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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Passos engana-se e recua ou engana-nos e avança?

O Pedro Passos Coelho enganou-se.

Primeiro, enganou-se nas previsões contidas no OE2012 para as receitas, despesa e, consequentemente, para o défice.
Sendo que afirmou com toda a força, custasse o que custasse, que iria cumprir o défice de 4.5% do PIB porque o IVA iria aumentar (e reduziu) e a despesa iria diminuir (e aumentou), falhou porque o défice derrapou dos 4.5% previstos e o governo teve que recuar para os 6.1% do PIB (ou mais qualquer coisinha).
Segundo, enganou-se quando pensou que os trabalhadores iriam aceitar um incremento da TSU em 7% do salário para haver uma redução na TSU dos patrões. Como o povo saiu à rua, o Portas disse que era contra e os do PSD arrasaram o coitado, o Passos reconheceu que se enganou e recuou deixando cair essa medida de combate ao desemprego.
E se o Passos não se enganou?

Fig. 1 - Enganei-me. Vou ter que recuar.


Será que o governo se enganou mesmo no OE2012?
O Orçamento de Estado, OE, é uma previsão construida no final de um ano para as receitas e despesas do ano seguinte. Como a despesa e a receita derivam de leis que não estão no orçamento (por exemplo, as regras para aceder ao Subsídio de Desemprego), uma concretização adversa da realidade económica faz crescer a despesa e diminuir a receita de forma automática o que desvia a execução orçamental.
São os "estabilizadores automáticos" que, no caso da crise actual, estão a funcionar como "desentabilizações".

O memorando de entendimento com a Troika.
O Sócrates, depois de em 2009 e 2010 ter feito o défice derrapar para cima dos 10% do PIB, Portugal entrou em bancarrota precisando pedir socorro à Troika.
Para poder receber o dinheiro, o Sócrates assinou em 2011 um acordo que se resume a uma trajectória do défice público desde os 10% de 2010 para os 3% do PIB em 3 anos:

    Ano                 2009      2010      2011      2012      2013     2014
-------------------------------------------------------------------------------
    Acordo 2011                               5.9%     4.5%      3.0%
    Revisto 2012                                             5.0%      4.5%     2.5%
-------------------------------------------------------------------------------
    Efectivo          10.2%     9.8%      7.7%     6.1%       ??          ??
    Redução %                    0.4%      2.1%     1.6%      1.6%     2.0%
    Redução  M€                   670      3600     2700       2700     3400
-------------------------------------------------------------------------------
Quadro 1 - Acordo com a Troika e evolução do défice público

A derrapagem do défice de 2012 parece uma grande burridade porque o Governo tem muitos técnicos capazes e a redução de 7.7% de 2011 para 4.5% de 2012 implicava uma redução do défice em cerca de 500M€/mês que nunca seria possível acontecer com as medidas avançadas no OE2012
A) O aumento do IVA seria comido;
B) As poupanças seriam comidas pelos juros e pelo subsídio de desemprego;
C) O corte dos subsídios da função pública e das reformas só daria 250M€/mês.


Fig. 2 - Amor, antes de nos casarmos assinaste um memorando em que te comprometeste a manter os 55kg. Agora, vai à tua vida pois és uma socialista.


O governo enganou-se e teve que recuar para um défice de 6.1%.
Claro que a receita ter diminuido quer dizer que pagamos menos impostos que o que estava orçamentado o que é bom para o nosso bolso.
A despesa ter aumentado quer dizer que o Estado meteu nos nossos bolsos mais dinheiro que o que estava orçamentado.
Nunca nos podemos esquecer que "receita" são coisas que nos tiram dos bolsos, "despesa" são coisas que nos dão e "dívida pública" são coisas que nos dão este ano mas que nos vão tirar no futuro e com juros.
No final, a austeridade foi só 3/4 do que estava orçamentado.

O governo enganou-se na TSU. 
A apresentação do Passos Coelho da transferência de parte do pagamento da TSU dos patrões para os empregados como medida de combate ao desemprego foi classificada pelos comentadores como  descuidada, catastrófica, atabalhoada, caótica ou mesmo como uma nódoa impossível de compreender num governo com assessores de imprensa.


E ainda foi pior por ter ocorrido minutos antes de um jogo da Selecção de Futebol (para anestesiar o povo) e por, minutos depois, o Passos ter ido cantar (na merecida homenagem aos 50 anos de carreira do Paulo de Carvalho).

Fig. 3 - Chamava-se Nini, vestia de organdi e dançaaaaava


Quanto dinheiro estaria em causa com a TSU?
Eu estranhei da vontade de avançar com a medida porque não foi avançado o número da redução dos salários que esta medida tinha implicita. Se era uma medida ponderada, deveria haver números.
Os comentadores começaram a avançar um número, 2300M€. Mas, sendo os ordenados e salários  40% no PIB (fonte: PorData), se aplicarmos 7% a este valor, obtemos 4700M€ que é o dobro do valor publicitado nos media.
Nota: confirmei agora na PorData que o peso dos salários é 50.2% no PIB pelo que os 7% dariam quase 6000milhões€.



E recuou reduzindo o corte da TSU dos patrões a quase nada.
No seguimento da comunicação, milhares de povo veio para a rua dizer que não queria a transferência da TSU.
Até os patrões (ressalvo que apenas foi dada voz aos patrões da distribuição e dos bens não transaccionáveis), vieram pregar um prego no caixão da medida dizendo que não a queriam.
Os "amigos" do Passos (a Ferreira Leite, o Marques Mendes, o Marcelo e muitos mais dentro do PSD onde não há défice de "amigos" do Passos Coelho) fizeram um ataque total.
Por fim, o Portas benzeu o defunto, fechou a tampa ao caixão, deu duas voltas à chave que entregou ao Cavaco Silva.
O Passos reconheceu que se enganou e teve que recuar.
Pegou na tal medida e transformou-a num renovado "impulso jovem" que perdoa a TSU apenas aos novos empregos de jovens.

Fig . 4 - O Passos estava encurralado

Mas imaginemos que o Passos não se enganou.
Os enganos serem tão evidentes indicia que poderão ter sido movimentos estratégicos para derrotar os seus opositores políticos ao OE para 2013.
Com toda a gente, dentro e fora do governo, contra o aumento de impostos e a redução da despesa, como seria possível, mesmo com as metas alteradas, arranjar 2700M€?
Vou analisar estes dois enganos sobre outra óptica.

Fig. 5 - Amor, eu enganei-me. Pensei que a tua maezinha estava a pedir sabão.

O erro do OE 2012.
Se fosse o Sócrates a dar cumprimento ao que acordou com a Troika, iria torpediar as contas públicas o mais que pudesse. Estaria sempre a anunciar PECs e a nada fazer. Seria como em 2010 em que o défice, depois de 3 PECs, fechou nos 9.8% do PIB.
Mas os nossos parceiros europeus sabem que o Passos está a fazer o melhor que é possível.
Então, aquela conversa do ministro das finanças alemão ao ouvido do Gaspar, em Fevereiro de 2012, em que apoia Portugal em caso de incumprimento das metas, whatever, prova que já nessa data a derrapagem estava prevista.
Posso concluir com segurança que, quando o OE2012 foi aprovado, já tinha sido acordado com os nossos parceiros europeus que haveria derrapagem.

O Seguro e muitos mais queriam "mais um ano".
E aí está o "mais um ano".
Estava previsto atingir um défice de 4.5% do PIB em 2012 e isso passou para 2013 (ver, quadro 1).

E haverá mais dinheiro.
Foi avançada a conversa de que o envelope financeiro não seria alterado ("não haverá mais dinheiro") para salvar a face da Troika. Mas isso é apenas conversa pois o BCE é quem dá o dinheiro para o endividamento de curto prazo que Portugal vai "conseguindo" colocar no mercado.
Em termos técnicos não foi alterado o envelope financeiro do resgate (os 78000M€) mas, em termos práticos, foi aumentado o volume de dívida portuguesa que o BCE aceita como colateral.
Actualmente, Portugal apenas consegue emitir dívida no mercado porque os credores podem usar essa dívida como garantia na obtenção de financiamento do BCE à taxa de juro de 0.75%/ano.
Permitir alterar o limite de emissão é aumentar o envelope financeiro.

Qual é o argumento agora do PS?
Vai continuar na tecla do "mais um ano" e "mais dinheiro"?
Fica ridículo.
Então, deveria ter antes pedido "mais dois anos".
Mas como o calendário também não é para cumprir à risca, o Seguro deveria ter pedido "mais 3 ou 4 anos" ou colar-se aos socratistas de "pensar em pagar a dívida pública é uma brincadeira de crianças".
Afinal, a política do Passos de não pedir mais tempo nem mais dinheiro deu resultado.

O erro da transferência da TSU.
Do OE 2012 para o OE 2013 é preciso diminuir o défice público em 2700M€ (ver, quadro 1).
Se pensarmos que os 7% sobre a TSU aplicados a toda a gente traduziam 4700M€, se parte deste valor for perdoado aos salários mais baixos (progressivo dos 600€ até aos 800€ pois  700€/mês é o salário mediano) então, estamos a falar nos 2700M€ que são precisos para fechar o OE 2013.

Imaginemos que a tranferência da TSU avançava.
Onde é que ficava sítio para o Passos ir buscar os 2700M€ que precisava para fechar o OE 2013?
Cortar mais um salário?
Era impossível.
É esta a prova que faltava para ficarmos com a certeza de que o anúncio da transferência da TSU foi para fazer o bicho sair da toca.
E o Portas fez parte da encenação.

Agora vem o corte via IRS.
Um corte via IRS que vai tapar o buraco do OE. E, além do valor previsto na medida da TSU, vai ter ainda receita dos juros, rendas e dividendos.
O IRS, contrariamente ao IVA ou ao Tabaco, não tem muito por onde fugir e abrange uma base tributária muito maior.
Para vermos a enormidade da questão, para conseguir os 2700M€ no IVA seria preciso subir a taxa máxima para 30%.
Agora já é possível fechar o OE2013 com toda a facilidade.
E sobre a TSU, não ouviremos mais falar sobre o assunto.
Dá-se mais força ao "Impulso Jovem" que estava com dificuldades de arranjar financiamento, e fica a medida aí nos 100M€ (4% do valor previsto na transferência da TSU) que dá para subsidiar 60 mil novos empregos.

