terça-feira, 16 de agosto de 2016

O emprego do Costa, Guantanamo do Obama e os transportes da Guiné

Hoje vou falar de 3 assuntos.
Vou falar da esperança que o Presidente Marcelo tem para o terceiro trimestre, de como o Obama acabou com o problema de Guantânamo e uns pensamentos sobre transportes marítimos que, a sua melhoria, pode ser o factor de desenvolvimento da "nossa" Guiné.

Os dados do crescimento e emprego.
O maior problema da Geringonça é que a realidade do primeiro semestre de 2016 é muito pior que as "palavras pessimistas e o mau agoiro" com que o Passos Coelho era presenteado pelos esquerdistas há 6 meses. Se o Passos Coelho dizia que em 2016 o PIB não cresceria mais de 1,4%, os dados indicam um crescimento de 0,85%!
Para atingir 1,8%, no segundo semestre a nossa economia terá que crescer 2,8%.

Mas o Marcelo está cheio de esperança.
Diz o presidente que, como o emprego cresceu no segundo trimestre, ainda não está tudo perdido. Sendo assim, vou ter que analisar a evolução do emprego e relaciona-la com o crescimento.

 Fig. 1 - Evolução do emprego (milhares) entre 1T2012 e 2T2016 (dados, www.ine.pt)

Na Fig. 1 marquei a vermelho a evolução do emprego no primeiro e segundo trimestres dos últimos 4 anos (período de expansão económica). Observa-se um aumento de 4720 empregos por mês, 0,1% por mês, 1,2% por ano.
Agora, vou pegar nesses 4 anos e ver como o semestre do Costa compara com os 3 semestres do Passos Coelho, Fig. 2.

 Fig. 2 - Evolução relativa do emprego (milhares) no tempo do Passos Coelho (2013:2015) e do Costa (2016), dados, www.ine.pt.

No emprego não há indicação de que o PIB vá disparar.
Vemos nos dados que o primeiro semestre de 2016 compara-se quase na perfeição como primeiro semestre de 2014, ano em que o crescimento da economia se ficou pelos 0,91%.
Por isso, e como as vacas voadoras não apagam incêndios (porque mijam pouco), também não vão fazer a economia crescer. Desta forma, o mais certo é acabarmos 2016 como o Passos Coelho acabou 2014, com um crescimento miserável de 0,9%.

O fim de Guantânamo.
O Presidente Bush criou Guantânamo para meter as pessoas mais perigosas contra os interesses americanos. No máximo, Guantânamo teve 780 prisioneiros, todos homens.
Entrou o Obama e mais nenhum homem, mulher ou criança foi transportado para Guantânamo.
Em alternativa, o Obama liquidou com um míssil, 45 mil pessoas, homens, mulheres e crianças, destruiu 5 mil carros e 3 mil casas.
O interessante é que ninguém fala dessas 45 mil pessoas abatidas sem julgamento (mesmo que sumário), sem se saber mesmo a identidade dessas pessoas e sem qualquer mandato da ONU ou de um qualquer tribunal mesmo que de uma tirania qualquer africana.
Matam-se 45 mil pessoas porque houve uns atentados na França e na Bélgica executados por franceses e belgas e não se levanta nenhuma voz contra este problema.
E o Obama ainda é visto como amigo dos muçulmanos!

É preciso construir paises.
O Obama é especialista em destruir países. Manda um drone e mata 10 ou 20 e, além disso, permite que a Rússia bombardeie os aliados americanos/europeus que estão no terreno.
Tem o Afeganistão, o Iraque, a Síria, o Yeman e a Líbia em níveis crescentes de violência e destruição.
Mas não se pode ter como estratégia para os países muçulmanos matar à bomba diariamente todas as pessoas que se opõem à estratégia mediática dos políticos europeus e americanos.
Reparemos que, assim que houve os atentados de París, os Holland respondeu não com novas políticas nos bairros franceses mas com bombardeamentos indiscriminados na Síria.
Mas o que é preciso é congelar os conflitos e construir países. 
Redividir os países do médio oriente em novas unidades políticas mais homogéneas e dar incentivos aos locais para a reconstrução, um pouco como foi feito no período 1945-2000.
Bem sei que o Saddam era ditador mas hoje morrem violentamente mais pessoas no Iraque num dia que no tempo do Saddam num ano.
Parece que o único objectivo americano (do Obama/Clinton) é destruir a Síria e o Iraque e entregar o que sobrar aos Russos e aos Iranianos.

Vou para África, para ver os transportes marítimos.
20km a norte da Guiné Bissau fica a cidade Zinguichor que, diz a wikipédia, tem um porto muito importante.
O porto foi melhorado com ajudas externas passando a aceitar barcos até 5,5 m de calado (profundidade) mas, coitadinho, não tem qualquer equipamento, isto é, não tem gruas pelo que  as cargas e descargas são feitas apenas à força de braços.

Fig. 4 - Porto de Zinguichor, Casamança, Senegal

Se isto é assim, como será o Porto de Cachéu?
Nos mapas da Guiné Bissau, há um porto "importante" no Norte, o Porto de Cachéu.
Cachéu é a capital da região mais populosa da Guiné Bissau, com cerca de 200 mil habitantes.
Fui lá fazer um visita (com o Google) e aquilo é mesmo deprimente, não passa de um rotunda com três barracões e um cais de atracagem com 20m.
O calado máximo é 1,80m com a maré vazia e 3,0 m com a maré cheia, nem dá profundidade para dar uns mergulhos.

 Fig. 5 - Porto de Cacheu, Guiné Bissau.
 
Quanto poderia custar uma viagem Bissau-Lisboa?
A GB é um dos países mais pobres do Mundo, estando na 12.a posição com um nível de vida que é apenas 5% do nosso (comparação em termos de PIB per capita em apridade do poder de compra, WB). Se, por exemplo, uma família de nivel média-baixa vive em Portugal com 1000€/mês (2 SMN), na GB terá que viver com o equivalente a 50€/mês. 
Além de ser muito pobre, o nível de vida não sai da cepa torta, com um crescimento inferior a 0,5%/ano.
Uma oportunidade de desenvolvimento da GB, à semelhança da castanha de caju que é responsável por 98% das exportações, são as frutas tropicais, a banana, o ananás, a manga e o abacate.
O problema são as dificuldades de transporte.

Vou fazer umas contas simples.

Vou imaginar um barquito com capacidade para 100 TEUs.
Obtive uns dados que indicam que um navio a 20 nós (36km/h), com 13000 TEUs precisa de 70000 cavalos de potência.
Como a potência é proporcional à área molhada, um navio com 100TEUs, à mesma velocidade, precisa de
       70000hp * (100/1300)^(2/3) = 2730 hp
Com um consumo de 0,150 litros/hp/hora, teremos 
      7230*0,15 = 410 litros/hora em combustível
Para percorrer 4000 km, o custo total do combustível será (a 0,65€/litro)
      410*4000/36*0,65€ =  30000€
Por TEU, serão 
      30000/100 = 300€

O custo do navio (2,5 M€) amortizado em 20 anos e com uma taxa de juro de 5%/ano e uma taxa de ocupação na ordem dos 55%, traduz-se em 1000€/dia.
Como a viagem a 20 nós demorará 4000/36/24 + 3 dias para carga/descaga, 8 dias, o barco acrescenta um custo de 80€/contentor TEU. 
Imaginando que a carga num sentido pondera 75% dos costos, o combustível mais o combustível totaliza
 1,5*(300 + 80) = 570€

Acrescentando 130€ para custos diversos e 340€ para a carga e descarga,  teremos 1000€/TEU, 4,00€/saca, 0,085€/kg.

Se a carga for de banana, o custo da viagem de 0,08€/kg traduz um incremento inferior a 25% ao preço à saida da produção.

Mas a viagem para a Europa tem problemas.
O principal é as viagens transatlanticas serem em navios enormes. No design actual o galgamento pelas ondas pode causar o viramento do navio e, por isso, quanto maior, mais seguro se torna.
Mas os países pobres, com estradas fracas que torna impraticável juntar a carga num porto que possa receber esses navios, é necessário um navio com uma filosofia diferente, que, para ser pequeno, possa ser galgado pelas ondas do oceano aberto.

Fig. 6 - Estou a imaginar um navio tipo centopeia, com um comprimento de 10x a largura.



Fig. 8 - Um perfil baixinho para poder ser facilmente galgado, quase como um submarino.

