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sexta-feira, 16 de maio de 2014

As más notícias sobre o 1T2014

Há 15 dias estive a falar com OF, um colega meu que sabe muito. 
Nas discussões que tivemos em 2011 eu era muito pessimista. Previa uma contracção do PIB na ordem dos 20% e que a taxa de desemprego poderia atingir os 25% observados actualmente na Espanha.
Eu previa mesmo que a Zona Euro se iria desagregar. 
Ele, nem por isso. Pensava que o PIB iria contrair e o desemprego aumentar mas moderadamente como, de facto, aconteceu.
Então, comecei esta nossa conversa dizendo que ele tinha acertado e que eu tinha sido exagerado. E que, agora que a crise financeira tinha sido ultrapassada com alguma facilidade, agora era tempo de a o desemprego voltar aos 5% e economia voltar a crescer de forma robusta.

-Nem pensar nisso.
Disse ele, o que me deixou desorientado.
- Houve coisas que se fizeram mas foi tudo na base do provisório e extraordinário.
- Os cortes nas pensões, salários de funcionário públicos foram provisórios.
- O ajustamento nas empresas públicas foi fumaça que se desvaneceu no ar.
- Mas isto não é nada em comparação de um problema que nos vai levar, lentamente, à pobreza: temos uma taxa de poupança muito baixa o que leva as nossas empresas à obsolescência tecnológica.
- Sendo as pessoas também capital, a baixa natalidade também traduz a nossa pouca apetência  à poupança.


Precisamos de 20% de taxa de poupança.
Para ser possível re-investir o capital que se vai depreciando e fazer novos investimentos seria necessário ter uma poupança total bruta de pelo menos 20% do PIB.  Se até 1990 tínhamos uma poupança nessa ordem de grandeza, desde então a poupança reduziu para 15% o que não permite substituir o capital que se vai depreciando (ver, Fig. 1). 

Fig. 1 - Evolução da poupança das famílias em relação ao rendimento disponível e total bruta da economia em % do PIB (dados: Pordata e Banco Mundial).

E os dados do 1T2014 vêm mostrar uma forte contracção do PIB.
O PIB contraiu 0,7% relativamente ao trimestre passado o que é muito.
Se tivesse contraído até 0.25% podia ser pensado que eram normais oscilações do PIB relacionadas com o estado do tempo e com o facto da Pascoa ter calhado em Abril. Mas 0.7% já é uma enormidade.
Se olharmos para a série do crescimento trimestral dos últimos 11 anos, quando num trimestre existe uma contracção maior que 0.25%, é quase certo ser seguida por uma crise. 

Fig. 2 - Evolução do crescimento trimestral do PIB, 1T2003-1T2014 (dados: INE). 

E o problema das exportações não é a Galp.
A questão do aumento das exportações desde 2009 é que em 2008 houve uma queda nas exportações de 30% nas exportações que, no entretanto, temos recuperado. Mas a tendencia de crescimento está nos 2,7%/ano (ver, Fig. 3) e não nas taxas astronómicas que o Pires de Lima costuma anunciar.

Fig. 3 - Evolução das exportações totais (dados: INE). 

Mas as contas com o exterior parecem controladas.
Houve uma degradação das contas com o exterior (para um défice de 6€/mês por pessoa) mas a magnitude da "derrapagem" é marginal quando comparada com os valores de 2010, altura em que o défice era de 150€/mês por pessoa. Parece que a derrapagem está dentro do normal flutuar da balança corrente (ver, Fig. 4) e Dezembro foi o melhor ano dos últimos 70 anos.
Esperemos que tenha sido apenas uma pequena flutuação.

Fig. 4 - Evolução da Balança Corrente, J2010-F2014 (dados: Banco de Portugal). 

Os custos do trabalho estão a aumentar, mas apenas ligeiramente.
Para a digestão da taxa de desemprego são más notícias mas a boa notícia é que em 2013 o aumento foi pequena 1% (ver, Fig. 5).
Relativamente a 2010/2011 os custos do trabalho diminuíram cerca de 10%, 5% no Privado e 20% no público mas, desde o mínimo de finais de 2013, estão a aumentar mais no público que no privado. 

Fig. 5 - Evolução dos custos do trabalho, total da economia, 1T2009-1T2014 (dados: INE, média móvel do último ano). 

Cheira muito a euforia.
O PIB cair foi muito mau mas pode acontecer que tenha sido positivo pois parece ter recolocado juízo no governo.
Há um mesito já só se falava no retomar das obras públicas, na reposição dos cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões e no aumento do salário mínimo mas os dados negativos que o governo foi conhecendo antes de nós parece que puseram novamente o freio no governo.
Já voltaram a falar em meter novamente as mãos à obra avançando com reformas no mercado de trabalho, nas empresas públicas e na estrutura do Estado.
Vamos a ver se não voltamos a 2009 quando, no auge da crise, o eleitoralismo tomou conta de nós e nos levou, pouco depois, à bancarrota.

Pedro Cosme da Costa Vieira

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Como classificar os nossos resultados olímpicos?

Pode parecer estranho que eu fale de desporto mas, como quero ser como o prof. Marcelo que fala de tudo, meti-me ao caminho para responder a duas questões.
P1 - O que distingue os países que têm bons resultados olímpicos dos que têm maus resultados?
P2 - Como podemos classificar os nossos resultados olímpicos? São bons, médios ou maus?

