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domingo, 2 de outubro de 2011

Santo Aleixo dos Mendigos saíu há 5 anos da Zona Euro

Cada vez mais pessoas falam ser inevitável Portugal sair da Zona Euro. Anunciam um processo catastrófico mas, pelo verificado em Santo Aleixo dos Mendigos, nada disso corresponde à verdade. Comparando com o caso observado, vai tudo correr bem.
Seria uma catástrofe é se o presidente da junta, o jotinha, uma pessoa sem força para aumentar os juros bancários e para diminuir os salários nominais, teimasse em manter Santo Aleixo na Zona Euro.

Fig. 1 - Arrumem-se que vem aí o tsunami "Saída da Zona Euro"

Corrigir o défice público, custa mas tem que ser.
Isto tem que ser feito quer estejamos na Zona Euro ou fora dela. O Estado cobra 80€ de impostos e gasta 100€. Isso é bom mas acabou-se porque não há mais quem lhe (nos) empreste os 20€ que faltam.
O jotinha acredita que, a prazo, consegue descer a despesa pelo que, no curto prazo vai subir os impostos para 90€ e pedir à Troika os 10€ que faltam. Se no longo prazo não conseguir cortar na despesa, tem que subir os impostos para os 100€ ou para 20 contos. Mas tem que resolver a coisa.
O problema é que o jotinha pensa que, estando o défice público nos 3%, está tudo resolvidos.
Ai como estás tão enganado. O défice público é um dos menores problemas que Portugal enfrenta.

Fig. 2 - Sou mesmo lindo mas não sei o que hei-de fazer. Vou às gajas.

A teimosia de não re-indexar os contratos de crédito à habitação
Também é necessário subir as taxas de juro dos contratos indexados à EURIBOR. Como os credores nos meteram a todos na classe LIXO, a nossa banca não se consegue financiar a curto prazo a menos que 5%/ano e, a médio prazo, a menos que 8%/ano. E tem milhares de milhões de euros aplicados a menos de 3%/ano. Não é possível.
A minha Análise Técnica aponta para que, no Natal de 2013, a cotação do BCP atinja os 0.01€ por acção e o banco abra falência.

Fig. 3 -Análise Técnica do BCP e previsão de evolução da cotação (fonte: bolsapt).

Nota: Esta análise técnica apenas contém como informação o histórico das cotações do BCP disponibilizadas no sitio http://www.bolsapt.pt/. A previsão apontada por mim não corresponde, necessariamente, à evolução futura da cotação do título. Não é um aconselhamento financeiro relativamente a comprar, vender ou manter acções do título. Qualquer transacção realizada pelo estimado leitor com títulos BCP é de sua inteira responsabilidade.

Seguido do BCP, em 2014 os bancos portugueses vão falir uns a seguir aos outros. Aí o jotinha vai acordar para a situação insustentável que os bancos vivem mas já vai ser tarde. Vai ser terrível pois estamos a falar em passivos totais na ordem dos 500 mil milhões de euros.
São 100 BPNs. CEM.
Se as taxas de juro dos contratos de longo prazo não forem re-indexados, nos finais de 2014 a dívida pública portuguesa vai disparar para os 300% do PIB.

A teimosia de não descer os salários nominais
O desemprego está cada vez maior já estando na casa das 700 mil pessoas.

Fig. 4 - Evolução do número de pessoas desempregadas (dados: INE)

Se os custos do trabalho (dentro da zona Euro implica a descida dos salários nominais) não descerem 20%, nos finais de 2014 a taxa de desemprego vai estar nos 20%.

Santo Aleixo saiu da Zona Euro há 5 anos e ainda não se viu nenhuma nota de escudos
Eu li muitas pessoas importantes, professores de universidades que respeito muito, que a saída da Zona Euro implica uma forte desvalorização do Escudo. Mas Santo Aleixo já saiu da Zona Euro há 5 anos e a desvalorização está na meta anunciada pelo Governo, está dentro do crowling peg com desvalorização deslizante de 0.4%/mês, (1$/€)/mês.
Vejamos o porquê de estar tudo dentro do previsto.

