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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O ganho dos preços diferenciados

Um facto reconhecido pela teoria economia 
é que as pessoas são heterogéneas seja porque têm idade, altura, cor, peso,  escolaridade, inteligência, género, signo, região de origem ou tamanho do sapato diferentes.
Este facto é importantíssimo porque implica que os gostos e preferências são diferentes de pessoa para pessoa. Por exemplo,  umas pessoas gostam mais de camisas às riscas e outras aos quadrados. Desta heterogeneidade resulta a impossibilidade de a economia planificada (leia-se, o comunismo) ser eficiente: o planificador não pode optimizar o bem-estar porque não tem informação sobre os gostos e preferências de cada um dos consumidores.

O preço de reserva.
Em termos económicos os gostos e preferências do consumidor traduzem-se  num preço de reserva que é o valor máximo que cada consumidor está disponível a pagar por determinado bem ou serviço.
Por exemplo, o consumidor estar disponível para pagar 5€ por uma camisa às riscas e 4€ por uma camisa aos quadrados traduz quanto este consumidor prefere as riscas aos quadrados. Havendo uma multidão de bens alternativos e complementares, o consumidor vai adquirir o cabaz de bens e serviços que, dada a restrição orçamental, leve à maximização da diferença entre os preços de aquisição e os seus preços de reserva (esta soma denomina-se por excedente do consumidor).
Do lado do produtor passa-se exactamente o simétrico. Bens e serviços diferentes (onde se inclui o local de produção) têm diferentes custos de produção e o produtor vai escolher produzir os bens que lhe permitem maximizar o lucro (o excedente do produtor).
Um problema relevante é que o preço de reserva não é directamente observável e os agentes económicos querem-no esconder. A única forma de o estimar é fazer uma proposta (um preço) e ver se o comprador quer adquirir o bem.

Ficam os mercados.
É no mercado que se vão encontrar os preços de reserva dos consumidores com os preços de reserva dos produtores. Os preços de mercado vão ajustar as diversas vontades dos consumidores com as capacidades tecnológica dos produtores. A sociedade estrutura os mercado de forma a que seja máxima a soma dos excedentes dos produtores (lucros) com os excedentes dos consumidores. Esta grandeza denomina-se por bem-estar.
A economia também nos ensina que, em termos gerais, quanto maior for a concorrência no mercado (mais compradores e mais vendedores), maior será  o bem-estar. Prova disto é só gostarmos de comprar em locais com muitas pessoas (seja um hipermercado ou uma bolsa de valores) e ninguém fazer uma loja no meio do monte.

Mas existem "falhas de mercado".
Claro que sim, situações em que a concorrência não promove a maximização do bem-estar. Por causa disso é que há, por exemplo, a propriedade privada e as taxas sobre a poluição.
Mas a sociedade, em vez de estatizar, deve desenhar correcções ao mercados em que essas falhas sejam ultrapassadas, por exemplo, pela cobrança do imposto sobre os combustíveis para compensar a poluição ou atribuição de subsídios para os livros das crianças mais desfavorecidas.

Fig. 1 - A discriminação do preço do encosto não parece ter lógica mas tem

O óptimo é haver diferentes preços para o mesmo bem.
É um resultado da teoria económica que, quando existem custos fixos de produção e consumidores heterogéneos, o bem-estar aumenta se os preços forem descriminados. Quer isto dizer que é óptimo em termos sociais que o produtor cobre um preço mais elevado aos consumidores que têm um preço de reserva mais elevado e vice-versa.
Como existem sempre custos fixos e consumidores heterogéneos, este resultado aplica-se sempre.

Vejamos um comboio.
Circular vazio custa quase o mesmo de circular cheio. Vamos supor que um comboio com capacidade para 500 pessoa para percorrer Porto-Aveiro custa 1500€ mais 0.10€ por passageiro.
Então, se viajarem 300 pessoas o produtor tem que cobrar 5.10€ por passageiro para cobrir os custos totais de 1530€. No entanto, se aceitar mais 150 passageiros cobrando 1.10€/pessoa, poderá baixar o preço dos primeiros 300 para  4.60€ por viagem (custo de 1545€).
Será ainda óptimo que o comboio aceite os restante passageiros a 0.11€ cada.

O problema é a ignorância e a inveja.
Referiu um comentador que as pessoas não aceitam preços diferentes para o mesmo bem.
Porque diabo um bem igualzinho ao que eu compro por 4.60€ há-de ter um preço de 0.11€ para  os pobres?
Por alma de quem os ricos podem usar as auto-estradas nas horas de ponta, pagando, e os pobres, por não terem tanto dinheiro, não?
Qual a lógica da malandragem dos bairros andar de metro sem pagar e eu ter que pagar?
Como vimos no exemplo do comboio, isto tem toda a lógica e todos ficaremos melhor, pobres, ricos, malandros, trabalhadores, novos e velhos, se assim fosse feito.

O problema da divisão dos consumidores.
O problema é que o vendedor não sabe qual é o preço de reserva do comprador (nem o comprador sabe os custos do vendedor). Então, se os que chegam ao comboio à última da hora pagassem menos, toda a gente iria chegar à última da hora.
Tem que haver uma forma, um custo pessoal não financeiro, que separe os consumidores pelo seu preço de reserva.
Isso pode ser feito, por exemplo, pela vergonha. Para ter um desconto de 95%, a pessoa tem que ir à junta de freguesia levantar o bilhete e, posteriormente, no comboio tem que exibir uma tabuleta a dizer "bilhete subsidiado n.º xxx". Pode parecer descrimina tório mas tem que o ser pois caso contrário, o sistema não consegue separar quem precisa de quem não precisa do desconto impossibilitando a sua existência (o comboio não consegue pagar os custos fixos).
Também pode ser feito obrigando os jovens a fugir do pica.

