sexta-feira, 15 de julho de 2016

A minha mulher é uma porca

Um homem vive em união de facto com uma porca.
Acho que foi esta a notícia mais interessante num tempo em que fomos campeões europeus de futebol, a Mamona ganhou medalhas nos mundiais de atletismo, e o EconFin decidiu (por unanimidade) que nos devem ser aplicadas sanções.
Fazer o amor com uma ovelha, já todos nós ouvimos que é prática comum no Alentejo. Quem não se lembra destas graças?
  1) De onde vem a lã virgem? Das velhas que correm mais que o pastor.
  2) Se Adão fosse alentejano, sabendo que a ovelha já tinha sido criada, nunca teria pedido a Eva.
  3) A mulher disse para o marido "As ovelhas disseram-me que andas a fornicar com elas" a que o pastor respondeu "Não acredites que elas são muito mentirosas."



Também tive um vizinho que, um dia, disse que "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata." 
Mas de uma porca, já o tinha sonhado, mas nunca o tinha visto dado às noticias (ver).

"Nós amamo-nos e até já falamos em casar e ter filhos", disse o homem.
Isto das aldeias, cada vez mais é uma imagem muito distante e minoritária pois já quase todos somos urbanos.
Mas, quando eu era pequenino, vivia numa aldeia atrasadas (chamada pelos parolos de "Sã Mecente") e os meus pais tinham, com licença, porcos e porcas.
Sim, o parolo nunca dizia porca, vaca, sangue ou qualquer outra coisa destas sem antes dizer "com licença". 
E, realmente, as bichinhas, talvez por usarem pouca roupa, quando se viravam de costas (melhor dizendo, com os presuntos para trás, eram muito sexys, davam uns passos curtos com o rabiosque e as naturezas a abanar para um lado e para o outro, mesmo a desafiar os seres humanos. Parecia mesmo que estava cheias de malícia, tomadas pelo Belzebu, mandatadas para puxar as almas das crianças inocentes para serem bifanas no infernal churrasco eterno.

É que as, com licença, porcas são quase humanas.
No fundo, uma porca é o mais próximo de uma mulher que uma criança da aldeia pode ver ao vivo. Também havia as cadelas, as gatas e as coelhas mas era tudo mais pequenino. Quando, por exemplo, era preciso separar as gatinhas dos gatinhos (para dar os gatinhos e enterrar as gatinhas) ou as coelhas dos coelhos (para meter em casotas diferentes), era uma dificuldade para ver as naturezas de tão pequenininhas. Tinha que se retirar o pelo com os dedos previamente molhados em saliva para ver a pequena diferença entre um coelhinho (ou um gatinho) e uma coelhinha (ou gatinha).
O porco é o animal geneticamente mais próximo do homem que existe (depois dos macacos e dos lémures que são tipo macacos de Madagáscar), muito mais do que o cão.
Além disso, o porco é muito inteligente, reconhecendo as pessoas não só pelo cheiro como tamném pela voz e pelo nome. Um porco consegue mesmo compreender frases inteiras como aquela que o companheiro lhe mandava:
"Minha Bébé, se encostares aqui as naturezas, vou à loja comprar-te um quilinho de farinha de milho."

Mas não é sobre isso que quero falar, é sobre a questão física.
Na aldeia as pessoas gostam de porcas grandes, sempre acima de 10 arrobas que são 150kg. Ora, além do peso, uma porca é muito mais musculosa que um ser humano, tendo umas pernas fortes que são só febra (quem quiser confirmar, basta ir ver um presunto ao talho).
Quando o bicho enterra os cascos no chão e avança de cabeça, é capaz de rebentar com uma parede e esmagar um humano. Finalmente, quando está zangada, a bichinha ferra de forma desalmada a ponto de ter que ser contada às crianças a história de que "uma porca comeu uma criança nas bandas de além, nem os sapatos ficaram" e berra com tal intensidade que se ouve a centenas de metros.
Juntando tudo com o facto de a bichina ter um corpo roliço sem sítio ou saliência para agarrar, o sexo só pode ter sido consentido.

Outra história que se contava.
Que, há uns 30 anos, nasceram 14 mulatos de porco (meio humanos, meio porcos) ao Sr. Sharabaneco da Silva (que era um desgraçado, cego, que tinha um filho-neto na filha mais nova que também era cega). O Sr. Padre Augusto batizou as criancinhas e, depois, uma senhora caridosa, teve-os em sua casa fechados até que morrerem, com uns 15 anos, gordos, com mais de 200 quilo cada.
Dizia-se ainda que "quem quiser confirmar esta história, os nomes constam no livro de batismos, um era o José Reco da Silva,  outro o António Reco da Silva, tinha ainda a Rosa Reco da Silva e mais 11 de que já não me lembro do nome."


Até havia fotografias dos mulatos de porco, este era o António, o mais parecidinho com o pai.

Mas, afinal, qual é o crime?
Meter-se uma faca no pescoço da porca, corta-la aos bocadinho e fazer dela chouriços, não é crime nenhum. Mas, prometer-lhe 1 kg de farinha em troco de favores sexuais já é um crime contra a dignidade da espécie Sus domesticus.
Mas afinal o crime foi outro, a bichinha era menor de idade. Diziam os denunciadores que "o homem pratica sexo com a Bébé que só tem 12 meses de idade e já faz isso desde que a criatura de Deus tinha 9 meses de vida".

Sim, para piorar a coisa, o nome da porca é Bébé.
Então, a coisa foi adulterada e no auto da notícia, em vez de "com a Bébé" escreveram "com uma bébé":
"Aldeão atrasado mental praticou sexo com uma bébé com apenas 12 meses de idade."

Uma porca com 12 meses na vida já atingiu a maioridade.
Nós, criados na aldeia, sabemos que cada duas semanas de vida de um porco correspondem a um ano humano. Assim, a Bébé já tem 26 anos e, com 9 meses, já teria atingido os 18 anos da maior-idade.
O problema dos intelectuais da cidade, é que não conhecem a Teoria da Relatividade da Vida dos animais onde 12 meses são 26 anos. 

Estamos a regredir a olhos vistos.
As forças mais retrógradas da nossa sociedade elegeram sempre a sexualidade como algo do Demónio. Mas se o Demónio não existe (nem Deus), porque nos arrastam estes novos esquerdistas bacocos (de que o Partido dos Animais e da Natureza é o exemplo acabado) para esta caça às bruxas?
Deixem lá os campónios fornicar com as porcas, ovelhas, galinhas ou patas porque diz a Constituição da República que todos temos direito a constituir família e a ter filhos. Se não arranjam uma mulher para os desgraçados, que tentem fazer filhos nem que seja numa porca.

Já imaginaram um filho feito numa vaca? 
Daria um jogador de basquete ou lutador de sumo.
Já agora, mais tarde atingi o significado de o meu vizinho dizer "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata" quando ele comentou a história dos 14 mulatos porcos, "é mais seguro ir-me à pata porque dali não tenho descendência pois, assim que sai um ovo, estrelo-o logo".

Como éramos inocentes.
Nesse tempo, até acreditávamos que o défice de 2016 ia ser de 2,2% do PIB e que o crescimento ia ficar bem acima dos anémicos 1,5% do tempo de 2015, tempo do Passos Coelho.
Se eu soubesse que era mentira a história dos mulatos porcos, talvez tivesse sido mais feliz! 

Olhava para a miss Piggy e lembrava-me das minhas porquinhas, todas nuas.

Já agora.
Se o matarroano passou horas a ver o sapo Cocas apaixonado pela porca Peggy, porque não aceitamos que o humano matarruano possa estar apaixonado pela porca Bébé?
É que genéticamente, o sapo é muito, muito mais distante da porca que o humano.

Maria Clara

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sanções, défice, Brexit e transportes

OK, Portugal está em défice excessivo há muitos e muitos anos.
Mas porque será que só agora os bruxelenses se preocuparam com isso, agora que estamos quase nos 3%?
Parece que o problema está mo tratado orçamental que foi assinado em finais de 2011 pelo Estado Português e pelo PS e que só tomou efeito em 2012 já nós sob resgate.

O que diz o Tratado Orçamental.
Obriga a que (Art. 3.º) os países da Zona Euro:
A) Deve haver equilíbrio orçamental (e já não défice de 3% do PIB).
B) O défice estrutural não pode ser superior a 0,5% do PIB.

