quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O Santana Lopes é o nome certo para o PSD

Fiquei muito triste pelo "fim" do Passos Coelho. 
Podemos pensar que o PPC foi vítima de Sócrates, de ter sido obrigado durante os seus 4 anos, 22 semanas e 4 dias de governo a aguentar taxas de juro elevadíssimas e a um Memorando da Troika que não lhe deixou mais que não fosse cortar a torto e a direito mas, de facto, também foi beneficiado.
Se não fosse o Sócrates ter ganho em 2009 (tendo o PSD + CDS ficado com 102 deputados e as esquerdas com 128 deputados) e, depois da Ferreira Leite se ter demitido, haver a convicção por parte dos "Rui Rios" de que o próximo presidente do PSD seria para queimar até 2015 (como o Costa fez com o Seguro), nunca o PPC teria chegado a presidente do PSD/PPD a 9 de Abril de 2010.
Por isso, quando o Sócrates se demite, era primeiro ministro com dificuldades ou nunca o ter sido.
Agora isso tudo é passado.

Vamos aos ciclos económicos.
Os ciclos políticos estão intimamente ligados à evolução da economia. Pegando em dados dos USA para o desemprego, considerando que a crise começa no ano em que a taxa de desemprego é mínima o ciclo económico dura em média 7,6 anos, com um máximo de 11 anos e um mínimo de 4 anos (ver Fig. 1).

Evolução da taxa de desemprego nos USA (dados, Banco Mundial)

Acontece ainda que o ciclo económico em Portugal tem um atraso de um ou 2 anos relativamente aos USA.

Quando será a próxima crise?
Ninguém sabe e não indica que possa acontecer, o que é normal.
Pessoalmente não acredito que surja uma nova crise nos próximos 2 anos mas eu não sei nada de economia.
O que se pode dizer é que, desde a última crise (que começou em 2008), já decorreram 9 anos e que a taxa de desemprego americana já está próxima dos valores pré-crises. Então, estatisticamente, os agentes económicos começam a ter um nervoso miudinho de que, a qualquer altura, alguma coisa pode rebentar.
Será que a independência da Catalunha vai despoletar a futura crise?
Será um ataque da Coreia do Norte?
Não sei. 
Só sei que, se rebentar até meados de 2018, ainda é possível que o Costa caia em desgraça antes das legislativas de 2019.
Se até meados de 2018 não surgir nova crise económica, o Costa vai sair vencedor nas legislativas de 2019 e o PSD vai ter piores resultados que teve em 2015.

Será que alguém quer ser grelhado?
Qualquer que seja o "Rui Rio" eleito agora presidentes do PSD/PPD, vai apanhar em 2019 um resultado pior que o de Passos Coelho teve em 2015.
E esse "Rui Rio" não se vai aguentar nas canetas contra esse resultado.
Se for o Santana Lopes,  um senhor que terá 63 anos, a apanhar com a derrota, tem estofo para aguentar.
(Eu tinha-me enganado no cáculo da idade!)
Demite-se, dá lugar a outro e vai à sua vidinha.

O que deveriam fazer os "Rui Rios"?
Pedir a Deus e ao Passos Coelho para que se recandidate e aguente ele com as legislativas de 2019.
Fazer o que estão a fazer os "amigos" do Jerónimo de Sousa: "Camarada, continua para, em 2019, te fazermos um funeral de estado"
Dizer o Costa que o PCP, com o nome de CDU, não teve uma derrota eleitoral quando nas autárquicas de 2017 reduziu em 11,5% o número de votos em comparação com 2017, só pode estar a querer que o Jerónimo lá continue de vitória em vitória até ao desaparecimento total.
Quando se for embora, o Costa vai deixar algo importante, o ter acabado com o PCP.

Boodbye PCP e Jerónimo que não deixas saudades.



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Qual a vantagem de a Catalunha ser independente?

No dia 1 de Outubro tivemos as Autárquicas. 
Os bota abaixo da direita (Ferreira Leite, Marques Mendes, Pacheco Pereira) falaram de um terramoto eleitoral para o Passos Coelho mas, de facto, a "direita", PSD + CDS teve apenas uma pequena derrota. 
Se em 2013 teve 111 presidentes da câmara, teve agora 109.
Se em 2013 teve 35% dos votos, teve agora 34% dos votos.
Não foi bom mas não se pode chamar um terramoto.

O PCP é que está a caminho de desaparecer.
Inteligência é aprender com os erros dos outros pelo que o Jerónimo de Sousa e mais quem o segura lá não são inteligentes pois não observaram o que aconteceu ao PC francês quando se meteram a apoiar um governo socialista.
O PCP vivia da promessa da construção da utopia, da sociedade igualitária, da democracia directa e, ao meter-se a apoiar um governo, acaba com esse sonho.
Se o Jerónimo quer garantir a sobrevivência do PCP só tem um caminho.

Primeira fase) Meter como condição para viabilizar o Orçamento de 2018 a reversão do Código do Trabalho para repor as conquistas de Abril e a "renegociação da dívida". O PS vai dizer que não e o PC manda a geringonça abaixo.
Claro que vão dizer que, havendo agora eleições legislativas o PCP vai levar uma tareia mas quanto mais esperar, pior será. então, passamos à

Segunda fase) Dizendo que "O PS é tão de direita como o PSD + CDS e esteve este tempo todo a enganar-nos" e que "O país não aguenta agora novas eleições", tentam ganhar tempo dizendo que "Vamos viabilizar a reposição do governo PSD+CDS durante 2 anos."

Bem sei que isto não vai acontecer.
Porque se viesse a acontecer, nunca o PCP teria viabilizado a geringonça, como eu em muitos posts disse ao Camarada Jerónimo. 

A Cristas herdou o pensamento do Cunhal.
A ideia do CDS avançar em Lisboa foi um erro.
Nunca jamais um candidato do PSD ou CDS, fosse ele quem fosse, mesmo que fosse o Marcelo, o Rui Rio ou a Ferreira Leite, ganharia. Por isso, a Cristas avançar foi um terrivel erro.
Desse erro resultou uma vitória do PS.
Vir chamar a isso vitória, faz mesmo recordar a escola do Alvaro Cunhal em que encontrava sempre algo para poder anunciar "O Partido Comunista Português teve uma estrondosa vitória"


Também houve o "referendo" na Catalunha.
Não vou discutir se houve ou não houve, se a maioria quer ou não quer a independência.
O que vou discutir é o que a Catalunha (o Algarve ou o Minho) tem a ganhar em ser independente.
Será que vai fazer legislação criminal ou cívil diferente da que existe?
Será que as regras das reformas e aposentações vão ser diferentes?
Será que vai poder gastar quanto quer e deixar de pagar a dívida pública?
Será que vai deixar de ser solidária com as regiões mais pobres da UE?
Será que vai emitir passaportes e cartões de cidadão mais bonitos?
Será que vai fechar as fronteiras com Espanha para não entrarem "emigrantes" nem mercadorias da UE?
Será que vai ter Banco Central e moeda própria?
Será que vai ter embaixadas e consulados?
Será que vai ter 2 lugares na Liga dos Campeões?
Será que vai comprar água e electricidade a Espanha? E a que preço?

Não percebo que ganhos pode ter uma pequena região dentro da Zona Euro de se dizer independente.

Mas é bom para Portugal.
Qualquer confusão em destinos turísticos nossos concorrentes é uma boa notícia para o nosso turismo.
A confusão na Tunísia foi uma maravilha, no Egipto, uma bênção de Deus, na Turquia um presente do Arcanjo Gabriel e, agora, confusão na Catalunha, será a cereja no cimo do bolo.


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As sondagens no Porto dão a vitoria a ...

