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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Portugal e o Mundo estão a melhorar

O segundo resgate está à porta.
A oposição diz em peso que é preciso "re-estruturar a dívida pública" e que vai rasgar tudo o que o Passos está a fazer.
As sondagens dão poucas intenções de voto no PSD e, dentro do governo, o Passos Coelho perdeu todo o apoio (as pedras Relvas + Gaspar + Álvaro foram sendo dinamitadas).
Daqui só se pode concluir que, colectivamente, o povo português não quer cumprir as condições contratuais que foram por si livremente aceites (representados pelos antigos governantes).
Bem sei que os anteriores governantes eram uns parolos que não sabiam o que faziam mas queremos os "direitos adquiridos" que esses mesmos parolos prometeram em nome do Estado.
Nas obrigações que assumiram em nosso nome foram uns criminosos mas, na parte dos direitos que nos prometeram, já foram estadistas de grande visão estratégica.
Fig. 1 - Re-estruturação a sério é a Síria:  transformam cidades em montes de entulho para reciclar.

Apesar de má, lentamente a situação está a melhorar.
A consolidação orçamental e a economia vão evoluindo lentamente mas no sentido correcto: o défice público está a reduzir, a balança corrente está equilibrada, a economia está a crescer e o desemprego está a diminuir.
O problema do risco da dívida pública é que dos 200 mil milhões € que Estado Português deve, a Troika assumiu 40% (78 MM€). Como os 78MM€ têm garantias reforçadas, a dívida que fica na mão dos privados, apesar de menor, vai incorporando a totalidade do risco.
Se, e.g., Portugal precisasse bancarrotar 50MM€ na divida pública, nos 200MM€ seriam perdas de 25% mas, tirando os 78MM€, agora a mesma bancarrotagem implica perdas para os privados de 40%. (o hair cut).

Apesar do razoável processo de ajustamento, como o stock de divida na mão dos privados está a diminuir, apenas será previsivel observar uma diminuição significativa do prémio de risco da dívida pública se as nossas contas públicas evoluírem de forma muito favorável. Isto é, atingirem rapidamente o "equilíbrio do saldo primário" (em finais de 2013) e um défice público de 3.0% em 2015 (um pequeno resvalar no objectivo de 2.5%).

É que a bancarrotagem já está para além da nossa vontade.
Nós até podemos afirmar que queremos pagar tudo mas, ao ser obrigatório as instituições europeias assumirem uma fatia cada vez maior da nossa dívida pública, vão ser impostas perdas aos aforradores privados.
E isso já aconteceu na Grécia e no Chipre e a ideia circula pelos corredores da Europa.
Naturalmente que os aforradores ficam nervosos, sejam o "grande capital estrangeiro" ou os velhinhos que têm certificados de aforro, com a comparação com o que aconteceu na Grécia e em Chipre.

E qual será o impacto do "perdão"?
Os privados que têm grande parte da nossa dívida pública são os nossos bancos. E já ficou acordado que as perdas dos bancos serão transmitidas aos depositantes.
O provável é que aconteça como no Chipre: primeiro, o congelamento das contas bancárias abaixo de um determinado quantitativo e, posterior, uma perda parcial desses depósitos.
A coisa vai cair no bolso de cada um de nós seja por mais impostos, menos despesa pública ou outra qualquer marretada..
Fig. 2 - Das Problem ist dass ich nicht von den Deutschen gewählt um die Portugiesen zu unterstützen. O problema é que eu não fui eleita pelos alemães para sustentar os portugueses (google.translator)
Será que tudo falhou?
Diz ainda o Chilavert que "Todas as soluções aplicadas por FMI, BCE e Governo falharam!". O problema é exactamente ao contrário: as soluções propostas pela Troika não foram sequer implementadas.
"A meu ver, grande parte das soluções do governo não foram sequer aplicadas porque foram contrariadas pela opinião pública (ex: TSU) ou pelo TC (diversos cortes na despesa). Pior ainda quando se fala nas soluções da troika, pois muitas destas, constantes do acordo, nem sequer foram seriamente tentadas pelo governo (ex: fusão de municípios, venda da RTP, TAP). Eu ainda estou à espera que as soluções do governo e da troika venham a ser aplicadas - e só aí é que poderemos concluir se resultaram ou falharam." (Portuendes)

As metas assinadas pelo Sócrates (que não tinha qualquer intensão de respeitar) nunca foram atingidas porque o Governo não conseguiu cortar suficientemente na despesa nem  aumentar os impostos. Foram apenas umas tentativas tímidas que, mesmo assim, saíram de conselhos de ministros tumultuosos. Não nos podemos esquecer que o Gasparzinho saiu porque a Moção de Estratégia do Portas ao congresso do CDS fazia dele o bombo da festa.
O Sócrates assinou que teríamos um défice de 3% do PIB em 2013, o governo vai atingir 6.0% e ainda assim os esquerdistas conseguiram convencer o povo que os cortes foram maiores que o previsto no Memorando assinado pelo Sócrates.
Para 2013 faltam 5000M€ relativamente aos cortes que em 2011 o Sócrates prometeu à Troika.
 
É preciso ser cego e não querer ver.
O Hulk ter dito no túnel da Luz "agarrem o Hulk senão eu mato o cara", foi gravíssimo e merecedor de meses e meses de suspensão. O Jesus ter literalmente batido em polícias (as mãos dos polícias também  são polícias), não foi nada.
"Estava só a proteger o minino"
A argumentação do Seguro é que, quanto mais o governo poupar, menos poupa. Então, quando o PS for governo, quanto mais gastar, menos gastará.
 