Diz ainda que haverá mecanismos para obrigar os inconseguimentos:
E) Se for constatado um desvio significativo do objetivo de médio prazo ou da respetiva trajetória de ajustamento, é automaticamente acionado um mecanismo de correção. Esse mecanismo compreende a obrigação de a Parte Contratante em causa aplicar medidas para corrigir o desvio dentro de um determinado prazo.

O problema está quando o António Costa afirma "não vamos fazer mais nada" quando está obrigado a "aplicar medidas para corrigir o desvio."

 Lembram-se das palavras do Gasparzinho "será feito o que for preciso fazer"?
Se estivesse lá a Maria Luís, talvez dizendo vamos fazer todos os possíveis", a coisa parasse.
É esta frase que falta ao António Costa. Até, no final, podia a coisa resvalar, mas era preciso pelo menos vontade falsa de fazer alguma coisa, coisa que não existe vontade.

Será que em 2015 inconseguimos apenas 0,2 pp?
Para isso tenho que calcular o défice estrutural e compara-lo com os 0,5% do tratado orçamental que veio substituir a os 3,0% do Tratado de Maastricht.


Quanto terá sido o défice estrutural de 2015?
O défice estrutural é o défice médio ao longo do ciclo económico. Assim, como nos períodos de crise a receita fiscal é menor e a despesa pública maior, quando o PIB contrai, o défice nominal pode ser maior que 0,5%, passando-se o contrário nos períodos de crescimento económico.

Primeiro.
Para calcularmos o défice estrutural começamos por calcular o défice nominal do ano para efeitos do tratado, défice nominal que se obtém retirando do défice nominal em euros as medidas extraordinárias negativas como o BANIF e somando as positivas como privatizações, a dividir pelo PIB. 
Atualmente, existem 3 números encima da mesa para o défice nominal, 2,8%, 3,03% e 3,2%. Vou dar de barato que o valor certo é a média = 3,01% do PIB.

Segundo.
Depois, temos que calcular onde estamos no ciclo económico que passa por calcularmos qual é a taxa de crescimento económico média e o cálculo da diferença para essa média.
Pegando em dados do Banco Mundial, vejo que a taxa de crescimento média (o famoso crescimento estrutural) está em ZERO.
Dito assim, ninguém acredita: a nossa taxa de crescimento económico é zero. O Costa bem pode dizer que os 1,5% de 2015 foram um crescimento débil e que vai conseguir 1,8% em 2016 mas, se conseguir os 0,8% do primeiro trimestre, já se pode dar por contente pois a média está em
ZERO VÍRGULA ZERO POR CENTO POR ANO.
 
 Fig. 1 - Evolução da taxa de crescimento do PIB, 1961-2015, Portugal (dados: Banco Mundial) indica que o futuro é sombrio.

Terceiro.

Agora, obtêm-se o défice estrutural somando ao défice nominal uma percentagem da diferença entre a taxa de crescimento do PIB do ano em estudo e a taxa média de crescimento do PIB.

Vamos então ao cálculo.
Vou considerar como percentagem 60% e usar como crescimento potencial a taxa média nos anos 2000-2015 = 0,42%/ano. Como em 2015 tivemos um crescimento de 1,5%, o défice estrutural de 2015 foi de

Défice Estrutural 2015 = 3,01% + (1,5%-0,42%)*60% =  3,66% do PIB

Tivemos 3,66% e estávamos obrigados a ter um máximo de 0,5%!
Olhando assim, o inconseguimento não foi de 0,2 décimas mas de 31,6 décimas!


Felizmente, ainda estamos sob resgate.
Se não estivéssemos sob resgate, mesmo com um crescimento ténue de 0,8% para 2016, o défice deste ano teria que ser de 0,3% do PIB e não 2,2%(como escreveu o Costa no OE) ou 2,3% (como está a pedir Bruxelas).
         Défice de 2016 = 0,5% - (0,8%-0,42%)*60% =  +0,3%
Permitirem que tenhamos 2,3% do PIB porque tem implícita uma consolidação de 1,3 p.p. entre 2015 e 2016, o que já traduz que estamos a caminho dos 0,5%.

Seria 1,3 pp muito?
Se o défice em 2010 foi de 9,4% (sem BPN) e em 2015 foi de 3,0% (sem BANIF), houve uma melhoria anual de 1,2 pp.
Por isso, passar para 2,3% em 2016 obrigaria a um esforço orçamental semelhante ao que vivemos no período 2011-2015 e não temos vista nada parecido com isso.
Se não temos visto nada parecido com isso, o défice de 2016 não vai ser nada parecido com 2,3% do PIB.

Vou agora falar um bocadinho do Reino Unido.
Todos nos querem fazer crer que o RU vai entrar num período de grande turbulência que vai levar a perdas económicas. Mas eu tenho o mau gosto de ir ver os dados e, o que melhor reflete o que as pessoas informadas pensam sobre o futuro de uma economia é a evolução da taxa de juro das obrigações do tesouro de longo prazo.

Peguei nas obrigações britânicas a 30 anos.
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 30 anos estava em 2,5%/ano e hoje, depois da "turbulência da vitória do Brexit", está em 1,6%/ano.
Uma obrigação a 30 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 130 libras!

Se 30 anos é pouco tempo, peguei nas a 50 anos!
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 50 anos estava em 2,4%/ano e hoje, depois do referendo, está nos 1,4%/ano. 
Uma obrigação a 50 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 160 libras!

Afinal ...
as pessoas que têm 1,6 milhões de milhões de libras, 1,9 milhões de milhões de euros, 1900 mil milhoes €, 1900000000000€, emprestados ao RU, têm hoje mais confiança que o RU vá pagar a sua dívida pública daqui a 30 ou 50 anos do que tinham antes do referendo ter sido pela saída.
Se calhar, isso de o RU estar muito arrependido e a caminho da desgraça é um exagero do tipo "come a sopa senão vem ai o lobo mau."

Mas, afinal, há problemas para a UE pela saída do RU.
O Rating do RU diminuiu um nível mas o da UE também!
E o maior problema é que o RU gasta anualmente 56 mil milhões USD com a NATO para a defesa da Europa continental (já que o RU não tem fronteira com a Rússia!).
Em oposição, a Alemanha gasta anualmente 38 mil milhões USD, bastante menos quando está lá encostadinha!

Se o RU decidir cortar a sua participação na NATO, os países da Europa Continental vão ter que entrar com essa massa.
Se somarmos a isso que, se o Trump ganhar, os europeus vão ter que contribuir muito mais para a NATO, estou a ver um grave problema para os do continente.


Finalmente, um bocadinho de transportes.
Em termos económicos, os transportes têm um peso muito grande no PIB, superior ao peso da agricultura.
Em Portugal, os transportes são responsáveis por 4,8% do PIB e a crescer 0,07pp/ano e a agricultura 2,35% e a descer 0,07pp/ano.
O contributo para o PIB português dos transportes é de 7500 milhões € por ano, muita massa.
Mas o problema é endereçamento, termos milhões de pessoas que querem receber encomendas de milhões de pessoas e ser preciso uma forma tecnológica de realizar esses milhões de endereçamentos.
Isso é tão importante que a Amazon está a investir dezenas de milhões de euros em desenvolvimento de  veículos e equipamentos que façam esse endereçamento de forma económica e quem está lá a trabalhar é o meu colega ZFG.

Vamos ao problema do endereçamento.
As redes de telemóveis recebem som de milhões de telemóveis (em pequenos pacotes) que endereçam para outros milhões de telemóveis. isso é conseguido pegando no nosso som, dividindo-o em pequenos pacotes com um endereço e o encaminhamento por uma rede de meios desde a nossa máquina até à máquina do destinatário e volta.

1 - Falo para o microfone que transforma o som numa corrente elétrica
2 - A corrente elétrica é digitalizada ficando uma sequência de 0s e 1s
010010101010101010101010101010101010101
3 - O código digitalizado é cortado em pacotes
010010101010    101010101010    101010101010  etc.

4 - É acrescentado o número de destino à frente
01001010101091123456    10101010101091123456    10101010101091123456  etc.
(o número de destino é condensado para ocupar menos espaço).

5 - O nosso telemóvel emite 100 pacotes por segundo que chegam à antena que tem capacidade para receber 1000 telemóveis em simultâneo (100000 pacotes/segundo).
Chegando um pacote, o torre envia-o por cabo para uma central de endereçamento, que o passa a outra central, etc. etc. até chegar à torre que vai emitir o pacote para o telemóvel de destino.

