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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sanções, défice, Brexit e transportes

OK, Portugal está em défice excessivo há muitos e muitos anos.
Mas porque será que só agora os bruxelenses se preocuparam com isso, agora que estamos quase nos 3%?
Parece que o problema está mo tratado orçamental que foi assinado em finais de 2011 pelo Estado Português e pelo PS e que só tomou efeito em 2012 já nós sob resgate.

O que diz o Tratado Orçamental.
Obriga a que (Art. 3.º) os países da Zona Euro:
A) Deve haver equilíbrio orçamental (e já não défice de 3% do PIB).
B) O défice estrutural não pode ser superior a 0,5% do PIB.

Diz ainda que haverá mecanismos para obrigar os inconseguimentos:
E) Se for constatado um desvio significativo do objetivo de médio prazo ou da respetiva trajetória de ajustamento, é automaticamente acionado um mecanismo de correção. Esse mecanismo compreende a obrigação de a Parte Contratante em causa aplicar medidas para corrigir o desvio dentro de um determinado prazo.

O problema está quando o António Costa afirma "não vamos fazer mais nada" quando está obrigado a "aplicar medidas para corrigir o desvio."

 Lembram-se das palavras do Gasparzinho "será feito o que for preciso fazer"?
Se estivesse lá a Maria Luís, talvez dizendo vamos fazer todos os possíveis", a coisa parasse.
É esta frase que falta ao António Costa. Até, no final, podia a coisa resvalar, mas era preciso pelo menos vontade falsa de fazer alguma coisa, coisa que não existe vontade.

Será que em 2015 inconseguimos apenas 0,2 pp?
Para isso tenho que calcular o défice estrutural e compara-lo com os 0,5% do tratado orçamental que veio substituir a os 3,0% do Tratado de Maastricht.


Quanto terá sido o défice estrutural de 2015?
O défice estrutural é o défice médio ao longo do ciclo económico. Assim, como nos períodos de crise a receita fiscal é menor e a despesa pública maior, quando o PIB contrai, o défice nominal pode ser maior que 0,5%, passando-se o contrário nos períodos de crescimento económico.

Primeiro.
Para calcularmos o défice estrutural começamos por calcular o défice nominal do ano para efeitos do tratado, défice nominal que se obtém retirando do défice nominal em euros as medidas extraordinárias negativas como o BANIF e somando as positivas como privatizações, a dividir pelo PIB. 
Atualmente, existem 3 números encima da mesa para o défice nominal, 2,8%, 3,03% e 3,2%. Vou dar de barato que o valor certo é a média = 3,01% do PIB.

Segundo.
Depois, temos que calcular onde estamos no ciclo económico que passa por calcularmos qual é a taxa de crescimento económico média e o cálculo da diferença para essa média.
Pegando em dados do Banco Mundial, vejo que a taxa de crescimento média (o famoso crescimento estrutural) está em ZERO.
Dito assim, ninguém acredita: a nossa taxa de crescimento económico é zero. O Costa bem pode dizer que os 1,5% de 2015 foram um crescimento débil e que vai conseguir 1,8% em 2016 mas, se conseguir os 0,8% do primeiro trimestre, já se pode dar por contente pois a média está em
ZERO VÍRGULA ZERO POR CENTO POR ANO.
 
 Fig. 1 - Evolução da taxa de crescimento do PIB, 1961-2015, Portugal (dados: Banco Mundial) indica que o futuro é sombrio.

Terceiro.

Agora, obtêm-se o défice estrutural somando ao défice nominal uma percentagem da diferença entre a taxa de crescimento do PIB do ano em estudo e a taxa média de crescimento do PIB.

Vamos então ao cálculo.
Vou considerar como percentagem 60% e usar como crescimento potencial a taxa média nos anos 2000-2015 = 0,42%/ano. Como em 2015 tivemos um crescimento de 1,5%, o défice estrutural de 2015 foi de

Défice Estrutural 2015 = 3,01% + (1,5%-0,42%)*60% =  3,66% do PIB

Tivemos 3,66% e estávamos obrigados a ter um máximo de 0,5%!
Olhando assim, o inconseguimento não foi de 0,2 décimas mas de 31,6 décimas!


Felizmente, ainda estamos sob resgate.
Se não estivéssemos sob resgate, mesmo com um crescimento ténue de 0,8% para 2016, o défice deste ano teria que ser de 0,3% do PIB e não 2,2%(como escreveu o Costa no OE) ou 2,3% (como está a pedir Bruxelas).
         Défice de 2016 = 0,5% - (0,8%-0,42%)*60% =  +0,3%
Permitirem que tenhamos 2,3% do PIB porque tem implícita uma consolidação de 1,3 p.p. entre 2015 e 2016, o que já traduz que estamos a caminho dos 0,5%.

Seria 1,3 pp muito?
Se o défice em 2010 foi de 9,4% (sem BPN) e em 2015 foi de 3,0% (sem BANIF), houve uma melhoria anual de 1,2 pp.
Por isso, passar para 2,3% em 2016 obrigaria a um esforço orçamental semelhante ao que vivemos no período 2011-2015 e não temos vista nada parecido com isso.
Se não temos visto nada parecido com isso, o défice de 2016 não vai ser nada parecido com 2,3% do PIB.

Vou agora falar um bocadinho do Reino Unido.
Todos nos querem fazer crer que o RU vai entrar num período de grande turbulência que vai levar a perdas económicas. Mas eu tenho o mau gosto de ir ver os dados e, o que melhor reflete o que as pessoas informadas pensam sobre o futuro de uma economia é a evolução da taxa de juro das obrigações do tesouro de longo prazo.

Peguei nas obrigações britânicas a 30 anos.
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 30 anos estava em 2,5%/ano e hoje, depois da "turbulência da vitória do Brexit", está em 1,6%/ano.
Uma obrigação a 30 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 130 libras!

Se 30 anos é pouco tempo, peguei nas a 50 anos!
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 50 anos estava em 2,4%/ano e hoje, depois do referendo, está nos 1,4%/ano. 
Uma obrigação a 50 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 160 libras!

Afinal ...
as pessoas que têm 1,6 milhões de milhões de libras, 1,9 milhões de milhões de euros, 1900 mil milhoes €, 1900000000000€, emprestados ao RU, têm hoje mais confiança que o RU vá pagar a sua dívida pública daqui a 30 ou 50 anos do que tinham antes do referendo ter sido pela saída.
Se calhar, isso de o RU estar muito arrependido e a caminho da desgraça é um exagero do tipo "come a sopa senão vem ai o lobo mau."

Mas, afinal, há problemas para a UE pela saída do RU.
O Rating do RU diminuiu um nível mas o da UE também!
E o maior problema é que o RU gasta anualmente 56 mil milhões USD com a NATO para a defesa da Europa continental (já que o RU não tem fronteira com a Rússia!).
Em oposição, a Alemanha gasta anualmente 38 mil milhões USD, bastante menos quando está lá encostadinha!

Se o RU decidir cortar a sua participação na NATO, os países da Europa Continental vão ter que entrar com essa massa.
Se somarmos a isso que, se o Trump ganhar, os europeus vão ter que contribuir muito mais para a NATO, estou a ver um grave problema para os do continente.


Finalmente, um bocadinho de transportes.
Em termos económicos, os transportes têm um peso muito grande no PIB, superior ao peso da agricultura.
Em Portugal, os transportes são responsáveis por 4,8% do PIB e a crescer 0,07pp/ano e a agricultura 2,35% e a descer 0,07pp/ano.
O contributo para o PIB português dos transportes é de 7500 milhões € por ano, muita massa.
Mas o problema é endereçamento, termos milhões de pessoas que querem receber encomendas de milhões de pessoas e ser preciso uma forma tecnológica de realizar esses milhões de endereçamentos.
Isso é tão importante que a Amazon está a investir dezenas de milhões de euros em desenvolvimento de  veículos e equipamentos que façam esse endereçamento de forma económica e quem está lá a trabalhar é o meu colega ZFG.