Santo Aleixo está numa Zona Monetária Mista Escudo+Euro
Em solução de canto
As pessoas têm dinheiro no bolso para poderem fazer compras no dia a dia. Ou então, têm dinheiro numa conta à ordem (e o banco tem o dinheiro físico, parte) e fazem pagamentos por multibanco ou cheque.
Por um lado, ter dinheiro no bolso (ou à ordem) tem um custo (os juros que poderia ganhar) mas, por outro lado, andar sempre a levantar 1€ de cada vez também tem o custo do tempo perdido.
Terei menor quantidade de dinheiro no bolso se
      A) a taxa de juro for mais elevada
      B) o custo de levantar dinheiro for menor
Quanto maior a velocidade de desvalorização (antecipada) maior será a taxa de juro da moeda pelo que

Havendo duas moedas, terei menor quantidade da moeda que se desvalorizar mais rapidamente.
Santo Aleixo tinha a Balança Corrente desequilibrada pelo que, aquando da saída, o governo decidiu que a moeda ia desvalorizar 0.400%/mês, 4.677%/ano, durante 5 anos (desvalorizar +-20%). Se a taxa de juro de curto prazo em Euros é 5.000%/ano, com uma desvalorização de 4.677%/ano, teremos uma LISBOR em Escudos de 10.152%/ano.
Esta taxa de juro é aceitável estando na ordem de grandeza da taxa de juro das obrigações do tesouro a 10 anos actualmente pagas pelo dívida pública portuguesa (12%/ano).

A boa moeda expulsa a má moeda
Como os Pedintes têm a alternativa entre ter Euros (que quase não desvalorizam) e ter Escudos (que desvalorizam pelo que a taxa de juro nominal é maior) então, ninguém vai querer ter Escudos na mão. As pessoas vão possuir apenas notas de Euros e contas à ordem em Euros.
Isto é uma solução de canto muito conhecida na literatura económica e referida pelo Sr. Silva em relação ao Santana Lopes.
Todo o mundo quer ter Euros e ninguém quer ter Escudos.


Fig. 5 - Lá se foi a má moeda para as reservas

E qual a implicação da "solução de canto"?
Se for obrigatória a passagem dos depósitos bancários para Escudos, haverá uma corrida aos bancos pelo que o sistema financeiro português entra em colapso.

A) Os depósitos bancários têm que se manter denominados em Euros
Os analistas que tenho lido nos últimos dias (por exemplo, http://www.dinheirovivo.pt/), não prevêem a possibilidade de os depósitos bancários se manterem em Euros. Sendo que saímos do Euro, pensam ser natural que os depósitos passem a Escudos. No entanto, existem muitos países fora da Zona Euro que têm contas bancárias em Euros, por exemplo, a Turquia. Se eles têm porque é que Santo Aleixo não poderia ter?

B) A desvalorização é um decisão do Governador do Banco de Portugal
Como ninguém tem escudos, não há qualquer hipótese de haver um ataque especulativo ou de pânico  que faça o Cambista esgotar as suas reservas em Euros. Nem o contrário pois o Cambista tem notas de Escudos suficientes para a eventualidade de toda a gente querer apenas Escudos (esta seria uma situação se Santo Aleixo tivesse superavite da BC, o caso da Alemanha)
O jotinha diz qual vai ser a velocidade de desvalorização e o governador do Banco de Portugal executa isso anunciando em cada dia qual é o câmbio do Escudo contra o Euro.

Fig. 6 - À pois, no Escudo mando eu, só eu e mais ninguém.

Não há mercado
Não vai haver transacções no mercado Escudo-Euro enquanto a desvalorização estiver a acontecer pelo que a desvalorização será totalmente administrativa.
Tal e qual como o preço do m2 em Júpiter que sou que decido (eu sou o único proprietário de Júpiter e ninguém quer comprar nenhum bocado porque está em constante desvalorização).
Isto parece-me claro como as águas do Rio Trancão.