Fig. 2 - Os pacotes em que uma chamada telefónica é dividada, são reencaminhados muitas vezes entre a origem e o destino

6 - Em cada ponto de reencaminhamento chegam em simultâneo milhões de pacotes (que contêm um bocadinho de uma conversa) que são endereçados para outros pontos de reencaminhamento até que chegam ao telemóvel de destino.

7 - Finalmente, os pacotes chegam ao telemóvel de destino que lhe retira o número do endereço, recompõe a mensagem digital que, no auscultador, transforma em som.
Quando um pacote é perdido, "ouvimos" um corte no som.

Um pacote é equivalente a uma palete (ou um contentor num navio) e um cabo (onde cabem milhar de conversações em simultâneo) é equivalente a um camião (ou um navio no transporte marítimo).

A Internet funciona exactamente da mesma forma e foi a tecnologia da Internet (os pacotes com endereço e as centrais de endereçamento) que permitiram o aparecimento dos telemóveis e mesmo da TV cabo digital.

Mas vamos aos transportes de mercadorias.
Viajam milhares e milhares de camiões que têm cargas misturadas que precisam de ser reencaminhadas.
Imaginemos uma central de reencaminhamento algures no centro da Europa onde chegam 1000 camiões carregados com paletes, 33 mil paletes por hora, que precisam ser descarregadas, armazenadas algum tempo, e metidas noutra camião.
Imaginemos um armazém com um milhão de paletes num armazém com um milhão de m2, com 4 mil monta cargas as trabalhar continuamente a carregar e a descarregar camiões que chegam da auto-estrada e volta, passado uma hora para lá já com a carga recombinada. Para minimizar o tempo de paragens dos camiões, teremos um espaço congestionado em que a distância entre dois monta cargas será menor que 15 metros, haverá um camião a chegar e outro a partir a cada 3,6 segundos, dia e noite, todos os dias do ano.
Mas isto apenas será possível com camiões sem condutores e monta cargas que não passam de robots controlados por um supercomputador que otimiza todas as milhares de movimentações que acontecem ao mesmo tempo, de forma semelhante ao que acontece com os pacotes do telemóvel mas, em vez de serem metidos num cabo de fibra ótica, são metidos num camião. 
Estou a ter uma visão apocalítica de um espaço onde nenhum humano pode entrar sob risco de ser atropelado pelos robots, quase sem luz porque os monta cargas usam localização por GPS.
Estou a imaginar o Exterminador Implacável em que os monstros serão monta cargas e camiões que, de repente, ganham inteligência e começam a dominar o mundo.

Fig. 3 - As máquina vão dominar o mundo e a humanidade será escravizada sendo obrigada a enviar cada vez mais encomendas! Nesse tempo até haverá água enchida em França que vai ser bebida no Japão (vai-se chamar Perrier e terá uma garrafa verde)
 
Fig. 4 - Os robots assassinos não passarão de monta cargas sem cabine


Fig. 5 - Será uma mulher a trabalhar ou um robot? 
O importante é que faça o serviço!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Grexit, livre comércio, camiões e racismo

OK, vou tentar ligar estas coisas todas! 
No rescaldo da votação do povo britanico para sair da UE, têm surgido nos comentários questões sobre eu conseguir (ou não) dar racionalidade à decisão de sair. Como as minhas respostas foram num comentário, não ficou claro aquilo que a Ciência Económica e a evidência empírica mostram.

A) A movimentação de bens, serviços, capitais e trabalhadores é um factor chave no desenvolvimento dos povos.
Sobre esta questão não pode ficar a mais pequena das dúvidas.
E este ganho de bem estar vem de vários caminhos.

Os escoceses são tão diferentes dos ingleses que o Mel Colm-Cille Gerard Gibson fez de escocês e é de origem galesa, Colm, holandês, Cille, inglês, Gibson e nasceu em NY.
O Mel Gibson está para os escoceses como os brancos com a cara pintada de preto para os africanos.

Primeiro, as descobertas de novos produtos como, por exemplo, medicamentos, software ou processadores, têm um custo fixo de I&D muito elevado e um posterior custo de produção muito mais baixo. Assim, quanto maior for o mercado, mais os custos de I&D vão ser diluidos o que leva a preços mais baixos e a lucro mais elevados para quem faz I&D o que leva ao seu aumento.
Vamos supor que uma farmacêutica precisa investir 1000 milhões € na descoberta de um novo antibiótico cuja produção custa 1€ por caixa. Vamos ainda supor que a farmacêutica precisa de um lucro de 50% para fazer face ao risco e que a patente se mantém por 20 anos.
Num mercado em que se vendam 1 milhão de caixas por ano, o preço de venda ficará em 76,5€ por embalagem, =(1000E6/(1E6*20)+1)*1,5 e o lucro da farmacêutica será de 510M€.
Num mercado global onde se vendam 100 milhões de caixas por ano, o preço médio de venda ficará reduzido a 2,25€/embalagem, =1000E6/(100E6*20)+1, e o lucro da farmacêitica aumentado para 1050M€.

Segundo, as economias de escala permitem produzir a um custo mais baixo.
Uma fábrica de automóveis, um estaleiro de contrução naval, uma siderurgia, conseguem custos de produção mais baixos se produzirem volumes maiores. Então, havendo mercados maiores, é possível conseguir preços mais baixos para os consumidores, lucros maiores para os produtores e mais diversidade para os consumidores.

Terceiro, as regiões podem-se especializar nas actividades em que têm vantagens competitivas.
Por exemplo, Portugal tem um clima agradável durante a maior parte do ano enquanto que o RU tem frio, chuva e vento. Então, será de nos especializarmos na produção de turismo e o RU na produção de outra coisa qualquer para pagar as estadias dos turistas britâncos aqui.

Falei apenas de bens mas podemos aplicar os mesmos princípios ás pessoas. Por exemplo, uma equipa de cirurgiões que se especializou depois de milhares de horas de investigação e estudo no tratamento das roturas do tendão cruzado do joelho, porque se trata de uma lesão bastante rara, obriga a ter acesso a um "mercado" muito grande para poder ser rentabilizada.

B) Existe racionalidade na saída do RU da UE.
Vamos imaginar que, separados, o PIB do RU era 800€ e o da UE 9000€ e que, unidos, o PIB do RU passa a ser 1000€ e o da UE é 10000€.
Olhando para esta situação, não há qualquer dúvida que o RU deve fica na UE mas também que a UE deve ficar com o RU. 
O problema é a guerra pela divisão do ganho do comérico (um total de 1200€). É que o RU acha que o justo é receber 500€, metade do ganho da UE, e a UE acha que o justo é o RU ainda lhe pagar 100€.
Como nas guerras nunca há cavalheiros, esta negociação tem que passar pelo esticar da corda que, agora, partiu do lado do RU.

Será que a separação vai durar para todo o sempre?
Depois de a Alemanha ter bombardeado Londres dia e noite durante 5 anos e de Dresden ter sido reduzida a um monte de escombros, seria de prever que a separação seria para sempre e não foi.
Agora, o RU apenas tem que mostrar que a UE vai perder muito e ele pouco e a UE mostrar o inverso.
O RU vai avançar com negociações com países terceiros e retaliar com tarifas onde a opinião pública seja mais sensível como, por exemplo, nos vinhos e queijos franceses e a UE vai atacar noutro sítio qualquer.
Mas estas coisas todas não passam de fases do processo negocial da divisão dos ganhos do comércio.



Porque não permitimos a entrada de trabalhadores sazonais?
Em Marrocos, a jorna agrícola de 8 horas anda na casa dos 5€, cerca de 0,60€/hora. No Bangladesh é na casa de 1€ por dia.
Incluindo salário, viagem e alojamento, conseguem-se trabalhadores a um custo de 2,50€/h para trabalhar na agricultura, sem limite de número, 100 milhões se forem precisos.
Se a nossa nossa agricultura tivesse trabalhadores a 2,50€/hora, poderíamos produzir e exportar muitos mais produtos, frutas e hortícolas, para o Norte da Europa.
Num ano, um agricultor marroquino trabalha 2400 para ganhar 1500/ano.
Como um visto de 3 meses / 936h (12h/dia, 6 dias por semana), esse trabalhador conseguiria, a 2€/h líquidos, levar para casa 1872€, mais 20% que o seu salário anual trabalhando menos de metade das horas.
Nós ficaríamos melhor, os marroquinos ficariam melhor e os países do norte da Europa também pois teriam acesso a produtos hortículas e frutas melhores e mais baratos.
Não faltam pessoas válidas desde vietnamitas até nigerianos passando por bangladeshianos e moçambicanos que estão a passar necessidade grave e que nos poderiam ajudar.

