quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Tesla vai falir e não demora muito

O futuro pode ser que sejam os automóveis elétricos. 
Os automóveis precisam transportar energia com eles, quanto maior a quantidade, maior a autonomia.
Neste momento, a melhor forma económica de transportar energia é o gasóleo e a gasolina que contêm  uma potência de 7,0 cavalos durante uma hora por kg de combustível (5,2 kwh/kg, rendimento de 40%, incluindo o aquecimento).
Um automóvel pequeno gasta 4,3 litros de gasolina por 100km o que traduz um consumo de 0,17 kwh/km.

Um automóvel elétrico tem o problema da bateria!
Peso/autonomia.
Uma bateria básica (22 kwh do Renault Zoe R90 22) pesa 290 kg e equivale a 5 litros / 4kg de gasolina.
Assim, um automóvel com um depósito de 32 litros, tem 6 vezes mais autonomia que um automóvel elétrico.

Abastecimento.
Meter gasolina demora 5 minutos. Carregar a bateria demora 5 horas.

Duração.
O depósito de gasolina dura para todo o sempre.
A bateria permite 600 re-cargas e sempre a perder capacidade.

Custo.
O depósito de gasolina custa alguns euros.
A bateria é metade do preço do automóvel elétrico.
O BMW série 1 a gasolina custa 30750€ e é melhor que o Tesla X 75 D que custa 67500€.
Pensando que ambos os carros se amortizam em 15 anos a 20000km/ano (total de 300000km) e que a bateria dura essa quilometragem toda, para uma taxa de juro de 3%/ano temos como custo do veículo, sem combustível nem manutenção, de:

BMW série 1 => 0,129€/km
Tesla X 75 D => 0,283€/km
O meu carrinho a gasolina custa-me (amortização do carro mais combustível) 0,10€/km!

No princípio, parecia tudo bem.
Seria de prever que, inicialmente, a Tesla iria ter prejuízo porque era preciso investir uma grande soma de dinheiro em investigação e desenvolvimento para, depois, ter lucros com os produtos desenvolvidos.
Assim, seria aceitável que entre 2009 e 2012 apresentasse um prejuízo de 36% da faturação desde que esse prejuízo fosse diminuindo com o tempo (e o aumento da faturação). E, realmente, isso foi acontecendo parecendo que em 2014 tinha sido atingido o break even point (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - Evolução do prejuízo/faturação da Tesla, 2010 - 2014 (dados, YCharts.com)

O problema, veio depois.
É que, afinal, os produtos não eram assim tão bons e foi preciso reforçar o investimento em I&D.
Desta forma, verificou-se que 2014 não tinha sido o break even point (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Evolução do prejuízo/faturação da Tesla 2014 - 2017 (dados, YCharts.com)

A razão para a Tesla ir falir.
São várias as razões.

1) O produto tem pouca margem.
Quando a Intel desenvolveu o novo processador Core i7-6950X, teve que fazer um grande investimento inicial  mas, depois, consegue diluir esse investimento porque produzir cada unidade custa 20€ e tem um preço de venda de 1400€.
A Intel consegue vender o Core i7-6950X com tal margem porque A) o design é patenteado e B) a performance é bastante superior aos concorrentes existentes no mercado (AMD Ryzen 7 1800X por 425€).
O automóvel elétrico fica muito caro de produzir em relação aos preços a que pode ser vendidos (não há margem para diluir os custos de I&D).
A Tesla está a cobrar preços que são 300% dos preços dos carros idênticos a combustível líquido e, mesmo assim, não consegue ter lucro.

2) É uma inovação incremental.

Em termos de design,
São conservadores, procurando manter total semelhança com os automóveis a gasolina e isto, em termos comerciais e tecnológicos, está errado.
Um automóvel ou um camião não têm nada a ver com as carroças puxadas a cavalos e a bois.
O veículo elétrico também deveria procurar ser diferente em relação aos automóveis atuais. Penso que não se deveriam preocupar com o peso, a aceleração e a velocidade do veículo mas com novas funcionalidades (por exemplo, o estacionar autonomamente e de forma compacta) e com o custo.
E o veículo tem que ser maior e mais lento que os automóveis a gasolina (para conter baterias mais baratas).

Porque me lembrei do estacionamento.
Um carro tem 1,2 m de altura. Então, podemos imaginar um silo-auto com um pé direito de meio piso, apenas 1,25 m o que, em cidade, será muito vantajoso.
O automóvel sendo elétrico e movendo-se autonomamente, pode andar 1 m e parar. Então, esse silo-auto poderia ser gerido como a memória de um computador, em que os automóveis se moveriam sozinhos de um lugar para o outro de acordo com as necessidades: uma área teria os automóveis a recuperar daqui a algumas horas, estacionados encostados uns aos outros (a memória do "disco") e outra área teria os automóveis mais facilmente acessíveis (a memória "cache").
A não emissão de gases e a condução autónoma, permitiria que esse silo-auto fosse subterrâneo e com atmosfera pobre em oxigénio (para evitar incêndios).
Mas o designer teria que pensar outras novas funcionalidades.