Como sabem, saíram 3 sondagens sobre o Porto. 
Estas 3 sondagens dão muita proximidade entre o Rui Moreira e o PS com o PSD num miserável resultado.
O Rui Moreira ficou um pouco zangado (mas, veremos, não tem razões para isso) e o Álvaro Almeida um pouco triste, deve-se estar a lembrar dos 5-0 do Benfica contra o Basileia :-(.
Como é meu hábito vou pegar nas 3 sondagens, fazer umas contas e apresentar as minhas previsões para os resultados finais.
Eu já expliquei a metodologia num post (penso que há uns 2 anos, aquando das legislativas 2015) mas que não sei onde está, Se, no entretanto, o encontrar, meto-o aqui.
Com a informação disponível (não encontrei as fichas técnicas mas, provavelmente, se procurasse mais teria encontrado), as sondagens de base que vou usar são as seguintes.

Católica Antena1/Rtp CM/Aximage
RM 34,0% 34,0% 39,9%
PS 33,0% 34,0% 20,8%
PSD 13,0% 9,0% 13,0%
CDU 8,0% 8,0% 8,9%
BE 6,0% 7,0% 5,3%
N 1239 1100 900

Assumindo que 25% respondeu que não sabia ou não vai votar, obtive a mega-sondagem seguinte

RM 26,73%
PS 22,46%
PSD 8,73%
CDU 6,19%
BE 4,61%
Não sabe 31,28%
N 3239

Com esta mega-sondagem fiz um bootstrapping no R e obtive a seguinte distribuição de mandatos com a respectiva probabilidade (a bold, o mais provável):
Rui Moreira =>    4 (0,0%)      5 (53,9%)      6 (46,1%)
PS =>                  4 (43,8%)    5 (56,2%)      6 (0,0%)
PSD =>               0(0,0%)       1 (67,4%)      2 (32,6%)
CDU =>              0(0,0%)       1 (100%)       2 (0,0%)
BE =>                  0 (34,9%)    1 (65,1%)      2 (0,0%)

Ainda avaliei mais duas coisas
Probabilidade do Rui Moreira ganhar => 99,96%
Probabilidade do PS ganhar => 0,04%

Probabilidade de Rui Moreira mais PSD fazerem maioria
Rui Moreira + PSD =>    6 (28,7%)      7 (63,9%)      8 (7,4%)
                                        7 ou 8 (63,9% + 7,4% = 71,3%)

Acrescentei a sondagem da Eurosonadagens.
Acrescentei a sondagem da Eurosondagem na qual o Rui Moreira tem 40,8% de intensões de votos e recalculei a minha mega-sondagem

Catolica Antena1/Rtp CM/Axiomage Eurosondagens Perc total
RM 34,0% 34,0% 39,9% 40,8% 27,2%
PS 33,0% 34,0% 20,8% 30,8% 22,3%
PSD 13,0% 9,0% 13,0% 11,0% 8,5%
CDU 8,0% 8,0% 8,9% 6,9% 5,9%
BE 6,0% 7,0% 5,3% 5,4% 4,5%
N 1239 1100 900 836
NS/NR 25,0% 25,0% 25,0% 29,2% 31,6%

Depois, re-estimei os resultados que vieram sensivelmente iguais.
O Rui Moreira sobe aumenta a probabilidade de ter 6 vereadores (de 46% para 74%),
O PSD diminui a probabilidade de ter 2 vereadores (de 33% para 20%)
O BE diminui a probabilidade de ter 1 vereador (de 65% para 50%)
A probabilidade de RM+PSD terem maioria absoluta aumenta (de 71,3% para para 83,9%)

Rui Moreira =>    4 (0,0%)      5 (53,9%)      6 (46,1%)
4 sondagens         4 (0,0%)      5 (26,3%)      6 (73,7%)  Sobe

PS =>                  4 (43,8%)    5 (56,2%)      6 (0,0%)
4 sondagens         4 (43,4%)    5 (56,6%)      6 (0,0%)   Mantem

PSD =>               0(0,0%)       1 (67,4%)      2 (32,6%)
4 sondagens         0(0,0%)       1 (79,9%)      2 (20,1%)  Desce

CDU =>              0(0,0%)       1 (100%)       2 (0,0%)
4 sondagens         0(0,0%)       1 (100%)       2 (0,0%)   Mantem

BE =>                  0 (34,9%)    1 (65,1%)      2 (0,0%)
4 sondagens          0 (50,4%)    1 (49,6%)      2 (0,0%)  Desce


Probabilidade de Rui Moreira mais PSD fazerem maioria
Rui Moreira + PSD =>    6 (28,7%)      7 (63,9%)      8 (7,4%)     7 ou 8(71,3%)
4 sondagens                     6 (16,1%)      7 (74,0%)      8 (9,9%)     7 ou 8(83,9%)


Tabela de probabilidades combinadas, 4 sondagens (a bold, o caso mais provável)

                 PSD
             1             2
M   5   16,1%    10,2%
      6    63,8%    9,9%

Resultados efectivos.
No dia 1 de Outubro houve as eleições e as sondagens acertaram na vitória do Rui Moreira, os mandatos do PSD, CDU e BE foram o cenário mais provável.
Falharam dando mais ao PS e menos ao Rui Moreira do que se concretizou.

Rui Moreira =>    44,46% = 7 mandatos Significativamente acima das sondagens
PS =>                  28,55% = 4 mandatos   Dentro das sondagens, cenário menos provável
PSD =>               10,39% = 1 mandato  Dentro das sondagens, cenário mais provável
CDU =>              5,89 = 1 mandato   Dentro das sondagens, cenário mais provável
BE =>                  5,34  = 0 mandatos Dentro das sondagens, cenário mais provável

Rui Moreira + PSD =>    54,85 = 8 mandatos Dentro das sondagens, cenário menos provável



#Código R usado nos cálculos que pode ser usado e adaptado por quem quiser
Iter=100000

M<-rep(0,Iter)
PS<-rep(0,Iter)
PSD<-rep(0,Iter)
CDU<-rep(0,Iter)
BE<-rep(0,Iter)
vit<-rep(0,Iter)
M.PSD<-rep(0,Iter)

for (j in 1:Iter)
{
  d<-rep(1,5)
  C<-rep(0,5)
  #Amostra
  dados<- sample(1:6,3239, replace = TRUE, prob = c(26.73,22.46,8.73,6.19,4.61,31.3)/100)
#Com as 4 sondagens fica
#dados<- sample(1:6,4075, replace = TRUE, prob = c(27.17,22.33,8.54,5.92,4.45,31.59)/100)

  for (i in 1:5)
      C[i] <- length(dados[dados==i])/3239
#Com as 4 sondagens fica
#       C[i] <- length(dados[dados==i])/4075

  #Ver quem ganha
  if(C[1] > C[2])
    vit[j]=1
  else
    vit[j]=2
  #distribuição de deputados
  for (i in 1:13)
    {d[which.max(C/d)] = d[which.max(C/d)]+1
    }

  M[j]<-d[1]-1
  PS[j]<-d[2]-1
  PSD[j]<-d[3]-1
  CDU[j]<-d[4]-1
  BE[j]<-d[5]-1
}

#Estatísticas
table(M)/Iter
table(PS)/Iter
table(PSD)/Iter
table(CDU)/Iter
table(BE)/Iter
table(vit)/Iter
M.PSD <- M+PSD
table(M.PSD)/Iter



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Selminho zero, Câmara zero

Vamos a um bocadinho de história.
Nos princípios do Séc. XX, a escarpa da Arrábida era muito distante do Porto e, por ser muito inclinada, não tinha qualquer interesse económico. Além do mais, não havia a marginal que agora passa junto ao Rio Douro.
Na década de 1940 começou a pensar-se fazer uma nova ponte sobre o Douro (nesse tempo, para automóveis só havia a Ponte Luís I) e em Março de 1952 a Junta Autónoma das Estradas adjudicou ao Prof. Edgar Cardoso um ante-projecto para se fazer uma nova ponte sobre o Rio Douro ligando Gaia e o Porto. 

