Cortar na despesa - a educação
Depois das transferências sociais e dos gastos em saúde, a educação é a rubrica orçamental que absorve mais recursos públicos
Será que o OE 2013 é exequível?
Na discussão em torno da actual crise económica portuguesa há duas perguntas que precisam ser respondidas. A primeira é se o OE2013 é exequível e a segunda é se existe uma alternativa à política de consolidação orçamental actualmente levada a cabo pelo governo português (a denominada austeridade)
Cortar na despesa - a Segurança Social
Analisando os OE2012 e OE2013, verifica-se que a consolidação real efectuada no período 2010-2013 de 10.0MM€ resulta de uma redução na despesa de 17.4MM€ (que compensa uma quebra na receita de 7.4MM€)
Será o "outro caminho" diferente da "austeridade"?
Vou mostrar que Portugal não vive em austeridade e que a "política de austeridade" é exactamente o mesmo que "a política do crescimento". Finalmente, mostrarei que o endividamento externo leva ao empobrecimento
Quanto custará Portugal sair do Euro?
Se saírmos da Zona Euro, o rendimento mantém-se mas as dívidas aumentam 25%. Actualmente ganhamos 1000 e pagamos uma prestação de 250.Se ficarmos na Zona Euro, passamos a ganhar 750 e continuamos a pagar 250.Se voltarmos ao Escudo, continuamos a ganhar 1000 e passamos a pagar 333. Isto é perfeitamente equivalente pelo que não haverá qualquer perda.
Porque os salários são altos nuns países e noutros não?
Quando eu (e outras pessoas com o António Borges) afirmo que "os salários em Portugal têm que descer para ganharmos competitividade" e assim melhorar as nossas contas externas (e o nosso nível de vida), os opositores a esta necessidade perguntam-me até quanto terão os salários que descer
O buraco dos transportes públicos
A subida dos transportes em 15%, 30% ou 50% custa muito mas vai melhorar a vida dos portugueses. De facto, o custo tem que ser pago pelos portugueses, e a política de preços baixos apenas serviu para ter uma rede de transportes exagerada e socialmente mal desenhadas.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
O mau, o feio e o péssimo
sexta-feira, 11 de abril de 2014
O salário minimo deveria desaparecer, ponto.
=> n é o número de trabalhadores empregados
=> Lucro de pleno emprego antes de imposto = 4950€
Agora vêm os impostos distributivos
=> Imposto (a distribuir pelos trabalhadores) = 3465€
O imposto regulariza os rendimentos (o rendimento dos trabalhadores fica maior que com o salário mínimo) e o lucro do empresário também fica maior.
Esta conclusão aplica-se a todos os preços: não se combate a pobreza proibindo os preços dos bens issenciais de subir (porque deixarão de existir à venda) mas com politicas de apoio ao rendimento dos pobres.
Por comparação, nos USA o salário mínimo federal é de 5,35€/h, mais baixo que o alemão quando têm um nível e riqueza que é quase 60% maior.
Em termos relativos o SM dos USA é 26% do PIBpc, menos de metade do nosso e do alemão.
Porque temos, por um lado, um Passos Coelho que sabe que a subida do SM é negativo para as pessoas e um Portas que tenta praticar demagogia política ao mais alto nível. Compatibilizar as duas coisas é como caminhar na corda bamba mas a alternativa é entregar o cordeiro aos lobos (i.e., entregar o poder aos esquerdistas).
É o dilema retratado na Lista de Schindler. 1) trato mal as pessoas e exploro-as até à exaustão ou 2) faço de bonzinho com as pessoas e os carrascos matam-nas sem pestanejar.
O salário mínimo deveria acabar de vez mas não existem condições políticas para que isso aconteça. O povinho não está preparado para isso.
Em política
As medidas não são absolutamente certas nem erradas pois dependem do impacto que têm na alternância do poder.
Se o Salário Mínimo aumentar 3,1% para para 500€/mês, é mau mas poderá haver medidas na Concertação Social que anulem o efeito deste aumento. Por exemplo,
=> aumentar o número máximo de horas do Banco de Horas;
=> os contratos a termo certo poderem ser renovados até 8 anos;
=> Introdução de flexibilidade em baixa no salário por acordo individual até o limite máximo de 15% do contrato colectivo de trabalho.
É preferivel o dano dos 3,1% corrigido parcialmente com algumas medidas de flexibilização a voltar aos desvarios socialistas.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A diminuição do desemprego em recessão
O ficheiro excel está aqui.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Estaremos no ponto de viragem?
