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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Poderemos continuar no Euro?

Muitas pessoas me têm feito esta pergunta. 
Quando, em 2011, a taxa de juro média da dívida pública estava acima dos 20%/ano, parecia  certo que Portugal iria abandonar o Euro e retornar ao Escudo. Falou-se muito na comunicação social desta contingencia que, decorridos apenas 2,5 anos, passou a ser um não-problema porque a taxa de juro média já está nos 2,7%/ano, bastante abaixo dos 4,1% de 2007, ano anterior à Crise do Sub-Prime (calculada para uma maturidade média de 3 anos).
Se com as taxas de juro de 2007, dos impostos que cada um de nós paga, 850€/ano são para juros, com as taxas de agora só teríamos que pagar 600€/ano para juros.
A crise finaneira está completametne ultrapassada. Mas o problema é saber se os fundamentos que deram origem à crise já foram ultrapassados ou se continuam no meio de nós.
Qual foi o problema que o Euro nos colocou? 
Foi acreditarmos que os salários poderiam subir todos os anos como subiam antes de 1995 até se equipararem aos do Luxemburgo.
Este erro levou  o Guterres ao poder para iniciar uma politica de rendimentos e preços totalmente desligados da realidade da nossa economia que nos levou a um endividamento externo insustentável.
O sórates fechou os molhos quando, num curto espaço de tempo, aumentou o Salário Minimo Nacional de 403€/mês para 485€/mês.

Para que serve a moeda própria. 
Um país tem moeda própria para poder ajustar as suas contas com o exterior, medidas pelo défice da Balança Corrente. Se, num período, um país passar a importar mais do que exporta (mais o turismo e as transferências), o país passa a ter défice externo que precisa financiar com endividamento externo. 
O défice externo é difícil de controlar pelos politicos se as pessoas tiverem visão curta pois o endividamento faz o nível de vida melhorar no curto-prazo para o piorar no futuro (será preciso pagar a dívida mais os juros), quando já serão outros a governar. 
É tal qual aquelas pessoas que prejudicam todo o ano (a pagar prestações) porque tiveram uma grande passagem de ano, comendo leitão (em vez de frango) e andando de limusina (em vez de a pé), mas paga a crédito. 

A moeda própria permite equilibrar rapidamente as contas com o exterior.
Se exportamos menos do que o que importamos, desvalorizamos o Escudo face aos nossos parceiros comerciais o que faz diminuir o preço dos nossos produtos (face ao exterior) e aumentar o preços dos bens importados (internamente). Este duplo efeito faz diminuir a importações e aumentar as exportações. Se, pelo contrário, exportamos mais do que o que importamos, valorizamos o Escudo face aos nossos parceiros comerciais o que tem o efeito contrário.
Quando, por exemplo, o governo decretou um aumento dos salário mínimo nacional em 20%, a moeda desvalorizava, a inflação aumentava, e tudo voltava rapidamente ao equilíbrio anterior.
Os salários em Escudos ficariam iguais.
A desvalorização da moeda permite que os salários, as pensões e a despesa pública diminuam (face ao exterior) mas fiquem internamente iguais (em Escudos).
Desta forma, há a ilusão de que os rendimentos aumentam quando, na realidade, o seu poder de compra diminui (por causa do aumento dos preço dos bens e serviços importados).
Em termos psicológicos, as pessoas não penalizam eleitoralmente o governo pelo ajustamento via devalorização.
Desde 2006 passamos a ter um défice externo colossal.
O Guterres e, posteriormente, o Santana Lopes e o Sócrates pensavam que poderiam dar tudo a todos para todo o sempre. O Holland pensava o mesmo e o Seguro ainda o pensa.
Se calhar não pensavam bem isso nem o Seguro o pensa agora. O mais provável é estes políticos pensarem que, enquanto derem tudo a todos, conseguem manter os tachos e, quando o país rebentar, vão-se embora mas com pensões milionárias que o Tribunal Constitucional há-de proteger.
Fig 1 - Enquanto durar, dura e quando rebentar caindo na barriga e no quadril, rebentou. 
O Sean Sullivan é para alegrar as vistas da Sofia Santos.

Entre 1996 e 2010, o endividamento externo foi de 120% do PIB. 
Isto traduz que, nestes 15 anos, cada português se endividou face ao exterior em 20 mil €.
Uma família de 5 pessoas inflamou o seu rendimento com 100mil€ de endividamento externo.
Foram 250€/mês para cada trabalhador.
Este endividamento externo massivo causou um erro na percepção do rendimento disponível das famílias. Agora, os "cortes" que estamos a sentir é o reverso, não são uma verdadeira quebra de rendimento mas apenas o terminar desse endividamento externo.
No tempo do Sócrates endividamo-no sempre acima dos 10% do PIB, todos os anos.
Notar que o Durão Barroso conseguiu em 2 anos reduzir o défice de 10,3% do PIB para 6,5% do PIB mas os do PSD+CDS puseram-lhe os patins e veio o Santana Lopes que aumentou logo o défice para 8,4% do PIB.
Quem foi o ministro da finanças do Santana Lopes? (Veja a solução no fim que nem vai acreditar).

Fig. 2 - Défice da Balança Corrente (1990-2013, tradingeconomics)
Com o Euro, temos que ajustar pelos salários nominais.
Com o Euro, não podemos desvalorizar. Desta forma, o equilíbrio da balança corrente obriga a que os preços do bens e serviços que exportamos diminuam internamente o que apenas é conseguido pela redução dos custos do trabalho em termos nominais (redução dos salários em euros).
Como a queda dos salários induz contracção nominal do PIB, também é preciso reduzir a despesa pública.
Se os salários não diminuírem quando há défice externo, aumula-se dívida o que a prazo obriga a que a currecção seja feita pela subida da taxa de juro e pelo desemprego (como estamos a viver desde Jan2010).

Será que o nosso mercado de trabalho é suficientemente flexível?
Se o nosso mercado laboral não for flexível em baixa, no longo-prazo pertencer à Zona Euro terá um impacto negativo na  nossa taxa de crescimento do PIB.
Então, para podermos continuar na Zona Euro, a resposta a esta questão tem que ser afirmativa.

Tenho muitas dúvidas disso.
As sondagens darem maioria aos socialistas parece indicar que a maioria dos portugueses acredita no "outro caminho", no "caminho do crescimento e do emprego em austeridade", prometido pelos esquerdistas, em que podemos ficar no Euro sem descer salários nem pensões nos períodos de crise.

Mas o Holland dá-me alguma esperança.
Em 2012, o Holland chegou a presidente da França prometendo bater o pé à Sr.a Merkel e iniciar o "outro caminho". Claro que o "outro caminho" é apenas uma miragem pelo que o meia leca teve agora que avançar com o "caminho da austeridade".
Tenho esperança de que a falhada experiência francesa venha a ajudar os portugueses a ver de que há total necessidade de ajustar os nossos salários em baixa.

Bastaram 2 anos para derrotar o "outro caminho".
Na França, o Holland aguentou 2 anos om a conversa do "outro caminho" até que deu o braço a torcer.
No Egipto, a Irmandade Muçulmana também prometia um caminho de leite e mel. Apesar de anos e anos de repressão policial, a cada crise económica, a IM foi-se tornando cada vez mais populares até que, em 2011, a guerra civil parecia inevitável. A solução foi dar-lhes o poder para poderem implementar o prometido "outro caminho". O problema é que, ao fim pouco 2 anitos, o caminho foi tão desastroso que centenas de milhares de pessoas pediram nas ruas um governo militar.
Em Portugal, em 1974/1975 dois anitos de governo de influência comunista foi suficiente para os mandar, até hoje, para um canto da oposição.
Parece que 2 ano é a validae do governo demagógicos mas o Guterres aguentou 7 anos e o Sócrates  6 anos mas o nós temos a desculpa de termo sido enganado pelo crédito fácil (que acabou).
Fig. 3 - Estará o nosso povo, tal como os egipcios, convencido de que o "outro caminho" é um logro?

