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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Salário Mínimo - Esta semana fui entrevistado!

Mas não foi pela "comunicação social".
Eu fui uma espécie de "guerra civil espanhola", onde a esquerda experimentou a estratégia de atacar as pessoas que lhes destapam a careca com "racista, homofóbico, misógino e filho da puta".
Por causa disso, nunca mais fiz "trabalho não remunerado" para a comunicação social.
Como ninguém compra jornais, as redacções tiveram que reduzir o pessoal a uma garfadita de povo que tem que cobrir todos os temas, desde o desporto, ao crime, passando pela economia.
Eu ajudava todos os que me pediam até que deixaram de pedir.
É esse o trabalho que tenho a menos pois nunca recebi qualquer benefício disso.
Então, agora as entrevistas são de alunas de jornalismo.
Dei-lhes forte e feio!
O mais certo é as alunas terem negativa!!!!!

1 = O emprego tem aumentado quase ininterruptamente desde meados de 2013. Neste mesmo período o salário mínimo nacional foi aumentado três vezes (e, em 2018, uma quarta vez). Fica assim desfeito o argumento de que o SMN aumenta o desemprego? E de que forma é que este afeta a taxa de desemprego?
Decorridos 10 anos da crise do sub-prime iniciada em 2008, o nível de emprego recuperou quase completamente e, no entretanto, o SMN aumentou 19,5%. Esse aumento é importante mas não se traduz directamente nos custos do trabalho porque apenas 20% dos trabalhadores auferem o SMN e, no entretanto, o PIB nominal por trabalhador aumentou em 16,0% (dados, INE). Em termos de custos do trabalho de 2008, o aumento do SMN ao longo da última década foi moderado, 3,1%, e com diminuto impacto na massa salarial, 0,06% por ano.
Os dados, por melhores que sejam, nunca colocam em dúvida que a imposição de um salário mínimo prejudica o emprego pois a simples prova por redução ao absurdo é inquestionável. Se o SMN não prejudicasse o emprego, todos os países teriam como salário mínimo os 2,143 milhões de euros por mês auferidos pelo Cristiano Ronaldo.
O problema do SMN não se coloca à escala macroeconómica nem a Lisboa mas, ao estarmos a proibir que um trabalhador pouco produtivo possa aceitar de forma livre e consciente um emprego adequado às suas limitações por 300€/mês, estamos a prejudicar as pessoas de baixa escolaridade, que vivem no interior, com idade mais avançada, com alguma condição desfavorável de saúde ou dependência de álcool, condenando-as ao desemprego, miséria e subsídio-dependência e, os jovens, à migração para as grandes cidades, isto é, à desertificação do interior onde as pessoas são menos produtivas.
Não existe qualquer fundamento económico para a existência de SMN sendo apenas um decisão política errada, populista e demagógica que colhe votos exactamente junto das pessoas que mais prejudica, os menos escolarizados e marginalizados.

Fig. 1 - Salário mínimo como percentagem do PIB por pessoa empregada
(dados, INE; grafismo e cálculos do autor)
O Costa retomou a tendência do Sócrates! Cuidado que o Diabo veste Prada.

2 = O recente e forte crescimento do SMN culminará novamente num longo período de congelamento ou mesmo queda real do seu valor?
O aumento ser forte é um juízo de valor que não corresponde à verdade dos números.
O que a evidência mostra principalmente na Europa e para salários mais baixos é que nos períodos de crise os trabalhadores preferem ir para o desemprego a verem o seu salário reduzido. Por isso, um SMN elevado hoje será causador, na crise futura, de taxas de desemprego mais elevadas e não tanto de reduções no seu valor. Por exemplo, a Espanha teve recentemente uma taxa de desemprego superiores a 25% sem reduções no SMN. De qualquer modo, o nosso SMN ainda tem um valor razoável, cerca de 25% do PIB por trabalhador.

3= O aumento do salário mínimo é a melhor forma de aumentar os rendimentos da população? Que outras soluções existem?
Claro que não. Para aumentar o rendimento da população é preciso produzir mais. Claro que podemos pensar que isso passa por mais investimento mas não é verdade para o trabalhador pois o capitalista também tem que ser remunerado. Só se consegue um aumento sustentável nos salários flexibilizando a economia de que o crescimento do turismo é um exemplo (induzido pela flexibilização do conceito de hotele pelo processo de venda). Para focar apenas 3 coisas, Portugal tem muitas empresas pública monopolísticas ineficientes principalmente no sector dos transportes colectivos de passageiros que é preciso acabar; Tem muitas restrições ao horário de trabalho que também é preciso reduzir; E tem restrições ao nível da atribuição de vistos temporários de trabalho que, para a agricultura, será fundamental acabar.

4 = Quem são os mais beneficiados e os mais prejudicados com a subida do SMN?
Os prejudicados são as pessoas do interior, com baixa escolaridade, idade avançada e dependências. Os beneficiados são os políticos que consigam arranjar votos com essa política populista e demagógica.
O SMN deveria pura e simplesmente acabar pois prejudica alguns e não beneficia ninguém. Tal como os bombeiros voluntários encontram satisfação pessoal a trabalhar de graça no combate aos incêndios, as pessoas devem ser livres de trabalhar pelo salário, horário e condições que acharem mais conveniente para si, sem qualquer espartilho legal.

5 = Portugal deveria seguir o exemplo de Espanha e aumentar novamente o SMN? Quais seriam as consequências disso tendo em conta o panorama económico e político atual?
Porque adoptar o SMN da Espanha, prometidos 900,00€/mês para 2019, e não o valor de outro país qualquer como, por exemplo, o outro nosso vizinho Marrocos, 200€/mês?

6 = No caso de Espanha, que consequências acarreta o aumento do salário mínimo em 22% em 2019?
Esta medida é a cópia do que fez Nicolas Maduro quando foi eleito presidente da Venezuela com os resultados que se conhecem.
Esta política não faz qualquer sentido quando a Espanha teve em 2013 uma taxa de desemprego acima de 26% e ainda está acima dos 15%. Parece que os espanhóis estão fartos de estabilidade económica estando a pedir que venha por aí uma nova crise.

Finalmente, uma advinha?
Sabem porque os esquerdistas não percebem como pode o Bolsonaro e o Trump terem ganho as eleições?
Primeiro, diz a intelectualidade de esquerda pós derrota, porque a comunicação social deu-lhes muito tempo de antena e transmitindo a mensagem errada. Ao chamarem-lhes racistas, misóginos, homofóbicos, nazis, fascistas, filhos da puta, ..., a cabeça do povo burro e ignorante ficou com a ideia de que isso era a normalidade e votaram neles. Deveriam pura e simplesmente terem-lhes cortado o pio, haver uma Lei que os proibisse de falar e que os metesse num "hospital psiquiátrico" (isto é, num Gulag na Sibéria).
Segundo, digo eu, o povo não é tão burro e ignorante como os esquerdistas pensam.

E que dizem os esquerdistas da eleição do Chaves, Maduro e Ortega?
Justas, e limpas.
Povos sábios!

Agora, a minha dúvida existencial.
Se os animais, por influência do do PAN que parece ganzado, deixaram de ser coisas.
Isso quer dizer que os agricultores já não podem coisar, agora, têm que "fazer o amor".
E como pode a coisa que já não é coisa dar autorização para que isso seja considerado consensual?
Será que é o ministério público mediante pedido do proprietário e com parecer da alta autoridade para a foda?
Será que tem que ter 18 anos de idade?
Mas as ovelhas não duram tanto tempo.
Será que tem que ter o 9.º ano de novas oportunidades?
Não sei.

Fig. 2 - A cabra pode ser montada e emprenhar de um cabrão qualquer mas de quem trata dela e lhe dá carinho, é ilegal.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Porque será contraproducente aumentar o Salário Mínimo?

O Costa prometeu aumentar por decreto o SMN de 505€/mês para 600€/mês.
O argumento é que, desta forma, vai aumenta o rendimento dos trabalhadores o que vai fazer aumentar a procura interna, a produção das empresas para responder a essa procura acrescida e, finalmente, o emprego. Mas, de facto, nada disto vai acontecer o que se torna obvio fazendo uma simples redução ao absurdo.
Se o aumento por decreto do SMN aumentasse o nível de vida das pessoas e reduzisse o desemprego, todos os países aumentariam o SMN para 10000€ por dia deixando de haver desemprego.
Se isto não parece viável, tenho que explicar o que existe na Economia que evita que funcione este argumento do sábio do PS que agora é Ministro da Economia.

Primeira verdade.
Quando éramos pequeninos, quando nos púnhamos a jogar futebol no recreio da escola, era evidente que uns de nós tínhamos mais jeito para a bola que outros.
Também em termos de capacidade de criar valor numa hora de trabalho, uns de nós geram mais valor e outras geram menos valor.
Se aceitamos que uns têm mais jeito para a bola e outros menos sem isso nos diminuir, também temos que aceitar a verdade económica de que uns geram mais valor e outros menos sem nos sentirmos diminuídos.
Em termos estilizados existe uma distribuição do valor que criamos numa hora de trabalho. 
Sem perda de arranjarem melhores valores, olhando para os dados do INE da produtividade, avanço com uma produtividade média do trabalho de 1000€/mês e um desvio padrão de 500€/mês.

Segunda verdade.
As empresas têm por fim o lucro e, por isso, só empregam uma pessoa se o incremento no lucro for positivo. Então, apenas se uma pessoas tiver uma produtividade superior ao salário corrente na empresa é que irá conseguir emprego.
Se o salário que o FC Porto paga por um avançado é de 50 000€/mês, como a grande maioria de nós não consegue, com uma bola nos pés, gerar este valor, nenhum de nós tem hipóteses de vir a ser empregado do FCP como pontas de lança.
Se uma pessoa gera menos valor que o SMN, então, nunca irá conseguir arranjar emprego, excepto como funcionário público!
 
Terceira verdade.
O SMN não tem qualquer impacto nas pessoas que têm produtividade elevada.

