segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Married at first sight e Comunismo

Aparentemente, são duas coisas que não têm nada a ver! 
"Married at first sight" é um programa de televisão em que pessoas casam com desconhecidos enquanto que o Comunismo é uma alternativa ao Capitalismo (à Economia de Mercado).
Mas vamos ver que são duas realidades semelhantes na sua base: substituir a decisão dos indivíduos pela decisão de um perito.
Dizem os esquerdistas e demais mentecaptos que, sendo um perito tomar a decisão, vai-se conseguir um melhor resultado.
Mas não e o exemplo vem, não só do programa de TV como da Venezuela, Coreia do Norte, Nicarágua e demais países governados por esquerdistas.

Estatísticas do "Married at first sight".
Neste programa de entretenimento, homens e mulheres candidatam-se a casar, fornecem alguma informação quanto às suas características e o que pretendem e, depois, os peritos fazem os casais "de forma científica".
Sendo a escolha feita por peritos, a taxa de sucesso deveria ser muito grande mas, pegando nos resultados da Austrália, Nova Zelândia, USA, UK, Alemanha, França, Dinamarca e Itália, num total de 147 casais, apenas 16 mantiveram o casamento no fim do programa o que traduz uma taxa de sucesso muito baixa, na ordem dos 10%.

Porque falham os peritos?
Porque não têm informação detalhada sobre as características de cada indivíduo nem sabem rigorosamente o que cada um pretende no seu parceiro.
Esta critica não é minha mas da Escola Austríaca e, para o casamento, de Gary Becker com o seu trabalho de 1973 e 1974, "A Theory of Marriage".
Vejamos o que dizem estes autores.
Existem muitas pessoas sendo que a maior parte é incompatível. Vamos assumir que, se juntarmos duas pessoas aleatoriamente, 99% estarão separadas ao fim de um mês.
A primeira fase de selecção é pelas características públicas de fácil observação como seja o aspecto físico. Olhando rapidamente para uma mulher, logo separamos um pequeno grupo que nos poderia agradar. 
Na segunda fase, é preciso observar características que estão escondida (por exemplo, se ressona ou se mexe muito a dormir) e, mais difícil, outras estão dependentes das características da outra pessoa (por exemplo, se conversa temas interessantes).

Como deveria ser o programa.
Se a taxa de sucesso de "encontros perfeitamente aleatórios" é de 1% e os peritos só conseguem 10% de sucesso, para termos uma taxa de sucesso na ordem dos 95%, é preciso que cada pessoa escolha num universo de pelo menos 500 pessoas!
Isto obriga a dividir o programa em fases em que, a cada fase, o indivíduo atribui uma classificação entre 1 e 10 pontos às pessoas que com ele interagiram e os peritos fazem o ajustamento seguinte tendo em atenção as classificações.

Preliminar - Screening.
Inicialmente haverá 1000 pessoas, 500 homens e 500 mulheres.
Cada pessoa vai visualizar ao longo de um dia fotografias e informação quanto ao peso, altura, idade, características da família, profissão e outra informação pública de cada um dos 500 potenciais parceiros.
Desta fase resultará uma matriz 500 x 500 de classificações com 125000 valores a partir da qual um programa de computador optimizador selecciona as 100 pessoas / 50 casais mais compatíveis.

Semana 1 - Speed dating.
Cada pessoa seleccionada vai-se reunir com 50 potenciais candidatos em encontros rápidos.
Se cada encontro demorar 30 minutos, mais almoços, jantares e actividades para fazer TV, o processo vai demorar toda a semana.
Nesta fase passam 40 pessoas / 20 casais.

Semana 2 - Experimentação.
As pessoas vão conviver 24 horas juntos. Nesta fase já não será "todos-contra-todos" mas serão seleccionadas apenas as 7 pessoas mais próximas.
Nesta fase passam 16 pessoas / 8 casais.

Semana 3 - Fase final.
Só agora é que as pessoas começam as tais 6 semanas do programa "Married at first sight".