O ajustamento do salários é um sinal de esperança.
Até finais de 2011, as pessoas resistiram com todas as suas forças contra a descida nominal dos salários mas, finalmente, o mercado está a ajustar. Olhando para as estatísticas da Eurostat, desde 2011 os nossos custos do trabalho diminuíram 10% relativamente aos nossos parceiro da ZE12.
Este ajustamento permite que a nossa inflação seja menor que a da Zona Euro o que tem levado ao aumento das exportações e à diminuição do desemprego.
Fig 4 - Custos do trabalho em Portugal relativamente à Zona Euro 12 (fonte: Eurostat, Business, corrigido da sazonalidade e dos dias de trabalho)


Volto a estar pessimista - o PIB cresce cada vez menos.
Apesar de o nível de vida de um povo depender de múltiplas variáveis, o total de bens e serviços produzidos na economia é a componente mais importante. Todos nós sabemos que não é possível haver qualidade de vida sem acesso a bens materiais e por isso é que toda a gente grita a pedir mais salários e pensões e menos impostos.
O produzido por cada um de nós, em média, é medido pelo PIB per capita.
Então, para o nosso nível de vida melhorar, o PIBpc tem que aumentar. O problema é que o nosso PIBpc está a crescer cada vez mais devagar estando estagnado desde que entramos na Zona Euro.
Desde 2000 que temos crescimento ZERO VÍRGULA ZERO.
Se de 1985 a 2000 crescemos 3,7%/ano, entre 2000 e 2012 estivemos totalmente estagnados.
Tivemos 12 anos seguidos de "políticas de crescimento" liderados pelo Guterres, Santana Lopes e Sócrates, com défices públicos (em 2009 e 2010) e externo acima dos 10% do PIB, mas que resultaram num crescimento ZERO (-0,05%).
Fig. 5 - A taxa de crescimento anual do PIBpc português está há 40 anos a cair e há 12 anos que é zero (dados: Banco Mundial)

E estamos a divergir.
Em 1991 a Alemanha teve que digerir a economia da ex-RA o que lhe coloou sérios problemas. Isso mais a nossa entrada na CEE que actualmente se chama UE, pemitiu que convergissemos um pontos percentual por ano com a Alemanha.
O problema é que desde 2000, mesmo com endiviamento externo massivo, temos estado a divergir 0,5 pontos por ano.
Será que vamos continuar a divergir como no tempo das politicas de crescimento do Sócrates ou vamo quebrar essa tendência?

Fig. 6 - Racio entre o PIBpc português e o alemão.  (dados: Banco Mundial)

E fico ainda mais pessimista.
Muita gente pensa ser provável que, algures no futuro, o António Costa venha a ser primeiro ministro de Portugal. Mas, ao reparar que a Câmara Municipal de Lisboa reduziu os horários dos seus assalariados para 35 horas por semana, ganho a certeza que, nesse hipotético cenário futuro, vamos voltar aos tempos do Guterres+Santana Lopes+Sócrates de dar tudo a todos enquanto não rebentar.
Isto é totalmente demagógico e imoral porque o António Costa, por um lado, é contra o Passos Coelho estar a esmifrar os contribuintes mas, por outro lado, esbanja os nossos impostos para ser popular junto dos assalariados da CML.

Mas não é só lá.
O Magnífico Reitor da minha universidade queixou-se na comunicação social que os cortes  orçamentais para 2014 são intoleráveis porque põem em causa o funcionamento da instituição.
Mas eu recebi um e-mail da comissão de trabalhadores a dizer que o Magnífico aceitou, sem mais, uma redução de 6,25% no horário de trabalho semanal.

Como é possível?
Haver uma Lei da República que obriga a 40h/semana de trabalho para TODA A GENTE e depois cada cacique torpedear isso localmente?
As pessoas são funcionários públicos ou funcionário da "empresa pública XPTO", uma entidade empregadora livre de acordar o horário que lhe der na real gana porque sabe que os salário serão sempre pagos pelo Orçamento de Estado?
No limite, podemos ter funcionários públicos dispensadas de trabalhar.

Vamos Seguro, mostra coragem e manda isto para o Tribunal Constitucional.
 
Como é possível um trabalhador num local, seja uma câmara ou uma universidade, trabalhar 40h/sem e outro trabalhar 35h/sem ganhando ambos pela mesma tabela salarial?
A redução dos salários de alguns funcionários públicos viola totalmente os princípios constitucionais da igualdade (entre funcionários públicos) e da confiança (dos contribuintes de que os governantes usarão os seus impostos com zelo).

Fig. 6 - Essa tem graça mas eu agora vou fazer de morto pelo menos até às europeia.
Re-encaminhar para o Xé Xé Soares.
O que se pode concluir quanto à viabilidade da nossa permanência no Euro?
Não estou certo que, no longo prazo, seja positivo para Portugal pertencer a uma zona monetária que inclui países do centro da Europa cujas culturas e economias são, tudo indica, diferentes da nossa.
As crises económicas de 2002, 2008 e 2010 mostraram que temos muita dificuldade em ajustar e as expansões de 1996 e 2009 foram muito ténues e com elevado endividamento externo.

No longo prazo é preciso responder a 4 questões. 
1) No próximo período de expansão (2014-2015) vamos voltar ao desgoverno de 1995-2010?
2) Como irá ajustar a nossa economia quando aparecer a próxima crise (lá para 2017)?
3) Qual vai ser a taxa de crescimento do PIBpc na próxima década?
4) Conseguiremos inverter a tendência de divergência com a Alemanha?

Continuo pessimista quanto à nossa permanência no Euro.
Só se, em 2015, o povinho português rejeitar a ilusão do "outro caminho" dando o voto ao Passos Coelho é que eu me convencerei que temos algumas chances de continuar no Euro.
Actualmente ainda não acredito que o nosso povo esteja preparado para viver em Escudo.

Fig. 7 - Não compreendo o porquê da pergunta. Fui exactamente eu quem acabou com a "politica da tanga" do Durão Barroso e deu inicio à "politica de crescimento e emprego" que o Sócrates + Teixeira dos Santos apenas copiaram.

Pedro Cosme Costa Vieira.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A moeda, o crédito, o financiamento e o juro - parte 3 - O sistema monetário

Decidi escrever um conjunto de 3 postes para tentar ultrapassar a grande confusão das pessoas entre a parte real da economia (a poupança, o investimento e o juro real) e a parte monetária (a quantidade de moeda em circulação e o controlo da inflação, com ou sem juro).

No primeiro poste escrevi sobre o sistema bancário como um intermediário entre as famílias que querem poupar (galinhas) e as que querem pedir recursos emprestados (também galinhas). (Ver, parte 1  - o sistema bancário).