O Público diz que a CMP expropriou em 1949 um terreno com 2400m2 a Manuel Ferreira Pacheco para a implantação da ponte do lado Norte mas, no site da CMP não encontro referências a essa expropriação. Encontro referências a outra expropriação realizada em 1875 na "pedreira da Arrábida a José Carneiro Quaresma, António Pinto dos Reis e mulher, para conservação da nascente de água que alimenta uma fonte pública ali existente e para se fazerem lavadouros públicos" (Documento/Processo, 1875/12/02 – 1876/01/13).
Seja como for, os terrenos da escarpa da Arrábida foram expropriados seja para o encosto da Ponte da Arrábida seja para proteger uma fonte e construir uns tanques de lavar roupa.

Os terrenos não foram utilizados.
A ponte só precisou de uns 500m2 de terreno e, com a vinda das canalizações, a fonte da Arrábida acabou e os tanques foram destruidos. Assim, a CMP deixou de ocupar os terrenos expropriados para o fim que os tinha expropriado.
Como a escarpa não tinha valor económico, ninguém se interessou por tal abandono.

Alguém começou a utilizar os terrenos.
Em data não referida, Álvaro Nunes Pereira, figura verdadeira ou mitológica, ocupou os terrenos e passou a considera-los como seus.
Notar que os terrenos expropriados para a Ponte estão sem ocupação desde Junho de 1963, data da abertura ao trânsito e os terrenos expropriados para a fonte e para os tanques, talvez há muitos mais anos, não faço a mais pequena ideia.
Com certeza, em data que desconheço, Maria Irene Pereira Ferreira e João Baptista Ferreira ocuparam os terrenos e declararam numa escritura de usucapião que o fazem desde 1970. Esta data pode não ser verdadeira (direi mesmo que não o é) e serve apenas para à data da escritura terem 30 anos de posse pacífica.

Passados 2 meses, a Selminho comprou os terrenos.
Isto indicia que a escritura de usucapião foi "aconselhada" pela Selminho.
Disse-me o Marques Mendes que, depois de em 2000 ter sido levantada a hipótese de haver construção nesses terrenos (no mandato do Rui Rio, amigo do Rui Moreira), os da Selminho começaram a dar umas voltas pela escarpa e encontraram lá uns desgraçados, a Maria Irene e o João, a quem lhes propuseram comprar os terrenos por tuta e meia. Depois, trataram de tudo.

Olhem o facto interessante.
Se a Selminho comprou e pagou uns terrenos pelo preço justo e se esses terrenos não pertenciam aos declarados vendedores, a Selminho só tem que indignar-se contra os vendedores e pedir a devolução do preço pago.
Mas não, a Selminho não pediu nada aos alegadamente falsos vendedores.
Isso quer dizer que o preço paga foi uns tostões.
Alguém me sabe dizer quanto a Selminho pagou pelos terrenos da escarpa da Arrábida?

Agora, quem será o dono dos terrenos?
São os herdeiros dos Manuel Ferreira Pacheco, José Carneiro QuaresmaAntónio Pinto dos Reis e mulher.
Como a expropriação foi feita compulsivamente por uns tostões porque se destinava a determinado uso de interesse público e esse uso não se efectivou (no caso da Ponte) ou deixou de se fazer (no caso da fonte e dos tanques) e, agora, o expropriante quer dar outro uso aos terrenos (construção), em termos legais e morais a propriedade dos terrenos tem que reverter para os herdeiros dos expropriados.
A Câmara Municipal do Porto, presidida por alguém que se diz defensor da propriedade privada, tem que procurar saber quem são os herdeiros e devolver-lhe os terrenos exigindo apenas o pagamento do valor da expropriação actualizada ao presente e descontado o valor do uso que, entretanto, lhe deu.
Recordo que, no tempo do Salazar, as pessoas não tinham meios para se defenderem do Estado.
Alguém me sabe dizer o preço pelo qual os terrenos foram expropriados?  

A Casa do Medina.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa comprou um andar por 650000€ e, anteriormente, os sogros tinham comprado o andar em frente pelos mesmos 650000€.
A questão não é se o preço é alto ou baixo, se a coisa foi adjudicada à Teixeira Duarte ou não.
A questão que coloco é:
Alguém me sabe dizer onde os sogros do Medina foram buscar os 650000€?
Alguém me sabe dizer onde o Medina foi buscar os 650000€?

Agora, vou acabar de fazer a minha sopa.
Tem cenoura (que vou triturar), couve lombarda, cebola, um pouco de óleo de milho e sal e está na minha panela de pressão que ouço daqui.
Vou desligar o fogão para perder a pressão antes da hora do almoço.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Os Rohingya entre o racismo e o nacionalismo

O racismo e a xenofobia é a arma dos esquerdistas.
Quando alguém diz alguma coisa que os esquerdistas não gostam, a armam para o destruir é a acusação de racismo e xenofobia, é-lhe metido na cabeça o carimbo RX.
As mentes fracas, que é a maioria do nosso país, com o título de que são anti-RX, tornam-se elas xenófobas pois excluem do seu convívio, emprego ou mesmo negócio todas as pessoas a que os esquerdistas meteram o carimbo RX na testa.
 
 
Infelizmente, no caso do André Ventura, o CDS-PP enfiou o barrete e a "candidata" a Lisboa foi na boleia sem tomarem consciência de que estavam a ser usados numa estratégia vil de que eu também fui e sou vítima.
 
O que será o racismo e a xenofobia?
É eu pensar que uma pessoa é inferior a mim apenas por pertencer a um grupo étnico ou cultural diferente do meu (ou ser mulher, panasca, bissexual, judeu, islâmico, ou outra cosia qualquer diferente do que eu sou).
Mas uma coisa é o que cada um de nós pensa, e desde que acabou a inquisição e a União Soviética que os crimes de pensamento deixaram de existir (pelo menos em teoria) e outra coisa são os actos que cada um de nós pratica.
Eu posso pensar que os ciganos são todos uns porcos mas, uma vez no mercado, se um cigano me tentar vender uma camisa por 1€ igual a outra camisa que um "branco" que tenta vender por 1,05€, eu compro a camisa ao cigano.
Uma coisa é o que eu penso, outra coisa é um descriminar negativamente alguém pelo simples facto de pertencer a um grupo que eu não gosto.
 
Já agora.
Eu acho que os islâmicos são potencialmente terroristas e um perigo para a segurança dos europeus.
Mas, estranhamente, a minha empregada domestica, a Madina, islâmica, balkar de Kabardino-Balkaria, ela e toda a sua família (que não conheço).
e tem a chave da minha casa! Pode lá entrar com o "terrorista" do marido e explodir-me a casa.
Mas se acho que, no colectivo, os islâmicos são um perigo, em termos pessoas, acho-a uma santa, incapaz de matar uma mosca.
E também o meu amigo do Judo que é da "cabeça da serpente" (isto é, é iraniano) também é um santo que até me convidou para o casamento.

Qual é a fronteira entre o Racismo e o Nacionalismo?
A portaria que regula a descolonização diz que as pessoas que viviam em Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau são cidadãos português se um dos avós tiver nascido na Europa.
A ideia do "ter nascido na Europa" foi uma forma de ultrapassar a clivagem branco/preto.
Interessante que um dos meus companheiros de praia conheceu em Moçambique uma mulata filha de um grego a quem foi dada a cidadania portuguesa! E também um aluno que tinha, retinto da Guiné-Bissau, porque nasceu nos Açores antes do 25 de Abril, era português.
É uma realidade que existem os países e estes, à luz do direito internacional, têm total liberdade para escolher os critérios definidores de "cidadão nacional". Alguns favorecem o nascimento (é cidadão todo o que tiver nascido no território) enquanto que outros favorecem a ascendência (apenas é cidadão aquele cujos pais sejam cidadãos).
 
