domingo, 5 de novembro de 2017

O "tempo volta atrás" dos esquerdistas

Para acabar com os fogos florestais, querem-nos de volta a 1960.

Dizem os esquerdistas que o problema de Portugal, onde se incluem os fogos florestais, é não haver pessoas no interior.
Pensam eles que, com as "políticas correctas", políticas de reposição de rendimentos e anúncios de avultadas obras públicas, voltaremos aos anos 1960 onde as aldeias estavam cheias de pessoas, melhor dizendo, cheias de pobres que fuçavam na terra de sol a sol para terem um rendimento que, a preços de hoje, não passava dos 100€/mês.

Fig. 1 - Isto pode ser bonito de ver ao longe mas do que é que o povinho vive?

As aldeias estavam cheias não porque as pessoas não saíssem continuamente de lá na procura de actividades onde o seu trabalho fosse mais produtivo (i.e., tivessem maior produtividade) e, consequentemente, melhor remunerado mas porque nasciam muitas crianças.
Com tantos filhos nascido entre quatro parede de pedra suja sem as menores condições, pelo menos 6 por cada mulher, mesmo indo um para a França, outro para Lisboa para ser GNR, um terceiro para o Luxemburgo e um quarto para o cemitério, ainda ficavam suficientes para ter a aldeia sempre cheia de povo que mais não era que o alimento da miséria.
O problema é que veio a pílula e o fim do Mandamento da Lei de Deus "Crescei e multiplicai-vos"!
Se nas duas décadas 1960-1979 nasceram em Portugal mais 2 milhões de pessoas do que aquelas que morreram, nos últimos 10 anos, 2008-2016, morreram mais 125 mil do que as que nasceram.
E por este andar, daqui por 100 anos, não só o nosso interior vai estar ao gosto do PAN e do ICNF (uma reserva ecológica integral em que as poucas pessoas serão animais de companhia de cães e gatos), como todo o nosso território vai estar despovoado. Melhor dizendo, vai estar povoado por paquistaneses.

Fig. 2 - Nascimentos, mortes e saldo natural português, 1960-2016 (dados: Banco Mundial)

Será que alguma vez a desertificação do interior será revertida?
E como estamos atrasados relativamente ao nosso vizinho Espanha, é só dar uma volta por lá.
Um dia fui a Bilbau e, tendo-me enganado na estrada, entrei na estrada nacional que passava pelos pueblos. As casas todas caídas onde se incluíam as igrejas.
Vai ser esse o destino das nossas aldeias: juntarem-se às gravuras rupestres de Foz Coa.

Para acabar com a falta de água, querem-nos a andar a pé.
Mais uma vez os esquerdistas querem voltar para o passado, fazerem contas mirabolantes sobre quanto chovia ou deixava de chover, discussões sobre se há ou não aquecimento global e de como o podemos fazer andar para trás andando a pé e de bicicleta.
Segundo a minha mãe (e da Assunção Cristas), o problema da seca é já ninguém rezar a pedir chuva.
Que no tempo dela, havia muita seca (até porque as culturas eram menos resistentes e o milhinho separava os anos de fome dos outros), mas, porque se faziam enormes procissões a rezar fervorosamente e, mais dia, menos dia, lá o Senhor mandava a Santa Chuvinha.

Será que temos falta de água?
Para avaliar se há falta de água em Portugal, peguem na vossa factura da água e vejam quanto gastam mesmo antes de usar a técnica do Cláudio Ramos de urinar na banheira para poupar. Talvez gastem uns 5 m3/pessoa por mês. 
Vejamos agora o caudal dos 8 rios mais importantes de Portugal e quanto daria a cada português.

Minho ---> 305 m3/s --> 77,6 m3/mês por pessoa
Lima ----> 63,5 m3/s --> 16,2 m3/mês por pessoa
Cavado -> 70,5 m3/s --> 17,9 m3/mês por pessoa
Douro ---> 710 m3/s -> 180,7 m3/mês por pessoa
Vouga ---> 108 m3/s --> 27,5 m3/mês por pessoa
Tejo -----> 444 m3/s -> 113,0 m3/mês por pessoa
Sado ------> 40 m3/s --> 10,2 m3/mês por pessoa
Guadiana --> 80 m3/s --> 20,4 m3/mês por pessoa

Temos um total de 463,5 m3/mês por pessoa.
Só neste 8 rios, temos 100 vezes mais água do que a que gastamos no nosso consumo doméstico.
O problema é que precisamos de armazenar água no inverno para a termos no verão.
O problema é que os esquerdistas são contra as barragens porque isso é andar para a frente e eles querem repor o passado!

