segunda-feira, 7 de maio de 2018

Futebol - Estarão os grandes cada vez mais grandes?

Há dias veio um artigo no JN sobre isto.

Dizia o artigo, olhando para a diferença pontual entre o quarto classificado e o quinto classificado dos últimos anos, que nunca os grandes foram tão grandes como o são agora e que isso, alegavam, tinha a ver com a distribuição dos direitos televisivos.
Ouviam vários gurus e todos diziam "Eu já o tinha visto e avisado há muitos anos, estamos a matar a competitividade do futebol".
Lembrando-me dos indicadores de concentração de mercado, a análise é muito pobrezinha pois, havendo informação sobre todos os agentes de mercado (isto é, as classificações de todos os clubes), não se pode deitar essa informação fora.

Fui buscar os resultados ao site www.zerozero.pt
 referentes aos últimos 50 anos, os campeonatos entre 1968/69 e 2017/2018.
Para poder comparar os campeonatos que têm diferente número de equipas e diferente forma de classificar as vitórias, primeiro, corrigi para 3 pontos por vitória e 1 ponto por empate e, depois, construí a pontuação como a percentagem de pontos que cada clube teve em comparação com o máximo possível (3 vezes o número de jogos).
Calculei um índice de competitividade subtraindo um do desvio padrão da pontuação a dividir pelo máximo teórico possível (0,316 pontos) o que permite obter um número com um máximo teórico de 100% (as equipas empatam todos os jogos) e o mínimo de zero (a equipa mais forte ganhar os jogos todos, a segunda os jogos todos menos 2, a terceira os jogos todos menos 4, ...).
Fiz um gráfico com os últimos 40 anos e, voi la, não vejo grandes tendências ao longo do tempo:

Fig. 1 - Evolução do índice de competitividade do campeonato de futebol português.
A vermelho, a média de 10 anos.

Depois, meti as ferramentas estatísticas.
Em termos de variáveis relevantes, o que se alterou ao longo do tempo foi o número de equipas do campeonato, variando entre 14 e 20 equipas. Fiz então um modelo de regressão em que as variáveis explicativas são o ano (para ver a tendência de evolução da competitividade com o tempo) e o número de equipas e obtive:

Conpetitividade = 1,748 + 0,0236*N.Equipas - 0,0008*ano
         (t stat.)                     (3,30)                    (-1,27)

O modelo mostra que haver mais equipas aumenta a competitividade (o aumento de uma equipa induz um aumento no índice de competitividade de 2,36 pontos percentuais, significativo a 0,5%) e que o passar dos anos não é significativo (o número é negativo mas muito pequenino e não significativo), o que contraria a opinião dos gurus citados.

Se queremos mais competitividades, temos que aumentar o número de equipas.
Penso que isto tem a ver com a gestão dos planteis.
As equipas fracas têm jogadores fracos pelo que, estarem cansados ou descansados, vai dar ao mesmo e metem outros fracos.
As equipas fortes têm alguns jogadores muito bons que, havendo muitos jogos, ficam cansados, lesionados, sofrem castigos, fazendo com que seja preciso rodar jogadores menos bons.

Fiz o campeonato dos últimos 50 anos.
Peguei nos resultados e fiz um campeonato a 30 equipas (simulado) somando a pontuação calculada referente a todos os anos e escalando a um campeonato com 58 jogos.
Em primeiro lugar fica o FC Porto, com mais 2 pontos que o SC Benfica e os "três grandes" fazem uma grande diferença para o quarto classificado, de cerca de 100 pontos, que é o Guimarães taco a taco com o Braga e o Boavista.
Neste campeonato de 50 anos estão 4 grupos. Os três grandes (Porto, Benfica e Sporting) com 250 pontos, os três médios (Guimarães, Braga e Boavista) com 150 pontos, os três pequenos (Belenense, Setúbal e Marítimo) com 120 pontos e, depois, o grupo dos "de vez em quando" que têm menos de 1/3 dos pontos dos três grandes.
A diferença entre os 3 grandes e os três médios já dura há 50 anos e será assim nos próximos 50 anos.
Interessante notar que apenas os 3 grandes estiveram em todos os últimos 50 campeonatos e que só 10 equipas estiveram em mais de metade dos campeonatos.

Rk Clube N.Camp. Pontos
1 FC Porto 50 255
2 Benfica 50 253
3 Sporting 50 227
4 V. Guimarães 46 151
5 Braga 45 147
6 Boavista 43 145
7 Belenenses 43 127
8 V. Setúbal 41 121
9 Marítimo 37 110
10 Académica 31 75
11 Rio Ave 24 64
12 Farense 23 60
13 Beira-Mar 24 58
14 Nacional 17 51
15 U. Leiria 18 48
16 Salgueiros 18 47
17 P. Ferreira 17 47
18 Estoril Praia 18 46
19 Gil Vicente 18 45
20 Est. Amadora 16 42
21 Portimonense 15 40
22 Varzim 16 40
23 Chaves 15 39
24 Penafiel 13 29
25 Leixões 12 29
26 Sp. Espinho 11 26
27 Moreirense 8 19
28 Tirsense 7 17
29 Olhanense 7 15
30 Barreirense 6 15



Deveria haver o título de Campeão de Inverno.
Quando o campeonato está a chegar ao fim, os estádios estão cheios, as televisões fazem transmissões com grandes audiências, os comentadores ficam todos entusiasmados, as apostas desportivas aumentam.
Tudo isto faz entrar dinheiro no negócio do futebol.
Não custava nada pegar nos pontos da segunda parte do campeonato anterior e soma-los aos pontos da primeira parte do campeonato seguinte para encontrar o "campeão de inverso" a ser encontrado nas vésperas do Natal.
Não implica mais jogos e penso que iria dar um bocadinho mais de emoção.
E seria uma oportunidade de ouro para o Sporting (que, alegadamente, sofre do "Fantasma do Natal").

Fig. 2 - A FPF tem que dar alegrias às mulheres

1 comentários:

Silva disse...


Caro PCV

Um dos objectivos das forças do mal é destruir o futebol.

A introdução do VAR é claramente com esse propósito (apesar de obviamente ser dito o contrário).

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