Vamos à Birmânia.
Muitos países têm na sua origem um grupo étnico-linguístico-religioso.
A França é dos falantes de francês, a Alemanha dos falantes de alemão e Portugal dos falantes de português.
No caso da Birmânia, agora chama-se Myanmar, é a fronteira da expansão dos indianos (bengalis) e do islão para Leste. Assim, tem de Ocidente o Bangladesh que é islâmico e bengali, e de Leste a Tailândia, o Laos  e a China (budista/xintoista).
No meio de 51 milhões de pessoas, pouco mais de 2 milhões são islâmicas, pessoas que migraram de ocidente para oriente ao longo dos séculos e de que fazem parte os Rohingyas.
Bem sei que já lá estão há muitos anos, mas não são originariamente dali.
 
Interessante notar que ...
foram os portugueses que levaram os Rohingias para ali, no Sec. XVII, vendidos como escravos.
Quem diria que a raiz daquele problema fomos nós?
Se fomos nós que criamos esse problema, o governo dos esquerdistas tem a obrigação moral de os trazer para cá! Penso que seriam óptimos no combate aos incêndios.
 
Quando houve a independencia da birmânia!
Se calhar, os territórios onde a maioria da população era islâmica/bengali talvez devesse ficar a pertencer ao Paquistão Oriental (actual Bangladesh) mas, por questões de pertença histórica, manteve-se na Birmânia que, agora, não os quer como seus cidadãos.
 
Problemas de nacionalismos.
Um problema como tantos que existem por esse mundio fora. 
Desde a invasão da Krimeia e Leste da Ucrânia pela Rússia, à guerra da China por ilhas perdidas no meio do nada ou o referendo da Catalunha, são tudo problemas de racismo e Xenofobia ou serão apenas nacionalismos?
Será que Israel dizer que é seu cidadão quem for filho de mãe judia independentemente do local de nascimento é racismo ou a pura definição do Estado de Israel como a pátria dos judeus?
 
É sempre difícil traçar a fronteira entre o que é perna e o que já é sapo
 
A culpa de Tancos foi do Passos Coelho.
O roubo do material militar de tancos nunca existiu, foi uma forma de o Passos Coelho dizer que comprou material de guerra sem o ter comprado e, desta forma, ter cortado um pouco mais sem que ninguém tenha visto.
E o corte na cerca não passou de uma forma das "guerreiras da vida" (masi conhecidas por putas) poderem entrar sem o ser pela porta da frente onde teriam que bater a pala aos comandantes.
Quanta empresa diz que compra materias primas e que depois, numa ssalto, inudação ou incêndio diz destruido para reduzir aos lucros?
E coitadinho da Geringonça que foi acusada de ter culpas no cartório quando estão completamente inocentes.
E os incêndios ou mortos de Pedrogão Grande também não aconteceram agora, foram terras queimasdas mortos que já estavam queimadas e mortos há muito ano mas que o Passos Coelho empurrou para a frente apenas para prejudicar o país de maravilha criado pelo Costa.
Por redução ao absurdo, vivemos uns tempos de absurdo.

Desejos de bom regresso ao trabalho e, quando alguma coisa lhe correr mal, diga isto mesmo ao patrão: "aparentemente, dei um empurrão ao computador ele avariou  mas, por redução ao absurdo, nunca avariou. De facto foi feito e comprado já avariado".
Pensem um pouco no vestido que antes de ser vestido já era vestido ou na pescada...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

William Carvalho e A Selva

Há muito que queria ler A Selva. 
Quando andava no secundário, havia Os Emigrantes que era de leitura obrigatória (mas que eu não li!) e A Selva, publicado em 1930, de leitura aconselhável (que também não li!).
Bem, recordando esses tempos, não li nenhum dos livros obrigatórios. Se calhar, eu não era um aluno exemplar :-)
Neste mês de Agosto, a Ucraniana mandou-me um dos contos do Tchekov (O Homem na Caixa). Depois, movido pela curiosidade,  estive a ler A Estepe, publicado em 1888, que descreve uma viagem que o autor fez através da parte ocidental da Ucrânia (a que agora está em guerra). Há um relato da paisagem, a estepe, e de como as pessoas viviam lá, incluindo a miséria, a sexualidade e os judeus.
A Selva, 1930, é quase uma adaptação d'A Estepe não faltando a referencia à miséria, à sexualidade e mesmo aos judeus que eram uma ínfima minoria no Brasil (em comparação com a Ucrânia).
Talvez por essas semelhanças e por A Selva ter sido publicada 42 anos depois de A Estepe é que Tchekov é um dos grandes vultos da história da humanidade enquanto que Ferreira de Castro é "apenas" uma referência de trazer por casa.

Mas vamos à Economia d'A Selva.
Primeiro, os fundamentais.
1) Há homens no Maranhão e no Seará disponíveis para trabalhar.
2) Há fazendas de borracha na Amazónia que precisam de trabalhadores.
3) Um dia de trabalho produz mais riqueza na Amazónia (a recolher borracha) do que no Seará (na agricultura convencional). 

Estamos então em presença de um problema de afetação de recursos em que um recurso é "não transaccionavel" (a terra não pode mudar de sítio) e um recurso que é transaccionável (o trabalho pode mover-se).
Este problema seria instantaneamente resolvido se não houvesse "custos de transacção" (a viagem de 3000km).

N'A Selva, o contrato de trabalho incluia um empréstimo inicial.
O trabalhador começa por receber um empréstimo sem prestar garantias para ajudar a família a sobreviver e para a viagem. Este crédito é na ordem dos 2000$00.
Nos "tempos bons", este crédito corresponderia à facturação de 100 dias de trabalho (5 kg/dia de borracha a 4$00/kg). Nesses tempos, mesmo descontando a alimentação que era mais cara que o normal, ao fim de um ano a dívida estaria amortizada e, depois, era tempo de juntar para levar um pecúlio para arranjar mulher e criar filhos.
Mas, nos entretantos, os tempos pioraram. Ferreira de Castro aborda a questão da concorrência da Malásia mas tanbém quer dizer que a pobreza é motivada pela ganância dos patrões.

O problema foi a inovação tecnológica.
As fazendas brasileiras de borracha, onde o avô da minha mãe também trabalhou para, depois, se estabelecer como comerciante em Manaus, funcionaram muito bem até ter havido uma inovação tecnológica na Ásia!
Pelo lado da procura, estava tudo bem, a borracha era usada para fazer pneus (para bicicletas, carros e camiões) cuja produção estava em grande crescimento principalmente durante a Grande Guerra, 1914-1918.
O problema é a procura ter criado inovação tecnológica por parte dos ingleses. Não fossem eles os pais da Revolução Industrial.
E Ferreira de Castro fala da concorrência dos ingleses sem dar conta que essa concorrência apenas existe porque ocorreu uma industrialização do processo.

A tecnologia na Amazónia.
A planta produtora da borracha, a Hevea brasiliensis* Ficus elastica, faz parte da floresta tropical brasileira.
Sendo nativa, no Brasil a tecnologia era recolectora:
Partindo de um ponto à beira de um rio, desbravava-se um caminho pela mata dentro procurando encontrar  árvores da borracha. Este caminho era difícil de iniciar e precisava de constante manutenção.
Como a floresta era impenetrável e ainda não havia drones, não havia possibilidade de escolher previamente o percurso pelo que encontrar mais ou menos árvores era um processo de sorte e azar. Assim, uns caminhos acabavam por ser mais produtivos e outros menos.
O caminho dava uma volta voltando ao ponto inicial e deveria ter uma extensão que permitisse  ser percorrido de manhã (para colocar os copos) e novamente à tarde (para recolher os copos cheios). Em média, um caminho tinha cerca de 10 km com 20 ou 30 árvores produtoras, espaçadas entre si uns 500m.
Dada a pouca densidade das árvores produtoras e a dificuldade do percurso, mais de 80% do tempo de trabalho do trabalhador era perdido. Além disso, o período da cheia impossibilitava o trabalho durante grande parte do ano.