Lembram-se da barragem do Foz Coa?
Que é feito das gravuras enquanto polo de desenvolvimento?
Que é feito dos opinion makers que diziam que aquilo era mais importante para o desenvolvimento local que a barragem?
E daqueles opinion makers que, quando eu fiquei sem um mês de salário diziam que entre os refugiados não viria nenhum terrorista porque esses só andariam de avião e bem financiados?



Precisamos de mais barragens.
Mas não são barragens como as que temos no Rio Douro pois não têm capacidade de armazenamento.
Se quisermos uma barragem para armazenar metade do caudal anual médio do Rio Douro, precisamos de uma albufeira com 7 vezes a capacidade da Barragem do Alqueva (i.e., 22 hm3).
O problema é que na bacia do Douro não há local para fazer tal barragem pelo que será preciso fazer transvases. 
Ainda agora começou a  ser feito um túnel na China com 1000 km de extensão (e apenas 5 m de diâmetro ) para fazer um transvase de 100 m2/s do Rio Yarlung Tsangpo do Tibete para Xinjiang. 
O custo previsto do túnel é pouco mais que 10 milhões € / km, uma ridicularia.
Bem sei que os ecologistas são contra barragens e transvases mas resolveriam completamente, o problema da nossa falta de água

Agora, a Falácia do Ceteris Paribus.
A Catarina Martins tem formação em teatro pelo que se compreende que nada saiba de economia. O problema é que, sem nada saber, quer mandar e controlar a nossa economia.
Quase diariamente, não só ela como mais esquerdistas, usam uma metodologia económico, o ceteris paribus (se tudo o resto se mantiver constante) para dar opinião sobre o que deve ou não ser feito no nosso pais. O problema é que este c.p., apesar de importante na análise económica porque permite ver uma realidade parcial sem nos preocuparmos com o equilíbrio geral, só é válida no curto prazo.

Quanto dura o curto prazo?
Não sei bem.
Se eu assumir que nos próximos 10 mil anos a distância do Porto a Nova York se vai manter nos 5419 km (é o que diz o Google), estarei a assumir um erro (pois há a deriva dos continentes) que será inferior a 0,01% (daqui a 10 mil anos, o Porto talvez esteja 40 ou 50 km mais distante de NY).
Já se eu assumirmos que a cotação da Google é 1040 USD, provavelmente, daqui a um minuto já estarei com um erro maior do que 0,01%.

Vamos à afirmação.
"As Parcerias Público Privadas na saúde têm que acabar e os hospitais votar para a gestão do estado porque, como é o Estado que paga os tratamentos e os privados precisam de ter lucro, [ceteris paribus] no Estado os hospitais ficarão mais baratos."
Nesta afirmação é assumido que os custos nos privados são iguais aos custos no público.
É esquecido que os provados, porque têm como objectivo o lucro, vão ter um incentivo para reduzir os custos.
É ainda esquecido que o preço que o Estado paga aos privados é menor que o custo que os mesmos tratamentos têm nos hospitais que são actualmente públicos.

Mas há muitas mais afirmações que são correctas apenas no curto prazo.
Aquela autarca de Vila do Rei que, em 2006, mandou vir 250 brasileiros para esse interior. 
Quantos brasileiros lá estão? 
Zero.
E o Costa que ofereceu Portugal para receber refugiados que estavam na Grécia? 
Quantos refugiados continuam em Portugal? 
Zero.

8 comentários:

Anónimo disse...