Tudo isto seriam liberalizações que promoveriam o aumento do nosso PIB.
Porque não existe liberdade para que os sazonais possam vir trabalhar para Portugal ao salário que for?
Porque não acabamos com a regulação do mercado de trabalho?
Porque não acabamos com os alvarás dos transportes públicos?
Porque não pode a UBER operar livremente?
Porque não acabamos com o Salário Mínimo?
Porque não privatizamos os portos e acabamos com a chupeta dos estivadores?
Porque não privatizamos o subsídio de desemprego?
Porque não acabamos com as empresas públicas que são ineficientes?
Porque não paga o Estado aos seus funcionários o salário de mercado?(ups, enganei-me pois esta ia doer forte no meu bolso).

Imagine razões várias e serão essas mesmas razões as que levaram os britâncios a votar pela saida da UE.
Até chegará a pensar que "é proibido essas pessoas virem para cá para o bem delas" e que "o melhor era mesmo acabarmos de vez com o seu sofrimento."

C) Para haver livre comércio, o custo de movimentar mercadorias é importantíssimo.
Se eu quiser mandar um camião TIR carregado de Guimarães para Frankfurt (2130km), consigo um preço próximo dos 2200€ que dá cerca de 0,10€/kg. Se pensarmos que uma carga leva 33 europaletes, teremos 67€/palete com um peso na ordem dos 750kg.
Haver um preço baixo para as mercadorias permite que as empresas possam vender no mercado global e, assim, aproveitarem vantagens comparativas locais.
Mas o problema não está nas grandes cargas mas nas pequenas encomendas, um fabriqueta qualquer de sapatos que tem a possibildaide de enviar uma palete com 200 pares de sapatos de Guimarães para uma loja em Frankfurt, outra palete para Milão e ainda outra apra outro sítio qualquer. Sendo que os CTT levam 25,30€ mais 3,20€/kg (ver, CTT), para 300kg, estamos a falar de um valor próximo de 1000€ ( semelhante ao preço da DHL ver, DHL), 5 € por par de sapatos, o que é um entrave a que as chafaricas possam exportar.

Mas a Mercedes já tem um camião que anda sem condutor!
A evidência dos últimos 50 anos mostra que para haver uma redução significativa do preço de um bem ou serviço é preciso robotizar o processo produtivo.
No caso dos transportes, é preciso robotizar os camiões, o processo de bundling / debundling - empacotamento / desempacotamento e de endereçamento e encaminhamento.
A questão é que a Mercedes já tem no mercado um camião sem condutor, o Freightliner Inspiration Truck, que até já tem licença para operar nas auto-estradas do Estado do Nevada / USA (ver) mas, estranhamente, não tem licença na UE que, alegadamente, existe para promover a liberdade de movimentação de bens e pessoas.  Mais estranho ainda quando a Mercedes é europeia.
Na minha previsão, a robotização de que o camião robotizado é um elo importante, vai permitir que o custo de transportar uma  palete individual desça dos actuais 1000€ para qualquer coisa próxima dos 50€.

Vejamos como vai funcionar a tecnologia dos transportes.
Haverá terminais de paletes nas autoestradas que será um grande armazém coberto onde as pessoas vão  levar e buscar carga. 
Eu já pedi repetidamente que se construam terminais de passageiros nas autoestradas mas as entidades não querem porque isso iria permitir liberalizar os transportes colectivos de passageiros (chamam eles, desregulamentar o sector)! 

Primeiro passo, o leilão.
Ainda na chafarica e talvez uma ou duas semanas antes da partida, o empresário introduz no sistema as características da carga, imaginemos que tem 4 paletes com 300kg cada em que uma vai para Frankfurt, outra para París, outra para Milão e a quarta para Barcelona.
Uma vez no sistema, os diversos transportadores vão propôr o preço, local de carga e de descarga e horário para o transporte de cada palete numa espécie de leilão.
Uma viagem pode ser dividida por diversos transportadores, por exemplo, um desde Guimarães até à Guarda, outro da Guarda até Madrid, um terceiro de Madrid até Paris e o final desde París até Frankfurt. Este tipo de fatiação da viagem já é normal nas viagens aéreas com ligações.
Os transportadores terão programas informáticos que vão propôr preços e desenhar trajectos e o site vai reunindo propostas para que o cliente possa escolher o que achar mais conveninente.

Segundo passo, a carga.
No dia em que vai levar as paletes, o empresário imprime uma folha com um código de barras que cola na parte lateral de cada palete.

Mete as 4 paletes na forgoneta e dirige-se ao terminal de cargas seleccionado.
Chegando lá, encosta a forgoneta e vem um monta-cargas robotizado que descarrega as palettes que armazena à espera de ordens do transportador.

Terceiro passo, o transporte + bundling/debundling + endereçamento.
O transportador chega ao terminal de carga, deixa algumas paletes que vão ser carregadas por outros transportadores (cada terminal de carga é também um ponto ligação) ou por clientes finais e vai meter paletes para transportar até outra zona de carga. Toda a movimentação das cargas será feita pelos monta-cargas robotizados.
Em todo o espaço europeu haverá milhares de terminais de carga / pontos de ligação por onde as paletes viajarão passando de uns camiões para outros camiões, operações empre realizadas por monta-cargas robotizados.

Quarto passo, a descarga.
Chegado ao ponto de destino, a palete é descarregada à espera que vá lá o cliente buscás-la com uma carrinha.

Porque os custos serão significativamente reduzidos.
Primeiro, porque 1/3 do custo do transporte é devido ao motorista que se evitará.
Segundo, porque o camião vai poder viajar dia e noite o que aumenta o aproveitamento do equipamento e permite poupar combustível reduzindo a velocidade.
Terceiro, porque, se for conveniente, o camião pode ficar parado à espera de cargas pois não há o custo da espera do motorista.
Quarto, porque a distância entre dois camiões normais é de 50 metros e entre dois camiões robotizados é de apenas 7,5m o que i) reduz os custos em combustível e ii) ocupa metade do espaço de auto-estrada o que levará à diminuição das portagens.


Os custos vão ficar reduzidos mas não estou a ver a UE a permitir a circulação de camiões robotizados nas nossas auto-estradas. Vão levantar mil e um problemas para evitar ao máximo que leite da Polónia seja vendido em Portugal ou carne de porco português seja vendido na França.

D) O racismo.
Vou aqui chamar racismo quando os cidadãos de um país não querem lá pessoas de outros países a trabalhar e a viver. Neste sentido, não querermos aqui os marroquinos a trabalhar a 2,5€/h é racismo.
Vou então mostrar porque as pessoas são racistas.
Imaginemos que o nosso país tem um recurso natural, seja gás natural, petróleo ou apenas sol, praias e bom tempo.
Imaginemos que a produção, o PIB, é dependente desse recurso natural, de trabalho e de capital segundo uma função produção igual nos dois países (a mesma tecnologia):
      Y = RN^0.1 * N^0.6 * K^0.3.
 
Imaginemos ainda que o país A tem 1000 unidades de RN, 1000 trabalhadores e 1000 unidades de capital e que o país B tem apenas 100 de RN, também 1000 trabalhadores e, porque há liberdade de movimentação de capitais, 720 unidades de capital (de forma a que a rentabilidade do capital seja igual nos 2 países).
Imaginemos que as pessoas do país A são exactamente iguais às pessoas do país B, só diferentes porque nasceram uns em A e outros em B.
Nestas circunstâncias, o PIB per capita no país A é 100% e no país B é de 72%. Na média dos 2 países, o PIB per capita é de 86%.

E se as fronteiras se abrirem?
Neste modelo não haverá comércio porque existe apenas um bem mas as pessoas do país B vão migrar para o país A porque o PIB per capita é superior (porque há mais RN).
No equilíbrio, o país A vai ficar com 1818 pessoas e o país B com apenas 182 pessoas, grande parte do capital vai migrar do país B para o país A e o PIB per capita vai ficar igual nos 2 países. 
A abertura vai fazer com que a economia do país A se desenvolvesse muito e a do país B entre em grave crise. Globalmente, a abertura é boa porque o nível de vida sobe de 86% para 92%.
O problema é que os "nativos" do país A ficam com um nível de vida reduzido de 100% para 92% e o país B fica quase sem população.