O ficheiro excel com os dados está aqui.
Estão um bocadinho desorganizados mas penso que dá para ver.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Como o desemprego se liga ao défice externo?
A onda que varre uma economia desequilibrada com a taxa de juro na crista afoga tanto mais o mercado de trabalho quanto mais rigido for.
A Ciencia Economica não foge à regra e divide a globalidade do mundo em partes mais pequenas que são denominadas por mercados. Sendo a divisão artificial há sempre ligação entre um mercado e os outros mercados mas as ligações são mais fracas que as ligações dentro de cada mercado.
Na economia planificada teria que sair um decreto de racionamento a reduzir o consumo de batatas.
Na economia de mercado a informação de que há menos batatas vai passar aos consumidores pelo aumento do preço das batatas.
O impacto do preço da batata na quantidade transaccionada é medido pela elasticidade preço que, se por exemplo for -2, traduz que o aumento de 1% do preço das batatas faz reduzir a quantidade transaccionada em 2%.
Se assim fosse, Q = k.P^-2, para "obrigar" as pessoas a comer menos, o preço das batatas iria aumentar 41.4%.
Um mercado também pode influenciar no mesmo sentido outros mercados por causa do efeito rendimento. Por exemplo, o aumento do preço das batatas em 1% também vai diminuir o consumo de electricidade em 0.2% porque as pessoas ficam com menos rendimento disponível.
Existem bens que a produção responde rapidamente às variações dos preços (bens elásticos) enquanto outros não (bens inelásticos).
Normalmente a macroeconomia considera 3 mercados agregados.
Este mercado considerar como medida do equilíbrio a "taxa de desemprego" (a percentagem de pessoas que diz não ter emprego e que está à procura de emprego).
Como já mostrei para o caso das batatas, o preço é a variável por excelência que equilibra cada um dos micro-mercados mas, juntarmos todos os bens e serviço no mesmo mercado, os preços relativos deixam de ser relevantes no equilíbrio do macro-mercado. Então, em termos macroeconómicos a variável mais forte neste mercado é a taxa de juro.
Se há uma desvalorização de 5%, os preços face ao exterior diminuem instantaneamente 5% mas os salários também diminuem 5% face ao exterior.
Depois, há os efeitos cruzados.
A correcção do desequilíbrio de um mercado tem impacto, mas menor, em todos os outros mercados.
Entre 1999 (que começaram os câmbios fixos) e 2005, as nossas contas externas desequilibraram-se porque os preços aumentaram 7.3%/ano relativamente aos nossos parceiros da Zona Euro e, desde então, essa diferença mantem-se (ver, Fig. 2).
Os custos do trabalho aumentaram 1%/ano até meados de 2010, altura em que começaram a diminuir cerca de 7%/ano (ver, Fig. 3).
Apesar da redução dos custos do trabalho, ainda não se observa uma redução dos preços relativamente aos nossos parceiros da ZE.
A taxa de juro "atacou primeiro".
Até 2010 tínhamos um défice externo de 10% do PIB que o Sócrates se recusou a corrigir promovendo aumentos do salário mínimo, dos salários dos funcionários públicos e majorou as transferencias sociais.
Como os preços e os salários não foram chamados a corrigir esses défice externo, a taxa de juro começou a entrar em funcionamento. Se inicialmente o Sócrates tentou combater isso baixando as taxas de juro dos Certificados e Aforro e lançando a Dívida Pública no exterior, por fim a taxa de juro libertou-se e em 2010 atacou com toda a força na missão de equilibrar a nossa economia. Se em finais de 2009 tínhamos uma taxa de juro a 10 anos abaixo dos 4.0%/ano, em meados de 2011 já a taxa de juro estáva acima dos 13%/ano.
Com uma taxa de juro tão elevada, as importações, o consumo e o investimento reduziram rapidamente mas com impacto negativo na rentabildiade das empresas (aumento dos custos).
Se os diversos mercados não ajustassem, a taxa de juro teria que ficar sempre alta mas a boa notícia é que os outros mercados já entraram numa dinâmica de ajustamento.
Depois veio o desemprego.
Em 2010 a taxa de desemprego já era elevada o que traduz que o mercado de trabalho já estava desequilibrado. Mas a subida da taxa de juro vem meter grande pressão neste mercado porque a margem das empresas (antes de amortizações e juros) teve que aumentar para pagar os juros.