Parece que o tempo é um bom divisor.
Quando o Joaquim e a família, de rendimento médio-baixo, sonham em ir passar uns dias ao Algarve, aguentam os 100€ do combustível da viagem mas não vão porque os 90€ das portagens são um fardo que desequilibra a balança.
Mas, durante a noite em que ninguém viaja nas autoestradas e não há quase qualquer custo para a Brisa, seria óptimo para a Brisa (que receberia 18€) e para o Joaquim (que ia ao Algarve) de houvesse um desconto de 80% para o tráfego entre as 2 e as 6h da madrugada.
As companhias low-cost de aviação identificaram que é possível separar os consumidores obrigando-os a marcar a viagem com antecedência. Ganha a companhia (porque tem um pequeno lucro com os passageiros que viajam com desconto), ganham os clientes regulares (porque há voos com mais frequência) e ganham os que têm poucos rendimentos.

Fig. 2 - A espera em fila é uma estratégia para, na distribuição gratuita de bens, auto-excluir quem não precisa de ajuda.

Vamos a um exemplo complexo: uma cantina.
O mercado resolve o problema muito complexo de compatibilizar os gostos e preferências de todos os agentes económicos e de coordenar todas as actividades produtivas. E para isso tem apenas o instrumento dos preços relativos.
Uma cantina é um problema complexo porque tem limitações de capacidade que não podem ser ultrapassadas pela constituição de um stock. Também acrescenta complexidade as pessoas terem um tempo limitado para almoçar (que precisam planear) e ser um sacrifício estar na fila de espera.

Numa empresa existe uma cantina.
A) A cantina tem capacidade para servir uma pessoa por minuto.
B) O custo da refeição resulta de uma parte fixa (300.00€/dia) mais uma parte variável (1.50€/refeição). Se a cantina fornecer 100 refeições o custo médio fica em 4.50€/refeição enquanto que se servir 200 refeições o custo médio fica em 3.00€/refeição.

A empresa tem 200 trabalhadores.
C) Relativamente à decisão de almoçar, os trabalhadores são heterogéneos porque têm salários diferente (varia entre 500€/mês e 3500€/mês) com distribuição uniforme resultando que o valor (preço de reserva) que cada trabalhador atribui ao almoço varia entre 1.90€ e 12.25€ (corresponde a 0.5h de ordenado), respectivamente.

Agora temos o problema da segmentação dos consumidores.
D) As pessoas preferem almoçar às 13h00. Se almoçarem numa hora diferente, o preço de reserva diminui. Por exemplo, uma pessoa com 500€ de ordenado que almoce às 12h está disponível para pagar apenas 1.67€ (e 1.90€ se for às 13h).
E) As pessoas só têm uma hora para almoçar (que podem marcar quando quiserem).

Se a cantina cobrar o mesmo preço a todos.
Primeiro, a cantina vai ficar demasiadamente cara para as pessoas que ganham os salários mais baixo. Pensando que a cantina tinha capacidade para servir todas as pessoas às 13h, o preço teria que ser de 3.20€ pelo que 23 das pessoas ficaria excluída do almoço por acharem o preço ser muito elevado.
Depois, com a restrição da capacidade produtiva, o sistema vai ter grandes filas e parte das pessoas vai ser excluída pelo esgotar do tempo disponível para almoçar.
Talvez o melhor que a cantina consiga fazer é servir 100 pessoas (50% do mercado potencial) o que obriga a cobrar pelo menos 4.50€/refeição.

Se a cantina cobrar um preço diferenciado.
O óptimo é a cantina servir refeições desde que o preço seja superior a 1.50€ mas tem que cobrir os custos fixos com outras refeições. Então, a cantina precisa separar os consumidores por preço de reserva (que não conhece pois as pessoas não o revelam facilmente). O preço vai variar, por exemplo, entre 1.60€ e 6.00€.
Assumindo ser válido que as pessoas querem almoçar às 13h, a cantina vai usar o instante de tempo em que a pessoa vai almoçar para segmentar os consumidores por preços de reserva.

Mas como é isso possível?
Apesar de a cantina não ser capaz de identificar os consumidores por preço de reserva, vai usar um algoritmo que, ao longo das semanas, "obriga" as pessoas a revelar esse preço limite.
A cantina tem capacidade para servir as 200 pessoas em 200 minutos (das 11h20 às 14h40). Então, vai dividir este tempo em intervalos durante os quais é medido o tamanho da fila. Depois aplica duas regras.

Regra1: Se a fila tiver mais de 15 pessoas, no dia seguinte o preço nesse intervalo de tempo aumenta 0.01€.

Regra2: O incremento na facturação da aplicação da regra 1 é dividido 10% para aumentar o lucro da cantina e 90% para diminuir o preço nos intervalos onde tem menos de 15 pessoas na fila (proporcionalmente) até um mínimo de 1.60€.

A economia é uma ciência de tentativa e erro.
Muitas pessoas criticavam o Gasparzinho por, alegadamente, as suas previsões falharem.
Mas a economia aplicada à realidade é uma ciência de tentativa e erro porque as pessoas não revelam facilmente  o seu preço de reserva.
É esta a principal razão para o comunismo ter falhado:
1) Numa economia onde os preços de todos os bens são iguais (e salários), não há mecanismos que façam os agentes económicos revelar os seus preços de reserva.
2) Sem preços de reserva, não é possível optimizar o bem-estar.

Fig. 3 - O motor do progresso é a tentativa, erro, correcção e nova tentativa

No final, como fica organizado o almoço?
Lentamente, os preços do almoço por volta das 13h vão aumentando (para os 6.00€) e vão baixando nas outras horas (até que, abaixo das 11h30 e acima das 14h30, ficarão nos 1.60€).
Se as pessoas derem pouco valor à hora em que almoçam, a diferença de preço será menor.
O preço elevado às 13h vai excluir (separar) os mais pobres dos mais ricos permitindo que os mais ricos almocem na sua hora preferida mas também vai permitir que os pobres consigam almoçar a um preço bastante menor (antes das 11h30 e depois das 14h30).

As pessoas poderão planear a sua hora de almoço.
Lentamente, as pessoas serão estavelmente divididas pelo tempo podendo planear o intervalo de almoço sem risco de não conseguirem almoçar por excesso de fila.

Este resultado tem aplicação geral.
Apesar de não parecer, todos viveríamos melhor se acabasse o princípio constitucional de "trabalho igual, salário igual" porque as pessoas são diferentes.
Todos viveríamos melhor se fosse dada a liberdade às pessoas de ter o horário de trabalho e o salário que bem entendessem.