Então, para que serve termos Escudos se está tudo na mesma e ninguém tem Escudos?

A) Descer os salários reais de forma a combater o desemprego
Os contratos de trabalho passam a estar denominados em Escudos (obrigatoriamente). Assim, uma desvalorização do Escudo equilibra o mercado de trabalho. Além disso tem as seguintes implicações

A1) Desce os preços de forma a equilibrar a Balança Comercial
Os preços são determinados livremente no mercado. No entanto, uma desvalorização faz reduzir os salários (em euros) o que faz diminuir os custos de produção (em euros) e diminuir os preços finais (em euros).
Será de prever que alguma da desvalorização fique nos preços: haverá inflação. Mas o importante é que, em euros, os preços vão diminuir. Por exemplo, há uma desvalorização do escudo de 5%, os salários em escudos sobem 2% (mas descem 3% em Euros), os preços em escudos sobem 4% (mas descem 1% em Euros).

A2) Desce as transferências sociais de forma a equilibrar a Segurança Social
As pensões e outras transferências sociais serão denominadas em Escudos. Assim, uma desvalorização do Escudo faz diminuir a despesa da Segurança Social.

A3) "Renegocia" as Parcerias Publico Privadas.
Ao denominar (uma parte) dos contratos públicos em Escudos, ao desvalorizar o Escudo, o Estado irá pagar menos Euros pelos contratos mal negociados pelo guterrismo-socratismo. Funciona como uma renegociação que se aplica a todos e sem problemas legais.

A4) É neutro em termos de défice público.
Ao descer, em Euros, os salários dos funcionários públicos, as reformas e transferências sociais e as prestações das PPP, a desvalorização do Escudo ajuda o Estado a diminuir a despesa (em Euros). Como também diminuem os impostos (em Euros), a desvalorização será neutra em termos de contas públicas.

B) Adequar as taxas de juro às condições de mercado
O Banco de Portugal calculará a LISBOR como a taxa a que os bancos portugueses se conseguem financiar e, ao re-indexar os contratos de crédito à LISBOR, o sistema financeiro ficará equilibrado.
Será preciso calcular a LISBOR€ (em Euros e que substituirá a EURIBOR) e a LISBOR$ (em Escudos para quem quiser passar os seus contratos de crédito ou ter contas a prazo em Escudos).
Calculada a LISBOR€, basta acrescentar a taxa de desvalorização do escudo que é administrativa pelo que será perfeitamente antecipável.
Por exemplo
     LISBOR€ a 6 meses é 5.123%/ano e a
     Desvalorização prevista do Escudo a 6 meses é 4.677%/ano (administrativa)
     Então a LIBOR$ a 6 meses será (1+5.123%) / (1-4.677%) -1 = 10.281%/ano.


E os contratos de créditos, por exemplo, à habitação?
Quem passar os seus créditos para Escudos, terá que pagar a taxa de juro indexada à LISBOR$.
Se os mantiver em Euros, fica indexado à LISBOR€.
Como a diferença entre a LISBOR€ e LISBOR$ é a taxa de desvalorização, estas duas opções serão exactamente equivalentes.


E a Bolsa de Valores?
Para ficar na Euronext, a praça de Lisboa pode-se manter em Euros. Mas a moeda da praça não tem qualquer significado. Por exemplo, uma empresa inglesas transacciona-se em Libras em Londres, em Euros em Frankfurte, em Dólares em Nova York e em Iens em Tókio. tirando os Dólares do Zimbabwe, a moeda da praça não tem relevância.


A primeira semana da vida do Cambista de Santo Aleixo dos Falidos na Zona Mista
Interessa ver o que se passou na primeira semana depois da saída do Euro que se anunciava como a mais difícil.
Santo Aleixo tem um PIB de 170€/ano e a cotação do Escudo é 200$/€


Fig. 7 - Diziam que a primeira semana ia ser terrível mas não foi.