Imaginemos um gordo. Quando comemos, a digestão gasta calorias. Então, se comermos mais, gastamos mais calorias. Daqui, conclui o Seguro que quem quiser emagrecer tem que comer mais.
É preciso ser louco para acreditar nisto mas ele está convicto e o povinho quer acreditar.
 
Fig. 3 - Se queres emagrecer, come mais pois a digestão gasta calorias
 
Em 2011 a conta era fácil de fazer.
Se Portugal tinha um défice público de 10% do PIB, 17MM€/ano, e a despesa pública era de 50% do PIB então, a despesa tinha que diminuir 11.3MM€ e o a receita aumentar 5.7MM€ (tinha sido acordado que 2/3 do ajustamento seria do lado da despesa).
Se somarmos a isto o efeito recessivo da correcção do défice externo de 11% do PIB (e não das contas públicas que têm um efeito neutro), estamos a falar em cortes e aumentos da receita ainda superiores.
Muita gente fez esta conta, desde o Cantiga Esteves ao Silva Lopes passando pelo Medina Carreira mas ninguém quis acreditar, mesmo antes de o Passos formar governo.

Mas o nosso ajustamento externo tem sido extraordinário.
Todos sabemos que a correcção das nossas contas externas tem estado associado a uma contracção do PIB mas temos que comparar com a Grécia para ver se o nosso ajustamento tem sido ou não um fracasso.
O desequilíbrio face ao exterior de 11% do PIB era gravíssimo porque implicava mais endividamento externo. vivíamos bem porque, anos e anos a fio, cada português endividou-se face ao exterior em 150€/mês.

Fig. 4 - As nossas contas externas tinham um défice de 11% do PIB.

Naturalmente que menos 600€/mês de endividamento externo em cada família de 4 pessoas tem uma efeito negativo no PIB. Considerando o PIB per capita, a nossa perda foi, até finais de 2012, de 5%..

Fig. 5 - Apesar de tudo, o PIB per capita português só contraiu 5% e já está a crescer.

É fácil calcular que a correcção foi conseguida com um "efeito multiplicador" ligeiramente menor que 0.5 (cada correcção de 1% do PIB implicou uma perda do PIBpc de 0.46% do PIB).

Vamos comparar com a Grécia. 
A Grécia precisou corrigir um défice das contas exteriores ligeiramente superior ao nosso, 14% do PIB, 230€/mês por cada pessoa. Não será preciso ter grandes conhecimentos de economia para prever que reduzindo-se o financiamento de cada família em cerca de 1000€/mês, o povinho ficou grego.

Fig. 6 - A Grécia precisou corrigir um défice externo de 14% do PIB.

Esta correcção foi acompanhada (até finais de 2012) por uma contracção do PIB per capita de 20%, quatro vezes a nossa perda..
  
Fig. 7 - O PIB per capita grego já contraiu 20% e continua em queda.
É verdade que o PIB pc da Grécia ainda é ligeiramente superior ao nosso mas estamos a convergir.

Então, na Grécia o "efeito multiplicador" foi de 1.4 (cada correcção de 1% do PIB implicou uma perda do PIBpc de 1.4% do PIB), o triplo do "efeito multiplicador" verificado em Portugal.
Temos que concluir que, em comparação com a Grécia, o nosso ajustamento das contas externas foi um grande sucesso.
  
E as contas públicas estão a evoluir benzinho
Tínhamos um défice de 10% (em 2009/2010) e fechamos 2012 com 6.4% (uma consolidação de 1.8% do PIB por ano).
Apontamos para 2014 um défice de 4% do PIB que traduz uma consolidação no período 2013/4 de 1.2% do PIB.
Lentamente, o Passos tem levado a água ao moinho.
  
Pergunta ainda o Chilavert
"Será que todos os portugueses vão ter de pagar pela incompetência das "elites" e serão os únicos castigados pelo falhanço do projecto UE?"
O primeiro problema é que a incompetência tem um impacto positivo nas nossas vidas.
São as pensões chorudas aos 52 anos de idade daqueles que anunciam na TVque "sustentam com a pensão a filha e genro que não trabalham e o neto toxicodependente.
São os empregos garantidos e bem remunerados de centenas de milhares de professores e demais funcionários públicos.
São as empresas públicas a fornecer serviços a preço de saldo.
São as estradas e autoestradas para tudo que é sítio.
É a assistência médica universal e gratuita.
É um ensino de qualidade e gratuito.
O problema é isto tudo ser feito sem qualquer preocupação quanto à capacidade do nosso pequeno país gerar riqueza suficiente para o manter.
 
O segundo problema é que a incompetência das "elites" pode ser corrigida.
É cortar tudo o que o Estado prometeu sem ter possibilidade de lhe dar cumprimento.
O Passos Coelho não se deve esforçar a convencer o Tribunal Contitucional de que é constitucional cortar 10% nas reformas dos funcionários públicos ou descer os salários dos funcionários públicos.
Tem é que pedir a declaração da inconstitucionalidade das leis e diplomas que instituíram as regras de aposentação dos funcionários públicos sem atender às receitas potenciais.
Tem é que pedir a declaração da inconstitucionalidade de todas as leis e decretos que permitiram contactar para o quadro funcionários públicos com salários e condições melhores que os trabalhadores privados.
Tem é que pedir a declaração de que assumir encargos com "direitos adquiridos" viola o Principio da Confiança de que o Estado não vai onerar os contribuentes futuros com encargos insuportáveis.
Se não é possível mudar um "direito adquirido" que é financeiramente insustentável então, a constituição desse "direito" é declaradamente inconstitucional.