Naturalmente, um roboship.
Quando a ondolação estiver alta, a centopeia vai orcilar muito, com galgamento de ondas e podendo mesmo voltar-se. Por isso, e para reduzir os custos da tripulação, terá que ser um roboship guiado pelo GPS e pelo RADAR. Sim, porque o SONAR pouco pais serve que para medir a profundidade das águas.


Se a produtividade for 20 t/ha/ano.
Imaginemos que 50% do terreno é agricola e que produz 20 tonelados por hectar por ano. Então, para alimentar uma centopeia por semana (com 1200 ton de carga) serão precisos:
    1200*52 / 20 /0,5  = 6240ha
Esta "carreira" permitiria aumentar as exportações em 20 milhões € por ano.
Notar que a Guiné Bissau exporta menos de 150 milhões € por ano, apenas 80€ por pessoa por ano, muito pouco para conseguir pagar tudo o que precisa de importar!

Finalmente, os fogos florestais.
Arde cerca de 1% da floresta todos os anos, ligeiramente menos pelo que os custos para acabar com os fogos florestais não podem ser maiores que 1% da rentabildiade da floresta.
Se a floresta "natural" produzir 8000kg/ano que valem 240€/ano, não é racional gastar muito mais do que 2,40€/ano na prevençao dos fogos florestais.
 Mas os nossos governantes, não tendo capacidade nenhuma para fazer contas e tendo vivido semrpe na cidade, actuam como o Erdogam: para evitar um prejuizo de 1%/ano, impõem um custo muito superior aos desgraçados dos agricultores.

Eu vou esplicar porque os incêndios começam de madrugada.
É que isto já me aconteceu.
Os velhotes querem ter os matos limpos para fugir à ameaça das multas. Então, fazem queimadas mas, só depois do Sol se pôr para que ninguém veja o fumo, o que, no Verão, é lá para as 10h da noite.
Depois, lá para a meia-noite, já tudo queimado, junta-se o braseiro que sobra no meio da zona queimada e apaga-se com terra.
O problema é que, às vezes, as raizes mortas ficam a arder lentamente debaixo da terra e, passado umas horas, o fogo reaparece noutro sítio.
Isto já me aconteceu  mas a minha sorte é que a área tinha erva baixinha e estava cercada por um caminho de terra batida.
Mas, quando cheguei lá no outro dia, foi uma surpresa ver tudo ardido. E eu até tinha apagado tudo com água!

Fig. 9 - Para não queimar as mamocas, o melhor é a menina seguir o exemplo ao lado.

A geringonça destruiu mais floresta que os incêndios todos juntos.
Não existem dados certos sobre a produção da floresta mas a soma da madeira toda não andará muito longe dos 0,6% do PIB português, 1200 milhões€ por ano.
Se observarmos que, relativamente aos 1,5% do Passos Coelho, este ano a economia só vai crescer 0,9%, ai estão os 0,6% que engolem toda a produção da nossa floresta.
E não vejo bombeiros nem meios aéreos a combater a Geringonça.
 

 


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

0,8% de crescimento? O INE está na mão da direita.

Quanto era a previsão dos 12 macacos para o crescimento?
Fui retomar o texto que os 12 sábios do PS escreveram (Uma década para Portugal). Na altura o meu sobrinho disse que o Excel do documento tinha exageros e, começando pelo Louçã e acabando com o processo disciplinar que o reitor da universidade do Porto lhe moveu, caiu o Carmo e a Trindade porque o coitadinho disse, na sua inocência, que o Excel do Gasparzinho tinha voltado à carga.
Mas vamos retomar essa folha de Excel (p. 95) de que apresento aqui apenas o importante para calcular a taxa de crescimento do PIB.

 
 Fig 1 - Três linhinhas do quadro da p. 95 do documento dos 12 sábios do PS.

   B7: 100
   C7: =C8/C4*100 e copiar em linha até G7   B8: =B7*B4/100
   C8: =B8-B3*B7/100 e copiar em linha até G8
   C9: =C7/B7-1 e copiar em linha até G9
  C10: =(1+C9)/(1+C5)-1 e copiar em linha até G10
  H10: =AVERAGE(D10:G10) e copiar em coluna para H5 e H9

A inconsistência está na média.
Os sábios indicavam um crescimento de 2,48% para 2015 que estava muito acima da previsão do Passos Coelho (o crescimento em 2015 fechou em 1,48%) mas o problema não vem dai.
A inconsistência vem de referir na p. 92 um crescimento médio para 2016-2019 de 2,6% e, depois, no quadro final, estar lá implícito um crescimento médio de 2,98%!

Mas eles são sábios (e logo 12) e eu não passo de um burro carregado de fruta.
 
Mas vamos então às previsões feitas em Abril de 2015
Défice para 2016 de 3,0%.
Crescimento do PIB real para 2016 de 2,44%.

Em quanto está o crescimento no primeiro semestre de 2016?
Diz o INE que está em 0,85%, 0,9% no primeiro trimestre e 0,8% no segundo trimestre.
E afinal era o Excel do Gasparzinho que se enganava?
Como estará o défice?
Não é possível ter uma previsão com o par 3,0% de défice / 2,44% de crescimento e, sem mais nada, vir dizer que vamos ter o par 2,2% de défice / 0,85% de crescimento.
Isto tudo está dependurado por 500 milhões de euros de ISP que não existem e mais 200 milhões de euros no tabaco que também não existem mas que a comunicação social acha muito interessante.
Anda hoje no JN dizia, sem qualquer reserva, que o consumo de combustíveis se manteve na mesma e que a receita em ISP aumentou quase 50%.
E de onde vêm esses 50% de aumento? De 0,06€/litro?

O INE está tomado pelos golpistas de direita.

Estou a imaginar a vontade de o Costa e demais esquerdistas fazerem ao INE (e a mim, pela mão do reitor e do gordo do BE da faculdade de letras) o que o Erdogan fez a tudo que mexe.
Ou será que o "outro caminho, o caminho do crescimento" esquerdista é mesmo termos 0,85% de crescimento enquanto que o "caminho da austeridade e da destruição" do Passos Coelho era termos 1,48% de crescimento?
Mas os esquerdistas diziam que 1,48% era poucochinho!

Que Deus não deixe que o justo adormeça enquanto os ímpio destrói o Templo.
Maria Clara

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Os prejudicados com a globalização

OK, já mostrei que o comércio é positivo. 
Num modelo com 2 setores (pão e salsichas) mostrei os ganhos da especialização no sector em que a região/país tem vantagens comparativas. Agora, vou mostrar porque nem toda a gente é a favor do comércio, isto é, da globalização apresentando um exemplo ilustrativo.

Vamos a Bissau, onde a banana é rainha.
Bissau é hoje uma cidade com 450 mil habitantes, mais do dobro da população da Cidade do Porto (200 mil) e quase a de Lisboa (500 mil). E pensar que em 1970 Bissau tinha 70 mil habitantes e o Porto 300 mil habitantes.
Vou supor que cada bissauano consume 200kg de banana por ano, 0,5kg/dia, ao preço de 0,50€/kg (90 mil ton/ano). 
Vou supor que, se o preço P aumentar, a quantidade consumida diminui segunda a reta:
       Consumo = 90 - 145*(P - 0,5)

Vou supor que custo de produção da banana é 0,20€/kg.
Vou supor que a produtividade é de 12,73 ton/ha/ano.
Vou supor que 10% do território á adequado para a produção de banana.
Vou supor que o custo de transporte é 0,01€/kg/km, CT.
(São apenas números razoáveis para calibrar o modelo)

Talvez por causa da pobreza, trajos carnavalescos em Bissau são reduzidos ao mínimo.


Vamos ao equilíbrio de mercado.
A 0,50€/kg, apenas as pessoas a menos de (0,50-0,20)/0,01 =  30 km é que irão produzir banana, uma área total de 706km2 onde se vão produzir as 90 mil toneladas, 706*100*10%*12,73/1000, consumidas todos os anos. Para um preço genérico P, a produção será dada pela curva ascendente:
   Produção = (pi()*((P-0,20)/CT)^2/4)*100*10%*12,5/1000

O equilíbrio de mercado será conseguido com o preço que iguala a produção ao consumo
   Produção = Consumo

Para um custo de transporte de 0,01€/km/km, o equilíbrio é P = 0,50€/kg e Quantidade = 90 mil ton, produzidas num raio de 30 km de Bissau.
O número de agricultores é 7070 (1ha cada).