Fig. 1 - As minhas colegas que são contra este blog ter mulheres boas, devem ter protestado violentamente contra o comité olímpico por ter provas de voleibol de praia feminino.

Por incrível que pareça, o que distingue os países com campeões dos outros é o vil metal.
Fui ao wikipédia e retirei as medalhas atribuídas nas olimpíadas de 2000, 2004, 2008 e 2012. No total foram atribuídas 2151 medalhas (1206 de ouro, 1208 de prata e 1264 de bronze).
Somei as medalhas de cada país considerando que a prata vale metade do ouro e a bronze uma quarta parte.
Depois fui buscar a população e o PIB per capita.
Nos países que tiveram nas últimas quatro olimpíadas pelo menos uma medalha de bronze (um total de 100 países), observa-se que

Quando a população de um país é o dobro, o número de medalhas é 68% maior.
Quando o PIB per capita de um país é o dobro, o número de medalhas é 47% maior.

Ln(medalhas) = -0.710 + 0.470 Ln(PIBpc) + 0.683 Ln(Pop),  R2 = 0.46             (eq. 1)
                                        (5.1)                       (8.4)

Uso agora apenas o PIB como variável explicativa:

Quando o PIB de um país é o dobro, o número de medalhas é 59% maior.

Ln(medalhas) = -0.657 + 0.593 Ln(PIB),  R2 = 0.44                                           (eq. 2)
                                        (8.7)


 Fig. 2 - Relação entre o PIB e o desempenho olímpico. Portugal é a bola vermelha, estando abaixo do valor médio (a tracejado). Entre as linhas finas estão os países médios, 50% do total.
(Dados: Banco Mundial e Wikipédia, grafismo do autor)

Afinal, no nosso mundo mercantilista, tudo tem a ver com economia.
Mesmo aqueles que dizem que a meditação transcendental é a fonte última da felicidade, para nos dizerem isso obrigam-nos a pagar uma mensalidade.
Como as provas olímpicas femininas não chamavam audiências nem patrocínios, toca a OBRIGAR as atletas dos desportos onde elas são boas a descascarem-se. 

Fig. 3 -Esta ainda é mais boa. Atenção que isto deu na TV e as criancinhas estavam a ver.
Mais camiões de cartas de protesto contra o director das olimpíadas.

As nossas atletas, pelo contrário, se tiram a roupa, o televisor funde.

Fig. 4 - Força nisso Vanessa. És o nosso helicóptero, gira e boa.

Os resultados portugueses são normais mas para o lado do fracote.
Para o nosso nível de rendimento e a nossa população, acertar exactamente no valor médio do modelo seria ter 8.9 medalhas mas as nossas 3.75 estão dentro do intervalo [Média menos um desvio padrão; Média mais um desvio padrão] pelo que, em termos estatísticos, os nossos resultados são médios.
Prova que é muito difícil obter mínimos para as olimpíadas é que, num país em que tantas verbas são canalizadas para o futebol, só lá fomos em 1996 (4º lugar) e 2004 (14º lugar).

Fig. 5 - Valha-me Alá que esta Egipta quer fazer um filho com o tapete das olimpíadas.
Mais camiões de cartas de protesto para o Mubaraque que vai ter o ataque final. 

Fig. 6 - Esta sim, esta vai bem. Esta não leva cartas de protestos.

Como pode Portugal melhorar os resultados olímpicos?
Uma hipótese é ir buscar mais Obikwelos. É mandar alguém buscar aqueles Camarões que "fugiram" nas olimpíadas e naturalizá-los portugueses pois um fulano do meio de África chegar às olimpíadas mostra que tem potencial para nos dar algumas medalhitas.
A outra hipótese é apostar no desporto escolar e em modalidade em que haja classes de peso porque se adaptam à nossa pequenez física (não vale a pena apostar no Basquetbol) e tem muitas medalhas.
Judo: tem 7 categorias  = 7 medalhas de ouro, 7 de prata e 14 de bronze por género
                                        = 56 medalhas, 5.8% das medalhas totais atribuídas em Londres
taekondo: 4 categorias  = 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 8 de bronze por género
                                        = 32 medalhas,  3.3% das medalhas totais atribuídas em Londres
Boxing: 10 H e 3 M       = 13 medalhas de ouro, 13 de prata e 26 de bronze
                                        = 52 medalhas,  5.4% das medalhas totais atribuídas em Londres
Luta: 14 H e 4 M           = 18 medalhas de ouro, 18 de prata e 18 de bronze
                                        = 54 medalhas,  5.6% das medalhas totais atribuídas em Londres

No total, os desportos de combate atribuem 196 medalhas, 20.1% do total
Como o futebol só atribui 3 medalhas e o judo 56, é natural que tenhamos mais possibilidade de os nossos judocas serem seleccionados para as olimpíadas e trazerem uma medalhita.

Portugal deve apostar nos desportos de combate  porque 1/5 das medalhas atribuídas nas olimpíadas são para estes desportos e adapta-se muito bem à canalhada brava e pouco escolarizada dos bairros periféricos das grandes cidades.
São desportos baratos, desenvolvem a disciplina e autocontrole, combatem o uso das drogas e a evidencia diz que também combatem a violência de rua.