Qual é agora o argumento do PS e dos "senadores" do PSD?
Se o principal argumento contra a TSU era que seria injusto transferir dinheiro directamente dos trabalhadores para os patrões, agora que o Passos Coelho lhes fez a vontade, não podem dizer nada.
Continuar a martelar em tudo o que o governo faz vai começar a parecer ódio pessoal.
Bem sei que podem continuar a batalhar nas mesmas coisas mas não será com a mesma força porque vai começa a parecer ridículo.


Fig. 6 - Mesmo parecendo ridículo, há sempre quem acredite.

O Tribunal Constitucional vai ser respeitado.
O acordum do TC que invalida o corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos, aposentados e reformados para 2013 será respeitado.
Por um lado é reposto um subsídio e, por outro lado, é retirado um mês de salário no IRS que já se aplica a toda a gente.
Assim, tecnicamente os funcionários públicos recebem um subsídio mas, de facto, não recebem nada.

Como o Passos derrotou o Cavaco?
O Passos comunicou ao Cavaco Silva que fez o anúncio da transferência da TSU porque Portugal tinha chumbado na avaliação da Troika.
E agora que não vinha dinheiro porque, dada a oposição de toda a gente, não tinha como dar cumprimento ao acordo com a Troika, vinha pedir autorização ao Sr. Presidente da República para declarar ao país a bancarrota de Portugal.

E disse mais.
Que os seus tecno-ministros (das Finanças, da Economia, da Saúde e da Educação), não conseguindo fechar o orçamento para 2013 por causa da oposição do PSD, tinham pedido para  abandonar o governo.
Por isso, entregava o poder nas mãos de Sua Excelência dizendo que era obrigação das pessoas que anunciam outro caminho para avançar com soluções concretas.

O Cavaco ficou todo a tremer.
- Óh Passos pá, eu mandei a Ferreira Leite dizer mal de ti mas não pensei que levasses a mal. Era para ficares mais riginho, como eu era.
-Agora fiquei à rasca. Remete-te ao silencio e dá-me uns dias.
Não confirmo nem desminto a transcrição do seguinte telefonema:
 - Estás pá? És tu? O bloguistas das gajas boas? Eu sou o Cavaco.
- Sou eu, sou, diga lá chefe ... ouve-se mal, Silva ...
- Estou aqui à rasca porque o Passos devolveu-me a coisa e já fiz um monte de telefonemas e é tudo negas. Não sei o que lhe fazer.
-  Óh pá, estou-te a telefonar a ver se queres ser tu. Mando já ai um carro e tomas posse amanhã mesmo que ele está farto. Estou mesmo à rasquinha.
 - Eu? Isso é para mim? O presidente está a falar comigo? Óh chefe, eu tenho o meu Judo e não posso ir para Lisboa. Escolha outro, a Ferreira Leite e esses do bota baixo que têm tantas ideias. Onde é que vou arranjar aqueles milhares de milhões para fechar o orçamento?
 - Óh pá, foi isso mesmo que me disse o Passos.
- Então se nem tu queres, o fulano que menos percebe de governação do Mundo, fico mesmo sem opções.

- Óh pá, vou ter que o engolir.

Fig. 7 - Só aceitaria a carga se o PP metesse esta como Ministra da Agricultura


O Cavaco reunião o conselho de Estado.
Sei que também enviou um telegrama para as suas tropas na frente de batalha a dizer:
"princípio ordem para calar ponto bicho arreou carga ponto generala ferreira leite escondeu a cabeça ponto não tenho quem carregue a carga ponto aguentar posição até nova ordem porque nem o bloguista quer carregar ponto nome de código bolo rei fim".

Depois, reuniu o Conselho de Estado e chamou lá o Gaspar para transmitir aos conselheiros que  não havia como fechar o orçamento de 2013.
Que tinham que se votar ao silêncio ou avançar para primeiro-ministro.
O Passos disse que se tinha enganado e que voltava atrás.

E assim foi feito.
Sendo que o Passos se humilhou e aceitou voltar atrás com a TSU, foi-lhe dado todo o apoio institucional para que avançasse como pudessem para fechar o orçamento nos 4.5%.

Afinal, a presentação do aumento da TSU foi perfeita.
E como vai ser feito o ajustamento do mercado de trabalho?
Não interessa. Vamos deixar as forças do mercado actuar.
Por um lado, o subsídio de desemprego vai acabando e o povo vai ter que se começar a mexer-se.
Por outro lado, o governo vai meter uns milhões no emprego jovem.

Fig. 8 - Perfeita.

A qualquer altura, pode ser que o horário de trabalho aumente.
Mas mesmo que nada seja feito e apesar de o desemprego ir ainda aumentar nos próximos dois anitos, como os salários vão ficar fixos em termos nominais, a natural descida dos salários reais vai, daqui a uns 10 anitos, fazer o desemprego voltar ao nível de 1995.
E mais importante que isso, o Passos conseguiu algo que parecia impossível: fechar o OE 2013 em acordo com a Troika, com o CDS e com os "notáveis" do PSD depois de em 2012 não ter sido possível cumprir os 4.5% de défice.

Afinal, fez jeito o homem ter estudado ópera.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 22 de setembro de 2012

Quais as alternativas à transferência da TSU?

As manifes são o último fôlego da ilusão do gratuito.
A Contituição Portuguesa dá a todos nós o direito à saúde, educação, apoio no desemprego e na velhice, habitação, transportes, serviço público de televisão, um salário dígno, segurança, vias de comunicação rodoviárias, casamento e constituir família, etc., etc., etc., sem afirmar quem tem a obrigação de dar cumprimento a esses direitos constitucionais.
Os constitucionalistas do 25 de abril deram conta, ou eram muito tapadinhos da cabeça (penso que esta última hipótese é a mais provável), que não havia a quem atribuir as obrigações.

Bem, aqui e ali, dizem que compete ao Estado.
Mas o Estado não seremos todos nós?
Como podemos ter direito a tudo gratuito se depois temos o dever de pagar tudo que nos é fornecido de forma gratuita?

A demagógica constituição
lançou na mente pequenina da maioria dos portugueses que, na parte de pagar, o Estado eram os outros, uma minoria qualquer que não se possa defender em termos eleitorais.
Para os comunas são os patrões, é o grande capital, são os ricos, são os políticos, são os da Europa, são os alemães.
Para os mais favorecidos, são os do rendimento mínimo, são os malandros dos bairros, são os pretos, são os ciganos.
Para os católicos são os paleneiros, são os fodilhões, são os que não vão à missa.
Para os islâmicos, são os que fazem caricaturas do Mamede.
Para o Seguro, "líder" do PS (de jure pois de facto não lidera nada), é a Troika e "o mais tempo" que vai realizar os nossos direitos.

Nunca acreditei no Pai Natal
Desde que tenho memoria da minha existência, nunca acreditei que houvesse pai Natal.
Mas, pelos vistos nas manifes, há muitos milhares de portugueses que acreditam que o Pai Natal vai largar da sua saca vermelha os milhares de milhões de euros que faltam a Portugal para ser dado cumprimento aos direitos que a constituição afirma serem nossos.

Fig. 1 - O Pai Natal, esse lorpa que vem do Norte da Europa, vai permitir que se cumpram todos os nossos direitos constitucionais.

Os do Conselho de Estado.
Acreditam maioritariamente que existe Pai Natal. Ouvir aquelas pessoas que já governaram Portugal, compreende-se porque chegamos à bancarrota.
São demagógicos, incompetentes e mentecaptos.

Os custos do trabalho têm que descer.
Quando estou doente vou ao médico pois esse profissional estudou e sabe.
Mesmo sabendo que muita gente vai à bruxa, se a nossa economia está num caos, tenho que procurar uma solução no que diz a ciência económica.
O Belmiro de Azevedo não tem obrigação de saber economia porque é engenheiro e gere uma mercearia há tempo demais pelo que já esqueceu tudo o que aprendeu.
Mas é por demais evidente que, se existe desemprego, os custos do trabalho têm que diminuir.

Há um salário de equilíbrio.
Nós não ganhamos o mesmo que os da Alemanha nem de Marrocos porque produzimos menos que os alemães e mais que os marroquinos.
O salário tem que traduzir a riqueza que produzimos. Nem pode ser mais (haverá desemprego) nem menos (haverá escassez de trabalhadores).
Eu já ouvi professores universitários meus colegas dizerem que "se não podemos ganhar o que ganhamos, então vamos ficar a ganhar zero".
É gente burra e ignorante.

O salário é como uma corrida.
Vamos imaginar um etíope que percorre 42km em duas horas (é o trabalhador alemão). 

Quero o mesmo salário.
Como eu sou fracote, se quiser percorrer os mesmos 42 kilómetros, tenho que correr durante mais tempo. Enquanto o etíope corre 2 horas, eu tenho que correr 6 horas.
Se quero o mesmo salário que os alemães, como produzo menos a cada hora, tenho que trabalhar mais horas. Se actualmente o horário são 40h/s, tenho que aumentar para as 45h/s do "antes do Sócrates".
Recordo que nos governos comunistas do 25 de abril e socialistas do Mário Soares, as pessoas trabalhavam 45h/semana e era constitucional.
Então, os comunas não podem ser contra o horário de trabalho voltar a ser 45h/s.
Se quero o mesmo salário que os alemães, tenho que trabalhar mais horas.

Quero o mesmo horário.
Como eu sou fracote, se quiser correr as mesmas 2 horas, só vou percorrer 20 kilómetros.
Vou ter que me contentar com um salário menor.

Não existe a possibilidade de sermos iguais aos alemães.
Se fosse possível, todos seriamos capazes de correr 42km em 2 horas.
e todos aceitamos que tal não é possível.
O povinho tem que meter na cabecinha que, tal como não somos capazes de correr 42km em 2hora, não somos colectivamente capazes de produzir tanto como os alemães.

Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes.

Fig. 2 - Vontade temos nós muita mas não somos capazes.

A política do Sócrates
Os tais constitucionalistas de trazer por casa criaram a ilusão dos direitos adquiridos (o princípio da confiança).
O Sócrates, por ser um ignorante e ser assessorado nas questões económicas por professores de economia que somos, genericamente, uns ignorantes, diminuiu o horário de trabalho e aumentou o salário mínimo.
O povo e os nossos empresários, naturalmente mais burros e ignorantes que os membros do governo socialista, acharam muito bem pelas mesmas razões que agora acham mal descer os custos do trabalho.


