quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Ucraniana foi-se e mais coisas

Foi por vontade de Deus.
Disse a minha mãe abaixo dos seus 86 anos e continuou:
"Pior seria se a quisesses mandar embora e ela não nos saísse da porta a chorar e a berrar."
Uma coisa que tenho aprendido na vida é que não existe nada que, por si só, nos faça feliz. Quando olhamos para um carro, um barco, uma bicicleta ou uma mulher e pensamos "aquilo fazia-me feliz", estamo-nos apenas a tentar enganar pois, se tivéssemos aquilo, continuaríamos exactamente no mesmo estado de felicidade em que estamos.
Claro que ela é boa mas vou-vos mostrar o email que recebi esta manhã, depois de eu a tentar ajudar com o acesso a uma base de dados bibliográfica de forma totalmente desinteressada,  para verem o quão é uma pessoa infernal:
"
i told you that i connected to VPN many times, but i cant load article from SCOPUS.com, its preview version, not full access. Am i idiot that cant repeat same as i was doing from residence? i was loading a lot from scopus.com system!!!
How many times i have to repeat that?
Please enough talk about Scopus. In spite of identify problem what can be problem or ask somebody, you repeat the same. If you not able or have no wish to help with that, just say it.
Its ridiculous.
I am tired repeat the same, so please no more about Scopus.
"
O crescimento económico.
É uma regularidade estatística que, ao longo do ciclo económico, os períodos de crise são acompanhados por aumento do desemprego e os períodos de expansão acompanhados por diminuição do desemprego.
Se, por exemplo, a economia contrai 10%, não é por cada um dos trabalhadores ficar 10% menos produtivo mas por haver menos 10% de pessoas a trabalhar.
Serve isto para dizer que, por um lado, nem a crise do tempo do Passos Coelho foi tão grave nem o crescimento pós 2013 é tão bom como os esquerdistas querem fazer crer.
Diria mesmo que nem a estagnação da década 2000/2010 do Socratismo foi tão estagnação como parece à primeira vista.
De facto, o que traduz o "verdadeiro" crescimento económico é quanto cada um de nós é capaz de aumentar na nossa produção individual (a que se chama produtividade) e isso, infelizmente, não está a aumentar.
Em termos numéricos, apesar de não vermos crescimento económico desde 2000, no período 2000-2010 o crescimento da produtividade foi de 1,8%/ano e está a cair desde 2010, -0,7%/ano no governo do Passos e -0,1%/ano nos últimos 5 trimestres do Costa.
Fig. 1 - Evolução da produtividade desde que entramos no Euro (dados INE, cálculos do autor)

Fig. 2 - Evolução da produtividade (detalhe da Fig. 1)
Para termos um crescimento na "tendência" de 2000/2008
Teríamos que crescer em 2017 um valor próximo dos 4,6%
O problema é que nem próximo vamos lá chegar.
Lembram-se do primeiro país da Zona euro a falir, a Irlanda?
Qual foi o crescimento da Irlanda no 1.º Trimestre de 2017?
7,2%
O problema já identificado no Observador (Alberto Gonçalves, Uma experiência do Terceiro Mundo, 8/7/2017) é que o Costa, em presença de um mau resultado (um crescimento poucochinho) ataca com desgraças maiores (o período de ajustamento do Passos Coelho) quando teria que comparar com a tendência de longo prazo.
Mas o homem é um artista (não repito as palavras do Alberto Gonçalves para não sofrer outra suspensão).
O mundo florestal.
Eu Li algures que a floresta portuguesa contribui com 1300 milhões € por ano para o nosso PIB o que representa 0,7% da riqueza criada em Portugal.
Eu até penso que representa menos pois ainda ninguém fez um estudo sobre o valor do "recurso natural" sem incluir o trabalho e a maquinaria utilizada na sua criação e extracção.
Será errado considerar nas contas as exportações da industria papeleira e mesmo da cortiça pois grande parte da matéria prima é importada e as exportações têm valor industrial incorporado.
Vamos imaginar que desistimos como país completamente da exploração da madeira e transformamos a nossa "cultura florestal" em verdadeira floresta não comercial (sem pinheiros nem eucalíptos e com uma grande diversidade de espécies) ou em terrenos de pastoreio com Etíopes como pastores (mandamos vir 10 mil apenas para trabalhar como pastores).
Qual será o prejuízo para o país?
0,7% a menos no PIB.

