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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Os prejudicados com a globalização

OK, já mostrei que o comércio é positivo. 
Num modelo com 2 setores (pão e salsichas) mostrei os ganhos da especialização no sector em que a região/país tem vantagens comparativas. Agora, vou mostrar porque nem toda a gente é a favor do comércio, isto é, da globalização apresentando um exemplo ilustrativo.

Vamos a Bissau, onde a banana é rainha.
Bissau é hoje uma cidade com 450 mil habitantes, mais do dobro da população da Cidade do Porto (200 mil) e quase a de Lisboa (500 mil). E pensar que em 1970 Bissau tinha 70 mil habitantes e o Porto 300 mil habitantes.
Vou supor que cada bissauano consume 200kg de banana por ano, 0,5kg/dia, ao preço de 0,50€/kg (90 mil ton/ano). 
Vou supor que, se o preço P aumentar, a quantidade consumida diminui segunda a reta:
       Consumo = 90 - 145*(P - 0,5)

Vou supor que custo de produção da banana é 0,20€/kg.
Vou supor que a produtividade é de 12,73 ton/ha/ano.
Vou supor que 10% do território á adequado para a produção de banana.
Vou supor que o custo de transporte é 0,01€/kg/km, CT.
(São apenas números razoáveis para calibrar o modelo)

Talvez por causa da pobreza, trajos carnavalescos em Bissau são reduzidos ao mínimo.


Vamos ao equilíbrio de mercado.
A 0,50€/kg, apenas as pessoas a menos de (0,50-0,20)/0,01 =  30 km é que irão produzir banana, uma área total de 706km2 onde se vão produzir as 90 mil toneladas, 706*100*10%*12,73/1000, consumidas todos os anos. Para um preço genérico P, a produção será dada pela curva ascendente:
   Produção = (pi()*((P-0,20)/CT)^2/4)*100*10%*12,5/1000

O equilíbrio de mercado será conseguido com o preço que iguala a produção ao consumo
   Produção = Consumo

Para um custo de transporte de 0,01€/km/km, o equilíbrio é P = 0,50€/kg e Quantidade = 90 mil ton, produzidas num raio de 30 km de Bissau.
O número de agricultores é 7070 (1ha cada).

Qual o lucro de um agricultor?
Sendo o preço de 0,50€ em Bissau, quem morar a 10km, conseguirá vender as bananas à porta do seu terreno a 0,50 - 0,01*10 = 0,40€/kg pelo que, para um custo de produção de 0,20€/kg, terá um lucro de 0,20€/kg
Quem morar a 27km de Bissau já só terá um lucro de 0,50-0,01*27 -0,20 = 0,03€/kg.
E quem morar a 30km (ou mais) terá lucro zero.

Agora, vou diminuir os custos de transporte para metade.
Vou imaginar que foram abertas estradas ou oferecidos camiões todo-o-terreno que facilitam os transportes de forma a que passam a custar 0,005€/kg/km.
Agora, o equilíbrio de mercado vai resolver a equação seguinte
    (pi()*((0,50-P)/0,005)^2/4)*100*10%*12,5/1000 = 200 - 300*(P - 0,5)

Com a redução para metade do custo de transportes, o preço da banana em Bissau diminuirá para 0,365€/kg e o consumo (e a produção) aumentarão para 110 mil ton.
O número de agricultores aumentará de 

Mais pessoas irão produzir.
Apesar de o preço ser mais barato, haverá mais produção porque os agricultores mais distantes já poderão produzir. Se antes a partir dos 30km não era rentável produzir, agora, essa distancia aumenta para os 33km
      ((0,365-0,20)/0,005) = 33,1 km
Passar de 30km para 33,1km faz com que o número de agricultores aumente de 7070 para 8600.

Qual o lucro de um agricultor na nova situação?
Sendo o preço de 0,365€ em Bissau, os agricultores mais próximos vão ficar pior.
A 10km de Bissau, 0,365 - 0,005*10 - 0,20€, terá um lucro diminuído para 0,12€/kg
A 27km de Bissau, 0,365 - 0,005*27 - 0,20€, terá um lucro igual (de 0,03€/kg)
A 30km de Bissau, 0,365 - 0,005*30 - 0,20€, terá um lucro aumentado para 0,02€/kg


Como vamos resolver o problema dos mais próximos?
Com a diminuição do custo do transporte, as pessoas de Bissau melhoram  porque o preço da banana diminui em 33% e os agricultores mais distantes também porque passam a ter acesso ao mercado de Bissau.
O problema é que os agricultores que moram a menos de 27km de Bissau ficam em pior situação.
Temos, por um lado, 450 mil bissauanos + 28750 agricultores que melhoram e, por outro lado,  temos 57250 agricultores que pioram (supondo, 1 agricultor por ha).

