segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Baixar o preço da electricidade à Maduro

Em Portugal, as utilidades são muito caras. 
As utilidades, utilities em inglês, são a água, esgotos, recolha de lixos, eletricidade e gás e em Portugal são muito caras e uma fatia muito importante do orçamento das famílias de menores recursos. 
São muito caras, dizem os esquerdistas, por causa das rendas excessivas que os governos socialistas "negociaram" no passado.
São muito caras porque, sendo monopólios, os governos não se têm preocupado em criar condições para que possa haver uma diminuição dos custos de produção (que é diferente dos preços).
Neste poste vou falar da eletricidade e mostrar como todos poderíamos ficar a pagar muito menos se tivéssemos um governo que não fosse populista e incompetente.
Bem sei que o Rui Rio e o Santana Lopes também são populistas e incompetentes mas também sei que, num futuro não muito distante, vai surgir uma pessoa competente como foram o Cavaco silva e o Passos Coelho.

A redução do preço à Maduro.
Fase 1 = Faz-se uma campanha na comunicação social contra o grande capital e as rendas excessivas no sector da eletricidade dizendo que os preços têm que diminuir.
Fase 2 = Impõe-se administrativamente uma redução nos preços.
Fase 3 = Começamos a ter cortes de energia nas horas de maior consumo (a qualidade do serviço diminui).

O problema da coisa pública é a função objetivo não incluir o bem comum.
O objetivo de cada um de nós é o nosso próprio bem-estar.
Não são os inocentes das Raríssimas e o Sócrates que são desvios ao comportamento humano.
Acham natural que o Rui Rio, pessoa que nunca assinou uma contabilidade, nem os recibos verdes de um engraxador, receba 1500€ por mês da Ordem dos Contabilistas para estar de corpo presente em duas reuniões por ano? Eu acho totalmente natural, eu faria o mesmo ou pior mas eu não digo que sou sério.
E aquele Lacerda que negociou qualquer na TAP porque era amigo do Costa. Depois, ficou com um tachinho na TAP porque era especialista em TAPs. Finalmente, vai substituir o Catroga a receber 40000€/mês porque tem muita experiência em mamadeira na vaca que até voa.

Mas vamos ao que interessa.
Os do meu emprego são pessoas muito sérias, acima de qualquer dúvida.
Acontece que, agora, começaram com obras de manutenção.
Vão mudar a caixilharia das janelas (mas não os vidros), fazer umas melhorias em 10 casas de banho, obras em 7 salas e refazer a canalização do aquecimento. Depois, ainda vão fixar algumas coisas da parede, ver um teto falso que está descaído (não mexem na estrutura) e concertar uma pala em madeira que está podre porque começou a meter água e ninguém mandou impermeabilizar.
Não vão tratar da cobertura nem do piso, o mobiliário vai ficar o mesmo, apenas pequenas coisas.
Agora, feche os olhos, imagine as obras a serem feitas e, agora, vem o preço, 5 600 000€.

Eu não posso dizer onde trabalho!
Se por uma coisa de nada, por ter dito que para resolver o problema do afogamento dos refugiados era mandar os aviões da TAP buscá-los antes de entrarem nos barcos, estive 30 dias sem ordenado ...
Agora, dizer que 5 600 000€ davam para construir um edifício novinho em folha, tudo materiais de primeira categoria, com 30 salas de 80 alunos, uma biblioteca com 500 lugares sentados, 50 gabinetes de estudo, uma sala  para exames com 300 lugares sentados, 20 casas de banho e ainda espaços de convívio à farta vai-me tirar 300 dias.
Como dizia o meu pai, "e esta massa toda, vai ser enterrada em meia dúzia de merdas".

O problema da eletricidade é a variabilidade temporal.
Há variabilidade no consumo e na produção que não são controláveis.

O consumo.
Em média, em 2016 consumimos uma potência de 5600 Mw mas este valor variou entre um mínimo de 4500Mw e um máximo de 11000Mw.
As pessoas consomem menos eletricidade quando as temperaturas são amenas e durante a noite. Assim, o consumo máximo observa-se no Inverno, durante os dias de trabalho e entre as 7h e as 9h e entre as 20h e as 22h. O consumo mínimo observa-se nas noites da primavera e do outono.

A produção.
Há uma parte substancial da potência instalada que está dependente da Natureza (a produção eólica que depende do vento e a produção hídrica que depende das chuvas).

