Mostrar mensagens com a etiqueta Memorando. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memorando. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O programa cautelar e o segundo resgate

As finanças públicas portuguesas têm 2 problemas.
O primeiro problema é a divida pública bruta ser massiva, cerca de 215 mil milhões de €, 130% do PIB.
O segundo problema é o défice público ser elevado, cerca de 10 mil milhões € anuais, 6% do PIB. 
Estes dois problemas são diferentes mas estão ligados porque, por um lado, a divida pública "cria" juros que fazem aumentar o défice público (são despesa) e, por outro lado, o défice traduz despesa pública que não consegue ser financiada com receita (impostos) o que obriga a aumentar a dívida pública.
A junção destes dois problemas cria na mente dos aforradores a dúvida quanto à nossa vontade colectiva e capacidade em cumprir as nossas obrigações financeiras o que faz com que as taxas de juro que exigem pela dívida pública aumentem.

Fig. 1 - Fujam que vem aí o segundo resgate. 

Um euro de défice é mais um euro de endividamento.
O Estado financia a sua despesa e investimento de cada ano com os impostos e com novo endividamento.
Mas o Estado apenas pode ter défice (mais despesa que receitas) se houver alguém que lhe empreste dinheiro.
É tal e qual a vida de um tóxico-dependentes: só há vício se houver onde ir buscar o carcanhol.

Fig. 2 - Pelas contas da EuroStat, o nosso défice tem andado nos 6% do PIB, cerca de metade devido aos juros

Há coisas que não vão ao défice.
Se tudo fosse às contas públicas, um euro de défice traduzia-se directamente em mais um euro de divida pública. Como o défice público acumulado do governo do Passos foi (em 2011-2012) cerca de 11% do PIB, a divida pública teria aumentado exactamente 11% do PIB mas aumentou bastante mais.
Acontece que o EuroStat considera apenas as receitas e despesas geradas no próprio ano. Quer isto dizer que, por exemplo, se forem descobertas despesas que foram escondidas em 2008, estas verbas vão directamente à divida sem haver revisão das contas do défice de 2008.

Mas também há défice que não implica novo endividamento.
Também acontece que há receitas (das privatizações) que não entram no défice mas que servem para financiar o Estado.
Há ainda o caso de despesas que vêm ao défice mas que já têm o financiamento garantido, por exemplo, prejuízos de empresas públicas que já estão financiados.
Então, apesar de haver uma ligação muito forte entre défice e necessidades de financiamento, há anos em que existem discrepâncias importantes.

As necessidade de financiamento do Estado.
É a soma do "novo endividamento" com o "velho financiamento que se vence".
Se, em média, a divida pública portuguesa tiver uma maturidade de 7 anos, cada ano vencem-se (i.e., é preciso pagar) 30 mil milhões €, 2.5MM€/mês. Se a maturidade média for de 2 anos, o estado precisará 108 mil milhões € por ano, 9MM€/mês.
A esta divida que é preciso reformar, o estado precisa acrescentar o défice do ano corrente.

A divida pública bruta e líquida.
Nesta última semana surgiu uma discussão entre os dados da Maria Luíz (da dívida liquida) e do Banco de Portugal (da divida bruta).
A divida bruta quantifica tudo o que o Estado deve enquanto que a divida líquida obtém-se subtraindo à divida bruta o valor de todos os activos vendáveis do Estado (leia-se, privatizações e créditos).
O problema do cálculo da dívida liquida está na quantificação do valor dos activos do Estado porque, se for obrigatório continuar a actividade, há valores positivos (por exemplo, os CTT) também há valores muito negativos (por exemplo, as empresas de transportes públicos onde se inclui a TAP).