Qual é o problema?
É que  os 57250 agricultores vão bloquear as estradas de acesso a Bissau.
Assim que começarem a ver passar os camiões de longe, cortam as estradas, incendeiam os camiões e matam os motoristas.

O progresso é difícil de entrar.
Eu coloquei-me em Bissau porque os estimados leitores aceitam com maior naturalidade que isto aconteça num país atrasado como é a Guiné Bissau.
Antes da independência era atrasado e, desde então, tem-se mantido atrasado.
Bem sei que o desenvolvimento não tem um caminho fácil, que não depende tanto das pessoas de lá como pensamos pois esses países têm falta de capital, seja físico, seja humano.
Quando dizemos "são países mal governados" estamos a esquecer que o saber-se governar está dependente do "saber fazer" e isso é capital humano não só de quem governa mas principalmente de quem os escolhe.

Mas vamos ao que interessa.
O que eu queria mostrar eram as razões dos nossos agricultores quererem proibir o leite da Galiza, a carne da França ou as maçãs de Marrocos de entrar nos nossos supermercados.
Sempre que alguém quer proibir o comércio, isto é, o avanço da globalização, está a defender os seus interesses à custa dos consumidores e dos produtores que vivem mais longe.
E os custos de transporte também podem ser entendidos como a dificuldade na difusão de novas descobertas. Aqui, os que usam a tecnologia atual vão criar barreiras para que nova tecnologia possa entrar.

Vou fazer uma pequena pergunta.
Quando, em 1961, apareceu a nossa primeira auto-estrada, a velocidade máxima permitida era de 120km/h. O argumento para haver limite era a segurança (ou a falta dela).
Decorridos 55 anos, com os carros muitas vezes mais seguros, o limite de velocidade mantém-se o mesmo.
Não seria já tempo de aumentar o limite para os 160km/h?
Se comparar a segurança de um carro de hoje com um carro de 1960, penso que ainda fica mais seguro conduzir hoje a 160km/h do que era conduzir a 120 em 1960.


O carro típico de 1960
Mas são as barreiras ao progresso.
Lembram-se da ponte aérea Porto-Lisboa e Vigo-Lisboa? Então já ninguém fala disso?

Também termos os incêndios.
Os incêndios têm que se combater com contra-fogo, não é com umas mangueiritas a regar os matos.

É a Lei de Talião.
Apesar de, pensando no Trump, a imprensa interpretar muito mal esta lei concentrando-se no "olho por olho", de facto a Lei de Talião é exatamente ao contrário: a reação deve ser proporcional à ação.
Se alguém me chama FDP e não lhe posso dar um murro tendo antes que lhe chamar outros nomes.
 Se alguém me buzina e não lhe posso passar com o carro por cima mas antes dar também umas buzinadelas.
Se alguém me assalta a casa eu não lhe posso espetar um tiro de caçadeira na cabeça.
Também no fogo, eu não o posso combater com água.

 Mas, se querem continuar a brincar com a mangueirinha, força nisso.

 Por falar no Trump.
Por agora, as sondagens indicam que a coisa está a correr mal para os seus lados. Neste momento está 8,5 pontos abaixo da Clinton.

Média móvel das sondagens para as presidenciais americanas (dados)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O ataque das Barrigas de Substituição

Foi aprovada a lei que legaliza a Maternidade de Substituição.
Mas, de facto, não foi bem isso que foi legalizado porque, pela lei antiga, Lei n.o 32/2006 de 26 de Julho, já era permitido Alguém pedir a Outrem para gerar um seu filho.
A diferença é que, na lei antiga, a criança ficava registada como filha da Outrem e a nova lei vem permitir que a criança, uma vez nascida, seja  registada como filha da Alguém.

Seria uma peninha meter estrias nesta barriguinha mas, maior pena, seria esta barriguinha não poder dar origem a novas barriguinhas

É que em Portugal é permitido tudo o que a Lei não proíba.
A "lei antiga" não proibia a Outrem gerar um filho de Alguém desde que a criança nascida fosse registada como filha da mulher que a teve no útero (ou noutro sítio qualquer que o conseguisse fazer como, por exemplo, na barriga da perna), isto é, da Outrem.