Segunda-feira, circulam na aldeia 40€, o Cambista tem 10€ de reservas e 40€ de Títulos do Tesouro. Então, o Cambista mandou imprimir 10000$ que ficaram como reservas. Ter o total dos euros em escudos torna impossível ficar sem escudos (o que implicaria a valorização do escudo - aplica-se ao caso da Alemanha sair) e, como não há escudos em circulação, é impossível que alguém lhe esgote os euros (o que implicaria a desvalorização "descontrolada" do escudo).


Durante a semana, a balança corrente está desequilibrada. Exportando menos do que importa, a liquidez da aldeia vai diminuindo. Para um défice corrente de 8.5% do PIB, no fim da semana, a moeda em circulação está em 39.72€.


Domingo, o cambista tem que repor o nível de liquidez. MAU.


Operação de Open Market, no Domingo o Cambista vai comprar 0.28€ de Títulos do Tesouro no Mercado Secundário injectando assim na aldeia os 0.28€ que faltam para a semana seguinte iniciar com 40€ em circulação.
Se Santo Aleixo tivesse excedente da Balança Corrente (estivesse na Alemanha) chegava ao fim da semana com mais de 40€ em circulação. O Cambista vendia divida pública retirando euros de circulação.
No fim da semana o cambista continua com 10000$ de reservas.
As reservas em euro diminuíram para 9.72€ e os Títulos do Tesouro  aumentaram para 40.28€.


A primeira semana correu bem. Vejamos ao fim de 6 meses.
A desvalorização do escudo para 205$/€ fez com que o Défice Corrente tivesse diminuído um pouco. No entanto, o constante défice corrente e a constante intervenção do Cambista na reposição da liquidez fez com que, ao fim de 6 meses, no seu balanço conste
      Dívida Pública: 47.00€
      Reservas em Euros: 3.00€
      Reservas em Escudos: 10000$
O escudo desvalorizou para 205$/€ porque o jotinha assim o decidiu.
O mercado de câmbios continua morto.
Ninguém cambiou Escudos por Euros.


As reservas em Euros do Cambista estão-se a esgotar
Precisa da ajuda da Troika
Mas a ajuda da troika não deriva de Santo Aleixo ter saído da Zona Euro mas apenas de ter um défice da Balança Corrente: sai mais dinheiro da aldeia do que entra.
Desvalorizando mais o Escudo, a balança corrente vai equilibrando lentamente e, previsionalmente, daqui a uns 5 anos, o Cambista já não precisará de mais ajuda.

Decorridos 5 anos
     A) Os escudos desvalorizaram 20% (para 250$/€).
     B) O mercado Escudos-Euros continua morto e ninguém tem Escudos. 
     C) O Cambista nunca usou os 10000$ de reservas.
     D) Os depósitos bancários ficaram sempre em Euros, as pessoas compraram e venderam as coisas sempre em euros, tiveram sempre euros  na carteira e nas contas bancárias, mas Santo Aleixo já não está na Zona Euro.

Os salários
No final, um escudo está cotado 254.74$/€ (desvalorizou 21.3% relativamente ao Euro).
Um salário inicial de 1000€ passou a ser 200482$ e, como os salários aumentaram 3%/ano então, o salário está em 232414$ (um aumento em Escudo de 15.9%) mas 912.35€ (uma redução em Euros de 8.77%).
A inflação na Zona Euro foi de 2%/ano, pelo que os salários dos nossos parceiros aumentaram para 1104.08€.
Então, os salários reais diminuiram de 1104.08€ para 912.35€ (uma queda de 17.37%)

Os preços
A inflação em Escudos foi de 4%/ano.
Um preço inicial de 100€/u, 20482$/u, passou a ser 24392$/u.
Como o escudo devalorizou para 254.74$/€, o preço em Euros acabou em 95.75€/u.
Com a inflação do Euro, os preços relativamente aos nossos parceiros do euro, diminuiram em termos reais para 86.72€/u (a preços de há 5 anos), menos 13.38%.