A árvore da borracha é vulgar nos nossos jardins

* A Hevea brasiliensis é nativa do Brasil e conhecida por "árvore da borracha do Pará". A árvore que temos nos nossos jardins e casas é a Ficus elastica e conhecida por "árvore da borracha indiana". 
Esta nota deveu-se à chamada de atenção do Pedro Alves que agradeço.
Acrescento que a árvore do Pará é mais produtiva pelo que é a planta usada nas plantações. 
Actualmente, a borracha natural, num total de 12700kt/ano é produzida na Tailandia (4380t/ano), Indonésia (3230t/ano), Vietname (1120kt/ano), China (820kt/ano), Índia (750 kt/ano) e  Malásia (700kt/ano) e praticamente nada no Brasil ( 200kt/ano). A produtividade é na ordem dos 1150kg/ha e o preço na ordem dos 1,20€/kg (ver fonte).

Qual foi a inovação tecnológica?
Os ingleses pegaram em plantas recolhidas na Amazónia e fizeram plantações na Malásia.
Primeiro, desmataram a floresta e, depois, plantaram a Ficus elastica numa malha regular 3 x 10 metros. Na plantação, a densidade das árvores é 1000 vezes maior pelo que podem ser escolhidos os melhores terrenos (livres de inundação e mais próximos do alojamento) e o trabalhador não perde tempo a caminhar nem a desmatar o caminho. Desta forma, num dia de trabalho um malaio produzia 10 vezes mais do que produzia um trabalhador brasileiro e com menos esforço físico.
Se um brasileiro produzia 5 kg de borracha por dia, um malaio produzia 50kg.

Na Malásia, a plantação permitia muito maior produtividade

O problema não estava na exploração do trabalhador.
Estava na concorrencia que a industrialização colocou aos produtores tecnologicamente atrasados.
Interessant Ferreira de Castro nunca ter colocado a questão "Como conseguem os malaios produzir a preços tão baixos?"
O problema das fazendas brasileiras estava na elevada produtividade das plantações concorrentes, com uma diferença de 10 para 1,o que induziu quedas nos preços de tal ordem que as fazendas brasileiras ficaram inviáveis e isto mesmo que o searense trabalhasse apenas para não morrer de fome.
Tanto era evidente que o negócio da borracha como era feito estava condenado que Ferreira de Castro colocou como últimas palavras do patrão antes de ser assassinado "não estou para meter aqui o dinheiro que ganho na criação de bois."

Vamos ao William Carvalho.
No caso de um futebolista, o contrato de trabalho também tem um crédito inicial.
O William quando era gaiato, tal como milhares de crianças portugueses, queria ser um novo "ronaldo" mas, para isso, tinha que ter um bom treinador e jogar numa equipa de futebol e que fosse competitiva.
Estranhamente, mesmo com o melhor treinador do mundo, um jogador não evolui sem "jogo nas pernas" e num ambiente competitivo.
O problema é que uma equipa só pode jogar com 11 e não se podem meter todos os "jovens promessas"  a jogar porque isso iria custar derrotas. Então, cada equipa só pode tentar alguns o que traduz um Custo de Oportunidade.

Vejamos o contrato da "jovem promessa"
O jovem promessa, sem formação nem jogo nas canetas, vale 600€/mês a jogar no Fanhões de Baixo.
Mas, com o devido apoio, pode vir a valer milhões.
Então, o Sporting, antes de lhe dar a formação ao potencial craque, faz um contrato de longo prazo.
Supondo que o jogador tem 12 anos e que vale hoje, num horizonte temporal até aos 35 anos, uma média de  600€/mês. Então, o valor actual do jogador será de 75000€ (taxa de juro de 3%/ano)
   VA = 600*14 / 3%*(1-(1+3%)^-23)
Vamos supor que, por causa da concorrência, o sporting oferece um contrato até aos 35 anos de 1000€/mês, o que traduz um investimento acima do seu valor actual de mercado de 50000€.
A estes 50000€ acrescem as despesas de formação e o custo de oportunidade.

O Jogador joga muito.
Vamos supor que, chegado aos 22 anos, o jogador continua com os 1000€/mês mas que agora um clube estrangeiro está disponível a pagar 350 mil€/mês (até fazer 35 anos). Como o jogador tem um contrato de 1000€/mês com o Sporting então, pode ser trespassado por 43,5 milhões €.
Isto porque para o clube estrangeiro tanto dá pagar 350 mil€/mês como dar 43,5 milhões€ pela transferência ao Sporting e pagar 1000€/mês ao William.

O problema é que o jogador não vai querer jogar a ganhar 1000€/mês!
Existem estudos que dizem que o ser humano é invejoso.
Numa divisão, em que A determina a proporção e B aceita ou recusa, caso em que ambos perdem tudo, quando Adá a B menos de 30%, é quase certo que B vai recusar perdendo ambos tudo. Se A proposer 50%, é quase certo que B aceita.
Neste caso, se o William receber pelo menos 120 mil€/mês, quase com certeza que vai recusar, deixando de jogar.
Se a 1000€/mês o jogador vale 43,5 milhões€, a 120 mil€/mês desvaloriza para 28,5 milhões€.

Qual é o poder negocial do William?
O único poder é a greve de zelo, pura e simplesmente, recusar a transferência e deixar de jogar.
Como ganha o mesmo, e este é o problema da "economia igualitária socialista" defendida pelo esquerdistas, não se esforça.

O problema n'A Selva acabou por ser a falta de incentivos.
E é referido pelo autor.
Como o trabalhador nunca mais se libertava da dívida, pura e simplesmente, deixava de trabalhar. Só fazia o mínimo para não morrer de fome e ter direito a uma bebedeira de vez em quando.
Má tecnologia e errados contratos de trabalho levaram as fazendas de borracha à falência.

Como deveria ser o contrato de trabalho do seringueiro?
Além de dever informação que permitisse calcular o salário, devia haver uma partilha do resultado extraordinário do esforço do trabalhador de, pelo menos, 30%.
Assim, primeiro, deveria ser dito o rendimento esperado do trabalhador:

A) Em média, um seringueiro consegue recolher 1000kg/ano de borracha que é paga a metade da cotação de Belém que é actualmente de 5$00/kg.
B) Em média, os mantimentos para um ano custam 3000$00.

Depois, deveria ser dado um incentivo extra:

C) Metade de tudo o que conseguires produzir acima dos 1000kg, vai directo para a tua conta-poupança

Finalmente, uma claúsula de salvaguarda para partilhar o risco:

D) Se, por alguma razão, ao fim de 5 anos não conseguires saldar a dívida, esta será perdoada e ficas com o saldo da conta-poupança e ainda 10% de tudo o que facturaste.

É o salário por objectivos.
Em vez do contrato do jovem jogador ser 1000€/mês terá que ter ainda objectivos:
A) 1000€ por cada jogo realizado na equipa principal
B) 5000€ por cada golo marcado.
C) Uma claúsula de rescisão razoável.

Já me faz lembrar o André Carrillo.
Pressionaram o jogador, castigaram-no, proibiram-no de treinar e, no fim, pagaram um ano de salários, ele não jogou e receberam um monte de nada.
E o jogador também nunca mais se encontrou (porque o Benfica não tinha espaço para o meter).
Só espero que o Sporting tenha aprendido alguma coisa mas parece que não.

Se o Carrillo não tem sorte no jogo, tem sorte na mulher

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A economia dos hosteis

Os pobres tinham os albergues. 
No antigamente, o turismo eram peregrinações em romaria a lugares santos, fosse Santiago de Compostela, Bom Jesus de Braga, Fátima ou mesmo Roma e Terra Santa, para pagar promessas de milagres já recebidos ou a pedir proteção e coisas impossíveis aos santos.
Etimologicamente, peregrino é "aquele que vem do estrangeiro" e romaria "é um grupo de romanos em viagem à Terra Santa".
Fosse um "Valha-me Deus" ou um "Nossa Senhora me salve"  dito numa hora de aflição ou um "Milagroso Santo António desencrava a minha filha" e já estava criada a obrigação de fazer a viagem.
Como as pessoas tinham que pernoitar em algum lado porque, garante o povo, "A noite foi criada pela Coisa Ruim para que lá possa andar o que não pode andar de dia" (i.e., as coisas demoníacas e as almas danadas), uma das obra de misericórdia corporais da Santa Madre Igreja é "Dar albergue aos peregrinos" para que possam pernoitar debaixo de telhado.