Se não for feita uma análise custo/benefício de cada modalidade olímpica, nunca sairemos do marasmo com que já estamos a ficar conformados.

(15.08.2012) - Esqueci-me da halterofila que atribui 45 medalhas (24H e 21M), 4.7% do total.
As 5 modalidades com categorias de pesos atribuem 1 em cada 4 medalha das olimpíadas. 
E quanto tempo a nossa televisão dedicou a estas 6 modalidades?
Não me lembro de nenhuma transmissão de um combate de boxing, taekondo, luta greco-romana, luta livre ou prova de halterofilia.
Assim, nunca poderemos desenvolver atletas capazes de ganhar medalhas.
Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Precisamos relativizar a nossa crise porque em Portugal vive-se muito bem

Diz o povo que "quem não chora, não mama". Naturalmente que na actual crise europeia, nós Portugueses liderados pelos esquerdistas, choramos muito a ver se mamamos nos alemães. 
Na comunicação social e nas listas de e-mail da internet circula a ideia de que somos um povo desgraçado que não sabe fazer nada e que vive na miséria porque não nos esforçamos e temos políticos, empresários e trabalhadores que não prestam para nada. Em particular, o texto que o meu aluno Manuel P. me enviou "à procura de nós" bate muito na tecla que, sendo nós uns desgraçadinhos, isso é por culpa de não sei quem.

Fig.1 - Quando o velho chora, mama na mulher e na nora.

Mas nós não somos uns desgraçados.
Muito antes pelo contrário, nós pertencemos ao grupo dos países mais ricos.

No Mundo existem 7000 milhões de pessoas cujo PIB per capita é de 10000USD (dólares americanos, constantes de 2005, paridade do poder de compra, dados do Banco Mundial para 2011) enquanto que em Portugal vivemos com um PIB pc de 21000USD, mais do dobro da média mundial.

No Mundo, a população dos países que têm um rendimento superior ao nosso é de apenas 1000 milhões de pessoas, 15% do total. Assim, há 6000 milhões de pessoas que vivem em países com um rendimento menor que o nosso e 5000 milhões, 70% do total mundial, com um rendimento menor que metade do nosso.

Metade da população mundial vive em países com um PIB pc, ppp menor que 1/4 do nosso.
O PIB per capita em paridades do poder de compra divide o rendimento total disponível num país num ano pelo número de pessoas (cabeças) e corrigindo o valor pelas diferenças que existem no nível de preços.
Assim, este valor traduz o poder de compra relativo das pessoas.
Se nos concentrarmos nos países com mais de 20 milhões de habitantes (que são 90% dos países mais ricos que nós), apenas existem no Mundo 11 países onde se vive melhor que em Portugal (ver quadro 1).

PaísSalário RelativoGDPpc, PPP
(const. 2005 int. $, 2011)
População
United States1993 €/mês42486311,6M
Canada1675 €/mês3571634,5M
Australia1621 €/mês3454822,6M
Germany1615 €/mês3443781,7M
United Kingdom1523 €/mês3247462,6M
Japan1438 €/mês30660127,8M
France1399 €/mês2981965,4M
Korea, Rep.1292 €/mês2754149,8M
Italy1270 €/mês2706960,8M
Spain1270 €/mês2706346,2M
Saudi Arabia1005 €/mês2143028,1M
Soma891,2M
Portugal1000 €/mês2131710,6M
Quadro 1 - Países com mais de 20M de habitantes e mais ricos que Portugal (dados: Banco Mundial)

 Se em Portugal o nível de vida médio se materializa num salário de 1000€/mês, proporcionalmente, temos o mesmo nível de vida da Arábia Saudita (onde há petróleo à força toda) e nos USA o salário será  ligeiramente inferior a 2000€/mês.

Já nos países do grupo dos BRICS, que os esquerdistas anunciam como exemplos de boa governação e onde não há qualquer crise, vive-se muito pior que por cá (ver, quadro 2).

PaísSalário RelativoGDPpc, PPP
(const. 2005 int. $)
População
Portugal1000 €/mês2131710,6M
Rússia695 €/mês14808142,0M
Brasil482 €/mês10278196,7M
África do Sul454 €/mês967850,6M
China347 €/mês74041344,1M
Índia150 €/mês32031241,5M
Angola244 €/mês520119,6M
Marrocos205 €/mês437332,3M
Quadro 2 - Comparação de Portugal com os BRICS, Angola e Marrocos  (dados: Banco Mundial)

Quando os comunas dizem que é impossível viver com um salário de 485€/mês temos que pensar que no Brasil é possível viver, proporcionalmente, com 235€/mês e em Angola com 120€/mês em Marrocos (que está mesmo aqui ao nosso lado) com 100€/mês.
Recordo que estes valores estão corrigidos das diferenças dos preços (é medido em Paridade do Poder de Compra)

Isto sim, isto é que é miséria.
Em Moçambique, uma família tem que se governar com um mísero salário de 20€/mês.
Já imaginou o que é pagar alimentação, transporte, água, escola para as crianças, tudo?
Claro que este "tudo" reduz-se a quase nada.

Fig. 2 - Preto e Preto S.A.: deixe-nos construir a sua moradia de sonho.
Fazemos o  T2 da imagem por 7€/mês (120 mensalidade postecipadas, TAEG de 12%/ano).