No segundo poste escrevi sobre a necessidade de haver um sistema de preços em que o nível geral de preços é, à partida, indeterminado mas que é controlado pela quantidade de moeda que existe em circulação. Apresentei ainda que a política orçamental pode ser usada para controlar o nível de preços usando défice quando é preciso aumentar a inflação (+ moeda) e superavit quando é preciso diminui-la (-moeda). Nesse poste já surgiu uma certa confusão entre moeda (que controla o nível geral e preços) e política orçamental (que controla a despesa e receita do Estado) mas que veremos ser uma ligação muito pequena. Esta forma de controlar a inflação tem o problema de o orçamento ficar ligeiramente prisioneiro da política monetária o que é difícil de conduzir pelos políticos e povinho que temos que defendem sistemáticos défices (Ver, parte 2 - o sistema de preços).

Neste poste vou, finalmente, apresentar várias formas de controlar o nível geral de preços (i.e., a quantidade de moeda em circulação) usando "reservas compulsivas" do sistema bancário ou uma taxa de juro de cedência de liquidez (a conhecida taxa de juro do BCE).

Fig. 1 - Eu sou pequenina mas a mamã disse que esta galinha vai ser depositada no banco para eu ter um pé-de-meia para quando for para a universidade.


O que já sabemos?
1 - Que a moeda é usada para, nas trocas, separar o momento da compra do momento da venda. Desta forma, as trocas tornam-se muito mais fáceis (não é preciso a "dupla coincidência de vontades" entre quem troca).
2- Entre as vendas e as compras, o dinheiro fica na nossa carteira o que implica haver a necessidade de uma certa quantidade de moeda em circulação. O número de transacções que cada moeda faz por ano denomina-se por "velocidade de circulação da moeda" que é, no longo-prazo, razoavelmente estável.
3 - Sabemos também que a inflação resulta do aumento da quantidade de moeda em circulação (e da diminuição do PIB ou do aumento da velocidade de circulação da moeda). É a teoria quantitativa da moeda.

Vamos ver como tem estado a inflação na Zona Euro.
A Zona Euro começou em 1 de Janeiro de 2009 e fiou decidido por todos os participantes que a inflação iria ser de 2.0%/ano.
Apesar de poder ser possível o governo de um país conduzir directamente a política monetária, a generalidade dos países tem um Banco Central a quem está entregue essa função. No caso da Zona Euro, foi criado o Banco Central Europeu que tem um mandato de estabilidade da taxa de inflação nos 2.0% por ano.
Realmente, não há qualquer dúvida que a inflação tem estado no objectivo. Se considerarmos desde Janeiro de 1999 até Março de 2013, a inflação média foi de 2.056%/ano (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Taxa de inflação da Zona Euro média entre Jan1999 e o momento considerado (dados: BCE).
  
E a velocidade de circulação da moeda?
Na Zona Euro só existem 920 mil milhões € de notas e moedas em circulação que correspondem a 9.5% do PIB. Quer isto dizer que a velocidade das notas de euros, V, é de cerca 10 transacções por ano. Apesar de V ser estável (está a aumentar ligeiramente), no curto prazo oscila bastante em torno da tendência que é preciso resolver aumentando ou diminuindo a quantidade de moeda em circulação (em termos nominais). Se isso não fosse feito, o nível geral de preço teria que oscilar para, de forma simétrica, variar a quantidade de moeda (em termos reais) em circulação.

Fig. 3 - A velocidade de circulação dos euros tem aumentado ligeiramente ao longo do tempo (dados: BCE, velocidade em transacções por ano).

Como pode ser controlada a quantidade de moeda em circulação?
Para haver, no longo-prazo, uma determinada taxa de inflação, todos os dias a quantidade de moeda tem que aumentar  à taxa de crescimento do PIB nominal (PIB + inflação). Na Zona Euro, a quantidade tem aumentado 0.4%/mês (ver, Fig. 4), 11€/mês para cada cidadão da Zona Euro.
Podemos ver dos dados que, relativamente à tendência, a quantidade de notas em circulação varia relativamente pouco (o desvio padrão mensal é de 1.2% da quantidade de notas em circulação, 0.12% do PIB).
Vamos memorizar que a evidencia empírica diz que as intervenções mensais do BC são coisas muito ténues, em 95% dos casos, inferiores a 0.25% do PIB, 6 mil milhões € ao longo de um mês.

O BCE dá vida em cada  mês a notas no valor de 11.00€ +- 3.00€ por cada pessoa. 
As intervenções não são triliões de € como anunciam na TV mas andam na ordem dos mil milhões de €,  num mês, apenas 3.00€ por cada um dos 330 milhões de cidadãos da Zona Euro.
Isto não é nada. Sabendo que a despesa pública portuguesa são 600€/mês por cada pessoa, vemos que cada intervenção de emissão de moeda é capaz de financiar menos que 0.5% da despesa do Estado.

Fig. 4 - Valor nominal das notas e moedas de euro em circulação (dados: BCE)

Além das notas em circulação (vivas), o sistema monetário tem que ter camiões de notas nos cofres (mortas). Podia-se imaginar que, quando fosse preciso mais notas, mandavam-se imprimir umas quantas, mas isso leva tempo a fazer. A estratégia é imprir notas novas todos os dias (as tais 4.8%/ano mais as que ficam velhas) mas ainda fica um stock para as operações de curto-prazo (menos de 20% das notas em circulação, valor correspondente a 2% do PIB).
A moeda em circulação pode ser usada para intermediar as trocas e como reserva de valor enquanto que as notas mortas não o podem fazer.
Para aumentar a quantidade de moeda em circulação é preciso dar vida às notas mortas e, para diminuir a quantidade de notas em circulação, é preciso caçar notas vivas e matá-las.
Para matar as notas não é preciso queimá-las mas apenas guardá-las num sitio inacessível às transacções para mais tarde, quando for preciso, poderem ser ressuscitadas.
É importante metermos nas nossas cabeças que, enquanto as notas estiverem mortas, não actuam na economia pelo que não são um activo (não são moeda nem bens ou serviços). Pelo contrário, os saldos e as notas que estão nos depósitos à ordem estão vivas pois podem, via cheques e terminais multibanco, ser usadas nas trocas.
Agora, apenas é preciso imaginar formas de matar as notas vivas e de dar vida às notas mortas.

Primeiro instrumento - O saldo orçamental variar.
No poste anterior, já falei desta hipótese que repito agora.
Se um dia o governador do BC mede a inflação e conclui que é preciso aumentar a quantidade de moeda em circulação, carrega uma furgoneta de notas mortas e vai entregá-las ao gasparzinho que lhes dá vida gastando-as à vontade. Se, pelo contrário, conclui que é preciso diminuir as notas em circulação então, entra à socapa no gabinete do gasparzinho, vai-lhe ao cofre e carrega uma palete de notas que leva para abater. Quando o gasparzinho chegar e vir que o cofre está vazio, lá terá que cortar mais qualquer coisita na despesa ou aumentar uma taxa qualquer.
É a vida de ministro das finanças.

Será, nesta hipótese, a emissão de moeda expansionista?
Apesar de o Estado poder gastar mais quando recebe a carrinha de notas, isso apenas acontece porque os privados gastam menos (ficam com as notas no bolso). Apesar de não existe qualquer diferença entre a despesa pública financiada pelas novas notas e a financiada pela cobrança de um imposto, as pessoas toleram muito melhor os impostos que a inflação induzida pelas notas novas em excesso.
Apesar de a politica orçamental ficar presa à politica monetária, essa ligação é muito ténue pois nos períodos em que é preciso reduzir a quantidade de moeda em circulação, essa redução obriga a um corte na despesa pública inferior a 0.25% do PIB (o tal valor que memorizamos, Fig. 4).
É contra-intuitivo mas, por mais moeda que o Estado emita, no máximo só consegue financiar despesa pública no valor de 1% do PIB.