A balança Corrente
O défice da Balança Corrente melhorou de 8.5% do PIB para 2.5% do PIB que é insuficiente.
O Cambista recebeu 78€ de ajuda da Troika, que está a dever.

E para os próximos 2 anos?
A Balança Corrente tem que passar a +5% mas ainda está deficitária pelo que a desvalorização tem que continuar.
Estava previsto que, se os salários se mantivessem constantes (em escudos), uma desvalorização de 20% em 5 anos equilibrava a Balança Corrente. Por motivos diversos e por os salários terem subido 3%/ano em Escudos então, a desvalorização não foi suficiente pelo que o jotinha anunciou, já há 1 anos, que a política de desvalorização deslizante ia continuar por mais 2 anos.

Decorridos 7 anos
No total, em 7 anos, o Escudo desvalorizou para 280$/€, os salários em escudos aumentaram 23% (em euros, diminuíram 12%) e em Euros de há 7 anos desvalorizaram 23.4%).
Os preços em escudos aumentaram 4%/ano mas,, em termos de Euros de há 7 anos, diminuíram 18%. 
O mercado Escudos-Euros continua morto e ninguém tem Escudos.
A Balança Corrente já está nos +5%.
A desvalorização deslizante parou.

Fig. 8 - O Presente foi o Futuro no Passado e será o Passado no Futuro

E o Futuro
Agora, Santo Aleixo tem duas opções

A) Continua na Zona Mista Escudo-Euro
Tem a vantagem de, caso aconteça um crise com repercussões nas contas externas, o jotinha poder desvalorizar o Escudo. Caso aconteça o milagre de Portugal ter uma Balança corrente muito excedentária, o jotinha pode valorizar o Escudo. Assim, tem o instrumento cambial para controlar a economia da aldeia.

B) Acabar com o Escudo e volta a entrar na Zona Euro.
É uma opção fácil de implementar porque ninguém chegou a ter escudos.
À cotação do dia, faz-se a transferência dos contratos, activos e passivos denominados em Escudos para Euros.
Observando o que se passou em Santo Aleixo nos últimos 15 anos (com o guterrismo-socratismo), está opção não é aconselhável.

Poderá a Zona Mista Escudo+Euros instabilizar?
Vamos supor que as contas externas estão equilibradas pelo que o jotinha anuncia que a desvalorização acabou.
Se uma pessoa não acreditar e antecipar que o Escudo vai desvalorizar então, apenas vai querer ter Euros.
Se, pelo contrário, antecipar que o Escudo vai valorizar, apenas vai querer ter Escudos.
A solução será sempre de canto.
Mas, como o Cambista tem igual valor em Escudos e em Euros, responde a qualquer eventualidade.
Como cada pessoa tem a sua ideia, em equilíbrio haverá pessoa que se convencem pelos Escudos e outras pelos Euros.
Como "a mão que embala o Escudo" não tem a mesma credibilidade quanto à desvalorização como a Sr.a Merkel, o mais certo é, nos próximos 50 anos, ninguém querer ter Escudos na mão.

Nota Final:
Tenho que fazer justiça ao professor Miguel Beleza porque já propôs o Escudo como "moeda escritural". E, de facto, Santo Aleixo tem uma moeda em papel, o Euro, e uma moeda escriturário, o Escudo, que apenas serve para os contratos ligados ao trabalho. 
Santo Aleixo saiu da Zona Euro de jure mas, de facto, continua tudo como se ainda estivesse na Zona Euro.
É o que se observa no Kosovo: não está mas é como se estivesse.

