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segunda-feira, 17 de junho de 2013

O crescimento económico dos USA, Japão, Europa e da Ásia

Consta que a Europa está em crise.
E logo surgem vozes "especialistas em Economia" a dizer que a Europa, por seguir uma politica monetária restritiva, está a seguir o caminho do Japão de estagnação económica. Dizem ainda que os USA, porque têm politicas expansionistas, têm muito maior crescimento económico.
Mas os dados do Banco Mundial não dizem nada disso. O que separa os USA dos demais países desenvolvidos é o crescimento da população e não o aumento de produção por cada pessoa (que mede, verdadeiramente, o progresso económico). 
Crescimento económico no período 1996-2011.
Para vermos se existem diferenças estruturais entre os USA, Japão e os maiores países da Europa vou considerar a média dos últimos 15 anos (1996-2011) da informação disponibilizada pelo Banco Mundial (ver, Quadro 1).

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
USA43,61,630,900,73
JPN31,30,670,050,62
DEU33,51,16-0,071,23
FRA31,41,110,650,46
GBR33,51,580,600,97
ITA30,30,250,64-0,38
ESP29,41,741,280,47
Média37,51,280,600,69
Quadro 1 - Performance económica das 7 maiores economias desenvolvidas, 1996-2011 (dados: Banco Mundial). PIBpc,ppc em milhares de USD.

Os USA (e a Espanha) têm um crescimento mais forte mas se retirarmos o efeito do crescimento da população, a Alemanha e o Reino Unido crescem mais rapidamente que os USA. O Japão cresce 0.62%/ano que é apenas 0.11 pp abaixo dos USA.

Como podem os alemães estar errados?
Interessante ninguém gritar que a França e a Espanha têm 1/3 do crescimento económico da Alemanha estando ambos sob a mesma politica monetária. E que a Itália, também nas mesmas circunstancia, tem crescimento negativo.
A França tem um crescimento 0.18 pp abaixo do Japão.

Como se compara Portugal?
Portugal é um país relativamente rico (poder de compra de 70% da média das 5 maiores economias europeias e 50% dos USA) mas o crescimento económico per capita é zero (ver, Quadro 2).
Os 15 anos considerados englobam os governos do Guterres, Durão (2 anos), Santana Lopes (meses) e Sócrates.
Se o Guterres e o Sócrates anunciam terem sido tão bons governantes, porque será que o nosso crescimento foi 0?

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
PRT22,80,280,260,03
Quadro 2 - Performance económica portuguesa, 1996-2011 (dados: Banco Mundial) PIBpc,ppc em milhares de USD.


Fig. 1 - O trabalho infantil é errado mas a alternativa é morrer de fome (esta criança nepalesa ganha 0.08€/hora e um adulto ganho 0.20€/h)

Vamos agora aos países mais pobres.
Os esquerdistas acham que na Ásia se exploram os trabalhadores.
A questão é que nos 10 grandes países pobres do Mundo (um PIB pc em paridade de poder de compra inferior a 15% dos USA) vive ligeiramente mais de metade da população mundial e só se produz 10% da riqueza mundial.
Se cada um de nós abdicasse de 10% do seu rendimento, o rendimento de metade da população mundial poderia mais que duplicava mas isso está fora de questão. O que dizem os esquerdistas é que esses pobres estão a destruir a nossa industria pelo que têm que ser proibidos de exportar para cá o que produzem.
O objectivo não é melhorar as suas vidas mas , demagogicamente, dizer que se eles não tiverem emprego, viveremos melhor e eles também!
A pobreza apenas se combate com trabalho e esses países estão, com muito sacrifício, a percorrer o caminho do crescimento económico (ver, Quadro 3).
Se hoje são muito pobres, havendo crescimento económico, amanhã serão menos pobres.

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
China530910,590,619,98
India25897,731,586,15
Indonesia35065,511,204,32
Pakistan22924,671,872,79
Nigeria19356,882,624,25
Bangladesh13295,971,384,58
Philippines33344,881,912,97
Vietnam24997,161,185,98
Ethiopia7698,392,465,92
Egypt50784,681,882,81
Média43509,021,018,01
Quadro 3 - Performance económica dos 10 países pobres mais populosos, 1996-2011 (dados: Banco Mundial) PIBpc,ppc em milhares de USD.

Ouvir todos os dias noticias de milhões de pessoas que vivem na miséria entristece mas observar que mais de metade da população mundial vê o seu nível de vida melhorar 8%/ano mostra que as tragédias noticiadas, por mais trágicas que sejam, dão uma visão parcelar e errada do que está a acontecer no Mundo.
Um crescimento de 8.01%/ano traduz que, a cada 9 anos, o rendimento das pessoas duplica.
Se o crescimento económico nestes 10 países continuar esta tendência, em 2030 terão um nível de vida semelhante ao nosso.
 
Mas estarão todos os países pobres a desenvolverem-se?
Infelizmente não.
Os dados parem indicar que os países mais pobres (<2500USD, 20% da população mundial) estão quase presos numa armadilha de pobreza (ver, Fig. 2). Pegando nos países abaixo desse limiar (um PIBpc,ppc médio de 1777USD), o crescimento do PIBpc é de 3.58%/ano, muito inferior aos 8.01%/anos dos 10 maiores países pobres (ver, Quadro 1).