Um comentário aos comboios.
Apareceu um comentário interessante mas em que o comentador foi desagradável. Como eu nunca fui desagradável com nenhum comentador, cortei o comentário que, no entanto, apresenta ideias importantes mas falsas.

Fig. 4 - Na Índia o problema é o maquinista ver por onde vai.

O problema está no Se.
1) "Os comboios emitem 13kg/viagem Porto-Lisboa de CO2 (diz a CP) e eu afirmo (nas contas da Barraqueiro) que o autocarro só emite 4kg/viagem mas é uma afirmação enganosa porque eu assumo que o autocarro vai cheio e, normalmente, os comboios andam quase vazios. Se os comboios andassem cheios, emitiriam menos CO2 que os autocarros."
O problema é que não andam.
Um comboio tem capacidade para transportar 330 passageiros e um autocarro 55 passageiros. Se for preciso transportar 990pessoas/hora entre o ponto A e B, haverá um comboio cheio de 20 em 20 minutos e um autocarro cheiro de 3'20'' em 3'20''. Isto pode acontecer em zonas com elevada densidade de pessoas e nas horas de ponta mas, na generalidade das situações, há menos clientes.
É muito difícil conseguir concentrar 990 pessoas/h num ponto concreto e que pretendam ir para outro ponto concreto porque as pessoas precisam de se deslocar da porta da sua casa até à porta do seu destino.
Supondo que se pretende um mínimo de serviço de um veículo de meia em meia hora, se houver 100 pessoa/h para transportar, cada comboio vai usar apenas 1/6 da sua capacidade enquanto os autocarros podem reduzir a cadência (para 1 autocarro de 15 em 15 minutos) mas continuam a circular quase cheios.

A segurança está em cada um de nós.
2) "Os comboios são muito mais seguros que os transportes rodoviários'.
Primeiro, o problema das estatísticas é que mete toda a gente no mesmo saco para calcular a média.
O meu avô conduziu mais de 60 anos passando por carroças, bicicletas, motas, carros, autocarros, táxis e camiões e nunca teve o mais pequeno dos acidentes. O meu pai conduziu mais de 50 anos transportes de todo o tipo e também nunca teve o mais pequeno acidente. Eu conduzo há quase 30 anos e só uma vez risquei o meu carro numa marcha-atrás.
Acontece que o risco de acidente depende muito do condutor pelo que não podemos afirmar que, genericamente, os transportes rodoviários têm mais risco que os comboios. Se corrigirmos do efeito do condutor, não deve haver diferenças significativas.
Segundo, na sinistralidade dos comboios não são contabilizados os acidentes desde a porta de casa das pessoas até à estação (e.g., quedas, assaltos e choques contra postes). Também não são contabilizadas as pessoas que sobrem acidentes nas estações e na linha (trucidadas e quedas).
Estudos indicam que 85% das mortes em acidentes rodoviários derivam directamente de culpa do condutor (alcool, excesso de velocidade, inabilitação, condução perigosa, fonte, p.25).

A energia eléctrica e o gasóleo.
3) "O comboio consome energia eléctrica que o país ainda produz alguma, através de energias renováveis, eólicas principalmente. Os autocarros consomem derivados do petróleo que temos de importar. Combustíveis são a maior importação de Portugal agravando a nossa balança comercial"
Nós produzimos alguma energia eléctrica a preços baixos (apenas a hídrica, nos tempos de chuva) mas não nas horas em que ela é precisa para fazer andar os comboios (nas horas de ponta). Nestas horas é usado gás natural na sua produção que é tão importada como o gasóleo.

4) "CO2 não é o único fator ambiental. Os motores a diesel são um cancro ambiental e para a saúde, pois emitem partículas, altamente cancerígenas e muitos outros poluentes."
Os carros a gasóleo apenas emitem partículas sólidas se os veículos não tiverem filtro de partículas, que é algo barato.
Mas então a discussão deixa de ser comboio / autocarro mas passa a ser electricidade / gasóleo pois também há muitos comboios a gasóleo.
O melhor para o ambiente seria os comboios andarem a gás natural. Bastaria um depósito de 10m3 com reabastecimento (que é rápido) a cada 100km. Seria mais eficiente e económico (não haveria perdas de energia na rede).
Mas como a CP é uma empresa pública altamente subsidiada, não existem incentivos a melhorar o seu desempenho seja económico ou ambiental.
Finalmente, o gasóleo paga um pesado imposto para compensar a sociedade pela poluição, coisa que os comboios não o fazem.
 Assim, os autocarros internalizam todos os custos. Pagam as estradas que usam (portagens, IUC mais IVA) e têm seguro que paga todos as eventualidades  enquanto que o comboio não.

O desconserto do Mundo.
Os portugueses devem ser muito estúpidos pois, sendo os comboios "o melhor meio de transporte do mundo", estranhamente andam vazios e dão um prejuízo de mais de 1 milhão de euros por dia (que pagamos com os nossos impostos).
Mesmo esquecendo que é caríssimo construir uma linha de comboio, chegando a ultrapassar 100 vezes o custo de uma estrada (porque não pode ter subidas nem descidas), o PS deveria meter no seu programa eleitoral, além de desfazer tudo o que o Passos está a fazer, o compromisso de construir uma linha de comboio para cada terriola. Gerava muito emprego.

Os bons vi sempre passar no mundo graves tormentos; e, para mais m´espantar, os maus vi sempre nadar em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim o bem tão mal ordenado, fui mau, mas fui castigado: Assi que, só para mim anda o mundo concertado.

Camões - O desconserto do Mundo

Um abraço e bom começo do ano escolar.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Eu sou contra a greve

A teoria económica diz que o Monopólio é mau para a sociedade.
O monopolista não se preocupa em produzir de forma eficiente, não melhora a qualidade dos produtos e cobra um preço muito elevado.
Normalmente, se existir liberdade de entrada no mercado o monopólio acaba.

As leis contra a anti-concorrência.
Se os vendedores (ou compradores) se combinarem, concertando o preço ou as áreas de influência, funcionam em conjunto como se fossem um monopólio.
Como isso é mau, todos os países têm leis que tentam proibir o surgimento de monopólios (carteis).
Esta é uma das lutas dos esquerdistas: combater a concertação de preços.