Segundo instrumento - O BC obrigar os bancos comerciais a variar as reservas monetárias.
Numa economia haverá notas em circulação num valor próximo de 10% do PIB e depósitos bancários na ordem dos 200% do PIB (as tais galinhas que alguém deposita e o banco canaliza para outros). Estes recursos não estão nos bancos mas sim nas mãos dos credores do banco (o banco não é um galinheiro). O banco só tem lá papeis a dizer a quem emprestou as galinhas.
O Banco Central pode impor aos bancos que tenham uma determinada percentagem, por exemplo, 2%, do valor dos depósitos no cofre como notas mortas.
Se o governador do Banco Central julgar que é preciso aumentar a quantidade de notas em circulação, comunica aos bancos comerciais que podem reduzir as reservas em 0.1 pontos percentuais (que corresponde a uma injecção de notas no valor de 0.2% do PIB). Como os bancos querem emprestar mais porque recebem juros, parte das notas que estavam no cofre mortas, voltam rapidamente à vida. Se passado um mês a inflação continuar baixa, o governador comunica que podem descer as reservas em mais 0.1 pp.
Se, pelo contrário, o governador do Banco Central julgar que é preciso diminuir a quantidade de notas em circulação (a inflação está alta), comunica aos bancos comerciais que têm que aumentar as reservas em 0.1 pp (que corresponde à captura e morte de notas no valor de 0.2% do PIB). Mais uma vez, se passado um mês se mostrar insuficiente, comunica que têm que aumentar as reservas em mais 0.1 pp.

Aqui há uma pequena interacção entre o Banco Central e os bancos comerciais.
É contra-intuitiva mas, apesar de o bancos terem 4% do PIB em notas, não existem recursos armazenados sem uso (galinhas). São apenas papeis (notas ou ouro) com o fito de garantir a estabilidade do nível geral de preços. Vamos alterar o desenho do sistema para tornar isto claro.
Em termos empíricos, deriva do desvio padrão que, em 95% dos meses, as necessidades de variação da quantidade de moeda em circulação são menores que 0.25% do PIB. Então, o Banco Central vai emprestar notas no valor de 4% do PIB ao sistema bancário a taxa de juro zero impondo ao mesmo tempo que os bancos constituam reservas de 2% dos depósitos (o mesmo valor emprestado pelo BC). Agora já vemos que as reservas de 4% do PIB dos bancos comerciais são emprestadas sem juros pelo BC pelo que, os bancos comerciais podem emprestar todos os valores que aceitam como depósitos (têm 200% de depósitos dos clientes mais 4% de deposito do BC).
Mandando o BC variar as reservas, tanto o sistema bancário pode ter lucro (se as reservas caírem abaixo de 2% dos depósitos) como prejuízo (se ficarem acima dos 2%).
Assim, a ligação entre o sistema monetário controlado por reserva compulsivas e o sistema bancário é quase nula não tendo, em média, ninguém  lucro nem prejuízo pelo ajustamento de curto prazo da liquidez (uns meses são compensados por outros meses).
A China gosta deste sistema de controlo do nível geral de preços.

O FMI faz empréstimos a taxa de juro muito baixa.
No sistema internacional, os bancos centrais têm reservas em moeda estrangeira (dólares americanos, euros, etc.) para estabilizar o câmbios entre as zonas monetárias (o nível geral de preços mundial). Como essas reservas são maioritariamente notas mortas, o país emissor das divisas teria lucro se os países com "moedas fracas" pagassem juros pelas notas. Então, desde que se mantenham razoavelmente mortas, os EUA, a Zona Euro, etc., emprestam notas ao FMI a taxa de juro zero que as coloca a taxa de juro quase zero junto dos bancos centrais. É por esta razão que muitos países têm reservas monetárias muito superiores às suas dividas públicas mas que não podem usar pois é essa a condição do empréstimo (estarem, em média, mortas).

Terceiro instrumento - O BC comprar / vender activos financeiro directamente no mercado.
Existem na economia muitos activos financeiros, (e.g., títulos de dívida do Estado, de grandes privados e produtos imobiliários estruturados), que o Banco Central pode comprar com notas mortas para aumentar a taxa de inflação.  Quando a inflação está elevada, o BC pode vender os activos que tem em carteira capturando assim notas que posteriormente mata.
Em teoria, esta compra e venda tem, pela lei da oferta e da procura, impacto na taxa de juro dos activos comprados e vendidos mas na prática, dada a pequenez das intervenções (já mostrei que são inferiores a 0.25% em cada mês relativamente à tendência), não há qualquer impacto significativo.
Vamos supor a dívida pública portuguesa, 200 mil milhões €. então, uma normal intervenção de 0.125% do PIB, reportando à dimensão de Portugal, são intervenções inferiores a 200 milhões €, 0.10% do stock total de dívida pública.
Vê-se que é impossível um Estado financiar-se em operações do seu banco central. Se fosse feito como dizem os do PS (ser o BCE o financiador dos países do Sul da Europa), a inflação ultrapassaria rapidamente os 100%/ano sem resolver qualquer problema de financiamento.
Este tipo de intervenções chama-se de "open market".


Quarto instrumento - A "janela de desconto".
Guardei este instrumento para o fim porque usa a taxa de juro de referencia do BCE (actualmente de 0.50%/ano) que entra regularmente nas nossas casas pela comunicação social.
Neste caso, o banco central aceita depósitos e faz empréstimos sem limite quantitativo.
Se alguém (um banco comercial) quiser depositar notas no BCE, ele paga-lhe uma taxa de juro passiva (actualmente, 0%/ano). Se alguém (também um banco) quiser levantar notas, tem que prestar garantia mas pode levantar as notas que precisar.

A economia deveria ser assim.
Há um preço que controla as quantidades compraas e vendidas mas não existe qualquer limite quantitativo Para isso ser possível, não pode haver entraves ao ovimento do preço.
No caso do mercado de trabalho português, como os salários não ajustam na descida, o mercado tem que ajustar pela quantidade É isso que justifica termos uma enorme taxa de desemprego.

Como funciona o sistema de controlo de liquidez?
Existe uma diferença entre a taxa de juro passiva e a taxa de juro activa que serve para o BCE ter um lucrozito e cobrir eventuais falências de algum interveniente (mesmo com garantias). Actualmente esta margem é de 0.5 pontos percentuais.
Aumentar a taxa de juro passiva faz com que mais notas sejam depositadas e aumentar a taxa de juro activa faz com que menos notas sejam levantadas. Então, subir qualquer das taxas faz com que diminua a quantidade de notas que existem em circulação (e vice-versa).

Qual o impacto da taxa de referencia no sistema bancário?
Zero virgula zero porque a relação é inversa. As taxas de juro do sistema bancário comercial é que têm impacto directo na taxa de referencia.
Vamos supor que a taxa de juro do sistema bancário (sem rico) e no BCE está em 2%/ano.
Se na economia há um aumento da vontade de poupar e uma diminuição da vontade de investir, a taxa de juro de mercado ai diminui (ver, Fig. 5).

Fig. 5 - A taxa de juro sem risco na Zona Euro tem caído continuamente (dados: Eurostat).

