quarta-feira, 6 de maio de 2015

Vou escrever um romance

Isto de criticar os esquerdistas. 
Parece que é proibido em Portugal.
Então, vou começar a publicar um romance.
Hoje vou publicar a introdução e o primeiro capítulo. Depois, todas as quartas feiras (e Domingos porque já tenho muitos capítulos) publicarei outro capítulo. 
No romance relativizo a moral misturando o bem, o mal, o arrependimento, a redenção e o perdão. 
O projecto nasce de um desafio que lancei ao Richard Zimler que não me conhece e que eu não conheço. Naturalmente, não somos amigos. Por acaso somos colegas de trabalho mas nunca nos cruzamos na vida. 
O Richard não aceitou o desafio o que me obrigou a avançar com o projecto.
Este post também vai servir de índice do romance pelo que, semanalmente, vou acrescentando uma linha.
Espero que gostem.


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Crime e Redenção
 Pedro Cosme Vieira
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1- A anomalia
2 - O defumadouro
3 - O Desgosto
4 - A preparação
5 - A casa
6 - A confissão
7 - A penitência
8 - A revelação
9 - A substituição
10 - O Almoço
11 – A multiplicação
12 – O foral
13 – O cortejo
14 – A existência
15 – A recusa
16 – A operação
17 – O ataque
18 – O pedido
19 – A resposta
20 – A carta

1 – A anomalia

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
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Algures na Europa, faz agora um pouco mais de 150 anos, um pequeno povo foi massacrado e expulso do local em que habitualmente vivia por ser portador de uma doença qualquer. Os sobreviventes desse crime passaram a viver num monte agreste propriedade do Arquiduque e, desde então, mesmo vivendo com privações e pesados impostos, conseguiram crescer, multiplicar-se e começar a colonizar o mundo. No entanto, mesmo usando como escala o que aconteceu há 150anos, um crime de dimensões inimagináveis está prestes a acontecer.
O bom desta história é que todo o crime pode ser redimido. Ou talvez não.