Vamos ao endividamento do Estado.
Normalmente, o estado português endivida-se em leilão.
Primeiro, o estado anuncia quanto se quer financiar (e.g., entre 750M€ e 1250M€) e o prazo (e.g. 540 dias).
Segundo, os aforradores individuais dizem quanto querem emprestar e a que taxa de juro. Apresento o exemplo de 4 dos 100 aforradores que nos pretendem emprestar dinheiro:

     Aforrador       Quantidade         Taxa de juro anual
       António            1500€                    3.456%
       António            3550€                    4.143%
       Joaquina            2350€                   2.971%
       Manuel               790€                   3.431%
      Albertina            3525€                   4.563%
      Albertina            5000€                   5.863%

Terceiro, as ofertas são organizadas pela taxa de juro de forma crescente.

     Quantidade         Taxa de juro anual média
               ...                          ...
        754565€             2.955%
        754653€             2.956% <- quero aqui
        757749€             2.9611%
              ...                           ...

Quarto, o estado português decide qual o quantitativo de dinheiro que vai aceitar emprestado sujeitando-se à taxa de juro média exigida pelos aforradores.

O mercado secundário.
Todos os dias os aforradores podem comprar e vender dívida pública que está na mão de outros aforradores. Este mercado denomina-se secundário porque não é o Estado que está a emitir os títulos de dívida.
Apesar de o estado português não se estar a endividar, se hoje fosse pedir dinheiro emprestado (fosse ao mercado primário), a taxa de juro iria ser muito próxima da taxa de juro do mercado secundário.

Depois, há o financiamento da Troika.
Em 2010 os agentes económicos deram conta que a probabilidade de Portugal não conseguir pagar a sua divida era muito grande pelo que, para as garantias normais de mercado, os aforradores começaram a exigir taxas de juro demasiadamente elevadas. Por exemplo, 15%/ano sobre 215MM€ traduziam-se num encargo de 32MM€ por ano que é maior que a soma de todas as pensões, subsídio de desemprego e RSI.

Foi preciso arranjar financiamento fora do mercado.
Esse financiamento (na ordem dos 3.2%/ano), por ser a uma taxa de juro muito inferior ao mercado, é um favor que alguém nos faz, no caso, os nossos parceiros europeus e do FMI.
Acontece que esse financiamento, além do juro baixo, trouxe condições que temos que cumprir religiosamente.

A qualquer momento podemos sair do programa.
Se hoje o Passos Coelho quisesse, abandonávamos o Memorando de Entendimento mas seria preciso pagar de volta todo o dinheiro que nos emprestaram.
Interessante o Seguro nunca avançar com esta hipótese quando afirma que não vai cumprir nada do que nos é exigido.

Fig. 3 - O problema é que a taxa de juro irlandesa está 0.1 pp abaixo do nível médio de 2003/2008 e a nossa está 3.2 pp acima (dados, ecb)

Daqui a nada, a mama acaba-se.
Quando o nosso resgate foi assinado em princípios de 2011, pensaram que em 3 anos Portugal conseguiria ganhar a confiança dos aforradores. Eu nunca acreditei no que afirmava o Gasparzinho mas, lentamente, as taxas de juro foram descendo até que, em finais de maio 2013, atingiram 5.20%/ano. Parecia que ia tudo bem encaminhado mas descarrilamos.
A Irlanda já consegue crédito a 10 anos com uma taxa de juro 0.1 pp abaixo da média de 2004/2008 (3.9%/ano) enquanto que nós teríamos que pagar mais 3.2 pp (7.2%/ano), ver Fig. 3.
Se em Maio 2013 parecia que nos íamos safar, hoje é certo que não nos vamos conseguir financiar em mercado pelo que precisaremos de continuar a receber ajuda (e "conselhos") dos nossos parceiros.

Será possível termos um programa cautelar?
Não. Isso foi uma miragem que se esfumou com a saída do Gasparxinho.