Em 1960, os portugueses FOÇAVAM nas suas pobres terras porque os americanos não os deixavam ir explorar, no bom sentido da palavra, as terras ricas de Angola. Assim, de exploradores potenciais de África, passámos, além Pirinéus, a explorados reais, na Europa. Sempre foi melhor do que a fome, que é negra!
A barragem de Foz Côa iria dar muita água e eletricidade ao povo! As gravuras rupestres, que abundam por essas fragas de uma ponta à outra do país, não são mais do que um motivo de vaidade para meia dúzia de arqueólogos e intelectuais que usufruem de casas confortáveis do século XXI, em Lisboa! Quantas gravuras pré-históricas não estarão escondidas debaixo do casario lisboeta ?!
Isto é uma choldra!

Económico-Financeiro disse...

Estimado Anónimo,
Eu dou muitos erros de escrita mas fuçar, remexer com a fuça, existe:
https://pt.wiktionary.org/wiki/fuçar

o Dicionário Houaiss (2001) diz que fuçar é «revolver com o focinho», «remexer», «bisbilhotar» e «tentar penetrar com insistência na defesa adversária» (no futebol).

Anónimo disse...

Eu e a Assunção Crostas somos da opinião de que, mais importante do que ver os portugueses no interior, é ver o interior dos portugueses. Todo o caudal dos rios portugueses não mata a sede do povo. É preciso fazer as contas ao caudal de vinho maduro que vem das regiões demarcadas. Tarefa para professor universitário, claro está.

Anónimo disse...

estas a querer desviar a agua do douro para os mouros?
ja nao chega o dinheiro dos impostos ir para lisboa?

Económico-Financeiro disse...

Estimado Anónimo,
Mas os "mouros" pagariam a água!
Se fosse retirado ao Rio Douro o caudal médio do Rio Guadiana (40 m3/s = 1260 hm3/ano) e os "mouros" pagassem 0.025 €/m3, daria uma receita para o Norte de 31.5 milhões€/ano.

Outra hipotese, seria os do "norte" colonizarem o "sul".

Se se retirassem 40 m2/s do Rio Douro, nem se notava e daria, por exemplo, para termos 500 mil ha de olival irrigado (2500 m3/ha/ano).

Cityhunter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silva disse...


Caro PCV

O problema de Portugal é a falta de vontade política de implementar, "rapidamente e em força" reformas estruturais a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos e seguindo-se outras reformas estruturais.

Os tais 100€/mês chegariam perfeitamente e até sobrariam. O interior seria novamente repovoado por pessoas que migrariam das cidades, dos emigrantes que voltariam de França e outros países e obviamente de nascimentos.

100/557=0.18

100/0.01=10 000

O 0.01€ é para facilidade de cálculo.



"O problema é que precisamos de armazenar água no inverno para a termos no verão."

O problema principal é que os consumidores não pagam o verdadeiro custo da água (assim como outras serviços) e este é outra das reformas estruturais necessárias.

Rapidamente os consumidores tenderiam a poupar muito mais no consumo de água e os empreendedores iriam arranjar soluções por mais pequenas que sejam para a captação e armazenamento da água, isto além da "produção de água" e sua "retenção" no solo.

Existe um problema nas barragens que é o da retenção de areias que não chegam ao oceano (ecologistas dixit), sendo que uma solução seria que as novas barragens e mini-hidricas serem construídas de maneira diferente de modo a que a água fosse retida "ao lado" do rio e as areias fluíssem para o oceano.



A CM é uma vaca esganiçada.


O "problema" da Saúde é que o consumidor não paga o custo real dos serviços que usufrui, assim como no caso da água.

As soluções tenderiam a aparecer muito mais rapidamente.



Cityhunter disse...

Viva!

Peço que me expliquem o que é que os funcionários do Ministério da Agricultura fazem?

A seca não é uma novidade. Pergunto, será que fazem alguma previsão? De acordo com a precipitação, utilização, temperatura e uma série de dados, ao longo de tantos anos, não conseguem prever e descrever os diversos cenários e precaver ou preparar para estes cenários?? Não digo com precisão milimétrica, mas uma orientação minima e não chegar agora a dizer que não tem água para isto e para aquilo.
Não seria melhor poupar ou reduzir o consumo de água ao longo do ano do que agora de repente cortar 80% do consumo. Enfim, é o que temos...

Cumprimentos,

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