A movimentação das pessoas é, globalmente, é positivo.
O problema é que desenvolve o país A mas a população "nativa" fica mais pobre e enriquece as pessoas do país B mas causa desertificação e desinvestimento.
É a diminuição do nível de vida dos nativos de A que leva a que não queiram lá estrangeiros e a desertificação do país mais pobre que faz o António Costa criticar quem emigra.

Vejamos os escoceses.
São brancos, falam inglês e são protestantes como os ingleses mas acham-se diferentes porque têm gás natural e petróleo (no Mar do Norte).
E, por isso, querem-se independentes do RU, dizendo que querem continuar na UE como argumento.
Mas, quando tiverem que pagar as cotas que agora são pagas pelo RU sem receberem nada em troca (porque têm um PIBper capita muito elevado) e tiverem que receber os estrangeiros que o RU vai deixar de receber, rapidamente, vão ver que é má ideia.
Lembram-se de Cabinda que queria a descolonização para, logo depois, gritar que queria pertencer a Portugal?

Veja se consegue separar as escocesas das inglesas (digo apenas que as mais morenas são inglesas).
A Escócia tem 4% de minorias (ver) enquanto que Londres tem 40%.



Maria Clara (Sr. Reitor, é este o nome que agora a minha mãe me chama.Se lhe quiser meter um processo disciplinar ou uma queixa qualquer, aviso que a senhora morreu em 2004)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O BREXIT ganhou e depois?

Mas, o mais certo, é nada acontecer.
Isto já aconteceu há um ano quando a Grécia votou um referendo contra a Austeridade (ver) e já antes, em 2005, quando a França e os países baixos recusaram o tratado orçamental.
Nessa altura, o Tony Blair (e não um populista de direita) anunciou que o tratado orçamental seria referendado.

A causa da saída é a extrema-esquerda e a esquerda demagógica.
A UE iniciou-se em 1952, chamando-se então CECA, na procura de resolver os desacordos históricos entre a Alemanha e a França e que já tinham levado a variadas guerras de que as de 1914-1918 e 1939-1945 foram as mais terríveis. Mas também serviu para  amarrar a Itália que estava sob ameaça do avanço soviético (em 1953, o PCI foi o segundo partido mais votado com 22,6% dos votos). Assim, foi formada pelos noivos (Alemanha e França), o padrinho (a Itália) e as damas de honor (Bélgica, Luxemburgo e Holanda). 
Nessa altura altura, a França era o país mais rico e a Alemanha estava nos 80% e a Itália nos 65% do PIB per capita francês.
Depois, em 1958, veio a CEE (Tratado de Roma) e, em 2007, a UE (Tratado de Lisboa).

Esquerda ou direita, radicais e demagógicas, são duas faces da mesma moeda


A CECA servia para liberalizar o comércio e acabar com os subsídios do Estado.
O comércio entre os países é muito importante para o crescimento económico mas, pensando cada país que as exportações eram fundamentais para o desenvolvimento das suas economias, em particular, da indústria do carvão e do aço, começou-se a instalar uma guerra de subsídios e de barreiras às importações que fez surgir novamente as tensões entre estes tradicionais inimigos. Com o importante é o comércio e não apenas as exportações, a UE surgiu para diminuir as barreiras às importações e os subsídios às exportações. 

A Holanda, Bélgica e o Luxemburgo serviam para diminuir tensões.
Inicialmente, as decisões eram tomadas por unanimidade, servindo os países do Benelux como mediadores dos conflitos. Imaginando que havia apenas a França, a Alemanha (Ocidental) e a Itália, o processo de decisão quase certamente ficaria bloqueado pelos interesses individuais.


Nos primeiros 30 anos, a CEE cresceu pouco.
Com a entrada em 1973 do Reino Unido, da Dinamarca, da Irlanda aconteceu um aumento de 20% na população. Com o alargamento de 1981, da Grécia e 1986, da Espanha e Portugal, houve um novo aumento de novos 20% da população. 
Quando caiu o Muro de Berlim, o CEE tinha 12 países e 330 milhões de habitantes, sendo que 2/3 residiam nos 6 países originais. 
As 12 estrelas na bandeira azul são colocadas então para assinalar os 12 países.

Mas, um dia, o Muro de Berlim caiu ...
A União Europeia aumentou de 12 países para 28 países e foi-se aprofundando, tendo cada vez mais poderes.
Gerir os interesses de 28 países não é a mesma coisa de gerir os interesses dos 6 países originais ou dos 12 pré queda do Muro.

Não se prevendo o fim da influência soviética na Europa de Leste, em 1986 imaginava-se a CEE eternamente com 12 países.

Vamos aos populistas.
A comunicação social tem grande asco aos partidos de direita, apelidando-os de radicais de direita, extrema direita e populistas de direita. Mas, quem alimenta esses extremos e populismo de direita são os extremos e populismo da esquerda que fazem crer aos eleitores dos seus países que vão bater o pé à Alemanha e a Bruxelas. Esses esquerdistas do Sul da Europa usam o chavão da legitimidade democrática para extorquir vantagens junto dos países do Norte da Europa.
Esta tentativa que os esquerdistas têm feito para chupar nos países anglosaxónicos é que tem levado a que, nesses países, os eleitores queriam a saída da UE.

Mas o interessante é os Esquerdistas radicais e populistas não defenderem a saída!
Não querem sair porque a sua plataforma política passa por extorquir dinheiro aos países cumpridores.
O Reino Unido ao votar pela saída não tem nada de radical, é apenas a legitimidade democrática que o Bloco de Esquerda e o Siriza invocam para não cumprirem o Tratado Orçamental.
E não são os partidos britânicos, sejam de direita ou de esquerda, que fizeram o RU querer sair da UE mas o votos dos eleitores, nada de mais democrático poderia ser feito ou defendido.

As instituições europeias...
Ameaçaram o Reino Unido com retaliações, prejuízos e a independência da Escócia e da Irlanda do Norte.
Mas essas pessoas não passam de funcionários, o importante é o que diz a Sr. Merkel.
Normalmente, os esquerdistas do BE berrariam muito mas, no caso, ficaram calados.
Penso ser a preparação para votarem a favor de 3000 despedimentos na Caixa Geral de Depósitos a que vão chamar "oportunidades para mudarem de vida".


E, agora, qual será o futuro?
Não vai acontecer nada de relevante.
Tecnicamente, o Tratado da União Europeia tem previsto no Art. 50.º (p. 54) que "Qualquer Estado-Membro pode decidir (...) retirar-se da União" e que essa saída é um processo negocial de que resulta um Acordo de Saída.
Mas, apesar de o Reino Unido ir sair do UE, em termos práticos, apenas será criado, um  novo estatuto que encaixe as exigências do UK (e de outros países reticentes como a Holanda e a Dinamarca).
Continuará a haver livre movimentação de bens, serviços e capitais pois é uma regra que se está a instalar entre todos os países. Mas a liberdade de movimentação de pessoas com o objetivo de irem viver da segurança social e de peditórios vai ter cortes e os benefícios sociais terão também ajustamentos para baixo.


Irá ter o RU sofrer prejuízos?
A esquerda radical e populista quer que o RU seja castigado de forma a que outros países não se arrisquem a sair. Em particular, estão a olhar para a Alemanha.
Digamos que a esquerda europeia é como a carraça que, uma vez arrancada, morre mas deixa lá a cabeça para causar o máximo de dano possível à vítima de forma a servir de aviso para as outras vítima onde as suas irmãs chupam sangue.

Até já falam, sem serem de lá, que a Escócia e a Irlanda do Norte vão abandonar o RU.

Se ele se emburracha e te bate, dá-lhe carinho que ele deixará o alcool e a violência e responderá com carinho.
(Mas não é exactamente este o ensinamento de Jesus Cristo?)

Mas que é que isso interessa para a Inglaterra e Gales?
A Escócia fica muito longe de tudo e a Irlanda do Norte não é um país viável (vai Bruxelas aguentar os terroristas católicos!). Irá que a Escócia e a Irlanda do Norte vão fazer um união?
Isto não tem pés nem cabeça e, mesmo que tenha, em termos de importancia relativa, a Escócia (5,4M) mais a Irlanda do Norte (1,8M), só têm 10% da população do RU, o que não conta para nada do que se vive no Sul da Grã-bretanha.
E irá a Espanha votar a favor da entrada de um paiséco que sai de outro país?

A Escócia e a Irlanda do Norte vão ficar dentro da UE com um estatuto especial.
Da mesma forma que o Kosovo faz parte da Zona Euro sem nunca ter entrado, também estes dois territórios vão continuar a pertencer ao RU e também continuar a pertencer á UE como sendo uma espécie de Zona Franca da Madeira.