Artigo 8.o - Maternidade de substituição (lei antiga)
1 - São nulos os negócios jurídicos, gratuitos ou onerosos, de maternidade de substituição.
2 - Entende-se por «maternidade de substituição» qualquer situação em que a mulher se disponha a suportar uma gravidez por conta de outrem e a entregar a criança após o parto, renunciando aos poderes e deveres próprios da maternidade.
3 - A mulher que suportar uma gravidez de substituição de outrem é havida, para todos os efeitos legais, como a mãe da criança que vier a nascer.


A nova lei acrescenta possibilidades.
Mantém-se que nada é dito quanto à proibição de alguém ter um filho genético de outros desde que o registe em seu nome mas acrescenta a possibilidade de "a título excepcional e com natureza gratuita, nos casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas que o justifiquem" (Par. 2 do Art.º 8), poder haver um contrato em que que a criança que nasce fica registada como filha da pessoa que patrocinou a iniciativa (Par. 2 do Art.º 8).

Artigo 8.º - Gestação de substituição
7 - A criança que nascer através do recurso à gestação de substituição é tida como filha dos respetivos beneficiários.

Sou eu o pai desta lei esquerdista!
Já ninguém se deve lembrar mas fui eu quem deu inicio ao processo legislativo que terminou agora com a aprovação da lei da maternidade de substituição e da extensão da PMA a pessoas sós (só 14 pessoas assinaram a petição!). Podem confirmar directamente no sitio da AR que a minha petição entrou no dia 21 de Abril de 2014 (ver), já lá vão mais de 2 anos, e ver como todas as "conquistas" esquerdistas são retiradas da minha petição. 

Será que o pai do Tarcísio Filho é o Tarcísio Pai?
É que o pai da maternidade de substituição sou eu!
 
Ficava bem ao BE fazer-me um agradecimento público. 
Apesar de os Broquistas me odiarem (e eu a eles) porque são conservadores em termos económicos (e eu não), também têm coisas que eu acho positivas como seja o seu liberalismo em termos de costumes. Por exemplo, não vejo que mal venha ao mundo por causa do casamento entre pessoas do mesmo sexo (a famosa paneleiragem) ou a adopção gay e vou mesmo mais à frente defendendo a união de facto entre várias pessoas ou entre pessoas e "animais sensíveis" (na nova linguagem imposta pelo PAN).


A minha petição também deu origem a outra lei.
Para evitar choques parlamentares (os broquistas pensavam que a barriga de aluguer não ia passar), o BE dividiu a minha petição em duas partes, na primeira parte alarga o acesso às PMA aos "sozinhos" e só, na segunda parte é que abre a possibilidade da "gestação de substituição" (que já referi).
Se antes só as pessoas casadas ou em união de facto há pelo menos 2 anos é que podiam recorrer à PMA, agora, todas as pessoas, mesmo as pessoas celibatárias, a passam a poder utilizar.

Artigo 6.o - Beneficiários
1 (revogado) - Só as pessoas casadas que não se encontrem separadas judicialmente de pessoas e bens ou separadas de facto ou as que, sendo de sexo diferente, vivam em condições análogas às dos cônjuges há pelo menos dois anos podem recorrer a técnicas de PMA.

2 - As técnicas só podem ser utilizadas em benefício de quem tenha, pelo menos, 18 anos de idade e não se encontre interdito ou inabilitado por anomalia psíquica.

Esta revogação do Par.1.o do Art.o 6.o é importante porque todos os solteiros celibatários verificam a condição de admissibilidade (com excepção da Avé Maria cheia de graça, amém, e do Adão que foi pai da Eva) sem necessidade fazer qualquer teste, isto é, somos inférteis per se.
Artigo 4.o - Condições de admissibilidade
1—As técnicas de PMA são um método subsidiário, e não alternativo, de procriação. 

2—A utilização de técnicas de PMA só pode verificar- se mediante diagnóstico de infertilidade ou ainda, sendo caso disso, para tratamento de doença grave ou do risco de transmissão de doenças de origem genética, infecciosa ou outras.

Será que, se eu engravidar a minha mão esquerda, o meu filho vai nascer canhoto?