 
Fig. 2 - Relação entre crescimento económico e PIBpc, ppc (1996-2011, dados: Banco Mundial)

Os países verdadeiramente pobres.
1.400 milhões de pessoas vivem nos países mais pobres e levam uma vida verdadeiramente desgraçada (com a criança da Fig. 1).
O que temos que dizer a essas pessoas é que vale a pena esforçarem-se. Que há apenas 20 anos na China vivia-se pior que actualmente se vive nesses países e hoje na China já se tem um nível de vida comparável ao do Brasil.

Por falar no Brasil.
O crescimento baseado no consumo e na re-distribuição, no curto prazo pode parecer que dá frutos mas, muito mais cedo do que julgam os esquerdistas, transforma-se num pesadelo. AS manifestações em São Paulo traduzem que as pessoas pensavam que vinha aí o maná mas a realidade está-se a transformar na estagnação económica.
Não há volta a dar. Para a qualidade de vida melhorar de forma sustentável é preciso poupar e investir.
É perigoso promete crescimento economico baseado em mais consumo.

Fig. 3 - Crescimento do PIBpc brasileiro (Dados, Banco Mundial e Tradingeconomics)

Fig. 4 - Os sapatos brasileiros estão cada vez melhores

Finalmente, vou ao Irão.
As pessoas não votaram em grandes visões para o mundo mas apenas olharam para a economia chinesa.
Pode haver uma grande intoxicação ideológica, afirmar ao mundo que estão com capacidade para destruir Israel, que são uma potencia nuclear, etc.  mas as pessoas reparam que em 1980 (o ano seguinte à revolução) um iraniano tinha um nível de vida 13 vezes o de um chinês e hoje está ela por ela.
Em 1980 a economia iraniana representava 55% da economia chinesa e hoje representa 5%.
Alá encheu o Irão de petróleo mas os homens que o governam alegadamente em seu  nome têm feito o nivel de vida das pessoas diminui ao longo do tempo.
Por mais que se queira dizer que a liberdade economica é má, que leva à exploração do homem pelo homem, o bom desempenho económico daqueles 10 paises do quadro 1 é a melhor demonstração que o "deixar fazer, deixar passar" é o principal factor de progresso da humanidade.
É incrivel como a China, a mais feroz das ditaduras comunistas, se tornou a mais forte demonstração das virtudes do capitalismo.


Está tudo encaminhado para o próximo poste ser sobre o desemprego nos países pobres.
E não vale a pena falar da greve dos professores pois estão a tentar defender previlégios que é impossivel manter.
Não é possivel mantermos milhares de professores sem aulas e que se recusam a mudar de escola.
Se não querem trabalhar, rua.

Pedro Cosme da Costa Vieira

segunda-feira, 11 de março de 2013

Será que 2012 é mesmo a maior recessão pós-1975?

Já se sabia há algum tempo que 2012 teve um crescimento negativo de 3.2%. Mais que o problema do último ano, comparando com o ano anterior à crise do sub-prime, 2007, o PIB já diminuiu  6.3% e irá acumular em finais de 2013, previsionalmente, uma contracção de 8%.
Desde 1975, este é realmente o período de maior contracção mas o problema mais grave é que esta contracção não resulta das políticas do Passos Coelho mas é antes uma tendência de evolução negativa da nossa economia que dura desde o 25-de-abril-de-1974.

O PIB potencial.
Num determinado ano, existe uma capacidade produtiva instalada que permite atingir um valor potencial para o PIB. Ao longo do tempo, motivado por especulações e reajustamentos, a economia oscila em torno deste valor potencial, estando umas vezes abaixo deste valor (o tempo das vacas magras) e outras vezes acima (o tempo das vacas gordas).
O problema realmente grave da nossa economia é que a taxa de crescimento do PIB potencial tem decrescido significativamente ao longo dos anos. Se entre 1960-73 crescemos 6.7%/ano, no pós 25-abril-1974 reduzimos o crescimento para metade e estagnamos desde que entramos na Zona Euro.

Fig. 1 - Evolução do PIB português (dados: Banco Mundial)

Devemos usar o PIBpc.
Parte da evolução do PIB é devido ao crescimento da população que tem vindo a diminuir. Então, num primeiro melhoramento, a análise terá que ser feita em termos de PIB per capita.
Pegando na evolução da taxa de crescimento do PIB per capita (do Banco Mundial), a taxa de crescimento potencial do PIBpc é a tendência de longo prazo. Observa-se que a taxa de crescimento potencial era muito elevada nos anos pós termos aderido à EFTA (1959), teve uma quebra muito grande no período 1973/75 (o choque petrolífero / 25-de-abril) e, desde aí, tem estado continuamente a decrescer, estando há alguns anos em valores negativos (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Evolução da taxa de crescimento potencial do PIBpc (dados: BM)