Mas interessante é haver portugueses que dizem que "em Moçambique é que se vivia bem". Se repararmos nas estatísticas (UN e Banco Mundial), vemos que o PIBpc, ppp moçambicano é hoje 4x o valor de 1974.
Será que na altura o PIB moçambicano era dividido por apenas meia dúzia de branco?

A visão não está nos olhos de quem vêm mas na mente de quem julga ver.
Já diziam os autores clássicos que não se pode observar sem ter na mente um modelo, o preconceito, para encaixar a informação que os nossos sensores captam (luz que atinge os nossos olhos ou sons que atingem os nossos ouvidos) nos conceitos.
Quando passa por nós um cigano a correr logo, "vemos" que roubou alguma coisa.
Quando queremos (ou nos "lavam" a mente), até vemos miséria onde existe fartura e fartura onde não há nada.

Fig. 3 - O povo sabe que pode haver erro da percepção, "Quem feio ama, bonito lhe parece". 
(fonte da fotografia do casamento do Rocha Armada, o Terrível: wikileaks).

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O erro de Ricardo Reis

O Ricardo Reis escreve semanalmente no Dinheiro Vivo.
 Estimado Ricardo,
 há umas semanas escreveste uma coluna no DV em que falaste da actual crise europeia ("A lição do Japão para a Europa"). Leio sempre o que escreves mas, felizmente, neste caso a tua análise está completamente errada.
 Digo felizmente porque, apesar de ficar triste por ser  teu amigo, dá-me uma enorme alegria poder dar uma marretada na cabeça de uma pessoa com tamanho valor.
 Põe a cabecinha no cepo e prepara-te que ai vem a marretada.

 Sendo o RR neo-keynesiano
(também conhecidos por neo-comunas), pensa que a Europa, seja lá isso o que for, apenas pode sair da actual crise aumentando a inflação (e lançar mais obras públicas).
Então, para fazer valer esta sua ideia sem pés nem cabeça, foi buscar o exemplo do Japão.
 Afirma que, em resposta à crise financeira de 1991, o Japão iniciou um caminho para a irrelevancia no qual a economia estagnou e a inflação se manteve nula.
 O RR acredita, tal qual a Assunção das Cristas tem fé que a Nossa Senhora de Fátima vá fazer chover, que aumentando a inflação, o PIB cresce. Só não compreendo porque isso não funciona nem no Zimbabwe nem na Venezuela e há-de funcionar em Portugal.
 O erro do Ricardo Reis é querer basear uma teoria que se sabe ser totalmente errada e sem pés para andar (haver um trade-off entre a inflação e o crescimento) na repetição de chavões da comunicação social (que é maioritariamente ocupada por neo-comunas) sem o cuidado de os verificar.

Fig. 1 - RR, futuro secretário geral do PNCP - Partido Neo-Comunista Português

Primeiro Erro: O Japão não tem a economia estagnada há 20 anos.
Isto não é minimamente verdade. Nada mesmo.
A questão é que a população do Japão está em regressão. Por isso, o "problema" não é da falta de dinamismo da economia mas apenas da forte redução da natalidade (ver Fig. 2).

Fig. 2 - Taxa de fertilidade no Japão e nos USA (fonte: Banco Mundial)

 Mas o importante é vermos como se comporta a economia relativamente a cada um dos potenciais trabalhadores que existem no país separando assim o efeito do aumento do número de trabalhadores do dinamismo do processo de criação de riqueza.
 Se dividirmos o PIB pelas pessoas com idade entre os 15 anos e os 65 anos (o PIB por pessoa em idade activa, PIBpcia) e compararmos o Japão com os USA, o UK e a Alemanha vemos que o Japão é o país mais produtivo do mundo e que, nos últimos 30 anos, tem crescido de forma semelhante às outras potências económicas (ver Fig. 3).

Fig. 3 - PIBpcia 1980-2010, USD internacionais (fonte: Banco Mundial)

Na década de 2000 (entre 2000 e 2010)  o PIBpcia do Japão cresceu a uma taxa de 1.31%/ano que foi o dobro da taxa verificada nos USA (que cresceu 0.58%/ano) e no UK (que cresceu 0.72%/ano) e foi idêntica à verificada na Alemanha (que cresceu 1.28%/ano), assumida como uma economia muito dinâmica.
Mesmo na década de 1990 (entre 1990 e 2000) em que foi preciso resolver a crise financeira de 1991, o PIBpcia do Japão cresceu 1.1%/ano.
No últimos 20 anos (entre 1990 e 2010), o PIBpcia do Japão cresceu 1.2%/ano e o dos USA cresceu 1.3%/ano.
Não penso que uma décima possa justificar a afirmação de que tenha havido qualquer falha na condução da politica económica do Japão.

Afirmar que "Problemas que começaram no sistema financeiro espalharam-se a toda a economia que deixou de crescer. Os governos falharam na limpeza dos bancos, sem coragem para fechar ou recapitalizar instituições falidas. O banco central falhou por excesso de prudência não deixando que a inflação subisse em troca de algum estímulo à atividade económica. Os políticos falharam em controlar a despesa pública galopante, incapazes de dizer não a qualquer grupo de interesse. Como resultado, o Japão perdeu a década de 1990 e ainda hoje está muito abaixo do ritmo de crescimento económico a que estava habituado" é manifestamente exagerado para não dizer errado.