E será que os homens celibatários podem contratar uma "gestação de substituição"?
Olhemos com atenção para o texto integral do Par. 2.o -Art.8.o que trata das condições de admissão:

2 - A celebração de negócios jurídicos de gestação de substituição só é possível a título excecional e com natureza gratuita, nos casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas que o justifiquem.

No meio do texto está a palavra "mulher" mas, saindo este texto de um partido que quer que o Cartão de Cidadão se passe a chamar Cartão da Pessoa, não acredito que este parágrafo queira separar os homens das mulheres. E, realmente, como está escrito parece separar 3 casos distintos (diz "nos casos")
1) de ausência de útero, (aplica-se a todas as pessoas)
2) de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher
3) em situações clínicas que o justifiquem (aplica-se a todas as pessoas)

Mas, dirão, só as mulheres é que têm útero pelo que a condição 1) só se poderá aplicar às mulheres.
Mas este seu argumento é errado porque o que lá diz é "ausência de útero" e isso aplica-se não só a todos os homens (e às galinhas) como também a algumas mulheres. 
Pelo contrário, lesão ou de doença do útero explicita mulheres porque só se aplica às mulheres (se os homens não têm útero ...)


Se o legislador queria que a condição se aplicasse apenas às mulheres, teria escrito: 


A celebração de negócios jurídicos de gestação de substituição só é possível a título excecional e com natureza gratuita, nos casos em que a mulher sofra de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeçam de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas da mulher que o justifiquem.

Não terão também os homens celibatários direito a desenvolver um projecto de paternidade?
Conhecendo eu os esquerdistas como conheço, é por demais evidente que o texto tem por fim que, uma vez publicado, permita que os homens celibatários, porque não têm útero ou porque têm "situações clínicas que o justifiquem", possam contratar uma gestação por substituição com óvulos doados.

Será possível eu ter um filho com a minha mãe substituída na minha irmã?
Apesar de em Portugal ser proibido os pais casarem com os filhos, os irmãos entre si e os tios com os sobrinhos, não é proibido que tenhamos filhos uns dos outros. Não existe qualquer proibição das filhas terem meios filhos/netos do pai nem dos irmãos fazerem meios filhos/sobrinhos às irmãs.
Como o útero da minha mãe não pode mais suportar uma gravidez (tem 85 anos, está acamada, sofre de cancro da mama, faz hemodiálise e é diabética) será que eu mais a minha mãe podemos ter filhos por gestação por substituição em que eu sou o pai genético, os óvulos são doados e a substituta é uma das minhas irmãs?
Penso que é legal porque não encontro nada na lei que o proíba.

Como o meu útero já não funciona, ofereço-me para ser a mãe do filho que o Sr. Padre quer ter por maternidade de substituição.


Mas o que é que isso interessa à Sociedade?
Que prejuízo causará à Sociedade eu ter filhos/netos ou filhos/sobrinhos por "substituição"?
Que prejuízo terá os padres passarem a ter filhos com as beatas com gestação por substituição?
Que mal veio ao mundo do Cristianinho ser filho de mãe desconhecida?
Nenhum.


O significado de o CDS e o PCP terem votado contra e o Passos Coelho a favor.
O liberalismo defende que as pessoas devem poder fazer tudo o que bem entenderem desde que isso não cause à sociedade um prejuízo impossível de ser compensado.
Por exemplo, ao andar de carro emitimos poluição para o ar que prejudica as outras pessoas. Então, para o podermos fazer temos que pagar um imposto no combustível que (mais que) compense essa perda social.
Interessante que, em Portugal, a Direita é liberal em termos económicos mas conservadora em termos de costumes e a Esquerda é liberal em termos de costumes mas conservadora em termos económicos. Aberração é o Salazar ser de Direita e ser conservador em termos económicos (impôs a Lei do Condicionamento Industrial) e de costumes (achava que o divorcio era pior que o Diabo) e o  PCP dizer-se totalmente do outro lado mas também ser conservador em termos económicos (a nacionalização de tudo o que mexe) e em termos de costumes, que se traduziu no voto contra à lei da gestação de substituição .

O Passos Coelho é um verdadeiro liberal.
Defende não só a liberdade económica como dos costumes e, por isso, é que votou a favor da proposta do BE da gestação de substituição.
Por isso é que eu gosto dele pois é difícil encontrar na mesma pessoa estas duas qualidades.
O Sá Carneiro era outro (muito religioso mas tinha uma amante) e já nem se fala do Santana Lopes (faz filhos em tudo que mexe).