A gestão da rede elétrica.
Em cada instante a quantidade consumida tem que ser pelo menos igual à quantidade produzida.
   Consumo <= Produção
Quando a produção hídrica e eólica é maior que o consumo, tem que se destruir parte da produção
   Consumo = Eólica + Hídrica + Desperdícios
Quando a produção hídrica e eólica é menor que o consumo, usam-se as centrais a combustíveis fósseis
  Consumo = Eólica + Hídrica + Fósseis
Como Portugal tem uma potencia instalada eólica muito grande, que em dias de vento produz mais que o consumo, e ainda se soma que quando há mais vento também chove (as barragens produzem muita eletricidade), há muita eletricidade que "vai para o lixo".
OK, também há exportação e importação mas o mercado externo sofre dos mesmos problemas que o nosso: quando nós precisamos, eles também precisam e, quando temos a mais, eles também têm a mais. Além disso, há perdas na rede e as linhas de transporte para a Europa têm pouca capacidade.

A tarifa bi-horária.
O custo da eletricidade eólica e hídrica resulta da amortização do investimento no equipamento o que faz com que o custo do dia a dia (o custo variável) seja praticamente zero. 
Por causa disso, durante os períodos de menor consumo, a "EDP" vende a eletricidade com desconto de 50%.

Vamos imaginar um mundo daqui a 50 anos, talvez já pós-futurista.
Nesse tempo, toda a energia será produzida por luz solar, apenas 8 horas em cada dia, que é armazenada para gastar durante a noite.
Para um consumo médio de 5600 Mw, será necessário produzir 19600 Mw durante o dia, 5600 Mw para gastar e 14000 Mw para armazenar e usar nas 16 horas em que não há luz solar (assumindo uma recuperação de 80%).
Mas, como será tecnologicamente possível armazenar tal quantidade de energia?
Se hoje pudéssemos transferir eletricidade dos momentos de maior produção e menor consumo para os momentos de menor produção e maior consumo, poderíamos ter um preço mais baixo e, mesmo assim, emitir menos C02 e as "elétricas" terem mais lucro.
Mas transferir, já o estou a imaginar a pensar, obriga a ter baterias e as baterias são muito caras e duram pouco.

Mas não só há baterias! 
Existem as barragens reversíveis que bombeiam a água para cima durante os períodos em que há excesso de eletricidade (e que está no "mercado" a preço quase zero) e que turbinam essa mesma água nos períodos em que há défice de eletricidade (e que está no "mercado" a preço elevado). Com a tecnologia existente, por cada 100 kwh usados a bombear água para cima (comprada a energia a 0,02€/kwh), são posteriormente produzidos 80kwh (vendidos a 0,075€/kwh).
Assim, a barragem reversível é lucrativa (porque tem um custo de 0,025€ para produzir 1kwh que tem um preço de 0,075€) e esta "arbitragem" é boa para o consumidor porque a produção "em ponta" é muito mais cara.

O problema é que as barragens reversíveis precisam de sítios especiais e que são raros.
Há poucos locais no mundo adequados para construir uma barragem reversível com potência instalada acima dos 1000 GW porque é precisam um local onde seja possível construir duas albufeiras que armazenem muita água e estejam a cotas bastante diferentes.
Se imaginarmos uma central capaz de produzir 5600 Mw, os locais talvez se contem pelos dedos de uma mão com alguns dedos cortados.
Mas, por força do destino, Portugal tem um desses locais mesmo à mão de semear.

Fig. 1 - Esquema de uma barragem reversível


A Barragem reversível de Alvarenga (no Rio Paiva). 
Alvarenga fica próximo da cidade do Porto, no Rio Paiva.
Os estudos relativamente à construção de uma barragem nas proximidades da ponte que liga Arouca a Alvarenga começaram em 1915 e apontam para a possibilidade de construir uma barragem com 1000 hm3 de armazenamento, com 150 m de altura e com capacidade para produzir 2000 Mw durante 48 h.

É preciso fazer outra ponte sobre o Douro, à cota baixa.
O investimento público a maior parte das vezes é estúpido e só serve para encher os bolsos de alguém.
Mas há coisas que fazem jeito e uma delas é uma nova ponte sobre o Rio Douro no Porto, próximo do mar à cota-baixa.
Neste momento, o Porto é uma cidade turística à beira rio e tem apenas um atravessamento à cota-baixa (a Ponte Luís I) e que está muito congestionado e que tem passeios muito pequeninos e perigosos.
Então, faz todo o sentido pensar num novo atravessamento à cota-baixa mais próximo do mar.
Quando foram as eleições de 2011, o candidato do PSD, avançou com a ideia de se fazer um túnel (e perdeu as eleições) mas eu que costumo passear à beira rio, penso que vi uma solução melhor e mais barata: a criação de um tabuleiro inferior na Ponte da Arrábida.
Como o tabuleiro inferior da Ponte Luís I está à cota 17 m,  navegabilidade só obriga a que o novo tabuleiro fique acima desta cota, 20m será suficiente.
O novo tabuleiro, feito em arco, pode descarregar toda a carga no maciço rochoso mas, além disso (e talvez fique mais bonito), também pode ser suspenso no arco da Ponte da Arrábida.