Um posto de trabalhado que tenha associado 30 mil € de capital amortizável em 10 anos, para uma taxa real de 2%/ano precisa de uma margem de 275€/mês enquanto que quando a taxa de juro real sobe para 11%/ano, a margem tem que subir para 400€/mês (para manter o posto de trabalho, o salário tem que reduzir 125€/mês).
Com a pressão dos juros, as empresas começam a ir à falência e a despedir (ficam só com os mais produtivos). E este problema soma à necessária reestruturação da economia de bens locais (não transaccionáveis) para bens expostas à concorrência (para substituir importações e aumentar as exportações).
O combate ao desemprego.
Serei eu que estou a ver mal o problema ou estaremos em presença de demagogia massiva?
Havendo muitas pessoas desempregadas e com o subsídio de desemprego a diminuir, as pessoas vão-se sujeitar a ganhar menos.
Ainda ontem eu estava a falar com umas colegas e fomos unânimes: se hoje qualquer um de nós fosse despedido, teria dificuldade a arranjar um emprego a ganhar metade do que ganha actualmente. Eu prefiro que me cortem o salário em 10% do que ser atirada uma moeda ao ar e eu ter 5% de probabilidade de ser despedido.
Ainda na crista da onda, aparecem os preços.
Só depois de os custos reduzirem é que os preços podem começar a cair.
Apesar de esse movimento ainda não se ter observado, as últimas estatísticas dizem que em Maio Portugal foi o país com mais baixa taxa de inflação da Zona Euro.
Vamos lá ver se este movimento deflacionista vai acelerar pois é o único passo que falta para o ajustamento.
Voltamos aos juros com a onda a quebrar.
Quando os salário caiem os preços também começam a cair pelo que o mercado externo passa lentamente a ser controlado pelo nível geral de preços podendo a taxa de juro recuar.
Só depois vem o emprego e o crescimento económico.
Só depois dos rpeços cairem é que haverá uma descida da taxa de juro para niveis normais o que anula a pressão financeira sobre as empresas. Desta forma aumenta a margem para que os preços caiam mais rapidamente (o que aumenta as exportações) e que sejam contratadas mais pessoas.
Nesta altura, o desemprego começa a diminuir e, como mais pessoas a trabalhar implica mais produção, o PIB re-começa a crescer.
Finalmente, voltamos aos salários reais de 2010.
Com a redução do desemprego o salário nominal deixará de cair. Juntando a queda dos preços, depois de atingir um mínimo, o poder de compra dos salários aumenta para o seu que tinhamos em 2010. Sob as minhas previsões (a produtividade horaria do trabalho aumenta 1.9%/ano e a correcção dos preços em 7.3% precisa de uma diminuição dos salários reais em 12%), lá para 2020 voltaremos a ter o nivel de salário real de 2010.
São só 10 anitos para recuperar os erros de 15 anos de despesismo.
É isso que acontece, por exemplo, nos USA, que consegue digerir os choques muito mais rapidamente que a Zona Euro. Não tem nada a ver com a intervenção monetária da FED (como querem fazer crer os esquerdistas) mas tem a ver com o mercado de trabalho ser muito mais flexível que o mercado europeu.
Recordo aos esquerdistas que nos USA um trabalhador pode ser despedido sem pré-aviso e sem ser apresentada qualquer razão. Pura e simplesmente, rua. Quando começou a crise de 2008, 6 milhões de pessoas perderam o emprego quase instantaneamente, mas essa reacção rápida faz com que a digestão da crise comece quase imediatamente (ver, Fig. 5).
Mas o problema é o futuro.
Se a nossa economia continuar rigida, cada nova crise que aí venha (e nos próximos 5 anos naturalmente vai aparecer outra), a economia ter+a mais dificuldade a ajustar pelo que o desemprego estrutural (de longo prazo) será cada vez maior e o crescimento cada vez menor.
Vamos rezar para que isso não aconteça mas sabendo que a nossa RTP gasta o dobro do dinheiro que gastava a RT Grega e dizem que aquilo era um buraco sem fundo, vemos que a coisa por cá está preta.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Como balanço de 2012, o desemprego é o maior problema
A anulação do défice da Balança Corrente, BC, é mesmo o grande feito dos quase 2 anos de governo do Pedro Passos Coelho.
A BC soma todas as transacções com o exterior (balança comercial, balança de serviços, juros, lucros e transferências dos emigrantes e da UE). Quando é deficitária traduz que o país se está a endividar face ao exterior.