Não houve manifes porque a maioria do povo achou-se beneficiado e o resto que se dane.
Os trabalhadores.
Pensaram que iriam receber salários mais elevados, ficando com mais poder de compra. Nunca poderia sair prejudicados pelo aumento dos salários e diminuição do horário de trabalho.

Os empresários.
Pensaram que iria aumentar o rendimento das famílias, logo ia aumentar o consumo interno e, cada um, via as suas vendas mais aumentadas que os custos do trabalho.
Como os empresários da distribuição e produção de bens para consumo interno têm mais voz que os pataqueiros do salário mínimo que exportam, ficou a ideia que subir os custos do trabalho seria bom para todos.
Vieram dois slogans que perduram:
"Os empresários que não podem pagar mais de 400€/mês, que fechem as portas". Ouvi isto dos que se dizem representar os patrões e os trabalhadores.
"O desemprego só se combate com crescimento económico". Só que não dizem que os salários elevados evitam o crescimento.
Veio a  Ferreira Leite.
Dizer que Portugal não aguentava um aumento do salário mínimo em 25% e uma redução do horário de trabalho em 11%.
O aumento do SM transmitiu-se ao resto dos salários via os Contratos Colectivos de Trabalho.
É que foi um aumento de 33% dos custos do trabalho sem ter havido qualquer aumento da produtividade.
Será que essa FL é a mesma que agora é contra tudo o que faz o Passos Coelho faz para corrigir esse erro colossal?
Não pode ser.

Depois desse aumento, Portugal deveria ter ficado uma maravilha.
O problema é que a teoria dos trabalhadores e dos empresários estava errada.
Lentamente, dia após dia, semana após semana, mês após mês, a política que ia beneficiar todos foi destruindo empregos, reduzindo o rendimento das famílias e levando à falência milhares de empresas.
O desemprego e falências em massa levaram à contracção do PIB.
Depois do PIB veio a contracção dos impostos, o aumento do subsídio de desemprego e do RSI o que levou ao descontrolo das contas públicas.
Nem podia ser de outra maneira senão, em todos os países os salários seriam de pelo menos 1 milhão de euros por hora.

Agora os custos do trabalho têm que descer.
Vou então traçar vários cenários possíveis.

Cenário Base - Nada é feito.
Como existem pessoas mais produtivas que outras, todas as pessoas com produtividade abaixo do seu actual salário serão despedidas.
Lentamente, cada semana mais 4000 pessoas irão para o desemprego havendo 2000 trabalhadores desses que não vão tão cedo.
O PIB por pessoa empregada ter subido 0.9%/ano no período 2000/2010 quando o PIBpc não cresceu traduz que as pessoas menos produtivas perderam o seu emprego (ver, Fig. 3).
A política do salário mínimo elevados afecta exactamente as pessoas mais desfavorecidas da sociedade, os pobres, mandando-os fora do mercado de trabalho quando, dizem os comunas, o objectivo é melhorar a sua vida.
Sem pobres, acabam as pessoas na missa e no partido comunista.

Fig. 3 - O PIB por pessoa empregada cresceu 0.9%/ano em preços reais (dados: Banco Mundial, grafismo do autor)
Variação 1 - os salários nominais ficam constantes
Se o governo não seguir a tendência populista de subir ainda mais o SM, os salários vão ficar constantes em termos nominais, desvalorizando cerca de 2% por ano (a inflação média da Zona Euro).
O desemprego vai aumentando mais e mais ultrapassando os 20% mas, daqui a uns 5 anos, começará a diminuir (com uma quebra dos salários reais de 10%) para, daqui a 10 anos, voltar aos 6% da população activa de 2005, o tempo em que o Sócrates desgovernou o país.

Variação 2 - os salários nominais aumentam
Se o governo entrar num desvario, tipo PS, de aumentar o SM induzindo aumentos salariais ou se as manifes a isso o obrigarem, o número de empregados por conta de outrem vai diminuir e as pessoas passarão a trabalhar "por conta própria" a recibos verdes e passando mesmo à ilegalidade.
Pensando que se está a proteger os trabalhadores, vai-se destruir o mercado de trabalho como o congelamento das rendas destruiu o mercado de arrendamento.

Mesmo não fazendo nada, os salários vão descer
Tal qual como o Eusébio deixou de jogar, também o rendimento dos portugueses, vai diminuir significativamente.
Vá para a TSU, o IRS, o IVA ou cortes (aumentos dos pagamentos do povinho) na Saúde, Ensino ou restrições no acesso ao Subsídio de Desemprego, o povo vai ficar a viver muito pior porque actualmente temos maior rendimento que o total produzido na nossa economia.

O Eusébio bem queria continuar a jogar mas as pernas já não davam para mais.
É como as pessoas que vão ao médico sabendo que acabarão por morrer.
A economia vai sempre atingir o equilíbrio em que o rendimento é igual ao consumo. A única diferença é o tempo que vai demorar a atingir o equilíbrio e o nível de riqueza que teremos quando esse nível for atingido.

Os comunas não têm o exemplo da URSS?
Eles bem queria destruir as forças que levam a economia ao equilíbrio mas apenas conseguir caminhar para um equilíbrio de pobreza.
É uma impossibilidade material um povo viver para todo o sempre consumindo mais que o que produz.
É impossível e apenas o Pai Natal pode tornar isso possível.
As boas políticas serão aquelas que permitirão que a economia ajuste mais rapidamente e em que o nível de riqueza final seja maior.

Alternativa 1 - o aumento do horário de trabalho.
Esta era a medida avançada pelo Passos Coelho o ano passado e no meu entendimento, é a melhor alternativa.
Afecta todas as pessoas da mesma forma e permite não termos uma redução tão grande do rendimento. Trabalhar mais horas, implica que poderemos produzir mais tendo mais rendimento.
Caiu mas poderá ser retomada.

Alternativa 2 - A TSU passa do patrão para o empregado.
Esta era a medida avançada pelo Passos Coelho este ano.
Estar razoável.
Caiu definitivamente.

Alternativa 3 - Acabar com o Contrato Colectivo de Trabalho.
É inconstitucional.
A revisão da constituição precisa de 2/3 dos deputados pelo que caiu antes das eleições com a oposição do Sócrates que continua.

Cenário 5 - Outro caminho.
Os comunas (e sócios) dizem querer outro caminho, mas não dizem qual é esse caminho. É outro.
Será outro qualquer?
É como dizia o António Variações.
     Eu só quero ir onde eu não vou
     Eu só estar onde eu não estou

É como, quando perguntamos a um transeunte como ir para um determinado destino, ouvirmos:

 - Aaaaaaiiiiii, o senhor está perdido.
 - Mas por onde é o caminho?
 - Aaaaaaiiiiii, o senhor é que está perdido, não sou eu.
 - Eu só lhe posso dizer que o melhor e sentar-se aqui à minha beira e ficarmos a jogar umas cartas.

Alternativa 4 - Sair do Euro
Os comunas são a favor e o povinho não vê uma equivalência entre desvalorizar a moeda e descer os salários pelo que vai achar bem.
É o retomar da soberania nacional.
Esta alternativa é a mais forte em termos de longo prazo.
Mesmo que entre de novo um governo à Sócrates, o cambio flexível responde às políticas demagógicas alterando instantaneamente o câmbio que leva a uma alteração instantaneamente dos salários e dos preços que equilibra a economia.
O Passos Coelho deve mandar alguém, começando pela Sr.a Merkel, dar uma volta pelas capitais europeias, a preparar a nossa saída da Zona Euro e o retorno ao Escudo.
Estando provado que não temos povo para estar numa zona monetária com as economias do Norte da Europa, o governo tem que resolver esses problema que perdurará no longo prazo.

Fig. 4 - Já estou cansado pelo que vou até ao Sr. da Pedra.


Pedro Cosme Costa Vieira.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Estudo de Braga/Coimbra sobre a TSU está completamente errado

O Estudo está verdadeiramente errado por razões teóricas e empíricas.
Como são 5 os autores, vou apontar 5 erros graves do estudo. Mas tem mais.

O grave destes estudos é que aparecendo 5 professores universitários das faculdades de Braga e de Coimbra a dizer que a transferência da TSU do patrão para o trabalhador terá efeito negativo no emprego, o povinho ignorante acredita que aquilo deve estar certo.
Mas cautela porque também foram professores deste tipo (o Teixeira dos Santos e demais staff das finanças) que empurraram o nosso querido país para a actual situação de bancarrota.
A técnica é esconder erros conceptuais dentro de um modelo simples do Mercado de Trabalho enredado numa pseudo-complexidade matemática que levam a conclusões totalmente erradas e que baralham o povo.

A tansferência da TSU do patrão para o empregado está politicamente morta.
Mas é por uma questão política e não técnica.
Se houvesse uma desvalorização da nossa moeda em 20%, mesmo que isso causasse uma significativa diminuição do poder de compra dos salários, o povo não culpava o governo por isso. Já na redução nominal do salário atribuem a culpa ao governo. Isto é a prova provada de que Portugal não tem estaleca para estar na Zona Euro tendo que a abandonar quanto mais cedo melhor.

Em termos técnicos é importante eu dizer-vos porque aquele estudo* está errado para desmascarar esses aprendizes de feiticeiro que só querem levar o país pelo caminho da bancarrota socratista.
A maioria das pessoas que lê este meu blog não acredita nessas lengalengas, não acreditam que "cortando a taxa do gás natural, ficam resolvidos todos os problemas da competitividade das empresas" como o disse o Seguro ontem na RTP1 para resolver o buraco de 4500 milhões de euros que falta tapar para fechar o orçamento de estado de 2013. É com 100 milhões dessa taxa que se pode cortar e depois multiplica-se por 45 e já está. Nem deu conta que acabar com uma taxa implica menos receita fiscal e não mais.
Apesar de ter sido eu a dar a ideia de transferir a TSU do patrão para o trabalhador, é bom isso não avançar porque não chamaria os "salários mínimos" à equação. Assim, é melhor aumentar o horário de trabalho em 0.5h/dia porque afecta a todos, ganhem pouco ou muito.