A principal "revolução" vai acontecer com o tempo.
Não imagino que, nos primeiros anos, haja mais de 100 substituições por ano mas, com o passar dos anos, vai começar a ser natural uma mulher aparecer grávida dizendo "é o filho de uma amiga" e toda a gente aceitar isso com naturalidade e dizer "és boa pessoa".
Vai ser um bocado como o top-less. Há uns 40 anos começaram a aparecer umas raparigas, desavergonhadas, ao fundo da praia que, mesmo assim, estavam sempre deitadas. depois, viam-se ao longe esporadicamente de pé. foram-se aproximado e, agora, andam com toda a naturalidade, novas e velhas, grandes e pequenas, inchadas e chupadas. Até jogam vólei de praia, tudo a abanar para cima e para baixo.


A minha mãe referia que, quando era jovem, o cabo do mar inspecionava os fatos de banho e passava multa a quem tivesse saias curtas ou decotes avantajados.


No futuro, os infantários vão fazer as crianças.

Quando as pessoas pensarem ter uma criança vão ao infantário que tem uma solução "tudo incluido".
Assim, nesse dia a pessoa "mete" o pré-embrião numa das meninas auxiliares e começa logo a pagar a mensalidade pois é necessário cuidar da criança a partir desse mesmo dia, primeiro, 24 horas por dia no ventre na menina e, depois de nascer, durante o dia.

O que eu acho mal na lei.
Primeiro, não é claro quem vai ter direito à Licença de Parentalidade.
Numa sociedade aberta em que a maternidade de substituição é gratuita e voluntária, penso que é justo que a "mãe de substituição" goze da licença de maternidade e que tenha, depois, o intervalo para amamentar a criança.

Segundo, sou contra a autorização prévia.
A Lei deveria conter as condições de aplicabilidade (o Par. 2.º do Art.o 8.o) e não deixar para outros, a Ordem dos Médicos e a CNPMA, a decisão de dizer sim ou não e sem serem definidos critérios claros para a recusa.
Além disso, a Ordem dos Médicos não é um tribunal para vigiar se as pessoas cumprem ou não a leis nem tem legitimidade democrática para isso.
No meu entendimento, havendo uma decisão médica de que se verificam as condições de aplicabilidade da lei, a decisão deveria ficar dentro da questão técnica/médica e não mandar para um organismo permeável a questões religiosas e políticas.
E em termos práticos, vamos supor que o CNPMA recusa com base no parecer da Ordem dos Médicos. Para onde é que a pessoa recorre? E quantos anos vai demorar o recurso?

O que eu acho bem na Lei.
Primeiro, estão previstas sanções  para os pais e para a mulher
 que leva a cabo a maternidade de substituição quando esta é feito à revelia do previsto no Art.o 8.o (se o contrato for gratuito, multa até 120 dias e, se for remunerado, multa até 240 dias) o que traduz que é possível ser feito à revelia da Lei e também obriga a que todos mantenham o bico calado.

Segundo, não estão previstas penas para a clínica.
Vamos supor que eu vou a uma clínica onde argumento que, por eu ser celibatário, sou estéril e, porque sou homem, não tenho útero podendo contratar uma maternidade por substituição.
Vamos ainda supor que eu digo "Não é preciso pedir parecer à CNPMA porque não vou fazer contrato, é minha prima e resolve-se a questão do registo quando criança nascer."
E termino dizendo, "como não têm óvulos disponíveis, tenho aqui esta minha amiga ucrâniana de boa raça que faz uma doação."
Vamos finalmente supor que na secretaria da clínica aceitam os meus argumentos como válidos e a coisa avança.
A criança nasce e, nessa altura, como não tenho o contrato, tenho que deixar o meu filhinho registado em nome da minha prima, que de pouco se importa porque até vai receber o abono. 
Logo na altura eu, querendo, posso reconhecer a paternidade e, daqui a uns 10 anos, alegar que a criança é minha filha e de uma ucraniana de quem não sei o nome e que eu fiz o registo "falso" para que ela não levasse a criança fugiu para o seu pais.
Qual o interesse e como é que o Ministério Público vai provar que a criança é da minha prima se o teste de ADN vai dar NEGATIVO?