Vamos ao problema do endereçamento.
As redes de telemóveis recebem som de milhões de telemóveis (em pequenos pacotes) que endereçam para outros milhões de telemóveis. isso é conseguido pegando no nosso som, dividindo-o em pequenos pacotes com um endereço e o encaminhamento por uma rede de meios desde a nossa máquina até à máquina do destinatário e volta.

1 - Falo para o microfone que transforma o som numa corrente elétrica
2 - A corrente elétrica é digitalizada ficando uma sequência de 0s e 1s
010010101010101010101010101010101010101
3 - O código digitalizado é cortado em pacotes
010010101010    101010101010    101010101010  etc.

4 - É acrescentado o número de destino à frente
01001010101091123456    10101010101091123456    10101010101091123456  etc.
(o número de destino é condensado para ocupar menos espaço).

5 - O nosso telemóvel emite 100 pacotes por segundo que chegam à antena que tem capacidade para receber 1000 telemóveis em simultâneo (100000 pacotes/segundo).
Chegando um pacote, o torre envia-o por cabo para uma central de endereçamento, que o passa a outra central, etc. etc. até chegar à torre que vai emitir o pacote para o telemóvel de destino.

Fig. 2 - Os pacotes em que uma chamada telefónica é dividada, são reencaminhados muitas vezes entre a origem e o destino

6 - Em cada ponto de reencaminhamento chegam em simultâneo milhões de pacotes (que contêm um bocadinho de uma conversa) que são endereçados para outros pontos de reencaminhamento até que chegam ao telemóvel de destino.

7 - Finalmente, os pacotes chegam ao telemóvel de destino que lhe retira o número do endereço, recompõe a mensagem digital que, no auscultador, transforma em som.
Quando um pacote é perdido, "ouvimos" um corte no som.

Um pacote é equivalente a uma palete (ou um contentor num navio) e um cabo (onde cabem milhar de conversações em simultâneo) é equivalente a um camião (ou um navio no transporte marítimo).

A Internet funciona exactamente da mesma forma e foi a tecnologia da Internet (os pacotes com endereço e as centrais de endereçamento) que permitiram o aparecimento dos telemóveis e mesmo da TV cabo digital.

Mas vamos aos transportes de mercadorias.
Viajam milhares e milhares de camiões que têm cargas misturadas que precisam de ser reencaminhadas.
Imaginemos uma central de reencaminhamento algures no centro da Europa onde chegam 1000 camiões carregados com paletes, 33 mil paletes por hora, que precisam ser descarregadas, armazenadas algum tempo, e metidas noutra camião.
Imaginemos um armazém com um milhão de paletes num armazém com um milhão de m2, com 4 mil monta cargas as trabalhar continuamente a carregar e a descarregar camiões que chegam da auto-estrada e volta, passado uma hora para lá já com a carga recombinada. Para minimizar o tempo de paragens dos camiões, teremos um espaço congestionado em que a distância entre dois monta cargas será menor que 15 metros, haverá um camião a chegar e outro a partir a cada 3,6 segundos, dia e noite, todos os dias do ano.
Mas isto apenas será possível com camiões sem condutores e monta cargas que não passam de robots controlados por um supercomputador que otimiza todas as milhares de movimentações que acontecem ao mesmo tempo, de forma semelhante ao que acontece com os pacotes do telemóvel mas, em vez de serem metidos num cabo de fibra ótica, são metidos num camião. 
Estou a ter uma visão apocalítica de um espaço onde nenhum humano pode entrar sob risco de ser atropelado pelos robots, quase sem luz porque os monta cargas usam localização por GPS.
Estou a imaginar o Exterminador Implacável em que os monstros serão monta cargas e camiões que, de repente, ganham inteligência e começam a dominar o mundo.

Fig. 3 - As máquina vão dominar o mundo e a humanidade será escravizada sendo obrigada a enviar cada vez mais encomendas! Nesse tempo até haverá água enchida em França que vai ser bebida no Japão (vai-se chamar Perrier e terá uma garrafa verde)
 
Fig. 4 - Os robots assassinos não passarão de monta cargas sem cabine


Fig. 5 - Será uma mulher a trabalhar ou um robot? 
O importante é que faça o serviço!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O grande capital que pague a crise

Os comunas falam muito do grande capital. 
Quando surge algum problema económico, os esquerdistas (classe que em Portugal inclui uma grande percentagem dos socialistas) avançam com a tese de que o "grande capital" é que deve a pagar a crise. 
A questão que eu quero colocar é se, distribuindo o capital irmãmente por todas os portugueses, a nossa vida melhorava. 

Primeiro, o problema das nossas contas públicas está na Segurança Social.
Não está na  produção mas na re-distribuição que é desequilibrada. 
Nos últimos anos, sob o argumento, por um lado, de que as pensões e outras prestações sociais têm que garantir uma vida digna, e, por outro lado, de que as contribuições não podem asfixiar a economia e a vida dos trabalhadores, criou-se uma segurança social que absorve cada vez mais recursos (ver, fig. 1) e que está crescentemente desequilibrada (ver, quadro 1). 
Apesar de a maioria dos comentadores dizer que a SS é sustentável, numa simples consulta às suas contas vemos que em 2014 (OE 2014, p.127), já depois de grandes cortes, as contribuições e cotizações, CC, somam 13,3 MM€, mil milhões, para uma  despesa social de 25,1MM €. 
Afinal diz lá claramente que a SS teve em 2013 e manterá em 2014 um défice 12MM€, que é a totalidade do IRS que vamos pagar, incluindo as taxas e sobretaxas.
O mais dramático é que as regras de cálculo dos "direitos sociais" são de tal maneira desajustadas que, mesmo com medidas draconianas, o défice da SS não pára de aumentar:

Anos     2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
Défice (MM€)  6,8    7,5 8,3 9,7 9,5 9,6 12,0 11,8
Quadro 1 - Défice da Segurança Social (dados: relatórios do OE)

A principal fatia são as pensões.
Da despesa total da SS, cerca de 2/3 são pensões dividindo-se o resto pelos Subsídio de Desemprego (11%), Acção Social (7%), Formação Profissional (6%) e outras despesas (20%). 
Mesmo que afectassemos o total das receitas em CC (13,3MM€) ao pagamento das pensões (16,1MM€), o sistema ainda teria um défice de 2,7MM€ por ano. 
Bem sei que as pensões da SS são baixas mas como podem os esquerdistas, a Ferreira Leite e o Bagão Felix dizer que a SS é sustentável com as pensões pagas a aumentar 0.4% do PIB cada ano, 600M€/ano (ver, Fig.1)? 

Fig 1 - Evolução das pensões pagas pela SS em percentagem do PIB (dados: Pordata)

Mas as contas do governo sobre a ADSE também estão erradas.
As contas da SS não incluem as despesas em Saúde. Apesar de na sua génese a assistência médica pública resultar da pessoa descontar para a SS, actualmente o financiamento do SNS - Serviço Nacional de Saúde vem directamente do Orçamento de Estado.
Então, se a saúde dos trabalhadores privados é paga directamente pelo Orçamento de Estado, a ADSE que cobre as despesas médicas dos funcionários públicos só deveria ser calculada como a diferença entre o custo médio do SNS e o custo do beneficiário da ADSE. 
Eu, apesar de ir, num futuro próximo, pagar para a ADSE 1600€/ano, muito mais do que dela recebo, não estou a pensar abandonar o sistema por uma questão de solidariedade mas muita gente vai fazê-lo.

A SS tem que aumentar a receita e diminuir a despesa.
Para as pessoas tomarem consciência do que custa o Estado Social, o financiamento do sistema tem que ser mais transparente, i.e., a receita da TSU tem que se aproximar da despesa da SS.

1) É necessário aumentar a TSU dos actuais 34,75% para os 40% da Alemanha (na alemanha a divisão é 20%/20% mas em Portugal poderia ser, e.g., 15% para o trabalhador e 25% da entidade patronal). Desta forma, a receita em CC aumentará cerca de 15%, dos actuais 13,3MM€/ano para 15,3MM€/ano.

2) É necessário reduzir a despesa (pensões e outras despesas) em 10%, dos actuais 25,1MM€/ano para os 22,5MM€/ano.