E quais as vantagens para o RU?
Primeiro, é uma decisão dos votantes. Mesmo que isso lhes cause prejuizo económico, a vida não é só economia.
Segundo, apesar de o RU deixar de ter voto na condução dos assuntos da UE, será tratado como igual na relação bilateral com a UE.
Terceiro, o UK passará a ter total liberdade para fazer acordos bilaterias de livre comércio com os grandes países tradicionalmente seus parceiros como as suas antigas colónias (USA, Índia, Austrália, PAquistão, etc.) e com a China.




A estabilidade da UE vai aumentar.
Já vários políticos pediram referendos nos seus países quanto á saída  mas, o que irá acontecer é a diminuição da retórica dos países do Sul da Europa de culparem a Alemanha pelos problemas que vivem (pois, a partir de hoje, torna-se possível a própria Alemanha sair do projecto europeu).
Também será possível acomudar a Turquia, a Ucrânia ou a Geórgia com um estatuto semelhante ao futuro tratado com o RU.

Não poderá a permanencia na UE ser diferenciada?
Eu não compreendo, nem ninguém, porque a pertença à UE não possa ser personalizada para cada Estado quando à liberdade de movimentação de bens, serviços, pessoas e capitais, quanto à eprteça ou não ao Euro, quanto à aplicabilidade dos benefícios sociais diferenciados entre nacionais e estrangeiros.
No futuro, a UE vai evoluir neste sentido.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A Estrada da Beira e a Estrada da Beira

Mas os Esquerdistas pensam que podem vender duas coisas iguais como diferentes.
Esta semana estalou a polémica da emigração. 

Em Outubro de 2011, um jornalista perguntou ao Passos Coelho:
Por exemplo, os professores excedentários que temos e temos muitos O sr. Primeiro Ministros aconselhar-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e procurarem emprego noutro...

A que o Passos respondeu:
Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra e de professores. Nós sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos, nós estamos com uma demografia decrescente como todos sabem, portanto, nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo-se manter como sobretudo professores, podem olhar para todo o mercado de lingua portuguesa e encontrar ai uma alternativa. Isso é verdadeiramente possível.
Em Junho de 2016, o António Costa disse sobre um acordo com o Holland:
“É muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui.”

Para mim, o que disse o Passos Coelho em 2011 é exactamente igual ao que disse o Antóniuo Costa em 2016 com a pequena diferente de o Passos se referir aos países de língua portuguesa e o Costa aos de língua portuguesa a viver em França.

Mas a análise feita na comunicação social foi muito diferente.
Os esquerdistas fizeram um arraial minhota quando ouviram as palavras do Passos Coelho e remeteram-se ao silêncio com as palavras do Costa. E a comunicação social foi atrás.

É a famosa "austeridade inteligente."
O que seria o outro caminho, o caminho da crescimento do emprego, o fim da austeridade, do fim dos salários chorudos nas empresa públicas (leia-se CGD), transformou-se na mesma coisa mas "inteligente".
Digamos que o Povo tem razão quando diz que "Quem feio ama, bonito lhe parece."
A coisa é cada vez mais a mesma coisa e ainda pior (mais desemprego, menos crescimento) mas agora é um caminho uma austeridade sustentável e inteligente.

Reparem nesta resposta.
Uma colega minha (RM) que, em tempos, até andei a pensar em transformá-la em minha amante perguntou ao marido "Preferias uma mulher bonita ou inteligente" a que ele respondeu "Nem uma coisa, nem outra porque amo é a ti."!
Se perguntarem a um esquerdista "Preferias um governo que acabasse com a austeridade ou que fizesse a economia e o emprego crescer?", ouvirão "Nem uma coisa nem outra pois o que eu amo é a Geringonça."!

Insanidade: fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes (Einstein).
Não foi Einstein quem escreveu esta frase mas aparecer Einstein faz parte da mensagem da frase.
Passo então a explicar.


Fig. 1 - Causas iguais levam a resultados diferentes

Para causas iguais, resultados diferentes.
A Física de Newton funciona bem com corpos da nossa dimensão mas não funciona com copos muito grandes como planetas, estrelas, galáxias e buracos negros. Acontece que Einstein, com a sua Teoria da Relatividade, consegue explicar o que Newton já não conseguia explicar (a trajetória de Mercúrio).
Mas persistiram problemas ao nível da física das partículas sub-atómicas (constituintes dos átomos) que foram resolvidos com a Mecânica Quântica.
Ao nível da Teoria da Relatividade (que se aplica aos corpos grandes), as trajetórias são linhas, a velocidade é finita, a energia varia de forma contínua e, se aplicarmos as mesmas forças a dois corpos diferentes, os seus comportamentos serão iguais.
Mas ao nível quântico, nada disto acontece, os objetos desaparecem num sítio e aparecem noutro instantaneamente (velocidade infinita!), a energia varia em saltos (quantas) e, se aplicarmos as mesmas forças a dois corpos semelhantes, o comportamento poderá ser radicalmente diferente.

Vejamos a fissão nuclear.
Um átomo quando é atingido por um neutrão tanto pode rebentar libertando uma quantidade de energia E como deitar o neutrão fora e continuar direitinho. Acontece que, se tivermos 2 átomos iguais que são igualmente atingidos por um neutrão, um pode rebentar e o outro ficar igualzinho. O mais grave é que existe uma regularidade estatística, se hoje 100 milhões de átomos forem atingidos, 10 milhões rebentam e 90 milhões ficam igualzinhos daqui a um ano, outros átomos sendo atingidos, mantém-se esta proporção.
Então, o comportamento dos "corpos" ao nível sub-atómico é aleatório, uma vez aplicada a ação, existe uma probabilidade p de acontecer A e uma probabilidade 1-p de acontecer B.

O Einstein nunca aceitou a física probabilística.
Existe a ideia de que o Einstein foi o homem mais inteligente de todo o sempre mas não compreendeu (não aceitou) a Mecânica Quântica mesmo que esta fosse cada vez mais apoiada pela evidência empírica.

Deus não joga aos dados.
É esta a frase que, fraseada, deu "Causas iguais não podem dar efeitos diferentes".
Mas a frase traduz exatamente o contrário, foi a derrota da ideia de que o universo era determinístico, i.e., onde causas iguais levarão sempre a resultados iguais.
Einstein trabalhou os últimos 40 anos da sua vida a tentar acabar com a Física Quântica, queria aplicar a sua física determinística (da escala grande) à física probabilística (da escala pequena) mas falhou. E, quando viu o aproximar da morte e porque mais e mais evidência apoiava a física probabilística, Einstein demonstrou que estava vencido apresentando a "prova" religiosa: Se Deus é omnisciente, na hora em que criou o Universo já sabia tudo o que lhe iria acontecer para todo o Futuro. Então, se, o Universo se rege por leis probabilísticas, Deus não é omnisciente.

Einstein morreu há 61 anos e a Física Quântica mantém-se!
Desta forma, o António Costa fazendo e dizendo as mesmas coisas que fez e disse o Passos Coelho, pode obter resultados diferentes e estes são 1) o abraçar destas medidas pelos esquerdistas que os dizem feitos com otimismo e inteligência 2) um crescimento ainda mais débil que o do Passos.

Até ao fim do ano, vamos entrar em recessão.
Claro que a culpa vai ser, tal como disse o Sócrates em 2008 e em 2011, da crise internacional mas as coisas estão a caminhar para o negativo (ver o Indicador coincidente da actividade económica).
Claro que os brojessos da Geringonça vão dizer "isso são previsões e nós só trabalhamos com dados reais" (como se os dados reais fossem melhores) mas, para desmontar essa questão, mostro como o ICAE se assemelha à taxa de crescimento do PIB.
Se está a cair em terreno negativo, não tarda nada, o PIB também entra em terreno negativo.

  Fig. 2 - Relação entre o ICAE de um mês e o crescimento económico homólogo desse mês (dados, Banco de Portugal).

Os juros da dívida pública portugueses estão altíssimos e os alemães negativos.
Isto traduz risco de a Zona Euro rebentar.
Quando rebentar o Marco Alemão (e a dívida pública alemã) vai valorizar enquanto que o nosso escudinho (e a nossa dívida pública) vai desvalorizar.

Fig. 3 - A geringonça até pode funcionar, mas deita fumaça tóxica.