A severidade de uma crise deve ser medida relativamente ao produto potencial
Isto é standard na análise económica.
Naturalmente que, se a taxa de crescimento potencial do PIBpc está a diminuir, as crises que vêm surgindo são cada vez mais demoradas, profundas e a retoma é mais fraca e curta.
Então, como segundo melhoramento da análise, para podermos comparar a crise actual com as anteriores, é preciso relativizá-la à taxa de crescimento potencial do PIBpc (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Oscilação da taxa de crescimento do PIBpc em torno da taxa de crescimento potencial (cálculos do autor)

Agora, se olharmos para a Fig.3, a crise que estamos a viver é equiparável as outras 11 crises que vivemos desde 1960 em que no ano de maior contracção do PIBpc relativamente ao potencial, em média, a perda foi de 3.6% (que compara com -2.6% de 2012).
Se acumularmos as perdas relativamente ao PIB potencial da crise de 1982, a perda acumulada foi de 11.2%, bastante superior aos 8.0% de perda previstos até fins de 2013.

O controlo da economia.
O objectivo da macroeconomia é a estabilização da economia que se mede pelo desvio padrão do PIB relativamente à tendência de longo prazo. Se esse desvio padrão aumenta, então a macro-economia está descontrolada.
O que se observa (alisamento exponencial com a = 0.5), é que, depois dos graves problemas dos anos da revolução, a macro-economia está bem controlada, tendo diminuído a oscilação do PIBpc de 3 pontos percentuais dos anos 1985/2000 para 2 pp.
Subiu no pós-crise-do-sub-prime mas mantém-se baixa o que traduz que não estamos em nenhuma espiral recessiva.

  Fig. 4 - Desvio padrão do PIBpc relativamente ao crescimento potencial (cálculos do autor, alisamento exponencial com a = 0.5)

Espremem-se os dados e eles dizem a verdade.
A análise de informação estatística obriga a haver uma teoria de base.
É quase como quando vamos ao médico preocupados porque nas nossas análises temos umas setinhas para cima e para baixo e ouvimos "está tudo bem, isto não tem importância nenhuma". Outras vezes (como foi o caso da minha mãe) ouvimos de uns números normais "isto está muito grave. Precisa urgentemente de fazer hemodiálise". Foi o longo estudo que permite ao médico encaixar os números das nossas análises numa doença ou num estado normal.
Com a economia é o mesmo e, apesar de realmente estarmos a passar por uma crise, isso não é muito grave.
O problema é a tendência de diminuição do crescimento potencial do PIB que nos tem atirado para uma crise continuada.

Termino com o Salário Mínimo Nacional.
O Passos Coelho (e o António Borges) disse que o SMN deveria descer.
Eu tenho a certeza que, se o SMN descesse, o desemprego diminuiria e o rendimento disponível das famílias aumentaria porque o impacto que teria nas pessoas empregadas seria nulo e haveria mais pessoas a receber um ordenado.
É interessante trazerem estudos de validade nula para o nosso país que dizem que o SMN não tem impacto no desemprego porque se aplicam apenas a países onde o SMN é inferior a 30% do PIBpc. Ora em Portugal o SMN já é 43.1% do PIB e tem aumentado (porque o PIB tem diminuido).

O SMN deveria diminuir para 340€/mês.
Mas não há condições socio-políticas para esta medida avançar.
Eu defendo que o SMN deveria acabar de vez.
Na Suíça e na Alemanha o salário mínimo é zero (não existe) e não consta que se viva assim tão mal nestes dois países, muito antes pelo contrário.
Seria bom fazerem um estudo que relacionasse a descida do SMN com os salários das pessoas que estão empregadas.
Nesse estudo, como indica a teoria económica, ver-se-ia facilmente que o fim do SMN não tem qualquer impacto negativo nos salários de quem tem actualmente emprego e faz diminuir, rapidamente, o desemprego.


Fig. 5 - Antigamente os esquerdista gostavam de falar muito das políticas sociais do Brasil e do aumento do SMN mas desde que o crescimento parou, emudeceram. Então crescer o SMN não tem impacto? Nos últimos 2 anos o Brasil teve um crescimento de 1.8%/ano que compara com os "fracos" 8.5%/ano da China (fomte: www.tradingeconomics.com).

O que estão os esquerdistas a defender?
Não existe nenhuma razão para uma pessoa querer trabalhar por 3.5€/hora e ter um empregador disponível para pagar este preço e o Estado proibi-lo não dando alternativas de ocupação (nem de rendimento) a esta pessoa.
Os esquerdistas querem é sangue, uma massa de pessoas no desemprego, pois nem o comunismo nem a religião sobrevivem sem massas de pobres.
Mais aquele indignado que tem uma reforma de 71000€/mês.

Fig.5 - Filhinho, anda aos alpes suiços bricar com o tractorzinho mas não penses que, por não termos SMN, a brincadeira te vai ficar barata.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 2 de março de 2012

O Brasil e o Japão. Querem que eu minta?