Os erros teóricos do estudo.
Erro 1 - Falta o financiamento da Segurança Social.
Os autores usam um modelo "neo-liberal" no sentido de que não contabiliza o ganho de bem-estar de o trabalhador receber assistência médica, subsídio de desemprego e reforma por conta da SS.
A principal e única conclusão válida do modelo é que, sobre esses pressupostos "neo-liberais", a TSU deveria acabar de todo, para os trabalhadores e para os patrões. Depois, o Passos que se arranjasse como pudesse para pagar as despesas da Segurança Social. A Troika, o Grande Capital e a Especulação que pagassem.
É interessante como os comunas pegam num modelo da oposição ideológica, deturpam-no completamente (acabando com a SS), e, tipo bala de ricochete, reutilizam-no para atacar os próprios criadores do modelo.
Se os recursos para a Segurança Social caíssem do Céu, a TSU era altamente perniciosa porque reduz o rendimento dos trabalhadores, aumenta os custos do trabalho e diminui o emprego.

Este país do "cai tudo do Céu" já existiu
Está relatado no livro do Génesis 16 (o maná e as codornizes caíram do Céu e saciaram o Povo de Deus). Como Portugal é um país de católicos com fé verdadeira e somos o Povo Eleito, acreditamos que, de um momento para o outro, recomeça a cair financiamento do Céu.
Não há nada na Bíblia que diga que isso não vá acontece. Basta ter fé e o que as gaivotas largam passará a ser eurobonds.

Eu tenho fé viva de que um dia vão cair 5 gajas como estas do Céu para o meu colo
  
Erro 2 - Pensam que a tranferência da TSU vai aumentar a carga fiscal sobre o trabalho.
Assumido que a TSU é má, vendo que há um aumento dos trabalhadores em 7 e uma diminuição dos patrões em 5.75 então, há um aumento 1.25 da TSU (em % do salário).
Mas não preciso falar sobre a bondade da existência da TSU porque o Passos prometeu que a tributação sobre o trabalho não iria aumentar porque:
A) A TSU é uma dedução ao rendimento colectável do trabalhador.
Então, as pessoas vão pagar mais TSU mas, em parte, pagam menos IRS.
Para uma tributação média de 10% de IRS, os 7 a mais vão-se traduzir em apenas 6.3.
B) A TSU dos salários abaixo dos 1000€/mês vai ser menor.
O bocadinho que falta (de 5.74 para 6.3) vai ser usado para cobrir estes "descontos".
C) Espera o Passos um ligeiro aumento do IRC.
Que aumente o "bocadinho" de forma a ser possível haver bons descontos nos salários mais baixos.

 Se o Passos Coelho disse que o total da tributação se manterá, não há razão para desconfiar.
Podemos agora ver o impacto teórico da transferência da TSU do patrão para o trabalhador.

Situação 1 - O mercado de trabalho é perfeitamente flexível
O impacto será nulo.
Neste caso e como existem muitos trabalhadores e muitos patrões, o mercado de trabalho estará em concorrência perfeita.
Então, se um trabalhador receber 1000€/mês de salário líquido e este diminuir para 999€/mês, o trabalhador  despede-se imediatamente porque existe outro patrão que lhe paga os 1000€/mês.

Trabalho homogéneo (todos os trabalhadores produzem o mesmo e têm o mesmo salário).
Mantendo-se o total da tributação, não existe qualquer alteração no mercado de trabalho porque o salário bruto vai aumentar de forma a anular totalmente a alteração do mix da TSU (mais o efeito no IRS e no IRC).
Nas duas figuras seguintes (onde omito, sem perda, o IRC para não complicar o desenho), partindo de uma situação inicial em que há N pessoas empregadas e 6% de taxa de desemprego (Fig. 1), a transferência da TSU apenas leva a um aumento do salário bruto que compensa exactamente o aumento da TSU e a diminuição do IRS do trabalhador (Fig. 2). Também compensa exactamente a descida da TSU do patrão ficando os custos do trabalho iguais.
Nem se perde nem se ganha qualquer emprego com a transferência da TSU pois os trabalhadores ficam a receber o mesmo salário líquido e os patrões têm os mesmos custos do trabalho (as linhas horizontais a vermelho).

Fig. 1 - Inicialmente havia N pessoas empregadas e 6% de desempregadas


Fig. 2 - No final mantêm-se N pessoas empregadas e 6% de desemprego porque o salário bruto aumentou exactamente no valor em que aumentou a TSU + IRS. Foi o que aconteceu ao Cristiano Ronaldo.

Mas não é esta a situação que se vive em Portugal. Se fosse (o desemprego nos 6% e o mercado flexível) não seria necessário o Governo preocupar-se com o mercado de trabalho. Estaríamos, em termos de taxa de desemprego, na situação que, em 1995, o Cavaco deixou de herança ao Guterres.


Situação 2 - O mercado de trabalho é inflexível e existe muito desemprego.
O desemprego vai diminuir.
Esta é a situação que Portugal vive.
A Lei não permite a descida do salário bruto (por causa dos contratos colectivos de trabalho) que permitiria ajustar o mercado de trabalho.
Mesmo havendo muito desemprego, os actuais desempregados não podem aceitar um trabalho a ganhar menos porque a lei proíbe-o (têm que receber o que diz o contrato colectivo de trabalho).
Esta situação levou a taxa de desemprego aos 16% da população activa e com tendencia para aumentar para mais de 20%.
Agora, se um trabalhador receber 1000€/mês de salário líquido e este diminuir para 999€/mês, se o trabalhador se despedisse, não arranja nenhum patrão que lhe pague os 1000€/mês. Então, a subida da TSU do trabalhador não vai induzir uma subida do salário bruto.
Partindo de uma situação idêntica à da Fig. 1 mas em que o desemprego está nos 16% da população activa (Fig. 3), como a subida da TSU não é acompanhada pela subida do salário bruto porque o desemprego elevado não o permite então, verifica-se uma redução do salário líquido que os trabalhadores recebem e uma redução do custo do trabalho pago pelo patrão (linhas a vermelho).
No fim, numa situação com elevado desemprego e mercado de trabalho rígido como é o caso português, a transferência da TSU do patrão para o trabalhadores diminui o desemprego que pode voltar aos 6% (Fig 4).

Fig. 3 - Inicialmente havia N pessoas empregadas e 16% de desempregadas porque o Salário Bruto não pode diminuir por Lei


Fig. 4 - A transferencia da TSU aumenta o número de pessoas empregadas e diminui desemprego porque o elevado desemprego faz com que o Salário Bruto não aumente o que reduz os custos do trabalho.

Os erros empíricos do estudo.
Erro 1 - Não existe informação nos dados sobre uma política que nunca implementada.
A Economia não é uma ciência experimental pelo que as teorias apenas podem ser avaliadas com informação do passado.
Imaginemos que quero saber o impacto da subida de 5ºC na temperatura da água do rio Douro ao longo de um ano na mortalidade dos peixes. Bem, isso nunca se observou mas eu pego em dois tanques iguais e encho-os de água recolhida do rio Douro. Depois, pesco 2000 peixes do rio e meto 1000 em cada tanque, aleatoriamente. Finalmente, mantenho a temperatura de um dos tanques igual à do rio (medida com um termómetro) e aumento a temperatura do outro tanque em 5ºC.
Ao longo do tempo a temperatura do rio muda e eu mudo também a temperatura dos meus tanques.
Passado um ano conto quantos peixes estão vivos em cada tanque e posso dizer quantos morreram a mais no tanque que tinha a temperatura mais elevada.
Posso repetir esta experiência as vezes que achar necessário.
No caso concreto da avaliação do impacto da transferência da TSU, os autores reconhecem que esta política nunca foi experimentada. Logo, os dados do passado não contêm informação sobre o que resultará de esta medida ser aplicada.
Os dados não podem dizer nada sobre uma política que nunca aconteceu.
Neste caso, o estudo do impacto da medida tem que ficar pelo modelo teórico da Figuras 1 a 4.

Erro 2 - Na OCDE existem países em situação muito diferente quanto ao desemprego.
Vamos supor que nos dados havia alguma informação quanto ao impacto da descida dos custos do trabalho (e não da TSU) no desemprego.
Mesmo assim, é errado usar os países da OCDE mete casos que estão com desemprego acima da Taxa de Desemprego Natural (a Espanha e a Grécia que têm mais de 25% da população activa desempregada) onde a descida dos custos do trabalho aumenta o emprego, juntamente com países abaixo dessa taxa (a Noruega , Coreia do Sul e Suíça com menos de 3%), onde a diminuição dos custos do trabalho diminui o emprego.
Meter todos no mesmo saco, como nuns a medida teria um efeito positivo e noutros um efeito negativo, os resultados anulam-se.
Porque é que usaram os países da OCDE e não usaram os países todos?
Por sabem que não se podem meter coisas diferentes no mesmo saco.

Erro 3 - Não atenderam à Critica de Lucas.
Os modelos empíricos (econométrico) não podem ser usados para avaliar as políticas macroeconómicos porque existe uma "dupla ligação" entre a situação económica e as políticas.
Por um lado, as políticas respondem à situação da economia e, por outro lado, a situação da economia responde às políticas.
Quem o provou foi o Robert Lucas Jnr, o que lhe valeu o prémio Nobel da Economia de 1995.

Vou estudar o efeito da radioterapia na probabilidade de morte.
Com este exemplo, a Critica de Lucas fica clara.
Pego em 1000 pessoas que fizeram radioterapia e conto quantas viveram mais de 5 anos.
Pego também em 1000 pessoas que não fizeram radioterapia e também conto quantas viveram mais de 5 anos.
Observo que morreram muitos mais pessoas no grupo das que fizeram radioterapia que no grupo das que não fizeram.
Será que posso concluir que a radioterapia aumenta a probabilidade da pessoa morrer?
Não porque apenas faz radioterapia quem tem cancro.
O estado de saúde induz uma resposta terapêutica que, por sua vez, induz uma alteração do estado de saúde que leva a nova resposta terapêutica, etc.