Qual o lucro de um agricultor?
Sendo o preço de 0,50€ em Bissau, quem morar a 10km, conseguirá vender as bananas à porta do seu terreno a 0,50 - 0,01*10 = 0,40€/kg pelo que, para um custo de produção de 0,20€/kg, terá um lucro de 0,20€/kg
Quem morar a 27km de Bissau já só terá um lucro de 0,50-0,01*27 -0,20 = 0,03€/kg.
E quem morar a 30km (ou mais) terá lucro zero.

Agora, vou diminuir os custos de transporte para metade.
Vou imaginar que foram abertas estradas ou oferecidos camiões todo-o-terreno que facilitam os transportes de forma a que passam a custar 0,005€/kg/km.
Agora, o equilíbrio de mercado vai resolver a equação seguinte
    (pi()*((0,50-P)/0,005)^2/4)*100*10%*12,5/1000 = 200 - 300*(P - 0,5)

Com a redução para metade do custo de transportes, o preço da banana em Bissau diminuirá para 0,365€/kg e o consumo (e a produção) aumentarão para 110 mil ton.
O número de agricultores aumentará de 

Mais pessoas irão produzir.
Apesar de o preço ser mais barato, haverá mais produção porque os agricultores mais distantes já poderão produzir. Se antes a partir dos 30km não era rentável produzir, agora, essa distancia aumenta para os 33km
      ((0,365-0,20)/0,005) = 33,1 km
Passar de 30km para 33,1km faz com que o número de agricultores aumente de 7070 para 8600.

Qual o lucro de um agricultor na nova situação?
Sendo o preço de 0,365€ em Bissau, os agricultores mais próximos vão ficar pior.
A 10km de Bissau, 0,365 - 0,005*10 - 0,20€, terá um lucro diminuído para 0,12€/kg
A 27km de Bissau, 0,365 - 0,005*27 - 0,20€, terá um lucro igual (de 0,03€/kg)
A 30km de Bissau, 0,365 - 0,005*30 - 0,20€, terá um lucro aumentado para 0,02€/kg


Como vamos resolver o problema dos mais próximos?
Com a diminuição do custo do transporte, as pessoas de Bissau melhoram  porque o preço da banana diminui em 33% e os agricultores mais distantes também porque passam a ter acesso ao mercado de Bissau.
O problema é que os agricultores que moram a menos de 27km de Bissau ficam em pior situação.
Temos, por um lado, 450 mil bissauanos + 28750 agricultores que melhoram e, por outro lado,  temos 57250 agricultores que pioram (supondo, 1 agricultor por ha).

Qual é o problema?
É que  os 57250 agricultores vão bloquear as estradas de acesso a Bissau.
Assim que começarem a ver passar os camiões de longe, cortam as estradas, incendeiam os camiões e matam os motoristas.

O progresso é difícil de entrar.
Eu coloquei-me em Bissau porque os estimados leitores aceitam com maior naturalidade que isto aconteça num país atrasado como é a Guiné Bissau.
Antes da independência era atrasado e, desde então, tem-se mantido atrasado.
Bem sei que o desenvolvimento não tem um caminho fácil, que não depende tanto das pessoas de lá como pensamos pois esses países têm falta de capital, seja físico, seja humano.
Quando dizemos "são países mal governados" estamos a esquecer que o saber-se governar está dependente do "saber fazer" e isso é capital humano não só de quem governa mas principalmente de quem os escolhe.

Mas vamos ao que interessa.
O que eu queria mostrar eram as razões dos nossos agricultores quererem proibir o leite da Galiza, a carne da França ou as maçãs de Marrocos de entrar nos nossos supermercados.
Sempre que alguém quer proibir o comércio, isto é, o avanço da globalização, está a defender os seus interesses à custa dos consumidores e dos produtores que vivem mais longe.
E os custos de transporte também podem ser entendidos como a dificuldade na difusão de novas descobertas. Aqui, os que usam a tecnologia atual vão criar barreiras para que nova tecnologia possa entrar.

Vou fazer uma pequena pergunta.
Quando, em 1961, apareceu a nossa primeira auto-estrada, a velocidade máxima permitida era de 120km/h. O argumento para haver limite era a segurança (ou a falta dela).
Decorridos 55 anos, com os carros muitas vezes mais seguros, o limite de velocidade mantém-se o mesmo.
Não seria já tempo de aumentar o limite para os 160km/h?
Se comparar a segurança de um carro de hoje com um carro de 1960, penso que ainda fica mais seguro conduzir hoje a 160km/h do que era conduzir a 120 em 1960.


O carro típico de 1960
Mas são as barreiras ao progresso.
Lembram-se da ponte aérea Porto-Lisboa e Vigo-Lisboa? Então já ninguém fala disso?

Também termos os incêndios.
Os incêndios têm que se combater com contra-fogo, não é com umas mangueiritas a regar os matos.

É a Lei de Talião.
Apesar de, pensando no Trump, a imprensa interpretar muito mal esta lei concentrando-se no "olho por olho", de facto a Lei de Talião é exatamente ao contrário: a reação deve ser proporcional à ação.
Se alguém me chama FDP e não lhe posso dar um murro tendo antes que lhe chamar outros nomes.
 Se alguém me buzina e não lhe posso passar com o carro por cima mas antes dar também umas buzinadelas.
Se alguém me assalta a casa eu não lhe posso espetar um tiro de caçadeira na cabeça.
Também no fogo, eu não o posso combater com água.

 Mas, se querem continuar a brincar com a mangueirinha, força nisso.

 Por falar no Trump.
Por agora, as sondagens indicam que a coisa está a correr mal para os seus lados. Neste momento está 8,5 pontos abaixo da Clinton.

Média móvel das sondagens para as presidenciais americanas (dados)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Brexit, o Mar Morto e as tarifas aduaneiras

Parece que o Mar Morto não tem nada a ver com o Brexit! 
O Mar Morto é o lago com 60000ha onde desagua o Rio Jordão. em termos políticos, está dividido entre Israel, a Margem Ocidental (West Bank) e a Jordânia. 
A superfície da água do lago está a quase 430m abaixo do nível médio dos oceanos e, porque as suas águas não têm saída, ao longo dos milénio foi acumulando o sal transportado nas águas do Jordão (que se evaporam) e, assim, tornou-se um corpo de água saturada em sais, principalmente cloreto e brometo de sódio e de magnésio. Em peso, um litro de água do Mar Morto tem 290g de Sal.
É uma grande atracão turística porque as pessoas flutuam muito facilmente (e, dizem, as lamas fazem bem à saúde, bullshit).

O problema é que o Mar Morto está a secar.
O caudal médio do Rio Jordão quando entra no Mar Morto, sem intervenção humana, é de 40m3/s que compara com os 700m3/s do Rio Douro. Mas, por causa do desvio para a Jordânia (40%) e do uso em Israel, atualmente só chegam ao Jordão 2% deste caudal natural, cerca de 1m3/s.
Sendo que não lhe chega água, ao longo do tempo, o Mar Morto tem vindo a diminuir de dimensão, cerca de 900ha de superfície e 1m de cota, se nada for feito, irá desaparecer dentro de poucos anos.
A sua diminuição causa problemas ao turismo pois a linha de costa está constantemente a afastar-se dos hotéis.

Terá que vir água do Mar Vermelho ou do Mediterrâneo.
Existem 2 caminhos principais por onde a água pode entrar.
No primeiro caminho, a água vem do Golfo de Aqaba que é uma abertura que vai ligar ao Mar Vermelho.
A água entrará em Eilat e, depois, percorre 160km.
No segundo caminho, a água vem do mediterrâneo, entra em Ashdod e, depois, percorre 80km.
Apesar de os decisores políticos se estarem a inclinar pela solução do Mar vermelho, vou-me concentrar na solução do Mediterrâneo.



Bombear a água.
Não interessa muito os quilómetros que a água vai percorrer mas antes quanto custa meter 1m3 de água no Mar Morto. Normalmente, os transvases usam os rios a correr em sentido contrário, da foz para a nascente tendo a água que ser bombeada de barragem para barragem até que, chegando ao cimo do monte, já se pode desviar para o rio pretendido. No novo rio, haverá barragens para recuperar a energia que se gastou

Fig. 2 - Esquema de um transvase usando barragens e bombagem

No caso do transvase Mediterraneo-Mar Morto, é preciso subir primeiro 920m para descer depois 1400m
Em termos energéticos, parece que ainda vai haver lucro mas o problema é que existem ineficiências. 
A bombagem perde 20% da energia, o percurso nas barragens e canais outros 20%, na turbinação 20% e nos fios outros 10%. Somando isto tudo, teremos
    Energia gasta = 920 * 1,20*1,20 = 1324m
    Energia recuperada 1400*0,8*0,9=1008m
Gasta-se mais energia do que a que se recupera.