O que será o programa cautelar?
O programa cautelar irá cobrir uma percentagem das necessidades de financiamento à taxa de juro de mercado.
Num leilão de divida pública, quanto mais dinheiro se quiser, mais elevada é a taxa juro média que se paga. Então, o programa cautelar ao assumir uma percentagem do valor pretendido, faz com que a taxa não seja tão elevada.
Por exemplo, Portugal precisa de 2MM€ a 5 anos indo, primeiro, ao mercado de divida pública captar 25% (e.g., conseguia 500M€ a uma taxa de juro média de 2.956%/ano). Depois, os restantes 1500M€ são emprestados pelos nossos parceiros a essa mesma taxa de juro (2.956%/ano).
O programa cautelar implicará uma "vigilância reforçada" mas pouco restritiva porque o mercado vai, com a subida da taxa de juro, criar os incentivos certos para que o governo se porte bem. Serão as normais condições de, tendencialmente, um défice público nos 1.5% do PIB mas, se não for cumprido exactamente, paciência. 

As taxas de juro establizaram num valor muito alto.
Mas não vamos poder ter um programa cautelar porque as taxas de juro, mesmo de curto prazo, estão incomportáveis. A 3 anos estão nos 6.33%/ano, muito acima dos 3.20% da Troika, enquanto a Irlanda já está nos 1.72%/ano (abaixo da taxa de inflação esperada).
Em Maio de 2013, quando a nossa taxa de juro a 3 anos estava nos 3.2%/ano (igual à da Troika), podiamos pensar num programa cautela. Agora, temos que avançar para um segundo resgate.

Fig. 4 - Mesmo no curto prazo, a nossa taxa de juro está ao nível de um país do terceiro mundo

A 8.a e 9.1 avaliação estão a preparar o 2.o resgate.
Primeiro, o novo resgate  vai implicar que os investidores privados terão perdas. As actuais taxas de juro indicam que quem tiver 100€ de divida pública portuguesa a 10 anos vai receber 66.67€ e, se for a 3 anos, 89.00€ em obrigações do Fundo de Resgate com o mesmo prazo e remunerados à taxa de 3.20%/ano em que, quem vai pagar os juros é Portugal.

O défice terá que cair para zero.
O défice vai ter que se reduzir rapidamente para zero de forma a acabar a necessidade de novo financiamento. Com um crescimento médio de 1%/ano e uma inflação de 2%/ano, um défice público nulo faz com que em 25 anos a nossa divida pública se reduza dos actuais 130% do PIB para o objectivo de Maastricht de 60% do PIB.
Para que isto aconteça é preciso avançar com cortes de 6000 milhões € (e não 3.7MM€)e com aumentos de impostos de 3000 milhões €.
Vai ser preciso cortar muito mais em  pensões, salários, saúde e educação mesmo que tal seja inconstitucional. Vai ser como na Grécia: se é incontitucional despedir funcionários públicos, o governo vai suspender os pagamentos dos salários a 24 mil e quem quiaer que se vá embora.
Quando o Seguro vier que pague.

O mercado de trabalho tem que progredir.
As reformas do mercado de trabalho terão que ser aprofundadas para reduzir a taxa de desemprego.
Terá que haver mais flexibilidade não só na contratação e despedimentos mas também  nos salários e horários.
Terá que haver mais cortes no regime do subsídio de desemprego.

Imaginemos o impossível.
Que algures no futuro, o Seguro vai chegar a primeiro ministro.
Onde vai ele arranjar financiamento para cumprir a promessa de repor as pensões, salários e demais gastos que o Passos Coelho tem que cortar?
A sorte dele é que isso nunca irá a acontecer. O que o Seguro anuncia são terrenos armadilhados para cortar o caminho aos seus opositores internos. Vai vale ser o bobo da corte que comido pelos tubarões.
O António Costa está calado mas vai ter que dar resposta a todas as babuzeiras que o Seguro vai avançando. Isto vai obrigar o Costa a pesar pois, no dia em que, eventualmente, tomar posse como primeiro ministro vai ter à perna o Seguro a gritar:
-Eu queria reconstruir tudo que o Passos Coelho destruiu mas o PS não me deixou.

