quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Porque não fez Salazar um túnel sobe o Tejo?

Existem muito mais pontes do que túneis. 

E isto não deve ser por caso.
Se fosse fácil fazer o tal túnel sobre o Tejo, pensarão, naturalmente que o Salazar teria pensado nisso e evitaria as 30000 travessias diárias para cada lado e que o Estado subsidiasse a travessia em cerca de 0,6€ por passageiro (relatórios e contas da Soflusa, 2014, muito desactualizadas).

Fig. 1 - Estes 2000 m iriam melhorar a vida de muita gente


Barreiro/Seixal/Cacilhas <=> Lisboa --> 30 mil/dia para cada lado
- - Barreiro <=> Terreiro do Paço --------- 7,6 milhões/ano
- - Cacilhas <=> Cais do Sodré -------------5,3 milhões/ano
- - Seixal <=> Cais do Sodré ----------------1,3 milhões/ano
Barreiro/Seixal/Cacilhas <=> Lisboa -----14,2 milhões/ano
Dá cerca de 200 pessoas por minuto, em hora de ponta.

Um túnel para automóveis tem muitos problemas.
1 = É preciso prever o risco de incêndio.
Os combustíveis e as partes plásticas dos automóveis são altamente inflamáveis e contêm muita energia. Quando surge um incêndio, risco que todos os carros têm mesmo sem ser em resultado de um acidente, como cortar o ar será condenar as pessoas à morte certa, o incêndio propaga-se rapidamente aos outros automóveis e libertando quantidades astronómicas de fumos tóxicos que vão matar toda a gente e ainda destruir o túnel.

2 = Retirar os gases tóxicos.
Os motores libertam gases asfixiantes pelo que a circulação do ar tem que ser abundante, constante e sem risco de ser interrompida. 

3 = A altura livre tem que ser de pelo menos 7 m.
Para acomodar os ventiladores, extractores de fumo e haver uma reserva de ar que permita a sobrevivência das pessoas em caso de acidente, o pé direito tem que ser avantajado.

4 = Tem que haver um túnel de segurança.
Pode tudo correr mal, haver um choque em cadeia seguido de incêndio, abandono dos veículos e falha no extractor de fumos e é preciso salvar as pessoas. Então, tem que existir um túnel de segurança por onde as pessoas possam fugir e o socorro chegar.

Um túnel para comboio também tem problemas.
Sendo eléctrico, não há gases o que diminui as necessidade de ventilação e da altura. 
Não tendo tantos acidentes, retira a necessidade de haver um túnel de segurança.
Mas tem o problema do declive (que está limitado a 1%) e de, em caso de acidente ou avaria, a existência dos carris prejudicar a evacuação do túnel.
De qualquer modo, o Túnel do Canal da Mancha avançou com comboio (e já teve um incêndio grave num camião transportado).

Um túnel para peões e bicicletas.
É uma coisa muito mais ligeira. As pessoas sentem-se confortáveis com um pé direito de 3 m, não há produção de gases tóxicos, o risco de incêndio é muito baixo e não se propaga, o risco de congestionamento na evacuação existe mas é 1000 vezes inferior ao caso dos automóveis (basta um automóvel parado). 
No tempo do Salazar, o futuro e o progresso era o automóvel e, por isso, era impensável um túnel atravessar o Rio Tejo. Hoje, que o futuro já começa a ser a bicicleta e a trotineta eléctricas, já começa a fazer sentido.

Fig. 2 - Um túnel 12m x 5m permite a circulação de 250 e-bikes/minuto em cada sentido

E se fosse um tubo parte túnel e parte ponte?
A principal dificuldade à construção do túnel é que, nessa zona, o Rio Tejo tem uma profundidade de 50m o que faz com que um túnel enterrado tenha que vencer um desnível desde a entrada até ao fundo do rio de pelo menos 70m.
Para o caso do metropolitano, para termos uma rampa com 1% de inclinação, será preciso esticar o túnel dos 2km da travessia para 17km, 7.5km a descer e outros 7.5km a subir.
Agora vamos imaginar uma inclinação de projecto de 4%. Esta inclinação é compatível com uma bicicleta a descer desengatada a 30km/h e a subir a 12km/h se o motor eléctrico debitar 250w. Mas, mantendo os 2km da travessia, o túnel ainda vai ficar muito longe do fundo do rio.
Descendo 40 m, ainda ficamos a 30 metros de "altura". Não faz mal, o túnel transforma-se em ponte subaquática.
Fig. 3 - O tubo da fig. 2, parte do percurso é túnel e outra parte é ponte subaquática.

Os esforços no tubo.
O tubo desenhado na fig. 2 não tem esforços verticais pois o peso do betão é totalmente equilibrado pela impulsão da água. Assim, fica quase a flutuar no meio da água.
Os esforços sentidos vão ser causados pelo caudal do Rio Tejo, mais forte em dias de cheia, e pelos movimentos das marés a entrar e a sair. 
Assim, a ponte vai trabalhar na horizontal e não, como normalmente, na vertical, havendo necessidade de cabos ancorados no fundo do rio e a "viga caixão" ser horizontal (concentrar betão do lado poente e nascente do tubo, ver fig. 2).

Fig. 4 - Na ponte subaquática, os esforços são horizontais e causados pelo movimento da água, mais fortes de Nascente para Poente. 

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