Se a taxa de juro do BCE se mantivesse fixa, tornava-se atractiva para os bancos aplicarem as poupanças que recebem, diminuindo assim a quantidade de notas em circulação. Então, o BCE tem que responder baixando a sua taxa de juro para um nível compatível com o seu objectivo de inflação. Motivado pelo risco de insolvência de bancos da Zona Euro, não existem dentro do sistema bancário aplicações de curto-prazo sem risco (o conhecido mercado inter-bancário de que resulta a EURIBOR) pelo que, mesmo com uma taxa de juro de 0%/ano, os depósitos junto do BCE ainda são 4x o que se verificava em 2007 (60% do valor das notas em circulação). Para dar vida ao depósitos de mais de 2.5x o valor das notas em circulação, o BCE viu-se obrigado a implementar medidas activas (as operações LTRO) para manter estável a quantidade de notas em circulação. Apesar de os depósitos de notas terem crescido de 380 mil milhões de € (em 2006) para 3300 mil milhões de € (em 2012), o BCE conseguiu manter estável o valor das notas em circulação (rever, Fig. 4).

Fig. 6 - Depósitos junto do BCE em % do valor das notas em circulação (dados: BCE) 

O que teria acontecido se o BCE não actuasse?
Hoje ao almoço estive a falar com a minha amiga Paulinha que ensina macroeconomia. Claro que eu disse-lhe o que tinha escrito no poste anterior que ensinar que mais inflação está associado a mais crescimento é um crime.
Mas isso verificou-e antes dos anos 1950. Porque será?
Porque os bancos centrais não controlavam a inflação mas outra coisa qualquer (a quantidade de ouro no sistema).
Se naquele salto de depósitos que se observou em Junho de 2011 se o BCE não fizesse as notas retornar à vida, a liquidez iria cair muito (a quantidade de notas em circulação) o que causaria uma queda de preços de mais de 50%. De qualquer forma, não seria possivel depositar tantas notas pois não existia tal quantidade no sistema.

Então, já estão a ver ver o filme.
Se o banco central mantivesse a quantidade de moeda fixa (moeda em circulação mais o dinheiro morto pelos privados) como acontecia quando era usado o Ouro, nos períodos de crise economia (e risco elevado em que a moeda era um "valor refúgio"), havia queda de preço e vice-versa.
Não é que a inflação tenha de facto qualquer impacto de curto-prazo ou de logo-prazo na economia. Apenas o Banco Central é que não consegue controlar perfeitamente a taxa de inflação.

É como o Benfica que não consegue controlar os minutos de desconto.
Quando há crise económica (como a de 2011), ainda há um bocadinho de queda de preços e nos períodos de crescimento económico ainda há um bocadinho de inflação acima dos 2%/ano mas é apenas por a inflação ter ruído irredutível (oscilações impossíveis de anular, por mais perfeito que seja o sistema de controlo).
Mas se um maluco tentasse, como já tentaram, acabar com as crises aumentando a inflação, de nada serviria.

Já posso concluir.
O Banco Central existe para manter o nível geral de preços estável, e nada mais.
Mas mesmo que tivesse outro objectivo (a outra politica, a politica de crescimento), não valia a pena porque não possível tal coisa.
Para controlar o nível geral de preço, o BC tem que aumentar e diminuir a quantidade de moeda em circulação em torno da média na ordem de 3.00€ por pessoa. Para isso, tem vários instrumentos ao seu dispor.
No caso do BCE, são usados todos os instrumentos mas o mais conhecido é a taxa de juro de edencia de liquidez que está nos 0.5%/ano. Esta taxa não é uma decisão do BC mas resulta apenas das condicionantes do mercado de poupança (das galinhas) que é intermediado pelo sistema bancário.
A taxa de referencia é mais estável que a evolução diária das taxas de juro sem risco porque o BC usa os outros instrumentos conjuntamente, por exemplo, a compra directa no mercado de activos.

Terá o BCE algum impacto nas taxas de juro a dívida pública portuguesa?
Os esquerdistas dizem que sim mas é por demais evidente que não.
O BCE tem uma quantidade tão pequena de activos sob administração (10% do PIB em notas mais 25% em depósitos) que, para uma divida pública na Zona Euro acima de 90% do PIB, é incapaz de fazer seja o que for.
Se fosse verdade que a nossa taxa de juro (e de todos os países do Sul da Europa) está a descer por causa do BCE então, a taxa de juro alemã estaria a subir, o que não se verifica (ver, Fig. 7). E acresce que essa hipótese pueril não consegue justificar porque estamos 5.4 pontos percentuais abaixo da Grécia ou 4.1 pontos percentuais acima da Bélgica (para quem o BCE é o mesmo).
Deve ser por a Grécia ter Azul e Branco na bandeira e a Bélgica ter vermelho e começar por B.

Fig. 7 - Os juros da dívida pública a 10 anos em Portugal e Alemanha (dado: BCE)

Termino com a ideia do Miguel Cadilhe de vender o Ouro.
Eu herdei a cadeira que o Cadilhe deu na minha faculdade pelo que lhe tenho que ter respeito.
Portugal tem 380 toneladas de ouro que, a 35€/g, valem 13300 milhões de €.
A divida pública portuguesa são mais de 200000 milhões de € pelo que a venda do ouro apenas daria para pagar 6.7% da nossa divida pública.
Só a Troika emprestou-nos 78000 milhões de €, quase 6 vezes o que resultaria da venda de todo o nosso ouro.
O Sócrates, só em 2009 e 2010, mandou directamente para a divida 34 000 milhões de €.
Vender o ouro todo só daria para pagar 2/3 das divias das empresas públicas de transportes.
Como é posssível uma pessoa inteligente afirmar que com a venda do nosso ouro ao longo de 10 anos permitiria fazer a reforma de fosse o que fosse? O homem está um bocadinho sem perspectiva dos valores, será aquele alemão, o Azheimer?

Fig. 8 - Se deve 200 mil € da casa, venda a sua aliança de casamento e pague-a com o dinheiro obtido. Tem que dar porque o ouro vale mais que o cimento.


Pedro Cosme Costa Vieira 

sábado, 13 de abril de 2013

O ajustamento da Islândia como case study

A Islândia foi dos países do mundo mais prejudicado pela crise do sub-prime. O seu sector bancário estava muito virado para o mercado americano e inglês e, com a desvalorização dos activos que se verificou nestes países em 2008, foi terrivelmente mais afectada do que nós pela crise internacional.  Mas, o facto de poder desvalorizar a sua moeda permiti que a economia digerisse rapidamente a crise.

Fig. 1 - Vê-se bem na imagem que o mar da Islândia é muito frio e bravo.

E o que separa as nossas economias?
A Islândia tem moeda própria e nós estamos na Zona Euro.
Dizem as teorias que a Islândia tem uma desvantagem relativamente a nós que resulta do risco cambial. Quando uma empresa inslandesa faz um negócio de exportação (em euros), não sabe no dia de receber o dinheiro quanto vai receber em coroas islandesas. Então, um negócio que parece lucrativo pode-se tornar em ruinoso (e vice-versa).
Mas as teorias, e eu tenho massacrado nisto, que os islandeses têm um instrumento que pode ser usado para equilibrar rapidamente a sua economia (em termos de custos do trabalho e preços relativamente ao exterior).

Vamos ver a evolução da cotação da Coroa Islandesa.
Nos sete anos entre o inicio de 2001 e o fim de 2007, a cotação da coroa esteve estável nos 85.1 K/€ com um uma variação padrão mensal de 5.6%. Neste período, a cotação média mensal máxima foi de 95.3 K/€ e a mínima foi 73.0 K/€.

A crise do sub-prime e a desvalorização.
A crise faz com que, a coroa desvalorize da média de 85.1 K/€ para fechar o ano a 180 K/€. Foi uma desvalorização de 50%.
Se no principio de 2008 a gasolina custava 90 K/ litro, no fim de 2008 tinha duplicado de preço.