O jacinto de água e os herbicidas.
Nestes últimos tempos a questão fraturante das esquerdas é o uso do herbicidas glifosato.
É uma parvoíce que não faz sentido nenhum.
O glifosato é um herbicida muito utilizado porque é barato de produzir, potente, praticamente não é tóxico e a patente já expirou. Estudos mostram que uma pessoa não morre se beber até 0,1 litros deste herbicida.
Uma característica importante do glisofato é que existe um gene que torna as plantas resistentes à sua acção, gene que existe, por exemplo, naquela erva cortante que está a encher as beiras das autoestradas (juntamente com as acácias) e que dá um pluma branca ou cor de rosa (erva das pampas).
Por haver esse gene em muitas plantas, a Monsanto meteu-o numa variedade de Soja o que foi o maior contributo individual para o fim da fome principalmente na China, 85% da soja é produzida nos Estados Unidos, Brasil, Argentina e Paraguai e 60% é consumida na China.

Fig. 5 - A produção por hectare de soja duplicou entre 1960 e 2016 e cresce continuamente 1%/ano


O glifosato é biodegrável.
Quando o glifosato é aplicado num terreno, em média, a sua concentração reduz-se a metade no espaço de 47 dias. Isto que dizer que, se aplicarmos uma dose de 1300g de glifosato por hectare, ao fim de 1 anos já só restam 6,00g de glifosato e, ao fim de 2 anos, 0,03g de glifosato.
Quando o glifosato é aplicado sobre água, em média, a concentração reduz-se a metade no espaço de 91 dias. Isto que dizer que, se aplicarmos a dose normal de 1300 g de glifosato por hectare numa albufeira,  ao fim de 1 anos restam 80,0g de glifosato e, ao fim de 2 anos, 5,0g de glifosato.

Vamos imaginar que, anualmente, 1% da albufeira é pulverizada.
Os jacintos de água é uma planta originária do Amazonas que flutua na água. É uma das piores espécies aquáticas invasoras porque, além de se reproduzir rapidamente em águas lentas como albufeiras e canais de irrigação, evita que a luz entre na água matando todas as algas e, consequentemente, os bichos aquáticos e peixes. Também é perniciosa porque entope as captações de água e os canais de irrigação. No Alqueva e na Pateira de Fermentelos é um problema gravíssimo que consome milhares de euros todos os anos e com resultados fracos.

Fig. 6 - O Jacinto de Água veio para Portugal como uma planta ornamental (parece um orquídea).


Como o Jacinto é arrastado pelo vento, concentra-se em algumas zonas o que faz com que possa ser controlado pulverizando uma pequena parte da superfície. Assim, pode ser controlado pulverizando apenas 0,0833%/mês da albufeira (1% da área total por ano) com uma dose de 1300g/ha. o que resultaria numa dose média de 5,3g/ha.
Como a albufeira tem uma profundidade média de 16m, teríamos um teor de 5,3g/16000kg = 0,3 mg/kg = 0,3 ppm, um nível 50 mil vezes abaixo do limiar de toxicidade (testado em ratos).
Por mim, aconselhava a fazer-se um teste a ver até que ponto o glifosato é útil no caso do jacinto de água.

O problema em Portugal é que o povo exagera na dose.
Todos nós estamos contaminados com quantidades vestigiais de glifosato e de milhares de outras moléculas de síntese. Mas isso não resulta de este herbicida ser usado no controle de ervas nas beiras da estrada ou em meio urbano. Resulta antes de bebermos água dos rios e de o povinho exagerar na dose.
Em tempos utilizei este herbicida que diluía, conforme as instruções da embalagem, em 300 litros de água. Metia em silvas que começavam a ficar amareladas, perder volume e a definhar ao longo dos meses. Mas o povinho quer morte imediata, aplicar e no prazo de uma semana, já estar tudo seco e, por causa disso, a senhora onde eu comprei o produto não se calava de repetir "diz ai 300litros mas meta só 50 litros pois só assim é que as plantas morrem."
O povinho português não tem paciência (e por isso é que temos lá o Costa).
E com uma dose 6x a recomendável, parte vai parar aos rios que, depois, bebemos.
Não estamos a ser contaminados por aquelas pessoas que vemos aplicar o herbicida mas pelas que não vemos, lá longe, de onde vem a água que bebemos. 


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Será Trump o futuro presidente dos USA?

Toda a gente diz que o Trump é maluco. 
Por isso, a minha missão de provar que o Trump diz coisas com sentido económico e que tem fortes probabilidades de vir a ser o futuro presidente dos USA parece votada ao fracasso.
Mas não há como tentar.

Vamos ao que diz o Trump.
Diz que vai rever os termos do comercio com o exterior, sendo a China e o México os bobos da festa.
Diz ele que todos os anos os estrangeiros estão a sugar milhares de milhões de dólares aos americanos.
Será que isto faz sentido?

O comércio é bom para todos.
Os países ou regiões ao estarem abertos ao comércio ganham porque os seus agentes económicos podem-se especializar a produzir bens e serviços para os quais têm vantagens comparativas que, depois, exportam para pagar a importação dos bens e serviços que deixaram de produzir.
Por exemplo, transformamos um campo agrícola (que produzia bens agrícolas) num campo de golf que capta turistas  do Norte da Europa e, depois, importamos desses países os bens agrícolas que deixamos de produzir com ganho para ambos pois nós vamos receber do golf mais do que produzíamos e os turistas do Norte da Europa dão mais valor ao Golf que aos bens agrícolas que nos vendem em troca.

Fig. 1 - I'll fuck Chinese people, fuck, fuck, fuck them and they will even pay my time and the condom


O modelo de desenvolvimento da China baseia-se no comércio internacional.
 A China decidiu em meados de 1970 que o seu desenvolvimento passava pela exportação de bens industriais de baixa tecnologia e a importação de energia, matérias primas e bens de elevada tecnologia onde se incluiam as máquinas e ferramentas.
Naturalmente, os EUA, por serem um país com muito menos barreiras ao comérico que os países europeus, foi eleito pelo partido comunista chinês como o mercado de eleição.

O problema está na repartição do ganho do comérico.
Vamos supor que dois país, A e B, têm cada um PIB de 1T€/ano,  2T€/ano no total, e que, por causa do comércio, o PIB total vai aumentar para 3T€/ano. O problema é que tanto pode ser à custa de o país A passar a ter 1,9T€/ano e o país B passar ter 1,1T€/ano ou o simétrico.
Esta repartição do ganho tem que ser negociada entre os países sendo que apenas a ameaça de imposição ao comérico é capaz de moderar a outra parte. Por exemplo, no curto prazo não é lucrativo o país B levantar barreiras ao comércio porque o PIB diminuirá de 1,1T€/ano para 1,0T€/ano mas tem que o fazer para, no longo prazo, poder ficar 1,5T€/ano (a divisão do ganho do comérico em duas partes iguais).

É o que se passa com os países do Sul da Europa.
A Zona Euro trás ganhos para a globalidade dos países mas os países do Sul da Europa querem-se apropriar de todo esse ganho.

Vejamos os números do PIB em T€/ano
Em termos de aumento do PIB, os números do México estão semelhantes aos dos USA mas os da China são muito mais impressionantes e, nos últimos 10 anos, os ganhos absolutos da China foram maiores que os dos USA. Assim, há a necessidade de fazer pressão nos termos de troca dos USA com a China o que tem que passar, obrigatóriamente, por falar grosso e fazer ameaças credíveis. 
Nada melhor para ser credível que um louco que nada perceber do assunto. Pensarão os chineses que, como é maluco, talvez vá mesmo levantar barreiras alfandegárias às suas exportações.

                 1980     1990    2000    2010/2014      Ganho
China       0,35       0,90      2,30        4,57            + 4,22 (+ 469%)
México    0,50       0.65      0,86        1,02           + 0,52 (+ 79%)
USA         6,85       9.38    12,77      14,16           + 7,31 (+ 78%)
Quadro 1 - PIB a preços de 2005 em E12USD (dados, WB)

Fig. 2 - Se não ganhar as presidenciais, compro a Playboy Mansion West e substituio o Hefner que, com 90 anos, já não pode.

Não é fácil mas o Trump pode ganhar.
A eleição do presidente americano é indirecta no sentido que são, primeiro, eleitos Representantes de cada estado da união e, depois, os representantes elegem o "presidente da união". Por comparação com a nossa política, seria como se a Assembleia da República (cujos deputados são eleitos nos distritos) elegesse o Marcelo.
A diferença maior é que na América os representantes de cada estado são todos do partido que tiver mais vottos, nem que seja por apenas um. Isso faz com que a maioria dos estados nunca mudem de partido.
e também é por esta razão que só há 2 partidos com representantes eleitos.