O mercado de trabalho é concorrencial.
No mercado de trabalho temos, de um lado, milhares de empregadores e, do outro lado, milhões de trabalhadores. Mesmo que nos concentremos nos concelhos, existem sempre vários empregadores e vários trabalhadores.
Imaginemos um trabalhador que ganha um salário de mercado de 1000€/mês. Se o trabalhador exigir ganhar mais fica sem o emprego porque existem outros que fazem o mesmo trabalho por esse salário. 
Se o patrão exigir pagar menos fica sem o empregado porque existem outros empregadores que contratam o trabalhador pelos 1000€.

Fig. 1 - A arma das mulher sérias perde-se no meio da concorrência desleal.

Os sindicatos e a greve são contra a concorrência.
Se os trabalhadores se combinarem todos passam a funcionar como um monopólio.
Isso faz com que o salário médio aumente, o horário de trabalho diminua mas também faz aumentar o desemprego e diminuir a produção.
Por outro lado, aumenta a probabilidade de as empresas irem à falência.
A generalidade dos trabalhadores já sabe isto pelo que a percentagem de sindicalizados e as greves, nas empresas privadas, tem pouca expressão.

As empresas públicas
As empresas públicas existem para fornecer "serviços imprescindíveis para a população".
Justifica-se a sua existência e darem prejuízos milionários é os privados não serem capazes de produzir os bens imprescindíveis para a população.
Então, quando fazem greve, há um prejuízo irreparável para a população.
Se os bens que produzem são imprescindívies, não deveria poder haver greve nas empresas públicas.
O direito constitucional à greve colide com o direito constitucional das outras pessoas aos "bens imprescindíveis".

Os funcionários públicos têm o país como refém
Portugal vive num regime parecido com Angola só que os militares do MPLA foram substituídos por funcionários públicos e funcionários de empresas públicas.
Como produzem "bens imprescindíveis", greve após greve, nos fomos apropriando da riqueza do país.
Ainda hoje recebi um e-mail de uma funcionária pública aposentada que dizia "receber apenas 1730€/mês".
Qual é o reformado do privado que tem uma reforma destas?

O gráfico da inflação
Um comentarista pediu um gráfico da evolução da inflação.
Na Zona Euro a inflação tem sido de 2%/ano . Em Portugal a inflação, no período 1999:1/2011:10, foi de 1.86%/ano.
Apesar de no período 2000:6 - 2003:6 ter estado próximo dos 4%/ano, depois aproximou-se dos 2%/ano.

Fig. 2 - Evolução da taxa de inflação em Portugal, 1996:1-2011:10 (fonte: INE)

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As reformas do mercado de trabalho

Numa economia com moeda própria (como o escudo) existem dois instrumentos de política que permitem controlar o mercado de trabalho (o desemprego) e o mercado externo (o défice corrente).

Por um lado, há a desvalorização da moeda. Consegue-se corrigir o desequilíbrios das contas externas com uma desvalorização da moeda porque, instantaneamente a) diminuem os preços dos bens produzidos em Portugual, b) aumentam os preços dos bens produzidos no estrangeiro e c) diminuem os salários reais dos portugueses (e aumentam os no estrangeiro).
Por outro lado, há a inflação. Consegue-se corrigir o desequilíbrio do mercado de trabalho (desemprego) com um aumento da inflação porque facilita, em termos psicológicos, a descida do salário relativamente aos preços relativos (a descida do custo do trabalho).


Está perfeito porque são dois instrumentos para controlar dois mercado.
Por isto é que todos os países deixaram o Ouro e adoptaram moeda própria (em papel).
As economias passam a ser fáceis de conduzir. Até eu, com os meus rudimentares conhecimentos de economia, seria capaz de gerir uma região que tivesse moeda própria. Até o Sócrates era capaz.

O Ricardo Reis cometeu dois pequenos erros.
Eu gosto muito do RR. É um pessoa simpática, agradável e é um dos maiores cientistas económicos do mundo. Por isso, é um grande prestigio para mim conhece-lo pessoalmente.
E enche o meu ego de orgulho poder apontar ao RR estas duas pequenas falhas de raciocínio.

Falha 1. O RR diz que, a saída de Portugal do Euro implica uma desvalorização do novo Escudo.
Isso só é verdade porque temos uma Balança Corrente, BC, desequilibrada (-10% do PIB) que não queremos equilibrar com a diminuição dos preços pois obrigaria a uma diminuição nos "custos do trabalho" em termos reais e nominais (diminuição dos salários ou aumento do horário de trabalho) que repugnamos. 
Se tivéssemos a BC equilibrada, não aconteceria qualquer desvalorização. Por exemplo, se a França sair do Euro, ninguém prevê que ocorra uma desvalorização do Franco. E, quando em 2012 a Alemanha sair do Euro, observar-se-á uma (pequena) valorização do Marco (< 10%).
Se reduzíssemos os salários nominais em 25%, a saída do Euro não implicava qualquer desvalorização do Escudo.
Então, a implicação não é "sair -> desvalorizar" mas antes "uma BC deficitária -> desvalorizar".

Falha 2. O RR diz que, desvalorizando a moeda, a inflação aumenta.
A inflação é um fenómeno puramente monetário que se controla aumentando ou diminuindo a liquidez da economia (em termos simples, a quantidade de moeda em circulação). Se queremos aumentar a inflação, o Banco Central injecta dinheiro (compra dívida pública). Se queremos diminuir a inflação, o Banco Central retira dinheiro de circulação (vende dívida pública).
Então, a implicação não é "desvalorizar -> inflação" mas antes "aumento da liquidez -> inflação".

Existirá alguma ligação entre "desvalorizar" e "inflação"?
A desvalorização implica um aumento proporcional (quase porque há a margem de comercialização) no preço dos bens importados.
Supondo que os preços locais não variam, que a desvalorização é de 20% (o preço dos bens importados aumenta 25%), e que o peso dos bens importados no consumo é de 20%. Então, a "inflação importada" fica em 5.0%. Por exemplo, na Saída da Argentina do Dólar, os preços dos bens importados aumentou 400% e a "inflação importada" ficou-se nos 25%.
Mas apenas existe "inflação importada" porque o Banco Central não quer manter firme a liquidez (que levaria à queda generalizada dos preços locais). Assim, acumoda a "inflação importada".
Então, a implicação deverá ser "alto desemprego -> permitir a inflação importada".