Fig. 2 - Um novo tabuleiro inferior na Ponte da Arrábida fica mesmo a matar.

Hoje tive uma visita do passado.
Quando eu era pequenino, uma vizinha minha que estava na França tinha 3 filhas, mais novas que eu mas com um cabelo muito comprido. Já lá vão 40 anos.
Hoje às 20h tocaram-me muito à porta lá de baixo mas eu não fiz caso. Depois, telefonaram-me e eu vi que eram as Testemunhas do Senhor Jeová. Não liguei porque estava mesmo na hora de jantar.
Mas, passado um bocadinho, tocaram mesmo na minha porta e eu tive que ir abrir.
Era a Raquel, a testemunha habitual, e outra, morena, cabelo comprido, tipo cigana que disse, "Eu sou a Ilda, a filha da Georgina do Pamparão."
Eu fiquei altamente irritado por estar na hora do jantar mas, para controlar a minha raiva, fui para a cozinha (comer) e deixei-as a falar com a minha mãe (que já quase não diz coisa com coisa).
Depois, passado meia hora, vim falar com elas e moça está toda boa, ainda com cabelo muito comprido (usa trança) mas em nada parece ter 48 anos e um filho com 30 anos!

A lição foi interessante, tratou-se de um exercício de exegese.
1 = Se Jesus, que era Deus, era amigo de Lázaro é porque Lázaro era bom aos olhos de Deus.
2 = Se há Céu, espaço de felicidade eterna, como Lázaro era bom aos olhos de Deus, quando Lázaro morreu, foi para o Céu.
3 = Jesus chorou quando soube que o amigo Lázaro tinha morrido pelo que sabia que Lázaro estava num sítio pior que a Terra.
4 = Jesus ressuscitou Lázaro porque o queria bem e este não disse "Foste mau porque me trouxeste de um sítio muito melhor."
Daqui fica mais do que provado que, quando as pessoas boas morrem, não vão para o céu. 

Sem mais nem quê, a Pamparoninha disse "o meu casamento correu mal, estou divorciada" e terminou com uma frase bíblica que, normalmente, é usada pelos borguistas: "Nascemos do pó e ao pó voltaremos."
Eu até pensei em lhe pedir o telefone ... para discutirmos mais aprofundadamente esse mandamento de Deus do "crescei e multiplicai-vos".
Mau! - pensei logo eu - Será que vou acabar, a "vender bíblias" porta a porta?
Pensei logo no ditado popular: "5 minutos em cavalo novo dá um mês de dores de costas."

Fig. 3 - Eu venho com a mensagem do Deus cujo nome é Sr. Jeová. 

9 comentários:

Carlos Oliveira disse...

Brilhante , como sempre
Bom Natal
C Oliveira

Anónimo disse...

Imaginar um mundo futuro sem produção de energia eléctrica em centrais nucleares é como imaginar o Séc. XIX sem automóvel ou o Séc. XXI sem computadores. A humanidade continuaria a viver com carroças e máquinas de escrever não tenho dúvidas.

E viverá com solar/eólica + bombagem/baterias em vez de nuclear.

Apenas será muito mais pobre.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Anónimo,
Há 10 anos, eu pensava que o futuro seria a energia nuclear mas estava totalmente enganado!
As células solares, por serem feitas de silício (altamente abundante) e sem partes móveis, têm enorme tendência para diminuir de preço.

Se há 10 anos custavam uma pequena fortuna, hoje, um painel solar de 2 m2, 325W de potência, custa 260€ (mais instalação).

Pensando uma taxa de juro de 3%/ano, amortização em 20 anos e 4h/dia de produção, dá um custo de 0,11€/kwh, ainda está caro mas já na ordem de grandeza do que pagamos.

Para o consumo actual em Portugal (4 horas de produção por dia e rendimento de 75% no armazenamento), precisaríamos de 65km2 de paineis (a albufeira de Alqueva tem 250km2)que custam hoje 8500 M€.