Com um túnel
Não se perde energia a bombar nem a gerar electricidade pelo que o saldo será muito positivo.

Vamos ao Brexit e ao livre comércio.
O túnel é o livre comércio e o transvase com barragens e bombagem é o sistema de tarifas aduaneiras.

As tarifas aduaneiras anulam-se com outras tarifas aduaneiras.
O Reino Unido quer exportar carros e a França passa a cobrar uma tarifa de 100 milhões€.
O Reino Unido retalia, passa a cobrar uma tarifa de 100milhões € sobre os vinhos francesese e entrega esse dinheiro aos produtores de carros para os compensar da tarifa cobrada pela frança.
Então, tanto dá haver tarifas como não haver pois, assim que um país inventa uma tarifa, o outro anula-a cobrando outra tarifa de que faz o tranvase do receita para anular o efeito.
O problema está apenas no custo de cobrar as tarifas, o que inclui custos administrativos e inspectivos pois, quem paga tarifas, não as quer pagar (combater o contrabando).



As vantagens do comércio.
Não é obvio que o comérico traga vantagens para os povos mas vou apresentar dois exempos que ilustram como o comérico aumenta a produção.

Vantagens Absolutas.
Vou imaginar uma economia em que se produzem pães e salsichas e onde as pessoas comem cachorros (pão com salsicha). No total, existem 40 horas de trabalho disponíveis em cada país.

No País A, demora 5 minutos a produzir um pão e 10 minutos a produzir uma salsicha.
Então, na 40 horas, vão ser produzidos 160 cachorros que será o PIB do país A.
     40*60/(5+10) = 1600
 
No País B, demora 10 minutos a produzir um pão e 5 minutos a produzir uma salsicha.
Então, na 40 horas, vão ser produzidos 160 cachorros que será o PIB do país A.
     40*60/(10+5) = 160
O país A tem uma vantagem absoluta na produção de pão e o país B na produção de salshichas

Vou abrir as fronteiras.
Agora, no país A vão produzir 480 pães (40*60/5 =  4800) e no país B 480 salsichas.
Depois, os do país A vão vender 240 pães em troca de 240 salsichas e acabam ambos a comer 240 cachorros em vez do 160.

Vantagens Relativas.
Vou fazer o País B mais atrasado, demora 15 minutos a produzir um pão e 15 minutos a produzir uma salsicha. Então, na 40 horas, só vão ser produzidos 80 cachorros.
     40*60/(15+15) = 80
 A produção nos dois países será de 160+80=240

Vou abrir as fronteiras.
Parece que, neste caso, o país A vai produzir ambos os bens e o país B nenhum bem mas, se assim for, o país B não tem como arranjar divisas para comprar os bens produzidos no país A. Então, o país B vai produzir o bem onde tem uma vantagenzinha relativa que são as salsichas.

No país A por cada salsicha produzida, deixa de se produzir 2 pães.
No país B por cada salsicha produzida, deixa de se produzir 1 pães.
Esta "razão de produção" é o custo de oportunidade.
Assim, o país vai produzir os bens onde os custos de oportunidade (e não so custos verdadeiros) são menores.

País A => 266,67 pães e 106,67 pães
País B => 0 pães e 160 salsichas.
O total de produção é de 266,67 cachorros quentes, um aumento relativamente aos 240 sem comércio.

Se ambos os países ficarem com o mesmo nível de vida.
Cada país vai comer 266,.66/2 = 133,33 cachorros. Se assim for, 
O país A vai exportar 133,33 pães e importar 26,33 salsichas
O país B vai importar 133,33 pães e exportar 26,33 salsichas
Neste equilíbrio, o preço de 1 salsicha será 5 pães 
Se o pão for 0,10€/u, a salsicha será 0,50€/u. 

Mas isto não pode ser porque o país A fica pior.
É por esta razão que existem guerras comerciais e barreiras à movimentação dos trabalhadores.
As pessoas do País A não aceitam piorar para que os do país B melhorem.

Ambos os países dividem os ganhos do comércio.
Agora, já será mais aceitável para o país A.
Como o ganho é (266,67-240)/2 = 13,33
O país A irá consumir 160 + 13,33 =173,33 cachorros.
Para isto, precisa exportas 93,33 pães e importar 66,66 salsichas.

O país A irá consumir 80 + 13,33 = 93,33 cachorros.
Para isto, importa  93,33 pães e exporta 66,66 salsichas.
O preço terá que ser 1 salsicha = 1,4 pães.
Se o pão for 0,10€/u, a salsicha diminuirá o preço para 0,14€/u.


Em mercado livre, tudo tem venda, o problema é o preço




Mas existem problemas
É que a teoria apenas permite comparar situaç~eos já em equilíbrio pelo que temos problemas durante o ajustamento.

Primeiro problema: a divisão do ganho.
Um preço mais elevado para a salsicha faz com que o ganho vá para o país B enquanto que um preço mais baixo faz com que o ganho vá para o país A.
As guerras comerciais são jogos dinâmicos que têm por fim alterar a divisão do ganho.

Segundo problema: o ajustamento.
No país B, as empresas que produzem pão vão ter que deixar esta actividade. Como investiram tempo a aprender a fazer pão, têm as máquinas e os clientes habituais, isso vai custar muito. Pelo contrário, os fazedores de salsichas viverão um período de prosperidade.
No país B, as empresas que produzem salsichas vão começar a ter concorrência pelas importações baratas (o preço cai de 0,50€ para 0,15€) pelo que muitas empresas vão à falencia. os produtores de pão viveram um período de prosperidade.

Os nossos agricultores estão em crise.
Pois estão porque a nossa economia, comparativamente a outras economias, não pode produzir bens agrícolas como leite.
Toda a nossa economia está a evoluir para os serviços (turismo).
Claro que, como uma economia produz milhares de bens diferentes, o modelo das vantagens comparativas com 2 bens é apenas uma pequena janela para a dinâmica económica que a Globalização está a operar nas nossas economias.
Mas, havendo milhares de bens e centenas de países/regiões, o que se vai observar é a especialização de cada região nas actividades onde tem vantagens relativas e, depois, vender o bem produzido no mercado global onde adquire os outros bens necessários.
No final, ficamos todos a ganhar.

A Alemanha especializa-se a produzir carros e o Brasil, a produzir bandeiras

Terá sido o Brexit um tremendo erro e o Trump um burro?
O Trumpo quando fala em construir muros e em rever tratados comerciais ou o UK quando sai da UE para rever políticas de asilo, não estão mais do que tentar alterar a divisão dos ganhos do comércio.
Como são países grandes, pensam explorar o "poder de monopólio" para trazerem para si uma percentagem maior dos ganhos do comérico.
Claro que, olhando apenas para os ganhos do comérico, pensamos que vão ter perdas (iguais às nossas), mas trazendo os termos de troca à discussão (os preços), a sua estratégia aparentemente isoliacionista faz  todo o sentido.

Será América capaz de socorrer os países balticos?
Muito se tem dito mal do Trump por ter dito que talvez não fosse possível defender os países balticos no caso de uma invasão russa.
Mas porque não perguntaram isso ao Holland?
Porque razão têm que ser os americanos a defender seja o que for?
Penso que, caso a Rússia decidisse invadir os países balticos, tal como na GEórgia e na Ucrânia, nada poderia ser feito para além do embargo económico.
Penso que ninguém está a imaginar uma guerra directa entre a Rússia e a Nato, nem seria bom para ninguém.

O Obama esqueceu-se dos aliados Curdos.
Coitados, acontecia-lhes como aos desgraçados Curdos que, mesmo no Iraque, estão a ser bombardeados pelos Turcos e pelos Russos e as pessoas de Alepo, a quem o Obama prometeu que os apoiaria se lutassem pela liberdade contra o Assad e, agora, estão a morrer porque o Obama se esqueceu deles, escondido nas saias da Clinton a ver se ela ganha.
Os USA já parecem um país do terceiro mundo onde o presidente da república aproveita uma visita de estado ao estrangeiro para dizer que o adversário político (da oposição) é um perigo para o seu país. 