Fig. 1 - Há pessoas com maior e outras com menor produtividade

E quantas pessoas vão perder o seu emprego?
Assumindo uma produtividade com valor médio de 1000€/mês e um desvio padrão de 500€/mês e que a inflação vai ser de 1,6%/ano, então, o aumento do SMN para 600€/mês em 4 anos vai reduzir o nível de emprego em 160 mil postos de trabalho.

Fig. 2 - Será que vou perder o meu empregosinho?

Como fiz a conta.
Passando os 600€/mês a preços de hoje dá 563€/mês
Percentagem de trabalhadores cuja produtividade entá entre 505€/mês e 563€/mês => 3%
População activa (5,3 milhões) vezes 3% dá 156 mil

Pedro Cosme Vieira

terça-feira, 14 de julho de 2015

Galambra vs. Mota Soares, quem "mente" sobre o emprego?

"Desde o início de 2013 foram criados 175 mil novos postos de trabalho em Portugal." 
Disse o Ministro Mota Soares no dia 13 de Julho 2015 a que o Galamba, aquele socialista que mais parece do Bloco de Esquerda, respondeu no dia seguinte dizendo que " o Ministro Pedro Mota Soares divulga números falsos sobre o emprego em Portugal." (ver, Expresso)
Vou então ver o que dizem as estatísticas do INE para desempatar esta batalha.

Os dados estão no Instituto Nacional de Estatística.
O INE contou 4260,8 mil pessoas a trabalhar em Janeiro de 2013 ( mínimo da série) e contou 4458,6 mil em em Maio de 2015 . Assim, fazendo uma simples conta de subtrair, entre Jan2013 e Mai2015 houve um aumento de 197800 empregos. Foram mais 7010 empregos por mês.

Fig. 1 - Afinal o Mota Soares enganou-se mas contra ele, não foram +175 mil mas +197 mil e nem faltou a prova dos 9 (que já não me lembrava).


E não é este Galamba um dos "12 sábios do PS"?
Amigo Galamba, não te estiques muito e prepara-te que o Costa te vai fazer o mesmo que o Tsipras fez ao Varofaquis. Não te esqueças que ele já fez isso ao Seguro.

Fig. 2 - Aviso-te para não ficares irritado como o Seguro ficou.

Mas em Maio 2015 o emprego ainda está abaixo do dia de em que o Passos Coelho tomou posse.
É verdade mas não são 320 mil a mais.
Nesse mês de Junho de 2011 o INE contou 4729,1 mil pessoas a trabalhar o que dá, para Maio de 2015, uma redução de 270100 empregos.
Galamba, exageraste 50 mil e a teu favor.

Fig. 3 - O emprego cresceu 197100 no espaço de 28 meses mas ainda faltam muitos meses para voltarmos ao nível de 2008.

Para quem quiser replicar a análise, usei a série "Employed population aged between 15 and 74 years old (No.) by Age group; Monthly" do www.ine.pt (ver a série).

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As ilegalidades do Passos Coelho

O Passos foi denunciado pelo anónimo. 
Disse o anónimo que, "no passado", o Passos foi deputado com exclusividade e recebeu dinheiro de uma empresa qualquer. 
Como estão a ver, o problema de meter tudo "no passado" é como meter tudo "no mar", são coisas muito grandes. 
"No passado" D Afonso Henriques e o D Manuel II governaram o mesmo país (mas não em simultâneo).
"No mar" tomei banho ao mesmo tempo que a Irina (mas calhou em locais muito distantes).

O que se terá provavelmente passado.
O Passos Coelho foi deputado com exclusividade algures no passado, entre 1991 e 1999.
O Passos Coelho recebeu dinheiro da Tecnoforma algures no passado, 2ntre 2001 e 2007.
Foi tudo no passado mas não ao mesmo tempo.

Mas há alguém que nunca tenha cometido uma ilegalidade?
Tenho a certeza que, ao longo da sua vida, o Passos Coelho violou a Lei variadíssimas vezes, talvez tantas ou mais do que qualquer um de nós.
  Há alguém que nunca tenha copiado num teste?
  Há alguém que nunca tenha feito um pedido para arranjar um emprego para um filho?
  Há alguém que nunca tenha excedido a velocidade máxima?
  Há alguém que nunca tenha calcado um risco contínuo?
  Há alguém que nunca tenha estacionado num sítio proibido?
  Há alguém que nunca tenha metido umas despesa duvidosa no IRS?

Eu já cometi muitas violações à Lei. Por exemplo, ando há 4 anos no Judo e, nesse tempo, já tive umas 400 aulas. Será que no dia 20 de Setembro de 2011 meti dinheiro no parcómetro ou será que me esqueci?
Eu sou muito esquecido pelo que tenho a certeza que ... ... ... me esqueci.
Não me esqueci de que me esqueci porque me esqueci sempre, nunca meti dinheiro na máquina. 

Até Cristo pecou.
Há uma passagem num evangelho qualquer em que Jesus diz "alguém que nunca tenha pecado, atire a primeira pedra" e ninguém atirou, nem Ele próprio o que revela que o próprio Jesus cometeu pecados.
Todos nós já pecamos, todos, até o Papa Francisco.

Vamos aos verdadeiros crimes.
Na Segunda Guerra Mundial, a máquina de guerra alemã foi baseada na industria pesada alemã de que o Grupo Krupp era o expoente máximo. Produziram carros de combate, canhões, aviões, de tudo um pouco para dar cabo do canastro ao povinho um pouco por toda essa Europa fora.
Acontece que, no fim da guerra, proprietários, além de verem os bens confiscados, foram metidos na cadeia. O Alfried Krupp foi condenado a 12 anos de cadeia.
E quanto anos esteve preso? 
30 meses.
E depois, o que lhe aconteceu? 
Voltou a ser o dono do império Krupp.
E porquê? 
Porque o grupo estava de rastos e o Krupp era a única pessoa que podia por outra vez a industria pesada alemã a funcionar.
E deu resultado?
Se deu, em poucos anos, a Alemanha voltou a ter uma potência industrial.

Perdoemos ao homem qualquer falhazinha que ele era jovem e inconsciente.
Dizia-se na altura que "se se matassem todos os alemães que cometeram crimes de guerra, deixaria de haver alemães pois os únicos inocentes que existiam já tinham sido mortos pelos que estavam vivos".
Nós precisamos do Passos. Se o Cavaco e a Ferreira Leite já lhe perdoaram a vida negra que ele lhes fez viver, também temos que o perdoar  qualquer as falcatroazita que ele possa eventualmente ter feito.  

Fig. 1 - Nesta imagem vê-se claramente que o anónimo é o Rui Rio.

Quem era o anónimo?
Claramente o Rui Rio em conluio com o António Costa.
É que o homem está a ficar sem tempo, está a ficar sem espaço de manobra. O Costa disse que o seu adversário era o Rio.
O óptimo seria o Passos demitir-se hoje, o Costa ganhar no Domingo e o Rio entrar triunfante na Segunda-feira. 
Mas, pelo hoje, já fracassou.
O Rio já passou à história, e escrevo declaradamente história com letra pequena. Não vai passar de um autarcazeco equivalente ao Cabral (será que alguém se lembra deste?).

E o aumento do salário minímo?
Em termos económicos é um erro mas, em termos políticos, é totalmente acertado.
É errado porque, relativamente ao PIB per capita, o nosso salário mínimo é muito elevado.
É acertado porque foi acordado entre os representantes dos patrões e dos empregados.
É acertado porque, mesmo descendo a taxa da TSU de 34,75% para 34%, a Segurança Social recebe mais. Em 485€ recebia 168,54€ e em 505€ recebe 171,70€.
Por isso, o Passos ser contra o aumento causaria um enorme desgastante político.

Eu já defendi um desconto na TSU.
Para integrar no mercado de trabalho as pessoas menos produtivas que vivem no interior do país, o Salário Mínimo deveria ajustar ao nível de vida concelhio.
Os 505€/mês, com subsídios, correspondem a 725€/mês para o empregador e 524€/mês para o trabalhador.
A minha ideia seria que esse custo diminuísse nos concelhos com menor PIB, por exemplo, haver um desconto de metade da diferença para a média nacional, parte suportada pelo desconto na TSU de forma a que, no mínimo, o trabalhador recebesse 419,22€/mês (o IAS que só é pago 12 x por ano <=> 360€/mês).

Concelho     PIB      SMN-empregador  SMN-Empregado        TSU
País            100%           725€                         450€               11% + 23%
Alcobaçã    80%             652€                         430€                 8% + 19%
Almeida      60%             580€                         410€                 5% + 15%
Alandroal    40%             507€                         384€                 2% + 11%
Celorico      23%             453€                         363€                 0% +  7%

* No cálculo do SMN do empregador uso 12 meses e do empregado uso 14 meses.

Haver SMN igual causa desertificação.
As terras têm PIB per capita diferente porque não há infra-estruturas. Mesmo assim, há pessoas que preferem viver nessas terras mais pobres e ter um emprego. Mas ser o SM igual em Lisboa (PIB de 385% da média) e em Resende (PIB de 26% da média) faz com que as empresas de Resende, que são menos produtivas, não possam contratar as pessoas que querem trabalhar mesmo que por um salário mais baixo porque têm aqui a sua casa e as suas relações sociais.
Seria como termos o mesmo SMN que o Luxemburgo, 1874€/mês: as empresas faliam todas.

O Passos sobreviveu.
Concluo o dia com a certeza que o Passos vai sobreviver ao caso Tecnoforma e o aumento do SMN é um passo largo para a reeleição.
Estou cada vez com mais esperança de que o Passos ganhem as legislativas de 2015.

Fig. 2 - Estou cada vez com mais esperança (de que esse piscar de olho seja para mim)

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O salário minimo deveria desaparecer, ponto.