No futuro não muito longínquo (uns 50 anos), só haverá electricidade produzida a partir da energia solar.

O problema será o armazenamento da electricidade para usar quando não há sol.

Anónimo disse...

Caro Professor,

Concordo que a tecnologia no solar avança mas porque razão não haverá a tecnologia no nuclear progredir também? Chegámos ao fim da sua evolução? Claro que não. Há países em que existe investigação e desenvolvimento nesta área como a China, Índia, França ou Coreia do Sul.

Na sua última frase explica porque o solar nunca será uma solução para a base do diagrama de produção, porque ao contrário do nuclear (ou gás ou carvão ou barragens) é uma fonte não controlável nem previsível a mais de 4 dias.

Apesar de todo o dinheiro/subsídios que muitos países já despejaram nas renováveis (Alemanha, Espanha, Portugal, Reino Unido, China, etc) ainda nenhum deles foi capaz de colocar as renováveis a fornecer a base do diagrama produtor.

Mas sim, se estes países continuarem a subsidiar o solar e a proibir a livre concorrência é provável que um dia matem todas as alternativas. Mas não será mérito do solar, será obstrução política

Silva disse...


Caro PCV

Como é que as "utilities" são caras se há défices tarifários?



"Há 10 anos, eu pensava que o futuro seria a energia nuclear mas estava totalmente enganado!"

Existe alguma central nuclear no mundo que esteja coberta com seguro contra todos os riscos?

Económico-Financeiro disse...

Estimado Silva,
O défice tarifário é por o custo de produção é maior, por causada gestão ineficiente, que o preço de venda.
Pelo menos em termos teoricamente, têm seguro contra todos os riscos. Mas tudo depende como são avaliados os danos: quanto valem os terrenos da Bielorrússia contaminada por radioactividade de Chernobyl?

Silva disse...


Caro PCV

Chernobyl fica na Ucrânia.

Obviamente que nenhuma seguradora faz um seguro desses e obviamente que nenhuma empresa que explora uma central nuclear conseguiria pagar um eventual prémio de seguro (gigantesco) contra todos os riscos.

Basicamente está aqui explicado porque uma central nuclear não é viável economicamente (relembro que qualquer automóvel tem seguro obrigatório).


Quanto ao défice tarifário, se o consumidor paga menos que o custo de produção é porque paga pouco, é barato,não é caro.

Anónimo disse...

Não estou a entender porque seria o prémio de seguro assim tão elevado para uma central nuclear. A segurança da indústria nuclear é exemplar. As seguradoras ponderam o risco e o risco de um acidente nuclear é muito baixo.

Chernobyl não foi um acidente, foi um crime, pura negligência. Foi tanto um acidente como aquele suicida que espetou com o avião da Germanwings nos Alpes.

No aspecto da segurança o nuclear e a aviação são casos análogos, a percepção de quem desconhece as estatísticas é que são actividade peerigosas quando são efectivamente seguras. A diferença é que o senso comum tolera os aviões mas não admite o nuclear.

Silva disse...


Caro Anónimo 20 de dezembro de 2017 às 22:51

Antes de mais nada, parto do princípio que nenhuma central nuclear tenha seguro.

Um eventual seguro contra todos os riscos duma central nuclear teria que cobrir o investimento na central nuclear que só na construção atinge valores brutais, todos as perdas de vida, humanas e de animais também, todas as doenças daí resultantes e seus tratamentos em sobreviventes, todas as perdas económicas presentes e futuras, todos os custos ambientais, deslocação das pessoas para residir noutros locais, pois durante anos não poderiam residir nessa área. Em suma, a seguradora iria falir se o prémio de seguro fosse baixo.

Insisto, parto do princípio que nenhuma central nuclear tenha seguro.

Não duvido da extrema segurança da indústria nuclear sendo obviamente o seu ponto fraco o factor humano. De qualquer maneira ainda recentemente tivemos o acidente nuclear de Fukushima devido a um terramoto.

Mas insisto, parto do princípio que nenhuma central nuclear tenha seguro.

Também concordo quando diz que Chernobyl foi crime mas isso é óbvio, porque tuda na URSS era crime e o mesmo continua na actual Rússia embora com outra roupagem.

Volto a insistir, parto do princípio que nenhuma central nuclear tenha seguro.

Também tem razão quando menciona o desconhecimento das estatísticas, de facto desconheço-as.

Mas continuo a insistir, parto do princípio que nenhuma central nuclear tenha seguro.

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