A critica de Lucas é semelhante a este exemplo.
As políticas que o governo implementa, (a Austeridade), são em resposta a uma situação económica concreta, (a nossa bancarrota e recessão), pelo que não podemos avaliar empiricamente se a austeridade degrada as nossas contas pública e tem efeito recessivo porque a auteridade é a resposta terapêutica à crise.
Apenas poderíamos avaliar esta teoria se um país "normal" entrasse em austeridade o que nunca acontecerá.
Também nunca acontecerá um indivíduo saudável ir fazer radioterapia.

Ok, há os testes clinicos.
sim. Mas nas politicas macroeconómicas não há disso.
Era o caso de Portugal decidir para 2013 aumentar o salários dos funcionários públicos, as reformas e as pensões em 20% e arrancar com o novo aeroporto de Lisboa, o TGV e mais SCUTS a ver se melhorava a sua situação económica.
Como a restrição financeira não o permite, nunca será possível avaliar se um país em bancarrota resolveria os seus problemas com uma expansão do défice público.

Concluindo.
Os custos do trabalho são a variável por excelência que equilibra o mercado de trabalho fazendo o desemprego caminhar para a Taxa de Desemprego Natural.
Como o mercado de trabalho português é muito rígido, a transferência da TSU dos patrões para os empregados promoveria o equilíbrio do mercado, i.e., combateria os actuais 16% de desemprego.
Os estudos que digam o contrário estão errados e servem apenas para enganar os incautos.
Apesar de em termos técnicos a medida ser correcta, a ignorância do povo e demais players políticos não permite que avance pelo que a alternativa é aumentar o horário de trabalho em 0.5hora por dia.

*Luís Aguiar-Conraria; Fernando Alexandre; Pedro Bação; João Cerejeira; Miguel Portela (2012), Emprego e TSU - O impacto no emprego das alterações nas contribuições dos trabalhadores e das empresas
Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 16 de setembro de 2012

A TSU morreu, vivas a mais uma hora de trabalho

Eu defendi que a tranferência da TSU seria uma solução
para o problema do desemprego.
O aumento de 7 pp da TSU do trabalhador iria resolver (parcialmente) a falta de competitividade da nossa industria exportadora e dar a volta ao chumbo do Tribunal Constitucional ao corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados e reformados.
Mas o Portas, aproveitando-se da onda, ficou contra pelo que essa medida não pode avançar.
Como fui eu que propôs a transferência da TSU, agora terei que ser eu a propor uma alternativa válida ao chumbo desta medida.

Este post tem que chegar rapidamente ao Coelho que está à rasca.
Estimado Coelho,
Toda a gente o sabe que o Portas é um animal que cheira muito a vinho.
Sempre o soube pelo que agora recebeste uma das maiores facadas que é possível apanhar mas tens que dar a volta porque não existe alternativa a essa pulhice.
Vou-te ajudar avançando com uma politica alternativa.
Vamos a isso.

O que vais dizer sobre o Portas.
Quando te perguntarem se está rompida a lealdade política dizes:
    - Toda a gente sabe como é o sr. ministro Paulo Portas.
    - É muita boa pessoa, em privado é muito agradável e com muito sentido de humor, mas tem um certo tique de que é o chefe do governo.
    - Temos que ter paciência e levá-lo com jeito.
    - No final, isto não teve importância nenhuma porque toda a gente já estava à espera que acontecesse e ele sentiu-se importante.
    - Continuamos muito amigos e já esqueci este incidente que já pertence ao livros da História.
    - Agora é preciso avançar com medidas que substituam a transferência da TSU do empregador para o trabalhador e que respondam à situação de necessidade do país.

Aqui vão as medidas:

Artigo 1.º - O horário de trabalho aumenta 5 horas por semana.
1 - O horário a tempo completo dos trabalhadores por conta de outrem do sector privado passa de 40 para 45h/semana e do sector público passa de 35 para 40h/semana.
2 - Nos contratos em que está prevista uma certa divisão do trabalho (por exemplo, "um máximo de 9 horas por semana lectivas"), essa divisão aumenta proporcionalmente (passará a "um máximo de 10h17m por semana lectivas").

Este artigo atinge o objectivo da diminuição dos custos do trabalho.
e é mais justo que a transferência da TSU porque também se aplica aos que têm salários mais baixos.
Este artigo induz um aumento do esforço do trabalhador mas leva a uma diminuição em 11% dos custos do trabalho.

Artigo 2.º - O empregador pode passar os contratos de trabalho, precário ou efectivo, para tempo parcial.
1) Para um salário inferior a 600€/mês,  mantém-se o contrato a 100%.
2) Para um salário superior a 1100€/mês,  o contrato pode passar para um mínimo é 85%.
3) Para um salário entre 600€/mês e 1100€/mês, inclusive, o contrato pode passar para um mínimo de:
         85% + 0.0003 x (1100 - Salário)
4) O trabalhador que veja o seu contrato reduzido de 100% mantém o direito ao suplementos como o "subsídio de exclusividade".
5) Os contratos a tempo parcial podem ter uma redução proporcional ao previsto em 1), 2) ou 3).
6) Esta redução aplica-se individualmente.

Este artigo acautela as pessoas com menores rendimentos.
Além disso, fica acautelado que nas empresas dos sectores dos bens não transaccionáveis (que estão a ver as suas vendas a reduzir) o aumento do horário de trabalho leve a despedimentos.
Também é uma forma de a empresa beneficiar os trabalhadores mais produtivos.

Artigo 3.º - Os funcionários públicos e os das empresas públicas passam os seus contratos ao mínimo previsto no artigo 2.º
1) São repostos os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e das empresas públicas como previsto no acordão do TC.

Ao reduzir o contrato ao mínimo previsto no art. 2.º, consegue-se repor os subsídios e, mesmo assim, evitar o aumento da despesa pública em pessoal.

O mais difícil é a Segurança Social.
Como não é possível aplicar um aumento do tempo de trabalho aos reformados e aposentados, não se lhes pode aplicar as mesmas normas que aos trabalhadores no activo.
No entanto, em termos de sacrifício,cortar no valor será equivalentes ao aumento do horário pelo que não haverá violação do princípio da igualdade.
Consegue-se não violar o "princípio da confiança" explicitando que a Segurança Social está em bancarrota havendo necessidade, par anão penalizar os mais desfavorecidos, de aplicar um corte às pensões e reformas de maior valor.

Artigo 4.º - Os reformados e aposentados sofrerão uma redução que agregue o corte dos subsídios e a dos "10%" aplicada aos funcionários públicos em 2011.
1) Para uma reforma inferior a 600€/mês,  mantém-se o contrato a reforma e pensão a 100%.
2) Para uma reforma superior a 1100€/mês,  o contrato pode passar para um mínimo é 75%.
3) Para uma reforma entre 600€/mês e 1100€/mês, inclusive, o contrato pode passar para um mínimo de:
         75% + 0.0005 x (1100 - Reforma)

  Já está resolvido o gravíssimo problema do Portas.
(Esta conversa foi captada pela escuta que tenho no gabinete do Coelho)
 - Estás aí Gaspar? Anda cá que a coisa da TSU já está resolvida.
 - O quê? Mas isso não tinha solução.
 - Anda cá, chama o Álvaro e o Crato que, para comemorar, vamos dar umas voltas com umas gajas que conheci quando fui cantar à homenagem ao Paulo de Carvalho.
 - Mas valem alguma coisa?
 - Anda cá ver a foto no meu telemóvel. São umas malucas.
 - Mas como vais dar a volta ao Portas?
 - Eu depois digo-te. Já agora, liga ao Portas pá que é um porreiraço e ao D. Duarte que parecem irmãos gémeos. Pensam ambos que são o Rei de Portugal.
 - Láááááá, Lá rá rááááá, Lá rá ráááááá, Li, Lóooooo


Fig. 1 - Vai ser uma noite a cantar ópera. Se calhar também era boa ideia levar o Macedo.

É por demais evidente que descer os custos do trabalho diminui o desemprego.
(Dou-te mais estas pistas para argumentares contra os comunas da comunicação social.)
Se pensarmos uma empresa individual, o trabalho ficar mais barato vai diminuir os custos de produção o que permitirá que essa empresa baixe o preço relativamente à concorrência, vendendo mais e precisando de mais trabalhadores.
A rentabilidade da empresa também aumenta (o seu lucro) o que lhe permite pagar os juros mais elevados que agora são exigidos.
Também, por o capital ficar mais rentável, a empresa capta mais capital podendo investir em nova capacidade produtiva (não só em quantidade como em qualidade).

Agora, é apenas estender este raciocínio a todas as empresas.
Bem sei que os comunas e os chéchés dizem que isto não pode ser estendido a toda a economia porque o mercado (e os empregos) que uma empresas capta é roubado às outras empresas.
Mas nós estamos em "economia aberta" havendo exactamente necessidade de "roubar" cota de mercado e empregos aos alemães e demais nossos parceiros comerciais.
Nós precisamos aumentar as nossas exportações e diminuir as nossas importações.
E mesmo o sector dos bens não transaccionáveis, como fornecem inputs ao sector dos bens transaccionáveis, uma diminuição dos seus custos de produção também favorece as exportações.
Por isso, é fundamental diminuir os custos do trabalho para as nossas empresas serem capazes de produzir a um custo menor que o actual "roubando" assim a cota de mercado e empregos às empresas do exterior.

Se nada for feito, o desemprego vai atingir rapidamente os 20%.
Não é bom estar sempre com previsões optimistas que depois saem erradas.
É preciso dizer a verdade ao povo.
É preciso revelar que a taxa de desemprego vai ultrapassar os 20% da população a curto prazo.
É melhor dizer que vai ser 20% e ficar em 18% que andar a insistir nos 16%.

1) O desemprego aumenta a despesa em Subsídio de Desemprego.
Não há dinheiro pelo que vai ter que ser ainda mais cortado.

2) O desemprego reduz a colecta de impostos.
Como não há dinheiro, será preciso aumentar ainda mais as taxas de imposto sobre os que ficam a trabalhar.

Pedro Cosme da Costa Vieira

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Passos, aguenta-te em cima dos cornos do touro.

Amigo Passos, estamos na bancarrota mas há razões para estar optimista.
Se não fosse a bancarrota, o Sócrates ainda lá estava e só terias oportunidade de ir a eleições em 2013.
O mais provável era não chegares lá.
Com a Bancarrota, já és primeiro-ministro há mais de um ano.