No tempo do Sócrates, cada português endividava-se 150€/mês (dos quais, 60€/mês eram juros para pagar a divida que se foi acumulando), mais que 10% do PIB.
Quase por milagre, em menos de 2 anos que leva o governo do PPC, a BC corrigiu (ver Fig. 1). E ainda é mais notável sabendo-se que cada um de nós continua a pagar 60€/mês de juros ao exterior. Assim, se não fossem os juros, teríamos uma BC bastante positiva (cerca de 4% do PIB).
Naturalmente que a nossa vida piorou.
Se no tempo do Sócrates cada português acrescentava ao seu rendimento 150€/mês que ia pedir emprestado ao exterior, agora que esse dinheiro deixou de entrar, naturalmente que vivemos com mais dificuldades.
150€/mês a menos é muito dinheiro. Uma família de 5 pessoas, hoje tem disponíveis menos 750€/mês que tínha em 2010.
Então, para onde vai o dinheiro da Troika?
O facto da BC estar equilibrada traduz que, de facto, não entra em Portugal nem um euro do dinheiro que a Troika empresta a Portugal, do dinheiro que o governo foi buscar aos "mercados" ou do dinheiro que o BCE empresta aos nossos bancos.
Esses milhares de milhões de euros servem apenas para fazer o rollover da dívida que temos ao exterior e que se vai vencendo.
O défice da balança corrente foi-se acumulando ao longo dos anos do Guterres, Santana Lopes e Sócrates e o Estado, as famílias (via bancos) e as empresas ficaram a dever muito dinheiro a pessoas estrangeiras. Assim que um empréstimo vencia, pedia-se dinheiro a outras pessoas do exterior para o amortizar.
Entretanto, em princípios de 2011, deixamos de conseguir arranjar novas pessoas que nos quisessem emprestar mais dinheiro para gastar e fazer o rollover da dívida tendo sido preciso pedir ajuda aos nossos amigos. Precisamos que a Troika e o BCE nos emprestassem dinheiro mas na condição de o usarmos apenas para pagar as dividas que se vão vencendo.
O burro do Seguro diz que a Troika tem que mandar decisores políticos.
Mas a Troika não nos ofereceu ajuda. Foi o Sócrates + Teixeira dos Santos que foram pedir ajuda à Troika com o chapéu na mão porque estávamos na bancarrota. Se o PS não quer a Troika que diga que, se fosse governo, mandava o plano de ajuda às urtigas.
Se Portugal quiser, é só dizer, e a Troika suspende o programa.
Os burros do PS é que pediram ajuda à Troika e não foi a Troika que se ofereceu para nos ajudar.
Não é como os loucos do PS dizem.
Que se podiam usar os milhares de milhões de euro emprestados pela Troika e pelo BCE para gastar em mais despesa pública, menos impostos e investimento em mais SCUTS e TGV malucos (à moda do Sócrates) dando inicio à uma mítica "política de crescimento".
Nem um euro cá entra.
Esse dinheiro é apenas para ir pagando aos credores externos as dívidas que o Guterres e o Sócrates fizeram nos 10 anos que lá estiveram.
Pagar calotes.
E a contracção do PIB não será um grave problema?
É mas resulta directamente do aumento do desemprego.
Não é o desemprego que resulta de não haver procura mas antes o contrário. O PIB contrai por há menos pessoas a trabalhar.
Para se produzir é preciso capital (máquinas, instalações, patentes, etc.) e trabalhadores. Se diminue o número de trabalhadores, naturalmente que a quantidade que se produz vem menor.
E é exactamente isso que está a acontecer.
Apesar de o PIB estar a diminuir desde o tempo do Sócrates (3.º trimestre de 2010 até ao 4.º trimestre de 2012 diminuiu 6.8%), essa queda é completamente resultado do aumento do desemprego pois o produto por trabalhador está estável (ver, fig. 2).
O nosso problema de crescimento nulo desde que entramos no Euro não é a produtividade por trabalhador (que aumentou 16%, cerca de 1.3%/ano) mas do aumento do desemprego (ver, Fig. 3).
A minha previsão (optimista) é que a legislatura acabe em 2015 com uma taxa de desemprego na ordem dos 19% a 20% para depois começar a cair com uma trajectória simétrica à que se tem observado desde 2008. Se assim for, por volta de 2017 ou 2018, o desemprego voltará aos 12.5% de 2010. E se tudo correr bem, em 2022 voltamos aos 8.5% de desemprego de meados da década de 2000.