Não existe qualquer justificação para a existência de salário mínimo.
Durante muitos anos acreditou-se que fazer uma sangria, um defumadouro ou prometer ir a Fátima a pé curava qualquer doença. E se falarmos com as pessoas mais atrasadas, estas crenças ainda existem.
Da mesma forma, há muita gente que acredita que subir o salário mínimo acaba com a pobreza. 
No entanto, não existe nenhuma razão lógica que ligue umas coisas às outras. Nem as sangrias fazem bem à saúde nem o salário mínimo acaba com a pobreza, muito antes pelo contrário.


Imaginemos o Cristiano Ronaldo.
Vamos supor um mundo em que existe o Cristiano, o Messi, o Bale, o Rooney e o Ibraibrovic mas em que só existe um clube, o Real Duarte, que os queira contratar.
Se o clube contratar os 5 jogadores terá um ganho total de 140 milhões € pelo que poderá pagar até 28 milhões € por jogador. No entanto, como na equipa não podem jogar só atacantes, o ganho de contratar mais um jogador decresce com o número de jogadores previamente contratados.
.. Jogadores contratados --- Ganho total ---- Ganho no jogador 
............ 1 ---------------------- 100M€ ----------- 100M€
............ 2 ---------------------- 127M€ ------------ 27M€
............ 3 ---------------------- 136M€ ------------- 9M€
............ 4 ---------------------- 139M€ ------------- 3M€
............ 5 ---------------------- 140M€ ------------- 1M€
O salário pago não vai depender do total que o clube vai ganhar com as contratações mas apenas com o que ganha com o último jogador e com o que os jogadores vão perder se não forem contratados.
Como não existem mais clubes que possam contratar o jogadores (o clube é "monopolista") então o melhor que o clube tem a fazer é contratar os 5 jogadores (mesmo sabendo que apenas 2 ou 3 vão jogar) pagando um salário de 1M€ por jogador. Desta forma o clube fica com um lucro de 135M€.
Se um dos jogadores se recusar a assinar, terá um prejuízo de 1M€ (pois mais ninguém o contrata) e o clube fica na mesma.

Fig. 1 - Com uma sangriazita e uma benzedela, o joelho vai ao sítio num já está.

E se houvesse mais clubes?
Vamos agora supor que existem 10 clubes a disputar os jogadores com o Real Duarte, RD. Agora, o jogador que se recusar a assinar com o RD por 1M€ pode ser contratado por outro clube induzindo nele um ganho de 100M€.
Então, a concorrência vai fazer com que exista apenas um destes jogadores em cada clube e com um salário próximo dos 100M€. 


Esta é a justificação para haver Salário Mínimo.
Sob o pressuposto de que existe apenas um empregador e muitos trabalhadores então, o salário de todos vais ser igual ao ganho da contratação do último trabalhador (a produtividade marginal do trabalho). Nesta situação o "monopolista" vai ter um lucro muito grande "à custa do trabalhador".
Apesar de a economia produzirá na sua máxima capacidade (estará em pleno emprego) esse ganho não vai para os trabalhadores porque a distribuição da riqueza é favorável ao empresário.


Exemplo numérico.
=> Número de trabalhadores na economia = 100
=> n é o número de trabalhadores empregados
=> Produtividade marginal do último trabalhador contratado = 101 - n 
Resulta daqui
=> Nível de desemprego = 0%
=> Produção de pleno emprego = 5050€
=> Salário de pleno emprego = 1€/trabalhador
=> Total de salários de pleno emprego = 100€
=> Rendimento médio dos trabalhadores (contando com os desempregados) = 1€/trabalhador
=> Lucro de pleno emprego do empresário = 4950€


O impacto do salário mínimo.
A imposição de um salário mínimo fará com que o empregador pague um salário mais elevado a cada trabalhador mas também fará com que algumas pessoas fiquem no desemprego. Desta forma, apesar de o total dos salários ficar maior, por haver desemprego, em termos globais na economia haverá menos bens disponíveis. A questão é que esses bens deixarão de estar disponíveis para o "monopolista" e não para os trabalhadores que, globalmente, ficam a viver melhor. 


Exemplo numérico.
Vou agora considerar um salário mínimo de 50€/trabalhador
Resulta daqui
=> Nível de desemprego  = 50% (das 100 pessoas só 50 arranjam trabalho)
=> Produção total = 3775€
=> Total de salários pagos = 50 x 50 = 2500€
=> Rendimento médio dos trabalhadores (contando com os desempregados) = 25€/trabalhador
=> Lucro do empresário = 1275€


Mas existe outra possibilidade: um imposto.
Vamos supor que, em vez do salário mínimo, o governo cria um imposto de 70% sobre os lucros e que esse imposto vai ser distribuído pelos trabalhadores. 
Agora, o "monopolista" continua a pagar 1€/trabalhador e a contratar toda a gente pelo que continuaremos a ter uma situação de pleno emprego. 


Exemplo numérico.
Com o imposto de 70% sobre os rendimento teremos:
=> Nível de desemprego = 0%
=> Produção de pleno emprego = 5050€
=> Salário de pleno emprego = 1€/trabalhador
=> Total de salários de pleno emprego = 100€
=> Lucro de pleno emprego antes de imposto = 4950€

Agora vêm os impostos distributivos
=> Imposto (a distribuir pelos trabalhadores) = 3465€
=> Rendimento médio dos trabalhadores (contando com os desempregados) = 44,65€/trabalhador
=> Lucro livre de impostos = 1485€

O imposto regulariza os rendimentos (o rendimento dos trabalhadores fica maior que com o salário mínimo) e o lucro do empresário também fica maior.

Existem alternativa ao Salário Mínimo => IRS progressivo.
Se o problema é a existência de apenas um empregador, o salário mínimo consegue diminuir a "exploração do trabalhador" mas à custa de desemprego e de perda de riqueza.
Pelo contrário, a existência de impostos progressivos (politicas redistributivas) aumenta o rendimento dos trabalhadores (pobres) sem afectar o emprego nem a produção de riqueza.
Então, a existência de um IRS progressivo é mais eficaz na promoção da justiça social que a imposição de um salário mínimo.
Combater a pobreza passa mais por politicas de apoio ao rendimento (rendimento social para os trabalhadores pobres) do que pelo introdução de estrangulamentos no mercado de trabalho.
Esta conclusão aplica-se a todos os preços: não se combate a pobreza proibindo os preços dos bens issenciais de subir (porque deixarão de existir à venda) mas com politicas de apoio ao rendimento dos pobres. 


Mas a Alemanha acabou de introduzir o Salário Mínimo.
É um erro terrível. Recordo que os alemães não são infalíveis tendo mesmo sido os originários das maiores atrocidades vividas no Séc XX.
O SM alemão vai ser de 8,5€/h o que traduz um encargo para o empregador de 19000€/ano (1864h/ano e TSU de 20%). Este valor corresponde a 57,3% do PIB per capita alemão, maior que o nosso SMN de 485€/mês que corresponde a 53,5% do PIBpc.
Por comparação, nos USA o salário mínimo federal é de 5,35€/h, mais baixo que o alemão quando têm um nível e riqueza que é quase 60% maior.
Em termos relativos o SM dos USA é 26% do PIBpc, menos de metade do nosso e do alemão. 
Para a alemanha ter um salário mínimo do nível dos USA teria que ficar pelos 3,40€/h e nós nos 1,40€/h.

Fig. 2 - Agora, o mínimo são 8,50€ à hora.

Depois chamem o Tarzan.
Depois venham com a lengalenga de que o mercado de trabalho americano ajusta muito mais rapidamente que o europeu e com uma taxa de desemprego mais baixa. Digam que é das intervenções do FED e que o nosso BCE tem que fazer o mesmo. 
Para o nosso salário mínimo ficar ao nível do americano, 26% do PIB pc, terá que descer para 292€/mês.


Além do mais, existem muito empregadores.
A teoria e a evidência económica mostra que, havendo 3 empresas, já não existe poder de monopólio. Por isso é que existem em Portugal 3 operadores de telemóvel e 3 canais de televisão.
E é um facto que, para cada trabalhador, existem mais de 3 potenciais empregadores pelo que não existe "monopólio" no mercado de trabalho.
Então, não existe qualquer justificação para a existencia de um salário mínimo e, mesmo que existisse, um imposto progressivo resolveria o problema de forma muito mais eficiente.


Porque surge agora a questão do aumento do SMN?
Porque temos, por um lado, um Passos Coelho que sabe que a subida do SM é negativo para as pessoas e um Portas que tenta praticar demagogia política ao mais alto nível. Compatibilizar as duas coisas é como caminhar na corda bamba mas a alternativa é entregar o cordeiro aos lobos (i.e., entregar o poder aos esquerdistas).
É o dilema retratado na Lista de Schindler. 1) trato mal as pessoas e exploro-as até à exaustão ou 2) faço de bonzinho com as pessoas e os carrascos matam-nas sem pestanejar.
O salário mínimo deveria acabar de vez mas não existem condições políticas para que isso aconteça. O povinho não está preparado para isso.

Em política
As medidas não são absolutamente certas nem erradas pois dependem do impacto que têm na alternância do poder.
Se o Salário Mínimo aumentar 3,1% para para 500€/mês, é mau mas poderá haver medidas na Concertação Social que anulem o efeito deste aumento. Por exemplo,
=> aumentar o número máximo de horas do Banco de Horas;
=> os contratos a termo certo poderem ser renovados até 8 anos;
=> Introdução de flexibilidade em baixa no salário por acordo individual até o limite máximo de 15% do contrato colectivo de trabalho.
É preferivel o dano dos 3,1% corrigido parcialmente com algumas medidas de flexibilização a voltar aos desvarios socialistas.

Pedro Cosme da Costa Vieira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma má ideia de que resulta algo de bom

O filósofo padre Anselmo Borges. 
Identificou que há ideias que são boas mas das quais, pela complexidade e não linearidade do mundo e das relações entre os homens, resultam coisas más. Umas dessas ideias é a sociedade igualitária mas de que resulta (resultou) a pobreza e a falta de liberdade. 
Pelo contrário, há ideias que são más mas das quais  resultam coisas boas. Uma dessas ideias é o capitalismo onde cada pessoa procura maximizar o seu nível de vida (à custa da exploração dos outros) e da qual resulta (resultou) a diminuição da pobreza e a prosperidade das populações. 
Também a "protecção do emprego" parece ser uma boa ideia e a "facilitação dos despedimentos" uma má ideia mas, de facto, os efeitos são exactamente ao contrário.  