O Ricardo Reis respondeu-me no dia 27 de Setembro de 2011 o que muito agradeço.

Caro Pedro,
Obrigado pelos teus comentários e parabéns pelo excelente blogue. Em relação às questões que levantas:

Questão 1
Concordo (quase) completamente. Uma premissa no meu raciocínio é que a BC está desequilibrada. Como isso é conhecimento corrente, não achei necessário explicitá-lo no meu texto.

Questão 2
Novamente, não discordo do que dizes. A minha falha é, novamente, de omissão, neste caso de passos no mecanismo. O raciocínio completo seria:
"Com moeda própria, seria de esperar que, por um lado, os agentes económicos esperassem que o Banco de Portugal fosse mais propenso a aumentar a liquidez do que o BCE, e por outro lado que o Banco de Portugal de facto aumentasse a liquidez quer para nos ajudar a recuperar da recessão quer como forma de gerar receita para resolver os problemas de finanças públicas. Quer um mecanismo, quer o outro, levam a maior inflação”.
Mas deixa-me acrescentar que mesmo antes que o banco central aumentasse a liquidez, provavelmente a inflação aumentaria. Se Portugal deixasse o euro, eu esperaria que a taxa de cambio nominal se desvalorizasse mais do que os 20-30% que a nossa taxa de cambio real está sobrevalorizada. Isto porque eu esperaria que aumentassem de imediato as expectativas de inflação no país e que houvesse uma fuga de depósitos para fora do país, logo diminuindo a procura de dinheiro, o que com uma oferta de dinheiro inalterada, resulta logo em inflação.

Um voto final de encorajamento por subires, à tua maneira, o nível da discussão sobre economia em Portugal.

Ricardo

No que ficamos?
A desvalorização não é 100% independente da inflação mas são dois instrumentos diferentes que podem ser perfeitamente controlados. A moeda pode desvalorizar e a inflação ficar exactamente na mesma e a moeda pode ficar exactamente na mesma e haver inflação. Depende tudo de como está a economia.
Em Portugal como temos um duplo desequilíbrio económico (triplo porque as contas públicas também estão desequilibradas), teria que aumentar a inflação para diminuir o desemprego (porque não somos capazes de diminuir os salários nominais) e desvalorizar a moeda para diminuir o défice externo (porque não somos capazes de reduzir os preços).

Qual a importância da agilização dos despedimentos?
O Governo está-se a concentrar principalmente no desequilíbrio das contas públicas mas isso não é suficiente para evitar a bancarrota. Mesmo que Portugal tenha um défice público zero, não tem como  controlar as contas externas. Tínhamos que baixar os preços mas o INE garante que os nossos preços estão a aumentar mais depressa que os dos nossos parceiros comerciais. A nossa economia vai no sentido do precipício total.
O Governo, querendo que fiquemos no Euro, tem que meter pressão do lado dos trabalhadores para que aconteça uma diminuição do nível de salários reais o que irá impulsionar a descida do desemprego e dos preços.
Não há pressão maior que facilitar os despedimentos em conjunto com uma diminuição do Subsídio de Desemprego. É um alicate que aperta dos dois lados.

Mas falta o principal
Que é permitir, em alternativa ao despedimento, o aumento do horário de trabalho ou a redução dos salários dos trabalhadores. Não existe qualquer fundamento moral para o Estado proibir esta liberdade contractual.
Por exemplo, para um salário de 200€/s, 40h/s, o Trabalhador A produz 100u. e o Trabalhador B 80u. O Governo vai dar a hipóteses ao empregador despedir o B mas também deveria ser dada a alternativa de aumentar o horário de trabalho do B para 50h/s ou reduzir o salário para 160€/s.

Vamos supor uma pessoa em Arouca.
Que é uma terra isolada e longe de tudo. Um trabalhador pode preferir em emprego à beira de sua casa a ganhar 300€/mês a ir trabalhar para o Porto a ganhar 600€/mês.
O Estado não se deve meter nestes assuntos.

Descer a TSU dos "novos empregos" vai dar asneira grossa.
Os governantes e os comentadores estão a pensar no efeito directo de não cobrar TSU: os empresários vêm o custo dos novos trabalhadores diminuir pelo que vão contratar mais pessoas.
Mas isso funcionaria no Céu, vá lá, na Alemanha.
Aqui, os malandros vão pensar que se arranjarem uma empresa que os contrate por 1000€/mês e não forem trabalhar, em 15 meses só têm que descontar para a Segurança Social 1540€. Depois vai receber de Subsídio de Desemprego 650€/mês durante 18 meses mais 500€/mês durante 9 meses de Subsídio Social de Emprego que soma 16300€ mais RSI durante um ano ou dois e ainda lhe conta mais 2.5 anos de tempo de serviço para a reforma.
A S.S. recebe 1540€ e vai largar mais de 20mil. Isto é que vai ser um negócio da China.
Os técnicos do governo são da maior incompetência que jamais foi criado à face da Terra.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os salários e o equilíbrio da economia

Portugal tem a sua economia muito desequilibrada: Desemprego, Défice Comercial, Défice Público.
Uma economia de mercado tem múltiplas variáveis que actuam em conjunto para que os desequilíbrios que vão surgindo sejam corrigidos: salários, taxa de juro, nível geral de preços face ao exterior, migrações.
Como na Sic Notícias decorre uma discussão sobre a flexibilidade dos despedimentos e parece-me que o Feyo está engasgado contra o Bernardino, hoje vou começar pelo mercado de trabalho.
A Economia de Mercado.
A economia de mercado pressupõe uma especialização dos indivíduos. Vou condensar todos os indivíduos em dois agentes agregados: os Empregadores e os Trabalhadores.