Como dizem em Manaus (onde o meu bisavô Francisco António de Almeida morreu e está sepultado), "Quem vê o Amazonas nunca mais pensa que o rio da sua terriola é o maior do Mundo".
Eu nunca o vi mas acredito que sim. Quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Estuário do Rio Amazonas pensou estar a "navegar há dias num oceano de água doce".
Em particular os brasileiros (que enviam comentários a insultar-me) têm muito orgulho na sua terra e pensam que é a melhor do Mundo.
Eu não sei porque nunca fui ao Brasil, ao USA, ao Japão nem à China.
Também nunca vi uma célula, nunca pousei na Lua, nunca vi pescar bacalhau.
Como nunca lá estive, tenho que confiar na informação transmitida pelos organismos internacionais.
Penso que se o Banco Mundial estivesse a transmitir dados falsos, alguém havia de dizer alguma coisa.
Em particular, sendo o Brasil, na óptica dos tais comentaristas, o país mais rico e desenvolvido do Mundo,  em vez de me mandarem comentários indelicados, atacavam o Banco Mundial.
Ou então, como os dados disponibilizados pelo Banco Mundial são os recolhidos por cada país, o Instituto de Estatística Brasileiro, enviaria os dados correctos para o Banco Mundial.
Como não o fazem, tenho que tomar os dados do Banco Mundial como certos e os quais qualquer pessoa, incluindo os brasileiros, pode consultar no sítio do Banco Mundial: 

Fiz uma recolha de dados no Banco Mundial
1) Seleccionei os países que queria (China, Brazil, USA e Japan)
2) Seleccionei 3 variáveis
     GDP (constant 2000 US$)
     Population ages 15-64 (% of total)
     Population, total
3) Seleccionei os anos 1960 até 2010
4) Mandei exportar para um ficheiro Excel

Fiz umas contas
Depois calculei a população total com a idade no intervalo 15-64 anos 
    PIA = Population, total * Population ages 15-64 (% of total) / 100
Dividi o GDP (constant 2000 US$) pela população em idade activa
   GDPpcia = GDP (constant 2000 US$) / PIA
Penso (e aqui é uma alfinetada) que não é muito complicado o estimado leitor refazer estas contas e confirmar os resultados que obtive.
Se pensa que estão errados, em vez de perder tempo a dizer que eu sou ressabiado, recalcule-os por si, com os seus dedinhos.

Os resultados
A minha ideia era apenas desfazer a ideia que o Japão estagnou mas juntei o Brasil porque, por aqui e por aí, pensam que é uma maravilha.
O Japão cresceu a uma taxa alucinante (7.3%/ano) até atingir, em 1972, o nível de PIB por pessoa em idade activa  dos USA. Depois, passou a crescer à taxa dos USA que representam a Fronteira Tecnológica (+1.8%/ano).
Nem poderia ser de outra maneira. Quem pensa que isto é um fracasso económico, não pode perceber nada de crescimento económico.
Mas muito pior é como pode alguém afirmar que o Brasil está em grande pujança económica. Ond é que isso se vê? Qual é a base de dados onde vão buscar os dados?
São informação dos taxistas?
E não são só os brasileiros que me enviam comentários indelicados. Também o ouço de colegas meus professores de economia.
Não compreendo porque devo ser limitado.

Fig. 1 - PIBpcia do Japão, USA e Brasil, 1960:2010 (fonte: Banco Mundial, cálculo do autor)

Nunca o Brasil teve um crescimento equiparado ao Japão e, desde a bancarrota de 1980, está estagnado.

País
1980
2010
 Tx.Crescimento
BRA
6097
6957
0,4%/ano
CHN
314
3352
8,2%/ano
JPN
35826
61465
1,8%/ano
USA
34194
56125
1,7%/ano

Tabela 1 - PIBpcia em USD de 2000

Querem que eu invente números bonitos?
Eu não vejo como posso eu ofender os brasileiros (que me enviam comentários ofensivos)  por revelar estes números que são públicos e validados.
Será que ficavam mais contentes se eu inventar números, se mentisse e dissesse que são os maiores?
Será que o riozito da minha terra fica maior se me disserem que o Rio Amazonas não existe?
Será que aspiram a ser o país mais populoso do Mundo?
Será que querem competir com o Bangladesh?

Agora a China
A China começou a crescer em 1965, ano em que eu nasci. Não deve ter sido coincidência.
Nos vinte anos 1970-1990, o PIBpcia chinês cresceu 5.2%/ano;
Nos vinte anos 1990-2010, o PIBpcia chinês acelerou e cresceu 9.0%/ano.
Nos últimos 40 anos, em média o PIBpcia chinês cresceu 7.1%/ano que é uma taxa idêntica ao verificado no pós-guerra no Japão.
A China ainda é uma país atrasado. Actualmente o PIBpcia é apenas metade do brasileiro e 6% da Fronteira Tecnológica.

Questões que vale 1 milhão de dólares
Será que o Brasil vai acelerar o crescimento do PIBpcia de 0.4%/ano para os 7%/ano?
Não acredito. Terá que aumentar substancialmente a poupança e investimento e não me parece estarem preparados para isso.