Nós podiamos ter um "mar morto".
Penso que poderia ser uma atracção turistica bombar água do mar para uma lagoa e deixar que evapore até ficar saturada de sal. Desta forma, ficaria um mar morto pequenino, assim uma coisinha 100ha.





domingo, 7 de agosto de 2016

Já tenho uma ideia para o Hotel da Escarpa da Serra do Pilar

Dizer que está errado é muito mais fácil do que dizer como se faz bem. 
E foi a parte mais fácil que fiz quando disse que o projecto da Douro Azul para um hotel na Escarpa da Serra de Pilar, ESP, é um mamarracho.
Mas, no entretanto estive a pensar nas palavras simpáticas do Mário Ferreira (que, interessante, não disse uma única palavra abonatória relativamente ao projecto do mamarracho!) e fiquei com remorsos de não lhe ter dito nada sobre como o hotel poderia ser imaginado.

Sendo que não é parolo ...
Pensei eu, então está aberto a soluções visuais nunca vistas, capazes de, daqui a 500 anos, haver uma lei a proibir que mexam nesse edifício.
Pensei toda a noite e hoje surgiu-me uma ideia: o hotel tem que se inspirar nos vinhos, tem que ter pipas, toneis e garrafas. Então, comecei a imaginar o hotel como um amontoado de pipas e toneis como se vê nas fachadas das caves do Vinho do Porto.

Fig. 1 - A fachada terá filas de pipas com 4,0 m de diâmetro.

A escarpa tem 400 m de comprimento por 65 m de largura.
Isto dá uma área total de 26000m2.
Para termos uma comparação, a ribeira do lado do Porto (o triângulo entre a R. Infante D. Henriques, a escarpa do Túnel da Ribeira e o Rio) tem 30000m2.

Fig. 2 - A ESP é uma área importante da Ribeira e que só está à espera de bons projectos de arquitectura
 
Por isso, a ESP é um diamante em bruto que está ali perdido à espera de ser lapidado.
Mas não pode ser à moda de S. João da Madeira e de Guimarães (i.e., com caixas de sapatos) mas antes à moda de Gaia, com coisas do vinho e do Douro.

Fig. 3 - As filas de pipas seria interrompidas, aqui e ali por toneis com 20 metros de altura.

Já estou então a imaginar a fachada.
Pipas amontoadas, com quebras de regularidade, aqui e ali e misturadas com toneis mais altos, tipo torres de um castelo, e mais baixos.
Nas pipas e toneis, janelas abertas como escotilhas num navio.
E, por falar em navios, também metia uns barcos rabelos misturados com as pipas e umas garrafas gigantes, transparentes que seriam jardins suspensos, tudo desconstruido e meio tosco.

Fig. 4 - Tudo como as bailarinas Paula Rego

 O importante é termos imaginação.

Imagination is more important than knowledge. For knowledge is limited to all we now know and understand, while imagination embraces the entire world, and all there ever will be to know and understand. 

Albert Einstein

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O hotel/mamarracho da Douro Azul

Ok, o trabalho do Mário Ferreira é notável. 
Nos últimos 20 anos, com a Douro Azul, tem feito maravilhas pelo desenvolvimento e promoção do turismo no Douro. Se isto é verdade, também é verdade que é um parolo, com gostos de matarruano.
Se na vertente empresarial é pertinente a construção de um hotel na escarpa da Serra do Pilar, em termos de arquitectura, a proposta da Douro Azul é um mamarracho total.

Mário, repara no Hotel Pestana na Ribeira.
Havia umas casas velhas na Ribeira do Porto, uns arquitectos pegaram naquilo e, sem qualquer alteração das fachadas, fizeram um hotel de 5 estrelas. 
Desafio as pessoas a, quando visitarem a Ribeira do Porto, a observarem a fachada do hotel virada para o Rio Douro. Não nada que diga quando acaba o hotel e começam as outras casas, talvez apenas as janelas estarem mais limpas.
Está um trabalho perfeito

Fig. 1 - Hotel Pestana 5* na Praça da Ribeira, Porto, Portugal

Na margem esquerda há oportunidade para fazer coisas importantes.
Mas nunca um mamarracho, nunca um prédio corrido só porque é um hotel.


 Fig. 2 - Local onde o Mário quer meter o mamarracho

  Fig. 3 - Proposta para a arquitectura do mamarracho

Não haverá arquitectos em Portugal?
Portugal tem mais de 25000 arquitectos, é mesmo o país do Mundo com mais arquitectos per capita. Não haverá nenhum que consiga transformar a Escarpa da Serra do Pilar, metendo lá hotéis e outras coisas, num  atracção turística per se?
Não será de meter lá escadas em pedra, restaurantes, moradas para pessoas pobres que tenham roupa a secar na rua e que possam arrendar um quarto a turistas (pois são essas que dar o ar pitoresco), tascas, praças e cafés?
Penso até que deverá de acabar com o quartel da Serra do Pilar e transformar o terreiro numa praça simétrica à da Sé, integrada na escarpa.


Mário, tu já mostraste que és capaz de fazer muito melhor.
Bem sei que és um parolo, pessoa medonha, feia e desdentada (palavras do grande cantor/letrista José Cid), mas, pelo que já fizeste, sei que consegues fazer muito melhor que esse mamarracho que, alegadamente, se semelhante a Veneza.
Bem, quem nunca foi a Veneza, pode acreditar nisso mas, com certeza, nunca mais quererá ir a Veneza.
 Pensa numa coisa que, daqui a 500 ou 1000 anos, ainda possa ser visitado.

Qual ao Ébola...
É só para dizer que, apesar de eu estar pessimista, acabou mesmo. Houve 28657 infectados, morreram 11325 pessoas, morreram 2 em cada 5 pessoas infectada, mas o processo infeccioso foi dado como extinto no dia 6 de junho de 2016.

Quanto ao défice de 2016.
A minha previsão é de 3,7% e, agora, a Fich vem dar-me razão ao apontar 3,4% para o défice (e 1,2% para o crescimento do PIB).
Não sei como o Costa vai conseguir meter o défice a 2,5% e o crescimento a 1,8%.
Se as gaivotas já são um perigo, vacas voadora, quando lhe dá a volta à tripa, meu Deus, chove merda durante meses.

Fig. 4 - O bom é que a merda de vaca também serve para fazer casas (na Índia!)


Que Deus lhes ilumine o caminho.
Maria Clara

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

As bananas e os robo-barcos

Há coisa de que todos temos curiosidades. 
Uma das coisas é, olhando para uma banana que vamos comer, imaginar a pessoa que cultivou aquela fruta sabe-se lá onde, e visualizar o caminho que aquele objecto percorreu até vir parar à nossa mão.
Sendo que a banana tem um preço na ordem de grandeza da fruta que produzimos em Portugal, imagino eu que, à porta da plantação, a banana deve ser muito barata.
Se fosse possível diminuir os custos entre a plantação e a nossa mão, o preço diminuiria na prateleira e aumentaria na plantação o que seria bom para todos.

Penso que é um pecado grave ver uma mulher a comer uma banana


Vou então dizer o que descobri.
A Bananeira é uma erva gigante que se cultiva em países quentes, com temperatura mínima noturna superior a 13.ºC. Em termos globais, produzem-se cerca de 125 milhões toneladas de banana por ano, 50% no Sul da Ásia, 20% na África e 20% na América do Sul. Produzem-se mais bananas do que laranjas (115Mton/ano) e do que maças (81 MTon/year).
A bananeira nasce como um rebento de uma planta adulta, produz ao fim de, em média, 18 meses, sendo mais rápido o crescimento nos climas mais quentes, e, depois de produzir, morre (fica um rebento lateral). 
Nos países quentes não existe época de produção pelo que a cultura é planeada de forma a que exista produção todos os dias.
Uma vez feita a plantação, fica em produção durante vários anos (corta-se o pé que produziu e deixa-se um dos rebentos crescer), o que torna a cultura simples e muito produtiva, cerca de 3kg/ano/m2 (30 ton/ano/ha).

Á porta da fazenda, o preço é de 0,30€/kg.
A banana que compramos por 1,00€/kg é maioritariamente produzida na Colômbia ou no Equador de onde sai da plantação a 0,30€/kg.
Na plantação, os cachos são colhidos, seleccionados os melhores grupos, lavados, desinfectados e embalados em caixas de cartão 36 litros que levam 18 kg de fruta. 
Depois, metem-se as caixas em contentores refrigerados. Um contentor de 20 pés leva cerca de 800 caixas, 14 toneladas.