O mercado de trabalho.
As vontades dos Empregadores encontram-se com as vontades dos Trabalhadores no mercado de trabalho.
Quanto mais elevado for o salário, mais os Trabalhadores procuram empregos e menos os Empregadores oferecem empregos.
O salário relevante em termos económicos é o salário real, W/P, dado pela divisão entre o salário nominal, W, e o nível de preços, P.
Há um salário de equilíbrio de mercado em que a quantidade de empregos procurada é igual à quantidade de empregos oferecidos.
A evidência empírica diz que no equilíbrio ainda existe "desemprego registado" de 4%.
Por razões exógenas ao mercado (por exemplo, uma alteração dos preços), o mercado de trabalho pode caminhar para um situação de desequilíbrio:
      Desequilíbrio 1 - Se o salário real for maior que o valor de equilíbrio haverá desemprego.
      Desequilíbrio 2 - Se o salário real for menor que o valor de equilíbrio haverá "vagas" desocupadas.
O salário real vai evoluir no sentido de corrigir o desequilíbrio.
No caso do desequilíbrio 1, não havendo limitações legais, o salário real vai diminuir o que faz cair  o desemprego e aumentar o número de pessoas a trabalhar. O mercado passa do ponto A para o ponto B (ver Fig. 1).
O desemprego vai ser reduzido por dois mecanismos: por um lado, aumenta a oferta de empregos (são criadas mais vagas nas empresas) e, por outro lado, diminui a procura de empregos (menos pessoas querem trabalhar).

Fig.1 - Correcção do mercado de trabalho quando o salário é muito elevado


Quando o mercado está no desequilíbrio 2, o nível de emprego também vem diminuído mas não haverá desemprego. Pelo contrário, os Empregadores não conseguirão encontrar trabalhadores em número suficiente para as vagas abertas. Então, o salário vai aumentar, aumentando o nível de emprego e a facilidade com que os empregadores encontram novos trabalhadores.
Fig.2 - A curva da procura: a 20€, quero uma; a 15€, quero duas; a 10€, quero quatro. Mas olhando bem, tu pareces-me um homem pá!
Outras variáveis que afectam o mercado de trabalho.
O salário real é a variável que mais afecta o mercado de trabalho. Outra variável importante é a taxa de juro. A produtividade também é uma variável muito importante mas é exógena ao mercado.
Supondo que estamos no equilíbrio A e acontece uma subida da taxa de juro (ver, fig. 3).
Os empregadores, para cada salário, vão querer menos trabalhadores porque, nas economias desenvolvidas, o trabalho e o capital são factores complementares. A taxa de juro traduz o preço do capital pelo que a sua subida leva a uma diminuição do investimento e também da necessidade de trabalhadores.
Fig.3 - Evolução do mercado de trabalho quando há aumento da taxa de juro

Numa primeira fase, o mercado vai passar do ponto A para o ponto B onde aparece desemprego. O mercado ajustando o salário real (diminuindo), o desemprego vai diminuir até termos o nos equilíbrio do ponto C.
A diminuição dos salários vai permitir que o nível de emprego da economia se mantenha quase idêntico à situação inicial.
Portugal, neste momento, está a sofrer um aumento vertiginoso da taxa de juro. Então, por não haver diminuição dos salários reais, o desemprego está a aumentar de forma explosiva e sem dar mostras de abrandar da tendência. Desde 2002, o número de desempregados já triplicou (ver Fig. 4). Recordo que a redução do número de desempregados de 2009-2010 apenas foi transitório e conseguido à custa de défices públicos enorme que nos levaram às gigantescas taxas de juro que agora estamos a pagar.

Fig. 4 - Evolução do número de desempregado (1998-2011, fonte: INE)

Será que flexibilizar os despedimentos vai equilibrar o mercado de trabalho?
Sim.
Uma pessoa sendo despedida, posteriormente vai para um emprego com menor salário.
Mas não é a medida correcta porque a perda do emprego é uma situação muito traumática para o trabalhador. Desvaloriza a sua auto-confiança e causa perda nas suas competências. Claro que haverá sempre necessidade de uma ou outra pessoa ser despedida, mas o ajustamento do mercado não pode ser feita pelos despedimentos mas antes pela descida / subida do salário real.
É melhor que a pessoa não chegue a sair do seu emprego original.
A facilitação dos despedimentos apenas traduz a dificuldade que o Governo tem em flexibilizar os salários.
Porque é que o Código do Trabalho proíbe, mesmo que o trabalhador o queira, haver uma diminuição do salário? Que valor está o Estado a defender? O desenvolver da miséria?
Se qualquer contrato, em caso de dificuldades financeiras da empresa, pode ser revisto, porque é que a empresa em dificuldades não pode propor novos salários?

Fig. 5 - Paguem menos mas dêem-nos trabalho

Sempre que há uma dificuldade numa empresa, se houver activos, os trabalhadores votam invariavelmente pela falência. Ainda não houve nenhum caso em que os trabalhadores propusessem uma redução dos salários. É lógico:
1) Temos prioridade a receber.
2) Recebemos 30 dias por cada ano de trabalho
3) Se tivermos mais de 50 anos, recebemos Subsídio de Desemprego durante mais de 30 meses mais 2 meses por cada 5 anos de serviço.
4) Depois, vamos para a reforma sem penalização.

Dizem que isto vai mudar.
Mas é só para o tempo futuro, blá blá blá, daqui a 10 ou 15 anos já estará plenamente em vigor.
E a taxa de desemprego vai explodindo.
E Portugal vai caminhando para a bancarrota.

Fig. 6 - O diminuir não é assim tão negativo

Não gostei do meu novo nome.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 10 de julho de 2011

O Stiglitz é Prémio Nobel mas está errado

Há economistas reputados, sendo o maior deles o Joseph Stiglitz, que defendem duas teorias:
1.ª Que o salário não ajusta o mercado de trabalho.
2.ª Que os países falidos apenas podem pagar a dívida soberana investindo de forma a fazer crescer o produto.

Ambas estas teorias estão erradas e eu vou procurar demonstrar porquê.
Preparo o estimado leitor que este post é um pouco chato.