Mais uma vez a pergunta, e que mal vem ao mundo por isso?
Nenhum



Até há quem diga que a Bomba Atómica ter rebentado em Hiroxima foi bom para a humanidade porque, na altura, poupou a vida de milhões de soldados japoneses e americanos e permitiu que a Europa (a maior parte) viva em paz há mais de 70 anos

sábado, 7 de janeiro de 2012

Hoje decidi alterar a moderação dos comentários

Estimados leitores,

Hoje decidi alterar a moderação dos comentários.
A minha linha editorial neste blog é informar as pessoas.
Pego num tema que penso importante para a generalidade do meu povo, arranjo dados disponíveis publicamente (que indico sempre a fonte para poderem confirmar) e processo a informação de forma o mais rigorosa e acessível que posso.
Uso principalmente as bases de dados do Banco Mundial, da OCDE, do INE e da tradingeconomics.
Em média uso 10 horas para seleccionar, organizar e condensar informação  (mais os meus 20 anos de estudo de Economia) num texto que o estimado leitor consegue absorver em 15 minutos.
Assim, se o texto for útil a 1000 pessoas, consigo produzir 9750h de valor por semana (apesar de o "valor trabalho" ser uma mentira do marxismo).
Sinto-me útil à sociedade.

Nunca baseio o meu texto na autoridade.
Como o conhecimento que apresento não é religioso, obtido pela revelação divina a algum iluminado que depois a prega ao povinho, procuro sempre provar tudo o que afirmo.
É obvio que a acção de uma pessoa nunca é perfeitamente objectiva. A selecção da informação que faço já tem em si um inviesamento ideológico, no entanto tento sempre fundamentar as minhas opiniões em dados e teorias económicas aceites e validadas empiricamente por reputados autores.
E, quando critico uma teoria, uso sempre o princípio do contraditório.
Se falo numa pessoa e essa pessoa me faz chegar o seu ponto de vista, incluo-o no poste.

Claro que as minhas previsões são mesmo minhas.
Quando eu digo que os chinocas estão bem intencionados é uma opinião minha que apenas o futuro o poderá dizer. Mas apresento a informação que usei na construção da minha opinião.
Quando eu digo que é melhor uma mulher bonita, boa e simpática que uma mulher feia, gorda e antipática, é abusivo porque não conheço as mulheres.
Mas as minhas opiniões também acrescentam valor aos textos.
É como irmos ao médico e ele relatar-nos o que dizem as análises. Ficamos desconsolados porque o que queremos saber é a opinião dele à certa da nossa saúde. Saber "se o dr. acha que está na hora de deixarmos o vinhito".

Os comentários
Há comentários importantes, informativos para os leitores e que me ajudam na escolha dos temas. Frequentemente vejo que não foi clara a forma como escrevi.
Há comentários que não têm informação mas que ajudam a ver como a crítica fácil está errada.
Mas há outros comentários que são grosseiros, sem qualquer informação e que apenas usam uma técnica de rétorica. São pessoas que não dizem onde as coisas estão erradas e atacam num pormenor qualquer.
    "Tem erros ortográficos logo não tem credibilidade nenhum"
    "Tem mulheres boas logo o que diz não deve ser tomado a sério"
    "Chamou-lhe chinocas logo é um bandalho"
    "Ai que invocou a ciganada, seu racista que não tem credibilidade nenhuma"
    "Chamou-lhes pretos o que, num professor universitário, deita por terra tudo o que possa dizer"
    "Eu já li muita coisa e isso está tudo errado"

Cada dia que passa mais me convenço que estou certo.
Mas não dizem em concreto o que está errado.
Até hoje ainda ninguém disse, porque não teve interesse ou não o conseguiu fazer, que houvesse erro no mais pequeno pormenor ou no mais pequeno número que apresentei.
Pensei que fossem cilindrar as minhas deduções e não.
Estou admirado.

Eu sei que são os meus colegas.
Pela escrita até era capaz de apostar nomes mas, se o fizesse, revelava ser esquizofrénico.
Genericamente, são pessoas que se acham donas do saber.
Quando alguém quiser falar sobre a área em que se dizem especialistas, tem que lhes pedir autorização.
Esses sábios de papel, quando confrontados com os problemas do dia a dia não conseguem avançar com nada. Atiram com o "eu sou professor catedrático de economia há mais de 20 anos", "mas quem pensa que é para dizer isso". "eu é que sou especialista". 
Depois, atiram com livros, artigos, teorias, nomes, e mais entulho mas, analisada a conversa, não conseguem articular um raciocínio lógico.
E eu volto à carga, ataco com números, mando-lhes um e-mail e ficam calados.