 
Fig.1 - A banana que comemos é produzida a mais de 8500 km da nossa boca
 
Perdem-se 0,70€ na viagem.
Á saída da fazenda, cada caixa tem um preço de 5,00€ e, quando chega à nossa mão, depois de percorridos 10000km, o preço de cada caixa é 18€.
Esta margem de mais de 250% entre o preço de produção e o preço no nosso hipermercado prende-se com os custos de transporte e não tanto em estarmos a explorar os desgraçados que produzem bananas.
É que a logística é complexa e cara.
Como as plantações obrigam a espalhar a produção e o Atlântico é atravessado apenas por navios grandes, é preciso fazer muitos transbordos.
Assim, o transporte começa por juntar caixas até se encher um contentor refrigerado a 12ºC, depois, continua com o contentor num camião até um porto (podem ser mais de 1000km) que vai, mais tarde, levar o contentor até um porto grande onde possa atracar um navio transatlântico.
Uma vez na Europa, passa-se o inverso, o navio grande descarrega em Roterdão o contentor para navios mais pequenos que vão para portos mais pequenos onde o descarregam num camião que, depois, faz a viagem até à central de compras do supermercado onde o contentor é aberto e as 700 caixas separadas em vários camiões que as vão levar para as prateleiras dos hipermercados de cada terra.


Imaginemos a nossa Guiné-Bissau.
Tem um clima, em termos de temperatura e chuva, e terrenos bons para a cultura de banana, ananás e manga, podendo estas culturas ser o motor de desenvolvimento desta nossa ex-colónia. O problema é que não têm como transportar as frutas em tempo útil desde o local de cultivo até à nossa mão.
Nos países pobres as estradas são muito deficientes e os portos de mar pequenos e incapazes.
O que era preciso era um navio pequeno, com capacidade para 100 contentores de 20 pés, que pudesse ser carregado em pequeno portos e fizesse a viagem até ao destino final na Europa, América do Norte e Japão e pudesse entrar nos rios.


Os navios são grandes para diminuir os custos.
Um navio grande, para a mesma velocidade, gasta menos combustível. O combustível gasto é proporcional à área em contacto com a água e, quando um navio é maior, a área aumenta ao quadrado e o volume ao cubo. Assim, se aumentarmos a dimensão de um navio em 10 vezes, o consumo de combustível por tonelada diminui para metade.
Um navio grande também poupa nos custos da tripulação.
Então, para termos um navio pequeno temos que usar a outra variável importante que é a velocidade pois o consumo de energia cresce com a velocidade ao quadrado.
Desta forma, para termos um navio que é 1% do tamanho de outro (que viaja à velocidade de 23km/h) com o mesmo consumo de energia temos que reduzir a velocidade para 10km/h.
Quanto á tripulação, temos que acabar com ela!
O Roboship.
Investem-se actualmente milhares de milhões no desenvolvimento de tecnologia para que os carros possam circular na rua sem condutor humano por é difícil mantê-los na estrada congestionada com outros veículos e pessoas. Mas, para termos robô-navios, dado que não há a limitação da estrada, uma tecnologia simples é mais do que suficiente. Penso que, em mar aberto, bastará um GPS para saber a localização do navio, um sonar para detectar outros navios próximos e uma ligação por satélite para comunicar e receber instruções da central de controlo.
Estou a imaginar um navio com capacidade para 100 contentores de 20 pés a viajar por esses oceanos fora de forma autónoma a 10km/h (que compara com os 4km/h das caravelas quinhentistas).
Estou a imaginar, em vez de navios com 15000 contentores que tem que receber carga de centenas de portos, 150 navios com 100 contentores cada que viajam de um porto de origem para um porto de destino. 
A viajar a 10km/h demoraria 35 dias a percorrer os 8500km que nos separam da América do Sul e 19 dias a percorrer os 4500 km que nos separam da Guiné Bissau, é mais do dobro do tempo normal mas, como não há tripulação, não será um problema muito grande (para obter as distâncias entre portos e os tempos de viagem a 14 nós, ver este site). E a banana conserva-se 6 semanas com temperatura e atmosfera controladas (ver).

Os esquerdistas desmiolados são contra a globalização.
A globalização tem permitido que, mais e mais produtos de locais esquisitos cheguem à nossa mesa. No sábado passado olhei para a prateleira do feijão e vi lá feijão preto da Etiópia, branco do Madagáscar, vermelho da Índia e frade da China. Como muito do preço que pagamos são custos de transporte, os esquerdistas desmiolados têm metido na nossa juventude inconsciente a ideia desmiolada de que, ao comprarmos produtos desses países pobres, estamos a explorar a miséria das pessoas desses países que têm salários muito baixos para o nosso padrão de vida.
Então, sendo desmiolados, têm que vir com uma ideia absurda: proibir a importação desses países pobres.
Mas, quando uma pessoa na Colômbia vai trabalhar numa plantação de bananas por 1€/h, não consegue ganhar este valor noutra actividade pelo que, se não lhes comprarmos bananas, o seu nível de vida vai diminuir.
É como proibir uma pessoa de beber água porque, caso contrário, teria que fazer uma longa viagem.
O que temos que defender é o aprofundar da globalização pela diminuição dos custos de transporte.

O comércio livre é a melhor forma de "combater" as migrações.
Reparemos que, nos refugiados que chegam à Europa, não há Etíopes.
E isto não acontece porque a Etiópia, apesar de ser um dos países mais pobres do mundo, tem desde 2002 uma política de abertura das fronteiras para o investimento e o comércio. Esta abertura permitiu que o rendimento per capita das pessoas triplicasse em 12 anos (um crescimento de 8,7%/ano, WB).
Com livre comércio, os países mais pobres desenvolvem-se e, como ninguém gosta de sair do seu país, as pessoas ficam contentes por lá a trabalhar para nós por tuta e meia.


Deus ajude os pobres a vender o que produzem.
Maria Clara

sexta-feira, 29 de julho de 2016

You are fired

Esta é a frase que imortalizou o Trump. 
O Joe Biden, vice presidente dos USA, fez uma pequena rábula em volta da frase "You are fired" que o Trump usava no seu programa televisivo "O aprendiz." Até tentou imitar a sua voz e expressão facial.
Segundo o Biden, o pior que pode acontecer a uma pessoa é ouvir esta frase, muito mais que "A tua mulher anda-te a encornar" e que, por isso, o seu autor, o Trump, não pode representar os trabalhadores.
Esta rabula é muito importante porque traduz a seguinte questão de investigação.

H0: Quando uma pessoas arranja um emprego, no melhor do seu interesse e da sociedade, deve lá ficar até morrer.
H1: É bom para o trabalhador e para a sociedade haver flexibilidade no mercado de trabalho (i.e., facilidade em despedir).

A resposta a esta questão já deu vários Prémios Nobel da Economia mas vou-me concentrar em apenas dois, o Robert Lucas jnr (propôs que é necessário haver ajustamento entre o trabalhador e posto de trabalho) e o Guerry Becker (propôe que o conhecimento é imperfeito)
Vejamos a sua argumentação contra H0 e a favor de H1 (pela existência dos despedimentos).

Agarram-me que, se chego a presidente, os franceses não entram mais nos USA e a Califórnia vai voltar a fazer Port Wine.


Vamos assumir uma economia simples.
 A Ciência avança com recriações, modelos, da realidade que devem ser o mais simples possível para ser fácil compreendermos como a realidade funciona. Para coisas complexas, já basta a própria realidade.

Esta parte é do Lucas:
A1) A economia é um pomar onde existem muitas macieiras e muitos apanhadores de maçãs.

A2) As árvores e os apanhadores têm altura heterogénea, uns são altos e outros baixos.

A3) Um apanhador alto é mais produtivo se tiver uma árvore alta e um apanhador baixo é mais produtivo se tiver uma árvore baixa. Além disso, também é pior para o trabalhador ter uma árvore inadequada (dores de costas nos altos com árvores baixas e pescoço esticado nos baixos com árvores altas).

A4) A empresa paga de salário 90% da produtividade média sendo os restantes 10% o seu lucro.