A loucura dos homens válidos.
Existem algumas pessoas loucas, alienadas, que é necessário internar em manicómios.
São completamente incapazes.
Mas não há ninguém que não tenha momentos de loucura, ideias loucas e parvalhices. A maioria das pessoas, descontados esses momentos, são profissionais competentes e cidadãos válidos.
Fig.1 - O Amor é uma grave doença mental, Platão
O Einstein era um génio, um cientísta reputado, um dos homens mais inteligentes e criativos que já mais existiram. No entanto acreditava firmemente na existência Deus. Por exemplo, lutou 40 anos contra a sua  interpretação probabilisticas da física quânticas (que trata dos fenómenos sub-atómicos que apenas acontecem em quantidades inteiras)  não podia estar certa porque "Deus não joga aos dados".
Era uma parcela de louco na mente de um génio.
O Dominique Strauss-Kahn é um financeiro muito competente mas, quando vê uma mulher, fica louco. 
O Stiglitz é Prémio Nobel mas, nestas teorias, está louco.
Stiglitz pá, se estás a seguir este blog, desculpa-me, mas só podes defender isto num momento de loucura.

Fig.2 - O Joseph é um gajo porreiraço. No Purim,  é de cair para o lado.
A informação assimétrica
Stigliz introduziu (juntamente com o Spence e o Akerlof) na teoria económica o conceito da informação assimétrica: qual a implicação de uns agentes económicos saberem mais que outros.
No exemplo do Akerlof, um vendedor de um carro em segunda-mão tem mais informação sobre o estado do carro que o comprador.
No exemplo do Spence, cada pessoa tem uma capacidade de trabalho que o empregador não consegue avaliar e na Escola os alunos não aprendem nada de relevante. Como os que estudam mais e são mais inteligentes conseguem ter melhores notas então, quanto mais alta for a sua média, maior será a sua capacidade de trabalho: a nota é apenas uma medida da capacidade de trabalho e não, necessáriamente, do conhecimento.
Outro exemplo (meu): uma mulher para ser elegante tem que se esforçar muito: dieta, ginásio, atenção à roupa, etc. Isso é um sinal de que essa mulher tem mais capacidade de sacrifício: vai ser capaz de trabalhar mais (obtendo melhor ordenando, que bom) e vai ter mais paciência para nos aturar. Daí, gostarmos mais das mulheres boas. 

1.ª O salário não ajusta o mercado de trabalho. Errado.
A ideia do Stiglitz é que se o salário diminuir, o esforço do trabalhador também vai diminuir.
Com um ordenado 50€/dia um trabalhador esforça-se 100 e produz 45€/dia vindo o prejuizo do empregador igual a 5€/dia.
Se o seu salário diminuir para 40€/dia, o esforço reduz-se para 80 e a produção cai para 34€/dia. Então, a redução do salário ainda aumenta o prejuizo do empregador.
Meia conclusão do Stiglitz: se o salário aumentar, o prejuizo do empregador diminui.
Conclusão final da teoria: O modelo tem três pontos de equilíbro, S1, S2 e S3.
Como o empregador é maximizador do lucro, S1 e S2 são globalmente instáveis pelo que o salário vai aumentar até infinito.

Fig.3 - O equilíbrio em Stiglitz é S3: salário = infinito.

Na realidade o salário não pode ser infinito. É por demais evidente que esta teoria está errada.
Esta teoria é um Paradoxo de Zeno.
Erro1. O esforço é parcialmente observável.
Na realidade, comparando dois trabalhadores, um que se esforça e outro que não, há medidas de esforço e de desempenho que conseguem medir, parcialmente, a produtividade e o empenho.
Por exemplo, o Pinto da Costa vê se o jogador chega a horas ao treino, se corre, se transpira. Se se deita cedo. Durante o jogo, mede quantos kilometros pedalou, quantos passes fez, ... vê logo quem se está a esforçar mais. Quem é "profissional" e quem não é.
O que acontece se o esforço for parcialmente observável?
Então a diminuição do esforço é inelástica com o salário: a diminuição (aumento) do salário em 1% induz uma diminuição (aumento) no esforço menor que 1%.
Sob esta pequena alteração, o mercado de trabalho já equilibra com uma variação do salário.
Se o salário estiver abaixo de S, vai subir. Se estiver acima de S vai descer.

Fig.3 - O equilíbrio é S: 0 < salário < infinito.

O salário vai ser maior que zero e menor que infinito, o que está de acordo com a realidade.

Portugal está abaixo ou acima de S?
Nos períodos de crise, o ponto S desloca-se para baixo. Como estamos em crise, então os salários estão acima do equilíbrio pelo que o caminho é a correcção em baixa.
Erro2. O mercado de trabalho também ajusta do lado da procura de emprego.
Lucas também é Prémio Nobel. e diz que nunca haverá falta de trabalho. O que há falta é de trabalho remunerado.
Robert Lucas, Jr. demonstra que o desemprego não existe em absoluto mas é relativo ao salário vigente. Se o salário diminuir, menos pessoas quererão trabalhar, diminuindo a quantidade procurada de empregos. Para um salário zero, ninguém quer trabalhar.
Como a taxa de desemprego mede a percentagem da população activa que procura activamente emprego então, a descida do salário faz, pelo lado da procura, o desemprego diminuir.
Na figura seguinte apresento o caso em que o mercado de trabalho ajusta considerando que apenas os trabalhadores reagem ao salário:
Fig.3 - O equilíbrio pode acontecer só com o lado da procura.

Stigliz não considera este efeito.

Portanto, as conclusões de Stiglitz quanto ao salário não ajustar o mercado de trabalho estão duplamente erradas.

Ontem fui à praia e, quando vinha às 10 da noite, duas jovens, boas como o milho, estrangeiras, pediram-me boleia.
Eu não parei porque ia para uma terra que não é destino de nada de jeito.

Fig. 5 - Será que eram anjos enviados por Deus para me castigar? Ai se o arrependimento matasse ...