Fig. 9 - Ài que o Beleza tem uma fraquinho pela FCF

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A bancarrota de Portugal – Teremos que sair da Zona Euro? Parte II

A aldeia, aparentemente, passou o teste dos câmbios fixos pelo que aderiu à Zona Euro. Agora o que se discute são os custos de abandonar essa zona cambial e voltar a ter moeda própria.
Ver Parte I
Ver Parte III
Ver a saída soft do Euro
1. Os custos dos câmbios flexíveis
Risco Cambial - Vamos supor que a cotação do Falso é 1€/F e que um agricultor faz um contrato para exportar 1000kg de batatas por 300€ daqui a 6 meses. Se a cotação se mantiver, o agricultor recebe 300F mas se a cotação subir para 1.25€/F, o agricultor só recebe 240F. Estando a maior parte dos seus custos em Falsos, irá ter prejuízo quando pensava que ia ter lucro.
Custos de transacção – A operação de câmbio tem custos administrativos. Por um lado, o Cambista devota recursos ao controle das reservas e, por outro lado, as pessoas gastam recursos a constantemente trocar Falsos por Euros. Se uma zona monetária for pequena, as trocas com o exterior serão muito importantes pelo que os custos de transacção se tornam muito elevados. Assim, não é possível que cada aldeia de Portugal tenha uma moeda própria.
Má governação – Como os desequilíbrios se corrigem com desvalorizações, o Governo pode-se manter incompetente. Além disso, a constante flutuação do câmbio dificulta a identificação pelos aldeões de que o seu rendimento é baixo:
“É o câmbio que o dá. Na França ganha-se mais porque um franco dá 30$00”.