A5) Para simplificar as contas, um bom ajustamento P(Alto, Alta) e P(Baixo, Baixa) tem produtividade 1 e um mau ajustamento P(Alto, Baixa) e P(Baixo, Alta) tem produtividade 0.
Chamemos P à produtividade.

A6) Existem 50% de cada altura pelo que é possível o ajustamento perfeito de todos os trabalhadores.

Um trabalhador alto que trabalhe numa árvore pequena produz pouco e fica com dores de costas


Nesta economia existem incentivos para o ajustamento ser perfeito.
Como, por um lado, o lucro da empresa é maior se os trabalhadores forem mais produtivos,  interessará à empresa contratar trabalhadores com uma altura adequada às suas árvores.
Como, por outro lado, a empresa só pode pagar como salário a produtividade média dos seus trabalhadores menos a margem de lucro, ao trabalhador também interessa escolher uma empresa que contrate trabalhadores ajustados à altura das árvores.
Como as alturas são medíveis e é no interesse desde o princípio que a afetação seja boa, quando alguém arranja um emprego, o mesmo será para toda a vida.

A informação imperfeita.
O pressuposto de que as alturas (e, consequentemente, a produtividade do trabalhador) é observável é uma simplificação inadequada para explicar a existência de despedimentos.  Então, é preciso estudar a implicação de relaxarmos esta restrição.

Esta parte é do Becker:
A7) A altura das árvores e dos apanhadores não é observável. Esta "relaxação" chama-se na literatura como "Informação imperfeita".

A8) Sabendo-se a produtividade do trabalhador, sabemos se o ajustamento é bem feito mas existe dificuldade, erro, na medição da produtividade individual.
Vou supor que a produtividade individual medida vem dada por:
    Bom ajustamento = P(Alto,Alta) = P(Baixo, Baixa) = 1 + erro
    Mau ajustamento = P(Alto,Baixa) = P(Baixo, Alta) = 0 + erro
   erro ~ N(0, 1), o erro de medida da produtividade tem distribuição normal com média zero e desvio padrão 1, não correlacionado entre trabalhadores e em termos temporais.

A9) A empresa paga a todos os trabalhador o mesmo salário, 0,8.

Agora vamos às contas.
Num ajustamento aleatório, a produtividade média de um individuo é 0,5 pois temos a média de 4 casos:
    Pmédio = (P(Alto, Alta) + P(Baixo, Baixa) + P(Alto, Baixa) + P(Baixo, Alta))/4
    Pmédio = (1 + N(0, 1) + 1 + N(0, 1) + 0 + N(0, 1)+ 0 + N(0, 1))/4
O que dá
    Pmédio = 0,5 + N(0, 0,5)
Se a empresa tiver muitos trabalhadores, N, ficará
    Pmédio = 0,5 + N(0, 1/N^0,5)

Quando uma empresa contrata um trabalhador, vai-lhe pagar 0,8 quando, em média, este só vai produzir 0,5. Assim, o novo trabalhador vai dar um prejuízo médio de 0,3.
Mas, sendo a produtividade medida semana após semana, por causa do concelamento estatístico dos erros, o desvio padrão vai-se reduzindo à velocidade da raiz quadrada do número de semanas.
Vamos supor que, durante 12 semanas, a produtividade de dois trabalhadores, Trab1 e Trab2, foram as seguinte:

       Trab1     Média1       Trab2     Média2
0,7 0,7 2,5 2,5
-0,3 0,2 0,1 1,3
1,2 0,5 -0,9 0,6
2,3 1,0 -0,8 0,2
2,2 1,2 -0,8 0,0
2,7 1,5 0,1 0,0
-1,2 1,1 0,2 0,1
0,8 1,1 -1,7 -0,2
2,1 1,2 -0,5 -0,2
-0,1 1,0 0 -0,2
0,3 1,0 0,3 -0,1

Olhando para as primeiras duas semanas, o trabalhador 1 parece um mau ajustamento e o trabalhador 2 um bom ajustamento mas, com o passar das semanas, vai-se começando a ver que o trabalhador 2 é ele o mau ajustamento.
Também o Trabalhador 1, nas primeiras semanas tem esforço no posto de trabalho mas, depois, adapta-se bem, acontecendo o contrário com o trabalhador 2.


You are fired.
Ao fim das 12 semanas, não há dúvida que o trabalhador 2 é um mau ajustamento pelo que terá que ser despedido. E isto será para o bem da empresa (pois este diminui o lucro da empresa) e para o bem dos restantes trabalhadores onde se inclui o Trabalhador 1 (porque, sem o trabalhador 2, a empresa fica  capaz de pagar um salário mais próximo de 1).
O trabalhador 1 vai ficar triste porque ganha 0,8 e sabe que, noutro emprego, um ajustamento aleatório só lhe permitirá um salário médio de 0,45. Mas, a prazo, será uma oportunidade para conseguir um bom ajustamento e um salário até maior que 0,8 e com menos esforço.

Afinal, o Biden não percebe nada de economia do trabalho.
Não percebe ele, não percebe a Clinton e não percebem os nossos esquerdistas porque o despedimento dos menos ajustados aumenta a produtividade e os salários e a diminuição do esforço dos trabalhadores que ficam e, a prazo, os despedidos também encontrarão um emprego onde se ajuste melhor.
Pode custar muito mas o que faz os homens não deixarem crescer a barriga e serem, portanto, mais saudáveis, é haver o risco da mulher fugir para os braços do amante. Por isso é que um homem que case com uma mulher bonita é mais saudável!


Custa ser despedido.
Custa ser despedido em Portugal porque as oportunidades são poucas.
Mas numa economia em que todas as pessoas estão sujeitas à medição da produtividade, existem muitas oportunidades para arranjar um novo emprego onde é possível um ajustamento mais próximo da perfeição.
Se eu estou no desemprego mas jogo muito à bola, chegando ao Barcelona e mostrando a minha habilidade, eles encostam logo o Messi e metem-me no lugar dele.
O problema é que no mercado de trabalho português (especialmente na função pública), o mais importante é lamber botas ao chefe e dizer sempre amém.

Evolução do ajustamento médio.
Em termos médios, um ajustamento aleatório permite uma produtividade de 0,5. Então, com tentativa e erro, o ajustamento vai, em termos médios, aproximando-se da perfeição:
  N.Empregos   Um       Dois        Três        Quatro    Cinco
  %                 50,0%    25,0%    12,5%    6,25%    3,125%
  Pmédia         0,50      0,75        0,88       0,94        0,97

Agora, apliquemos o modelo à realidade.
Por uma lado, olhando para o candidato ao emprego, vendo os seus estudos e fazendo uma entrevista, parte do ajustamento pode ser observado antes de contratar o trabalhador pelo que nunca existem ajustamentos verdadeiramente em que a produtividade é zero.
Mas, por outro lado, existem, em vez de duas alturas, milhares de postos de trabalhos diferentes e milhares de competências diferentes pelo que o ajustamento perfeito precisa de várias tentativas.


Por causa da flexibilidade do mercado de trabalho.
É que a economia dos USA é tão dinâmica, recuperando das crises muito mais rapidamente que a União europeia e tendo uma taxa de desemprego mais baixa.
Evolução da taxa de desemprego, 1T2007-2T2016, USA e UE28 desde a crise do sub-prime.


"O teu blog permitiu que a minha cunhada melhorasse muito a sua vida."
Um amigo meu do Judo (onde estou a estudar já para o exame para cinto castanho!), tem uma cunhada que tinha um minimercado. Ia todos os dias às 6 da manhã comprar verduras e peixe frescos, abria o minimercado às 8 horas e estava lá até às 8 horas da noite, seis dias por semana, um total de 84 h de trabalho por semana. Naturalmente, se ganhasse o SMN (5,00€/h), teria que receber ao fim do mês qualquer coisa próxima dos 1800€ mas nem os 300€ ganhava.
"Eu ganhei coragem, ao ler o teu blog, para a convencer a fechar o minimercado e a procurar uma outra atividade."
E a senhora assim o fez. Fechou com muito choro e ranho e foi-se inscrever no Centro de Desemprego.
Para seu espanto, e porque tinha dito que tinha experiência a tratar do pai quando esteve acamado, passados apenas alguns dias teve uma proposta de emprego num lar da 3.a idade a ganhar 505€/mês (ainda não tinha havido o aumento).