Não foi a UE que falhou.
Fomos nós que quisemos acreditar que tínhamos direito a ter um nível de vida superior ao dos alemães sem sabermos fazer nada de valor.
De repente, nós e a Grécia, tornamo-nos em califados árabes mas em que o petróleo foi substituído pelo endividamento externo.
Eu ainda me lembro de não sei quem (penso que o Sócrates mas também pode ter sido o Cavaco, a Ferreira Leite, o Portas ou outro parolo qualquer) dizer que tínhamos todas as condições para nos tornarmos a região mais rica da Península Ibérica.
Agora só temos que nos desconvencer dessas idiotices e colocarmo-nos na posição que sempre foi a nossa: um país de riqueza intermédia.
Por mais que não queiramos meter nas nossas cabecinhas, em cada 7 pessoas que existem no nosso planeta, 6 delas têm um nível de vida inferior ao nosso. E o nosso nível de vida é 60%  do rendimento médio dos 40 países mais ricos do que nós:
  
PaísPIBpc, PPCPop.PaísPIBpc, PPCPop.
Qatar326%1,7Finland148%5,4
Luxembourg319%0,5Japan143%127,6
Singapore236%5,1France138%65,0
Norway220%4,9Bahamas, The128%0,4
Brunei Darussalam212%0,4Spain126%46,0
United States197%309,1Italy126%60,4
Kuwait196%3,0Korea, Rep.123%49,5
United Arab Emirates182%8,2Equatorial Guinea122%0,7
Switzerland182%7,8Israel122%7,6
Ireland174%4,5Slovenia118%2,0
Netherlands172%16,6New Zealand117%4,4
Austria166%8,4Saudi Arabia117%27,3
Canada165%34,1Cyprus117%1,1
Australia162%22,0Oman113%2,9
Iceland159%0,3Czech Republic110%10,5
Sweden159%9,4Greece110%11,3
Germany157%81,9Trinidad and Tobago109%1,3
United Kingdom153%62,3Malta106%0,4
Belgium153%10,9Bahrain101%1,2
Denmark152%5,5Portugal100%10,6

 Quadro 1 - Só 1 em cada 7 pessoas do Mundo vive em países com um PIB per capita, paridade de poder de compra superior ao nosso (dados, Banco Mundial, média 2008-2012)
 
E o que nos espera o futuro?
É aplicar o que o Sócrates assumiu com os nosso credores.
Apesar de já muita coisa ter sido feita, o caminho a percorrer ainda é longo e cheio de espinhos porque estamos atrasados 2 anos.
Na construção do OE para 2014 vai ser preciso cortar 2500 milhões € relativamente ao estamos a viver em 2013.

Retomar os cortes dos subsídios.
O Governo não pode desanimar com o chumbo do Constitucional do corte do subsídio de férias.
Tem que voltar a atacar este corte ultrapassando a questão da "violação do principio da igualdade".
O mais fácil será reduzir os subsídios de férias e de Natal a meio salário em todos os contractos de trabalho sejam públicos ou privados. É um corte de 7.14%..
Vamos supor que o Governo não quer que o corte seja igual nos salários mais baixos. Então, pode fazer uma redução na TSU dos salários mais baixos, por exemplo, no SMN a TSU passar de 11% para 6%..
Esta medida terá um impacto na despesa na ordem dos -1300M€.

Um novo aumento de impostos.
O IRS e o IMI subiram em 2013 pelo que vão descansar um anito.
Em 2014 vai ser o ano do IVA vai ter que subir dos 6% / 13% / 23% para os 8% / 15%  / 25%.. Esta medida tem um potencial impacto na receita fiscal na ordem dos +1000 milhões €.
Mais uns cortes aqui e outros acolá e a coisa vai ao sítio.

Privatizar e liquidar empresas públicas.
Para 2015 será preciso que o plano de saneamento das empresas públicas ganhe força.


Flexibilizar o mercado de trabalho.
Apesar de já ter sido feito bastante, a nossa Lei do Trabalho ainda de avançar mais, convergindo para o que nas economias mais avançadas como os Estados Unidos da América, Reino Unido ou Alemanha.
1) Possibilidade de redução, por acordo, dos salários.
2) Possibilidade de flexibilizar, por acordo, o horário de trabalho.
3) Flexibilizar, por acordo, as condições do contracto de trabalho.

Fig.  8 - Tornarmo-nos flexíveis exige esforço mas, em caso de tensões, evita lesões

O relatório do FMI.
Toda a gente sabe que "tomar medicamento a mais" mata o paciente. Quando nos doí a cabeça, se tomamos 50 caixas de aspirina, naturalmente que vamos rebentar com o nosso estômago.
Então, o FMI dizer que o excesso de consolidação orçamental tem um efeito negativo na economia não é novidade nenhuma.
A questão está na quantificação do que é "excesso de consolidação orçamental". Os estudos indicam que será uma consolidação acima de 2% do PIB a cada ano.
No caso português, estamos a consolidar um défice público de 10% do PIB (em 2009 /2010) à razão de 1.8% do PIB no biénio 2011/12 e de 1.2%  no 2013/4 (previsto) o que está claramente abaixo do limite dos 2%/ano..
Assim, não é preciso ter medo da "espiral recessiva" do "excesso de austeridade" pois o nosso programa de ajustamento é adequado e vai no bom caminho.