Fig. 1 - Boas ideias podem concretizar-se em graves prejuízos sociais e vice-versa

Os contractos de trabalho precisam de flexibilidade.
Em teoria, nós vivemos num país livre que tem uma Constituição para proteger a liberdade individual das pessoas. Essa liberdade passa pela possibilidade de duas pessoas, desde que estejam no seu juízo perfeito e que não prejudiquem mais ninguém, fazerem entre si um contrato com as condições que bem entenderem.
Art. 405º do Código Civil - Princípio da liberdade contratual (Dentro dos limites da lei, as partes têm a faculdade de fixar livremente o conteúdo dos contratos, celebrar contratos diferentes dos previstos neste código ou incluir nestes as cláusulas que lhes aprouver)
Mas é em teoria porque "os limites da lei" torpedeiam significativamente a liberdade contractual.

Fig. 2 - A ideia de viver pobremente resulta em roupas fresquinhas

A falta de liberdade contractual no mercado de trabalho.
Mesmo que um trabalhador queira e ache muito bem, não pode fazer o seguinte contracto: 

CONTRATO DE TRABALHO
Fulano de tal, trabalhador, e JJMST Lda, empregador, acordam livremente o seguinte:
1 => O contracto é por tempo indeterminado.
2=> O Trabalhador tem a opção de rescindir  o contracto quando o entender, com um pré-aviso de 3 meses.
3=> O empregador tem a opção de rescindir o contrato sempre que a produtividade média dos últimos 6 meses do trabalhador seja menor que 250 pontos, com um pré-aviso de 3 meses.
4=> O ordenado de cada mês são 250€ mais 1€ por cada ponto de produtividade. 
5=> Produtividade = (explicitar aqui a formula que pondera a riqueza criado pelo trabalhador e que é um índice entre 0 pontos e 1000 pontos).
Este contracto parece-me bem e tem duas formas de flexibilidade (salário e despedimento) que actuam no mesmo sentido: os trabalhadores menos produtivos não podem ser tratados da mesma forma que os mais produtivos sob pena de a empresa ter que fechar as portas e mandar todos à sua vidinha.
  
O que diz a Constituição.
Alegadamente, a constituição portuguesa está a promover a segurança no emprego:
Artigo 53.º da Constituição - Segurança no emprego (É garantida aos trabalhadores a segurança no emprego, sendo proibidos os despedimentos sem justa causa ou por motivos políticos ou ideológicos.)

A Constituição Portuguesa retira a liberdade ao trabalhador de incluir no seu contrato de trabalho a opção do empregador o despedir, alegadamente, para seu bem.

A justificação do legislador.
O legislador retira a liberdade ao trabalhador porque acha, por um lado, que
1) O trabalhador é um mentecapto, maltrapilho e sem capacidade para negociar ou recusar o emprego quaisquer que sejam as condições apresentadas pelo empregador e, por outro lado, que
2) O empregador, apesar de ser um sanguessuga que quer explorar o coitadinho do trabalhador, vai-o contratar independentemente das condições impostas pelo legislador.

Mas vejamos como a ideia boa funcionam mal na prática.
Como o legislador não garante o emprego, quando a produtividade esperada do trabalhador é menor que o custo esperado do trabalho, o trabalhador vai ficar no desemprego para todo o sempre.
Então, uma ideia que à partida é boa (a não exploração dos trabalhadores) vai resultar num fracasso (o desemprego de longa duração).
Então, é preciso alterar esta situação e implementar a ideia que é má (a facilidade no despedimento) a ver se o seu efeito é bom (combater de facto o desemprego de longa duração).

Fig. 3 - Queres que eu te mostre como isto funciona na prática? Não tens carteira para isso. 

Um exemplo numérico.
1 => Para simplificar , vou assumir que os trabalhadores se esforçam ao máximo independentemente da avaliação, ordenado e risco de desemprego.
2 => A produtividade do trabalhador, P, depende do ajustamento entre as características do trabalhador, T, e as caraterísticas da empresa, E. Por exemplo, as macieiras altas precisam de trabalhadores altos e a baixas de baixos.
3 =>  As características do trabalhador e da empresa apenas são observáveis em ambiente de trabalho.
4 => Pela contratação colectiva o salário é igual para todos o trabalhadores.
5 => Como as características do trabalhador não são observáveis na entrevista, em termos práticos, o trabalhador cai aleatoriamente na empresa.

Por exemplo, a produtividade é dada por P = 1000€ - |E - T| com E e T uma variável não observável na entrevista que pode estar entre 0 e 1000.
Vou agora ver o impacto da ideia boa e da ideia má.

H1 => Os trabalhadores não podem ser despedidos (ideia boa).
A produtividade do trabalhador vai ser uma questão de sorte e de azar. Se a distribuição das características for uniforme, em média o trabalhador vai criar 666,7€ de riqueza.
Assumindo que 2/3 da produtividade são para remunerar o trabalho então, os trabalhadores terão que se contentar com um salário que nunca poderá ser maior que 444€. Se o salário (imposto pela contratação colectiva) for superior a este valor, a empresa não contrata ninguém e o povo fica no desemprego para todo o sempre.
A imposição legal da "segurança no emprego" vai condenar ao desemprego as pessoas que, em expectativa, produzem menos que o salário imposto pela contratação colectiva.
Mesmo um trabalhador bem ajustado (mais produtivo que o salário que recebe) não pode negociar um aumento de salário porque, se sair para outra empresa, não fica garantido que se mantenha mais produtivo que a média (o bom ajustamento).
Também por o ajustamento entre as caraterísticas dos trabalhadores e das empresas ser fraca,  os trabalhadores não se sentem bem no posto de trabalho. O altos ficam com dores de costas e os baixos com dores de braços.

H2 => Os trabalhadores podem ser despedidos (ideia má).
Como existe dificuldade na avaliação, o que é muito exagerado pelos esquerdistas, vamos supor que as empresas são apenas capazes de identificar os 20% trabalhadores menos produtivos.
No curto prazo, a flexibilidade nos despedimentos vai ter terríveis consequências na vida de algumas pessoas pois vão ser despedidos 20% dos trabalhadores

Mas a prazo, virão as consequências boas.
Primeira => A produtividade média dos 80% dos trabalhadores que matêm o emprego aumenta para 760€ o que permite o aumento dos salários para 500€.
Segunda => Mesmo pensando que o salário é de 500€, os 20% despedidos (que, em média, produzem apenas 444€ e que em H1 nunca arranjariam novo emprego) vão ter facilidade em arranjar outro emprego porque, se o ajustamento for fraco, podem ser novamente despedidos. Dos 20% despedidos na primeira fase, 80% terão melhor ajustamento que no emprego anterior ue apenas 4% dos trabalhadores vai perder o emprego pela segunda vez.

Os salários serão superiores, será mais fácil arranjar emprego e todos serão mais felizes.
A continua repetição do processo de avaliação e despedimento dos trabalhadores menos produtivos vai fazer com que o ajustamento vá melhorando ano após ano até ao máximo (1000€). Assim sendo, os salários médios podem aumentar de 444€ para 666€.
Também se torna mais fácil uma pessoa arranjar um emprego mesmo a ganhar 500€ (quando sob H1 nunca arranjaria) porque, em caso de fraco ajustamento, pode ser despedido.

O drama do desemprego 
Não é a pessoa ficar desempregada mas, uma vez no desemprego, passar a ter muita dificuldade em arranjar um novo emprego.
Com facilidade no desemprego vão diminuir os contratos a termo certo pois, se o trabalhador não corresponder, vai à sua vida.

Fig. 4 - Se não houvesse divórcio, esta mulher nunca se teria casado.

O despedimento por extinção do posto de trabalho.
Nos anos seguintes ao 25-de-Abril-de-1974, como a Constituição garantia a segurança no emprego, quando uma empresa ia à falência, o Estado assumia o pagamento dos salários. Isso aconteceu com n empresas tendo o BPN sido o último caso (com custos astronómicos). O problema é que, como o Estado não tinha como assumir os encargo laborais de todas as empresas falidas, o legislador teve que assumir a evidência de que, em caso de falência, é constitucional o trabalhador ir para casa.
Depois, deu mais um pequeno passo (imposto em 1982 pelo FMI) de que é jconstitucional despedir no caso da extinção do posto de trabalho.
Em termos conceptuais podemos imaginar que a empresa é dividida em micro-empresas que agregam postos de trabalho semelhantes (por exemplo, os 5 soldadores da empresa formam a micro-empresa de soldadura). A extinção do posto de trabalho é a falência parcial de uma das micro-empresa. O legislador não quis levar a analogia ao extremo de cada micro-empresa ter apenas um trabalhador pelo que foi necessário explicitar um critério para escolher o trabalhador a despedir.

A menor antiguidade na micro-empresa.
Aplicou-se o principio militar de que "a antiguidade é um posto". Assim, será despedido o trabalhador que esteja há menos tempo ao serviço.
Este critério é economicamente errado porque não permite ficar com os trabalhadores mais produtivos. Mesmo que a empresa contrate trabalhadores mais produtivos que o existentes, em caso de extinção do posto de trabalho, terá que ficar com o menos produtivos.
Seria como se as equipas de futebol tivessem que meter em campo os jogadores mais antigos no clube e não quem jogasse melhor. O Benfica já se teria safo do Eusébio mas ainda teria que meter o Chalana.
Este critério, além de não promover a eficiência económica, é muito penalizador para os jovens (que serão sempre os primeiros a despedir).