Fig. 5 - Enquanto ninguém olha, vou-me esconder e fazer de morto porque o caminho para salvador da pátria está todo minado.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O que teria Cavaco no sótão quando pediu o acordo a 3?

Estará o Cavaco doente?
Ouvi muitos comentários nos media mas nenhum conseguiu encontrar lógica à decisão do Cavaco de pedir um acordo entre PSD, PS e CDS com a condição de haver eleições "depois de Julho de 2014". 
Falam muito da instabilidade que resultou da demissão do Portas e de haver dúvida de que isso não volte a acontecer. Mas se, de forma unânime (na comunicação social), o governo está a fazer um péssimo trabalho então, o governo estar em crise deveria ser muito positivo para a economia.
A única hipótese parece ser o Cavaco estar em perda. O caminhar hirto e robótico, a  manteiga nos cantos da boca (desidratação), o olhar morto e a expressão facial exagerada permitem-se avançar com a teoria de que o Cavaco está alzheimado.

Fig. 1 - O Cavaco vai fundir antes do fim do mandato

Mas haverá alguma lógica no pedido?
Primeiro, temos que ver o que o governo estava obrigado a fazer.

Em 2011 Portugal bancarrotou.
Desde o tempo do Guterres que a estratégia de governação foi o endividamento massivo. Esse endividamento foi o que manteve o Sócrates no poder mas, em princípios de 2011, deixou de haver quem emprestasse mais dinheiro ao nosso país. Em 6 meses (entre Agosto2010 e Março 2011) a taxa de juro a 10 anos subiu de 5%/ano para 7.5%/ano o que fez a divida pública tornar-se insustentável (A esta taxa, os encargos reais da divida pública aumentariam de 6MM€/ano para 11MM€/ano).

A Zona Euro e o FMI vieram em nosso socorro.
Se fossemos um país normal, teríamos que ajustar rapidamente a despesa pública às receitas do Estado o que implicaria um mix de redução de despesa e aumento de impostos. Como em 2009/2010 a despesa pública foi 20% superior à receita pública (17 MM€), por causa do multiplicador do défice no PIB, seria preciso aumentar as receitas (dos impostos) em 15% e reduzir a despesa pública em 15% (uma divisão 50:50). 
Como as pessoas de menores rendimentos não podem ser carregadas com impostos e cortes como as pessoas mais favorecidas, seria preciso cortar 30% nos salários públicos e pensões acima da média e aumentar efectivamente os impostos (e não apenas as taxas de imposto).

Mas o Sócrates assinou o Memorando de Entendimento.
Para acedermos a mais de 110 MM€ a taxa de juro muito baixa, Portugal teve que se comprometer a tomar certas medidas. Portugal foi representado nessa negociação pelo Sócrates que assinou um Memorando de Entendimento em que comprometeu Portugal a cortar o défice público de 17000 M€ para 4521MM€ no período 2011-2014 (ponto 1.33).
Foi o Sócrates que assinou isso apesar, sabe-se hoje, não ter lido porque o texto estava em inglês e ele fez essa cadeira num Domingo, numa conversa no Bar.

O que o Sócrates assinou.
Que a redução do défice de 17000 M€ para 4521MM€ seria 2/3 do lado da redução da despesa e 1/3 do lado do aumento dos impostos. Então, o corte na despesa pública terá que ser de 8300M€.
Foi o Sócrates que assinou isso mas sabe que o nosso povinho, por ser ignorante, não vai ler o que ele assinou.

Em particular, o Sócrates assinou que
Em 2012.
Entre os pontos 1.7 e 1.17 o Sócrates comprometeu-se a cortar 3190 M€ na despesa pública e, entre os pontos 1.19 e 1.25, aumentar os impostos em 1535M€.
Em 2013
Entre os pontos 1.29 e 1.30 o Sócrates comprometeu-se a cortar mais 2200 M€ na despesa pública e, entre os pontos 1.31 e 1.32, aumentar os impostos em mais 775M€

Como os do PS conseguem ter lata.
De fazer de conta que não foram eles que assinaram o Memorando de Entendimento.
Sabendo que ninguém o lê, repetem sem descanso que os cortes são da responsabilidade do Passos Coelho.
É a demagogia politica no seu mais alto grau.