A recuperação.
Vencida a desvalorização inicial, a coroa estabilizou nos 160 K/€. Comparando a cotação actual com a que existia antes da crise, a coroa desvalorizou 43%.

Será que os salários acompanharam a desvalorização?
Esta questão é crucial para que a desvalorização seja de facto um instrumento de equilíbrio da economia.
Vou considerar a manufactura porque há quem entenda que é o índice por excelência do custo do trabalho em termos de ajustamento macroeconómico (bens transaccionáveis).

Comparando com 2007, os custos do trabalho em 2012 estão 33% acima mas como  a moeda desvalorizou 43%, os custos do trabalho diminuíram quase 30%

2007  -> um período de trabalho custava 85.9 K = 1€
2012 -> o mesmo período de trabalho custa 85.9 x 1.33 = 114,3K = 0,71€

O custo do trabalho face ao exterior diminuiu de 1€/período para 0.71€/período.

Eu já só peço uma diminuição de 15%.

Não estou a pedir muito, apenas metade da desvalorização salarial que sofreram os islandeses num espaço de poucos meses.
Também, em termos relativos, a nossa crise foi muito menos grave mas está-se a agigantar porque o nosso governo não quer mexer nos custos do trabalho.
É impopular.

Vamos ver a evolução da taxa de desemprego.
Por incrível que possa parecer, a desvalorização ajustou quase instantaneamente o mercado de trabalho. A crise teve um efeito imediato de destruir 6% dos postos de trabalho mas, desde então, a economia já recuperou metade desses postos de trabalho. Em Portugal, a evolução foi mais suave (em 2008 só se destruiram 2% dos postos de trabalho) mas, entretanto, não tem parado de aumentar (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Desemprego na Islândia e em Portugal (dados: Satistic Iceland e INE)

E será que a inflação "comeu a desvalorização?
Como os custos do trabalho aumentaram muito menos que a desvalorização, os custos de produção aumentaram relativamente pouco pelo que a inflação acumulada até hoje foi de 47%. então, em termos de euros, os preços diminuíram 20% em euros.

E em Portugal?
Os preços aumentaram 10%.

E na Irlanda?
Os preços aumentaram 3%.

E como foi a bancarrota?
Fui muito mais violenta porque o poder de compra dos depósitos diminuiu com a desvalorização. Assim, quase de um dia para o outro, as poupanças ficaram reduzidas a metade (em termos de euros).

E a história do ingleses?
Os bancos aceitaram depósitos em libras e em euros e depois não conseguiram devolver os depósitos nessas moedas porque a coroa desvalorizou. Então, a transformação em coroas causou perdas de 4 mil milhões de euros aos não residentes.
Esse quantitativo é relativamente pequeno (muito menor que a dívida da Madeira).

Concluindo.
Penso que a Islândia é um óptimo case stude para vermos como a desvalorização equilibra uma economia.
Os custos do trabalho e os preços diminuem imediatamente relativamente ao exterior e, posteriormente, os custos do trabalho aumentam bastante menos que a inflação (33% compara com 47%) pelo que os custos do trabalho diminuem não só face ao exterior como internamente.
Então, estanca-se o aumento da taxa de desemprego.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A saida do Euro, o empobrecimento e a inflação.

O retorno do Escudo e o empobrecimento.
Eu não li (ainda, pois não o tenho) o livro do meu amigo João Ferreira do Amaral, mas uma das ideias que ele apresentou na televisão fui eu que lha transmiti numa conversa tida aqui no Porto numa conferencia do NIFIP. Não me estou a gabar como o Sócrates (de que foi o melhor aluno do Mundo) mas apenas a fazer um pouco de "história do pensamento": como certa ideia surgiu e o que traduz.
O que eu disse é que, a saída do Euro não implica empobrecimento relativamente a ficar no Euro.
Fiquemos ou não no Euro, o nosso rendimento vai diminuir. Mas a diferença é somente da dinâmica de ajustamento. Como dentro da ZE, o ajustamento se está a mostrar mais difícil (diria mesmo, impossível), a destruição de postos de trabalho e de riqueza serão menores se voltarmos a ter escudos.

Pensará o Amaral que
 os salários podem subir de forma a compensar o aumento da inflação?
Esta dúvida também foi colocada pelo Diogo e vou apresentar as implicações de o salários estarem indexados à taxa de inflação: a economia não ajusta e o nível de preços instabiliza-se o que faz a moeda deixar de ser usada como unidade de valor.
É o que se passa, por exemplo, em Cuba onde os salários acabaram por ser em espécie (bens básicos com um preço próximo dos 35€/mês) e em moeda estrangeira (7USD/mês = 5€/mês).
Como já disse, não posso responder a esta questão que sim nem que não porque não li o livro.

Fig. 1 - O João está um bocadito gordo mas é muito boa pessoa.

O que eu quis dizer.
Nos últimos anos, nós tivemos um nível de vida artificialmente elevado porque cada português estava a endividar-se ao exterior à média de 150€/mês. Cada um de nós pode julgar que não se endividou mas o acesso a ensino, saúde, segurança, etc. gratuitos e transportes, vias de comunicação, electricidade, etc. altamente subsidiados obrigou o Estado a endividar-se em nosso nome.
Nós somos responsáveis por essa divida porque votamos nos políticos que, implicitamente, disseram no programa eleitoral que se iriam endividar.
Como era o Estado que se endividava (para mantermos o nosso conforto), parecia que o nosso nível de vida resultava do esforço do nosso trabalho mas não. Também resultava do endividamento feito pelo estado no exterior e que um dia teria que ser pago com juros.
Esse dia, infelizmente, chegou em 2011. Tivemos que parar o endividamento e, nos anos que aí vêm, teremos que começar a amortizar a dívida ao exterior.
Então, estamos a começar a sentir uma diminuição do nosso nível de vida que, pensamos, é empobrecimento quando não é. De facto, temos menos rendimento disponível não por produzirmos menos (que também acontece) mas porque não temos o oxigénio do crédito externo.