Bem, houve, como afirma RR, uma quebra da tendência em 1991 mas isso também aconteceu nos USA (em 1999). Mesmo assim, nos últimos 40 anos, 1970-2010, em média o PIBpcia do Japão cresceu 2.2%/ano que foi superior ao verificado nos USA, que cresceu 1.9%/ano, em 0.3pp (ver Fig. 4).

Fig. 4 - PIBpcia 1970-2010, USD internacionais (fonte: Banco Mundial)

Comparemos com o Brasil
Na década de 1990 o PIBpcia do Japão cresceu 1.1%/ano e o do Brasil 0.25%/ano.
Na década de 2000 o PIBpcia do Japão cresceu 1.3%/ano e o do Brasil 2.0%/ano.
Nas duas décadas de 1990-2010 o PIBpcia do Japão cresceu 1.2%/ano e o Brasil 1.1%/ano.
É impressionante como uma economia repetidamente anunciada como estagnada (o Japão) tem idêntico desempenho económico a uma economia repetidamente anunciada como pujante (o Brasil).
E o PIBpcia do Japão é 61.5 mil USD enquanto que o do Brasil é 7mil por pessoa em idade activa (fonte: Banco Mundial, 2010).
Como este diferencial de PIBpcia e a crescer mais 0.7pp, o Brasil atingirá o nível de desenvolvimento do Japão daqui a 275 anos.
É no Natau de 2287!

O Japão é um país "irrelevante".
O Japão tem apenas 127 milhões de habitantes num mundo com 6840 milhões (2010, banco mundial).
Com 1.85% da população mundial, sem forças armadas, localizado a 20000 km de nossa casa e com uma cultura pós-WWII discreta, naturalmente que nós não ouvimos falar do Japão.
Naturalmente.
Nem nos lembramos que a Toyota, Honda, Sony, Canon, Nintendo, Panasonic, Lexus, Nissan, Toshiba, Sharp, Shiseido, Komatsu, Suzuki, Yamaha, Mitsubishi, Bridgstone, Casio, Fujitsu, Mazda, Olympus e Epson são marcas de produtos que encontramos todos os dias e que são japonesas.
O estimado leitor é capaz de se lembrar de uma marca brasileira, chinesa ou indiana?
E dos países com taxas de inflação elevadas como o Zimbabwe e a Venezuela?
Ah. Não se lembra?
Vou-me sentar a ver se se lembra de alguma coisa.

E o Japão quer uma inflação de 0%/ano.
Como a inflação é um fenómeno puramente monetário, o Japão tem desde Janeiro de 1995 uma inflação média de 0%/ano porque não quer ter mais. E não vem qualquer mal ao mundo por a taxa de inflação ser zero.
A China também já teve essa ideia (entre Janeiro de 1998 e Junho 2003) e não teve qualquer impacto negativo na taxa de crescimento da sua economia.

Fig. 5 - Taxa de inflação no Japão, 1989-2010 (fonte: tradingeconomics)

Segundo Erro: a Zona Euro não está em crise.
Há alguns países da Zona Euro que estão em crise.
Concerteza que a Grécia, Portugal e a Irlanda estão em crise e depois ainda temos a Itália e a Espanha em crise mas num patamar mais ténue.
Mas a maioria dos países não está em crise. A Alemanha, o Luxemburgo, a Holanda, a Finlândia e a Áustria definitivamente que não estão em crise.
E a França está no meio, equiparada aos USA (o PIBpcia contraiu entre 2006 e 2010, 2.50% na França e 2.52% nos USA).

Fig. 6 - Evolução relativa aos EUA do PIBpcia 2000-2010, pp (fonte: Banco Mundial)

Se somarmos a economia dos 5 países zona-eureus em crise (os PIIGS), a sua dimensão economica, 3170MM€, é equiparável à dimensão dos 5 países zona-eureus sem crise nenhuma, 3000MM€, anulando-se (fonte: Banco Mundial, 2010).

Que exemplos positivos se devem ir buscar para encontrar soluções para a nossa crise?
 O Japão resolveu a sua crise financeira de 1991 mantendo um crescimento económico idêntico ao das outras potências desenvolvidas pelo que é uma lição mas pelo lado positivo.
 Devemos seguir exactamente o exemplo do Japão e o da Alemanha e adoptar as politicas que estes países adoptaram e que são contrárias ao que defendem os neo-keynesianos (e o Ricardo Reis).
Temos que implementar:
    Balanças corrente equilibradas (nos dois casos até são bastante superavitárias) e
    Finanças públicas equilibradas.
    Taxas de inflação baixas.
    Mercado de trabalho flexível.
    Diminuição do peso dos impostos (do Estado) na economia.
    Liberalização dos mercados.
    Acabar com as empresas públicas e com as PPPs.
E aquelas coisas todas que custa muito ouvir falar.

O Ricardo Reis respondeu a este poste no dia 1 de Março.
RR, além de ter uma inteligência e conhecimento extraordinários, é uma pessoa educadíssima e que  tem um elevado fairplay.