À noite, o diabo anda à solta

Notar que, realmente, não foi Deus quem criou a noite! 
"No princípio criou Deus o céu e a terra (...) [e, então,] "havia trevas sobre a face do abismo (...) [Depois] disse Deus: Haja luz (...) e fez Deus separação entre a luz e as trevas (...) e às trevas chamou Noite" (Ge 1:1-5).
Motivado por a Noite ter sido criado por alguém que não Deus, talvez a Força do Mal, e contra essa força Deus nada poder fazer, durante muitos séculos discutiu-se se Deus é realmente Omnipotente e omnipresente. E ficou a dúvida até que Espinoza matou Deus.

Continuando. 
Nos tempos das peregrinações, as casas eram fracas, mais barraca que outra coisa, pelo que o peregrino se contentava a pernoitar com muito poucas condições. Bastava pão de centeio com um caldo de couves e alguns feijões engrossado com farinha regado com um copo de vinho carrascão para jantar, um balde com 2 ou 3 litros de água morna para tomar um banho, um monte de palha para fazer de cama e uma manta grossa para quebrar o frio para se ter um albergue de 5 estrelas.
E havia quem prometesse ir a "pão e água".
Lembro-me dos anos 1970 em que toda a gente da minha terriola foi a Fátima a pé, a minha mãe foi 5 vezes para ver se Deus lhe arranjava forma de poder criar os filhinhos. Depois de caminharem todo o dia o máximo que as forças permitiam, uns 40 km, assim que a tarde começava a morrer, os peregrinos batiam às portas das casas a pedir guarida sabendo-se que iam ficar todos à molhada, muitas vezes numa garagem ou num casebre de apoio à agricultura. Se a pessoa fosse daquelas que diziam "Não posso minha senhora, já tenho tudo lotado", logo era obrigada a continuar com "mas duas casas ali ao fundo vai conseguir arranjar, pergunte pelo Senhora Maria do Céu que ela tem bons cómodos onde vão poder passar a noite e por pouco dinheiro, é uma viúva muito devota de Nossa Senhora".
Chegados lá e ouvido da boca da senhora o sim, imediatamente começava a negociação à moda do cigano. Por um lado diziam os peregrinos "Não podemos dar mais do que 10 paus por cabeça porque estamos muito falhos de dinheiro" para logo a senhora contrariar com "Não posso fazer por esse preço, o mínimo são 20 paus por cabeça mas dou-lhes uma sopa quente" para logo, depois de proposta e contra-propostas sem conta, acabar o preço nos 13 paus, com a prometida sopa quente e ainda, pela manhã do dia seguinte, uma sande de queijo e marmelada com uma aguadilha de café, tanta quanto quisessem.
Dormia tudo à lota, homens num quarto e mulheres no outro, às vezes em casas diferentes, uns com os pés para cima e outros com os pés para baixo, pelo menos 4 em cada cama. 
Como bem sabia aquele descanso depois de horas e horas a pisar os pés, muitas vezes descalços.
No dia seguinte, mal o galo cantava e o burro zurrava, o povinho punha-se todo a pé, engolia a tal sande com a beberagem e já estava pronto para recomeçar a marcha rumo à santidade.
Ir da minha terra a Fátima eram 4 dias, de Coimbra a Santiago de Compostela seriam 9 dias enquanto que ir de Coimbra à Terra Santa já não era para qualquer um, obrigava a 200 dias, isto só para ir pois ainda era preciso outro tanto para voltar a casa.
Como o peregrino ia em marcha, naturalmente, só ficava uma noite em cada lugar.

Agora há os hosteis.
Um hostel é a versão moderna da albergaria improvisada e o turista faz o papel do peregrino dos outros tempos.
O turista não vai em agradecimento de uma graça recebida nem à procura de santidade, vai apenas para gastar o tempo e meter umas fotografias no Facebook e no Instagram.
Cada cidade, terriola ou lugar tenta identificar uma particularidade mais que não seja o nome para aproveitar uma fatia do mercado do "Tenho que ir lá tirar uma fotografia no meu smartphone".
Não se aposta mais no mercado da repetição. Se há 500 milhões de pessoas na União Europeia com possibilidade financeira para fazer pelo menos duas viagem de avião por ano em low-cost, se conseguirmos que 10% desses visitem a nossa terriola uma vez na vida mesmo que apenas para a "fotografia", vamos ter 3500 visitantes por dia a precisar de comer e dormir.

Como se faz um hostel.
Pega-se num imovel qualquer, uma casa, um apartamento, um anexo onde antigamente se guardava forragem ou gado, esteja em bom estado ou não pois o típico também tem clientela.
Depois, metem-se uns beliches, um quarto com 13 m2 aguenta com 6 hóspedes (3 beliches de dois andares e um pequeno armário com 6 divisões).
Depois, basta uma casa de banho com chuveiro.

Num hostel cabem 6 num quarto mas, à escala de Auschwitz, caberiam 60 

Serão os hosteis a galinha dos ovos de ouro?
Pelo menos em Portugal, os hosteis estão a ser vítimas de um grande ataque por parte do governo  e autarquias esquerdistas com taxas, taxinhas e impostos e ainda uma campanha de que este tipo de turismo está a retirar as casas do mercado de arrendamento para habitação.
Vejamos se então a economia de um hostel.

Vamos fazer hostel num T3.
Destinam-se 2 quartos e uma casa de banho para mulheres (12 lugares) e 1 quarto, a sala e a outra casa de banho para homens (12 lugares). Fica ainda a cozinha para fazer os hospedes poderem fazer cozinhar qualquer coisa simples.
Transformamos um T3 com 100m2 num hostel com 24 camas, uma média de 4m2 por cama.
No mercado de arrendamento, este apartamento se bem localizado e numa razoável cidade custa pelo menos 600€/mês.

Qual o preço de uma noite num hostel?
Estive a ver no Booking.com e o preço ronda os 10€/noite.
Para hoje, encontrei os seguintes preços (o mais baratos):
Roma => 9 €
Madrid, Londres, Berlim, Lisboa => 10 €
Paris => 14 €
Moscovo e Kiev => 3 €

Que margem dá cada hóspede?
Lavar a roupa e passar os lençóis, fazer a cama e arrumar a casa gasta pelo menos 20 minutos de tempo de trabalho. A 6,00€/h são 3,00€ por dormida.
Depois, acrescenta a água, eletricidade e internet, 1,00€ por dormida
Ainda temos o custo do Booking.com que vou assumir como 1€ por dormida.
Dá uma margem de 5,00€/dormida.

Vamos à conta final do lucro do negócio.
Era bom se a ocupação fosse a 100%
Lucro = 30 dias * 24 camas * 5€/dia - 600€/mês = 3000€/mês
O problema é a taxa de ocupação
   20% => 120€/mês
   25% => 300€/mês
   30% => 480€/mês
Este lucro vai ser o pagamento para a pessoa que recebe os hóspedes (o hostel está aberto 24 horas por dia), zelar pela segurança das pessoas e dos bens.
24 camas já é um negócio grande, equiparado a um pequeno hotel e não dá nem o salário mínimo.
Só dá para um casal de chineses. A mulher faz as camas e arruma a casa (ai meu Deus, que estou a ser sexista) enquanto o homem lava e passa os lençóis e faz a segurança.
Já estão a ver porque é que em todos os hosteis está um chinês: é o patrão que dorme no meio dos hospedes abatendo 2 camas à lotação.