Alguém mandou as pessoas para aquela estrada, para a morte.
Alguem lembrou-se de cortar a autoestrada e um GNR qualquer desviou o trânsito para aquela estrada.
E as pessoas, vendo o fogo, avançaram pensando "vou conseguir passar".
O problema é que não conseguiram e, agora, está tudo caladinho e assim continuará.

Vamos a isso, esquerdistas que eu apoio!
Penso que não faz sentido ter na mão dos privados 60% do nosso território para produzir 0,7% do PIB.
Vamos lá a uma proposta legislativa para  expropriar todos os terrenos florestais e converte-los em floresta virgem, sujas e desordenadas como a Mãe Natureza gosta para o bem do Ambiente.
Por agora é tudo.
Estou cansado de aturar gajas.
Vou ter que me virar para homens, o problema é que, havendo uma zanga, eles têm a mão pesada.
És lindinho mas tens escoliose
Apócrifo da Silva

6 comentários:

Seriuskiller disse...

Boa sorte

Dudu disse...

Estava a ficar com saudade dos posts do professor.
Mulheres há muitas e boas.

Daniel disse...

Num post anterior, o professor escreveu: "Apesar de haver quem defenda que podemos aumentar a nossa qualidade de vida fazendo meditação transcendental, o mais certo é que tal aumento obrigue a que haja maior disponibilidade de B&S".

E agora: "Quando olhamos para um carro, um barco, uma bicicleta ou uma mulher e pensamos "aquilo fazia-me feliz", estamo-nos apenas a tentar enganar pois, se tivéssemos aquilo, continuaríamos exactamente no mesmo estado de felicidade em que estamos".

Contradição? (Ou evolução do seu pensamento?)

Económico-Financeiro disse...

Olá Daniel, obrigado pela leitura atenta!
Pode parecer uma contradição mas o que eu pretendo transmitir é que, por um lado, existe o nosso conforto físico, termos comida, habitação, roupa, etc., e, por outro lado, mentalmente sentirmo-nos num estado de felicidade.
Se o bem estar físico se obtem com bens e serviços, a felicidade (talvez o tenha descoberto Buda) está dentro de nós, apenas a obtemos por auto-convencimento. Tanto podemos fazer uma análise "negativa" (não existe nenhuma razão para que eu seja infeliz) com "positiva" (tenho saúde, dinheiro, mulher boa, logo, só posso estar feliz) ou mesmo por "comparação negativa" (não tenho mulher boa mas o fulano tem e parece-me altamente infeliz porque ela é uma cabra).
Se o auto convencimento não for capaz de nos tornar felizes, ainda temos a terapia em grupo positiva (ouvir alguém dizer que temos que ser felizes porque temos tudo na vida) ou negativa (há tanta gente pior na vida do que tu).
Se tudo isto falhar, há a medicação!
Um abraço,
(o melhor é não dizer quem sou para não ficar infeliz :-)

Anónimo disse...

Eu para estar a par do senhor doutor, no que respeita à profundidade de pensamento, deixo a sugestão de as nossas altas autoridades de proteção civil organizarem um imenso contra-fogo que reduza a cinzas todo o coberto vegetal de Portugal, a repetir, evidentemente, em cada mês de junho ao longo dos anos vindouros. A terra queimada iria sendo ocupada por centros de investigação de ponta em nanotecnologia, com a esperança de que os muitos doutorados que aí despontariam como cogumelos não fossem lá para fora esbanjar com as estrangeiras o capital de saber obtido na sua pátria amada. Os doutoramentos nas várias áreas, aqui incluindo a inutilidade abstrusa das ciências da educação (vulgarmente conhecidas por eduquês), ficam muito caros a Portugal, pelo que os senhores doutores e engenheiros das nanotecnologias deviam pagar o que devem, e enriquecer simultaneamente, fundando empresas que produzam produtos manufaturados que incorporem uma elevada taxa de nanomateriais.

Silva disse...


Caro PVC

Já chega de análise, o que é preciso são soluções.

Abolição do salário mínimo
Liberalização dos despedimentos
Abolição dos descontos

Só estas 3 chegariam para um aumento exponencial da produtividade e consequentemente do crescimento económico num curto espaço de tempo.

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