"Olá Pedro,
 ... O teu poste parece-me um bom contributo para a discussão, e nesta crise que enfrentamos mal seria se concordássemos em tudo ... Permite-me só dois comentários...:
(i) nesta coluna não falo em lado nenhum em mais inflação como a cura. (De qualquer forma, sim acho que a zona euro estaria em melhor estado se o BCE deixasse a inflação subir 1 ou 2% acima do seu alvo.)
(ii) no teu "Temos que implementar" acho que concordo com a maioria das medidas e tenho escrito rios sobre isso nas minhas colunas na imprensa já há muitos anos.

Ricardo"
Muito obrigado amigo Ricardo.


Sobre a menina de ontem
Eu sou humano logo, engano-me.
Afinal eu vi mal. Aquilo foi uma alucinação.
Era uma matrafona que vinha pedir um patrocínio para o Carnaval.
Como o Passos não deu tolerância de ponto, a coisa deu prejuízo e os coitados precisam de uma ajudazinha.

Fig. 7 - Dê-nos uma contribuiçãozinha para cobrir os prejuízos da "intolerância" de ponto.

Quase me esquecia de agradecer
Ter o nosso blog, meu e vosso, ultrapassado as 200 mil visitas.
Em menos de um ano atingir 200 mil visitas (e ter escrito 200 postes) é obra.
Estamos todos de parabéns.

fig. 8 - Muito obrigado.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A contracção do PIB, o desemprego e o investimento

O INE revelou os dados com o decrescimento do PIB em 2011.
Em termos médios, em 2011 o PIB diminuiu 1.5%;
No 4T de 2011, em termos homólogos, o PIB diminuiu 2.7%;
No 4T de 2011, em termos trimestrais em cadeia, o PIB diminuiu 1.30% que, anualizado, são 5.30%.
Mas afinal porque e quanto contraiu o PIB?

O que é o PIB.
O Produto Interno Bruto quantifica tudo o que se produz durante um ano mais a depreciação do capital. Por isso é que se chama Bruto.
Em termos aproximados, em cada 100€ de PIB, 18€ são a depreciação do capital, produzindo-se 82€.

O total produzido é o Produto Interno Líquido, PIL.
O total produzido distribue-se pelos salários (52€) e pelos juros, dividendos e propriedade intelectual (30€).
O rendimento disponível é menor (que 82€) porque uma parte (40€) vai para impostos em troca da Saúde, Educação, Segurança, Vias de Comunicação, etc. fornecidos pelo Estado.
Por exemplo, o PIB per capita português em 2011 foi de 15500€. Então, por cada português produziram-se 12500€ e houve uma depreciação de 3000€ de capital (aproximadamente) que foi parcialmente reposto com o investimento.
Normalmente os analistas esquecem a depreciação do capital porque não interessa (por exemplo, os sindicatos querem anunciar que os salários são 50% do PIB quando são 60% do total produzido) ou porque é difícil o cálculo da taxa de depreciação (a OCDE adopta 10% do total contabilizado como capital). 
Como não é possível medir exactamente tudo o que se produz, o PIB é uma estatística aproximada da realidade. Além do mais, os bens e serviços produzidos vão-se alterando ao longo do tempo e são diferentes de país para país (e até de região para região) o que dificulta a sua leitura. 

Para que serve o PIB.
No fundo o que os economistas querem quantificar é o grau de felicidade das pessoas. 
O PIB é, juntamente com outros indicadores, uma medida dessa qualidade de vida. Outras medidas importantes são, por exemplo, a esperança média de vida, a mortalidade infantil e os anos de escolaridade.
Sendo que, por um lado, o PIB é medido com erro e, por outro lado, é apenas um indicador da qualidade de vida, deve ser lido com cautela.

Por exemplo
O Banco Mundial indica que Portugal tem um PIB per capita de 11750USD e Moçambique de 390USD (ano 2010).
O PIB pc português é 30 vezes o PIB pc moçambicano. Naturalmente que um português médio vive melhor que um moçambicano médio mas não vive 30 vezes melhor.
Bem, também não é fácil dizer o que é viver 30 vezes melhor. Como se quantifica em termos de viver bem o facto de, em média, um moçambicano durar 40 anos e um português 80 anos? Não sei.
Mas, se o salário médio em Portugal é próximo de 900€/mês então, em Moçambique o salário médio será próximo de 30€/mês.
Para nós é inimaginável como se pode viver com 30€/mês mas é possível, mas só duram 40 anos.
    Não têm casa logo, poupam na prestação, electricidade, água, IMI, condomínio, jardineiro, etc.
    Não têm carro logo, poupam na gasolina, seguro, imposto de circulação, etc.
    Andam a pé logo, poupam em transportes, ginásio, etc.
    Não comem carne nem peixe logo poupam em análises ao colesterol.
    Morrem mal lhes dá um doençazita logo, poupam em medicamentos, meios de diagnóstico e médicos.
Para quem tem 1€/dia de rendimento, um quilinho de milho (que custa uns 0.10€) dá um manjar mais saborosos que, para quem tem 30€/dia, uma cabrito (que custa 11€/kg no Intermarché).

Fig. 1 - Ri-te, ri-te que daqui a nada estamos todos a assar no forno.