Com este movimento em tesoura, o défice da SS reduziria 40%, dos actuais 12MM€/ano para os 7,3MM€/ano, próximo do défice de 2008, altura que ninguém questionou a constitucionalidade das regras da SS.

Mas aumentar a TSU e reduzir as pensões custa muito.
Pois custa porque estamos mal habituados mas não há outro caminho. 
Num salário de 1000€/mês, será um aumento das contribuições da TSU em 52,5€/mês.
E numa reforma de 600€/mês, será uma redução de 60€/mês.
O problema é que é preciso cobrir o défice com alguma coisa. Ou directamente ou indirectamente com cortes na saúde e no ensino e com aumentos  do IRS e do IVA.

Afinal, o défice nas contas públicas vem mesmo da Segurança Social.
12MM€ é um défice de 7,3% do PIB.
Se se conseguisse manter o défice da SS nos 7,5MM€ de 2008, o défice público de 2013, em vez dos 5,8%, ficaria nos 3,0% do PIB e em 2014 ficaríamos próximos dos 1% que o Sócrates prometeu conseguir com o PEC 4.

Vamos ao "grande capital".
Primeiro temos que fazer uma ideia de quanto receberíamos se o "grande capital" fosse dividido irmãmente pelos portugueses.
O Banco Mundial indica que a nossa economia tem cerca de 180% do PIB em capital, 300 MM€. 
Se dividíssemos este valor irmãmente pelos portugueses daria cerca de 30mil€ por cabeça que traduz 1,5 anos de salário médio. Apesar de ser uma soma razoável, tenho que dar a má notícia de que uma parte substancial deste capital já nos pertence porque é propriedade do Estado (estradas, portos e empresas públicas) e porque são a nossa casa, carro e a contra-parte dos 120MM€ dos nossos depósitos bancários. 

Dizem que a Martinfer está muito endividada.
Uma maneira de dizer mal do processo de desmantelamento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo é dizer que a Martifer deve mais de 300 milhões €.
Mas isto é o pão-nosso-de-cada-dia das empresas.
Se a Martinfer deve 300M€, a EDP deve 30000 M€, 100 vezes mais.
Numa empresa sólida o activo é financiado a 75% por crédito (capital alheio) e a 25% por capitais próprios. No caso português, é normal ver empresas financiadas a mais de 90% por crédito.  
Confirmamos isso se olharmos para o balanço dos bancos onde vemos que as empresas não financeiras lhes devem 136MM€ (que traduz 45% do total de capital existente em Portugal). 
O  Estado permitir a criação de empresas com apenas 1,00€ de capital próprio por sócio é o reconhecimento de que há emrpesas com 0% de capital próprio.
1,00€ por sócio não dá nem para ir de autocarro ao banco abrir a conta para realizar o capital. 

Quanto daria a cada um?
Pensando que os grandes capitalistas são donos de metade das empresas nas quais têm 20% de capitais próprios, os grandes capitalistas acumulam apenas 30MM€. 
O expropriação da totalidade do "grande capital" não dava sequer para pagar o défice público de 2009 e 2010.
Agora, se pegarmos no "grande capital" e o repartirmos irmãmente pelos portugueses, dá 3 mil € por cabeça, o correspondente a 3 meses de salário. 

Não dava nada a cada um e destruíamos a economia.
Afinal o "grande capital" não existe, é apenas um miragem dos esquerdistas. 
Como diz o Américo Amorim, os patrões são funcionários dos credores e que trabalham muito mais horas e têm muito mais preocupações que os trabalhadores normais.
O maior problema da divisão do "grande capital" pelo povo é que, como a maioria de nós não tem espírito empreendedor, íamos tentar transformar o mais rapidamente possível a nossa cota em dinheiro para pagar umas contas ou fazer umas feriasitas. 
Se não fosse possível vender as cotas, daqui a 10 ou 15 anos as empresas  estariam totalmente obsoletas e falidas porque ninguem iria renovar o capital (acabava o investimento para transformar o capital em rendimento). 

O futuro dos ENVC.
Eu pensava que não ia aparecer ninguém da Martinfer à assinatura do contracto de "subconcessão" mas a noiva sempre apareceu.

Eu sou contra o modelo.
O Garcia Pereira, tal como eu, defende que a nova empresa deveria assumir todo o activo e passivo dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo onde se incluem os contratos de trabalho.
Sempre defendi isto, estando mesmo no meu não-famoso livro. 
Mas as minhas razões são diferentes das do Razia que demonstra apenas nisso ser tapado de vistas.
Eu defendia esse modelo porque a West Sea S.A. (uma empresa que não existe mas que, a mando da Martifer, "adquiriu" os estaleiros) é uma empresa sem capital próprio. Então, os credores sem garantias do Estado, onde se incluem os "direitos adquiridos" dos trabalhadores, ficavam a arder. 
O Estado teria que pagar apenas aos credores a quem deu garantias mas os outros, que de forma imprudente concederam crédito aos ENVC e os trabalhadores da sueca, os construtores de barcos de fósforos, ficavam a chuchar no dedo. 

Fig. 2 - Nos últimos anos, os ENVC têm feito vários patrulheiros destes para a Marinha Portuguesa


O que vai acontecer.
Hoje a West Sea S.A. assinou um contrato de arrendamento até 31/3/2031 dos terrenos comprometendo-se a pagar uma renda anual de 415mil€ (dá 16940€/ha que compara com os normais 200€/ha de um terreno agrícola de boa qualidade). 
Claro que existem lá plantados infra-estruturas portuáreas e barracões mas, além de não servirem para nada, têm um valor patrimonial de 10 M€ que, para uma taxa de 0,4% de IMI, são um encargo de 40mil€ por ano.
Aquilo já seria caro pelo IMI. 

Na primeira fase,  que está a decorrer, os terrenos serão libertado. Dia após dia, os construtores de barcos de fósforos, vão sendo enviados para casa e o equipamento vai ser vendido em hasta pública para sucata. Isso ainda nos vai custar umas dezenas de milhões de €.
Lá para fins de 2014 o terreno fica livre de toda a sucata, altura em que a West Sea S.A. vai tomar posse dos terrenos e começar a pagar renda.
Como disse o Carlos Martins (com quem eu morei uns 2 anitos), "já temos 2 trabalhadores que vão começar a trabalhar conosco" e ainda vamos precisar contratar mais uns 2 trabalhadores para haver com quem jogar à sueca. 

Fig. 3 - O que estará de baixo das 7 saias?

Na segunda fase que vai começar a meses das eleições legislativas de 2015, a West Sea S.A. vai anunciar uma grande carteira de encomendas, vai fazer entrevistas e contratar muitas pessoas para cursos e mais cursos de soldador, manobrador de máquina, etc., etc., etc. a desempregados de longa duração, tudo financiado pelo Fundo Social Europeu.

Na terceira fase, já depois das eleições legislativas, esgotam-se os 500 mil € da caução e vem um estudo económico a dizer que os estaleiros não são viáveis.
Mete-se um programa qualquer de requalificação urbana. Avançam mais uns milhões de fundos comunitários e do OE e, com a ideia de  fazer um parque urbano e uma marina, desmantelam-se completamente os barracões e terraplana-se aquilo tudo.
Daqui a 10 anos, quando se olhar para a frente ribeirinha/maritima de Viana do Castelo, veremos que a cidade só ganhou com o fim daquele trambolho que só tem criado prejuízo.

Fig. 4 - Localização do futuro parque urbano e da marina de recreio de Viana do Castelo

Já descobri (imagino).
Eu penso que nunca estive em Viana do Castelo mas tinha um colega minha, a Ruca, que era minhota, penso  mesmo que de Viana.
E até era muito geitosinha. Para profesora, até diria que era uma brasa.
Bem lhe perguntei mas nunca me disse o que havia debaixo das 7 saias.

Fig. 5 - Penso que estão uns calcõezinhos de renda de bilros.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 22 de março de 2013

Será o aumento dos salários a "política de crescimento"?

Há um sofisma que faz o aumento dos salários ser "a política de crescimento".
As mentes dos sindicalistas esquerdistas e outras mentes fracas deduzem pela lógica uma ligação positiva entre salários e PIB.
Chegam mesmo patrões a embarcar nesta lógica torpe quando aplicada aos outros (todos menos eu).