Aquilo do "livro para meninas" é uma perigosa loucura dos esquerdistas.
Se não pode haver descriminação de género, porque obriga a lei a haver casas de banho para homens e para mulheres nos establecimentos comerciais e industriais?
Porque há provas físicas diferentes para homens e para mulheres quando se candidatam à tropa, PSP ou GNR?
Porque é que a maior parte das lojas de roupa são para mulheres?
Porque é que os homens têm que usar fato escuro e gravata e as mulheres não?

E quanto será a taxa de ocupação?
Aqui é que está o problema maior.
Uma colega minha perguntou-me "O que achas de eu fazer um hostel? Herdei uma casa em Espinho com 8 quartos e gostava de rentabilizar aquilo".
Se consultarmos o Booking.com hoje às 22h, o mês mais forte do turismo, em Paris ou Londres, há N hosteis com vagas disponíveis.
Se nesses locais existem vagas, será que em Espinho se consegue uma ocupação média de 20%?
Eu ainda disse à ucraniana "Os teus pais podiam vir por ai abaixo e explorarem o hostel" mas a moça não tem cabeça, fez de conta que não ouviu.
Só dá para monhés.

Deixem os hosteis em paz.
Porque não são eles que estão a ter ganho por causa do turismo.
Quem está a ter ganho são os outros, cafés, restaurantes, táxis, e outros apoios ao turista, que exploram as massas que esmagaram o preço da estadia.
Assim, cobrar taxas é a esses e não às albergarias pois o 1€/dia que cobra Lisboa são 10% do preço de uma estadia e os 2€/dia que o Porto quer cobrar é uma aberração.

O hostel não dá nada mas ser muito bom viver em Portugal porque há muita caça

Finalmente, será que o MPLA ganhou as eleições em Angola?
Concerteza que sim e com maioria absoluta.
Será que o MPLA foi o partido mais votado nas eleições de Angola?
Se em 1992 o MPLA não conseguiu 50%, ia conseguir agora, depois de 25 anos de desgaste executivo, conseguir 61%?
Concerteza que não e perdeu por muitos.
Mas nunca jamais os esquerdistas, sejam angolanos, venezuelanos, cubanos ou portugueses, deixarão o poder podendo mantê-lo mesmo que por meios violentos.
Acontece é que os nossos esquerdistas ainda não atingiram esse patamar pois de democratas não têm nada.

Boas férias e tratem bem o chinês.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fogos florestais: o progresso obriga à mudança

A "tecnologia" do incêndio florestal. 
As árvores são formadas por celulose (tem outras moléculas mas simplifiquemos) que é açúcar  polimerizado que oxida continuamente (é o normal envelhecimento da madeira e de tudo que é orgânico), libertando energia:
      (n)C6H10O5 + O2 => CO2 + H2O + Energia (4kcal/g)
Esta reação nas condições normais de humidade e temperatura é muito lenta, demorando milhares  de anos a oxidar uma simples folha de papel (que é feita quase integralmente de celulose).
Claro que existem fungos que conseguem realizar esta oxidação muito mais rapidamente (o apodrecimento) e mesmo animais (por exemplo, as térmitas) mas, mesmo assim, a oxidação ocorre de forma muita lenta e incompatível com um incêndio pois, a 60.ºC, os seres vivos morrem (acontece a pasteurização).

Aumentando a temperatura, a velocidade de oxidação acelera.
Se abaixo dos 100.ºC a oxidação é muito muito lenta, acima dos 300.ºC a celulose começa a decompor-se muito mais rapidamente em carvão (sólido) e em gases (simplificadamente, metano e monóxido de carbono).
      C6H10O5  + Calor => Carvão (C) + gases (CH4 e CO)
Quando mais elevada for a temperatura, mais rápida é esta decomposição que se chama "destilação".
Agora, o carvão arde ficando em brasa (a combustão mantém-se estável porque a camada exterior da "pedra" não deixa o oxigénio  entrar) mas os gases ardem muito rapidamente chegando a explodir.
A elevada temperatura, uma folha de papel que demoraria milhares de anos a oxidar, oxida numa fração de segundo.

Um incêndio é um "reator" com uma reação em cadeia.
Para que aconteça a decomposição da madeira, a temperatura tem que se manter acima dos 300.ºC o que acontece quando o carvão está a arder "por baixo".
Sem a temperatura fornecida pelo carvão, a madeira não liberta gases e não se transforma em mais carvão necessário para alimentar o "reator".
Os gases, porque atingem elevadas temperaturas, também ajudam a fornecer o calor necessário para que a madeira se continue a decompor.

 Fig. 1 - Esquema de uma fogueira ativa

A frente de fogo.
Tem a vegetação rasteira, muito fina e seca, a fornecer calor para que os arbustos e copas das árvores libertem gases inflamáveis que vão criar temperaturas muito elevadas (por irradiação) que ajudam a propagação do incêndio junto ao chão.
A dinâmica é favorecida em terrenos a subir e a favor do vento.



Fig. 2 - Esquema da frente de incêndio

Qual o efeito da água no "reator"?
A água arrefece o "reator" o que, por um lado, para a reação acelerada de oxidação do carvão e, por outro lado, evita que a madeira liberte mais gases combustíveis.
É semelhante a, quando no campismo fazíamos uma fogueira (bem sei que agora é proibido), ao efeito de espalharmos o material (deixaria de haver temperatura suficiente para a reação em cadeia continuar).

O contra-fogo é a tecnologia "inversa" à água.
Não arrefece a "reação em cadeia" na hora em que ela está a acontecer mas, queimando previamente parte da vegetação rasteira, deixa de haver densidade de combustível suficiente para que a temperatura atinja os valores necessários para que o fogo se auto-alimente.
Assim, quando a frente de fogo chegar a uma área previamente "tratada" com o contra-fogo, não consegue continuar.

Agora, a minha proposta para controlar os fogos florestais.
Usar água é pouco eficiente no combate aos fogos florestais porque:

A) A água tem pouca capacidade de apagar fogos o que obriga a transportar continuamente grande quantidades e a grandes distâncias (em camiões e aviões).

B) Tem que haver estradas até ao local o que é impossível porque a frente de fogo é dinâmica, e o transporte aéreo é muito caro.

C) O dinamismo da frente de incêndio obriga a que seja preciso repetidamente combater o incêndio (o que regamos agora de nada vai servir daqui a um minuto porque o fogo caminha para a frente).

D) Como a dinâmica é incerta, não é possível fazer um planeamento dos meios (os bombeiros têm que ficar à espera da chegada da frente de fogo).

Contra-fogo com uma tela de pano ignífugo.
Um pano ignífugo é uma tela feita em fibra de vidro, leve e barata, que serve de barreira à propagação de calor, chama e não arde.
Quando temos uma "estrada" estreita onde se vai fazer o contra-fogo, há o problema de haver um atravessamento ao longo da linha em chamas e ainda de o sapador sofrer muito calor.
O pano ignífugo vai fazer uma muralha com 3 metros de altura e uma extensão de 100 metros o que dá tempo para que a linha de contra fogo se afaste da "estrada".
Como o pano evita a passagem de calor, a necessidade de meios para evitar os atravessamentos tornam-se muito reduzidos podendo mesmo ser feito sem necessidade de água.
Naturalmente, eu proponho uma tela com 3 metros de altura e 100 m de extensão mas isso terá que ser determinado por experimentação no terreno.
Esta tela não será de difícil uso (mesmo com vento) porque pode ser usado na horizontal (deitada sobre o material a queimar).

Fig. 3 - Esquema de contra-fogo com tela ignífuga


Quanto custará a tela ignífuga?
Estive a ver uns preços e anda na ordem dos 5€/m2.
3 m x100 m = 300 m2 que custarão 1500€.
Pensando que terá um sistema de suporte e controlo (pegas, pilares e apoios), ficará nos 3000€.
E a tela pode ser usada vezes sem conta.