Vejamos os estados fixos.
Que são os estados que nas últimas 4 eleições não mudaram de partido e que elegem cerca de 80% dos representantes. São maioritariamente a favor dos democratas, 179 para o Trump e 242 para a Clinton.

Vejamos os estados "do meio" que mudam.
Dos 10 estados que mudaram nas últimas 4 eleições, 6 estão mais ou menos fixos.
Nevada, Iowa, New Hampshire e New Mexico é muito provável que votem Clinton enquanto que Indiana e North Carolina é muito provável que votem Trump, ficando 203 para Trump e 261 para Clinton, uma diferença de 28 a favor da Clinton.

Vai ser tudo decidido em 4 estados.
Vamos esquecer o resto da América porque a eleição presidencial vai-se decidir na Florida (29 representantes) e em mais 3 estado que são  Virginia (13), Colorado (9) e Ohio (18).
Estes 4 estados deram duas votórias para cada lado nos últimos 16 anos. Já foram fundamentais nas vitórias de Bush em 2000 e 2004 e nas vitorias do Obama em 2008 e 2012.
O Trump tem que investir tudo para ganhar na Florida (que é o estado mais fácil porque o Obama ganhou lá em 2012 com uma margem de apenas 0,9 pp) e, depois, tem ainda que ganhar mais 2 estados. 
 
Não vai ser fácil o Trump ganhar mas não seria fácil para nenhum candidato republicano.
É que, em termos socio-políticos, as minorias afro-americanos e os latino-americanos são maioritariamente a favor dos democratas e, em termos de dinâmica populacional, estão em crescimento.
Até diria que o Trump é o candidato republicano perfeito porque é muito à esquerda. Recordo para os mais desatentos que o Trump foi filiado do partido democrata até 2009, sim, há apenas 7 anos era democrata, e que apenas é republicano (desde 2009 com uma interrupção em 2011 porque se esqueceu de pagar as cotas!) porque, depois da eleição do Obama em 2008 e a Clinton a vice, viu que não tinha hipoteses de em 2016 ser candidato pelos democratas.
Até há quem diga que o Trump é uma toupeira democrática mandada para facilitar a eleição da Clinton e, pelo meio, destruir mesmo os republicanos (ver que não sou eu quem o diz mas a BBC).

Fig. 3 - A parte mais dificil de ser professor é quando queremos que as notas sejam justas.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

O veto presidencial das barrigas de aluguer

O Presidente Marcelo vetou mas foi construtivo.
Confessa que é contra este avanço tecnológico ("um juízo sobre a matéria versada não pode nem deve ser formulado na estrita base de convicções ou posições pessoais do titular do órgão Presidente da República") mas a sua decisão nada tem a ver com isso mas apenas quer que a lei inclua algumas dúvidas do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (ver o parecer).

Fig. 1 - Eu queria engravidar mas descobri que não tenho útero.

O Presidente pede que a Lei explicite alguns pontos (ver texto do veto).

As questões levantadas pelo Presidente são sobre omissões na Lei que, como já expliquei no poste anterior, estão já resolvidas pela aplicação da lei geral. No entanto, o Presidente pensa que estes pontos devem estar claramente incluídos na Lei.
Pessoalmente, concordo com a inclusão de todas estas questões e até incluiria uma referente ao seguro obrigatório.

1) Tem que ser reconhecido à futura criança o pleno direito a conhecer as condições em que foi gerada.

2) O casal beneficiário e a gestante de substituição têm que ser informados "sobre o significado e consequências da influência da gestante no desenvolvimento embrionário e fetal" e que "a futura criança tem o pleno direito a conhecer as condições em que foi gerada."

3) Tem que ficar explícito quais os "termos da revogação do consentimento, e as suas consequências."

4) A lei tem que obrigar a que no contrato estejam explícitas as disposições "para o caso da ocorrência de malformações ou doenças fetais e de eventual interrupção da gravidez"

5) A lei tem que manter na gestante de substituição a "decisão sobre quaisquer intercorrências de saúde ocorridas na gestação, quer a nível fetal, quer a nível materno" como seja o aborto em caso de malformação do feto ou de risco de vida para a gestante de substituição.

6) A lei tem que proibir a imposição de "restrições de comportamentos à gestante de substituição".

Eu pedia ainda que houvesse um seguro obrigatório.
Nos anos 2000-2013, em média morreu uma mulher em cada 18 000 gravidezes (fonte: PorData) que é equiparado ao risco de morte de um trabalhador da construção civil e da industria transformadora durante um ano de trabalho.
O Sr. Presidente esqueceu-se que é preciso acautelar o caso em que a mulher gestante morre ou fica incapacitada. Este risco tem que ficar com alguém e sendo uma relação baseada num contrato quase de trabalho, se nada for dito, a lei geral vai meter o risco do lado da mulher mandante.
Para não haver o risco do projeto de maternidade se transformar num pesadelo, este ponto pode ficar acautelado com um seguro obrigatório de 1 milhão de euros que corresponderá a uma mensalidade de 1500€/mês durante 50 anos mais 100 mil € para despesas médicas.
Este seguro não terá um preço maior que 100€ (1000000/18000), o que é irrisório face ao custo total do procedimento da barriga de aluguer.
Estive a ver clínicas que promete fazer o procedimento de fertilização in vitro. Uma fala em 3400€ (ver, Ferticentro) enquanto que outra garante um preço, "tudo incluído", de 5000€ (ver, IVI). Para uma taxa de sucesso de 50%, traduz um custo médico e medicamentoso por criança na ordem dos 10000€.

Qual o custo da barriga de aluguer?
Apesar de a lei dizer que é gratuito, tem sempre um custo pelo menos humano pelo qual a mãe mandante ficará eternamente devedora. Se  calcularmos para a mãe de substituição um custo 1,5 Salários Mínimos, estamos a falar noutros 10000€.

Ninguém se preocupe porque, em termos estatísticos, a lei vai ter pouca expressão.
Apesar de passar a haver a possibilidade de  um casal investir 250 mil€ para ter 23 filhos com a mesma idade para fazerem uma equipa de futebol (11 jogadores titulares + 12 suplentes), aposto a minha cabeça em como isso nunca irá acontecer pois o máximo que as pessoas quererão ter é um filhito.
É que mesmo os que pensam ter filhos para receber o Rendimento Mínimo e o Abono, só se levarem as crianças para o Luxemburgo (265€/mês) pois, com o nosso RSI de 90,50€/mês mais o abono de 36,42€/mês, desanimam logo, só se as meterem a guardar carros e a pedir esmola à porta dos supermercados.


Fig. 2 - Todos estes 14 jogadores são meus filhos e ainda tenho as 12 raparigas da claque.
 
Vou fazer uma previsão sobre o número de nascimentos em barrigas de substituição.
Para isso, vou buscar algumas estatísticas.
Relativamente aos casamentos de pessoas do mesmo sexo, entre 2010 e 2015, houve uma média de 310 casamentos por ano, 0,9% do total, o que quantifica que, em cada 110 casamentos, um foi entre pessoas do mesmo sexo.
Relativamente PMA,  os casais com infertilidade são cerca de 10% do total, 1/3 devido a problemas da mulher, 1/3 a problemas do homem e 1/3 a problemas de ambos e causas desconhecidas.
Os nascimentos usando Procriação Medicamente Assistida são cerca de 700 por ano, 0,9% do total.
Nas mulheres com problemas  de fertilidade, cerca de 15% têm problemas ao nível físico do útero.
Juntando estes números todos, talvez seja de vermos qualquer coisa como 700 / 3 *15% = 35 nascimentos por ano em barrigas de aluguer.
A minha previsão é que vamos ter abaixo de 50 crianças/ano a nascer em barriga de aluguer.

E isto compara com 21 mil abortos por ano por decisão da mulher, 600 vezes mais.

Fig. 3 - Se uma dessas crianças for outro Fernando Pessoa ou Cristiano Ronaldo ...

As pessoas não querem ter filhos.
Se fosse no antigamente, quando ter filhos era a prova do abençoamento de Deus, era possível vermos pessoas ricas a ter dezenas ou mesmo centenas de filhos. Mas Deus, ao revelar ao Homem a tecnologia da barriga de substituição, retirou-lhe a vontade de ter filhos.





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