A Ferreira Leite.
Se a mulher percebesse alguma coisa de Economia e tivesse algum tacto político tinha ganho as eleições em 2009 quando foi a jogo com o Sócrates. Mesmo com a bancarrota já bem visível no horizonte, deu tantos tiros nos pés que conseguiu a proeza de perder estrondosamente. Se não fosse isso, ainda andarias por aí pois não teria aparecido a oportunidade de te candidatares a secretário geral do PSD.

Os pulhas do PPD.
Os teus companheiros do PPD-PSD, Rui Rio e companhia, quando viram a Ferreira Leite totalmente  derrotada, anteciparam que o Sócrates ia lá ficar os 4 anos.
Então, fizeram a maldade de te deixar ser secretário geral do PSD para brincarem contigo como o gato brinca com o rato antes de o comer.
Depois de terem feito a maldade de nem te terem metido a deputado, pensaram que irias ser o bombo da festa a andar atrás dos deputados apaniguados da Ferreira Leite só para tentares apanhar um minutinho na Comunicação Social a encerrar o telejornal da meia noite.
De um lado, apanhavas pancada do Sócrates, ias a responder e, do outro lado, apanhavas da Ferreira Leite e dos seus cães de fila.
Depois de estares bem batido, ias ao tapete e aparecia o Rui Rio como o salvador da pátria.
Até o Alberto João já falava em suceder ao Sr. Silva.
Como a coisa lhes saiu completamente furada, agora estão completamente danados.

Agora apanhas pancada mas tens que te aguentar.
Pois é melhor apanhares pancada enquanto primeiro-ministro que apanhares como bobo da festa dos donos do PSD.
Calculo que, se fizessem uma sondagem entre os "notáveis"  PSD (aqueles que aparecem na Comunicação Social), não tinhas nem 5% dos votos.

Fig. 1 - Passos, repara que o homem não largou a espada. Aguenta também que vais no caminho certo.

Tens que ter paciência com o Seguro.
O homem apenas está a levar à cena o papel que estava traçado para ti. O Sócrates e demais bandalhada dá-lhe pancada à força toda até o Seguro ir ao chão desacordado. Depois, quando se levanta do KO, vem meio estremulhado e nem sabe o que diz:
      -Quanto são? Quantos são? Agarrem-me senão eu mato-os. Um a um, mato-vos todos.
Diz a mulher  
      -Óh home, não dês cabo da tua vida. Deixa o tocas e esses bancarrotistas irem à vidinha deles.
Volta o Seguro
      -Dei-lhe poucas ... filhos da p**a ... e tu, Passos, também vais apanhar.
Ouve-se gargalhada geral vinda da bancada do PS.

Vamos agora à TSU.
Esta foi a explicação que dei à minha mãe que tem 81 anos, faz hemodiálise e está meia choné. No final disse.
- Meu filho, escreve isso que me disseste para ajudares o Passos que ele é tão boa pessoa e está à rasca.
- Arrasa essa velhadas que queria acabar com a hemodiálise para quem tem mais de 70 anos acabando com a minha vida que já está no fim.
- E esse Cavaco não foi o que meteu a austeridade a tiro num jovem na Ponte de Salazar?
- Essa Ferreira Leite e o Cavaco estão mais chonés que eu.
Tenho que fazer a vontade à minha mãe.

De que ciência resultaram os 11% para os empregados e os 23.75% para os patrões?
Ninguém é capaz de dizer qual a lógica de os trabalhadores pagarem 11% do seu salário para a Segurança Social.
Quem é que se lembrou destes números?
Qual a argumentação lógica é que essa pessoa usou para que saíssem estes números?
Porque é que não foi escolhido 5%, 10% ou 15%?
E qual a lógica de os patrões pagarem 23.75% e não 24%?
E porque não ser como os recibos verdes em que o trabalhador paga 29.6% e o patrão 5%?
Diz lá Bagão que foste ministro dessa merda, porque cobravas 11% aos trabalhadores?
 .........(respondeu pelo telefone e não se ouve bem)

Háaaa
Porque era costume cobrar-se essa taxa.
Também durante muito tempo foi costume bater nas mulheres e dizer que o Sol andava à volta da Terra.
E a paneleiragem foi uma doença durante milhares de anos.
E os pretos evoluíram dos macacos e os brancos vieram de Adão e Eva.

Fig. 2 - Ui! Afinal os macaco é que são branco. Os branco é que é os macaco.

Será que a TSU tem impacto no desemprego?
Parece unânime que as alterações na TSU alteram o desemprego. Mesmo que a maioria dos comentadores diga que aumenta o desemprego, não há dúvida que altera.
Se, por exemplo, o Passos Coelho decidisse alterar a quantidade de peixes que os pescadores desportivos podem pescar de 10kg/dia para 12kg/dia, ninguém diria que tinha impacto no desemprego.

Será que a actual TSU é a óptima?
Se ninguém sabe como foram escolhidos os números actuais, é impossível que sejam os óptimos.
Mas vamos imaginar que é são os óptimos. Então, ao mudar do patrão para o empregado, como não existem restrições aos aumentos dos salários, automaticamente, o salário nominal aumentará para corrigir a redução do salário recebido.

Não viram o Cristiano Ronaldo?
O jovem fez um contrato a ganhar 12milhão/ano e, porque paga 20% de IRS, recebia 9.6milhões por ano. O Rajoy subiu o IRS para 40% e, automaticamente, tiveram que refazer o contrato do moço subindo-lhe o ordenado para 16 milhões. Se não recebesse em 2013 os mesmo 9.6 milhões, o Real Madrid tinha que arranjar outro para jogar.
Isto é que é um ordenado de equilíbrio.

Fig. 3 - Irina, as tuas mamocas ficaram como as da Aparício. Mas nada de brincadeira porque estou triste.

 aumenta aTSU aos empregados quem quiser.
Se o Belmiro acha que aumentar a TSU dos trabalhadores e diminuir a dos patrões é mau, então que pague a diferença aos seus colaboradores. Vai a todos os empregados da Sonai e paga os 7% que o Passos quer roubar. Nem que seja "em cartão".

Aumentar a TSU dos empregados e diminuir a dos patrões aumenta o desemprego?
Se for verdade esta tese que tantos têm saído a terreiro defender, como o valor actual da TSU não é o óptimo, então tem que se fazer o contrário.
Esses terão a concerteza que reduzir a TSU dos empregados para 6% e aumentar as dos patrões para 30% vai combater o desemprego.

Imagine que está com os olhos fechados e quer ir molhar os pés ao mar.
E dá um passo e imediatamente dá conta que está a subir. Então, concerteza que o mar fica para o outro lado.

Não é verdade que uma redução dos salários implica uma diminuição do rendimento das famílias.
É certo que diminui o rendimento que quem está empregado mas o rendimento das famílias é feito pela soma dos que estão empregados mais os que estão desempregados e passam a estar empregados.
Trabalhos aturados dizem que, uma redução dos salários
Se a taxa de desemprego for maior que 6% da população activa, induz um aumento do rendimento das famílias.
Se a taxa de desemprego for menor que 6% da população activa, induz uma redução do rendimento das famílias.

Vamos supor que há 80 pessoas a ganhar 1000€/mês e 20 que não ganham nada.
Então, o rendimento das famílias é de 80000€/mês.
Agora, se o salário descer para 950€/mês, o emprego vai aumentar para 90 pessoas passando o rendimento das famílias a ser 85500€/mês.

A argumentação desses que já foram ministros é completamente aloucada.
Ouvir o Ferreira Leite ou o Bagão Felix dizer tanta asneira leva-me a compreender porque chegamos à bancarrota.
Não estamos a salvo de um governo populista e aloucado por o PSD ter ganho as eleições pois estes dois  não dão uma para a caixa. São piores que o Sócrates.
E no PSD e no CDS há pelo menos 10 mil do calibre destes dois.
Portanto, baixar os salários, diminui o rendimento disponível das famílias pelo que diminui o consumo.
Como diminui o consumo, as empresas deixam de produzir aumentando o desemprego.
Então, para resolver a nossa crise é preciso:

AUMENTAR OS SALÁRIOS PARA 16 MILHÕES POR ANO
Não é assim muito. Ficamos todos a ganhar tanto como o Cristiano Ronaldo.

Fig. 4 - Os políticos da geração do 25 de Abril de 1974 não dão conta que o tempo deles já passou.
Já estão todos reformados por limite de idade. Os Lares estão cheios de gente mais nova que a Ferreira Leite e o Cavaco.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A transferencia da TSU é uma medida positiva

O PS e toda a gente arregimentada pela comunicação social dizem mal.
Mas estava escrito no Memorando de Entendimento "negociado" e assinado pelo Sócrates que

"o OE 2012 incluirá uma recalibragem do sistema fiscal que seja neutral do ponto de vista orçamental, com vista a reduzir os custos laborais e a promover a competitividade [Outubro de 2011]" (ver um post mais detalhado).


O Sócrates assinou o Memorando mas nunca pensou que o iria cumprir. Recebia a massa e chapéu.
Mal assinou, veio negar que lá estivesse tal coisa rematando posteriormente de Paris que "pagar a dívida é uma brincadeira de crianças".
É como o fulano da Madeira, do PSD, que assinou mas, assim que apanhou lá a massa, recomeçou logo a disparar que quer a independência e que não pensa em pagar aos cubanos.
Está a acontecer o mesmo na Catalunha e na Sicília.
No fundo, a caloteiragem está no nosso ADN latino.

Fig. 1 - O quê? O senhor jornalista deve estar burro porque eu não assinei nada disso.


O Passos, vendo-se apertado, teve que avançar com o corte da TSU para 2013.
Apesar de no ano passado ter conseguido escapar afirmando que o mercado de trabalho iria ajustar por si, agora, de joelhos frente à Troka, fez mea culpa e avançou com um cortesito.
Queria o Passos acreditar que, mesmo estando proibido pela lei, os salários iriam diminuir por si.

Como vai ser a medida que desce os custos do trabalho.
Em 2013 os patrões vão pagar menos 5.75% do salário de TSU (uma redução de 23.75% para 18%) e os empregados pagam mais 7% do salário (de 11% para 18%).
Como, por cada 100€ de salário nominal, o patrão paga cerca de 130€ (porque acrescem o seguro, o subsídio de refeição e a TSU), o corte de 5.75pp representará uma diminuição dos custos do trabalho em certa de 4.5%.
Naturalmente que essa redução implica que os trabalhadores vão receber menos dinheiro.

