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sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Grécia e a Madeira - Será possível ser meio caloteiro?

Eu tenho uns vizinhos que têm um filho drogas.
É a coisa mais terrível que pode acontecer a um pai. Quando um filho morre é um grande desgosto  mas o mais terrível é quando um  pai reza para que o filho desapareça para sempre da sua vista, que morra e fiquei enterrado bem fundo. E isso acontece, mais dia menos dia, aos pais que têm um filho drogado.

Fase 0.
O drogas começa por ser uma pessoa normal. Não é uma pessoa especial mas tem uma actividade regular (um empregozito ou estuda para o 10),  uma namorada gorda, discute futebol e sai com os amigos.
Até parece que se esforça por levar uma vida banal, ser como os outros, mais um zero à esquerda como todos nós somos (e sonhamos, sentados no sofá, deixar de o ser).

Fig. 1 - Um exemplo de uma mulher normal

Fase 1.
A vida do drogas melhora rapidamente. Troca para uma namorada muito melhor (mais tarde, vem-se a saber que é uma menina, estão-me a perceber), tem sempre saídas, grandes amizades, um carro de grande cilindrada (que se vem a descobrir que é roubado, documentos falsificados e os país são fiadores sem o saber) e começa a pedir dinheiro.
 - Mau, até agora chegavam-te 300€/mês e agora, ainda vamos no dia 10 e já me estás a pedir um reforço. Isto anda por ai marosca - diz o pai.
O drogas conta maravilhas sobre as perspectivas para a sua vida futura. Que está a estupidificar no emprego, que tem em vista um projecto maravilhoso que o vai fazer rico e tirar os pais da banalidade, tal e tal e tal e abaixo os capitalistas e os exploradores do trabalho, blá, blá, blá, blá, vira BE.zista, CGTP.ista, Anonym.ista e chega mesmo a dizer que vai para Angola.
A mãe quer-se deixar convencer e, na sua arte milenar de enganar os maridos quanto às finanças familiares, lá vai conseguindo surripiar uns euritos para dar ao filho.

Fig.2 - O drogas comprou este carro fazendo os pais, com assinatura falsa, fiadores

Fase 2.
O emprego já se foi, a namorada já é outra e está grávida (vem-se a saber que é uma menina de baixa por acidente de trabalho, o filho é de um cliente). Tem a criança, desaparece e vem outra.
O drogas gasta cada vez mais. Levanta-se ao meio dia e quer logo 20€ para ir almoçar, estão-me a perceber. Depois às 4h, mais 20€, às 7h, mais 20€, às 9 da noite, mais 20€ para ir dar uma volta à noite.
Depois começa o povo a vir falar com a mãe dizendo que o filho lhe deve dinheiro.

Fase 3.
A mãe já não consegue mais dinheiro, o filho diz que lhe arranja um mato onde ela poder fazer uns trocos.
A mãe  a trabalhar deitada.
A mãe fica chocada.
- Meu querido filho o que estás a dizer da tua mãe! Eu não acredito no que estou a ouvir.
Bumba, o drogas encosta a mãe à parede. Vende os móveis, arranca os fios eléctricos de casa qre vende a um sucateiro, assalta a vizinhança, ameaça tudo e todos.
 - Não preciso de pais exploradores e tacanhos como estes, vou fazer uma greve geral, meter os senhores da Troika na cadeia, exploradores, capitalistas, morte ao dinheiro.
- Cubanos do continente, raios de uma figa, sr. Silva.
E desaparece.

Fase 4.
Passado uns dias o drogas volta a casa e  garante que está mudado.
- Meus queridos pais, eu estava maluco mas agora estou curado, eu nem acredito no que me estão a dizer, como fui eu capaz de fazer tamanhas maldades, eu estava possuído pelo demónio, eu já deixei a droga, foram as más companhias, agora vou procurar um emprego, aquelas mulheres destruíram a minha vida, béu, béu, béu
Acredita nisto? Há quem acredite 10 vezes seguidas.

Se a Grécia não paga o que deve, alguém acredita que vai pagar o que lhe emprestarem agora?
Eu não. Está só a prometer este mundo e o outro para apanhar mais uns milhões.
E o Alberto João é igual. Nunca vai pagar nada. Recebe agora a massa e começa a pagar em 2016. Porque é que não começa a pagar em 2012?
Mau, anda por ai marosca. Em 2016 já lá não está o Alberto João e quem vier que se desenrasque.

Fig. 3 - Se fazem isto quando a questão é dar-lhes mais dinheiro, o que farão na hora de pagar?

O meio caloteiro.
Quando alguém empresta dinheiro quer uma garantia em como vai receber, é o que se chama um colateral.
Os Estados não dão colaterais. Pedem dinheiro emprestado e nós acreditamos que são pessoas de bem. Que se regem pela lei e pelo direito. Os velhotes aplicam uns euritos nos Certificados do Tesouro e esperam, quando tiverem uma necessidade, que o Estado lhes devolva o dinheirito.
Já imaginou andar a poupar toda a vida para ter uma casita e, de repente, sai uma lei em que metade da sua casa passa para um GNR. Pumba, os GNRs servem o Estado e há um que precisa de casa e o Estado não lhe pode dar uma pelo que lhe dá metade da sua. Ainda vai para tribunal mas está lá na nova lei e fica sem a casita. E ainda dizem que é um especulador, um fachista.
Vai à suas poupanças e pumba, diz que só lhe vai dar metade daqui a 30 anos.
Empresta mais algum cêntimo a esse Estado?
Acredita que vai receber algum?
Eu não.