Finalmente, o progresso no Mundo.
As notícias que passam na comunicação social são só tragédias mas é informação enviesada para a desgraça. De facto, nunca o nível de vida das pessoas à escala mundial melhorou tão rapidamente como se tem observado nos últimos anos.
Pegando em dados do Banco Mundial, desde 2010 o PIB pc ppc está a aumentar 4.5%/ano (usando a população como ponderador na agregação dos países). Isto traduz que a cada 15 anos, o nível de vida das pessoas está a duplicar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A crise, o Cavaco e o Resgate II

Quem será responsável pela actual crise política?
As principais apostas vão para o Gasparzinho, o Portas, o Passos Coelho e o Cavaco Silva mas não é nada disso.
A verdadeira culpa da crise vai para as sondagens que dizem que, se hoje houvesse eleições legislativas, o PS ganhava.
Para quê o Gasparzinho esforçar-se, o Portas perder votos ou o Passos ficar sem cabelo a fazer coisas que, havendo eleições, o Seguro vai anular?
Se o povinho quer seguir "outro caminho", o melhor é tirar férias e engonhar até ao fim do mandato.
O governo deve prometer tudo e, como fez o da Educação, adiar tudo para 2015 que logo o PS resolve como o povinho quer.

Que susto!
Reparemos num pormenor.
A crise politica implicou uma subida muito pronunciada das taxas de juro. Assim que o risco de o governo do Passos Coelho cair aumentou, a taxa de juro que estava nuns razoáveis 5.2%/ano (do dia 21 de Maio), explodiu para uns proibitivos 8.2%/ano.
A queda do governo do Passos, dizem as sondagens, levará o PS ao poder e à implementação do "outro caminho". Mas não é esse "outro caminho" o caminho do crescimento e da prosperidade? Então porque sobem as taxas de juro se vem aí esse governo formidável?
Mau.
Afinal quem nos empresta dinheiro apenas acredita que o tal "outro caminho" do PS é o mesmo caminho que foi traçado entre 2005 e 2011 e que nos levou à bancarrota de 2011.

O povinho quer continuar a acreditar na NS de Fátima.
Não se recorda o povinho que entre 2005 e 2011 o crescimento da nossa economia foi ZERO?

Antes de o Passos Coelho tomar posse
Eu previa que Portugal nunca mais conseguiria financiar-se no mercado liberalizado (ver, por exemplo, um poste de há 2 anos).
Nos primeiros meses de Passos Coelho a nossa situação financeira degradou-se muito parecendo em Jan2012 que o nosso colapso estava iminente (taxa de juro a 10 anos ultrapassou os 18%/ano) mas, como por milagre da NS de Fátima, a taxa de juro começou a cair cerca de 2 pontos base por dia (0.02 pp por dia).
Da mesma forma que tinha subido, o nosso spread relativamente à divida pública alemã foi caindo rapidamente até que, nos princípios de 2013, estabilizou num spread de 4.67 pontos percentuais.
Fig. 1- Spread da divida pública a 10Y portuguesa relativamente à alemã (Fonte: contryeconomy)

Será a actual taxa de juro sustentável?
A taxa de juro a 10 anos está nos 7.5%/ano.
Em termos históricos não é uma taxa de juro muito elevada. Por exemplo, na década de 1990 a Alemanha pagou taxas de juro acima dos 6.0%/ano (com inflação média de 2.4%/ano).
Se compararmos com o endividamento do tempo do Guterres, no seu primeiro mandato a taxa de juro chegou a mais de 10%/ano.
O problema é que agora a nossa divida pública é massiva, acima do 205 mil milhões € e tem que ser reduzida.
Para reduzirmos (com prestação fixa em termos nominais como se amortizam as casas) a divida pública a metade em 50 anos, à taxa 7.5%/ano precisamos de 15 mil milhões € por ano.
Cada português tem que pagar mais 150€/mês em impostos para amortizar a divida pública.
Em termos teóricos, é possível mas não é fácil .

O que irá acontecer nos próximos meses?
O Cavaco disse que, provavelmente, haverá eleições em meados de 2014. Se as sondagens mantiverem o PS à frente, a taxa de juro terá tendência a subir.
Chegaremos ao fim do actual resgate e não nos poderemos financiar a uma taxa de juro de 7.5%/ano.
O Cavaco pode ter prometido ao PS que 2014 poderia ser ano de eleições mas vai ter que mudar de opinião. Com o aproximar do fim do resgate ficará cada vez mais claro que quando o PS chegar ao poder quem vai governar o nosso país e com rédea curta vão ser as instituições internacionais.
Nunca, jamais poderemos ter um novo Sócrates.

Será preciso o 2.º resgate?
Não será preciso um segundo resgate quando ainda quase nada foi feito do que nos obrigamos no primeiro resgate.
O que será preciso é cumprir o primeiro memorando de entendimento, aquele assinado pelo Sócrates.
O PS quando entrar vai ter que, finalmente, dar cumprimento ao que se comprometeu

=> 4521M€, 2.8% do PIB, de défice público (previsto para 2014). Como pode o PS ter assinado no ponto 1.33 do memorando que o défice em 2014 seria de 2.8% do PIB e, depois de o Passos ter conseguido rever este números para o dobro (5.5% e a crescer), dizerem que o governo está a fazer mais austeridade que o que estávamos obrigados?.
Os do PS sabem mesmo que estão a lidar com um eleitorado verdadeiramente estúpido

=> Privatizar a TAP.
Está no memorando assinado pelo Sócrates que a TAP seria privatizada até ao fim de 2011. (ponto 3.30)

Mas há coisas que estão a ajustar.
O mercado de trabalho está a ajustar
Os dados da EUROSTAT indicam que os custos do trabalho estão, desde princípios de 2011, a descer 5% por ano (ver, fig.2). Eu não me acredito muito mas se a EuroStat diz, tenho mesmo que aceitar como verdade pois a Economia não depende da minha impressão.
Estando os custos do trabalho a diminuir então, o mercado de trabalho está numa dinâmica de ajustamento pelo que, a prazo, observaremos uma redução da taxa de desemprego.