Fig. 2 - O que eu quis dizer foi que muito boa, mesmo, é esta pessoa

Comparar o empobrecimento com Euro vs. com Escudo.
Ter Euros ou Escudos é, em termos estáticos de longo-prazo (sem atender à dinâmica de ajustamento), exactamente igual. É o modelo de Mundll-Fleming.
Se os mercados de trabalho (salários) e de bens e serviço (preços) fossem perfeitamente flexível, poderia haver apenas uma zona monetária no Mundo (a mesma moeda poderia ser usada por todos os países, por exemplo, o Ouro).
Salários perfeitamente flexíveis seria, por exemplo, ter uma economia em que todos nós fossemos trabalhadores por conta própria. Se o campo não desse batatas, ficávamos sem salário.
Num patamar mais sofisticado, também teríamos salários perfeitamente flexíveis se a nossa empresa distribuísse o lucro/prejuízo pelos trabalhadores da empresa (depois de pago um juro pelo capital).
Porque os salários não são flexíveis.
Porque há uma especialização das pessoas.
Por um lado, temos os trabalhadores por conta de outrem, uma massa de pessoas (mais de 90%) que quer ter rendimento fixo. Pretende uma actividade em que, mesmo ganhando menos em termos médios, não tenha risco de ver o seu rendimento diminuir de um mês para o outro.
Por outro lado,  temos os empresários, uma minoria de pessoas (menos de 10%) que não se importa de ter rendimento variável. Como são uma minoria, em média o rendimento dos empresários é superior ao rendimento dos trabalhadores, mas tem risco.
Fig. 3 - Para ficarmos na ZE, os nossos trabalhadores têm que ser assim flexíveis
Se tivesse dois empregos à escolha.
Imagine uma empresa cuja margem mensal (depois de pagar juros, e demais coisas mas antes dos salários que considero incluir a TSU) por trabalhador segue uma distribuição normal com média 1000€ e desvio padrão também de 1000€. Essa empresa vai-lhe propor que escolha um de dois contratos de trabalho.
Contracto 1 - Salário fixo de 750€/mês.
O lucro do empresário será uma variável aleatória com média 250€ e desvio padrão de 1000€. Quer isto dizer que existe uma probabilidade de 40% do empresário ter prejuízo.
Contracto 2 - Salário de 250€/mês + 1/2 da margem.
Em média, o salário vai ser o mesmo mas vai variar de mês para mês, podendo ser menor que zero (7% de probabilidade) . Provavelmente, vai-se esforçar mais porque vai receber metade da margem.
Mesmo pensando que se vai esforçar o mesmo, como o risco é partilhado com o trabalhador, o empresário fica com menor probabilidade de ter prejuízo (31%).
Ao empresário interessa ter menos risco pelo que ainda está disponível para lhe pagar um bónus de 5€/mês.
Qual era o contracto de trabalho que preferia? 
Se optou pelo Contracto 1, não tem nada de errado fazendo mesmo parte da grande maioria. Eu, na minha vida, optei pelo Contracto 1.
Estamos vocacionado para ser trabalhadores por conta de outrem.
Se optou pelo Contracto 2, tem espírito de empresário.
O ajustamento dentro do Euro.
(os números são apenas ilustrativos)
Como os trabalhadores não querem que o seu salário diminua e o ajustamento da economia obriga a haver variações (para cima e para baixo) dos salários então, o mercado ajusta pelas quantidades: no períodos de expansão os salários aumentam e, nos períodos de crise, os salários mantêm-se mas há despedimentos.
Normalmente, o máximo que os trabalhadores estão disponíveis para suportar é o congelamento nominal do salário que implica, dentro do Euro, a uma quebra de 2%/ano no salário real. 
O nosso problema é que o nossa economia está tão desequilibrada que não é suficiente uma redução dos salários em 2%/ano. No caso (que não é o nosso, ver Fig.  , mas o grego) de a produtividade por trabalhador cair mais de 2%/ano, o equilíbrio com salários nominais constantes apenas acontece para taxas de desemprego muito acima dos 50%.
Até onde pode ir a taxa de desemprego?
O limite é 100%.
Eu já o disse e ainda ninguém acreditou que podemos atingir taxa de desemprego acima de 50%. Na transição da Ucrânia para a Economia de Mercado, a taxa de desemprego ultrapassou em muito os 50% (os empregos remunerados chegaram a ser menos de 25% da população activa) .
Ninguém acreditava que fosse possível um país da ZE ter uma taxa de desemprego superior a 20% mas a Espanha e a Grécia já estão acima dos 26%.
Mais dia menos dia, os salários nominais vão ter que diminuir.
Por muito que custe ao Passos Coelho, mais dia, menos dia, vai ter que haver uma alteração legislativa que permita a diminuição dos salários nominais.
O mais certo é que isso saia na próxima semana, durante a avaliação de emergência da Troika.
Vamos imaginar duas pessoas que ganham actualmente 1000€/mês, uma deve 50000€ e outra tem 50000€ de depósitos bancários (correspondente a 50 meses de salário).
No futuro, o salário diminuindo para 750€/mês, os mesmos 50000€ passarão a corresponder a 66.7 meses de trabalho.
Como os preços vão cair 15%
A perda do poder e compra é de apenas 10% mas a dívida aumenta, em termos de meses de trabalho, em 33%.  Em termos de rendimento, ambas as pessoas ficam mais pobre em 10%.
Relativamente às poupanças, a pessoa endividada fica mais pobre porque deve mais meses de ordenado mas a que tem poupanças fica mais rica porque tem acumulados mais meses de ordenado (66.7 meses) e o poder de compra do seu dinheiro aumenta.
O ajustamento com escudos.
A moeda vai desvalorizar 25% e, mantendo-se o salários em termos nominais, os preços dos bens importado vão aumentar 33% pelo que os preço vão aumentar 13% por causa da incorporação das importações (vou supor 40%).
A pessoa ficando com o mesmo ordenado (200 contos), passa a ter menos 10% de poder de compra (porque o preços aumentaram). Então, em termos de rendimento, não há um empobrecimento relativamente ao ajustamento dentro o Euro.
Relativamente às poupanças, a pessoa endividada fica mais pobre porque deve mais dinheiro (devia 50000€ = 10000contos e passa a dever 50000€= 13333 contos) o que corresponde a 66.7 meses de ordenado  (uma desvalorização de 25% implica uma valorização da contraparte em 33%).
É exactamente igual.
O empobrecimento (a redução do salário e o aumento da dívida em meses de salário) é exactamente o mesmo estejamos dentro do euro ou fora.
Foi isto que eu disse ao meu amigo João Ferreira do Amaral.
A saída da Zona euro não causa empobrecimento porque isso vai acontecer mesmo que fiquemos no euro.
É exactamente igual.
Onde está a diferença?
Na dinâmica do ajustamento.
Dentro do Euro, os salários e os preços têm que diminuir em termos nominais o que, nos países do Sul da Europa, se está a mostrar muito difícil. No Escudo, ocorre uma desvalorização (como aconteceu na Islândia) e logo a coisa se compõe.
E se os salários ajustarem ao aumento dos preços?
O Diogo também colocou esta questão.
Imagine que Portugal saía do Euro e ficava com moeda própria.
1. Os sindicatos sabem que uma desvalorização da moeda nacional, embora mantenha os salários nominais, faz reduzir os salários reais (o poder de compra baixa). Não poderão eles (se é que já não o fizeram) indexar os salários à inflação nos contratos de trabalho?
E se isso é possível, não perderia a desvalorização a sua eficácia?


Vamos ver que a economia não ajusta.
Naturalmente que perde toda a eficácia termos Escudo. Afirmo mesmo que não teremos Escudo.

Desvalorização -> 25%
Inflação -> +13% (efeito directo dos bens importados na produção e no cabaz de bens)
H1: Salário ficam fixos -> os custos de produção mantêm-se pelo que os preços dos bens produzidos em Portugal mantêm-e em termo nominais e diminuem em termos de exterior
-> há uma redução do salário real e os preço face ao exterior diminuem 12%
A economia ajusta

H2: Salário aumentam 13% -> os custos de produção aumentam 11% (os salários pesam 80% nos custos de produção)
-> a inflação aumenta para 20%
-> os preços face ao exterior já só têm uma redução de 5%

-> Salário aumentam mais 7% -> os custos de produção aumentam 5,6%
-> A inflação aumenta para 23%
-> Os preços face ao exterior já só têm uma redução de 2%

-> Salário aumentam mais 3% -> os custos de produção aumentam 2%
-> A inflação aumenta para 25%
-> O salário real fica na mesma e os preço face ao exterior ficam na mesma

Agora há ajustamento, havendo necessidade de nova desvalorização.
A economia não ajusta.

A desvalorização será tremenda e a moeda (o escudo) deixa de ser aceite pelos agentes económicos que passa a transaccionar em dólares ou euros.
Ficamos novamente sem moeda! (a boa moeda expulsa a má moeda).

