimento do PIB terá que ser corrigido de 2,6 pontos percentuais.
Sendo que a economia cresceu 2,8%/ano, isso traduz que o crescimento da produtividade corrigido o ciclo económico foi de 0,2%/ano.
 
Fabuloso resultado.
No período 1990-2015, a produtividade aumentou uma média de 1,3%/ano.
O Costa+Centeno conseguem 0,2%/ano e já são os novos milagreiros.
O melhor é alguém atirar-se abaixo de um prédio de 100 andar, invocar estes santos milagreiros e logo teremos novamente o Papa cá, o Festival ganho e o Benfica Campeão.
Mas atirem-se de rés do chão.
Mas "fabuloso" não quer dizer "uma história com animais"?

Fig. 2 - Se 1,6%/ano foi bom, o problema é que nos estamos a afastar cada vez mais para baixo da tendência de 1990-2010 (Relativo à Fig. 1 e com projecções da geringonça para 2017).
 
Amanhã.
A Ucranianazinha está zangada comigo, já há 8 dias que não me responde aos emails.
O problema é que amanhã vai saber os resultados do exame imuno-histoquímico e estou muito mais preocupado do que ela.
Será que em quer castigar por eu lhe ter dito que não lhe pagava a cirurgia?
As mulheres são assim, são bichos esquisitos (ai que isto vai-me dar outro processo).

A minha mãe também fez um teste ao marcadores tumorais .
Em Abril o médico disse "Vamos repetir as análises daqui a 2 meses porque o marcador subiu para 7,6 e se continuar a subir tem uns meses de vida"
Repetiu o exame, fui lá a semana passado e "Óptimo, o marcador desceu para 5,0."
Mais um anito a cair a pensão no meu bolso :-)

Fig. 3 - JC, desta já escapei e a ucranianazinha que se dane que não tem pensão.

Por falar em milagres.
Já repararam que os milagres são sempre "milagres médicos" e em países onde os médicos não valem a ponta de um chavo?
Já estou mesmo a ver que a Ucranianazinha vai para o Ucrânia e, daqui a nada, acontece o milagre da cura.
Não estará a Igreja Católica a cair num ridículo pior que dizer aos candidatos a terroristas suicidas que têm no Céu 72 virgens à sua espera?
Já são tantos os santos que eu até brinco com a minha mãe choné com o Santo Inácio de Boiola.

Um abraço

7 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Fernando Gonçalves disse...


o seu racocínio deixa antever que o crescimento económico é automático só pelo fato de haver desemprego,nesse caso então o desemprego estaria sempre a zero,não se verificaria.Todo o crescimento é bom,seja pela via da absorção do desemprego ou não,até considero melhor por essa via porque além dos efeitos sociais e nas contas públicas positivo,significa que quando o crescimento económico dispensar trabalho é melhor aceite pela sociedade.Tomara que todo o crescimento fosse de absorção de desemprego,e até importarmos muito fator trabalho,assim para o mesmo pib tem-se maior inclusão social,menos pobreza,maior massa salarial,menores encargos para o Estado,mais contribuições para a segurança social.Assuma,este governo teve o mérito de animar as pessoas,o outro só nos mandava para o fundo.

Silva disse...


Caro PCV

É o crescimento económico da treta, maioritariamente induzido pelo consumo, ou seja, sem sustentabilidade.

Não há crescimento económico induzido pelo investimento, porque praticamente não há investimento privado em Portugal que teria mais hipóteses de gerar um crescimento sustentável.

A inovação não precisa de ser tecnológica, aliás a inovação que iria gerar um crescimento económico sustentável, não só em Portugal como lá fora seria a implementação de reformas estruturais a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos.

Só estas iriam gerar um brutal aumento do investimento, com aumentos de produtividade e rentabilidade.

Como não existe vontade/coragem política dos Governos (PPC não fez nenhuma reforma estrutural), lá teremos de esperar pelo aumento da pressão financeira quer seja através dos habituais déficits orçamentais, aumento da dívida pública, aumento das taxas de juro, etc. ou reformas estruturais ou, pelo menos, "cernelhadas" noutros países para que por cá haja a implementação de "cernelhadas".

Económico-Financeiro disse...

Olá Fernando Gonçalves,
Não é o crescimento ser bom ou mau é apenas que, continuando assim, vamos chegar a 2020 com o mesmo nível de riqueza que tínhamos em 2000! e com a perspectiva de chegarmos a 2065, quando eu fizer 100 anos de idade, na mesma.
O grave é que toda a gente acha um crescimento bombástico, nunca visto e que já podemos fazer TGVs, viraventos, e outras outras socratices.
0.2% de crescimento da produtividade é pouco, é muito pouco, não dá para fazer uma festa.
Obrigado por ser um leitor certinho.

Fernando Gonçalves disse...

estarmos todos na mesma é haver mais emprego memo que com baixos salarios,que para os ultraliberais já é alto sendo só o minimo imposto por lei,ou é preferivel o pib aumentar muito mas pelo lado do capital e para o trabalho nada?eu prefiro a 1º opção.

Ricciardi disse...

A produtividade não aumenta sustentadamente senão pela via de acréscimos de Valor aos produtos/servicos produzidos.
.
Acrescentar valor não significa necessariamente acréscimos no uso de Capital nem de recursos humanos, mas tão somente melhor alocação de recursos humanos no desenvolvimento e concepção de produtos ou serviços que os diferenciem dos demais.
.
Em Portugal ainda não se produz está estatística mas, na Alemanha é tida muito em conta. Refiro-me à sensibilidade dos produtos exportados ao preço. Na Alemanha a quantidade dos produtos exportados são pouco sensíveis ao nível de preço. O pessoal da aldeia global compra um Mercedez quer ele custe 100 ou 110 mil euros. Em Portugal parece-me não ser assim. Como a maior parte das empresas trabalha em regime de subcontratação, não há possibilidade de acrescentar Valor aos produtos encomendados e com isso obter ganhos de produtividade.
.
Rb

Silva disse...


Caro Ricciardi

O maior aumento da produtividade resulta da eliminação do que não é preciso ser efectuado, por exemplo, abolindo-se os descontos teria como consequência a extinção de quase todo o Ministério da Segurança Social, seus organismos e dependências.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code