Na frente de fogo.
E tecnologia da tela ignífuga também pode mesmo ser usada como auxiliar das mangueiras de água na frente de fogo, situação em que será apenas necessário usar água no que passar por baixo da tela e não a apagar o fogo diretamente.

Fig. 4 - O contra-fogo faz-me lembrar que nem tudo o que está queimado é feio





terça-feira, 8 de agosto de 2017

Robôs: os novos inimigos dos esquerdistas

Como os robôs são máquinas ...
E como máquinas são capital e capital lembra capitalistas, ai está o inimigo público a abater pelos esquerdistas.
É o grande capital que vai tomar conta dos robôs e, com isso, tomar conta dos indefesos trabalhadores.
Por causa disso, mais impostos sobre o capital em particular, sobre os robôs.
Já uma taxa de 100€/mês sobre as máquinas de lavar roupa porque estão a destruir o emprego das mulheres de limpeza.

O que seria o homem sem tecnologia?
Há cerca de 5000 anos, no fim da idade da pedra, quando as pessoas viviam da recolha e caça, estimo que vivessem no território do atual Portugal continental um máximo de 3000 pessoas.
Essa população seria formada por famílias com 5 pessoas, 2 adultos e 3 crianças.
As famílias organizavam-se em clãs, cada um formado por 20 famílias.
E haveria uns 30 clãs espalhados pelo território que agora é Portugal.
Apesar de haver poucas pessoas, mesmo assim, passavam fome e necessidades materiais de toda a espécie, incluindo naturalmente, a doença.
Esta minha estimativa não tem fonte sólida (ver aqui) mas também pouco interessa para aqui.

Hoje somos 10000000 pessoas.
Hoje, apesar de viverem 3330 pessoas do território em que vivia apenas 1 pessoa, é inquestionável que  vivemos com muito mais qualidade de vida.
E isto não se deve ao facto de sermos mais inteligentes, fortes, altos ou bonitos que os nossos antepassados pré-históricos mas deve-se apenas à tecnologia e ao capital que se foram acumulando ao longo dos séculos.

Um pequeno modelo com capitalista.
Para compreendermos como funciona a nossa economia com especialização capitalista / agricultor vou apresentar uma pequena economia agricultura com apenas duas pessoas: o capitalista que produz "terra arável" e o agricultor que "cultiva a terra".
Será matematicamente muito simples e "estática" no sentido de que os indivíduos trabalham sempre 10h/dia.

Vamos à caracterização do meio ambiente:
1 - Inicialmente existe um baldio com 1000 unidades de área onde cada "recoletor" consegue obter 0,1 kg de alimentos por cada hora de trabalho.
2 - Se o baldio fosse transformado em "terra arável", nesses 1000 ua seria possível o "agricultor" produzir 1,0kg de alimento por hora (tecnologia proporcional).
3 - São precisas 100 horas de trabalho para transformar 1 ua de baldio em 1 ua de "terra arável".
4 - A "terra arável" regride para baldio à razão de 5% por ano.
5 - A "função de bem-estar", U, diz que uma pessoa vive melhor se comer mais (Y é a produção diária) e se trabalhar menos (T é o trabalho diário) segundo a seguinte relação:
  U = Y^0.5 - T^0.5
Atualmente trabalham ambos 10h/dia tendo um nível de vida igual a (1/10)^0.5 = 0,32

A especialização capitalista / agricultor.
Os recoletores reúnem-se e fazem um contrato em que um deles vai ser o capitalista (transforma o baldio em terra arável que passa a ser sua) e o outro vai ser seu empregado recebendo metade do que produzir como agricultor.
Depois de muitos anos de investimento, com 10h/dia de trabalho o equilíbrio atual é haver 730 m2 de terra arável onde o agricultor produz 7,3kg/dia dos quais recebe 3,65kg/dia de salário.
Agora, o nível de vida aumentou para (3,65^0.5 = 0,60

O capitalista demorou muitos anos de trabalho para acumular os 730 m2 de terra arável.
Inicialmente teve que trabalhar 20000h sem nada receber (endividar-se e passar fome) para poder ter os 200m2 que tornaram  a agricultura mais rentável que a recoleção. 
Depois, ainda teve que trabalhar muito mais até atingir os 730m2 de equilíbrio.
Claro que agora o agricultor esquerdista pode dizer "a terra arável a quem a trabalha" esquecendo que este capital apenas existe porque o capitalista trabalhou e poupou ao longo dos anos.
Se o agricultor expropriar metade de capital (para dizer que é justo) passando ambos a ser agricultores, não haverá nenhum problema no curto-prazo mas, o problema surge de cada ano 5% desse "seu" capital desaparecer até voltar tudo a ser baldio.

Vamos então aos robôs.
Um robô não é nada mais que uma máquina/ferramenta.
Se, inicialmente, uma máquina/ferramenta era uma vara endurecida na fogueira, depois uma pedra atada com cabedal a uma vara e por ai fora, agora um robô é o mesmo conceito mas tendo um computador como "cérebro". 
Um robô não é em nada diferente do cão domesticado que o caçador usava na pré-história: o cão acabou com a atividade de "batedor humano" com muita vantagem.
Mas que primitivo quereria que o seu filho fosse batedor humano?
Como exemplo de robôs temos a máquina de lavar roupa (que libertou a mulher da cozinha), o multibanco (que transfere dinheiro a qualquer hora do dia sem custos) ou uma máquina de soldar chapas (que diminuiu radicalmente o custo de ter um automóvel).

Será que os robôs vão acabar com os empregos?
Claro que não, isso é uma tontaria que a esquerda abraça e que está ao nível dos programas do canal História onde pessoas aparentemente sadias defendem que descendemos de répteis vindos do Espaço.

Os robôs vão acabar com os taxistas.
Isto é uma verdade como a canalização acabou com os aguadeiros (pessoas que vendiam água), as garrafas de gás acabaram com as carumeira (mulheres que cortavam caruma nos matos do interior para ser vendida nas cidades) e os tratores acabaram com os fazedores de carros de bois.
Mas não ouço ninguém a defender essas profissões talvez porque já passou algum tempo desde que desapareceram.
Vão acabar os taxistas e muitas outras profissões que conhecemos hoje mas isso é o normal progresso da humanidade, outras surgirão. Por exemplo, é do meu tempo o aparecimento dos portageiros nas auto-estradas e é do meu tempo o seu fim.
O certo é que cada vez teremos empregos mais agradáveis e onde seremos mais produtivos.

A próxima revolução está nos veículos sem condutor.
Já há veículos que circulam em auto-estrada sem condutor.
Parece pouco mas, mais do que transportar um passageiro que não quer conduzir, já permite que um camião vá de um "terminal TIR" até outro "terminal TIR" sem intervenção humana.
Isto vai ser uma revolução na logística, ser possível dizer a uma palete de carga "vai até ao terminal TIR de Estugarda num máximo de 36 horas" e pronto, ser a palete a "procurar" a melhor forma de chegar lá.

O trânsito nas cidades.
Aparentemente o problema dos congestionamentos dentro das cidades é haver muitos carros a circular.
Mas se repararem bem, o problema está nos carros parados e estacionados que ocupam bem mais de metade do espaço que deveria ser usado para a circulação automóvel.
O veículo autónomo (e que se deve vir a chamar apenas "autónomo" tal como o "veículo automóvel" se reduziu a automóvel) vai ter a capacidade de, sem ninguém lá dentro, desaparecer para se enfiar num estacionamento longe da vista.
Agora não em apetece escrever mais sobre isto mas pense como seria possível enfiar milhares de autónomos baixinhos em cavescom apenas 1,60 m de pé-direito, todos encostadinhos. Na área onde hoje cabe um automóvel estacionado, no futuro caberão 50 autónomos.

Eu tenho este robô em casa! Será que corro perigo de vida?







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