Agora, a cunhada está muito mais feliz.
Dorme descansada, trabalha apenas 40 horas por semana, e ganha mais do que quando tinha o minimercado e está numa atividade que gosta mais. Estar no minimercado a olhar para as moscas e a ver a verdura a secar sem clientes e o peixe a estragar-se estava-lhe a destruir a saúde mental.
Além disso, faz horas extraordinárias pelo que tem ganhado sempre mais do dobro do que ganhava no minimercado trabalhando menos.
Talvez por o Trump, no meio de tanta asneirada, dizer coisas com sentido é que, nas sondagens, tendo uma desvantagem de mais de 10 pontos no princípio de Abril, está agora taco a taco com a Clinton.



Sondagens americanas, 1/Jan/2016 até 27/Jul/2016 (realpolitics)


Maria Clara

terça-feira, 26 de julho de 2016

Falar então sobre a execução orçamental

O Emanuel Marques está muito preocupado com a Execução Orçamental.
E, por causa disso, pediu-me que fizesse umas contas.
Eu não gosto de dar reanimação boca-a-boca a pessoas cujos olhos já foram comidos por moscas varejeiras e é como esta execução orçamental do primeiro semestre de 2016, as contas estão todas gatadas pelas próprias contas dos 12 sábios: se com crescimento de 2,5% o défice ia ser de 3,0%, com um crescimento de 0,9% não pode nunca ser menor que 3,7% do PIB.


Vou só fazer umas contas simples a ver se alguém pega nestas inconsistências.
Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em 2015 sobre a gasolina era de 0,6211€/litro e de 0,4059€/litro no gasóleo ( ver). O consumo no primeiro semestre de 2016 foi de 522,3 mil ton de gasolina e 2258,3 mil ton de gasóleo (ver).
Com esta taxa de imposto e estes consumos, a receita fiscal durante o primeiro semestre de 2015 foi de 1084,7M€.



Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em 2016 subiu na gasolina para 0,6711€/litro e 0,4559€/litro no gasóleo (ver), um aumento ponderado de 11%.  O consumo no primeiro semestre de 2016 foi de 511 mil ton de gasolina e 2290,0 mil ton de gasóleo.

A taxa de imposto aumentos 11% e o consumo aumento 0,7%.
Multiplicando estas duas taxas de crescimento teríamos um aumento de imposto na ordem dos 12% para 1215M€.
O problema é que a execução orçamental de junho de 2016 diz que a receita fiscal em ISP foi de 1572M€, um desvio positivo de 357 M€.



E temos o tabaco.
O imposto sobre o tabaco aumentou cerca de 0,07€/maço (ver), cerca de 4,5% do imposto.
Não tenho aqui dados sobre a variação do consumo do tabaco mas acho improvável que tenha aumentado. Supondo que se manteve, sabendo que no primeiro semestre de 2015 a receita em IST foi de 425,4 M€, no 1T2016 deveria ser 445 M€ e foi de 650,4 M€.
De onde vem este desvio de 205 M€?


Digam-me Sr.s Esquerdistas de onde vêm estes 
560 milhões de euros de receita adicional de ISP e IST?
É que sem estes 560 M€, o défice do 1S2016 ficou nos 3,7% do PIB!
E mais gatagens existem por lá escondidas e que ninguém parece querer ver.

Rezem o terço e Deus talvez vos indiquem o caminho do crescimento e do emprego.

Maria Clara

Ser bombista suicida, a lógica do ilógico

Todos pensamos que ser bombista suicida é um ato de loucura.
Como pode uma pessoa no seu juízo perfeito, com a mente a trabalhar sem estar sob o efeito de drogas ou alucinado por uma promessa de 72 virgens no paraíso, transformar-se num bombista suicida?
Mais não pode ser que não praticado por um louco e num momento irrefletido.

Nada mais errado.
Para resolvermos este problema, e é o caso de Israel, apenas o conhecimento cientifico nos pode dar uma ajuda. Para isso, temos que começar pelas regularidades estatísticas.
1) Os atentados ocorrem em guerras onde há uma grande desproporção entre forças, sendo o suicida da parte mais fraca.
2) Os bombistas suicidas, BS, são jovens adultos masculinos.

A senhora reconhece o seu filhinho?

A desproporção das forças.
Na guerra, uma coisa certa é que algumas pessoas morrem. Por exemplo, na Segunda Guerra mundial, um em cada doze alemães morreu e na ex-URSS foi um em cada sete.

H1) Vamos supor que as partes A e B estão em conflito por um recurso ou por uma ideia e ainda que:

H2) A parte A é muito mais forte pelo que, se houver um ataque convencional com 1000 elementos de B, conseguem matar  100 elementos inimigos (da parte A) mas à custa de 500 baixas.

H3) Vou supor que se um elemento de B se fizer bombista suicida, consegue matar 10 elementos da parte A.

Vamos ao planeamento do atentado suicida.
Os 1000 elementos de B pensam assim:
"Sendo que pretendemos matar 100 inimigos, tanto 1000 de nós podem fazer um ataque convencional como podemos fazer 10 ataques suicida. Para o mesmo resultado, em qual das situações conseguimos atingir os objetivos com:
1- menor uso de recursos bélicos?
2 - menor probabilidade de cada um de nós morrer?"

Agora a questão matemática.
Se for feito um ataque convencional, a probabilidade individual de morte é de 500/1000 (e serão precisas armas fortes).
Se forem feitos 10 ataques suicidas, a probabilidade individual de morte é de 10/1000, calculada antes do sorteio (bastando uma bomba artesanal, um machado ou uma faca de talhante).

Temos que concluir que o racional é ...
Fazer um sorteio no qual se escolhem 10 pessoas (probabilidade de 1%) que se vão transformar em bombistas suicidas.
Depois, calhando na pessoa concreta (cuja probabilidade de morte passa a ser de 100%), tem que aguentar. Notar que alguns dos escolhidos desanimam, os israelitas têm números sobre isto mas que não divulgam pois, alguns deles, passam-se para o outro lado.

Porque será que os bombistas suicidas são jovens adultos?
Esta evidência vem de Israel e do Japão (WWII). Por esta regularidade é que os terroristas capturados são libertados quando atingem os 50 anos de idade.
Pela mesma razão, nas nossas forças militares existe uma idade máxima de candidatura (por exemplo, até aos 24 anos de idade no caso de praça da Marinha) e o contrato tem a duração máxima de 6 anos. E não pensem que é por causa da capacidade física pois, se fosse assim, faziam renovações condicionadas a testes físicos de aptidão.

Tem a ver com as hormonas.
Isto acontece com todos os mamíferos.
Imaginemos que toda a humanidade ainda é formada por pequenas aldeias espalhadas pelo sul da África. A probabilidade de uma aldeia desaparecer por causa de um ataque de elefantes ou pela seca é muito elevada pelo que a sobrevivência dos seus genes obriga a haver migração de alguns elementos entre aldeias mas não é fácil porque os leões podem comer a pessoa pelo caminho e o ambiente na outra aldeia é diferente.
A evolução das espécies fez com que essa missão ficasse confiada aos humanos masculinos jovens.
Quem controla se um humano é masculino jovem é o nível de testosterona.

O povo diz que ...
"A idade acaba por trazer o carro ao caminho."
Traduz isto que aqueles jovens rebeldes,que dão cabo da cabeça aos pais, acabam por tomar juizo com o tempo (porque as hormonas descem).

Um touro capado é dócil.
Uma das formas de domesticar os animais é capar os machos. 
Também se caparem um potencial terrorista suicida, ele deixará de o ser.

Estimado Reitor!
Bem sei que, por seremos engenheiros, temos dificuldades em compreender as palavras, mas, se fizeres um esforço, como eu costumo fazer, vais compreender que eu não estou a defender que os potenciais terroristas devam ser capados.
Também nunca defendi que se deveria afundar os barcos da pretalhada ou abate-los a tiro, apenas que, em termos científicos, para acabar com os afogamentos, tanto se podem mandar os aviões da TAP como ameaçar que vamos afundar os barcos (pode reler o texto aqui, Vamos resolver o problema dos afogamentos no Mediterraneo).
Agora, também só estou a dizer que, em termos científicos, capando uma pessoa ela perde a vontade de se tornar um bombista suicida, não que eu seja a favor disso.

Por falar dos aviões da TAP.
O que tem o Rui Moreira, o esquerdista do CDS, a dizer sobre a ponte Porto-Lisboa da TAP?
Disse tanto mal e agora está calado porquê?


Um abraço ecuménico e não se esqueçam de rezar o terço antes de deitar.

Maria Clara

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