Em termos tecnológicos,
Querem usar a baterias de iões lítio porque já existe muito trabalho feito por causa dos portáteis e dos telemóveis.
Mas isto causa dois problemas. Primeiro, os portáteis e telemóveis precisam de pouca energia, cada vez menos. Segundo, já existem muitas patentes sobre este tipo de bateria. Terceiro, em termos de kwh, são muito caras de construir.
Já que queriam fazer um veículo novo, teriam que pensar num tipo diferente de baterias, baratas, pouco desenvolvidas (para poderem ter patentes fortes) e que durassem muito de forma a terem muita margem na  fase da produção. E essas baterias seriam as de metal líquido, a exemplo da bateria Sódio + Enxofre.
As baterias de metal líquido são baratas, sustentáveis (usam metais abundantes) e duráveis (podem ser recarregadas 3000 vezes) mas são grandes, quentes e "perigosas" (em caso de rotura, o metal líquido arde) pelo que o design do veículo elétrico não pode ser semelhante ao do automóvel a gasolina.
Teria que ser um veículo grande, lento, mais um camião ou um suv do que um automóvel utilitário ou coupé.

NOTA: Como a Testa Inc. é cotada em bolsa ...
Este poste não traduz informação de mercado, não aconselho a venda, manutenção ou compra de títulos desta empresa nem de qualquer outra e não tenho qualquer interesse na mesma nem conflito de interesses.

10 comentários:

mafgod disse...

Caro Pedro,

apenas algumas correções a algumas imprecisões:
- carregar um carro elétrico até 80%, demora em média 20min num posto carga rápido
- carregar 22kwh em casa com uma powerwall trifásica de 21kwh ou nos postos públicos que teham esta potência, demora 1h a carregar
- carregar 22kwh em casa com uma powerwall monofásica de 7,2kw/h ou nos postos públicos que teham esta potência, demora pouco mais de 3h a carregar
- carregar em casa, enquanto estamos a dormir ou na rua enquanto estamos a trabalhar/em compras, não causa nenhum transtorno
- para mim, demorar 5 minutos num posto de combustível é uma eternidade

- o preço de uma bateria nova Nissan de 24kwh para o Leaf custa ~7.300€ com IVA, mão de obra e afins... bem longe do preço de metade do carro
- há de fato marcas cujo o preço da bateria é pornográfico, como a Renault, é escolher sabiamente na altura da compra
- quando voltar a fazer comparações com veículos elétricos, procure outra marcas que não a Renault, a Nissan por exemplo :-)
- o meu Leaf nas suas contas custa 0,063€/km

- desde quando é que o BMW série 1 é melhor que um Tesla ?!?

A tesla, espero que não entre na falência.
É uma grande marca que veio abanar o mercado automóvel cheio de fraudes e que ainda está a dar cabo do meio ambiente...
Contudo, o Elon Musk tem tomado umas decisões que... enfim... a ver vammos.

E o Model 3 está quase aí:
https://www.motor24.pt/marcas/chegou-primeiro-model-3-nao-empregados-da-tesla/?utm_source=Push&utm_medium=Web

Anónimo disse...

GPL é o futuro

Lura do Grilo disse...

Meter combustível num carro a gasolina permite andar mais de 600 km. O carro elétrico tem que se carregar 3 vezes e só meter e tirar os cabos demora mais que 5 minutos.

A energia elétrica também tem que ser produzida: se for numa central térmica e levarmos em conta o rendimento da mesma, as perdas de transporte e no veiculo a diferença para o rendimento de um motor actual já não é abismal.

Se olharmos para um Yaris hibrido a diferença de preço para um yaris a gasolina é mais de 4000 euros. Amortizar este diferencial exige mais 14 anos para quem consome cerca de 100 Euros de combustível por mês. Ao fim de 10 anos tem que se comprar uma bateria nova. Não vale a pena!

O preço ambiental de produção de uma bateria de 200 kg para um carro eléctrico (que tem que ser transportada quer esteja carregada ou não) é enorme: materiais e a energia para a produzir deixam uma pegada ambiental enorme.

O carro elétrico é um capricho que aguarda ainda imensos avanços na tecnologia de baterias.

Silva disse...


Caro PCV

A minha sugestão é que os fabricantes de automóveis fabriquem veículos que não consigam ultrapassar os 120 Kmh.

1º porque, pelo menos, em Portugal existe esse limite legal.

2º porque os clientes comprando um automóvel que tenha um conta-quilómetros que passe dos 120Kmh, pagam pela I&D que permite alcançar velocidades superiores ao legalmente permitido.