Os salários não vão acompanhar a inflação.
Se fosse o Galanda a governar ou outro maluco qualquer, ficaríamos como o Zimbabwe que, em Nov 2008, teve uma taxas de inflação de 79600000%/mês, "apenas" 55% por dia. Um dia ganhávamos 100$ para logo no dia seguinte já termos sido aumentados para 155$ e, passada uma semana, já ganharmos tanto num dia (2150$) como, antes uma semana, num mês inteiro.
Em 10 anos de "políticas de crescimento" à PS, baseado em expansão monetária para financiar uma despesa pública crescente, o Zimbabué perdeu 56.7% do seu PIB (ver, quadro 1).
 Isto é que verdadeiramente resolver crises à socialista, aguenta, aguenta.
200020012002200320042005200620072008200920102011
Crescimento-6,1%-6,5%-12,1%-13,6%-8,2%-7,7%-4,4%-5,5%-14,1%-1,3%9,0%9,3%
Acumulado-6,1%-12,2%-22,8%-33,3%-38,8%-43,5%-46,0%-49,0%-56,2%-56,7%-52,8%-48,4%
Quadro 1 - Evolução do rescimento do PIB no Zimbabué (dados: indexmundi)


Aí, a nossa moeda de facto seria outra qualquer (apesar de legalmente termos escudos, na rua só veríamos euros).
No final, o ajustamento ter mais ou menos inflação, vai ficar na psicologia das pessoas e na demagogia dos governantes mas acontece sempre mais rapidamente que em câmbios fixos.
Se houvesse inflação de 20%/ano e o governo congelasse as pensões e os salários dos funcionários públicos, seria constitucional. Como a nossa mais alta magistratura pensa que isso é substancialmente diferente de cortar o subsídio de férias então, a falta de conhecimento dos nossos órgãos de soberania não permite continuarmos na Zona Euro.

Não se ganha competitividade, apenas se equilibra a economia.
A desvalorização é uma descida do preços do bens que vendemos ao exterior (e um aumento do preço dos bens importados) não sendo um ganhar de competitividade mas apenas um ajustamento da nossa economia à competitividade que temos.
Como tudo na vida, há uma taxa de cambio que equilibra a economia.
A taxa de desvalorização da moeda será igual à taxa de inflação menos os ganhos de produtividade relativamente aos nossos parceiros comerciais.
Se tivermos uma desvalorizações de 0.1%/dia, que não parece nada do outro mundo, no fim do ano acumulamos quase 50% de desvalorização.
Ganhar competitividade é aumentar os salários reais (a moeda chinesa está a valorizar-se 3%/ano face ao USD, ver Fig. 4, com uma inflação superior à americana em cerca de 2%/ano, o que traduz ganhos de 5%/ano na competitividade).

Fig. 4 - Nos últimos 3 anos a moeda chinesa valorizou quase 10% face ao USA com inflação mais elevada, o que traduz verdadeiros ganhos de competitividade (tradingeconomics)

Pergunta ainda o Diogo
Já que os custos do factor trabalho estão altos, as empresas podem estar a investir em tecnologias mais capital intensivas. Se for o caso, a produtividade por trabalhador está a aumentar. Ou seja, pode não seguir logicamente que mais desemprego implique quebras na produção.

Normalmente, este efeito acontece (apesar de ligeiro), mas da produção total (que se chama produtividade total do factores por trabalhador) há que pagar os outros factores (o capital e a tecnologia). Apesar da produtividade aumentar, a parte destinada ao trabalho diminui porque apenas os trabalhadores mais produtivos continuam empregados.
Mais uma vez, há um valor em equilíbrio de pleno emprego em que o total destinado a salários é máximo.
No caso português a PTF por trabalhador está estável (mas com tendencia negativa) o que traduz que não estamos a ficar mais produtivos mas também que não se assiste a uma destruição qualitativa da estrutura produtiva (destroe-se proporcionalmente à perda de empregos).
fig. 5 - Produtividade total dos factores por trabalhador (Dados: Eurostat, cálculos e grafismo do autor)
Finalmente, a Ferreira Leite.
O Diogo termina com a justificação para a Ferreira Leite (e outros recauchutado da direita), que na campanha contra o Sócrates anunciava cortes a torto e a direito e chegou mesmo a afirmar que a hemodiálise tinha que ser repensada, ter vindo agora dar um derrote no Passos Coelho e no Gasparzinho gritando aina mais alto que o Sócrates, o desmiolado que a austeridade tem que acabar.
Aguenta o CES Manuela.

2. Em Portugal, por estarmos em câmbios fixos, as políticas fiscais são eficazes para aumentar o produto. Logo, não admira que os governos as tenham vindo a adoptar (nem que seja para ganhar eleições). Ora, essas políticas expansionistas resultaram em défices orçamentais (ainda que as politicas tomadas não tenham feito o produto crescer).
Na mesma lógica, em câmbios flexíveis, os governos usariam políticas monetárias expansionistas...

Mas em câmbios flexíveis (com o escudo) os políticos seriam diferentes.
Porque essa política seria no mesmo dia vista como errada Tal como não se pode esconder o Sol quando nasce, o Banco de Portugal teria que deixar desvalorizar o escudo (por falta de reservas cambiais) o que encareceria imediatamente a gasolina, e por aí fora.
As (potenciais) tendências inflacionistas não me preocupam porque o aumento da inflação e a desvalorização, contrariamente a serem um problema, são o que obriga os governos demagógicos a abandonar as políticas monetárias expansionistas.
Mostro apenas o exemplo do Zimbabué que em 2007 um maluco (o Mugabe) pensou que emitir moeda faria todos serem ricos e esse mesmo maluco, em 2009, chegou à conclusão que isso era uma loucura total. Actualmente, esse mesmo maluco decresta que a inflação te que andar nos 2,5%/ano.
Até o pior dos governantes, até aqueles que aprenderam economia no, no, no, ... na Independente e se dizem ter sido o melhor aluno de não sei quê aprenderão rapidamente que a politica monetária expansionista faz perder eleições.
  

Fig. 6 - O mesmo maluco que levou a inflação a milhões%, trouxe-a cá para baixo.
Fig. 7 - Mesmo maluco, aprendeu. Actualmente, a inflação no Zimbabué está igual à inglesa!

Apenas há 7 países no mundo com inflação elevada.
O tradingeconomics diz que apenas há 7 países no Mundo com taxa de inflação superior a 20%/ano.
São eles a Síria (50%/ano), Sudão (48%/ano), Irão (39%/ano), Malawi (38%/ano), Sudão do Sul (24%/ano), Venezuela (24%/ano) e Bielorússia (23%/ano).
É para este clube que os esquerdistas no querem empurrar. As pessoas dos dois países mais ricos deste grupo (Irão e Venezuela) têm um nível de vida (traduzido pelo GDPpc ppp) que é metade do nosso.
E há quem diga por aí que a crise está que não se pode aguentar! Experimente cortar o seu rendimento a metade, e ficamos conversados sobre o "outro caminho" que os esquerdista dizem ter para o nosso querido país.

No lo podemos olvidar.
Não nos podemos esquecer que o Santana Lopes deu cabo do Durão Barroso e que os seu governo governo (de curta duração) com o Bagão Felix como Ministro das Finanças, foi dos mais despesistas que Portugal teve.
E agora, os recauchutados do PSD com o Rui rio à cabeça estão a preparar o assalto ao poder para implementar a tal "política de crescimento".
Ainda vamos ter no PSD e PP quem venha defender um governo com o Santana Lopes, o Sócrates e o Alberto João.
Temos que gritar bem alto,
no pasarán

Pedro Cosme da Costa Vieira

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