Fig. 4 - Quero já 1.5 milhões de casas, 3 milhões de Magalhães, 50 barcos de Viana do Castelo, já.
Quanto ao pagar, depois falamos.

A única solução é a bancarrota imediata.
A única parte positiva do acordo da Madeira é os impostos terem aumentado (o IVA, o IRS e outros) e a região ter perdido capacidade de lançar obras fora do orçamento. Pode ser que não façam mais divida. Pode ser, mas desconfio que o Alberto João vai imaginar qualquer coisa para contornar a questão.
A Grécia é igual mas muito pior. Continua com um défice das contas públicas e das contas externas enorme (mais de 10% do PIB) e não mostra tendência para a correcção.
Por isso, acordar com um drogas que lhe damos 100€ e ele deixa a droga, é como acordar com a Grécia ou a Madeira que lhe perdoamos metade e eles pagam o resto ou acordar com um ladrão que lhe damos metade do dinheiro que temos na carteira.
São coisas inviáveis.

Ali para os lados de ...
penso que Silvalde, um pai matou o filho a tiro. Isto acontece muito.
O pai foi detido e foram entrevistar a mãe que vivia numa casa humilde sem móveis (o filho tinha-os vendido) e com tudo que sobrou partido.
- Sabe meu senhor, custa muito. Nós estávamos dentro de casa com as portas trancadas e o meu filho a gritar lá fora que nos ia matar se não lhe déssemos dinheiro.
- Eu disse para o meu homem: "António, eu sei que te custa mas tem que ser, poupa-lhe a carinha para, no funeral, podermos abrir a urna".
- Ele meteu dois cartuxos na caçadeira e sentamo-nos no chão à espera que ele rebentasse a porta. Assim que o meu filho que eu tanto amava entrou, o meu homem espetou-lhe um tiro na barriga.
- O senhor não sabe o que custa espetar um tiro a um filho mas teve que ser.

Fig. 5 - As últimas palavras do meu  filho foi mandar-me para o inferno mas deixou de sofrer, coitadinho.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Madeira ou a república das bananas

Alberto João Jardim apanhado... sem calças


O Governo Regional da Madeira alterou a lei de concessão de avales cinco dias antes de Portugal pedir ajuda externa. O novo regime jurídico, que entrou em vigor a 1 de Abril, tornou mais fácil a concessão de garantias e possibilitou avales a empresas públicas sem a apresentação de contra-garantias e para outros fins que não os de investimento na região. Sem esta alteração, o empréstimo avalizado de 220 milhões de euros contraído pela Electricidade da Madeira já este ano, que vai causar buraco nas contas públicas, não teria sido possível. Este facto noticiado hoje pelo DE é apenas mais um episódio de um autêntico filme de horror que pode ser resumido a alguns números. Estamos nós perante uma república das bananas? Veja o que é uma república das bananas no Wikipedia.


37,7%
da população empregada na Madeira trabalha para o Estado (35 mil). Extrapolando para o país em função da população (268 mil habitantes na região autónoma), teríamos 1,4 milhões de funcionários públicos e não 750 mil.

8 mil milhões de euros
da dívida pública madeirense corresponderiam a 188% do PIB a nível nacional

568 milhões de euros
é o défice público da Madei37,7%ra apurado. O défice público nacional deste ano vai sofrer um desvio por causa da Madeira, não de 277 milhões de euros como disse a troika a 12 de Agosto, mas sim de 568 milhõe. Inicialmente, pensava-se que seriam 500 milhões, mas no dia 16 de Setembro o INE e Banco de Portugal precisaram melhor o valor. Extrapolado para o país, o défice nacional não seria de 5,9% em 2011 mas sim de 12%.

1681 milhões de euros
é o valor acumulado das dívidas na Madeira ao longo do últimos anos (1113 milhões desde 2004 + 568 milhões ), aos quais ainda se podem acrescentar mais 220 milhões em garantias prestadas (aval) à Empresa de Electricidade da Madeira.

250 milhões de euros
que o Orçamento do Estado português transfere anualmente para Madeira. O buraco deste ano é mais do dobro: 568 milhões de euros.

4, 9 e 16%
são as taxas de IVA na Madeira. No continente, as taxas são de 6, 13 e 23%.

2%
é o acréscimo salarial de um funcionário público nas regiões autónomas (subsídio de insularidade). 2% é também o corte no número de funcionários públicos previsto no memorando da troika.

3576 milhões de euros
Desde 2000, o Estado português transferiu esta quantia para a região, 2796,2 milhões directamente ao governo regional e o restante às autarquias e freguesias.

2101 milhões de euros
chegaram à Madeira desde 2000 provenientes dos fundos comunitários (914 milhões do QREN 2007-2013).

7,7 mil milhões de euros
foram as receitas fiscais cobradas pela região autónoma nos últimos 11 anos e que ficaram na Madeira.

32,8% do PIB
é quanto vale o buraco de 1681 milhões de euros, tendo como referência o PIB madeirense de 2009 (5,1 mil milhões).
--
Pedro Palha Araújo

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