Fig. 2 - Evolução dos custos do trabalho portugueses relativamente à ZE17 (dados: EUROSTAT)

Haverá necessidade de fazer alguma coisa no Mercado de Trabalho?
O Salário Mínimo Nacional está muito elevado.
Apesar de estar congelado há alguns anos nos 485€/mês, como o PIB tem caído, o seu valor tem subido relativamente ao PIB per capita. Os dados internacionais indicam que o SMN deve estar abaixo dos 40% do PIB pc o que implica uma redução do SMN para 400€/mês sob pena de uma percentagem grande de trabalhadores ser excluída do mercado de trabalho por conta de outrem.
Tem que haver alguma maneira de diminuir o SMN nem que seja pela subsidiação dos empregos com salários mais baixos (perdoar parte da TSU dos empregadores).

O mercados com o exterior está a ajustar
A balança corrente equilibrou estando em 2013 no nível mais elevado dos últimos 25 anos.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, 2013 será um dos 3 anos com um maior superávite da balanço corrente.
Isto é positivo.

Nota final: O discurso do Cavaco é um plágio do discurso do Jorge Sampaio quando, em 2004, deu posse ao governo do Pedros Santana Lopes + Paulo Porta
- Atenção que eu vou estar atento e, de um momento para o outro, dou-vos uma marretada que não se endireitam mais.
Só espero que o Paulo Portas tenha aprendido alguma coisa em 2004.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A reunião do Conselho de Estado

O Conselho de Estado, em teoria, serve para o Presidente se aconselhar sobre assuntos em que tenha dúvidas mas, pelo menos nas últimas reuniões, tem sido mais uma conferencia em que cada pessoa fala 10 minutos (dá 3h30m),  depois há um jantarzeco, um cigarrito e mais um período de conversa informal. O Presidente não quer conselhos mas "apenas" que a elite politica se entenda e faça menos ruido.
A última conferencia, que se chamou "Caminhos no pós-trika, da austeridade ao crescimento", teve por fim analizar para onde nos levou a "politica do crescimento" do PS dos últimos 15 anos e ver como, depois da bancarrota de 2011, nos podemos re-erguer.

Fig. 1 - Amigo Cavaco, não tenhas esperança porque a NS de Fátima nem capaz foi de safar os videntes.

Qual a tendencia de longo prazo da nossa economia?
Vamos imaginar que compramos um carro e decidimos nunca mais fazer manutenção.
Inicialmente é muito bom porque, ao não gastamos dinheiro em manutenção, temos mais dinheiro para andar a grande velocidade (que gasta mais combustivel), deixar os transportes públicos e fazer uns longos passeios de fins-de-semana à beira-mar. O problema é que, com o tempo, começa a aparecer um barulhinho aqui e outro acolá, um gri-gri que vem o motor, uma lampadazita sem importancia que deixa de dar.
Como se resolve o problema? Aumenta-se o volume do rádio e passa-se a andar em autoestrada.
Mas a natureza não perdoa e, com o andar dos kilómetros, o motor começa a aquecer e a deitar fumo preto e o carro acaba a ter dificuldade em acelerar. Para quem não quer ver, isto são problemas da crise internacional que reduz as octanas da gasolina.
Finalmente, quando ficamos parados no meio do caminho e o rebucamos para a oficina da troika, vem o veredito que há muito estava traçado: o carro tem que ir para a sucata.

De quem é a culpa?
Do mecânico que não soube dar a volta ao problema. O carro, até momentos antes de parar, tinha trabalhado sem qualquer problema, tantos e tantos kilómetros, e sem necessidade de oficina e agora, sem mais nem menos, o mecânico poe-lhe as mãos e destroi o carro para sempre.
Destroi-o completamente.

É isso, foi isso, será isso que aconteceu, acontece e vai continuar a acontecer com Portugal.
A promessa de que a Europa seria o Éden onde o consumo era o motor do crescimento economico, fez com que a poupança comessasse a diminuir. O povo começou a interiorizar que poupar era um entrave ao nosso desenvolvimento.
Do pensamento à acção vai um piscar de olhos. Elegemos o Guterres e o Sócrates, que aumentaram os impostos sobre o juros, sobre os dividendos e sobre tudo o que fizesse lembrar poupança. A estratégia era acabar com a poupança interna.
Estando nos anos 1980 a poupança liquida com um valor líquido positivo de 4% do PIB, depois de 1990 começou  a cair 0.40 pontos percentuais cada ano passando em 2003 a negativa. Isto traduz que, desde 2003, os activos dos portugueses são cada vez menos.

Fig. 1 - Evolução da poupança líquida portuguesa (poupança menos depreciação, dados: Banco Mundial)

Sem poupança não há crescimento económico.
Por mais que o Guterres e principalmente o Sócrates (quem não se lembra da promessa de criar 150 mil postos de trabalho?) tenha abandonado a austeridade do Cavaco e tenha avançado no pretenso caminho do crescimento económico baseado no consumo, os dados indicam exactamente o contrário. De forma muito clara, os dados indicam que, sem poupança, não existe crescimento económico. Considerando 1970-2011, por cada 1% do PIB que se poupe a mais, a taxa de crescimento do PIB per capita aumenta 0.72 pontos percentuais (ver, fig. 2).