Será que a China vai continuar a crescer à media dos últimos 40 anos (7.1%/ano)?
É possível. Tem poupança e investimento para isso (mais de 50% do PIB).
Se conseguir democratizar-se num processo de transição pacífico, pode ser que mantenha esta taxa de crescimento por mais 50 anos.
Mas 50 anos é muito tempo. Ninguém é capaz de prever a evolução da China daqui a 10 anos como posso eu querer prever o que se vai passar nos próximos 50 anos?
Lembram-se do filho da Kadaffi que dizer que ia suceder ao pai?
Se eu estiver certo, a China atingirá a fronteira tecnológica em 2060 que passará a partilhar com os EUA, o Japão e o núcleo duro da Europa (Alemanha e vizinhos e França?).

Fig. 2 - Provavelmente o mercado indiano tem mais potencial que o brasileiro

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Russia e o Brasil. Quem terá maior potencial?

Não tenho dúvida que a China será uma grande potência.
Se a inevitável democratização da China for um processo razoavelmente tranquilo então, por volta de 2040, algumas províncias da China serão países independentes, talvez as 10 mais interiores e pobres estando a China reduzida a 25% da sua dimensão actual concentrando-se na zona costeira (ver Fig. 1).
A fragmentação de uma federação acontece quando existem regiões que têm um desenvolvimento muito diferentes da média do país. Como as regiões mais ricas não querem subsidiar as regiões mais pobres ou as mais pobres querem viver de subsídios, a união implode. Foi o que levou ao fim da União Soviética (a saída dos países bálticos), da Jugoslávia (a saída da Eslovénia e a Croácia) e que vai levar ao fim da Zona Euro (a saída da Alemanha).

Fig. 1 - Em 2040 a China será democrática, rica e muito menor (a zona a verde).

Em 2040 a China Costeira atingirá a fronteira tecnológica com um PIB per capita de 60000 dólares (preços de 2005) e será uma das duas superpotências mundiais (a outra será o "ocidente", USA + Europa).

Fig. 2 - Evolução do PIB pc da China (1980-2010, Banco Mundial; 2011-2040, minha previsão)

E qual será o futuro da Rússia e do Brasil?
Eu penso que é mais importante o bem-estar do individuo que a força do colectivo. Por exemplo, a Nigéria tem um PIB 8.6 vezes o do Luxemburgo mas a Nigéria é conhecida por Migéria porque é uma miséria viver lá. Isto porque o poder de compra de um luxemburguês é 36.5 vezes o poder de compra de um nigeriano (em paridade do poder de compra, fonte: Banco Mundial, 2010). A dimensão económica da Nigéria vem dos seus 150 milhões de pobres enquanto a pequenez do Luxemburgo deriva dos seus 500 mil ricos.
Temos que ver como tem sido o comportamento dos países em termos per capita.

A população.
Em 1980 o Brasil tinha 90% da população russa e em  2020 terá 150%. A população brasileira está a crescer rapidamente (1.6%/ano) enquanto que a população russa está estabilizada nos 140 milhões. Então, para o nível de vida se manter constante, o PIB do Brasil tem que crescer 1.6%/ano.

Fig. 3 - Evolução da população do Brasil e da Rússia (1980-2010, BM; 2020, minha previsão)

Como tem evoluído o PIB per capita.
Os países mais pobres têm tendência a crescer mais depressa: é o catching up. Como existe difusão da tecnologia dos países mais desenvolvidos para os menos desenvolvidos a preço de saldo (por exemplo, não seria possível haver computadores no meio de África se os custos de desenvolvimento não tivessem sido incorridos pelos países mais desenvolvidos), há uma tendência para que os países mais pobres cresçam mais depressa que os mais ricos.
Nos últimos 5 anos, a taxa de crescimento do PIBpc da Rússia (3.84%/ano) é superior mas quase idêntico à taxa de crescimento do Brasil (3.43%/ano). Isto é bom mas não é nada de extraordinário. Por exemplo, o Peru (+6.1%/ano) e a Argentina (+5.85%/ano) tiveram um crescimento muito superior ao Brasil e ninguém fala disso.
comparando com os países com um grau de desenvolvimento semelhante, como a Rússia (13890USD) tem um PIBpc maior que o Brasil (9405USD), a taxa de crescimento do Brasil está na média enquanto que a Rússia está significativamente acima (ver Fig. 4).

Fig. 4 - Comparação do crescimento do PIBpc do Brasil e da Rússia com os 20 países semelhantes (2006-2010, BM)

A Rússia foi muito penalizada com o desmoronar da URSS tendo reduzido o PIBpc para menos de 50% do nível dos anos 1980. No entanto, desde 1998 (o reinado Putin-Medvedev) tem recuperado rapidamente. Em média, nos últimos 12 anos o PIBpc russo tem crescido 5.65%/ano enquanto que o do Brasil se ficou pelos 2.15%/ano (que é muito bom).

Fig. 5 - Comparação do PIBpc do Brasil e da Rússia (1990-2010, BM)

E o futuro?
O futuro é muito difícil de prever.
Prevejo que a Rússia se vai tornar um país integralmente europeu. Como já perdeu a posição de super-potencia expansionista e a sua população de 140 milhões já está à escala dos países europeus (a Alemanha tem 80 milhões, a França, Itália e Reino Unido têm 60 milhões) com o tempo haverá uma quase integração na União Europeia.
Em comparação com o Brasil, a Rússia tem a vantagem da localização.