A pior avaliação de desempenho.
O pior critério de todos é a antiguidade pelo que qualquer critério será um melhoramento.
A pior avaliação de desempenho é o critério perfeito. Apesar de as mentes burocratas  imaginarem dificuldades na avaliação, mesmo com falhas, é melhor que a antiguidade.
Por exemplo, é muito difícil avaliar um jogador de futebol mas é possível ,medir os kms percorridos, as recuperações e perdas de bola, passes de curta, média e grande distância feitos bem e mal, assistências para golo, golos marcados, desarmes, cortes de cabeça, remates à baliza certos e errados, faltas sofridas e cometidas, etc.
Também num empresa é possível medir muitas coisas pelo que, a dificuldade à partida não pode ser uma desculpa para esta hipótese deixar de ser experimentada pois qualquer coisa é melhor que a antiguidade.

E isto facilita o despedimentos?
E de que maneira porque a extinção do posto de trabalho pode ser por flutuação da actividade económica.
Imaginemos uma empresa que vende 100 no Inverno (precisa de 10 trabalhadores) e 200 no Verão (precisa de 12 trabalhadores). Antigamente, a empresa contratava no principio do Verão 2 trabalhadores que tinha que despedir no princípio do Inverno e ficar com os antigos.
Com a nova regra  vai despedir os 2 trabalhadores que têm pior avaliação de desempenho. Agora vão ficar os 2 mais recentes (se tiverem melhor avaliação) e sair 2 dos mais antigos (se tiverem pior avaliação).
Se a empresa "precisar" despedir 5 couratos, pode contratar excesso de pessoal no Verão (15 em vez dos 12) passando a ter folga para despedir no Inverno os tais 5 em vez de 2. É um pequeno custo de ajustamento.

Será constitucional?
Seria inconstitucional se já não tivesse sido declaro constitucional o despedimento por extinção do posto de trabalho. Reforço que o posto de emprego já terminou e que o Constitucional já deliberou que isso é "justa causa" para despedir o trabalhador. Agora, o TC vai-se apenas pronunciar-se sobre o critério para escolher a pessoa que vai para casa em comparação com a antiguidade.
Se o regulamento de avaliação de desempenho for legal então, o seu uso como critério para escolher a vítima da extinção é totalmente constitucional.

Vamos ao crescimento económico do 4T2014.
O INE anunciou hoje que o PIB cresceu 0,5% no 4 trimestre de 2013. A oposição desvaloriza mas no espaço de 3 trimestres o PIB já cresceu 1,8%, quase tanto como nos 6 anos do reinado do Sócrates, 2,1%.
Claro que gritam muito que o mandato do Passos Coelho está acompanhado por um empobrecimento total de 4,7% que, somando ao empobrecimento de 2,4% do tempo do Sócrates, já totaliza, desde 2008, 7,1% de contracção do PIB. Mas não nos podemos esquecer que o mandato do PP Coelho é de consolidação orçamental (está a metade) e das contas externas (está totalmente feito).

Fig. 5 - Evolução do PIB relativamente a 2005 (Dados: INE)

Se em 2,5 anos corrigir um défice da balança corrente em 11% do PIB e contrair o défice público de 10% para 5,3% do PIB com uma contracção do PIB de apenas 4,7% não é um bom resultado, o melhor é fechar o Santuário de Fátima de vez pois, em comparação, os milagres que lá fazem não prestam.

Gastar à tripa forra => Uma boa ideia que deu em fracasso.
O Sócrates com a sua política de crescimento baserada em "investimentos públicos estratégicos" financiados com endividamento e uma política de salários e rendimentos expansionista resultou num ténue crescimento e numa crise financeira muito profunda que nos perseguirá muitos e muitos anos.

Austeridade => Uma má ideia que deu em sucesso.
O Gasparzinho com uma política de contracção, austeridade e sacrifíco seguida pela sua irmã gémea  Maria Luíz conseguiu equilibar as contas e dar inicio a uma veradeira trajectória de crescimento económico.

Mas voltamos aos "investimentos públicos prioritários".
Em Setembro de 2013 o governo criou o GTIEVAS (Grupo de Trabalho para as Infra-estruturas Estratégicas de Valor Acrescentado) para identificar as novas obras faraónicas (no valor de 5500 milhões de euros) que se deverão fazer nos próximos 7 anos.
A boa notícia é que 5500M€ em 7 anos são apenas 0,5% do PIB.

Fig. 6 - É uma obra para um faraó pequenino.

Mais comboios.
O necessário era acabar com as linhas de caminho de ferro deficitárias (que são todas) que existem mas lá volta o relatório a aconselhar que se enterrem mais 2800 milhões € em novas linhas de caminho de ferro e obras sem qualquer racionalidade económica. Andamos anos e anos a enterrar milhares de milhões € em autoestradas e agora defendem que o transporte de mercadorias tem que passar a ser de comboio. Então para que se fizeram as autoestradas?

Fig. 7 - Por linhas tortas só Deus escreve direito

Mais portos estatais.
Se era preciso acabar com o sequestro de que os portos são, há muitos anos, vítimas à mão dos estivadores, privatizando-os às fatias para promover a concorrência, vem o GTIEVAS aconselhar a enterrar mais uns milhares de milhões em monopólios que não levam a lado nenhum.

Para terminar, a questão da minha amante.
Já há muitos meses que não tento arranjar uma amante.
Ataquei uma que não tinha nada de especial e nada, depois outra do mesmo calibre e nem resposta. Então, digamos que cai no grupo dos desanimados (e que os esquerdistas dizem já incluir centenas de milhares de pessoas).
Mas hoje revi uma que me animou um pouco e parece que há barulho na capoeira.

Fig. 8 - O barulho na capoeira desperta a esperança da raposa de que uma galinha se tresmalhe.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Investimento, crescimento, salários e desemprego

Ontem ao almoço o meu amigo SP lembrou-me desta discussão. 
Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) começaram a dizer no espaço público que a nossa economia precisava de um "ajustamento em baixa dos salários para combater o desemprego e melhorar as nossas contas com o exterior", os esquerdistas gritaram, berraram, guincharam e zurraram que o desemprego apenas poderia ser combatido com mais investimento (em TGVs, autoestradas e energias renováveis), mais crescimento económico e salários mais elevados (para aumentar o consumo). 
Até houve uns da Universidade do Minho que escreveram que diminuir os salários (pela transferencia da TSU) até causaria aumento do desemprego. Na altura dei-lhes uma marretada que, naturalmente, não gostaram nada. Ainda no outro dia vi um deles, que até é bom rapaz, mas fizemos de conta que não nos vimos.

Mas, decorridos 3 anos, o desemprego está a diminuir rapidamente.
Depois de uma taxa de desemprego (sem correcção da sazonalidade) de 18,1% em Janeiro de 2013, 930 mil pessoas desempregados, o desemprego começou a cair e atingiu no fim de 2013 uma taxa de 15,3%, 812 mil desempregados. 
Nos últimos 11 meses, o número de desempregados diminuiu em 710 por cada dia útil num total de 172 mil. Se descontarmos os 5,5% da "taxa de pleno emprego" (non inflationary unemployment rate), em apenas 11 meses, 22% dos desempregados saíram dessa situação.
Fixemos este valor de 22%.

"Mas está pior que em Junho de 2011" (esquerdistas).
Os defensores da catástrofe que resultou do governo Sócrates + Teixeira dos Santos, mesmo já tendo  a voz embargada, querem comparar o actual nível de desemprego (15,3%) com o nível que existia no último mês de Sócrates (12,1%). Assim, dizem que as politicas do Coelho, globalmente, fizeram o desemprego aumentar em 3,2% da população activa, mais 150 mil desempregados.
Mas então, esses esquerdistas também precisam comparar a taxa de desemprego no fim do socratismo (12,1%) com o que se verificava na data da sua entrada, em Março de 2005 (8,3%). O socratismo aumento o desemprego em 3,8% da população activa, mais 200 mil desempregados, quando tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho. Foi apenas um desvio entre o prometido e o concretizado de 350 mil postos de trabalho.
a brilhante politica de investimento e crescimento teve pior impacto que a "catastrófica politica de austeridade" do Passos Coelho. 
E tudo indica que o Passos vai chegar ao fim do seu mandato com a taxa de desemprego que encontrou quando tomou posse (ver, Fig. 1). Vamos chegar a meados de 2015 com 12,1%.

Fig. 1 - Taxa de desemprego (dados:INE). Só um cego não vê que está a cair. 

"Não pode ser. O emprego tem que estar a diminuir" (esquerdistas).
Apesar de ser por demais evidente que o desemprego está há 11 meses a cair, os esquerdistas continuam a afirmar que da "politica catastrófica neo-liberal e de direita" só pode acontecer destruição de emprego. 
Com este pressuposto na cabeça, a diminuição do desemprego só pode ser por causa da emigração e do crescimento dos desanimados. Esta tese já foi apresentada com grande destaque no JN e ontem mesmo fez capa no Diário Económico ("Emigração explica 2/3 da queda da taxa de desemprego") mas É COMPLETAMENTE FALSO.

A verdade, que já apresentei no outro dia (ver o poste), na fase de 2008-2012, por cada 3 empregos destruídos, duas pessoas foram para o desemprego e 1 pessoa perdeu-se (foi para a emigração e para a inactividade). Mas esta perda de activos foi 1/3 e não 2/3. Quer isto dizer que, se não fosse esta perda, em princípios de 2013 a taxa de desemprego teria atingido os 23%.
Mas olhando para os dados trimestrais do Eurostat (ainda não saíram os dados do 4T2013), no 1T2013 essa tendência inverteu-se: havia então 4433 mil empregados e no 3T2013 havia mais 120mil, 4554 mil empregados.
Por cada 19 pessoas que saíram do desemprego foram criados 20 postos de trabalho. Assim, recuperou-se um desanimado.

"Então, o investimento aumentou desmedidamente" (esquerdistas).
Como o desemprego está a diminuir tão rapidamente, se as teses dos esquerdistas estivessem certas iríamos observar nas estatísticas um enorme aumento do investimento privado (já que o público está , felizmente, parado). 
Fui ao INE buscar os dados e, para meu espanto, o nível de investimento mantém-se abaixo dos 65% do nível do primeiros mandato do socratismo (nos 6MM€/trim para uma depreciação de 7,5MM€/trim o que dá um investimento liquido negativo).