Argumentam que, aumentando os salários, o consumo aumenta o que faz aumentar a procura interna que  aumenta as vendas das empresas.

+Salários -> + Rendimento -> + Consumo -> + Procura Interna -> + Vendas

Depois, adiantam que o aumento das vendas aumenta a produção (o PIB) e diminui o desemprego.

+Vendas -> + Produção -> - Desemprego

Finalmente, mais vendas e mais produção fazem aumentar a receita fiscal e, menos desemprego, faz diminuir a despesa pública pelo que o aumento dos salários, além de aumentar o produto e diminuir o desemprego, também diminui o défice público.

+Salário -> . . . ->  - Défice Público
  
Claro que este esquema que aparenta seguir as regras da lógica é uma ilusão de verdade. É uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para induzir os portugueses em erro.

A prova do erro por redução ao absurdo.
Esta ilusão é fraca porque não resiste à simples prova da redução ao absurdo.
Se aumentar os salários tem efeito tão positivo então, quando o Guterres disser que temos que ajudar aquelas regiões miseráveis que ele visita, que os obrigue a aumentar os salários para um milhão de euros por hora e, logo, todos ficarão ricos.
Mas a prova por redução ao absurdo, por ser uma prova negativa não identifica qual é o erro de raciocínio.
Neste post vou apresentar os erros que os sofistas introduziram na argumentação.


Fig. 1 - Hoops ... mas toda a dedução lógica indica que se trata de uma mulher e das boas

Onde estará o erro?
O erro da argumentação está na omissão de parcelas relevantes.

1. "Esquecem-se" dos rendimentos do capital.
O total que se produz é igual ao rendimento total.
O que se produz na economia, vai ser distribuído pelos diferentes agentes económicos como salários, lucros, juros, rendas e alugueres.
Ao PIB, o Produto Interno Bruto, é preciso retirar a depreciação do capital para obtermos a produção de facto, a produção líquida.

Se o PIB é 100€ então, a produção é de 82€ (18€ são amortizações, diz o Banco Mundial) que é distribuída pelos salários (40€, diz a Pordata) e 27€ para juros, rendas e alugueres (o que falta).
É por demais evidente que os salários são  "rendimento das famílias" mas também o são os lucros, juros, rendas e alugueres (parte).

Para uma produção de 82€.
O rendimento das famílias é de 73.50€ (pordata) e os restantes 8.5€ são "rendimento das empresas" que o investem.
Quer isto dizer que 70% dos lucros, juros, rendas e alugueres vão parar ao rendimento das famílias e 30% vão ser investidas pelas empresas.

E o que acontece ao rendimento das famílias quando os salários aumentam?
É por demais evidente que o aumento dos salários em 1€ tem o efeito imediato de aumentar o rendimento das famílias em 1€ mas também diminui os lucros das empresas em 1€.
Até os esquerdistas reconhecem a existência deste efeito imediato mas contam com a "cadeia virtuosa".
Mas, a diminuição dos lucros em 1€ leva a uma redução do rendimento das famílias em 0.70€ e do rendimento (investimento) das empresas de 0.30€.
Então um aumento dos salários em 1€ tem um efeito directo no rendimento das famílias de +0.30€ à custa de um impacto no rendimento das empresas de -0.30€.

O aumento de rendimento das famílias é menor que o aumento dos salários e é igual à diminuição do rendimento que as empresas usam para investir (sem pagar dividendos).

+Salários -> + Rendimento das famílias e - Rendimento das empresas


Fig. 2 - É legal pois apliquei a Lei de Lavoisier (nada se perde, tudo se tranforma): cada euro que entra na minha carteira, é um euro que alguém lerpa. 

2. "Esquecem-se" do investimento das empresas na procura interna.
O rendimento das famílias vai ser usado na aquisição de bens de consumo mas também na aquisição de bens de investimento e ambos são procura interna.
Uma pessoa ao comprar arroz e massa (consumo) ou um frigorífico (investimento) está a contribuir para a procura interna.
Os esquerdistas "esquecem-se" do investimento das famílias na procura interna mas, mais grave, "esquecem-se" que o investimento das empresas também é procura interna.
E, já mostrei, que se a procura interna das famílias aumenta 0.30€, a procura interna das empresas diminui exactamente 0.30€.
+ Rendimento das famílias -> Mais procura interna
- Rendimento das empresas -> Menos procura interna

Os efeitos anulam-se pelo que o aumento dos salários não tem qualquer efeito na procura interna.
+ 1€ Salários
->  + 0.3€ Rendimento das famílias e - 0.3€ Rendimento das empresas
-> + 0.3€ procura interna das família e -0.3€ procura interna das empresas
-> efeito nulo na procura interna

O aumento do salário não altera a procura interna.
Considerando todas as parcelas, os salários e os lucros, as famílias e as empresas, conclui-se facilmente que o aumento (ou diminuição) dos salários não tem qualquer impacto na procura interna.
Quebrado esta inflamação da procura interna que parecia lógica então, toda a cadeia de acontecimentos virtuosos alegadamente causados pelo aumento dos salários cai por terra como um baralho de cartas.
Considerar todas as parcelas é um autentico corta fogo que termina a diarreia lógica dos esquerdistas da praça.

Se não tem efeito, poderíamos na mesma aumentar os salários.
O problema é que, ao reduzir os lucros das empresas, o aumento dos salários tem um efeito negativo nos investimentos que são lucrativos o que faz diminuir o emprego (rever O desemprego, o salário e a ignorância dos comentadores).
No mercado de trabalho encontram-se as vontades dos trabalhadores (que trabalham tanto mais quanto mais elevado for o salário) e as dos patrões (que contratam tanto mais pessoas quanto mais baixo é o salário) e o encontro destas vontades aparentemente antagónicas vai determinar o salário de equilíbrio (em pleno emprego).
Quando existe desemprego, é prova que o salário está acima do salário de equilíbrio pelo que, globalmente, todos melhoram (o PIB aumenta, o rendimento das famílias e das empresas aumenta) quando o salário diminui.
Quando existe falta de empregados, é prova que o salário está abaixo do salário de equilíbrio pelo que, globalmente, todos melhoram (o PIB aumenta, o rendimento das famílias e das empresas aumenta) quando o salário aumenta.
Declaradamente, agora que a taxa de desemprego está elevadíssima, todos melhoraríamos se os salários diminuíssem.
Todos, não só os desempregados (que passariam a ter emprego) mas também os empregados que veriam o risco de despedimento diminuir.
E os empregados como eu que, até prova em contrário, não têm risco de desemprego, também temos que ser solidários pois, caso contrário, o nosso país vai rebentar com uma taxa de desemprego elevadíssima.

Fig. 3 - A mim, nunca me faltou trabalho.

Finalmente, os 19% de desemprego.
Eu fui o primeiro a prever, em Fev 2012, que o desemprego iria atingir 19% , que iríamos ter 1 milhão de desempregados (rever, Vejo os números do desemprego com muita preocupação). Na altura, todos os meus colegas disseram que eu estava louco mas o Gasparzinho já veio dizer que o desemprego, algures nos finais de 2013, princípios de 2014, atingirá esta meta. 
A boa notícia é que estamos numa situação de paz social e as famílias estão a aguentar razoavelmente bem a redução do rendimento que o desemprego implica. NEsta parte e na balança corrente, estamos melhor que eu antecipava.
Estou moderadamente optimista que este caso de Chipre, e espero que eles não aceitem as condições da Troika, faça o nosso povo ver que o "outro caminho" que o Seguro promete e que leva seguramente ao abismo.

Como se justifica o equilíbrio da Balança Corrente com o enorme taxa de desemprego?
Em teoria, o nível de salários é uma variável que equilibra a Balança Corrente. Se a nossa BC tinha em 2009/10 um desequilíbrio de 10% que obrigava à redução dos salários para tornar a nossa economia competitiva (aumentar as exportações), a BC equilibrou sem haver redução dos salários o que "prova que os salários não repcisam descer mais" (dizem os esquerdistas).
"Esquecem-se" mais uma vez que a BC equilibra não só pela redução dos salários (aumento das exportações) mas também pelo aumento das taxas de juro (redução do crédito externo que leva à reduçãod as importações).
Se quizermos que as taxas de juro diminuam para os níveis de 1999 (e as ofretas de crédito externo) então, os salários têm que diminuir pois, caso contrário, a BC torna-se a desequilíbrar (o que impossibilitará a descida persistente das taxas de juro).