Seria possível termos uma menor taxa de desemprego?
Mantendo-se constante o PIB por trabalhador (ver, Fig. 2), quando o PIB contrai, o desemprego aumenta (ver na Fig. 4 os dados trimestrais anualizados de 2000-2012).
Em fiz uma contas em 2011.
E fiquei muito pessimista porque, comparando com os outros países da UE que em 2009/10 levaram a cabo correcções da BC (Estónia, Irlanda e Roménia), o multiplicador da Balança Corrente no PIB era de 1.8. Então, a correcção do nosso défice das contas externas em 10% do PIB iria causar uma contracção do PIB de 18% e um aumento do desemprego dos 8.5% de 2008 para 25%.
Recordo que a Espanha e a Grécia já estão com taxas de desemprego acima desta minha previsão, 26.5% da população activa.
Pelas minhas contas, é notável termos conseguido corrigir a BC com um aumento da taxa de desemprego de 8.5% para "apenas" 16.9%, metade do incremento do desemprego conseguido em 2009/10 no ajustamento da Estónia, Irlanda e Roménia (e da Grécia e Espanha actualmente). Se conseguirmos manter a taxa de desemprego abaixo dos 20%, será um ajustamento positivo.
Custa muito viver 9 trimestres seguidos de contracção do PIB (desde o 4.ºT de 2010) e haver um desempregado em cada 6 trabalhadores mas, comparando com outros países, a correcção da BC poderia ter sido acompanhada por uma contracção muito maior do PIB.
E porque o PIB contrai e o desemprego aumenta?
O comentadores que aparecem nos media têm uma visão keynesiana pelo que explicam o desemprego pela redução da procura interna não compensada pelas exportações (procura externa).
Há máquinas, instalações, saber fazer que não se consegue alterar.
domingo, 18 de novembro de 2012
Será a tal política de crescimento o BCE deixar de controlar a inflação? - I
Eu tenho as covinhas à volta do tendão-de-Aquiles pretas porque os pés ficam muito longe das mãos e eu tenho preguiça de os esfregar. Já experimentei deixá-los de molho mas não resolveu.
Pegando em dados da OCDE do PIB e divididindo pelo número de pessoas a trabalhar, (1-taxa de desemprego), vemos que o PIB por trabalhador português a trabalhar estava a aumentar 1.6%/ano mas teve uma quebra de tendência com a crise do sub-prime (ver, Fig. 2).
E porque será que o desemprego na Alemanha diminuiu e em Portugal e na Grécia aumentou?
Até 2008, as taxas de desemprego em Portugal eram menores que na Alemanha. Nessa altura o Cavaco disse "apanhasse a Alemanha estar como nós" e com alguma razão. Mas desde então, as coisas alteraram-se.
Porque será?
Desde há 50 anos que há quem pense que a inflação resolve o problema do desemprego.
Os autores clássicos (e.g., Adam Smith) pensavam que os governantes se deveriam preocupar com as questão de Estado (a guerra e a paz) e que a economia deveria ser deixada, com toda a liberdade, aos cidadãos.
Era o Liberalismo condensado na máxima de Adam Smith "Deixar Fazer, Deixar Passar".
Com a crise de 1929, surgiu Keynes que pensou, em 1936, que se o Estado aumentasse o investimento (e a despesa pública) durante as crises económicas, então evitava-se, em grande parte, a severidade da crise. A esta corrente dá-se o nome de keynesianismo.
Mas logo na altura surgiu o Hayek com uma critica que destruiu Keynes.
Para o Estado gastar mais tem que ir buscar esses recursos às famílias e às empresas com impostos ou endividamento, reduzindo o rendimento disponível das famílias e das empresas na exacta medida do seu aumento de despesa (ou investimento público). Para o Estado aumentar a despesa em 100€, as famílias e empresas têm que diminuir a sua despesa em exactamente 100€.
Então, os agentes privados vão contrair a procura na exacta medida que o Estado aumenta a sua procura sendo nulo o resultado final agregado.
É o Crowding-out.
Como o Estado é menos eficiente na afectação dos recursos escassos que os privados (porque não tem informação quanto aos gostos e preferência dos indivíduos), a intervenção do Estado leva (quase) sempre à perda de bem-estar.
Por exemplo.