Fig. 2 - Evolução do investimento, MM€/trim, preços constantes (dados: INE)

Não é possível.
Estou confuso. Já compreendo porque os do PS andam meio abananados com estas coisas do desemprego ao ponto do João Galamba vir agora defender que "o preferivel é aumentar os impostos".
Mas não foi este mesmo Galamba que, em 2012, quando o Gasparzinho anunciou um "brutal aumento dos impostos", veio gritar a pedir cortes na despesa pública?
Decorrido um ano, afinal, o PS vem dizer que o Gasparzinho estava no bom caminho e o que é preciso é aumentar ainda mais os impostos.

Fig. 3 - "Escreva o que eu digo pois sou uma pessoa de uma só palavra: quando for o PS a mandar, vamos aumentar os impostos e anular os cortes na despesa porque é a despesa que combate o desemprego".

Os custos do trabalho diminuíram.
Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) gritaram pela necessidade de diminuir os custos do trabalho fosse pelo aumento do horário de trabalho, da diminuição dos salários ou da flexibilização do mercado de trabalho, a esquerda chamou dois prémios Nobel e um fulano qualquer brilhantíssimo (o meu ex-amigo Ricardo Reis) para contra-gritarem que, para o desemprego diminuir, os salários tinham que subir. 
Também vieram os sindicatos e os patrões pedir um aumento do salário mínimo mas a pagar peo Passos Coelho.
A lógica era que, mais salários transformam-se em mais consumo que se transforma em mais procura o que leva as empresas a empregar mais pessoas diminuindo o desemprego e a despesa em apoios sociais.
É a argumentação mais estúpida que algum ser humano pode avançar. 
É como dizer que comer mais emagrece porque se gasta mais energia na digestão.
Mas os custos do trabalho reduziram 15% relativamente aos nossos parceiros da Zona Euro, exactamente como eu achava necessário. Foram 5% ainda no tempo final do Sócrates e mais 10% no período inicial do Passos Coelho (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Evolução dos custos do trabalho relativamente aos nossos parceiros da ZE (dados: Eurostat)

Retomemos o número.
Uma queda de 15% nos custos do trabalho induziram até agora uma queda no desemprego de 22%.
Então, cada 1% na redução nos custos do trabalho induzirm uma redução de 1,5% no número de desempregados.
Afinal, o modelo teórico que garante que uma redução nos custos do trabalho induz uma redução no desemprego (e um aumento no emprego) está mais certo que toda a evidencia empírica que esse pseudo-craques esquerdistas foram arranjar para negar o que dizia (e diz) a teoria.

Fig. 4 - A teoria sempre disse e diz que, quando o desemprego é elevado, a redução dos salários diminui o desemprego e aumenta o emprego. Negar isso é a mesma coisa que dizer "eu sou estúpido".

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Emprego, desemprego e emigração

Na taxa de desemprego para 2013, o Gaspar acertou. 
Quando da discussão do Orçamento de Estado para 2013, o Gasparzinho apresentou como previsão para o desemprego de 2013 uma taxa média de 16,4%. 
Na altura ninguém acreditou, eu incluído, porque a previsão para 2012 tinha tido 2,5 pp de erro. O Gaspar começou com 13,4% (OE2012, p. 18) e a realidade ficou-se nos 15,9% (Eurostat). 
A minha previsão foi que, porque no OE2013 estava 16,4%, íamos acabar com 19% de taxa de desemprego. 

Usei expectativas adaptativas.
Que consiste em pegar no erro de previsão do ano anterior e aplica-lo como correcção à provisão para o ano seguinte.
Mas, pelo menos desde Muth (1961), toda a gente que estudou economia, sabe que as expectativas adaptativas (de Cagan, 1956) têm erro sistemático e não têm capacidade de prever os pontos de viragem das variáveis económicas. 
Foi exactamente o que aconteceu com a minha previsão. Eu usei o modelo adaptativo que sabia estar errado.

Errei mas não foi grave. 
Grave foi pessoas muito relevantes para o nosso país, antigos ministros das finanças e putativos futuros ministros das finanças o terem feito. 
Todos nós erramos mas, eu, sem qualquer gravidade pois vozes de burro não chegam ao céu.
Agora, ex-ministros terem-no feito, indica como fomos governados no passado. E putativos futuros ministros, indica como, a concretizar-se a vitória do Seguro nas legislativas de 2015, iremos ser governados.
Devemos usar nas previsões modelos que têm em atenção o Futuro (e não o Passado). Se isso não for possível, as previsões têm que ser usadas com muita cautela e caldos de galinha. 

O paradigma económico mudou.
O modelo do passado é a "economia keynesiana" onde o crescimento acontece puxado pela procura.
Nessa economia primeiro, aumenta a despesa pública, o consumo e o investimento o que induz um aumento dos preços, dos salários e das importações. Numa segunda fase, aumenta o PIB e, decorridos uns 12 meses, o desemprego começa a diminuir.
O modelo actual é a "economia clássica" onde o crescimento acontece empurrado pela produção.
Nessa economia primeiro, diminuem os salários o que induz um aumento do emprego, uma queda dos preços e um aumento das exportações. Quase simultâneamente, o PIB aumenta.
Mesmo quando o Eurostat mostra que o desemprego está há 10 meses a diminuir, ainda saem estudos (como hoje no JN sobre um relatório do FMI) que afirmam que "o desemprego só começará a diminuir quando a economia crescer 2,7%/ano".
Se isto fosse verdade, nunca mais o desemprego iria diminuir (porque nunca mais teremos taxas de crescimento de 2,7%/ano).

Mas o desemprego está mesmo a diminuir.
A Eurostat tem como dados provisórios para 2013 uma taxa de desemprego média de 16,5% que compara com a previsão do Gasparzinho (feita em Out2012) de 16,4%.
O Gasparzinho até pode ter acertado pela pior das razões (usou os 16,5% de Set2012) mas o facto é que acertou.
O desemprego (com correcção da sazonalidade), depois do máximo de 17,6% de Jan/Fev  de 2013,  começou a diminuir 0,22 pp por mês, já lá vão 10 meses. Cada mês há menos 12 mil pessoas no desemprego.

Fig. 1 - Evolução da taxa de desemprego portuguesa (dados: Eurostat)

Para ilustrar como esta redução é rápida, se continuar (lá volto eu a usar as expectativas adaptativas, não aprendo mesmo), o Passos Coelho vai arrancar a campanha eleitoral a anunciar que a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2015 é inferior à taxa de desemprego que herdou do último trimestre, 2T2011, do reinado do Sócrates (12,5%).

Fig. 2 - Ampliação da Fig. 1

O bom é estar entre 5% e 8%.
Pois é mas isso ainda vai demorar tempo.
Quando o desemprego está acima desta faixa, há emigração e redução de salários.
Quando o desemprego está abaixo desta faixa,, há imigração e aumento dos salários.

Mas estará o Emprego a crescer?
O mercado de trabalho tem os empregados, os desempregados e, somando estas duas parcelas, temos a população activa.
Na dinâmica do mercado de trabalho, a população activa diminui pela emigração e a passagem à inactividade (imaginando que ninguém nasce nem morre).
O que se observou no período pós crise-do-subprime é que, cada mês o desemprego aumentava em 9500 pessoas e as pessoas empregadas diminuíam em 14000 pessoas o que traduz que se "perdiam" 4500 pessoas activas por mês.
Por cada 3 empregos "destruídos", 2 de pessoas iam para o desemprego e 1 pessoa desaparecia da população activa.

Fig. 3 - População empregada e população desempregada em Portugal (dados: INE)

Caiu o desemprego e subiu o emprego.
Nos últimos trimestres, o número de pessoas desempregadas tem diminuído ao mesmo tempo que aumenta o número de pessoas a trabalhar.
Agora, por cada 19 pessoas que saem do desemprego, criam-se 20 empregos o que traduz que não só parou a hemorragia de população activa como a situação reverteu ligeiramente.
Mas olhando para a Fig. 3, vemos que voltar ter uma taxa de desemprego na ordem das 400 mil pessoas (8% na Fig. 1) e 5200 mil empregos ainda vai demorar uns anitos.
Lá para o fim do segundo mandato do Pedro Passos Coelho.

Agora o Gás Natural.
Esta semana saiu uma pequena notícia no Sol a que ninguém deu importância mas que vai, em termos tecnológicos, no bom sentido.
O governo decidiu que a electricidade não é uma tecnologia com potencial para usar nos automóveis e que o futuro é o Gás Natural.
Com as novas técnicas de exploração de gás natural, nos USA esta forma primária de energia está muito, muito, muito barata, na ordem dos 0,02€/kwh, um décimo do preço que pagamos pela nossa electricidade.

O problema da electricidade.
As baterias têm pouca densidade de energia.
Mesmo usando 375 kg de baterias, a energia acumulada correspondente a 6 litros de gasóleo.
Então, para haver uma autonomia na ordem dos 130km, o gasto energético tem que ser muito baixo (média de 17 cavalos, à velocidade de 90km/h).
Mas para este nível de desempenho, um carro a gasóleo só consome 3l aos 100km.

A electricidade é mais cara que o gasóleo (sem ISP).
Para um consumo eléctrico óptimo de 14kmh/100km, com um rendimento do 80% e um preço de 0,20€/kwh, o "combustível" do carro eléctrico fica em 3,5€/100 km.
Para o mesmo consumo óptimo, os 3l/100km de gasóleo sem o ISP, tem um preço de 0,80€/l, ficando o combustível nos 2,5€/100 km.

E muito mais cara que o gás natural?
Um motor a gás natural usa 25% de gasóleo. Então, se viermos a ter os preços americanos, o custo em combustível ficará em 1,00€/100km.