Fig. 1 - É tão bom conhecer sábios destes

A história do Galileu foi há 500 anos mas repete-se todos os dias na academia.
Vêm o Loucã? "É o grande capital, a especulação, os mercados, blá blá blá" mas no concreto, não é capaz de explicar nada.
As pessoa habituadas a invocar a "autoridade" para justificar o que dizem não vêem que os textos existem per se. Uma vez escritos, passam a ser independentes do autor. Os dados estão lá e são públicos.

Uma senhora foi queixar-se à esquadra
- Senhor guarda, roubaram-me 20€ no autocarro, tinha o dinheiro aqui no sutie e um malandro roubou-mo.
-Mas a senhora não deu conta?
- Dei mas pensei que ele estava bem intencionado.

Por isto tudo, agora os comentários passam a ser mais dificeis de fazer.
Peço desculpa às pessoas bem intencionadas.
Recordo que qualquer pessoa é livre de fazer um blog e escrever lá o que lhe vier à cabeça, identificando-se ou não.
Não podem é parasitar o meu blog com comentários sem interesse nenhum (na minha óptica).

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 4 de dezembro de 2011

Vamos hoje à terra da pescada, o Chile

Quando eu escrevi que era contra o direito à greve na função pública e nas empresas públicas, um comentador, de forma simples e educada, fez-me um desafio terrível: 
 - E um texto sobre o Chile?

Chile? N N N N N N à à ààO O O O O O O O O  o o o ...
Em 1973 houve o Golpe do Pinochet que liquidou o Allende.
E consta, dito pelos comunas, que o golpe introduziu o liberalismo económico que foi uma catástrofe económica e social.
Como as Soluções Ousadas para Reerguer Portugal que eu defendo são no sentido da diminuição da intervenção do Estado na economia então, o Chile vai-me tramar
O melhor é eu não falar da Chile.
Por isso, estimado leitor, desculpe mas vou esconder o que se passou no Chile.
Vou usar o argumento de que não há regra sem excepção.
Fig. 1 - É tão boa uma pescadinha com o rabo na boca

Por uma questão de honestidade, não posso meter isto debaixo do tapete.
Vou falar do Chile mas comparando com os outros países da América Latina.
Se compararmos o Chile com Portugal, dizemos que aquilo correu mal mas temos que ver como correram as últimas 3 décadas nos demais países da América Latina.
Peguei em todos os países da América Latina mais Portugal e os EUA e calculei, por 100€ de PIB per capita do Chile (fonte: Banco Mundial), a evolução dos outros países considerando 1970 (antes do golpe), 1985 e 2010.

País197019852010
United States8281050597
Puerto Rico317382265
Spain311382244
Portugal201275185
Argentina300255170
Uruguay197186147
Chile100100100
Mexico15820797
Panama12413996
Venezuela, RB28619986
Costa Rica10811581
Dominica9776
Cuba8114774
Brazil9013874
Grenada8568
Dominican Republic537464
Jamaica15210660
Belize547356
Colombia688451
Peru948550
Suriname9243
El Salvador856341
Guatemala575829
Ecuador425327
Paraguay355526
Honduras404322
Bolivia423619
Guyana342717
Nicaragua593714
Tabela 1. PIB pc dos países da América Latina, Portugal e USA (fonte: WB)

Agora vamos analisar estes dados e ver se a "coisa" correu mal como dizem os comunas.
Em 1970 o Chile era o 9.º país mais rico da América Latina. Em 1985 está genericamente pior (é 0 11.º) mas lançou as bases para estar melhor em 2010 (é o 4.º país mais rico da América Latina).
A Venezuela, país riquíssimo em Petróleo, é que teve uma performance trágica. De 286€ em 1970 diminui para 199€ e, actualmente, com um governo esquerdista, está nos 86€. O PIB pc relativamente ao Chile perdeu 70% do seu valor em 40 anos.
Mesmo o Brasil que é "a maior potência do mundo mas em cagança", piorou de 90€ para 74€.
Cuba, o paradigma esquerdista, o país das conquistas sociais e onde as boas políticas foram implementadas, diminuiu de 81€ para 74€.
Afinal, estou-me a safar mais ou menos.