Vamos então ao Comunismo.
O Comunismo (melhor dizendo, a Economia Planificada) defende que deve ser um planificador central a decidir a afectação dos recursos escassos da economia.
Dizem eles que, por um lado, o Capitalismo (melhor dizendo, a Economia de Mercado) cria desigualdades e, por outro lado, não consegue ver todas as possibilidades (por exemplo, um vendedor em Almodôvar nunca se encontra com um comprador de Freixo de Espada à Cinta).
Mas, sendo o comunismo melhor que o Capitalismo, não se compreende porque as sociedades que adoptaram o Comunismo acabaram por fracassar. O caso que nos tem chegado mais recentemente é o da Venezuela em que, para acabar com a pobreza, criaram-se milhões de pobres.
Se o Chaves ainda conseguiu manter as coisas (o nível de vida aumentou cerca de 1,6%/ano), com a entrada do Maduro, com o aumento da inflação e o controlo administrativo dos preços e dos salários, foi a catástrofe total com perdas no nível de vida de 50% (ver, Fig. 1 , dados do Banco Mundial, grafismo meu).
Se em 1960 o nível de vida na Venezuela era quase o triplo do nosso (o que justificou a emigração em massa), em 2018 o nosso é o triplo do venezuelano.

Fig. 1 - Evolução do PIB per capita venezuelano e português (dados, Banco Mundial)

Comparemos a economia com o casamento.
As pessoas quando nascem, a única riqueza que têm é o trabalho.
todos nós que não vamos herdar grande coisa, vendemos o nosso trabalho para podermos comprar bens e serviços.
Acontece que nem todos os empregos nos servem, havendo locais onde somos mais produtivos e locais onde somos menos produtivos; locais onde o sacrifício é maior e locais onde o sacrifício é menor.
Nós até estamos disponíveis para receber um salário menos num emprego mais agradável, mais próximo de casa, socialmente mais reconhecido, mais adequado aos nossos gostos.
Do lado do empregadores, também precisam escolher os trabalhadores certos. Até estão disponíveis a pagar um salários mais elevado aos trabalhadores que julgam mais adequados.
Este processo de "casamento" tem informação que é pública e outra que apenas se descobre em ambiente de trabalho.
Do lado do trabalhador, temos como informação publica a idade do trabalhador, habilitações académicas, altura, peso, anteriores empregos, se é casado, filhos, pais, etc. Do lado do empregador temos o local, tipo de actividade, salário, horário, e informação de outros trabalhadores.
Mas, é no ambiente de trabalho que o trabalhador avalia se o trabalho é desagradável, se os colegas são insuportáveis, se o patrão é mesquinho, se o trabalho lhe corre bem. E é só então que o empregador consegue ver se o trabalhador é dedicado, capaz e produtivo.
Sem esta informação que cada um descobre no local de trabalho, não é possível fazer um ajustamento bom e é aqui que falha o Comunismo: o planificador não tem informação suficiente.

Vamos agora ao Rui Rio.
Todos nós sabemos que é uma nulidade, até ele o sabe.
O discurso dele faz-me lembrar um aluno fraco que, colocado um problema, responde "Vão ver como eu sou inteligente e tenho uma solução brilhante para o problema. Já respondi a 3 problemas na Câmara do Porto e agora vou mostrar que sou o melhor do Mundo. A minha resposta vai ser, a partir de hoje, copiada por todos os meus colegas. Só tenho pena que os meus amigos estejam sempre a dizer que eu não presto."
E fica-se por aqui, resposta de grilo.
Está calado enquanto há os incêndios, depois de criticado pelos que querem ver oposição aos erros da geringonça aparece a dizer "Em vez de me criticarem deveriam estar calados porque não se criam incêndios durante os incêndios, antes, apoiamos com o nosso silêncio. O tempo da política é agora em que já não há incêndio" para logo se remeter novamente ao silêncio.
Claro que o Santana Lopes não é muito melhor mas ainda tenta dizer qualquer coisa mesmo que desconexo e sem sentido. Faz o que pode.
O que eu tenho reparado é que, quer o Rio quer o Santana, há em melhor estado nos lares da terceira idade.

Fig. 2 - Tempo de ir dormir a sesta.

1 comentários:

Pedro disse...

Só tretas.
O capitalismo também é dirigido pelos "peritos" das grandes empresas.

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