Mas o gás natural também tem problemas de autonomia.
Porque à temperatura ambiente, para conter a energia de uma bateria de 375kg ou 6 litros de gasóleo é preciso uma garrafa de 75 litros à pressão de 100atm que, em aço, pesa 20kg.
O gás natural é indicado para transportes urbanos de passageiros onde as distancias percorridas são pequenas e onde o reabastecimento frequente não causa problemas,

O reabastecimento do gás natural é rápido.
Re-carregar uma bateria demora muito tempo, várias horas, e destroi rapidamente a bateria (0s produtores indicam que ao fim de 8anos - 100000km, a bateria tem entre 50% e 70% da capacidade de carga original).
A reabastecimento do gás natural é rápida (uns 5 minutos) e não degrada o sistema.

Fig. 4 - Anda carregar que isto não é barato mas não se estraga com o uso.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A avaliação dos professores, os salários e a imigração

Todos os jovens fazem a mesma pergunta:
Qual a justiça de o Cristiano Ronaldo ganhar tanto dinheiro e ter uma namorada tão boa e eu não ter nada?
A razão está no facto de, apesar de também termos duas pernas e dois braços, não sermos capazes de criar riqueza na mesma medida que o Ronaldo.
É das diferenças na capacidade de gerar riqueza (determinada por sorte seja à nascença ou depois) que resultam as diferenças nos nossos salários.
Muitos mais treinaram futebol nos mesmos sítios em que o Ronaldo mas, porque já eram diferentes à partida, o Cristiano  transformou-se no "melhor do mundo" e os outros ficaram-se pelos "solteiros contra casados".
(Mas, mesmo assim, o Ronaldo teve que emigrar!)

Fig. 1 - Porque não temos todos direito a uma Irina? (e, depois, o que aconteceria às simpáticas?)

Com se transforma a capacidade de gerar riqueza num salário?
Se ouvirmos a argumentação dos esquerdistas (ou direitistas como a Marine Le Pen) sobre a  necessidade de haver um salário mínimo digno e de haver entraves à imigração para combater a exploração do trabalho pelo capital, não conseguimos compreender como o Ronaldo ganha muito mais que 633,33€/mês, o salário mínimo espanhol.
Apesar de o mercado dos futebolistas ser altamente concorrencial, o Ronaldo não se aflige com isso porque é exactamente a concorrência que faz o seu salário ser elevado.

É a concorrência que transforma a capacidade potencial em efectiva.
Num mundo em que há concorrência entre os trabalhadores (por um salário mais elevado) e entre os empregadores (pelos trabalhadores mais produtivos) então, cada salário vai traduzir a quantidade máxima de riqueza que o trabalhador consegue produzir.
Cada trabalhador vai, saltando de lugar em lugar, procurar a empresa onde é mais produtivo e, cada empresa, contratando e despedindo continuamente os trabalhadores menos ajustados, vai procurando maximizar as capacidades produtivas das pessoas.
Se as empresas não puderem despedir, cada pessoa ficará para todo o sempre no seu primeiro emprego pelo que nunca poderão experimentar outras ocupações que poderiam ser melhores.

Vejamos o exemplo das macieiras (de Lucas, jnr.).
Existem macieiras altas e baixas e trabalhadores altos e baixos (metade de cada). Um trabalhador alto produz mais numa macieira alta e um baixo numa macieira baixas (1000kg/dia). Um mau ajustamento implica (um alto numa baixa e um baixo numa alta) menos produção (100kg/dia) e mais esforço humano.
Vamos supor um salário igual para todos de 2/3 da produção média. Então, se o ajustamento for perfeito (alto-alta e baixo-baixa), o salário médio será de 667kg/dia. Se o ajustamento for totalmente mau (alto-baixa e baixo.alta) o salário ficará nos 67kg/dia.
Mas não sabemos quais são as árvores altas nem as pessoas altas pelo que o ajustamento é aleatório, por tentativa e erro.

T1 - Os trabalhadores são inicialmente colocados aleatoriamente.
Neste caso haverá, em média, 50% de trabalhadores que encontram a árvore certa pelo que a produção média vai ser de 550kg/dia por trabalhador e o salário de 367kg/dia.

T2 - Os maus ajustados são despedidos e novamente re-colocados.
Neste caso, metade dos despedidos vão ajustar bem pelo que passará a haver 75% de trabalhadores na árvore certa. A produção média vai aumentar para 775kg/dia e o salário aumenta para 517kg/dia.

T3 - Os maus ajustados são novamente despedidos e re-colocados.
Nesta terceira iteração a produção média aumenta para 888kg/dia e o salário para 592kg, 60% acima da situação em que não havia tentativa e despedimento.

Se estendermos o modelo a centenas de capacidades e postos de trabalho diferentes concluímos que, sem flexibilidade no mercado de trabalho que permita repetidas tentativas e erro (despedimento), o nível de produção e os salários vão ser escusadamente baixos.

O Ronaldo estava no Andorinhas
e não criava riqueza mas os olheiros viram nele capacidade para, na estrutura do Sporting, gerar milhões e o Ronaldo viu que no Sporting poderia, com melhores treinadores, gerar muito mais riqueza e ter um salário muito superior ao que teria se continuasse no Andorinhas de St. António.
Mas mesmo assim, por vontade do Sporting o Ronaldo ainda lá jogaria mas a ganhar uns 1500€/mês. Depois veio o Manchester e, vendo a capacidade no puto, entrou em concorrência com o SCP oferendo-lhe logo uns milionários 200mil€/mês (e uma maquia para o SCP). Depois vieram mais e mais clubes (e mais e mais mulheres) a querer o homem de forma que agora já ganha mais de 1,5 milhões € / mês.

Não podemos ter medo da concorrência.
Quantos mais empregadores (maximizadores do lucro) e trabalhadores (maximizadores do salário) existirem no mercado, mais o salário de cada trabalhador se vai aproximar da sua capacidade máxima de gerar riqueza.
Quem tem valor, e todos temos pelo menos algum, vai sair beneficiado pela existência de empregadores maximizadores do lucro. Se, por exemplo, o Sporting não procurasse maximizar o valor de transferência do Ronaldo, no dia 6 de Agosto de 2003 não o teria posto a jogar frente ao Manchester e hoje, provavelmente, o moço seria roupeiro.
Se vivêssemos num mundo como os esquerdistas e o Papa Xico acham que seria perfeito (onde as pessoas não procurassem o lucro máximo), a nossa vida seria muito pior. É que ninguém procuraria o ajustamento entre as capacidades capacidades e os seus processos produtivos.
E mais produção implica melhor qualidade de vida.

Mas "se eu fosse despedido não arranjava mais emprego".
O Ronaldo não pensa assim  mas a maioria das pessoas pensa-o (e com razão) porque o nosso mercado de trabalho é muito rígido. Como os empregadores não conseguem experimentar quem se adequa melhor ao seu processo produtivo (porque há muitos entraves à rotação dos efectivos, i.e., ao despedimento), apesar de ser quase certa a existência de ocupações onde seríamos mais produtivos, mais felizes e onde poderíamos ter um salário superior, não temos a oportunidade de as experimentar.
Nem o empregador nos pode dar essa oportunidade (pois tem lá outro trabalhador pior do que nós que não pode despedir) nem nós podemos deixar o nosso emprego pois, em caso de algo correr mal, temos dificuldade em arranjar outro.

Vamos ao teste dos professores.
É o Estado que regula e controla o funcionamento das universidades e politécnicos (publicos e privados) e é também o Estado o empregador de muitos dos licenciados (os professores). Então, seria de pensar que bastava ao Estado regular a atribuição dos graus académicos para não precisar avaliar os candidatos aos postos de trabalho público.
O problema é que:
1) existe liberdade de ensinar pelo que o conteúdo dos cursos pode não ser adquado ao que o Estado quer para os seus trabalhadores;
2) existe bastante disparidade entre as notas das diversas escolas superiores;
3) há mais candidatos ao emprego público que lugares disponíveis, havendo necessidade de hierarquizar os candidatos e;
4) a licenciatura não avalia a pessoa num trabalho concreto pelo que há sempre a necessidade de avaliar como a pessoa se ajusta a cada uma das multiplas ocupações distintas.

Naturalmente
Quando se candidatam 100 pessoas para um emprego público de "especialista em redes de comunicação com licenciatura na área" existe uma entrevista e um teste de conhecimentos para escolher o melhor de entre todos os candidatos pelo que, havendo vários candidatos a cada lugar de professor,  também é aceitável que exista um teste para hierarquizar os candidatos.

Mas dezenas de milhar nunca voltarão a ser professores.
As pessoas gostam de viver na ilusão e uma delas é a de que toda a gente pode ser professor numa escola pública a ganhar ordenados churudos. Apesar de isso ser possível há 50 anos porque só 3% da população tinha licenciatura, agora é impensável porque, felizmente, mais e mais pessoas têm um grau académico.
Agora é preciso adaptar a tabela salarial às novas dinâmicas do mercado. Há 50 anos o salário dos professores precisava ser elevado porque ser licenciado era raro mas agora, porque há muito mais licenciados, naturalmente que os seus salários (e dos dos professores em particular), têm que ajustar em baixa.
O ajustamento em baixa dos salários é a forma mais justa e eficiente de as pessoas perderem a ilusão de que vão ser professores e passarem a pensar noutras potenciais actividades profissionais.

Fig. 2 - Parece uma doença ter escolaridade mas a doença é os escolarizados quererem salários elevados o que leva os patrões a pensar que, depois da formação no posto de trabalho, eles se despedem.