No próximo post (chato) vou mostrar porque o Stiglitz está errado na teoria de que os países falidos, Portugal, Grécia e outros, não terem que poupar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 25 de março de 2011

A situação de Portugal é muito grave

Nos últimos 15 anos, em Portugal, temos gasto mais do que produzimos o que levou a uma situação insustentável e gravíssima. Como, para grandes males são precisos grandes remédios, é necessária uma profunda reestruturação do país começando pela flexibilização dos contratos de trabalho.
Como chegamos à falência
Desde 1960 que em Portugal consumimos mais do que produzimos. Este vício agudizou-se no pós-25-de Abril (nos anos 1974/1984, o défice corrente foi, em média, de 5.5%/ano e o crescimento de 2.3%/ano, do PIB) e no pós – Cavaco Silva (nos anos 1996-2010, o défice corrente foi, em média, de 8.9% e crescimento 1.8%/ano,  do PIB). Apenas esteve controlado nos mandatos de Cavaco Silva (nos anos 1985/1995, houve um superavit, em média, de 0.04% e crescimento 3.6%/ano, do PIB).
O défice corrente implica pedir-se dinheiro emprestado ao estrangeiro. Supondo que a dívida externa em 1974 era nula, o défice acumulado traduz-se actualmente num endividamento ao exterior de 160% do PIB.
Figura 1. Défice corrente e endividamento externo, 1975-2010, Banco Mundial

O défice corrente existe porque tem um efeito positivo, no curto prazo, no crescimento económico mas um efeito negativo no longo prazo. Governantes com horizontes curtos, aumentam o défice para iludir o eleitorado por mais uns meses. Não tendo coragem nem saber para explicar ao eleitorado como melhorar a estrutura do país, lançam-se em medidas de curto prazo.
Deveria ser explicado ao país que, em termos de longo prazo, o importante é a taxa de crescimento do PIB subtraída do Defice Corrente que nos anos 1974/1984 foi -3.2%/ano, nos anos 1985/1995 foi 3.7%/ano e nos anos 1996-2010 foi - 7.1%/ano.

Figura 2. Défice corrente e crescimento do PIB, 1975-2010, Banco Mundial

É como uma senhora gorda que precisa iludir um potencial candidato a namorado e que, em vez de fazer dieta e ginástica, usa uma cinta muito apertada que resolve o problema naquela noite mas que lhe vai criar, a prazo, graves problemas de saúde.
Figura 2. Mulher gorda que quer passar por magra
Normalmente, um país não pode manter um défice corrente durante muitos anos porque, lentamente, a taxa de juro exigida vai aumentando. O termos entrado na Zona Euro permitiu manter governos despesistas (Guterres, Santana Lopes e Sócrates) durante tempo de mais. Agora a situação é desesperada. De um momento para o outro, vais entrar tudo em rotura financeira: a segurança social deixa de pagar reformas, subsídio de desemprego, o Governo deixa de pagar salários, os bancos ficam sem liquidez, a CP e demais empresas públicas deixam de pagar a electricidade, terrível.
A senhora gorda apertou tanto a cinta que já não respira há mais de 5 minutos. De um momento para o outro, o coração parou. Tem não só que soltar a cinta rapidamente (cortar o défice) como receber respiração boa a boca de um bombeiro com os dentes todos podres já (pedir socorro ao FMI).

Figura 4. Bombeiro que vai salvar a vida da mulher gorda com respiração boca a boca

Para situações desesperadas, soluções desesperadas
Agora que vem ai um novo governo, talvez com pessoas sérias, é preciso explicar aos portugueses que vai acontecer uma redução do rendimento disponível das famílias próxima dos 20%. Não é uma contracção de 2% mas de 20%. Actuando de forma séria, essa redução poderá acontecer ao longo dos próximos 5 anos, senão, será a rotura imediata.
E são necessárias medidas muito duras. Começando pelo mercado de trabalho, é necessário haver liberdade contratual entre empregadores e empregados.
1) Acabar com o Salário Mínimo. O SM português é muito elevado (>40% do PIBpc) o que é insustentável para a segurança social (aumenta o desemprego e os não activos). Teria que ser 300€/mês mas, psicologicamente, é melhor acabar com ele. Fica como já acontece com os recibos verdes onde cada trabalhador tem a liberdade de aceitar o salário que entender nem que seja nada.
2) Introduzir o despedimento individual. Os contratos terão que ser todos “por tempo indeterminado” mas havendo a possibilidade de despedimento individual. Tal como um empregado se pode despedir quando quiser dando um pré-aviso (de 2 meses) terá que ser possível despedir um empregado, respeitado um pré-aviso que deverá ser o actual “tempo de indemnização”: um mês por cada ano de trabalho mas o empregado fica a trabalhar. Se o empregador quiser um despedimento imediato, pagará um mês por cada ano de trabalho de subsídio de desemprego.
3) Reduzir o subsídio de desemprego. A Segurança Social apenas pode pagar subsídio de desemprego durante dois meses por cada ano de trabalho. No caso de o trabalhador ter sido despedido com efeito imediato, receberá um mês do empregador mais dois meses da Segurança Social.
4) Introduzir liberdade na renegociação dos contratos de trabalho. Terá que ser possível o empregador e o trabalhador, respeitado o tempo de pré-aviso, decidirem alterações no contrato de trabalho como, por exemplo, reduções salariais.
5) Flexibilizar as relações de trabalho. Existe uma multiplicidade de contratos informais de trabalho que têm que ser acomodados na lei. Por exemplo, terá que ser possível contratar empregados às segundas-feiras das 8h às 12h; 10 horas por mês à escolha do empregado, 50 horas por ano à escolha do empregador.
6) Acabar com o "valor mínimo" das contribuições obrigatórias . Se o empregado trabalha um dia por semana e ganha 100€/mês, não pode ser obrigado a descontar 159,72€/mês. Desconta 11% ou, em caso de trabalhador independente, 34.5%. Quando ficar desempregado, recebe 65€/mês. Se ficar de baixa médica, recebe 3.30€/dia.
Mas isto é a lei da selva.
Pois é, mas não se pode fazer nada. Como o Estado não nos pode alimentar a todos, o melhor é deixar-nos viver o melhor que pudermos. O Estado também se propõe acabar com a mendicidade, o guardar carros, a prostituição,  mas, como isso não parece prejudicar ninguém e o Estado não tem meios para garantir o seu fim, salve-se quem puder porque já não há Pai Natal.

"Então posso fazer um aborto."; "Não porque o aborto é proibido mas, se fizeres um aborto, não te acontece nada."; "Então é permitido?" "Não, o aborto é proibido mas não te acontece nada."
Figura 5. O aborto - Professor Martelo, Gato Fedorento 

Pedro Cosme Costa Vieira

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