2. Santo Aleixo dos Mendigos passou o teste dos câmbios fixos
O Cavaquismo foi a fase de reestruturação da economia para ser possível deixar os câmbios flexíveis e entrar no período de teste dos câmbios fixos. O Cavaco flexibilizou a economia e foi diminuindo a flutuação da cotação do Escudo e, no seu segundo mandato, começou com os “câmbios fixos sem endividamento”.
3. A Balança Comercial desequilibra-se um pouco
Vamos supor que existe um muito pequeno desequilíbrio da Balança Comercial, BC: As exportações diminuem de 100€/dia para 99€/dia, e as importações mantêm-se nos 100€/dia. Cada dia há uma saída líquida de 1€ para o exterior o que faz diminuir a quantidade de Euros em circulação na aldeia.
A economia é pouco flexível porque, por exemplo, os salários não podem diminuir. No entanto, como existe uma taxa de inflação na Zona Euro de 2%/ano, é suficiente a queda da inflação em Santo Aleixo dos Mendigos para 0.5%/ano para, ao fim de uns meses, a BC de equilibrar.
4. A Balança Comercial desequilibra-se muito
Vamos supor que existe um grande desequilíbrio da Balança Comercial, BC: As exportações diminuem de 100€/dia para 90€/dia, e as importações mantêm-se nos 100€/dia. Cada dia há uma saída líquida de 10€ para o exterior o que faz diminuir rapidamente a quantidade de Euros em circulação na aldeia.
Se a economia for flexível nos preços e salários, a diminuição da liquidez irá fazer os preços e salários diminuir o que aumenta as exportações e diminui as importações equilibrando a BC.
Se a economia não for flexível (porque os salários não podem diminuir), a diminuição da inflação não é suficiente para ajustar a economia pelo que a liquidez vai diminuir muito até deixar de haver moeda em circulação. Neste caso haverá graves problemas económicos: falências, desemprego e empobrecimento.
O mecanismo de ajustamento de pequenas oscilações pelo diferencial das taxas de inflação é que tem levado alguns economistas a defender que a inflação na Zona Euro deveria aumentar para 5%/ano: Já que não temos coragem politica para diminuir os nossos salários, os outros que aumentem os deles.
Em 1993 acontece uma crise económica que induz um forte desequilibro na BC. Mesmo assim, a economia portuguesa mostrou-se capaz de ajustar atingindo 1995 já equilibrada. Como uma crise implica diminuição da qualidade de vida (senão não se chamava crise), surgiu o Guterres a prometer o paraíso e o povo acreditou.
O Guterres decidiu abandonar os “câmbios fixos sem endividamento”.
5. A aldeia de Santo Aleixo dos Mendigos aderiu à Zona Euro
O Guterres escondeu que Portugal se estava a endividar e os nossos parceiros acreditaram. Isso aconteceu porque o endividamento foi desorçamentado: Foram as empresas públicas, as PPP e os particulares que tiveram o principal papel nesse processo.
No dia 31 de Dezembro os Falsos são cambiados à cotação fixa que estava vigente e o Euro começou a circular no dia 1 de Janeiro.
6. O que fizeram o Guterres – Sócrates – Teixeira?
O raciocínio do Guterres - Sócrates – Teixeira foi que a crise era passageira e já tinha acabado.
Então, julgaram que não havia necessidade de flexibilizar mais a economia. Mas a liquidez continuava a baixar pelo que o Estado se começou a endividar no exterior e a injectar esses euros na aldeia. Também incentivou os privados a endividarem-se, por exemplo, bonificando os juros do crédito à habitação, descendo a taxa de juro dos Certificados de Aforro e fazendo pressão sobre os bancos e as empresas.
No mês seguinte deram conta que, afinal, a crise ainda não tinha acabado mas agora já estava terminada.
O governo endivida-se mais e incentiva ainda mais os privados a endividarem-se ao exterior.
O Governo continua a anunciar todos os dias que a crise já acabou.
A crise perdura há 15 anos e Portugal acaba por entrar em bancarrota.
5. Não há grande problema em sairmos da Zona Euros
Sair da Zona Euro é fazer a viagem de volta para os câmbios flexíveis. De Euros passa-se a Eurês com câmbios flexíveis. Não existe nenhum problema grave nisso. Introduzem-se apenas os normais problemas dos câmbios flexíveis: risco cambial, custos de transacção com o exterior e o Governo poder continuar a governar mal.
O Governo decide criar uma nova moeda, o Eurês
Contrata os Israelitas (que serão os únicos capazes de guardar segredo) a imprimir 50000milhões de Eurês.
Num dia de nevoeiro, no telejornal das 20h, o Sócrates anuncia:
“Acabamos de sair da Zona Euro. Por causa do Passos Coelho e do Rato Mickey, saímos da Zona Euro. Vamos ficar muito mais ricos porque agora podemos fazer notas.”
Nesse momento desactiva as Caixas Multibanco, interrompe as transferências internacionais em Euros, e chegam os aviões carregados com notas de Eurês que são distribuídas durante a noite pelos bancos.
Os Euros existentes nos bancos passam para o Banco de Portugal que fica o Cambista e faz-se a transferência dos saldos, salários e preços ao câmbio de 1Eurês/€.
Depois, logo se vê como evolui a cotação do Eurês que irá diminuir até a BC se equilibrar. Uma vez equilibrada a BC, pode-se passar de novo para câmbios fixos e re-entrar na Zona Euro.
E as nossas dívidas?
Haverá uma parte das dívidas que fica em Euros e outras passa para Eurês.
Os bancos e o governo avaliam no total de dívidas a percentagem que é ao exterior e, por uma questão de justiça relativa, aplicam essa percentagem a todas as dívidas que se compensam entre eles. Por exemplo, eu devo ao banco 50000€ e o governo calcula que a percentagem em Euros é de 30%. Eu pago os 15000€ à cotação do dia mais os 35000Eurês. Se a cotação do Eurês diminuir, as minhas dívidas em Euros aumentam proporcionalmente.
Mas isto é grave? Não. É perfeitamente equivalente a uma diminuição dos salários.
É obrigação do governo informar o povo e compete a este decidir se quer uma coisa ou outra.
Fica para a parte III ver se a bancarrota obriga Portugal a sair da Zona Euro

Pedro Cosme Costa Vieira

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