Fig 2 - Relação entre poupança liquida e o crescimento do PIBpc português, 1970-2011 (dados: Banco Mundial) 

Tal como o carro foi começando a fazer barulhozinhos para indicar que a nossa politica de não gastar dinheiro em manutenção estava errada a que respondemos com o rádio mais alto, também a nossa economia começou a mostrar sinais de enfraquecimento que se esconderam com endividamento externo e gritaria política.
Desde o 25-de-abril-de-1974, cada ano que passa o nosso crescimento do PIBpc (potencial) vem diminuido em uma décima de ponto percentual. Uns anos está melhor, outros pior, mas, em tendência, tem caido continuamente até que chegou a zero. Agora, se nada for alterado, o PIB nunca mais crescerá de fora sustentável (ver, Fig. 3)

Fig 3 - Evolução do crescimento do PIB pc português (dados: Banco Mundial)


Sem gente a trabalhar, nada se produz.
Outro sinal de alarme foi o crescimento o desemprego (ver, Fig. 4). Além de vir a crescer continuamente desde a crise de 2002, a construção do guterrismo+socratismo de uma economia baseada no consumo e endividamento estava-nos a tornar menos preparados para o embate de qualquer nova crise que surgisse. E, tão certo como a morte, lá apareceu a crise de 2008.
Os dados mostram que a Troika não é a causa do nosso actual problema de desemprego pois este já vinha a crescer desde 2002 e já estava, desde 2008, com o crescimento acelerado (ver, Fig. 4).

Fig. 4 - Evolução do desemprego em Portugal (dados: Eurostat)

Claro que podemos sempre acreditar no discurso do Sócrates de que o desemprego foi causado pela crise internacional mas vou desmontar essa teoria retirando a taxa de desemprego da Zona euro da portuguesa.
Pegando na nossa taxa de desemprego relativamente à Zona euro, observamos que desde há muito anos que estamos a trilhar um caminho de divergência (ver, Fig 5). Mesmo nos "melhores anos" do Sócrates, quando nos endividamos face ao exterior à razão de 50 milhões de euros por dia, fins de semana incluídos, o melhor que conseguimos foi a estabilidade (ver, Fig. 5). Então, o nosso problema de desemprego não tem a ver com a crise internacional mas com uma tendencia de longo-prazo de destruição da economia. 

Fig. 5 - Desemprego em Portugal (dados: Eurostat)

E agora, o que discutir para o pós-troika?
É incrível como ninguém queira ver que as tendências nos encaminhavam para o fracasso total que vivemos desde 2011. Agora é preciso baixar o som do carro e ouvir todos os sinais, por mais pequeninos que sejam.

A vitória do FCP.
Aquele penaltezito não era falta para penalte mas o importante é recordar o que disse o Manuel Serrão sobre a vitória do FCP no campeonato.
A vitória é feita de pormaiores, aqueles jogadores que fazem muitos jogos, marcam muitos golos e são a primeira escolha do treinador, e de pormenores, daquele jogador que nunca jogou mas que entrou quando já ninguém tem esperança e resolve. Foi isso que aconteceu com o Liedson que num minuto justificou a sua contratação e ser um heroi do FCP.
"o Liedson pensa que jogou pouco mas a vitória foi feita com pormaiores e pormenores e o Liedson foi um pequeno pormenor quando fez a assistência, aos 91 minutos, mas que foi crítico para a vitoria do FCP frente ao Benfica" (Manuel Serrão, Maio 2013, citado de memória).
E sem os pormenores, de quase nada valem os pormaiores daqueles que carregam pianos. E vice-versa.
Vamos então ver o que temos que fazer para Portugal nunca mais cair numa situação de bancarrota e iniciar o caminho do crescimento económico.

Os pormaiores.
Aumentar a poupança e o investimento.
O investimento tem que aumentar mas não um investimento qualquer. A evidencia diz que o investimento baseado na poupança interna tem um impacto muito maior no crescimento do PIB porque é melhor controlado pelos empreendedores e não há a necessidade de pagar juros e dividendos ao exterior (que tem um efeito recessivo).
A poupança tem que aumentar 10 pp, dos actuais 13% do PIB para 23% do PIB, o que implica que o consumo tem que diminuir 10 pp, de 68% do PIB para 58% do PIB.
Precisamos de mais 17 mil milhões € de poupança e menos 17 mil milhões € de consumo em cada ano.
Os esquerdistas vão gritar que a redução do consumo tem efeitos recessivos. Pois tem, da mesma  forma que mudar o óleo do carro reduz o dinheiro disponível para comprar gasolina, mas sem isso, nada feito. Perde-se hoje para ganhar a multiplicar amanhã.

Aumentar o emprego.
Temos que reduzir o desemprego para valores normais, para os 6% da população activa.
Mas não podemos pegar nas pessoas e reforma-las argumentando que é preciso dar lugar aos novos. Tem que haver mais pessoas a trabalhar pois apenas com mais trabalhadores é que se consegue produzir mais. A redução do desemprego de 18% para 6% em 5 anos tem o potencial de aumentar, ao longo deste período, o crescimento do PIB em 2.8 pontos percentuais.
Os pormenores.
Agora o problema são os pormenores.
É muito fácil o descurso dos esquerdistas de que o caminho do crescimento passa por mais investimento e mais consumo, mais emrpego e mais salários. Mas isto são coisas incompatíveis.
Como é que vamos, com políticas concretas, aumentar a poupança e reduzir o desemprego?

Para aumentar o investimento 
Se queremos mais investimento, temos que aumentar a poupança que obriga a consumir menos e não mais.
Medida 1 - Para estimular a poupança é preciso diminuir a carga fiscal sobre os juros, dividendos e acabar com o IRC.
Eu pegava nos juros ou dividendos, retirava-lhes a inflação e só tributava, em sede de IRS, a parte que sobrasse.
Medida 2 - Como a maior parte a poupança é para fazer face aos imprevistos do futuro, é preciso aumentar o risco das famílias cortando as pensões, o subsídio de desemprego e a assistência médica gratuita.