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Passos engana-se e recua ou engana-nos e avança?

O Pedro Passos Coelho enganou-se.

Primeiro, enganou-se nas previsões contidas no OE2012 para as receitas, despesa e, consequentemente, para o défice.
Sendo que afirmou com toda a força, custasse o que custasse, que iria cumprir o défice de 4.5% do PIB porque o IVA iria aumentar (e reduziu) e a despesa iria diminuir (e aumentou), falhou porque o défice derrapou dos 4.5% previstos e o governo teve que recuar para os 6.1% do PIB (ou mais qualquer coisinha).
Segundo, enganou-se quando pensou que os trabalhadores iriam aceitar um incremento da TSU em 7% do salário para haver uma redução na TSU dos patrões. Como o povo saiu à rua, o Portas disse que era contra e os do PSD arrasaram o coitado, o Passos reconheceu que se enganou e recuou deixando cair essa medida de combate ao desemprego.
E se o Passos não se enganou?

Fig. 1 - Enganei-me. Vou ter que recuar.


Será que o governo se enganou mesmo no OE2012?
O Orçamento de Estado, OE, é uma previsão construida no final de um ano para as receitas e despesas do ano seguinte. Como a despesa e a receita derivam de leis que não estão no orçamento (por exemplo, as regras para aceder ao Subsídio de Desemprego), uma concretização adversa da realidade económica faz crescer a despesa e diminuir a receita de forma automática o que desvia a execução orçamental.
São os "estabilizadores automáticos" que, no caso da crise actual, estão a funcionar como "desentabilizações".

O memorando de entendimento com a Troika.
O Sócrates, depois de em 2009 e 2010 ter feito o défice derrapar para cima dos 10% do PIB, Portugal entrou em bancarrota precisando pedir socorro à Troika.
Para poder receber o dinheiro, o Sócrates assinou em 2011 um acordo que se resume a uma trajectória do défice público desde os 10% de 2010 para os 3% do PIB em 3 anos:

    Ano                 2009      2010      2011      2012      2013     2014
-------------------------------------------------------------------------------
    Acordo 2011                               5.9%     4.5%      3.0%
    Revisto 2012                                             5.0%      4.5%     2.5%
-------------------------------------------------------------------------------
    Efectivo          10.2%     9.8%      7.7%     6.1%       ??          ??
    Redução %                    0.4%      2.1%     1.6%      1.6%     2.0%
    Redução  M€                   670      3600     2700       2700     3400
-------------------------------------------------------------------------------
Quadro 1 - Acordo com a Troika e evolução do défice público

A derrapagem do défice de 2012 parece uma grande burridade porque o Governo tem muitos técnicos capazes e a redução de 7.7% de 2011 para 4.5% de 2012 implicava uma redução do défice em cerca de 500M€/mês que nunca seria possível acontecer com as medidas avançadas no OE2012
A) O aumento do IVA seria comido;
B) As poupanças seriam comidas pelos juros e pelo subsídio de desemprego;
C) O corte dos subsídios da função pública e das reformas só daria 250M€/mês.


Fig. 2 - Amor, antes de nos casarmos assinaste um memorando em que te comprometeste a manter os 55kg. Agora, vai à tua vida pois és uma socialista.


O governo enganou-se e teve que recuar para um défice de 6.1%.
Claro que a receita ter diminuido quer dizer que pagamos menos impostos que o que estava orçamentado o que é bom para o nosso bolso.
A despesa ter aumentado quer dizer que o Estado meteu nos nossos bolsos mais dinheiro que o que estava orçamentado.
Nunca nos podemos esquecer que "receita" são coisas que nos tiram dos bolsos, "despesa" são coisas que nos dão e "dívida pública" são coisas que nos dão este ano mas que nos vão tirar no futuro e com juros.
No final, a austeridade foi só 3/4 do que estava orçamentado.

O governo enganou-se na TSU. 
A apresentação do Passos Coelho da transferência de parte do pagamento da TSU dos patrões para os empregados como medida de combate ao desemprego foi classificada pelos comentadores como  descuidada, catastrófica, atabalhoada, caótica ou mesmo como uma nódoa impossível de compreender num governo com assessores de imprensa.


E ainda foi pior por ter ocorrido minutos antes de um jogo da Selecção de Futebol (para anestesiar o povo) e por, minutos depois, o Passos ter ido cantar (na merecida homenagem aos 50 anos de carreira do Paulo de Carvalho).

Fig. 3 - Chamava-se Nini, vestia de organdi e dançaaaaava


Quanto dinheiro estaria em causa com a TSU?
Eu estranhei da vontade de avançar com a medida porque não foi avançado o número da redução dos salários que esta medida tinha implicita. Se era uma medida ponderada, deveria haver números.
Os comentadores começaram a avançar um número, 2300M€. Mas, sendo os ordenados e salários  40% no PIB (fonte: PorData), se aplicarmos 7% a este valor, obtemos 4700M€ que é o dobro do valor publicitado nos media.
Nota: confirmei agora na PorData que o peso dos salários é 50.2% no PIB pelo que os 7% dariam quase 6000milhões€.



E recuou reduzindo o corte da TSU dos patrões a quase nada.
No seguimento da comunicação, milhares de povo veio para a rua dizer que não queria a transferência da TSU.
Até os patrões (ressalvo que apenas foi dada voz aos patrões da distribuição e dos bens não transaccionáveis), vieram pregar um prego no caixão da medida dizendo que não a queriam.
Os "amigos" do Passos (a Ferreira Leite, o Marques Mendes, o Marcelo e muitos mais dentro do PSD onde não há défice de "amigos" do Passos Coelho) fizeram um ataque total.
Por fim, o Portas benzeu o defunto, fechou a tampa ao caixão, deu duas voltas à chave que entregou ao Cavaco Silva.
O Passos reconheceu que se enganou e teve que recuar.
Pegou na tal medida e transformou-a num renovado "impulso jovem" que perdoa a TSU apenas aos novos empregos de jovens.

Fig . 4 - O Passos estava encurralado

Mas imaginemos que o Passos não se enganou.
Os enganos serem tão evidentes indicia que poderão ter sido movimentos estratégicos para derrotar os seus opositores políticos ao OE para 2013.
Com toda a gente, dentro e fora do governo, contra o aumento de impostos e a redução da despesa, como seria possível, mesmo com as metas alteradas, arranjar 2700M€?
Vou analisar estes dois enganos sobre outra óptica.

Fig. 5 - Amor, eu enganei-me. Pensei que a tua maezinha estava a pedir sabão.

O erro do OE 2012.
Se fosse o Sócrates a dar cumprimento ao que acordou com a Troika, iria torpediar as contas públicas o mais que pudesse. Estaria sempre a anunciar PECs e a nada fazer. Seria como em 2010 em que o défice, depois de 3 PECs, fechou nos 9.8% do PIB.
Mas os nossos parceiros europeus sabem que o Passos está a fazer o melhor que é possível.
Então, aquela conversa do ministro das finanças alemão ao ouvido do Gaspar, em Fevereiro de 2012, em que apoia Portugal em caso de incumprimento das metas, whatever, prova que já nessa data a derrapagem estava prevista.
Posso concluir com segurança que, quando o OE2012 foi aprovado, já tinha sido acordado com os nossos parceiros europeus que haveria derrapagem.

O Seguro e muitos mais queriam "mais um ano".
E aí está o "mais um ano".
Estava previsto atingir um défice de 4.5% do PIB em 2012 e isso passou para 2013 (ver, quadro 1).

