quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O Santana Lopes é o nome certo para o PSD

Fiquei muito triste pelo "fim" do Passos Coelho. 

Podemos pensar que o PPC foi vítima de Sócrates, de ter sido obrigado durante os seus 4 anos, 22 semanas e 4 dias de governo a aguentar taxas de juro elevadíssimas e a um Memorando da Troika que não lhe deixou mais que não fosse cortar a torto e a direito mas, de facto, também foi beneficiado.
Se não fosse o Sócrates ter ganho em 2009 (tendo o PSD + CDS ficado com 102 deputados e as esquerdas com 128 deputados) e, depois da Ferreira Leite se ter demitido, haver a convicção por parte dos "Rui Rios" de que o próximo presidente do PSD seria para queimar até 2015 (como o Costa fez com o Seguro), nunca o PPC teria chegado a presidente do PSD/PPD a 9 de Abril de 2010.
Por isso, quando o Sócrates se demite, era primeiro ministro com dificuldades ou nunca o ter sido.
Agora isso tudo é passado.

Vamos aos ciclos económicos.
Os ciclos políticos estão intimamente ligados à evolução da economia. Pegando em dados dos USA para o desemprego, considerando que a crise começa no ano em que a taxa de desemprego é mínima o ciclo económico dura em média 7,6 anos, com um máximo de 11 anos e um mínimo de 4 anos (ver Fig. 1).

Evolução da taxa de desemprego nos USA (dados, Banco Mundial)

Acontece ainda que o ciclo económico em Portugal tem um atraso de um ou 2 anos relativamente aos USA.

Quando será a próxima crise?
Ninguém sabe e não indica que possa acontecer, o que é normal.
Pessoalmente não acredito que surja uma nova crise nos próximos 2 anos mas eu não sei nada de economia.
O que se pode dizer é que, desde a última crise (que começou em 2008), já decorreram 9 anos e que a taxa de desemprego americana já está próxima dos valores pré-crises. Então, estatisticamente, os agentes económicos começam a ter um nervoso miudinho de que, a qualquer altura, alguma coisa pode rebentar.
Será que a independência da Catalunha vai despoletar a futura crise?
Será um ataque da Coreia do Norte?
Não sei. 
Só sei que, se rebentar até meados de 2018, ainda é possível que o Costa caia em desgraça antes das legislativas de 2019.
Se até meados de 2018 não surgir nova crise económica, o Costa vai sair vencedor nas legislativas de 2019 e o PSD vai ter piores resultados que teve em 2015.

Será que alguém quer ser grelhado?
Qualquer que seja o "Rui Rio" eleito agora presidentes do PSD/PPD, vai apanhar em 2019 um resultado pior que o de Passos Coelho teve em 2015.
E esse "Rui Rio" não se vai aguentar nas canetas contra esse resultado.
Se for o Santana Lopes,  um senhor que terá 63 anos, a apanhar com a derrota, tem estofo para aguentar.
(Eu tinha-me enganado no cáculo da idade!)
Demite-se, dá lugar a outro e vai à sua vidinha.

O que deveriam fazer os "Rui Rios"?
Pedir a Deus e ao Passos Coelho para que se recandidate e aguente ele com as legislativas de 2019.
Fazer o que estão a fazer os "amigos" do Jerónimo de Sousa: "Camarada, continua para, em 2019, te fazermos um funeral de estado"
Dizer o Costa que o PCP, com o nome de CDU, não teve uma derrota eleitoral quando nas autárquicas de 2017 reduziu em 11,5% o número de votos em comparação com 2017, só pode estar a querer que o Jerónimo lá continue de vitória em vitória até ao desaparecimento total.
Quando se for embora, o Costa vai deixar algo importante, o ter acabado com o PCP.

Boodbye PCP e Jerónimo que não deixas saudades.



2 comentários:

Silva disse...


Caro PCV

PPC esteve 4 anos como PM e não fez nenhuma reforma estrutural.

Costa afastou Seguro em "primárias". Ora, daqui podemos ter uma ideia do muito baixo nível dos militantes do PS (preferiram alguém que esteve ligado ao governo Pinócrates).

Costa e os eleitores irão continuar a cantar e a dançar até ao próximo corte do financiamento externo. Não esquecer que os eleitores cantam e dançam mais do que ninguém, pois desde 1995 elevaram a PM Guterres, Sócrates e Costa.

No PSD não vale a pena haver apenas "candidatos a PM", é preciso que sejam realmente líderes e os líderes definem-se pelos objectivos que definem para o país.

É preciso reformas estruturais de modo a haver um verdadeiro crescimento económico, ou seja, aliado ao aumento da produtividade, pois o "crescimento" que existe agora é apenas gordura.

Luis Teixeira disse...

Boas professor, sou um assíduo leitor do seu blogue e sou Economista. Depois de esta introdução, queria dizer que os ciclos em Portugal tem sido de 10 anos, crise nos anos 3 (83,93, 2003 e 2013) e ponto quente nos anos7/8, sendo exceções os anos de crise financeira (78,88 e 2008) e a recente crise provocada pele pré-bancarrota. Assim, se não acontecer nenhum cisne negro, o Costa infelizmente ganhará com maioria absoluta, mas o segundo mandato será de crise e de ajustamento, com o aumento dos juros e com o aumento da rigidez da despesa publica, tornará a vida dele num inferno. As minhas dúvidas são essencialmente duas, como o Costa vai sair, se à Sócrates (empurrado) ou à Guterres (foge), e a segunda é que a aposta de novo na procura agregada e sem reformas, com a dívida a disparar, se a próxima crise não será ainda mais funda do que a de 2012/13 e um consequente resgaste ou plano cautelar (mais provável).

Luís Teixeira

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