Vamos ao Gasparzinho.
O Gasparzinho entrou no governo pela mão do Cavaco. Lentamente lá foi fazendo o que podia mas, dos 8300 M€ de cortes assumidos pelo Sócrates, ainda é precisava cortar 4700M€.
Mas o Gasparzinho chegou à conclusão que o Passos estava a entrar em campanha eleitoral pelo que tal missão era impossível. Como não era pessoa para fazer figura de zombi, demitiu-se.

Qual o impacto da sua demissão?
Foi a tradução de que não temos povo para cumprir o Memorando pelo que o ajustamento vai ser à bruta.
Se atendermos ao dia da demissão do Gasparzinho (15 de Maio), a taxa de juro começou logo a subir rapidamente.


Fig. 2 - Evolução das taxas de juros a 10Y desde que o Gasparzinho se demitiu (fonte: investing.com)

Os media fazem as contas do impacto da demissão a partir do dia em que o comum dos mortais ficou a sabe (1/7) mas o seu impacto começou-se a sentir quase imediato (fugas de informação, boatos e inside trading).

O Cavaco ficou preocupado.
O Cavaco quando foi primeiro ministro quis endireitar o país avançando contra tudo e contra todos ("Deixem-me trabalhar"). Então, quer que o Passos Coelho avance contra as sondagens.
Quando o Gasparzinho disse que não conseguia fazer mais nada porque o governo entrou em modo "santana lopes", o Cavaco teve que desempatar a coisa.
Agora o passos tem duas hipóteses.
H1. Compromete-se e  faz alguma coisa que se veja.
H2. Vai borda fora e o PS avança para dar cumprimento ao Memorando que assinou.


Fig. 3 - O governo está a precisar de uma vitaminazinha


E se não houver acordo?
Naturalmente que há as duas hipóteses se matêm na mesa.
O Cavaco vai falar ao país começando o seu discurso com

Portugueses.
Em 2011 Portugal ficou sem acesso aos mercados. Para conseguirmos financiamento para as funções básicas do Estado, Sócrates assumiu  no Memorando de Entendimento que Portugal iria cortar 8300M€ na despesa pública e aumentar os impostos em 4150M€. Se isto não fosse feito, Portugal entraria em bancarrota o que teria um tremendo impacto negativo no bem-estar das pessoas.
Acontece que decorridos apenas 2 anos, o PS vendo o desencanto da população, nega demagogicamente que tenha assinado tal documento o que está degradar o apoio da população às medidas previstas no Memorando.

H1 - O Cavaco reforça o apoio ao governo.
Portugueses.
O Governo de Passos Coelho atravessou um momento de desânimo mas, nos últimos dias, comprometeu-se comigo a avançar com os cortes de 4700M€ que faltam para implementar o acordado pelo PS no Memorando. Por isso, o governo vai avançar com toda a sua energia e terá o meu apoio sem reservas.
Apesar dos cortes na despesa pública e o aumento dos impostos ter um impacto negativo na vida das pessoas, peço ao povo português que as aceite com estoicismo pois, olhando para a Grécia que já teve uma contração do PIB de mais de 25%, garanto que a alternativa, a bancarrota descontrolada, terá um impacto muito mais negativo.

H2 - O Cavaco marca eleições.
Portugueses.
O Governo de Passos Coelho não tem apoio politico dentro e fora da maioria que o apoia para avançar com os cortes necessários para dar cumprimento ao acordado no Memorando. Como a inercia nos vai atirar para a bancarrota descontrolada, é necessário dar a voz ao povo para saber se queremos a bancarrota descontrolada ou continuar a dar cumprimento ao Memorando de Entendimento negociado em 2011 pelo PS.
Apesar de dar todo o meu apoio à decisão que o povo português tomar, olhando para a Grécia que já teve uma contracção do PIB de mais de 25%, garanto que a alternativa ao cumprimento do Memorando (a bancarrota descontrolada), terá um impacto muito mais negativo nas nossas vidas.
Nossa Senhora de Fátima vos ajude a tomar a melhor decisão.


