Há crescimento do PIB principalmente por três razões.
1. Aumenta o número de trabalhadores (ou o número de horas que cada pessoa trabalha);
2. Aumenta a quantidade de capital;
3. Há progresso técnico (Pensam os esquerdistas que cai do Céu).
Vou pegar nos dados e estimar quanto cresce a economia portuguesa quando o número de trabalhadores e de capital são fixos.
Pegando em dados do INE quanto ao número de activos (trabalhadores menos os desempregados), o PIB do Banco Mundial e verificando que o capital se tem mantido constante nos últimos anos, estimo que o progresso tecnológico faz o PIB português aumentar 0.80%/ano (ver. Fig. 2) e que é uma tendência muito regular.
Não é nada de especial mas é bom. Sem fazermos nada de especial, no final do SEC XXI um trabalhador em Portugal já produzirá o dobro do que produz actualmente. De uma geração para a outra (35 anos), haverá um aumento de 1/3 na produtividade. Estes números são parecidos com os dos países desenvolvidos como a Alemanha, Inglaterra, USA ou Japão. São números próprios de um país desenvolvido (que somos).
Por estranho que possa parecer, estes 0.80%/ano são superiores ao observado na China ou Índia onde o crescimento se deve à muita poupança e investimento.
Não é por causa da diminuição do consumo nem nada disso. Isto é uma lengalenga que os keynesianos contam para embalar o boi antes de lhe mandarem a marretada. O PIB diminui porque se produz menos.
Em termos naturais, o PIB aumentaria 0.8% de 2010 para 2011 mas reduzir por causa dos outros factores, da redução do capital (investimento menor que a depreciação) e do número de trabalhadores activos (aumento do desemprego).
1. O aumento do desemprego.
É a causa e não o efeito da queda do PIB. Quanto menos pessoas trabalharem ou quanto menos horas cada pessoa trabalhar, menor será a quantidade produzida.
Como a produção se divide 2/3 para o trabalho e 1/3 para o capital então, se a quantidade de pessoas a trabalhar reduzir em 1%, o PIB reduz-se em 0.67%. Como o desemprego tem estado continuamente a aumentar, o PIB é puxado para baixo. É só advinhar quanto vai aumentar o desemprego e fica-se logo a saber quanto vai cair o PIB.
Verificar-se-á uma redução do desemprego quando se observar que o PIB aumentou mais de 0.8%/ano que é a actual taxa potencial de crescimento do PIB portugês.
Se o desemprego aumentar 3 pontos percentuais o crescimento do PIB ficará, em tendência, em
Crescimento = 0.8 - 3*0,67 = -1.2%/ano
2. A diminuição do capital.
Em Portugal existe aproximadamente 50000€ de capital por cada pessoa a trabalhar (depreciando 5000€/ano). Se o capital aumentar, a capacidade da pessoa produzir também aumenta. Como a produção se divide-se 2/3 para o trabalho e 1/3 para o capital, um aumento do capital de 1% induz um aumento do PIB em 0.33%.
Actualmente em Portugal a quantidade de capital está a diminuir porque a depreciação é ligeiramente superior ao investimento (a poupança e o investimento por trabalhador estão inferiores a 5000€/ano). Então, o PIB é puxado para baixo.
Se o investimento reduzir 3.3% do PIB, o capital reduz-se em 2% (é 170% do PIB) o que induz uma queda de 0.66% no PIB.
Crescimento = 0.8 - 3*0,67 - 2*0.33 = -1.9%/ano
Esta é a previsão dos modelos macroeconómicos.
Uma pessoa pega nesta duas variaveizitas, faz uma conta de multiplicar e outra de somar e depois mete isto num grande relatório para pensarem que é uma coisa muito complicada. É complicado porque tem muita teoria por tras da conta mas o resultado final não é nada parecido com a lengalenga que se ouve por ai.
Reparem que quem for keynesiano não consegue fazer esta conta. É assim parecido com os crentes nas fadas madrinhas que não acrediram que os raios são faiscas eléctricas.
As previsões dos esquerdistas.
É o deus não sei que que quer castigar não sei quem porque fez não sei o quê, bla bla bla bla, o patronato, o grande capital, o especular, tipo discurso do Louçã ou deste novo cromo da CGTP-IN, o Arménio, que anuncia terem estado 300 mil pessoas num espaço onde só cabem, à pinha, 30 mil pessoas.
A praça do comércio tem 26 mil m2 (160mx160m), pelo que era necessário estarem 10 pessoas/m2 o que é impossível porque uma pessoa ombro com ombro, barriga com costas ocupa 0.5m2 e havia lá muito espaço vazio.
Não estavam na praça do comércio nem 10 mil pessoas.
Fig. 3 - Na Praça do Comércio cabem, no máximo, 30 mil pessoas mas o Arménio meteu lá 300 mil.
Precisamos de mais milagres destes a ver se Portugal arranca.
Como poderíamos fazer crescer o PIB?
1. Trabalhar mais horas. O aumento de 1h/dia, 12.5% do tempo laboral, tem potencial para aumentar o PIB em 8%. Isto custa.
2. Aumentar a poupança (e diminuir o consumo). Só assim as contas bancárias podem aumentar e os bancos ficarem com recursos para emprestar às empresas. Não se pode pedir aos banco que emprestem recursos às empresas sem o povinho poupar e meter lá dinheiro. Isso cai do Céu nos bancos?
