sexta-feira, 23 de março de 2018

O problema dos ciganos

Não é politicamente correcto falar dos ciganos mas vou arriscar. 
Quem sabe se este poste não me vai custar mais um mês de ordenado!
Mas isso pouco me interessa pois quero mesmo falar deste assunto (ia dizer problema mas acho melhor ficar por "assunto") até porque têm sido, nos últimos meses, os meus (e da minha mãe) fornecedores de roupa.
E, como diz a minha mãe, "nunca tivemos tanta roupa".
Além disso, o Presidente Marcelo já falou deste problema (numa visita que fez a um acampamento em Faro).

Porque existem ciganos?
Porque são perseguidos e discriminados (não, não me enganei, na ortografia, como o Feliciano Barreiras fez).
Se todos nós gostássemos muito dos ciganos (digo "nós" como povo europeu e ao longo dos séculos), estes já teriam desaparecidos, diluídos no meio dos povos que foram moldando o nosso genoma e a nossa cultura. Teria acontecido como aconteceu aos escravos africanos, que eram em muito maior percentagem ("Em 1500 já a população de Lisboa era composta por 10% de escravos negros") e que desapareceram sem deixar rasto visível.
Outro exemplo são os judeus que nos países onde eram menos perseguidos se tinham, na maioria, diluído e perdido. Por exemplo, na segunda guerra mundial, os nazis com a colaboração de pessoas de outros países, mataram cerca de 6 milhões de judeus. Esta pessoas foram mesmo mortas mas existe controvérsia quanto a serem judeus pois, muitas delas, já nem se lembravam que tinham ascendentes judeus.
Sim, em Portugal os judeus também "desapareceram".

Os ciganos precisam ser ajudados mas têm uma cultura muito própria.
Os ciganos vivem em grande miséria sendo que o principal problema é a habitação e as utilitidades (água, esgoto e electricidade).
Eu, nas minhas compras de roupa usada, converso com os vendedores e o problema maior que me relatam é a falta de alojamento. Ainda no Sábado passado um chamou-me para uma conversa:
- Oh chefe, você não tem uma barraquita que me possa arrendar?
- Mas o senhor não mora nas barracas da Câmara quem vai para a Marinha?
- Sim, vivo lá mas o vendaval arrancou as folhetas e a Câmara não me quer deixar metê-las outra vez,dizem que nos querem meter dali para fora. E para onde é que a gente vai morar?
(Penso que não é bem verdade, a Câmara não os quer expulsar mas fica a conversa)

Pensei eu!
Mas porque é que estas pessoas não compram um mato e fazem lá umas barracas?
Se o terreno fosse deles, será que algum presidente da câmara iria ter coragem para lhes mandar as barracas abaixo?
Até vinham cá os da ONU, é que nós ainda não vivemos na Síria!
Eu até já identifiquei um mato que está à venda por 21000€ o que, mais despesas, fica nos 22500€.
São 12500m2, numa zona sossegada, perto de uma estrada, que dão à vontade para 30 barracas grandes, estacionamento para as carrinhas e ainda uns cobertos para meter a roupa usada com que fazem a vida.
22500€ para amortizar em 25 anos, dá 100€/mês.

O problema?
Não sei como dizer isto sem ferir suscetibilidades.
Primeiro, se os vizinhos souberem que os ciganos querem comprar o mato, não vão deixar (ninguém os quer por perto). 
Segundo, eu até podia comprar o mato, ser o  "landlord" e cobrar 100€/mês mas o problema é que o cigano procura sempre enganar seja quem for (nunca iria receber a "prestação").
É como o Maradona que, quando marcou o golo com a mão, ficou mais contente do que se tivesse marcado 100 golos com os pés ou o Paulinho Santos que se riu sozinho quando, com uma cotovelada, partiu os dentes ao João Vieira Pinto  (e até eram amigos!).

Os pais querem os filhos longe da outra canalha!
Interessante este facto!
O Presidente Marcelo disse "temos que os integrar" mas, aparentemente, os ciganos não querem viver com os outros. Chegam a um sítio qualquer e até parece que criam problemas para serem expulsos dali.
É que os ciganos são inteligentes e sabem perfeitamente que "integrar" é sinónimo de "destruir", de "aculturar".
Um dia perguntei a uns ciganos se os filhos andavam na escola "Nem pensar, é que eles, depois, ficam com vergonha de serem ciganos, querem ser como os outros. Gente como a outra há muitos e ciganos somos poucos, não estou para sustentar canalha para, no fim, serem gente como a outra, que os sustentem os outros."

