Como os robôs são máquinas ...
E como máquinas são capital e capital lembra capitalistas, ai está o inimigo público a abater pelos esquerdistas.
É o grande capital que vai tomar conta dos robôs e, com isso, tomar conta dos indefesos trabalhadores.
Por causa disso, mais impostos sobre o capital em particular, sobre os robôs.
Já uma taxa de 100€/mês sobre as máquinas de lavar roupa porque estão a destruir o emprego das mulheres de limpeza.
O que seria o homem sem tecnologia?
Há cerca de 5000 anos, no fim da idade da pedra, quando as pessoas viviam da recolha e caça, estimo que vivessem no território do atual Portugal continental um máximo de 3000 pessoas.
Essa população seria formada por famílias com 5 pessoas, 2 adultos e 3 crianças.
As famílias organizavam-se em clãs, cada um formado por 20 famílias.
E haveria uns 30 clãs espalhados pelo território que agora é Portugal.
Apesar de haver poucas pessoas, mesmo assim, passavam fome e necessidades materiais de toda a espécie, incluindo naturalmente, a doença.
Esta minha estimativa não tem fonte sólida (
ver aqui) mas também pouco interessa para aqui.
Hoje somos 10000000 pessoas.
Hoje, apesar de viverem 3330 pessoas do território em que vivia apenas 1 pessoa, é inquestionável que vivemos com muito mais qualidade de vida.
E isto não se deve ao facto de sermos mais inteligentes, fortes, altos ou bonitos que os nossos antepassados pré-históricos mas deve-se apenas à tecnologia e ao capital que se foram acumulando ao longo dos séculos.
Um pequeno modelo com capitalista.
Para compreendermos como funciona a nossa economia com especialização capitalista / agricultor vou apresentar uma pequena economia agricultura com apenas duas pessoas: o capitalista que produz "terra arável" e o agricultor que "cultiva a terra".
Será matematicamente muito simples e "estática" no sentido de que os indivíduos trabalham sempre 10h/dia.
Vamos à caracterização do meio ambiente:
1 - Inicialmente existe um baldio com 1000 unidades de área onde cada "recoletor" consegue obter 0,1 kg de alimentos por cada hora de trabalho.
2 - Se o baldio fosse transformado em "terra arável", nesses 1000 ua seria possível o "agricultor" produzir 1,0kg de alimento por hora (tecnologia proporcional).
3 - São precisas 100 horas de trabalho para transformar 1 ua de baldio em 1 ua de "terra arável".
4 - A "terra arável" regride para baldio à razão de 5% por ano.
5 - A "função de bem-estar", U, diz que uma pessoa vive melhor se comer mais (Y é a produção diária) e se trabalhar menos (T é o trabalho diário) segundo a seguinte relação:
U = Y^0.5 - T^0.5
Atualmente trabalham ambos 10h/dia tendo um nível de vida igual a (1/10)^0.5 = 0,32
A especialização capitalista / agricultor.
Os recoletores reúnem-se e fazem um contrato em que um deles vai ser o capitalista (transforma o baldio em terra arável que passa a ser sua) e o outro vai ser seu empregado recebendo metade do que produzir como agricultor.
Depois de muitos anos de investimento, com 10h/dia de trabalho o equilíbrio atual é haver 730 m2 de terra arável onde o agricultor produz 7,3kg/dia dos quais recebe 3,65kg/dia de salário.
Agora, o nível de vida aumentou para (3,65^0.5 = 0,60
O capitalista demorou muitos anos de trabalho para acumular os 730 m2 de terra arável.
Inicialmente teve que trabalhar 20000h sem nada receber (endividar-se e passar fome) para poder ter os 200m2 que tornaram a agricultura mais rentável que a recoleção.
Depois, ainda teve que trabalhar muito mais até atingir os 730m2 de equilíbrio.
Claro que agora o agricultor esquerdista pode dizer "a terra arável a quem a trabalha" esquecendo que este capital apenas existe porque o capitalista trabalhou e poupou ao longo dos anos.
Se o agricultor expropriar metade de capital (para dizer que é justo) passando ambos a ser agricultores, não haverá nenhum problema no curto-prazo mas, o problema surge de cada ano 5% desse "seu" capital desaparecer até voltar tudo a ser baldio.
Vamos então aos robôs.
Um robô não é nada mais que uma máquina/ferramenta.
Se, inicialmente, uma máquina/ferramenta era uma vara endurecida na fogueira, depois uma pedra atada com cabedal a uma vara e por ai fora, agora um robô é o mesmo conceito mas tendo um computador como "cérebro".
Um robô não é em nada diferente do cão domesticado que o caçador usava na pré-história: o cão acabou com a atividade de "batedor humano" com muita vantagem.
Mas que primitivo quereria que o seu filho fosse batedor humano?
Como exemplo de robôs temos a máquina de lavar roupa (que libertou a mulher da cozinha), o multibanco (que transfere dinheiro a qualquer hora do dia sem custos) ou uma máquina de soldar chapas (que diminuiu radicalmente o custo de ter um automóvel).
Será que os robôs vão acabar com os empregos?
Claro que não, isso é uma tontaria que a esquerda abraça e que está ao nível dos programas do canal História onde pessoas aparentemente sadias defendem que descendemos de répteis vindos do Espaço.
Os robôs vão acabar com os taxistas.
Isto é uma verdade como a canalização acabou com os aguadeiros (pessoas que vendiam água), as garrafas de gás acabaram com as carumeira (mulheres que cortavam caruma nos matos do interior para ser vendida nas cidades) e os tratores acabaram com os fazedores de carros de bois.
Mas não ouço ninguém a defender essas profissões talvez porque já passou algum tempo desde que desapareceram.
Vão acabar os taxistas e muitas outras profissões que conhecemos hoje mas isso é o normal progresso da humanidade, outras surgirão. Por exemplo, é do meu tempo o aparecimento dos portageiros nas auto-estradas e é do meu tempo o seu fim.
O certo é que cada vez teremos empregos mais agradáveis e onde seremos mais produtivos.
A próxima revolução está nos veículos sem condutor.
Já há veículos que circulam em auto-estrada sem condutor.
Parece pouco mas, mais do que transportar um passageiro que não quer conduzir, já permite que um camião vá de um "terminal TIR" até outro "terminal TIR" sem intervenção humana.
Isto vai ser uma revolução na logística, ser possível dizer a uma palete de carga "vai até ao terminal TIR de Estugarda num máximo de 36 horas" e pronto, ser a palete a "procurar" a melhor forma de chegar lá.
O trânsito nas cidades.
Aparentemente o problema dos congestionamentos dentro das cidades é haver muitos carros a circular.
Mas se repararem bem, o problema está nos carros parados e estacionados que ocupam bem mais de metade do espaço que deveria ser usado para a circulação automóvel.
O veículo autónomo (e que se deve vir a chamar apenas "autónomo" tal como o "veículo automóvel" se reduziu a automóvel) vai ter a capacidade de, sem ninguém lá dentro, desaparecer para se enfiar num estacionamento longe da vista.
Agora não em apetece escrever mais sobre isto mas pense como seria possível enfiar milhares de autónomos baixinhos em cavescom apenas 1,60 m de pé-direito, todos encostadinhos. Na área onde hoje cabe um automóvel estacionado, no futuro caberão 50 autónomos.
Eu tenho este robô em casa! Será que corro perigo de vida?