Parece impossível
Para aqueles que dizem que o Brasil é o potência mundial e Portugal é uma merda, estranho que em 2010 o PIB pc em Portugal seja, em relação ao Chile, 185€ e o Brasileiro seja de apenas 74€.
Nós que não temos o "pré-sal" nem a imensidão de terrenos, nem tecnologia nem somos a "maior potência do mundo", nem temos mulheres boas, como é possível termos um PIB pc tão maior que o Brasil.
Nás que estamos na bancarrota e na miséria.
Não é possível.
Por alguma razão as basileira vêm delgadinhas como as minhocas, boas como o milho, com aquelas mamocas sequinhas e, passados uns 6 mesitos, já são autenticas baianas. Mandam umas cadeiras (tradução para português europeu: uma peida) maior que uma roda de tractor.

Mas o bem estar da maioria da população chilena piorou muito, dizem os comunas.
O melhor é eu acabar por aqui mas vou pegar noutras variáveis que traduzem, dizem, o bem estar da população.

A mortalidade infantil deve ter aumentado.
A mortalidade infantil condensa muitas variáveis de bem estar social.
Para melhorar é preciso implementar sistemas de esgotos, distribuir água potável, a população ter acesso a cuidados médicos, boa alimentação. E não basta que os ricos têm isso pois, em média, a maior parte das crianças morrem entre as famílias desfavorecidas.
Então, o melhoramento desta variável traduz, sem dúvida, um aumento da coesão social.

Acreditando nos comunas, eu antecipei que no Chile a mortalidade infantil aumentou muito com o Golpe. Peguei nos dados do Banco Mundial e calculei a mortalidade relativa de alguns países relativamente à média da América Latina. Por exemplo, a Nicarágua que foi um país "verdadeiramente socialista" tinha em 1960 mais 50% de mortalidade que a média da A L. Actualmente tem mais 100%.

Fig. 2 - Mortalidade até 5 anos (fonte: Banco Mundial)

Pelo contrário, o Chile, entre 1973 e 1980 reduziu substancialmente a mortalidade infantil.  
Na Venezuela, antes e agora com o Chaves, a M I, em termos relativos, está a aumentar à força toda.

Porque é que será que os comunas não falam do sanguinário chamado Chaves?
Tenho que fazer justiça a Cuba que tem um óptimo desempenho relativamente à mortalidade infantil.
Mais notável atendendo que Cuba é um país pobre e sem recursos naturais.

Fig. 3 - Esperança de Vida e PIB pc (fonte: BM)

Não é possível.
Então os Neo-Liberais fizeram diminuir a mortalidade infantil?
Tem que haver engano.

A esperança de vida deve ter diminuido.
Vou usar outra variável que também traduz coesão social.
Para aumentar a esperança de vida é preciso tratar de todos pois, morrendo um pobre, estraga a média aos ricos.

Fig. 4 - Evolução da Esperança de Vida na América Latina (fonte: BM)

Relativamente à média, entre 1973 e 1985, no Chile a esperança de vida aumentou 4 anos.
Em Cuba diminuiu e no Brasil manteve-se (3 anos abaixo da média).
Penso que me safei bem.
Afinal o golpe no Chile e as consequentes "políticas de direita ultra conservadora tipo Passos Coelho, Gaspar e Sr.a Merkel" não induziu a tragédia económica ou social que os comunas querem fazer crer. Nem mandou os mais desfavorecidos para a miséria.
Antes pelo contrário. Onde essa tragédia aconteceu foi na Nicarágua e está a acontecer na Venezuela.
Mas aí a culpa deve ser do Imperialismo Americano.
Da fada bruxa que envenenou a Branca de Neve.

Nota final: um comentarista disse que "a minha brasileira" não era tão especial como eu imagino.
Qualquer dia ponho uma foto para os estimados leitores verem como era mesmo boa.
E sabia cozinhar muito bem. Couve-flôr gratinada, Feijoada brasileira, Bavaroise de morango. E a mãe fazia um Cozido à Portuguesa e um cabrito assado no forno que era uma maravilha.

Num assalto.
Entram 4 encapuzados numa agência bancária a gritar:
- Isto é um assalto, todos deitados e a olhar para o chão.
Decorrido um minuto.
- Tu aí que olhaste para mim vais morrer já.
- Eu não que não olhei. Quem olhou foi a minha sogra que o deve ter reconhecido pois ela tem olho de raio X.
- Onde é que está a tua sogra?
- Está a viver em minha casa. Tome lá a morada.

Pedro Cosme Costa Vieira

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