Fig. 4 - Entretanto, o Gasparzinho foi fotografado a fazer uma praiazinha! Está mais gordinho e deixou crescer o cabelo.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A crise está cada vez mais próxima

O risco e a incerteza
Os teóricos da "decisão sob desconhecimento" costumam dividir a falta de informação em Risco e Incerteza.
Risco traduz que conseguimos calcular a probabilidade de cada um dos acontecimentos possíveis se virem a concretizar. O caso mais simples é o calculo da probabilidade de ganharmos o Euromilhões. Em termos económicos, por exemplo, quando fazemos um seguro de vida, a seguradora consegue calcular a probabilidade de morrermos nos próximos 5 anos.
Incerteza existe quando, pelo contrário, não conseguimos calcular a probabilidade dos acontecimentos possíveis ou, em casos mais grave, sequer identificar quais são os cenários possíveis.
A crise que se aproxima de Portugal é extremamente grave porque não se consegue antecipar o que vai acontecer quando formos atingidos.
E a crise aproxima-se a passos largos.

Fig. 1 - O que poderá correr mal? Comer caril toda a vida? Aguenta-se.

Shit Happens
A minha irmã sempre gostou de trabalhar por conta dela. Essas pessoas têm uma enorme capacidade para gerir cenários de risco e incerteza. Há duas semanas disse-me:
   - Estes 4 últimos anos preparei-me para a crise que ai se anuncia e tenho um pé-de-meia que me permite viver sem rendimentos durante 2 anos.
E aí parou. Vi na mente dele o aproximar de pensamentos tenebrosos.
   - Isto se o banco XPTO não falir porque tenho lá o meu peculio. Nunca pensei ficar tão preocupada, o que achas?
Rematei eu.
   - Há coisas que dizemos que podem acontecer mas que, no fundo, temos a certeza que não vão acontecer. Uma é podermos, de um momento para o outro, ter um AVC e ficarmos incapacitados. 
    - Outra é os bancos portugueses falirem.
Eu tive uma aluna na FEUP que, aos 23 anos, teve um AVC e ficou totalmente incapacitada.
E os bancos vão falir e mais cedo do que pensamos.


Fig. 2 - É pá, o que me foi acontecer. Ontem, quando nos deitamos, eras uma gaja boa. Maldito absinto.

Nós nem sonhamos a intensidade que a crise vai ter
Quando em 2007 começou a "Crise do Subprime", os bancos começaram a perder valor. Títulos de bancos referência no panorama internacional que na primeira metade da década de 2000 tiveram lucros de 1€/ano e estavam cotados a 10€,  tinham desvalorizado para 5€ e os peritos, porque davam a crise por corrigida, avaliavam esses activo entre 3€ e 7€. Decorridos 4 anos, a cotação desses activos anda nos 0.10€ e só não faliram porque foram intervencionadas pelos governos.
Em Portugal recordemos o BCP que na primeira metade da década de 2000 estava cotado nos 6.00€ e que hoje está abaixo dos 0.14€ (esquecendo os aumentos de capitais, temos perdas de 97.7%). O Berardo, um investidor batido no negócio, comprou por 400milhões€ uma posição no BCP que hoje vale menos de 14milhões€ (esquecendo os aumentos de capitais, tem perdas de 96.5%).
Existe uma probabilidade de 15% de o PIB cair mais de 30% o que não se observa em Portugal desde a guerra civil de 1828-1934.