No outro dia estava a almoçar com uns colegas.
Entre eles estava o Oliveira Marques por quem tenho grande amizade principalmente porque quando em 1997 fiz o mestrado, veio-me dar os parabéns. Entretanto chegaram uns alunos a quem eu disse que "vocês têm que trabalhar muito porque vão-nos pagar a reforma".
Claro que um deles atacou logo com o dito esquerdista "eu não sou responsável por divida nenhuma. Nunca fiz nada que levasse ao endividamento do Estado".
São alunos de um mestrado de Economia e inteligentes mas eu precisei de atacar logo.
Então não sabem que cada aluno que sai do secudário custou ao estado 60 mil €? São 6 mil milhões € por ano de despesa pública para o ensino.
E não sabem que cada licenciado (actual mestrado) comeu ao Estado mais 40 mil €?
Calaram-se.

Medida 3 - É preciso responsabilziar as pessoas quanto ao investimento público que o Estado faz nelas. Assim, acabar com o ensino gratuito vai aumentar a poupança e melhorar todo o sistema.

Para diminuir o desemprego
Medida 4 - Temos que dar uma hipótese ao ajustamento do mercado de trabalho permitindo que os salários nominais diminuam.
Quem afirma que os Estados Unidos têm as politicas correctas de combate ao desemprego, não se pode esquecer que o salário mínimo é de 5.25€/h (690€/mês), o que, comparando o seu PIB per capita (34600€/ano) com o nosso (16200€/ano), indica que o nosso SMN deveria ser qualquer coisa como 2.45€/h (325€/mês).
E existe total flexibilidade de pagar o salário que as partes chegarem a acordo.
Flexibilidade é dar liberdade contractual às partes, rasgar o código do trabalho e reduzir as relações de trabalho ao Direito dos Contractos.

Estaremos preparados para enfrentar o pós-troika?
Não.
Não estamos preparados para adoptar nenhuma das 4 medidas necessárias para começarmos o caminho do crescimento economico e do fim do desemprego.
Se colectivamente continuarmos a acreditar nos direitos adquiridos, a acreditar que o consumo é o motor do progresso, que o nosso mal é a troika então, não temos vontade de crescer. Vamos gritar bem alto que temos vontade mas as coisas não acontecem só por gritarmos que temos vontade.
É como os que alcoolizados: têm vontade mas a coisa não responde.
Vamos continuar no marasmo e as reformas apenas vão acontecer quando houver impossibilidade material de continuar na boa vida. Quando acabar a mama.

O programa de governo do PS.
O PS vai prometer,  como fez em 1995 contra o Cavaco e em 2005 contra o Durão, reverter todos os cortes do Passos Coelho + Gasparzinho.
O PS vai parar de cavar o buraco.
O PS vai acabar com a politica de austeridade e começar com a politica de crescimento.
O PS vai anular os cortes dos salários dos funcionários públicos, a CES das pensões dos indignados e vai re-admitir os desgraçados que entretanto caíram na Mobilidade Especial.
O PS vai descer o IRS, o IVA da electricidade e da restauração.
O PS vai aumentar o SMN.
O PS vai dar mais uns milhões à RTP, TAP e demais empresas públicas falidas para incentivar as empresas estratégia.
O PS vai assumir as dividas da Madeira.
O PS vai avançar com o TGV, com o túnel do Marão com mais não sei quantas auto-estradas e com o novo aeroporto de jamé.
O PS vai transformar as dividas ao Estado e à Segurança social em capital das empresas passando o Estado, com financiamento garantido pela CGD, a tomar conta de tudo o que está falido.
Esta é uma ideia brilhantemente burra pois traduz que o Estado vai garantir os salários dos trabalhadores de todas as empresas falidas. Mas nós já não tivemos distos no PREC?
O PS vai terminar o seu programa dizendo que, até ao fim da legislatura, vai criar mais 750 mil postos de trabalho.

Fig. 6 - Cruzando dois javalis com uma burra, dá o programa de governo do PS. Um javaburro.

Passado um anito ou dois.
Estará tudo cada vez pior.
Foi a destruição causada pelo gasparzinho, é a crise internacional, o preço do petróleo, a falta de solidariedade da Europa, blá, blá, blá e as taxa de juro voltam a subir para níveis insustentáveis.
São os mercados especuladores, os gananciosos, os sugadores dos países do sul mas lá terá que vir outra troika mas agora com um modelo diferente, mais do tipo do Chipre.
Novo memorando, novas eleições, novo governo com outro ministro parecido com o gasparzinho para mais uns anos de austeridade e repete-se o ciclo.
Vamos acabar por sair do Euro, mais certo que 2+2 serem 4. 
  
And Portugal goes on and on and on and on, so help us Madonna di Fatima. 
Pedro Cosme Costa Vieira 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Porque pede o Passos o apoio do PS?

É importante dar resposta a esta questão, colocada por um leitor,porque, tendo o Governo apoio maioritário na Assembleia da República, não parece ter qualquer lógica a tentativa actual do Passos Coelho de chamar o PS à tomada de decisão do governo.
Vou apresentar duas razões.

Fig. 1 - Como seria ternorento ver o Passos assim abraçado ao Seguro

1. Diminuirá o poder do CDS e dos populistas do PSD dentro do Governo.
Interessa ao CDS estar no poder (porque os seus militantes têm acesso aos benefícios do Estado) mas tem que, nessa posição, maximizar a captação de votos. Quanto mais o governo estiver dependente do apoio do CDS, mais as suas ideias demagógicas terão que ser adoptadas pelo Passos. Ter o apoio do PS fará com que diminua a capacidade do CDS marcar a agenda do Governo.
Passa-se o mesmo com os populistas do PSD, maioritariamente autarcas. Estão-se borrifando para o acontece ao Passos desde que aumente a sua influencia autárquica. Havendo apoio do PS, as vozes de burro que vão surgindo no PSD desaparecem.
 