O investimento e a poupança.
No período 2000-2010 a formação líquida de capital na Rússia (11.6% do PIB) é bastante superior à do Brasil (6.1% do PIB) (ver Fig. 6).

Fig. 6 - Investimento líquido no Brasil e na Rússia (2000-2010, pp do PIB, BM)

Também existe uma diferença significativa no facto de na Rússia esse investimento ser feito com poupança interna (e ainda fazem investimento no exterior) enquanto que no Brasil é feito com financiamento externo (ver Fig. 7).
O financiamento externo parece interessante mas, a prazo, o pagamento de juros e dividendos faz diminuir o nível de vida da população.

Fig. 7 - Poupança líquida no Brasil e na Rússia (2000-2010, pp do PIB, Banco Mundial)

E as previsões do FMI para 2015?
Dão para a Rússia (+4.46%/ano) uma taxa de crescimento do PIBpc superior ao do Brasil (+3,44%/ano).
Se esta taxa de crescimento se mantiver, lá para 2040 (quando a China vai atingir a fronteira tecnológica com um PIBpc de 60000USD), a Rússia estará nos 75% (45000USD) e o Brasil nos 40% (25000USD) da fronteira tecnológica.

Concluindo.
O facto da Rússia ter mais poupança interna, ter as contas externas (a balança corrente) positivas (e o Brasil negativa), ter mais investimento, ter uma população mais escolarizada e ser um país europeu indica-me uma vantagem relativamente ao Brasil.
A Rússia exporta 6 milhões de barris de petróleo por dia. A 100USD/barril são 220 mil milhões USD/ano (10% do PIB). O Brasil ainda não exporta nada.
Mas a minha bola de cristal está um pouco embaciada.

Fig. 8 - É dífícil prever se, em 2040, esta criança vai ser uma caloteira como o Sócrates.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 5 de novembro de 2011

Hoje tenho que ir dar uma rapidinha ao Brasil

Um comentarista viu uns números positivos sobre a Balança Comercial do Brasil. Interessante que o nosso Sócrates também estava sempre a atirar com números bombásticos sobre as exportações e, no entanto, ia encaminhando Portugal  lentamente para a Bancarrota.
O comentário provou que não fui suficientemente claro pelo que tenho que trazer mais uns números sobre a economia do Brasil.
Não  podemos, olhando para um pormenor, tirar conclusões sobre a totalidade do ser.

Fig. 1 - Não há qualquer dúvida que se trata de uma criança de raça negra. E bem escura.

A Balança Corrente.
As contas de um país com o exterior são condensadas na Balança Corrente.
Não basta saber qual o saldo da Balança Comercial para dizer que um país está em equilíbrio com o exterior. É preciso somar-lhe mais umas "pequenas" parcelas.
A Balança de Serviços, as Transferências Unilaterais e os Rendimentos Expatriados.
A Balança de Serviços consiste, grosso modo, no Turismo. Pessoas que nos visitam e gastam dinheiro e países que nós visitamos e gastamos dinheiro.
As Transferências Unilaterais são doações de países ou pessoas (por exemplo, ajudas ao desenvolvimento) e as transferências dos emigrantes/imigrantes.
Os Rendimentos Expatriados são o que temos que pagar / receber pelo investimento e endividamento estrangeiro.

Fig. 2 - Evolução das Balanças de Bens e Serviços e Corrente Brasileira (1970-2010, BM)

Apesar de em 2001 a Balança de Bens e Serviços brasileira ter um melhoramento significativo em 2011, a Balança Corrente piora ligeiramente (mais transferências e rendimentos expatriados) mantendo-se negativa em 4000milhões USD por mês, 2.3% do PIB.

Fig. 3 - Evolução da Balança Corrente Brasileira (1980-2011)


Fig. 4 - Evolução da Balança Corrente Brasileira (2010-2015, previsão FMI)


Se repararmos a evolução da balança corrente que antecedeu as crises de bancarrota brasileira (1979 e 1999) vemos que o padrão se está a repetir.
O défice da Balança Corrente é que leva um país à bancarrota (e não a dívida pública).
O Japão tem uma dívida pública astronómica e é um país com risco nulo de bancarrota porque tem uma situação corrente muito positiva.

Correcção instantânia
Uma coisa é como o país tem as suas contas com o exterior. Outra coisa é o seu crescimento económico.
Pode haver países sem crescimento económico que têm as suas contas externas equilibradas.
Por exemplo, o Zimbabwe tem crescimento altamente negativo. No entanto, como ninguém do exterior empresta activos a um residentes do Zimbabwe, a Balança Corrente tem que estar equilibrada.
Se a UE cortar as transferências para a Grécia ou Portugal, nesse mesmo dia a Balança Corrente cai de -10% para 0%.
Foi o que aconteceu em 2001 com a Argentina. 