No Sábado passado o Ricardo Reis disse no Dinheiro Vivo que seria positivo para os portugueses que as autarquias cobrassem mais impostos para subsidiar as obras nos centros urbanos mas isso é comunismo.
Se as obras não avançam é porque as pessoas não vêm que esse investimento aumente, em termos individuais, o seu bem-estar. Como não existe uma falha de mercado no sentido de Coase, as pessoas ficariam globalmente pior se essa medida avançasse.
Só deve haver impostos.
Para financiar actividades que esteja provado sem qualquer margem de dúvida que os privados não têm incentivos para as realizar e que sejam imprescindiveis para a sociedade.
Financiar parques públicos, na medida em que não é possível um privado sentir-se recompensado, é positivo (mas na medida certa).
Financiar transportes públicos ou portos é um erro total que apenas diminui o nosso nível de vida.
Cagan surgiu com a ideia de expandir a massa monetária.
Os keynesianos já estavam derrotados quando o Cagan veio em 1954 criar a ilusão que, se o Estado financiar o aumento da despesa pública com a emissão de moeda, aparentemente não vai cobrar mais impostos nem endividar-se. Então, como aparentemente o rendimento disponível dos agentes privados não vai diminuir, a emissão de moeda leva, à primeira vista, a um aumento da procura agregada que faz aumentar a produção e diminuir o desemprego (o puxão keynesiano).
Como é o mecanismo de Cagan.
O Governo aumenta a quantidade de notas em circulação em 10% (correspondente a 1% do PIB).
Então, as encomendas do Estado aumentam em 1% do PIB. Como o rendimento das pessoas mantém-se, a procura agregada aumenta o que faz aumentar os preços qualquer coisinha, por exemplo, 1%.
Agora aqui está a questão fulcral. Como os trabalhadores não vão dar conta da subida dos preços, vão manter os salários . Então, o poder de compra dos seus salários fica diminuído. Alto que já está aqui a aparecer a redução do rendimento as famílias pela redução do poder aquisitivo dos salários.
Mas, a redução do salário real (o seu poder de compra) faz com que se altere as decisões de produção no sentido de serem contratados mais trabalhadores.
E mais contratações de trabalhadores, leva à diminuição da taxa de desemprego e a um aumento do PIB.
Mas é um erro.
O problema é que isto apenas aconteceria se as pessoas não soubessem que a quantidade de notas (e os preços) tinha aumentado. Seria necessário que os trabalhadores se deixassem enganar, reduzindo o seu salário real, para que o desemprego diminuísse e o PIB aumentasse.
É a ilusão monetária.
E se os trabalhadores não se deixarem enganar pela inflação?
Aí, provou o Muth em 1961 com o conceito de expectativas racionais, que o efeito do aumento da quantidade de notas em circulação é apenas um aumento dos preços (existe um crowding out total).
Mantém-se o nível de desemprego e do PIB.
Em particular, Kyndland e Prescott provaram em 1977 que o Banco Central é incapaz de controlar a economia (o desemprego e o PIB) usando variáveis nominais (a taxa de inflação).
Se os salários aumentarem 1%, o desemprego não vai diminuir nem o PIB vai aumentar pelo que, no final, os preços vão aumentar 10% (o aumento da quantidade de notas em circulação).
Os do PS e demais comunas.
Continuam a pensar que o povinho é mais burro do que eles e que, por isso, se a inflação aumentasse, todos os nossos problemas económico ficariam resolvidos.
Já haveria dinheiro com fartura para essas empresas públicas que dão milhares de milhões de euros de prejuízo por ano e para as autarquias e Madeira gastar à tripa forra em tudo que não presta.
O PIB recomeçava a crescer, o desemprego acabava e voltávamos ao tempo do oásis.
Felizmente que nós não somos tão burros assim pelo que a inflação não resolve nada e só piora a situação.
Penso ter ficado claro
Que a inflação apenas resolveria o problema do nosso desemprego se os portugueses se deixassem enganar ficando com um salário baixo pensando que era alto.
Então, apenas nesse caso seria produtivo o BCE abandonar o seu objectivo de manter a inflação nos 2%/ano.
No próximo poste vou explorar as implicações de o BCE deixar de controlar a inflação (nos 2.0%/ano) e passar a controlar a taxa de crescimento do PIB nos 5.0%/ano.
Pedro Cosme Costa Vieira
sexta-feira, maio 09, 2014


