E haverá mais dinheiro.
Foi avançada a conversa de que o envelope financeiro não seria alterado ("não haverá mais dinheiro") para salvar a face da Troika. Mas isso é apenas conversa pois o BCE é quem dá o dinheiro para o endividamento de curto prazo que Portugal vai "conseguindo" colocar no mercado.
Em termos técnicos não foi alterado o envelope financeiro do resgate (os 78000M€) mas, em termos práticos, foi aumentado o volume de dívida portuguesa que o BCE aceita como colateral.
Actualmente, Portugal apenas consegue emitir dívida no mercado porque os credores podem usar essa dívida como garantia na obtenção de financiamento do BCE à taxa de juro de 0.75%/ano.
Permitir alterar o limite de emissão é aumentar o envelope financeiro.

Qual é o argumento agora do PS?
Vai continuar na tecla do "mais um ano" e "mais dinheiro"?
Fica ridículo.
Então, deveria ter antes pedido "mais dois anos".
Mas como o calendário também não é para cumprir à risca, o Seguro deveria ter pedido "mais 3 ou 4 anos" ou colar-se aos socratistas de "pensar em pagar a dívida pública é uma brincadeira de crianças".
Afinal, a política do Passos de não pedir mais tempo nem mais dinheiro deu resultado.

O erro da transferência da TSU.
Do OE 2012 para o OE 2013 é preciso diminuir o défice público em 2700M€ (ver, quadro 1).
Se pensarmos que os 7% sobre a TSU aplicados a toda a gente traduziam 4700M€, se parte deste valor for perdoado aos salários mais baixos (progressivo dos 600€ até aos 800€ pois  700€/mês é o salário mediano) então, estamos a falar nos 2700M€ que são precisos para fechar o OE 2013.

Imaginemos que a tranferência da TSU avançava.
Onde é que ficava sítio para o Passos ir buscar os 2700M€ que precisava para fechar o OE 2013?
Cortar mais um salário?
Era impossível.
É esta a prova que faltava para ficarmos com a certeza de que o anúncio da transferência da TSU foi para fazer o bicho sair da toca.
E o Portas fez parte da encenação.

Agora vem o corte via IRS.
Um corte via IRS que vai tapar o buraco do OE. E, além do valor previsto na medida da TSU, vai ter ainda receita dos juros, rendas e dividendos.
O IRS, contrariamente ao IVA ou ao Tabaco, não tem muito por onde fugir e abrange uma base tributária muito maior.
Para vermos a enormidade da questão, para conseguir os 2700M€ no IVA seria preciso subir a taxa máxima para 30%.
Agora já é possível fechar o OE2013 com toda a facilidade.
E sobre a TSU, não ouviremos mais falar sobre o assunto.
Dá-se mais força ao "Impulso Jovem" que estava com dificuldades de arranjar financiamento, e fica a medida aí nos 100M€ (4% do valor previsto na transferência da TSU) que dá para subsidiar 60 mil novos empregos.

Qual é agora o argumento do PS e dos "senadores" do PSD?
Se o principal argumento contra a TSU era que seria injusto transferir dinheiro directamente dos trabalhadores para os patrões, agora que o Passos Coelho lhes fez a vontade, não podem dizer nada.
Continuar a martelar em tudo o que o governo faz vai começar a parecer ódio pessoal.
Bem sei que podem continuar a batalhar nas mesmas coisas mas não será com a mesma força porque vai começa a parecer ridículo.


Fig. 6 - Mesmo parecendo ridículo, há sempre quem acredite.

O Tribunal Constitucional vai ser respeitado.
O acordum do TC que invalida o corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos, aposentados e reformados para 2013 será respeitado.
Por um lado é reposto um subsídio e, por outro lado, é retirado um mês de salário no IRS que já se aplica a toda a gente.
Assim, tecnicamente os funcionários públicos recebem um subsídio mas, de facto, não recebem nada.

Como o Passos derrotou o Cavaco?
O Passos comunicou ao Cavaco Silva que fez o anúncio da transferência da TSU porque Portugal tinha chumbado na avaliação da Troika.
E agora que não vinha dinheiro porque, dada a oposição de toda a gente, não tinha como dar cumprimento ao acordo com a Troika, vinha pedir autorização ao Sr. Presidente da República para declarar ao país a bancarrota de Portugal.

E disse mais.
Que os seus tecno-ministros (das Finanças, da Economia, da Saúde e da Educação), não conseguindo fechar o orçamento para 2013 por causa da oposição do PSD, tinham pedido para  abandonar o governo.
Por isso, entregava o poder nas mãos de Sua Excelência dizendo que era obrigação das pessoas que anunciam outro caminho para avançar com soluções concretas.

O Cavaco ficou todo a tremer.
- Óh Passos pá, eu mandei a Ferreira Leite dizer mal de ti mas não pensei que levasses a mal. Era para ficares mais riginho, como eu era.
-Agora fiquei à rasca. Remete-te ao silencio e dá-me uns dias.
Não confirmo nem desminto a transcrição do seguinte telefonema:
 - Estás pá? És tu? O bloguistas das gajas boas? Eu sou o Cavaco.
- Sou eu, sou, diga lá chefe ... ouve-se mal, Silva ...
- Estou aqui à rasca porque o Passos devolveu-me a coisa e já fiz um monte de telefonemas e é tudo negas. Não sei o que lhe fazer.
-  Óh pá, estou-te a telefonar a ver se queres ser tu. Mando já ai um carro e tomas posse amanhã mesmo que ele está farto. Estou mesmo à rasquinha.
 - Eu? Isso é para mim? O presidente está a falar comigo? Óh chefe, eu tenho o meu Judo e não posso ir para Lisboa. Escolha outro, a Ferreira Leite e esses do bota baixo que têm tantas ideias. Onde é que vou arranjar aqueles milhares de milhões para fechar o orçamento?
 - Óh pá, foi isso mesmo que me disse o Passos.
- Então se nem tu queres, o fulano que menos percebe de governação do Mundo, fico mesmo sem opções.

- Óh pá, vou ter que o engolir.

Fig. 7 - Só aceitaria a carga se o PP metesse esta como Ministra da Agricultura


O Cavaco reunião o conselho de Estado.
Sei que também enviou um telegrama para as suas tropas na frente de batalha a dizer:
"princípio ordem para calar ponto bicho arreou carga ponto generala ferreira leite escondeu a cabeça ponto não tenho quem carregue a carga ponto aguentar posição até nova ordem porque nem o bloguista quer carregar ponto nome de código bolo rei fim".

Depois, reuniu o Conselho de Estado e chamou lá o Gaspar para transmitir aos conselheiros que  não havia como fechar o orçamento de 2013.
Que tinham que se votar ao silêncio ou avançar para primeiro-ministro.
O Passos disse que se tinha enganado e que voltava atrás.

E assim foi feito.
Sendo que o Passos se humilhou e aceitou voltar atrás com a TSU, foi-lhe dado todo o apoio institucional para que avançasse como pudessem para fechar o orçamento nos 4.5%.

Afinal, a presentação do aumento da TSU foi perfeita.
E como vai ser feito o ajustamento do mercado de trabalho?
Não interessa. Vamos deixar as forças do mercado actuar.
Por um lado, o subsídio de desemprego vai acabando e o povo vai ter que se começar a mexer-se.
Por outro lado, o governo vai meter uns milhões no emprego jovem.

Fig. 8 - Perfeita.

A qualquer altura, pode ser que o horário de trabalho aumente.
Mas mesmo que nada seja feito e apesar de o desemprego ir ainda aumentar nos próximos dois anitos, como os salários vão ficar fixos em termos nominais, a natural descida dos salários reais vai, daqui a uns 10 anitos, fazer o desemprego voltar ao nível de 1995.
E mais importante que isso, o Passos conseguiu algo que parecia impossível: fechar o OE 2013 em acordo com a Troika, com o CDS e com os "notáveis" do PSD depois de em 2012 não ter sido possível cumprir os 4.5% de défice.

Afinal, fez jeito o homem ter estudado ópera.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Portugal está a cumprir o défice acordado com a troika

As discussões dos últimos tempos é que o défice público está a derrapar
relativamente ao Memorando da Troika.
Os comunas deveria estar contentes porque defendem que não devemos cumprir o acordo, mas também usam esta alegada derrapagem para ataca o Pedro Passos Coelho.
É preso por ter cão e preso por não ter.
Os nossos comunas e sócios (broquistas, socratistas e demais mentecaptos) são como aquelas mulheres da vida que dizem mal da vizinha "sérias" gritando que "é uma beata que só ajoelha para rezar" mas que,  sabendo que ela foi encostada pelo Luisão e desmaiou, logo saiem a terreiro gritando que "é um puta fingida" quando deveriam dizer "pedimos desculpa porque nos enganamos".