É melhor a tese que pregam os esquerdistas, a sopa da pedra na versão financeira: mete-se um pedra num cofre de um banco, agita-se e resultam milhares de milhões de e de crédito às micro-mini-medias empresas mais uma pedra.
Diria que tem lógica.
É a lógica da equivalência entre afirmações falsas
"estavam 300mil na praça do comércio" é equivalente a "um porco tem asas e voa"
"um porco tem asas e voa" é equivalente a "mete-se uma pedra no cofre e este enche-se de dinheiro"
Então
"mete-se uma pedra no cofre e este enche-se de dinheiro" é equivalente a "estavam 300mil na praça do comércio"
Vou experimentar.
3. Diminuir o desemprego. Mas isto obriga a diminuir os custos do trabalho. Por um lado, trabalhar mais horas irá ter este efeito mas não será suficiente porque cada empregado vai trabalhar mais. Então, será ainda preciso reduzir os salários nominais.
A Alemanha reduziu os custos do trabalho em 15% entre 2000 e 2010 e hoje tem uma situação económica invejável. Temos que seguir o exemplo e rapidamente.
E a flexibilização do mercado de trabalho?
Provavelmente vai fazer com que a tendência de crescimento passe de 0.80%/ano para 1.00%/ano mas não vai resolver nenhum dos problemas actuais. É como aconselhar uma pessoa que está em paragem cardíaca a fazer duas horas de ginásio por semana.
Não temos tempo para que isto faça efeito.
Fig. 4 - O pânico de 30/31 de Janeiro (em que atingiu 18.289%/ano) já passou mas a tendência de aumento continua. Taxa de juro implícita da dívida pública portuguesa a 10 anos (fonte: bloomberg)
Vamos aos números.
A taxa de variação em cadeia (- 5.3% anualizada).
Há trimestres onde se produz menos (o 3T por causa das férias) e outros onde se produz mais.
Um exemplo exagerado é o número de banhistas nas praias que reduz 80% de Agosto para Setembro.
Por isso, a comparação do 3T 2011 com o 4T2011 (uma contracção de 1.3%, 5.3%/ano) não é uma boa medida para ver a evolução do PIB. Se se calculasse a sazonalidade média e se corrigisse esta observações desse efeito, já se poderia utilizar mas o cálculo da sazonalidade tem problemas.
A taxa de variação homóloga (-2.7%).
Corrigir directamente a sazonalidade. Ao comparar o número de banhista em Agosto de 2011 com Agosto de 2010 dá um melhor ideia da evolução do número de banhista ao longo do ano. Depois, comparamos Setembro com Setembro.
Comparar 4T de 2011 com 4T de 2010 corta o efeito das alterações ao longo do ano mais ainda não é a melhor medida para a evolução do PIB (-2.7%).
Por exemplo, o número de banhista em termos homólogos de Agosto pode diminuir porque esteve frio e os banhistas passaram para Setembro que aumentou em termos homólogos.
A taxa de variação homóloga média (-1,5%).
A sazonalidade já está corrigida e agora corrigem-se problemas de contabilização e transferências de uns trimestres para os outros.
Imagine que, de repente, o mês em que recebe o subsídio de férias avançava. Então, haveria um mês em que o seu rendimento diminuía para metade mas que seria contrabalançado por um aumento para o dobro no mês seguinte.
Assim, a média, é a melhor medida para calcular quanto o PIB varia de um ano para o outro.
Então, temos que dar como bom que em 2011 o total produzido em Portugal diminuiu 1.5%.
E como se relacionam os diversos valores?
De facto, a evolução do PIB é pegar em tudo que se produziu em 2011 e comparar com tudo o que se produziu em 2010 mas o melhor indicador disso é a taxa de variação homóloga média.
A taxa de variação homologa e a trimestral em cadeia têm que ser lidos com muita cautela. Podemos dizer que a variação homóloga no 4T 2011 ser muito superior à média (2.7% contra 1.5%) é um mau indicio. Também a contracção anualizada de 5.3% no trimestre não são boas notícias. Juntando o facto do desemprego estar a acelerar, estes número são muito maus podendo estar no horizonte uma contracção do PIB acima dos 5% para 2012.
Fig. 5 - O desemprego não para se aumentar e cada vez mais depressa (fonte: INE)
Mas há boas notícias.
Estive a ler um trabalho que foi submetido ao Wolson Prize por uma equipa de peritos, economistas, advogados, contabilistas do
Adam Smith Institute e a minha está melhor.
Tiveram um trabalhão, inventariando todas as bancarrotas e intervenções do FMI desde 1970, as implicações legais de mil e uma coisas mas a sua proposta é uma replicação do que já aconteceu.
Escreveram 100 páginas com as coisas terríveis que ouvimos nos média sobre o caso de alguém sair da Zona Euro mas tudo coisas do passado.
E agora precisamos de uma solução nova.
Dos mais de duzentas submissões (onde dizem haver um Prémio Nobel) já só preciso de me preocupar com mais de duzentas menos 1.
Fig. 6 - Eu sei que o teu amor é sincero não tendo nada a ver com eu ter ganho os 300000€. E que tenha, quero lá saber.