Será que os alemães são parvos?
Apesar de na semana passada ter ficado acordado uma troca da dívida grega por dívida do Fundo Europeu de Resgate, a Grécia nunca a vai pagar o que deve.
Disse-me um colega doutorado na àrea das finanças públicas, o P.M.,
   -Não compreendo porque os países pagam a sua dívida externa. Se não pagarem, não lhes acontece nada de negativo."
Se um doutorado em economia pensa assim, o que pensará o grego comum?
E o pensará o alemão comum?
    - Se não há razão para os gregos pagarem o que devem qual é a razão para nós pagarmos o que eles devem?
   -Sendo que os gregos não vão pagar e nada lhes vai acontecer, não lhes vamos emprestar mais nada. O que emprestamos já está perdido mas não vai nem mais um cêntimo.

Fig. 3 - Os alemães, se se mantiverem sob o efeito da cerveja, vão salvar Portugal.

A Grécia vai declara a Bancarrota antes do fim de 2011.
O referendo é a antecâmara para o caos.
As taxas de juro da dívida pública alemã estão a diminuir a uma velocidade assustadora (já está com taxas de juro reais negativas). Por outro lado, os países latinos estão com as taxas de juro a subir vertiginosamente.
A França está a pagar 3.2%/anos enquanto que a Alemanha está a pagar 1.7%/ano.
Isto traduz que a os alemães não são parvos e que a Zona Euro vai entrar em colapso a curto prazo.
O fim da Zona Euro está mais por dias que por meses.

Aqui vai a razão para haver países que pagam o que devem
Quando Nietzsche matou Deus, o Homem teve que ser reinventado.
Cada um de nós que cremos na certidão de óbito de Deus, temos todos os dias que responder a perguntas muito difícil:
   - Qual a razão para eu não matar todo aquele que se interpõe entre mim e o que eu quero?
   - Qual a razão para eu não pregar calotes a toda a gente?
   - Qual a razão para eu não apalpar as mulheres boas no autocarro?
Dizem os brasileiros que, alegadamente, o Duarte Lima não arranjou resposta para estas perguntas. Que ele, durante a viagem. apalpou a D. Rosalina até ficar com as mãos cansadas.

A razão está na não-razão.
Temos que usar o princípio filosófico da reciprocidade.
Se eu quero viver num mundo agradável, tenho que tratar bem tudo o que me rodeia. Isso não parece ter um efeito directo na minha felicidade mas, ao fazer a energia do universo fluir livremente, evita o aparecimento de ponto de tensão energética, buracos negros, que levariam à desarmonia do cosmos.
Mas isto é um argumento parvo.
Pois é mas a nossa felicidade é feita de coisas parvas.
   Um olhar para aqueles bons traseiros que, no bar da FEP, se encostam ao balcão a pedir meias-de-leite. 
   Ser apalpado por uma velhota por engano.
   Alguém gabar o nosso cozinhado.
   O chefe dizer que somos bons e que confia em nós.
Sabemos ser tudo falso e irracional mas é isto a semente da nossa felicidade.
Descobriu Platão que a felicidade não resulta da acção de possuir mas que antes resulta do processo mental que antecipa a felicidade que irá resultar do possuir.

Fig. 4 - Este pôr-do-sol à beira mar com as gaivotas sobre o mar alteroso é de uma beleza indescritível.

A crise vai ser terrível, de consequências inantecipáveis e o PPC já tomou consciência disso
Depois da Grécia anunciar a bancarrota muito dificilmente o nosso resgate se aguenta (os 78MM€) .
Isto, por estranho que pareça, vai depender muito das sondagens. Se não houver uma clara maioria do povo a dizer que quer cumprir, a coisa entra em colapso.
Quem vai continuar a emprestar a um povo que se diz caloteiro?
A Dr.a Merkel precisa destas sondagens para convencer os eleitores alemães a continuar com a ajuda.