Os nosso comunas e sócios, se fossem sérios, diriam:
- Pedimos desculpa ao Pedro Passos Coelho porque, afinal, ele não está nada a ir para além da troika porque nem sequer vai atingir a meta que o Sócrates acordou como esses neo-colonialistas. Obrigado por nos ouvires.

Mas estamos a cumprir. Vejamos o que diz o memorando da Troika.
No memorando, o Sócrates obrigou Portugal a um défice público máximo de 10068M€, 5.6% do PIB, em 2011 e de 7645M€, 4.5% do PIB, em 2012.
Como, em 2011, não vamos atingir os 7645M€, parece concluir-se que "eles" nos vão chumbar.
Como não cumprimos, tudo o que foi feito é um fracasso.

É como aqueles que classificam a medicina como a mais estúpida profissão do mundo porque acabamos todos por morrer.

Fig. 1 - Só no fim é que se fazem as contas.

Esta conclusão está errada porque
       1) vamos cumprir o acordado,
       2) ainda não se acabou a viagem mas já se deram alguns passos.
Num paragrafozinho a que ninguém dá importância, o memorando diz (nos pontos 1.2 e 1.5) que:

"O desempenho será avaliado através das metas trimestrais do défice (acumuladas)".

A palavra acumuladas faz toda a diferença porque traduz que, no global dos dois anos, o défice público não pode ser maior que 17713M€. Desde que, na proporção de cada trimestre, o défice acumulado seja menor, está-se a cumprir o acordo.

A Eurostat afiança que em 2011 o défice público português foi 4.2% do PIB
Então, em 2011, o nosso défice foi de 7180M€, 2888M€ abaixo do combinado. Bem sei que este défice tem os 6000M€ do fundo de pensões da Banca, mas esta operação foi aceite pelas instituições que nos estão a resgatar como receita.
Então, agora temos esse "crédito" para descontar em 2012 pelo que o défice público estará dentro do acordado desde que fique abaixo dos 10500M€, 6.2% do PIB.

Mas um défice de 6.2% do PIB em 2012 é inaceitável por causa da trajectória.
Como é preciso atingir os 3% do PIB em 2013, é preciso uma trajectória de convergência para este valor.
Se descontarmos as medidas excepcionais, o défice público foi em

     2009 -> 17200M€ (10.2% do PIB)
     2010 -> 16920M€ (9.8% do PIB) = uma consolidação de   300M€
     2011 -> 13200M€ (7.7% do PIB) = uma consolidação de 3740M€, -2.2% do PIB

Para 2012, considerando o valor total (será o limite superior)
     2012 -> 10500M€ = uma consolidação de 2680M€, -1.6% do PIB
Considerando literalmente o acordado com a Troika para 2012
     2012 -> 7645M€   = uma consolidação de 5135M€, -3.3% do PIB

O défice vai ser aceite se conseguirmos uma consolidação de 2.4% do PIB,
     2012 -> (7645M€ + 10500M€)/2 = 9070M€ (valor médio entre os dois cenários)
     Será aceite um défice de 5.3% do PIB,  uma redução de -2.4% do PIB
     Será uma redução de 4100M€ relativamente a 2011.

     2012 -> 9100M€ (5.3% do PIB) = uma consolidação de 4100M€, -2.4% do PIB

Em 2013 "apenas" temos que fazer uma consolidação semelhante à de 2012
Em 2012 consolidamos 4100M€ ao défice que fica em 9100M€, para em 2013 termos
     2013  -> 5000M€  (3.0% do PIB) = uma consolidação de 4100M€, -2.4% do PIB
O orçamento de 2013 tem que apontar para um défice de 5000M€ nas transitam 1500M€ de 2012 para a eventualidade de uma derrapagem. Se for necessário, pode ser usado metade do valor ficando o défice poderá em 3.5% do PIB.

Fig. 2 - 2013 está mesmo em cima de 2012 e tem um corte igual

Lentamente, vamos dando passos no caminho da "Regra de Ouro"
     2014  -> 2500M€  (1.5% do PIB) 
     2015  ->   850M€  (0.5% do PIB) 


Qual a lógica da "Regra de Ouro".
O Passos repetiu no Pontal que temos que meter na Constituição a regra de que o défice deve ser 0.5% do PIB.
Esta "Regra de Ouro" não obriga a que o défice seja sempre 0.5% do PIB como pensa o Cavaco mas apenas que deve ser este o número para o qual os governos devem trabalhar se a dívida estiver acima dos 60% do PIB.
Nos anos em que for maior e se a dívida estiver acima dos 60% do PIB, tem que haver um plano para a redução do défice.
Mas quem tiver uma dívida abaixo dos 60% do PIB continua a ter os 3% como meta.

Fig. 3 - Se a Alemanha tivesse um défice de 10% nós viamos a gravidade do défice ser elevado.

A lógica do 0.5% prende-se com a sustentabilidade da dívida pública.
Na regra de Maastricht, era assumido um crescimento do PIB de 3%/ano. Neste caso, um défice de 3% do PIB faria a dívida pública convergir para 60% do PIB.
Agora a previsão de crescimento degradou-se para 2%/ano. Além disso, os países descontrolaram a sua dívida pública que se pretende corrigir num horizonte temporal de 30 anos.
Então, foram traçados vários cenários

Cenário C1 - Os países periféricos (Portugal e Grécia, com crescimento de 1%/ano) diminuirão de 120% de dívida para 60% com um défice público médio de 0.5% do PIB (sempre no valor inferior da "Regra").
Cenário C2 - A Irlanda (com crescimento de 3%/ano) com 120% de dívida convergirá para 60% com  um défice público de 0.5% do PIB em 15 anos. Depois, poderá ficar acima do 0.5%.
Cenário C3 - Globalmente, a Zona Euro (com crescimento de 2%/ano) com 87% de dívida convergirá para 60% com  um défice público de 2.0% do PIB (uma média entre 0.5% nos anos bons e 3.0% nos anos maus).

Fig. 4 - Cenários por trás da Regra de Ouro da ZE

Porque é que a dívida pública dos países tem que ser 60% do PIB?
O número não precisa se exactamente este. Seria igualmente bom ter 30% ou de 90%.
A questão é que tem que ser, tendencialmente, o mesmo valor para todos os países que pertencem À Zona Euro. Não serve, por exemplo, ser globalmente 60% tendo a Alemanha 10% e a França 120%.

Tem que ser igual para todos porque o BCE usa a dívida pública como colateral.
A quantidade de moeda em circulação é relativamente pequena, 850 mil milhões €, aumentando cerca de 4%/ano (2% para cobrir a inflação e 2% para cobrir o crescimento do PIB), cerca de 35 MM€/ano.
Ale´m dos movimentos de longo prazo, o control da taxa de inflação obriga o BCE a corrigir a quantidade de notas em circulação diariamente o que é feito pelo empréstimo de notas aos bancos (cedência de liquidez usando os títulos de dívida pública como garantia) e pela compra de dívida pública no mercado secundário (operações de open market).
Como o BCE não distingue ás dívidas dos diversos países, os países com maior dívida pública apropriam-se de uma fatia maior dos ganhos de senhoriagem (que resulta da emissão dos 35MM€/ano de notas novas).
Se não fossem impostos limites a cada país individual, seria possível que um pequeno país como Portugal (Grécia ou Irlanda), tivesse uma dívida públicas na ordem dos 500% do PIB, sem nunca imaginar paga-la. Era esta a ideia do Sócrates quando disse que "pagar a dívida pública é uma brincadeira de crianças".
Os comunas e sócios (onde se inclui o Cavaco) querem que o BCE compre dívida dos países em dificuldades (a nossa pois estão-se borrifando para os outros) porque com isso apropriaremos os recursos dos nossos parceiros.