O Crescimento do PIB
O crescimento económico tem a ver com o aumento do stock de capital que tem a ver com a poupança.
Os países poupam e investem mas parte do capital que existe deprecia-se. É o aumento líquido de poupança (o investimento líquido) que traduz o aumento de capital
  
Fig. 5 - A poupança líquida brasileira é 7%/ano do PIB


Fig. 6 - O crescimento médio brasileiro está nos 3%/ano do PIB e a cair rapidamente


Fig. 7 - A poupança líquida chinesa é 37%/ano do PIB

Fig. 8 - O crescimento médio chinês está nos 10%/ano do PIB e estável

O risco de falência
Não sou eu que diz que o Brasil caminha para a bancarrota.
São os brasileiros que o dizem ao exigirem uma taxa de juro de 10.44%/ano (a 9 anos) para emprestar dinheiro ao Estado Brasileiro (fonte: http://www.bloomberg.com/).
A taxa de juro incorpora a taxa de inflação (que no Brasil é de 5%/ano) a taxa de juro sem risco (por exemplo, a taxa da Alemanha, 1.7%/ano para uma taxa de inflação de 2%/ano) mais o risco do país falir no decurso do prazo contratado.
Para estes valores, a probabilidade implícita nos contratos de dívida pública de o Brasil falir antes do fim de cada um dos anos futuros com hair-cut de 50% vem dada por:

201213,3%
201323,3%
201432,1%
201539,9%
201646,8%
201752,9%
201858,3%
201963,1%
202067,4%


O Brasil tem uma probabilidade de 2/3 de entrar novamente em Bancarrota antes da década.
O estimado comentarista deu-me trabalho mas penso que o convenci que esse pequeno número que indica não indica nada. Infelizmente.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 8 de outubro de 2011

O Brasil vai ser uma potência mundial mas em sonho.

O Brasil é muito grande.
Nos seus 8460 mil km2 cabia toda a União Europeia mais o Japão e a Índia e ainda sobrava muito terreno. A sua população (195M) é equiparável ao conjunto da Alemanha (84M), França (65M) e Reino Unido (62M).
Com estes números colossais é natural que os brasileiros aspirem a ser uma potência mundial.
Mas não basta querer ser. É preciso fazer por isso e os factos económicos apontam no sentido contrário.

Fig.1 - Mapa do Brasil

A situação económica do Brasil
Em 1960 o Brasil arrancou para 20 anos de forte crescimento económico, conseguindo uma taxa de 7.3%/ano (ver Fig. 2). Nesta altura, os brasileiros pensaram que tinha começado o arranque para se tornarem a terceira potência mundial.
Depois veio a terrivel década de 1980 que iniciou 20 anos de crescimento anémico (+2.0%/ano) o que fez com que, lentamente, o povo tenha perdido a esperança.
Caiu o Muro de Berlim, uma oportunidade, mas o Brasil não pôde ir a jogo porque estava falido.
Em 2003 voltou a esperança com o Lula. Foi um pequeno sinal (+3.6%/ano) mas o optimismo tomou conta do povo brasileiro. Só festa, samba, foguetório por tão pouco.
  
Fig.2 - Crescimento do PIB, Brasil - 1960/2010, USD de 2000 (fonte: Banco Mundial)

Se analisarmos em termos de PIB per capita (ver Fig. 3), no período 1980-2000 a economia brasileira esteve mesmo estagnada (+0.2%/ano) e, nos últimos 10 anos está a crescer (+2.4%/ano) mas, para quem quer ser uma potência, isto não é nada. Matendo-se esta taxa, o Brasil apena atinge o actual PIBpc português em 2050.

Fig. 3 - Crescimento do PIBpc, Brasil - 1960/2010, USD de 2000 (fonte: Banco Mundial)

Por que será que o Brasil não arranca? 
Há quem defenda que o crescimento é puxado pelo consumo. Estes são os "keynesianos", os da esquerda.
Dizem que, para um país crescer é preciso aumentar o consumo (e, consequentemente, combater a poupança). Há que favorecer a distribuição dos rendimentos dos que têm mais (e poupam mais) para os que têm menos (e consomem mais).
É este o processo que está a aquecer a economia brasileira.
Mas está pensamento está errado porque, para uma economia crescer, é preciso investir em nova capacidade produtiva.
E para haver investimento tem que haver poupança.
Para crescer é preciso diminuir o consumo. Estes são os "novos clássicos" que são seguidos na China e na Índia. Os esquerdistas chama-lhes neoliberais.

Perguntem aos esquerdistas, broquistas, keynesianistas que dizem que o consumo faz aumentar o crescimento como justificam a relação negativa entre o consumo e o crescimento verificada nos dados (ver Fig. 4). 
A linha de tendência foi calculada usando as 100 maiores economias (que representam 95.0% do PIB mundial, 2010, fonte: Banco Mundial) pelo WLS em que o ponderador é a dimensão da economia. Acrescente 10 pp ao consumo  por o investimento ser em termos brutos (uma proxy da amortização). Na banda entre as linha a verde acumulam-se 2/3 dos 100 países (em termos de PIB).

Fig. 4 - Crescimento do PIBpc e consumo, média 2000/2010, pp do PIB (fonte: Banco Mundial)

O aumento do consumo em 1 pp do PIB implica a diminuição do crescimento em 0.24 pp.
R2 = 80.4% (a variável consumo explica 80% do crescimento)
O investimento no Brasil sempre foi pequeno e está em queda pelo que a economia tem uns pequenos arranques mas pára logo.