Também é importante que o PS vote a favor do OE2012
Muitos no PS mantêm a alucinação de que a culpa foi da crise internacional e que está tudo bom para não dizer que está óptimo. Mas o Seguro sabe que isso não é verdade.
Era importante que o Seguro mandasse votar a favor pois não vamos conseguir cumprir o compromisso do défice para 2011 havendo um resvalar nas contas de pelo menos 2500M€. Toda a gente sabe isso mas esses malucos do guterrismo-socratismo continuam a negar a evidência.
E as medidas de contenção previstas no OE2012 só dão para metade do que é necessário e está baseado num cenário macroeconómico muito optimista (prevê uma contracção de 2.8% quando vai ser para ai 20%).
Por isso vai ser necessária muito boa vontade dos nossos parceiros para ultrapassar o bancarrota grega.
Isto será um sinal do comprometimento com o Memorando da Troika.

Fig. 5 - A única diferença entre mim e um louco é que eu não sou do PS

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Estará o PedroPC mais troikista que a troika?

O que diz o Memorando da Treta.
Quero dizer, da Troika.
O MT contém um conjunto de generalidades sem qualquer interesse de ver com pormenor.
Conversa muito mal escrita, sem rigor nenhum, feito tudo no joelho.
Nem tem capa, introdução, nada.
Não vale a pena perder um minuto a ler aquele chorrilho de coisas.


Mas temos que nos concentrar em 4 pares de números que lá estão.
      2011 <-> 10068m€
      2012 <->  7645m€
      2013 <->  5224m€
      2014 <-<  4521m€
Estes pares traduzem os limites para o défice público do Estado Português em cada ano civil.
Agora, como vai isso ser feito, o PPC que se desenrasque.
O Memorando de Entendimento poderia ter estes pares de números e acabou.

E como está a execução das contas públicas em 2011?
Nos primeiros 6 meses de 2011, ainda sob mando do Sócrates, foram gastos 7568milhões€.
Já só restam 2500milhões€ para o segundo semestre de 2011.
Os números indicam que vai ser difícil fechar o semestre com menos de 6000milhões.
Dá 13568milhões, 7.5% do PIB.
Nós não vamos conseguir acabar 2011 com um défice sequer próximo dos 10068 milhões €.
Mesmo descontando os 1000milhões€ do "cobrança excepcional sobre o Subsídio de Natal", Portugal vai falhar por 2500milhões€.
Excede o "acordado" em 25%.

Teremos que renegociar o Memorando?
Uma fonte*, bem colocada dentro do Governo que não posso revelar, revelou-me que o Memorando já foi renegociado.
A Troika aceita que Portugal, apesar de ficar nos 13568m€, 12568m€ com o meio Subsídio de Natal, anuncie que atingiu os 10068m€. Nem que diga que "vendeu 2500 milhões de litros de água do Atlântico a 1€/litro" aos de Arouca que vão pagar em prestações a partir do ano 2537.
Não interessa.

E para 2012 como estamos?
As formulas de cálculo das pensões de reforma e o aumento do desemprego faz com que a despesa da Segurança Social tenha uma tendência de crescimento de 6.6%/ano. Por aqui há uma tendência automática para que a despesa da SS aumente 2400m€ de 2011 para 2012.
Depois, é preciso reduzir o défice de 13568m€ para 7645m€. São mais 6000m€.
Então, o OE para 2012 tem que prever uma redução de 8400m€ relativamente a 2011.

8400m€ é muita massa.
Os cortes previstos no OE2012 e os aumentos dos impostoss são suficientes para cobrir metade deste buraco. Apenas metade.

Estará o PPC a exagerar?
Uma pessoa que fica 2500m€ abaixo do "acordado" em 2011 e fica pela metade em 2012, não pode estar "além" de nada.
E o PPC prevê uma contracção do PIB de 2.8% e vai ser para aí 13% o que faz reduzir as receitas fiscais.
Ainda falta conhecermos onde vão ser os cortes da outra metade.

*Para que o PPC não fique nervoso, a razão para não revelar a minha fonte é por a ter inventado. Usei apenas informação pública.

Pedro Cosme Costa Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code