É uma tonteria defender a compra directa de dívida pública.
Porque o lucro do BCE é, no fim do ano, distribuido pelos membros da Zona Euro.
Se o BCE emitiu 40MM€ tendo lucros de 38MM€, distribui 80% (O TS disse-me qual era o valor exacto que já escrevi num post mas esqueci-me) deste valor calhando 2.6% a Portugal, 790M€.
Dão esse ao nosso governo.
O que o Cavaco queria (e os outros comedores) é que o BCE peque nos 30MM€ e emrpeste esse dinheiro SÓ A NÓS à taxa de 1%/ano, os coitadinhos.

E os outros países ficavam a chuchar no dedo.
Realmente era boa ideia.
Dizem que é isso que acontece nos USA, mas não é, mas mesmo que fosse, eles são um Estado é unitário Em que o lucro da emissão de moeda é depois, via Orçamento do Estado, distribuido por todos.
Na Zona Euro, uma vez caindo o dinheiro em Portugal, nunca mais os Alemães, Gregos ou Irlandeses o veriam.
 
Fig. 5 - A ideia do Cavaco é boa mas vamos ter que nos contentar com o chupar no dedo

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 22 de junho de 2012

As saidas do Euro aproximam-se e serão em conjunto

Enquanto as previsões das eleições na Grécia a pender para os do Loucã, a saída do Euro parecia iminente. Agora que ganharam os do Passos, a coisa acalmou mas as questões económicas de base não ficaram resolvidas pelo que a saída da Grécia da Zona Euro é inevitável.
Como a saída de um país põe em causa a capacidade dos outros países em dificuldade, principalmente a Espanha e a Itália pela sua dimensão, manterem o princípio de que a entrada na Zona Euro é irreversível, então, está a ser desenhado / negociado um plano para a saída conjunta de todos os países em dificuldades da dívida soberana, os PIIGS.
Apenas a Irlanda, pela sua pequena dimensão, poderá ficar.

Fig. 1 - As feias tapam a cara com a bandeira e as gordas apagam a luz. A crise e o amor à pátria são tamanhos que vão gordas, magras, altas, baixas, comunas, fascistas. Marcha tudo.
Como é o plano?
A saída será negociada e anunciada com tempo
Apesar de um país poder sair unilateralmente da noite para o dia, como a União Europeia é um espaço civilizado, de diálogo, concertação e solidário, as saídas vão ser negociadas e enquadradas num plano de auxilio financeiro que permitirá uma transição suave.
Se assim não fosse pensado, não estavam a emprestar 78 mil milhões de euros a Portugal a uma taxa de juro muito abaixo da taxa de juro de mercado nem tinham emprestado a um país em bancarrota como é a Grécia.
Por isso, contrariamente ao que dizem os "pensadores" que replicam o que já aconteceu no passado (copiando a dissolução da Checoslováquia e o fim da URSS), as saídas serão anunciadas com tempo não havendo perdas das poupanças, rotura do sistema bancário ou fecho das fronteiras.
Não será nada dramático e nem vamos sentir um impacto maior que o vivido em austeridade (que irá continuar).

Fig. 2 - A Zona Euro parece um beco sem saida mas tudo tem solução.

1) O fundo de gestão da dívida - Eurobonds
A informação que vai surgindo é que vai ser criado um instrumento financeiro que vai absorver a parte da dívida acima de 60% do PIB dos países intervencionados.
A dívida vai ser garantida conjuntamente pelos países da União Europeia (e não só da Zona Euro).
Este fundo não vai ser aberto ao mercado. Os credores passam a proporção da sua dívida que está acima de 60% do PIB compulsivamente para o fundo. Por exemplo, como Portugal deve 120% do PIB então, um credor de 150.000€, passa 75.000€ para o fundo e os restantes 75.000€ continuam dívida do Estado Português.
Vai ser criado um imposto sobre todos os países da União Europeia para pagar os juros anuais dos créditos passados para o fundo.
A taxa de juro será a das obrigações alemãs a 30 anos
O valor nominal da dívida será paga daqui a 50 anos pelo país devedor. Para uma taxa de inflação de 2%/ano e um crescimento do PIB idêntico, 60% do PIB de 2012 vão corresponder a 8.3% do PIB de 2062.
Prevê-se que a Itália e Espanha continuem a refinanciar a parte remanescente da sua dívida pública no mercado e que Portugal, Grécia e Irlanda evoluam rapidamente nesse sentido. 

2) O comprometimento do país e a retaliação.
Os países intervencionados garantem o equilíbrio das contas públicas e das contas externas num determinado prazo.
Haverá financiamento e monitorização do endividamento do Estado e do sistema bancário.
Se não forem cumpridas as obrigações, o país sofrerá retaliação que poderão passar pela expulsão da União Europeia.
Também os investidores, sabendo que os países têm risco, vão ter maiores cautelas não permitindo o endividamento fácil dos Estados.
Mesmo no caso da expulsão de um país, o fundo continuará a pagar a dívida assumida perdendo-se apenas o pagamento final.

3) Os PIIGS sairão conjuntamente da Zona Euro em 01/01/2013.
Não é possível criar um Euro2 para os PIIGS porque estes países não têm ligações económicas entre si. Apesar de em termos económicos ser possível a união Portugal/Espanha e a união Itália/Grécia, em termos políticos não é viável. Então, cada país voltará à moeda que tinham antes do Euro.
A) Nos primeiros 6 meses, o câmbio será fixo ao Euro.
B) As pessoas serão livres de manter os depósitos bancários e as dívidas em Euros.
C) Haverá uma taxa de juro para os Euros e outra para a moeda local.
D) Posteriormente, haverá uma desvalorização continuada ao longo de 3 anos da moeda local.
E) No final da transição, as novas moedas passam a câmbios flexíveis como actualmente acontece com as moedas de todos os países da União Europeia que não estão na Zona Euro (o ERM II).

A França é o principal entrave à resolução dos problemas da Zona Euro.
A França quer ser a cabeça dos desgraçados mas que seja a Alemanha a pagar as dívidas desses falidos.
O Holland nunca falou em garantir as dívidas públicas dos PIIGS. Fala em Euro Bonds mas garantidas pela Alemanha.
A França poderia criar o Euro2, sair do Euro e formar uma zona monetária em bloco com os PIIGS que faria frente ao Euro.

No BCE2 poderia haver todo o que defende o Holland e demais comunas.
Haveria solidariedade, um banco central flexivel, uma inflação elevada, EuroBonds e mulheres boas.
Pensando bem, a Merkel pode não ser muito bonita mas é melhor que a Lagarde.
Mas aí os franceses usam o principio do "agarrai-me senão faço-me forte e o gajo dá cabo de mim". É que seria a França a pagar a dívida dos PIIGS.
E a demagogia do Holland é grande mas não dá para isso.
Os franceses elegeram um fulado que prometeu descer a idade de reforma porque antecipam que a Alemanha vai pagar.
Mas não querem usar o mesmo princípio relativamente aos outros poqrque serão eles a pagar.

Fig. 4 - Parecem burros mas não são.
Eu antecipo que a França vai ceder
E que dentro e dias este plano seja anunciado.
O facto de o Berlusconni já ter defendido que a Itália deve sair da Zona Euro, é indiciador que a coisa está quase pronta.

Finalmente.
Já não me lembro quem disse que eu estava muito tenso num poste que escrevi.
Pudera. É que só agora dei conta que as maluqueiras do Sócrates me cortou mesmo o subsídio de férias.E para pior, estes insistem nos mesmos erros mas a duplicar.
São mais eólicas mas agora no mar e não fazem nada.
Vou só recordar que quando o Passos tomou posse disse que "dentro de um mês os Estaleiros Navais de Viana do Castelo estão resolvidos". Já passou mais de um ano e ainda não fizeram NADA.
Os comboios continuam SEMPRE EM GREVE.
E o défice a aumentar quer dizer que veêm ai mais medidas de corte.
Fiquei e continuo danado. Até deito fumo pelas orelhas. Grito, chamo-lhe todos os nomes que me veêm à memória e mais dois ou três que invento.

Fig. 5 - Estou á beira de um ataque de nervos.
Pedro Cosme Costa Vieira

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