3º porque implicaria uma diminuição do peso e potência dos motores com consequente diminuição do peso do veículo e do consumo de combustível.

4ª porque isso implicaria uma brutal queda do preço dos veículos lixando o fisco no imposto automóvel e imposto de circulação.

4º porque isso implicaria, um verdadeiro trabalho de I&D na reengenharia dos automóveis de forma a priorizar a segurança, a informatização, o piloto automático, etc.

5º E ainda, porque tendencialmente tornaria mais seguras as estradas nacionais

Económico-Financeiro disse...

Estimados comentadores,

Se fosse fácil fazer, do nada, um carro tão bom como um BMW ou Mercedes com certeza que a França, o Reino Unido, os USA ou a China já teria feito um.
O carro BMW não precisa ser, fisicamente, melhor que um Tesla mas é melhor porque, por um lado, dá lucro a quem o produz e, por outro lado, quem o adquire a determinado preço acha ser um produto de qualidade e de prestígio(status).

O modelo de negócio da Tesla, o fazer um carro dos pés à cabeça, está totalmente errado.
A Tesla deveria apenas concentrar-se em fazer a "máquina" (como a Intel faz processadores que outros metem em computadores e a Rolls Royce faz motores que outros metem em aviões) que depois venderia às marcas existentes. A "maquina" teria as baterias, os motores eléctricos e o sistema de controlo eléctrico.

É suicídio comercial entrar num mercado cheio de prejuízos, fusões e falências, querendo fazer um produto final a começar do zero e comparável com o que já existe com um custo de produção muito inferior.

PI disse...

Uma pequena nota: quando abasteço o carro, geralmente tenho um ou dois carros à minha frente, a abastecer, por vezes mais. Suponhamos dois carros à minha frente: se for com combustível fóssil demoro 15 minutos, se for eléctrico ficaria lá uma hora e nem sequer "atestava o depósito". Já agora, as autonomias dos fabricantes estão todas marteladas, como um estudo revelou há uns dias.
Boa sorte e muita paciência, com os eléctricos.

PI disse...

Uma segunda nota, mais desagradável: Uma vez que as reservas mundiais de lítio andam pelos 100 milhões de toneladas, isso dará para "electrificar" 10% dos carros a circular no planeta. Pergunto-vos, e o que fazemos aos 90% restantes?
Estamos outra vez a cair na história do biodiesel, quando os "génios" descobriram que o planeta não tinha área suficiente de cultivo...
Pois...

Silva disse...


"Estamos outra vez a cair na história do biodiesel, quando os "génios" descobriram que o planeta não tinha área suficiente de cultivo..."

Caro PI

Em relação ao biodiesel, é muito mais eficiente aproveitar a gordura de porco para a sua produção do que cultivar oleaginosas.

Qualquer exploração agro-pecuária (de preferência as intensivas) devia fazer esse aproveitamento para utilização do biodiesel como combustível dos tractores e outras máquinas.

Económico-Financeiro disse...

Estimados comentaristas e leitores, só para acrescentar uns números à discussão dos bio-combustíveis.

Uma pessoa normal consome alimentos com 2000 kcal por dia que traduz que o nosso corpo consome uma potência de 0.1kw e corresponde a um copo de gasolina (que tem um preço, sem impostos, de 0.15€).

Eu gasto 32000 kcal para ir e voltar ao meu emprego, tanta energia como a necessária para a sobrevivência de 16 seres humanos. E isto sem contar com a energia necessária para produzir o carro e as estradas.

Para usarmos bio-combustíveis, teríamos que condenar à morte centenas de milhões de pobres.

Queimar alimentos é um crime contra a humanidade.

E já agora, os porcos produzem muito pouca gordura que é toda usada na produção de chouriços e rojões.
Se o Silva for a um talho, vai ver que o preço da gordura de porco é quase igual à da carne (2€/kg no talho do Intermarché) e muito superior ao preço do gasóleo (e ainda tem que tirar o ISP).

Silva disse...


Caro PCV

Já há uns anos vi uma reportagem sobre a produção de biodiesel de porco como produto principal e ainda um sub-produto que era a glicerina.

Pequena utilização de matéria-prima (banha de porco), suficiente produção de biodiesel e glicerina para as necessidades (inclusivé para um camião movido a gasóleo).

Já deve ter percebido que a reportagem não era cá em Portugal, era no Brasil.


Obviamente que devido à legislação aberrante em Portugal o aproveitamento desse tipo de biodiesel praticamente só poderia ser utilizado dentro de portas, por isso, menciono tractores e outras máquinas, mas mesmo assim ainda se conseguiria cobrir os custos de produção e poupar em imposto sobre combustível lixando o Estado.


"Queimar alimentos é um crime contra a humanidade"

Alimentar comunas e afins é outro crime contra a Humanidade.

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