Vamos ao crescimento português.
Há crescimento do PIB principalmente por três razões.
    1. Aumenta o número de trabalhadores (ou o número de horas que cada pessoa trabalha);
    2. Aumenta a quantidade de capital;
    3. Há progresso técnico (Pensam os esquerdistas que cai do Céu).
Vou pegar nos dados e estimar quanto cresce a economia portuguesa quando o número de trabalhadores e de capital são fixos.
Pegando em dados do INE quanto ao número de activos (trabalhadores menos os desempregados), o PIB do Banco Mundial e verificando que o capital se tem mantido constante nos últimos anos, estimo que o progresso tecnológico faz o PIB português aumentar 0.80%/ano (ver. Fig. 2) e que é uma tendência muito regular.

Fig. 2 - Crescimento do PIB por pessoa a trabalhar, € (fonte: WB e INE)

Será que 0.80%/ano é um bom crescimento?
Não é nada de especial mas é bom. Sem fazermos nada de especial, no final do SEC XXI um trabalhador em Portugal já produzirá o dobro do que produz actualmente. De uma geração para a outra (35 anos), haverá um aumento de 1/3 na produtividade. Estes números são parecidos com os dos países desenvolvidos como a Alemanha, Inglaterra, USA ou Japão. São números próprios de um país desenvolvido (que somos).
Por estranho que possa parecer, estes 0.80%/ano são superiores ao observado na China ou Índia  onde o crescimento se deve à muita poupança e investimento.

Porque será que agora o PIB está a diminuir?
Não é por causa da diminuição do consumo nem nada disso. Isto é uma lengalenga que os keynesianos contam para embalar o boi antes de lhe mandarem a marretada. O PIB diminui porque se produz menos.
Em termos naturais, o PIB aumentaria 0.8% de 2010 para 2011 mas reduzir por causa dos outros factores, da redução do capital (investimento menor que a depreciação) e do número de trabalhadores activos (aumento do desemprego).

1. O aumento do desemprego.
É a causa e não o efeito da queda do PIB. Quanto menos pessoas trabalharem ou quanto menos horas cada pessoa trabalhar, menor será a quantidade produzida.
Como a produção se divide 2/3 para o trabalho e 1/3 para o capital então, se a quantidade de pessoas a trabalhar reduzir em 1%, o PIB reduz-se em 0.67%. Como o desemprego tem estado continuamente a aumentar, o PIB é puxado para baixo. É só advinhar quanto vai aumentar o desemprego e fica-se logo a saber quanto vai cair o PIB.
Verificar-se-á uma redução do desemprego quando se observar que o PIB aumentou mais de 0.8%/ano que é a actual taxa potencial de crescimento do PIB portugês.
Se o desemprego aumentar 3 pontos percentuais o crescimento do PIB ficará, em tendência, em
     Crescimento = 0.8  - 3*0,67  = -1.2%/ano 

2. A diminuição do capital.
Em Portugal existe aproximadamente 50000€ de capital por cada pessoa a trabalhar (depreciando 5000€/ano). Se o capital aumentar, a capacidade da pessoa produzir também aumenta. Como a produção se divide-se 2/3 para o trabalho e 1/3 para o capital, um aumento do capital de 1% induz um aumento do PIB em 0.33%.
Actualmente em Portugal a quantidade de capital está a diminuir porque a depreciação é ligeiramente superior ao investimento (a poupança e o investimento por trabalhador estão inferiores a 5000€/ano). Então, o PIB é puxado para baixo.
Se o investimento reduzir 3.3% do PIB, o capital reduz-se em 2% (é 170% do PIB) o que induz uma queda de 0.66% no PIB.
     Crescimento = 0.8  - 3*0,67  - 2*0.33 = -1.9%/ano 

Esta é a previsão dos modelos macroeconómicos.
Uma pessoa pega nesta duas variaveizitas, faz uma conta de multiplicar e outra de somar e depois mete isto num grande relatório para pensarem que é uma coisa muito complicada. É complicado porque tem muita teoria por tras da conta mas o resultado final não é nada parecido com a lengalenga que se ouve por ai.
Reparem que quem for keynesiano não consegue fazer esta conta. É assim parecido com os crentes nas fadas madrinhas que não acrediram que os raios são faiscas eléctricas.

As previsões dos esquerdistas.
É o deus não sei que que quer castigar não sei quem porque fez não sei o quê, bla bla bla bla, o patronato, o grande capital, o especular, tipo discurso do Louçã ou deste novo cromo da CGTP-IN, o Arménio, que anuncia terem estado 300 mil pessoas num espaço onde só cabem, à pinha, 30 mil pessoas.
A praça do comércio tem 26 mil m2 (160mx160m), pelo que era necessário estarem 10 pessoas/m2 o que é impossível porque uma pessoa ombro com ombro, barriga com costas ocupa 0.5m2 e havia lá muito espaço vazio.
Não estavam na praça do comércio nem 10 mil pessoas.
Fig. 3 - Na Praça do Comércio cabem, no máximo, 30 mil pessoas mas o Arménio meteu lá 300 mil.
Precisamos de mais milagres destes a ver se Portugal arranca.

Como poderíamos fazer crescer o PIB?
1. Trabalhar mais horas. O aumento de 1h/dia, 12.5% do tempo laboral, tem potencial para aumentar o PIB em 8%. Isto custa.