Teria sido melhor aumentar a meia hora de trabalho por semana.
Mas, há um ano, os esquerdistas berraram, o Passos acagaçou-se e recuou.
Na altura já toda a gente estava preparada para a medida que era má mas esta, em comparação, é muito pior porque mexe directamente no bolso de cada um.
Se o aumento do horário de trabalho avançasse, os que argumentaram contra porque "era um roubo" deveriam ficar mais contentes porque agora alegam que a transferência da TSU é um roubo que vai reduzir o consumo.
O problema é que, o ano passado, a demagogia venceu e este ano a marretada vai cair na mesma mas muito mais pesada porque traz juros.

Os esquerdista e intelectuais da treta querem que a galinha viva e que a raposa não passe fome.
Mas isso só é possível com a ajuda do Pai Natal e da Fada Madrinha.
Se os custos do trabalho precisam diminuir porque não produzimos o suficiente para o que ganhamos então, essa diminuição tem que cair na cabeça de alguém.
Uma hipótese era cair na cabeça dos alemães mas o problema é que eles não deixam.
Então, só sobra aparar a marretada com a nossa cabecinha.

Será que a medida vai aumentar o emprego?
Concerteza que sim.
Mas os comentadores estão completamente errados na análise porque não fazem ideia do que se está a passar na nossa economia e o que se irá passar durante o período de ajustamento.
A Comunicação Social parece que só quer comentaristas ignorantes que possam dizer mal de tudo o que o Passos faça.
E isto aplica-se desde o Bagão Felix, ao Belmiro de Azevedo passando por professores universitários que continuam a anunciar as teorias milagrosas do crescimento que foram tão sabiamente utilizadas pelo Sócrates e o seu mentor Teixeira dos Santos e que nos levaram à bancarrota.
Vejamos os erros conceptuais.

Primeiro erro - O consumo e a produção.
Os comentarista baseiam-se na tese de que o consumo é o fundamental para a economia.
Está errado porque o importante é a produção.
Toda a gente quer consumir mas apenas o pode fazer se houver produção.
Diz o povo na sua sabedoria: Se ninguém fizer filhos, não pode mais haver casamentos.

De onde vem o rendimento disponível?
O rendimento é apenas um mecanismo de distribuir o que se produz tipo senhas de racionamento.
Se se produzem 1000kg de arroz, podem-se distribuir 1000 senhas de racionamento que vão dar a um consumo de 1000kg de arroz.
Se a produção for  500kg de arroz já só se podem distribuir 500 senhas que vão dar a um consumo de 500 kg de arroz.
Se a produção for  500kg de arroz e se distribuírem 1000 senhas, o consumo será na mesma apenas 500 kg de arroz pelo que haverá uma desvalorização das senhas de forma que vão ser precisas 2 senhas para comprar 1kg de arroz: é a inflação que não causa qualquer multiplicação de arroz.


O nosso problema é que se produziam 875 kg de arroz e se distribuíam 1000 senhas.
Para se poder consumir 1000 kg de arroz e não haver inflação, Portugal endividava-se em 125€ no exterior para pagar o consumo excedentário (os 125 kg de arroz importados), que se foi somando até mais ninguém nos emprestar mais um euro.
Agora temos que reduzir de 1000 senhas para 825 senhas (ou menos para podermos pagar as dívidas acumuladas no guterismo-socratismo).
Fig. 2 - Primeiro produz-se arroz e só depois é que se pode comer arroz

Segundo erro - O Estado cobra menos impostos que os serviços que retribui ao Povo.
Nós pagamos impostos mas o Estado retribui à sociedade mais do que o dinheiro que pagamos.
Por isso é que tem défice.
Como ninguém quer emprestar mais dinheiro ao Estado, ou se corta na despesa (na saúde, ensino e nas reformas pois são as rubricas que acumulam as fatias de leão da despesa pública), ou se aumentam os impostos.
Cortar na despesa é muito doloroso e aumentar os impostos é terrível mas alguma coisa tem que ser feita porque não há quem financie o défice do Estado.
Se dizem que o Estado é ineficiente e só dá aos graúdos e aos amigos então, os transportes, a televisão e tudo em que o Estado tem a mão tem que FECHAR.

Terceiro erro - o ajustamento é microeconómico e não macroeconómico
Os comentadores raciocinam em termos macroeconómicos (o desemprego em abstracto) quando tem que ser olhado principalmente no pormenor (o desemprego em cada sector) porque a nossa economia tem que se reestruturar diminuindo a actividade dos sectores para consumo interno (despedindo) e aumentar a  dos sectores para a exportação (contratando novos trabalhadores).
Vejamos com um pouco da história recente como evoluiu erradamente a nossa económica.

Em 1995, o Guterres descobriu um novo tipo petróleo: o endividamento externo
Quando se descobre petróleo, como em Angola ou na Rússia, a sua exportação faz entrar dinheiro na economia o que leva à subida do rendimento da população (salários) que induz uma dinâmica de reestruturação da economia em que o sector exportador definha e o sector dos bens não transaccionáveis aumenta (bens e serviços de proximidade que não se podem importar), por exemplo, fazem-se casas, estradas, centros comerciais, cafés e restaurantes.
O Guterres não descobriu petróleo físico mas descobriu que o Estado se podia endividar no exterior sem limite.
Em termos de balança de bens, serviços e rendimentos, no tempo de Cavaco o défice estava nos 7.5% do PIB (equivalente a um endividamento de 100€/mês por pessoa) que era compensado pelas remessas dos emigrantes e pelas transferências da União Europeia.
O guterrismo-socratismo aumentou o défice para 12.5% do PIB (equivalente a 180€/mês por pessoa).
Quer isto dizer que, em média, nos governos Guterres+Sócrates cada português teve um rendimento de  180€ por mês superior ao que conseguia produzir (ver Fig. 2).

O guterrismo-socratismo passou a injectar 8.5 mil milhões € por ano na economia.
Isto é mais que todo o petróleo e produtos agrícolas que importamos para consumo.
Portugal, directamente pelo Estado ou indirectamente por contratos com empresas, Portugal foi ao exterior buscar camiões de dinheiro que permitiu que a nossa economia passasse a produzir apenas para gasto interno.
Agora obrigaram-nos a cortar com a mama.



Fig. 3 - A balança de bens, serviços e rendimentos foi negativa em 12.5% do PIB no periodo Guterres-Sócrates (Dados: Banco Mundial)

O "petróleo" PUXOU a construção, as lojas, os centros comerciais, os cafés e os restaurantes.
Apesar de as PPPs terem começado no Cavaquismo, com o guterrismo avançaram à força toda. O argumento era que "as obras pagam-se a si próprias pelo principio do utilizador-pagador".
Foi o tempo  do Porto 2001, do Euro 2004 e, rebentou com o Guimarães 2011 onde uma incompetente recebia um ordenado tão grande que, mesmo despedida por incompetência, recebeu 1 milhão de euros num acordo secreto. Até tiveram vergonha que o povo descobrisse como funcionavam as nomeações do socratismo.


Era a política da mentira e da aldrabice.
O problema das PPPs é que, quando acabou a racionalidade económica para tanta obra faraónica feita em locais onde toda a gente sabia que nunca haveria utilizadores (como na Aí-Vai-1que liga Coimbra a Bragança), se começou a martelar os números.
O Seguro não se quer lembrar mas o Sócrates (com altos estudos desses doutores que faziam parte do desgoverno), afirmava que haveria 25 mil passageiros por dia no TGV quando, na altura, menos de 5 mil pessoas viajavam entre o Porto e Lisboa de comboio. E que o tráfego de aviões em Lisboa iria aumentar mais de 10% por ano.
Bem se vê que nada disso se verifica ou verificará algum dia.
Como os investidores não são ceguinhos, sabiam que esses números eram uma aldrabice pelo que o Estado teve que dar garantias de rentabilidade mínima para que houvesse quem fizesse esses elefantes brancos.
Agora dizem que os contratos foram ruinosos.

Um aluno meu.
Extraordinário que apenas não refiro porque está num local com acesso a informação confidencial, disse-me que os contratos feitos no tempo do Sócrates eram tão ruinosos que o Sócrates os dividia por vários instrumentos para que ninguém o soubesse.
Que o seu trabalho era investiga-los mas, havia um contrato que saia em Diário da República mas que remetia para "contratos adicionais" e para "caderno de encargo a melhorar" e com "compensações de serviço público a definir em Portaria posterior". Depois vinham os "trabalhos suplementares", a "concretização de risco adverso às condições técnicas da execução da obra", etc. etc. etc. de forma que ninguém conseguisse calcular à partida quanto ia custar de facto as PPPs.
Isto levava a derrapagens que chegavam a ultrapassar os 400%.
O Sócrates anunciava-se que ia custar 100 sabendo que ia custar 500 mas o povinho só o veio a saber agora e não quer pagar.
Foi a trafulhice política levada ao seu máximo.

Os centros comerciais e os empreiteiros cresceram com cogumelos.
As PPPs e o défice público foram os canais usados pelo Sócrates para injectar  na economia o dinheiro pedido emprestado ao exterior.
Tudo o que era construção civil, distribuição (centros comerciais e lojas), serviços públicos (ensino, saúde, RTP, transportes públicos, etc.) e serviços à população (EDP, PT, vira-ventos, magalhães, etc.) puxou os trabalhadores (aumentando os salários) à custa do sector exportador.
Como o movimento foi de "puxar" (um choque keynesiano), a economia cresceu e o emprego aumentou.
Se repararmos para a Industria, todo o esforço do Cavaco de convergir a estrutura da nossa economia para o modelo alemão (o peso da Industria em Portugal em 1995 atingiu 95% do peso na Alemanha) foi destruído pelas políticas de endividamento externo do guterrismo-socratismo (ver, Fig. 3).

Fig. 4 - Peso da Industria em Portugal versus Alemanha (Dados: Banco Mundial) 

Até vieram 500 000 ucranianos porque ninguém queria trabalhar.
Apesar de haver povo a dizer que estava desempregado, como o subsídio de desemprego era mais compensador que estar a trabalhar, foi preciso mandar vir 500 000 ucranianos para ajudar na construção das obras do regime.