Fig.2 - Diz o Portas, Só assino mais austeridade se me comprares meia dúzia de submarinos.

2. A ameaça do PS acabar com a austeridade estancou o caminho de redução das taxas de juro.
No curto prazo, até 18 meses, Portugal já se consegue financiar a taxas e juro bastante baixas, já com juro real negativo. Por exemplo, a última colocação 2000M€ de 18Abrl2013 a 12 meses foi a 1.394%/ano.
Com esta taxa de juro, na simulação que fiz no outro dia (Crescimento de 1.5%/ano e inflação de 2%/ano), com apenas 2% de saldo primário, reduzimos o actual endividamento de 130% do PIB para 60% do PIB em 20 anos.
É possível passar toda a nossa dívida que se vai vencendo para curto-prazo  mas envolve muitos riscos de ruptura de tesouraria do Estado.
Por exemplo, se passássemos toda a nossa dívida pública menos a da Troika para 12 meses (130MM€), seria preciso rolar no mercado de dívida soberana cerca de 1.5% do PIB cada semana (2500M€/semana).

Primeiro problema - A taxa de juro parou de descer
 Antes de entrarmos na Zona Euro, as taxas de juro eram muito superiores às taxas de juro do centro da Europa (Alemanha e França, D + Fr) principalmente porque tínhamos risco de inflação.
Mas, no processo de convergência para o Euro, a taxa de juro exigida à República foi reduzindo até ficar com um spread quase nulo face aos dois países nucleares da Zona Euro (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Evolução dos juros a 10 anos da dívida pública portuguesa e do "centro da ZE" (dados: BCE)

Seria bom se a nossa taxa de juro descesse para a tendência de longo prazo (3%/ano) mas o nosso primeiro problema é que, desde 1 de Janeiro, a taxa de juro deixou de descer estando estabilizada em torno dos 6.2%/ano (ver, Fig. 4).
Para esta taxa de juro, para reduzirmos em 20 anos o nosso endividamento a 60% do PIB já precisamos de um superavit do saldo primário de 6.5% do PIB, 11MM€, que não se me parece possível. Por isso, a nossa dívida de longo prazo ainda está insustentável.
 
Fig. 4 - Evolução recente das taxas de juro portuguesas de longo prazo (fonte: bloomberg)
 
O governo pensa que tal resulta do discurso agressivo do PS.
Alguém que empreste dinheiro a Portugal a um prazo de 10 anos, sabe que algures pelo meio vai ter um governo do actual PS. Então, ouvindo deles "acabe-se já com a austeridade" e "renegocei-se a dívida pública", ficam preocupados.  Qualquer pessoa de bom senso antecipa que Portugal vai piorar ainda mais a sua capacidade e vontade de pagar o que deve de forma que não quererá emprestar dinheiro a Portugal a menos que a taxa de juro compense o risco.
Se o PS se tornar a comprometer com o Memorando de Entendimento, pensa o Gaspar+Passos que a taxa de juro vai recomeçar a cair, em esperança, até atingir os 3%/ano (e na taxa a 12 meses descer a barreira do 1%/ano).
 
Problema 2 - Será possível quebrar a barreira psicológica do spread de antes do Euro?
Aqui está um problema mais grave pois traduz um descrédito de longo prazo do nosso país honrar os seus compromissos.
Antes de se das inicio à criação do Euro (em 1992), cada país tinha a sua taxa de juro que traduzia o risco de haver inflação. Nos anos 2003-2005 o nosso spread face aos países centrais (Alemanha e França) era de 4 pontos percentuais. Mas assim que aderimos à Zona Euro, o nosso spread caiu para zero.
Como a crise das dividas soberanas europeias nos atirou com spreads muito altos, a questão que se coloca agora é se, mesmo que a nossa economia responda bem, algum dia voltaremos a quebrar a barreira dos 4 pp (ver, Fig. 5). Actualmente estamos com um spread de 4.4 pp.

Fig. 5 - Será que algum dia vamos tornar a descer a barreira dos 4pp de spread?

A Irlanda ainda não o conseguiu.
No período 1993-1995, o spread da Irlanda era de 1.0pp e actualmente é de 2.1pp.

Eu já não acredito.
Por todas estas razões, o Passos está a queimar o último cartucho a ver se consegue endireitar o barco.
Talvez seja melhor termos um governo do PS com apoio parlamentar do PSD.
Ao discurso de "acabou a austeridade", as taxas de juro vão disparar. Depois o funcionamento da "política de crescimento" precisa de crédito que o PS vai tentar conseguir mandando o Galada mais o Sócrates, cheios de força, renegociar o memorando. Vão trazer um manado de urtigas.
Sem dinheiro e sem crédito, o PS vai-se ver obrigado a fazer reformas para ter algum dinheirito da Troika e aí, o PSD estará na oposição mas mais disponível para as reformas estruturais, a começar pela constituição, necessárias para termos um país moderno e rico.
Já não vimos isto em 1982-85? A tal reforma da Constituição que, partindo do PS, permitiu os Despedimentos Colectivos, os Contractos de Trabalho a Prazo e os Recibos Verdes?
 
Fig. 6 - Já não acredito que o Passos consiga segurar a nossa crise.

Pedro Cosme costa Vieira

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