Porque os salários dos licenciados têm que diminuir.
Localizemo-nos em 1960 onde existiam 3 pessoas licenciadas em cada 100 pessoas. Nesse tempo o salário médio era de 190€/mês (a preços de 2013) e estava dividido entre os licenciados (que ganhavam 1500€/mês) e os outros (que ganhavam 150€/mês). Os licenciados podiam ser uma elite com 10X os salários das outras pessoas porque havia poucos:
      150€ x 97% + 1500€ x 3% = 190€

Avancemos até 2013, o salário médio aumentou para 900€/mês porque o PIBpc aumentou, em média,  3%/ano.
Agora, o problema é que as pessoas de cada categoria (licenciados e outros) querem que o seu salário aumente na mesma proporção que aumentou o salário médio, 750€/mês para os outros e 7500€/mês para os licenciados, mas isso não é possível porque aumentou a proporção dos licenciados (os que ganhavam mais).
Pensemos que agora temos 20% de licenciados. Para ter um salário médio de 900€ e permitir que os salários mais baixos tenham aumentado à taxa de crescimento do PIBpc (para 750€/mês), os salários dos licenciados têm que ficar nos mesmos 1500€/mês de 1960.
      750€ x 80% + 1500€ x 20% = 900€

É uma ilusão que tem que ser desfeita.
Se achamos uma questão de justiça social que os salários mais baixos aumentem à taxa de crescimento do PIB, os salários dos licenciados têm que estagnar e, no futuro, diminuir porque o número de licenciados está a aumentar mais rapidamente que o crescimento do PIB (que está estagnado há 15 anos). Este problema é muito grave, por exemplo, no Brasil onde o Salário Minimo está obrigado por lei a aumentar à taxa de crescimento do PIB.
Os licenciados pensarem que podem manter o nível de vida dos liceniados da geração dos seus pais é uma total ilusão que tem que ser desfeita rapiramente sob pena de termos uma multidão de licenciados inactivo.
Se hoje é muito mais fácil ter uma licenciatura do que era há 50 anos, também temos que aceitar que o ganho patrimonial de a ter tem que ser menor.
Não é possível defendermos que o progresso deve trazer mais igualdade social e depois querer para nós um salários de minoria.
A média é a média e se há mais pessoas com  salário elevado (licenciados) esse salários tem que ficar relativamente menor.

Os 74 sirios que vieram da Guiné-Bissau e os 75 romenos que foram repatriados.
Quando falamos dos milhares que entraram na WWII com "vistos falsos" emitidos pelo Aristides da Souza Mendes dizemos que foi um heroi porque salvou pessoas que acabaram por ficar do lado certo da barricada.
Se nos compararmos com 1940, o que se passou na Guiné-Bissau foi exactamente o mesmo só que ainda não sabemos de que lado estas 74 pessoas irão ficar na História.
Também são seres humanos como nós que fogem de uma guerra terrivel e que usam passaportes alegadamente falsos.

Serão mesmo como nós?
Nós somos muito mais civilizados que qualquer povo do mundo porque temos leis que metem na cadeia quem "maltratar os animais domésticos". O problema é que preocupamo-nos muito com o peixe do aquário mas pouco com os peixes que vivem no mar e ainda menos com as pessoas que, por esse mundo fora, morrem de fome, guerra e miséria. E nós poderíamos fazer muito mais por essas pessoas e, mesmo assim, podiamos ficavar a viver melhor.

Os esquerdistas dizem que estamos a perder jovens para a emigração.
Se é mau a nossa joventude sair para ir trabalhar por esse mundo fora, deve ser bom receber a juventude desse mundo todo para vir trabalhar para cá.

Nós podíamos e deveriamos receber 5 milhões de trabalhadores imigrantes.  
Quando falam em imigração, pensamos logo que nos vêm roubar os postos de trabalho, fazer peditórios à porta dos supermercados e viver à custa de segurança social mas essa análise está errada.
O nosso problema é que raciocinamos como os "especialistas" que aparecem na TV que não percebem nada sobre o assunto.
Vejamos os erros:

Erro 1 - É desumano pagar 0,50€/h a um imigrante.
As OMT - Organização Mundial do Trabalho indica como salário de sobrevivência num país pobre, 2USD por 9h de trabalho que, corrigido das diferenças de preços (3:1) e do câmbio (0.75€/USD), traduz um salário de 6,00h numa jorna de trabalho de 12h (0,50€/h).
Se a OMT diz que é digno então, não podemos dizer que é desumano.
O que acontece é que somo hipocritas. Achamos que uma pessoa trabalhar VOLUNTARIAMENTE em Portugal por 0,50€/h é uma exploração mas essa mesma pessoa trabalhar por menos ou mesmo morrer à fome no seu país, já não é problema nosso.

Fig. 3 - Por amor de Deus, deixem-nos ir trabalhar na apanha da zeitona que estamos a morrer de fome.

Erro 2 - O número de empregos disponíveis é fixo.
Podemos pensar que, por haver uma certa quantidade de oliveiras, há automaticamente um certo número de postos de trabalho para apanhadores de azeitonas quer se pague 0,50€/h ou 100€/h.
Mas todos sabemos que isso não é minimamente verdade, sabemos que o número de empregos disponíveis diminui com o salário.
Se fosse possível contratar imigrantes a 0,50€/h, muitos postos de trabalho seriam criados, desde pastar cabras e ovelhas até cortar as acácias infestantes das nossas matas.
Assim, os imigrantes iriam criar, pelo baixo salário, os seus próprios postos de trabalho.

Erro 3 - Os baixos salários destroiem emprego.
Se um trabalhador ganhar 0,50€/h, o seu consumo vai ser muito pequeno pelo que essa pessoa não terá impacto na economia. Por outro lado, irá destruir, por substituição, empregos melhor remunerados.
Mas isto está errado porque, apesar de consumir (e produzir) pouco, produz alguma coisa.
E as coisas que produz, por exemplo, azeitonas, apesar de terem pouco valor acrescentado, potenciam o desenvolvimento (e não a destruição) das actividades que estão no seguimento, os lagares de azeite, o que cria empregos com salários superiores.
Sempre que as actividades que geram pouco valor acrescentado não possam ser deslocalizadas (são coisas não transaccionáveis) como, por exemplo, varrer estradas, arrumar quartos de hotel ou podar macieiras, um país ganha nivel de vida para os seus nacionais se contratar estrangeiros com baixos salários para realizar essas actividades. É assim que vive, por exemplo, a Suíça.

Erro 4 - O número de candidatos é fixo.
Em Portugal o SMN é de 5€/h (se contarmos com as transferências para a Segurança Social). Quando na India ou na África houvem falar deste valor, milhares de pessoas pobres sentem vontade de vir trabalhar para Portugal.
Se, pelo contrário, houvesse liberdade de contratação, o salário do imigrante iria descer por aí abaixo e, quando chegasse a 0.50€/h, já ninguém quereria vir trabalhar para Portugal.

Como deveria ser a nossa politica de imigração.
O que eu vou propor não sai da minha imaginação pois é apenas uma adaptação do que fazem na Suiça.

Primeiro.
Cria-se o Visto Especial de Trabalho Temporário, VETT.
O processo de emissão do visto parte de um contracto de trabalho que tem que dizer o dia de entrada, os meses de duração da estadia, o número de horas de trabalho, o salário horário e o dia de saida.
O empregador tem que prestar caução dos salários, alimentação, alojamento e da viagem de repatriamento.
Assim que termine o seu tempo de trabalho, o imigrante tem que retornar ao seus país.

Fig. 4 - Sou uma jovem de 15 anos que trabalha 14h/dia, 7 dias/semana por 40€/mês. 
Deêm-me uma oportunidade de ir para Portugal.

Segundo.
Fazia-se um Código de Trabalho para os VETTs.
1 - O salário mínimo fica reduzido a 20% do SMN, 0,725€/h;
2 - O salário fica limitado a um máximo de 80% do SMN, 2,90€/h (para acabar com a ideia de que os imigrantes são uma ameaça aos "postos de trabalho dos portugueses" );
3 - O horário de trabalho máximo aumenta para 72h/semana (12h/dia x 6 dias/semana).
4 - O empregador fica obrigado a pagar a viagem de vinda e repatriamento do trabalhador além de ter que fornecer gratuitamente alojamento e alimentação numa qualidade idêntica ao que o trabalhador tinha no seu local de origem.
5 - No anúncio da contratação (e no contracto) têm que ser publicitadas as condições de trabalho, de estadia e de remuneração.

Terceiro.
O cumprimento do VETT sem incidentes policiais dá pontos ao trabalhador com vista à obtença de um visto de residencia permanente para ele e para a família (sob a condição de saber falar português).
Por exemplo, é atribuido um ponto por cada 1000h de trabalho (que corresponde a 6 meses de trabalho) e, com 30 pontos, o trabalhador tem direito ao visto de residência.

O processo.
O empregador arranja os trabalhadores, seja em Goa, no Vietname ou no Sudão do Sul, faz-lhes um contrato de trabalho e vai ao SEF (a ver se não são criminosos).
Depois, presta a cauça, compra-lhes a viagem e manda-os vir.

Fica a questão da Segurança Social.
Terá que ser criado um regime especial de SS.
1 - O empregador desconta 35% de TSU e o trabalhador fica isento.
2 - Uma parte da TSU, 25% do salário, vai para uma conta pessoal do trabalhador com vista à atribuição de uma pensão de velhice calculada segundo o sistema de capitalização.
3 - Outra parte, 10% do salário, forma um fundo solidário a utilizar apenas com os VETTs.

Termino com a história dos 75 romenos e do sr. padre.
Vieram 75 romenos para trabalhar na apanha da zeitona.
Ao trabalhar pelo salário possível estavam a criar postos de trabalho para portugueses nos lagares e a promover a exportação de azeite e de azeitona curada.
Mas uns iluminados decidiram que era escravatura moderna. Mandaram 71 com as mãos a abanar de volta para a miséria da Roménia e 4 foram viver à nossa custa na cadeia (os 4 custam 200€ por dia ao orçamento de estado).
Perderam os 71 romenos (que poderiam levar uns euros para casa) e perdemos nós (porque estamos a gastar 200€/dia e as azeitonas estão por apanhar).
Um padre numa terra tinha um funeral para fazer e as azeitonas para apanhar.
Então decretou:
-Como não tenho romenos, preciso de ir eu apanhar as azeitonas. Se alguém me vier ajudar na apanha, eu faço o funeral. Caso contrário, os do SEF que o façam. 

Fig. 5 - Na Roménia vivemos nesta casa e ninguém se preocupa. Quando vamos trabalhar para Portugal obrigam o patrão a meter-nos num hotel de 5*.

Pedro Cosme Costa Vieira

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