Agora, é preciso reverter o processo.
Agora os empreiteiros, a distribuição e tudo que produzia bens não trasaccionáveis vão reduzir substancialmente o nível de actividade (ou mesmo fechar) mandando centenas de milhar para o desemprego.

Entretanto, o desemprego vai pressionar os salários a descer e as fabriquetas que fazem peças eléctricas e para automóveis, têxtil, vestuário e calçado e demais coisas pequenas que exportamos vão aumentar a sua actividade contratando mais trabalhadores.

Fig. 5 - Alguém carregou no botão de reverter

Esta dinâmica é microeconómica
no sentido que existem sectores que vão destruir emprego e outros sectores que vão aumentar o emprego.
Não é preciso haver crescimento para que se crie emprego. É apenas preciso que os preços e os salários relativos dos bens e serviços se alterem no sentido dos bens exportáveis.
Em termos macroeconómicos a economia continuará a contrair mas, em termos microeconómicos, a nossa economia vai-se tornando mais competitiva.

O ajustamento cria desemprego porque é um movimento de EMPURRAR.
Se tivéssemos moeda, havia uma desvalorização, por exemplo de 25%, os salários e os preços caiam em todos os sectores. Depois, a queda dos preços faria aumentar as exportações e os salários dos seus trabalhadores que puxavam novos trabalhadores do sector não transaccionável reduzindo o desemprego.
Era um efeito PUXAR (keynesiano) tal como aconteceu com o endividamento não havendo tanto desemprego.

Mas agora, como estamos dentro do Euro, o ajustamento faz-se pela redução da procura dos bens não transaccionaveis o que EMPURRA (clássico) trabalhadores para o desemprego que, posteriormente, aceitam salários mais baixos passando a ser contratados pelo sector dos bens transaccionáveis (exportadores) que podem descer os seus preços e exportar mais.

Seria obrigatório a transferência da TSU dos empregados para os patrões?
Não.
Um trabalhador quando vai para o desemprego (porque a escola faliu ou a loja fechou), tendo subsídio de desemprego fraco, vai-se sujeitar a um novo emprego noutro sector e a ganhar menos.
Terá que inicialmente ganhar menos porque a reestruturação, por exemplo, obriga um ex-professor a ser sapateiro ou construtor de automóveis e, inicialmente, não o sabe fazer bem.
Então, naturalmente o movimento de empurra do sector não transaccionável para o transaccionável vai baixar os salários mas apenas porque temos um desequilíbrio das contas externas.

Mas é positivo que aconteça esta medida sobre a TSU.
Porque como o nosso mercado de trabalho tem muita dificuldade em diminuir os salários (a lei proíbe que um trabalhador fique a ganhar menos que o rpevisto no Contracto Colectivo) mais forte tem que ser o EMPURRÃO pelo que maior será a taxa de desemprego e a contracção do PIB.
Mas, quer haja descida ou não da TSU, haja ou não alteração do código do trabalho no sentido de flexibilizar os salários, haja  ou não "neo-liberalismo" do governo, os rendimentos do trabalho vão diminui.
Tal como vão diminuir na França mesmo o Holland pregando que é contra.

Os comunistas nunca referem qual é o salário médio em Cuba ou na Coreia do Norte.
Pela ideia dos comunas, como em Cuba não entra o FMI nem a Troika, por lá o povo deve ter enormes ordenados.
Mas dizem-me que não. A minha colega de gabinete esteve em Cuba numa conferencia e disse-me:

- Tu é que devias gostar de ter ido à conferencia porque és um malandro que não quer fazer nada e a organização arranjou uma estudante para acompanhar cada conferencista. 
- Disse-me um "It has been the best euro I have ever spent in my life. This conference has been fantastic."
- Parece que a organização não podia pagar às meninas e era preciso dar-lhes um euro mas não percebi bem porque ele achou o euro tão bem empregue porque eu não tive direito a ajudante.

Fig. 6 - Se tivesses ido, era esta a estudante que te iria ajudar.

Os comunas nunca referem como tem evoluiu o rendimento das famílias venezuelanas desde que entrou o Chaves. Não têm grande capital, austeridade, Passos Coelho, Gaspar. Aquilo deve ser um fartote.

Ainda acreditam que o Pai Natal vai conseguir passar com aquele cu gordo pela chaminé do exaustor da cozinha e colocar no sapatinho tudo o que nós sonhamos ter e não podemos.

"Nenhuma empresa do PSI 20 vai criar postos de trabalho".
Dizem os comentadores que a descida da TSU não vai criar emprego nas grandes empresas.
E o Belmiro de Azevedo está danado com a medida.

Fig. 7 - Eu sou o típico grande empresário português: compro a 120 dias, meto na prateleira e vendo a pronto sem nada produzir.

Pudera. É que essas empresas são para consumo interno.
São as dos bens não transaccionáveis que viveram do endividamento e que são para mirrar.
Esses pseudo-empresários queriam mais endividamento externo para poderem continuar a vender sem ninguém precisar produzir nada que possa ser vendido para pagar as importações.
É estranhíssimo um país em que as suas grandes empresas não produzem bens exportáveis (ver tabela 1 que está um pouco desactualizada mas que dá uma boa ideia das nossas grande empresas).

EmpresaSectorPeso
Portugal TelecomComunicações15,23%
Galp EnergiaRefinaria15,19%
EDPElectricidade15,01%
Jerónimo MartinsDistribuição10,87%
BCPBanco9,72%
BESBanco6,49%
EDP RenováveisElectricidade4,84%
BrisaEstradas4,44%
ZON MultimédiaComunicações2,93%
SonaeDistribuição2,85%
CimporConstrução2,24%
PortucelPapel2,11%
SemapaConstrução1,82%
BPIBanco1,81%
RENEElectricidade1,29%
AltriPapel0,95%
BANIFBanco0,64%
SonaecomComunicações0,58%
Mota-EngilConstrução0,50%
Sonae IndústriaMadeira0,49%
Tabela 1 - As grandes empresas portuguesas produzem bens não transacciáveis (Março 2011)

A GALP ainda faz uma refinação que vende mas o Valor Acrescentado exportado não é nada de especial.

É tudo construção civil, bancos que financiam imóveis e distribuição.
Isso vai acabar. A comunicação social deveria chamar os que são realmente grandes empresários.
Aqueles patrõezecos que têm uma fabriqueta e que fazem umas merdas que exportam.
Esses, com 10 ou 20 empregadozecos é que são os grandes empresários portugueses.
Não são esses que criaram impérios baseados no endividamento da nossa economia.
Já repararam que o ar condicionado dos centros comerciais está desligado?
A seguir, é fechar de vez.

Porque eu digo que os comentadores são ignorantes.
Porque foi Schumpeter (Business Cycles: A Theoretical, Historical, and Statistical Analysis of the Capitalist Process, 1939), quem avançou com as ideias que usei acima na explicação da dinâmica microeconómica da destruição do emprego que se verifica actualmente em todo o Sul da Europa.
Não saiu da minha cabeça que é, reconhecidamente, oca.
Eles, que são muito mais inteligentes que eu, se estudassem minimamente economia, teriam ideias muito mais sólidas que o churrilho de "senso comum" mas errado que atiram para enganar o povo ignorante.

Mas o povo, mesmo ignorante, não se deixa enganar. Senão, o Sócrates ainda era primeiro ministro.
E NÃO É.
Obrigado meu povo que tanto amo.

Querem a minha análise ao comportamento do Portas?
Quer ser o candidato da Direita às presidenciais de 2016.
Mas o Marcelo também quer.
Então, há uma guerra do Marcelo para juntar os PSDistas contrários ao Passos (que são a maioria dos autarcas que têm o espírito latino de caloteiro à Sócrates) em torno do seu nome.
Por outro lado, o Portas e os CDSistas pressionam o Passos a avançar com o nome do Portas porque é mais firme o apoio do CDS-PP ao governo que o apoio dos próprios do PSD.
Isto é uma guerra para durar e o Marcelo, de forma intelectualmente desonesta, vai usar a sua tribuna de comentador para destruir o governo para arregimentar apoios.
Vão ver como a sua tónica de ataque ao governo vai começar a aumentar de intensidade.

Finalmente a morte do consul americano em Benghasi.
Foi uma covardia do Obama que não deu a ordem de resgate.
O homem morreu porque os helicópteros da sexta esquadra receberam ordens para ficar no solo a aguardar novas ordens.
Só depois de confirmado que o consul já estava morto e a ser esquartejado na rua é que chegou a ordem para o irem salvar.

Tentaram fazer o mesmo  à embaixada de Israel no Cairo em Setembro 2011.
Também o exército e a polícia abandonaram o local até que o presidente do Egipto recebeu um telefonema que foi escutado na wikileaks:

- Está, é  o Marechal Mohamed Hussein Tantawi? Daqui é o Benjamin Netanyahu.
- O meu embaixador telefonou-me a dizer que havia qualquer coisa à volta da nossa embaixada e que não está lá a polícia. Nós estamos daqui a acompanhar a coisa por satélite e por drones e estão lá 1000 gaijos com marretas a atacar-nos e realmente não estou a ver nenhum polícia.
- Será preciso a gente ir lá buscá-los ou fazes alguma coisa?
-  Para nós, mil gaijos não é nada. Basta os nossos da embaixada, se eu lhes doer ordem de saida em força, eles limpam isso num minuto.
- Mas à cautela, já lá estão 5 drones e os aviões já levantaram. Já os deves estar a apanhar no radar.
- Agora Tantawi, como sou teu amigo, dou-te 10 minutos para meteres lá segurança.
- Olha que eu estou calmo mas a gente tem fama de entrar à bruta.

Passados 5 minutos estavam centenas de soldados egipcios a proteger a embaixada de Israel.

Lembram-se daquele filme que relata o resgate dos soldados em Mogadiscio?
O Bush pai deu a ordem "matem quantos for precisos mas que não fique nenhum americano para trás".
Na caminhada, foram mortos entre 1500 e 3000 somalis.
A sequencia foi relatada no filme Black Hawk Down.

Fig. 8 - O Obama é um covarde. Muito discurso mas, na hora da verdade, não presta.

Pedro Cosme Costa Vieira.

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