2. Aumentar a poupança (e diminuir o consumo). Só assim as contas bancárias podem aumentar e os bancos ficarem com recursos para emprestar às empresas. Não se pode pedir aos banco que emprestem recursos às empresas sem o povinho poupar e meter lá dinheiro. Isso cai do Céu nos bancos?
É melhor a tese que pregam os esquerdistas, a sopa da pedra na versão financeira: mete-se um pedra num cofre de um banco, agita-se e resultam milhares de milhões de e de crédito às micro-mini-medias empresas mais uma pedra.

Diria que tem lógica.
É a lógica da equivalência entre afirmações falsas
"estavam 300mil na praça do comércio" é equivalente a "um porco tem asas e voa"
"um porco tem asas e voa" é equivalente a "mete-se uma pedra no cofre e este enche-se de dinheiro"
Então
"mete-se uma pedra no cofre e este enche-se de dinheiro"  é equivalente a "estavam 300mil na praça do comércio"
Vou experimentar.

3. Diminuir o desemprego. Mas isto obriga a diminuir os custos do trabalho. Por um lado, trabalhar mais horas irá ter este efeito mas não será suficiente porque cada empregado vai trabalhar mais. Então, será ainda preciso reduzir os salários nominais.
A Alemanha reduziu os custos do trabalho em 15% entre 2000 e 2010 e hoje tem uma situação económica invejável. Temos que seguir o exemplo e rapidamente.

E a flexibilização do mercado de trabalho?
Provavelmente vai fazer com que a tendência de crescimento passe de 0.80%/ano para 1.00%/ano mas não vai resolver nenhum dos problemas actuais. É como aconselhar uma pessoa que está em paragem cardíaca a fazer duas horas de ginásio por semana.
Não temos tempo para que isto faça efeito.

Fig. 4 - O pânico de 30/31 de Janeiro (em que atingiu 18.289%/ano) já passou mas a tendência de aumento continua. Taxa de juro implícita da dívida pública portuguesa a 10 anos (fonte: bloomberg)

Vamos aos números.
A taxa de variação em cadeia (- 5.3% anualizada).
Há trimestres onde se produz menos (o 3T por causa das férias) e outros onde se produz mais.
Um exemplo exagerado é o número de banhistas nas praias que reduz 80% de Agosto para Setembro.
Por isso, a comparação do 3T 2011 com o 4T2011 (uma contracção de 1.3%, 5.3%/ano) não é uma boa medida para ver a evolução do PIB. Se se calculasse a sazonalidade média e se corrigisse esta observações desse efeito, já se poderia utilizar mas o cálculo da sazonalidade tem problemas.

A taxa de variação homóloga (-2.7%).
Corrigir directamente a sazonalidade. Ao comparar o número de banhista em Agosto de 2011 com Agosto de 2010 dá um melhor ideia da evolução do número de banhista ao longo do ano. Depois, comparamos Setembro com Setembro.
Comparar 4T de 2011 com 4T de 2010 corta o efeito das alterações ao longo do ano mais ainda não é a melhor medida para a evolução do PIB (-2.7%).
Por exemplo, o número de banhista em termos homólogos de Agosto pode diminuir porque esteve frio e os banhistas passaram para Setembro que aumentou em termos homólogos.

A taxa de variação homóloga média (-1,5%).
A sazonalidade já está corrigida e agora corrigem-se problemas de contabilização e transferências de uns trimestres para os outros.
Imagine que, de repente, o mês em que recebe o subsídio de férias avançava. Então, haveria um mês em que o seu rendimento diminuía para metade mas que seria contrabalançado por um aumento para o dobro no mês seguinte.
Assim, a média, é a melhor medida para calcular quanto o PIB varia de um ano para o outro.
Então, temos que dar como bom que em 2011 o total produzido em Portugal diminuiu 1.5%.

E como se relacionam os diversos valores?
De facto, a evolução do PIB é pegar em tudo que se produziu em 2011 e comparar com tudo o que se produziu em 2010 mas o melhor indicador disso é a taxa de variação homóloga média.
A taxa de variação homologa e a trimestral em cadeia têm que ser lidos com muita cautela. Podemos dizer que a variação homóloga no 4T 2011 ser muito superior à média (2.7% contra 1.5%) é um mau indicio. Também a contracção anualizada de 5.3% no trimestre não são boas notícias. Juntando o facto do desemprego estar a acelerar, estes número são muito maus podendo estar no horizonte uma contracção do PIB acima dos 5% para 2012.

Fig. 5 - O desemprego não para se aumentar e cada vez mais depressa (fonte: INE)

Mas há boas notícias.
Estive a ler um trabalho que foi submetido ao Wolson Prize por uma equipa de peritos, economistas, advogados, contabilistas do Adam Smith Institute e a minha está melhor.
Tiveram um trabalhão, inventariando todas as bancarrotas e intervenções do FMI desde 1970, as implicações legais de mil e uma coisas mas a sua proposta é uma replicação do que já aconteceu.
Escreveram 100 páginas com as coisas terríveis que ouvimos nos média sobre o caso de alguém sair da Zona Euro mas tudo coisas do passado.
E agora precisamos de uma solução nova.
Dos mais de duzentas submissões (onde dizem haver um Prémio Nobel) já só preciso de me preocupar com mais de duzentas menos 1.

Fig. 6 - Eu sei que o teu amor é sincero não tendo nada a ver com eu ter ganho os 300000€. E que tenha, quero lá saber.

Pedro Cosme Costa Vieira

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