Fig. 5 - Investimento Bruto, Brasil - 1960/2010, % PIB,  (fonte: Banco Mundial)

O Brasil teve e tem como principal problema a falta de poupança.
O povo brasileiro não tem hábitos de poupança. A taxa de poupança em 2010 foi de 15% do PIB. É uma sociedade de consumo, comparável com as mais evoluidas, em que as pessoas não estão dispostas a abdicar do conforto presente para fazer a economia crescer.
Mas não existe outra forma de crescer de forma sustentada que não seja pelo poupar e investir.
Mesmo investir com a poupança exterior (capital estrangeiro) não é solução. A economia cresce mas, como é preciso pagar os juros, a riqueza disponível para os nacionais não cresce. Mesmo assim, pontualmente o investimento estrangeiro é importante porque transfere tecnologia mas não pode substituir a poupança interna.

A falta de poupança é uma bomba relógio.
Não havendo investimento, os equipamentos vão-se tornando obsoletos, o design dos produtos fica démodé, a economia torna-se menos competitiva, o crescimento diminui. Aí, o Governo, dizendo que vai estimular a economia, começa a incentivar o consumo o que desequilibra as contas do país (ver fig. 5) até que, de repente, vem a "crise financeira". O Brasil, em 2007, entrou neste processo (Ver, fig. 6)

Fig. 6 - Balança Corrente, Brasil - 1960/2010, % PIB,  (fonte: Banco Mundial)

Como será a próxima década no Brasil?
O Investimento é cada vez menor. O défice corrente está a piorar. Não prevejo nada de bom.
Mais ano menos ano, vai estourar como estourou em 1979 e em 1999.
Talvez aguente até 2019 mas, indo como vai, estoura.

Mas o Brasil é dos BRICS que são o futuro.
O Brasil é tipo uma pessoa sem auto-estima que se enche de orgulho quando alguém lhe faz um elogio. E esse alguém é a China, o dragão, que usa os BRICS como arma política.
Re-olhemos para a posição dos BRICS na Fig. 4. O Brasil está a milhas da China e da Índia e junto da Africa do Sul.

Em 1980, a economia brasileira representava 50% da economia total dos BRICS.
Em 2010 já só representa 16% e, dentro de 10 anos, representará 10%.

Em 1980, a economia chinesa representava 21% dps BRICS.
Em 2010 já representa 57% e, dentro de 10 anos, representará 70%.

Quando a China aparece em algum forum internacional não quer parecer agressiva e, por isso, leva a reboque um país da América do Sul, um da Europa, um de África e a bomba humana Índia.
Importantes vão ser a China e a Índia. O Brasil é uma dama de honor.

Fig. 7 - Dimensão económica do Brasil, Índia e China - 1960/2010, USD 2000,  (fonte: Banco Mundial)

Em 1970, a economia chinesa valia metade da brasileira. Em 2010 já vale 3.5 vezes.

Vejamos o investimento
A China investe 45% do PIB, a Índia 35% e o Brasil 17%.

Fig. 8 - Investimento no Brasil, Índia e China - 1960/2010, %PIB,  (fonte: Banco Mundial)

Peso do Brasil na Economia Mundial
O Brasil é a sexta "economias" mundial mas representa apenas 2.2% do PIB global.
Apesar de as três maiores economias estarem a perder importância, essa fatia não está a passar para o Brasil mas vai para a China e para a Índia.

Ano
USA
EUU
JPN
CHN
IND
BRA
1970
30,76%
32,52%
14,03%
0,82%
0,96%
1,57%
1980
29,13%
30,40%
14,95%
1,04%
0,89%
2,44%
1990
29,09%
28,06%
17,09%
1,83%
1,11%
2,07%
2000
30,73%
26,36%
14,49%
3,72%
1,43%
2,00%
2010
28,24%
23,35%
12,24%
7,84%
2,35%
2,21%
Cresc. (1990/2000)
3,43%
2,23%
1,18%
10,42%
5,46%
2,54%
Cresc. (2000/2010)
1,67%
1,30%
0,82%
10,47%
7,76%
3,58%
2020 prev.
25,95%
20,69%
10,34%
16,52%
3,86%
2,45%
Tabela 1 - Peso comparativo do Brasil na Economia Mundia (fonte: Banco Mundial)

Espelho meu, espelho meu, será que o Brasil vai ser uma potência mundial?
Já o é e continuará a ser. É a potência do Futebol, do Samba, das mulheres bonitas e da goiabada.
Mas da economia e da geopolítica, nunca será uma potência.
Tinham que reduzir muito o consumo porque 2.45% não conta para nada.
Se o Brasil (ou Portugal) quiser voltar a ter crescimentos na casa dos 6%/ano tem que reduzir o consumo em 20 pontos percentuais do PIB.

Proverbio chinês
Se queres comer mais maçãs e és leviano, abana a árvore que tens. Se és sensato poupa esses esforço e planta mais macieiras.

Pedro Cosme Costa Vieira

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