O sistema tem que ser "à prova de calote".
Uma ligação de água e esgotos à rede custa, numa família de 6 pessoas, no mínimo 30€/mês! Para ser "à prova de cigano", o sistema de abastecimento de água potável e de esgotos tem que ser "fora da rede" (que não seja preciso pagar)!!
Imaginemos números exagerados de população e consumo.
30 barracas com 6 pessoas por barraca, são 180 pessoas.
110 litros de água por dia por pessoa, são 20 m3 por dia, 0,25l/s.

1) Faz-se uma captação a uns 100 metros do acampamento, mete-se um doseador de cloro à entrada de um depósito de 20 m3 e já temos água potável para toda a gente sem o problema do "corte por falta de pagamento."

2) Faz-se uma fossa séptica de 3 compartimentos com sumidouro (para tratamento dos esgotos domésticos) com 90 m3, 0.5m3/pessoa.

A) Um compartimento onde entra a água residual e que serve para separar os sólidos (que vão ao fundo) dos líquidos (ainda contaminados mas com muito menos carga orgânica).
B) Outro compartimento, serve de armazenamento dos sólidos (lamas) que serão, uma vez por ano, descarregados para adubar os campos. Se cada pessoa produzir 30g de lamas (peso seco) por dia, diluídas a 95%, é preciso armazenar 40 m3 de lamas por ano (chama-se "água choca").
Como um terreno agrícola pode receber até 4kg/m2/ano de lamas (peso seco), é suficiente pedir a alguém com 1000m2 de terreno agrícola longe dali (a custo zero, e ainda vai agradecer) e "virar a leiva" .
Sempre que se retira parte do compartimento B, as lamas do compartimento A deslocam-se pelo tubo de fundo para preencher o vazio deixado.
C) Um sumidouro que infiltra no subsolo as águas residuais já com pouca carga orgânica.

Fig. 1 - Uma fossa céptica de 3 compartimentos: 
A = decantação, B = armazenamento de lamas, C = sumidouro

Desta forma, a água e o saneamento ficam baratíssimos, na ordem dos 0,10€/m3, e é água segura.
20 m3/dia * 30dias * 0,10€/m3 / 30 barracas = 2,00€/mês por barraca.
Mesmo que os consumos sejam maiores, a factura total da água ficará sempre abaixo dos 100€/mês o que torna possível que, mesmo os ciganos, paguem.
O custo da água é principalmente electricidade para as bombas.

Fazer mais umas infraestruturas.
Dividem-se o terreno em talhões, fazem-se os caminhos em macadame, metem-se os tubos de água e de saneamento e metem-se uma lâmpadas para iluminação pública.

E a electricidade?
Aqui é que está o maior problema porque é razoavelmente caro e os ciganos custa-lhes pagar isto (fazem muitos "desencaminhamentos")
O sistema teria que ser tipo "condomínio" tendo dois níveis de medição.
Ao nível um, seria medido o consumo de electricidade de todo o acampamento e calculado o total facturado.
Ao nível dois, seria medido o consumo individual e o total facturado dividido proporcionalmente pelas barracas.
Assim, se alguém "desencaminhar" electricidade, pagam os outros (que passarão a estar atentos).

Depois, é só fazer as barracas.
Casqueiras de madeira (que é a parte de desperdício quando se fazem tábuas, enchimento com desperdícios florestais como isolamento térmico, casqueiras asfaltadas como telhado (é mais barato que folhetas metálicas e muito melhor) e janelas pequenas para melhorar o conforto térmico.
Já está.

Um subsídiositos.
As obras nas infra-estruturas podiam ser feitas pela Câmara, tipo uma ajuda em géneros, que não custa assim tanto. 
A electricidade também podia ter um subsídio de "60% em cartão Continente", 30% pago pela "tarifa social" e 30% pelo Continente.
As casqueiras e demais materiais de construção também se poderiam arranjar quase à borliex.
É só haver boa vontade.

0 comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code