1 – A anomalia
A família da Maria Zé era portadora de uma anomalia talvez genética que fazia com que os filhos pudessem nascer com uma doença muito incapacitante. Por causa dessa possibilidade, apenas teve como pretendente o Francisco, um primo muito chegado, e que também era portador dessa doença maldita. Mas, como só se poderiam casar se se comprometessem a dar cumprimento ao mandamento “Crescei e Multiplicai-vos”, a decisão quanto a casar teria que ser muito ponderada . Mas os vizinhos diziam-lhes que, “Se outras pessoas se casaram e tiveram filhos saudáveis, também vocês se podem casar e ter filhos saudáveis desde que façam o “Defumadouro da Terra Santa”.
O Defumadouro era um estribilho que ouviam desde que eram crianças, “Vocês nasceram saudáveis porque os vossos pais fizeram o Defumadouro da Terra Santa”, mas que nenhum adulto conseguia explicar. Quando surgia a pergunta “Mamã, o que é o Defumadouro da Terra Santa?”, os adultos desconversavam ou diziam “Quando as pessoas da nossa aldeia querem ter filhos, para afastar a maldição têm que fazer o Defumadouro. Quem fizer o Defumadouro não vai ter filhos deficientes mas só vais compreender isso, o que quer dizer ‘não vais ter’ quando Deus quiser que tenhas filhos”.
Estando casados de fresco e tendo, segundo as palavras do padre Augusto, a obrigação de ter filhos, começaram então a fazer umas investigações pelas pessoas aldeia. Muito em segredo todos diziam o mesmo, “Falem com a vossa tia Júlia mas não digam que fui eu que disse o nome dela”. Então, não fosse engravidar antes do defumadouro, um dia a Maria Zé e o Francisco foram ao casebre da Tia Júlia que era irmã da mãe da Maria Zé e prima do Francisco.
A vida da Júlia tinha sido trágica. Primeiro, tinha casamento marcado com o Abel, um jovem muito querido por toda a gente, inteligente e trabalhador mas que, nas vésperas do casamento e ainda jovem, foi assassinado por ladrões de gado que vieram do Vale. Ficou anos de luto que, com muita dificuldade, conseguiu ultrapassar e aceitar casar-se com um primo em segundo grau da parte do pai. Se o casamento aconteceu, poucos anos depois, o marido morreu num acidente estúpido qualquer que ninguém consegue explicar. Nunca chegou a ter filhos e agora, com um pouco mais de 60 anos, vivia só, já fora da povoação, numa pequeníssima barraca que, em tempos, tinha servido de galinheiro. Os seus poucos rendimentos vinham das suas 5 ovelhas e 2 cabras e do trabalho agrícola que as suas poucas forças ainda lhe permitiam fazer. A sua pobreza era tanta que o foral que tinha que pagar anualmente ao Arquiduque era conseguido por um peditório entre os familiares mais próximos.
Havia algo de estranho em volta da Tia Júlia, apesar de estar sempre presente nas conversas, ninguém a queria por visita. Quando algo corria mal, por exemplo, uma ovelha desaparecia no monte, a chuva tardava em aparecer ou o vinho azedava no pipo, havia sempre alguém que dizia, “Antes isso que uma visita da Tia Júlia”.
Os recém casados decidiram então falar à mulher que ainda era sua parente chegada. Um dia, ao fim da tarde, foram os dois a sua casa, melhor dizendo, barraca. Como não a encontraram na barraca, chamaram por ela em voz alta que respondeu lá do meio dos pés de milho onde estava a trabalhar.
– Quem chama por mim?
– Boa tarde, Tia Júlia, sou eu, a sua sobrinha, a Maria Zé.
– Ai a minha sobrinha que não vejo desde pequenina, já aí vou – pousou o que estava a fazer e lá foi no seu vagar. Apareceu toda vestida de preto, com cabeça coberta por um lenço também preto que amarrava por baixo do queixo e por um grande chapéu de palha para proteger ainda mais dos raios do Sol. Os longos anos de trabalho no campo já tinham feito os seus estragos principalmente nas costas pelo que caminhava com uma visível inclinação do corpo para a frente e os dentes já tinham ido todos à sua vida.
– Boa tarde tia, é verdade que já não nos vemos há muito tempo mas estou a ver que está igual – um acto de misericórdia pois estava visivelmente muito mais envelhecida, quase cadavérica – este aqui é o Francisco. Como já deve saber, casei-me aqui com o primo Francisco, e, porque o padre Augusto diz que temos que ter filhos, na sua maluqueira “Uns 12 como teve o Jacob”, viemos cá para lhe falar sobre o Defumadouro que evita termos filhos com a doença.
A senhora ajoelhou-se, olhou para o Céu e começou a rezar em voz alta “Liberta-me Senhor deste fardo que tenho carregado ao longo da minha já longa vida” – é que naquela miséria, não era frequente uma pessoas ultrapassar os 60 anos de idade. – “Indica outra alma para assumir esta ingrata missão pois eu já estou cansada de sofrer.”
O casal ficou admirado da reacção da senhora e a Maria Zé avançou com umas palavras de conforto“Tia Júlia não desespere que nós só estamos aqui para lhe pedir que nos faça o Defumadouro às crianças, é só um fumosito.”
– Mas vocês não sabem da maldição que a nossa aldeia carrega? Não será melhor optarem, como eu fiz, por não ter filhos?
– Sim tia, já ouvimos falar disso mas o certo é que, muita gente fala da doença mas nós vemos que ninguém tem filhos doentes. E nós não somos diferentes dos outros, nós queremos mesmo ter filhos não só para respeitar os mandamentos de Deus mas também porque não queremos acabar os nossos dias sós e abandonados como a Tia Júlia – A Maria Zé vendo a expressão de tristeza na cara da tia teve um imediato arrependimento –desculpe a minha franqueza que não era para a entristecer. Se fosse para serem doentes, nós desrespeitaríamos o que diz o Padre Augusto e não tínhamos filhos porque, como somos pobres, não os poderíamos criar. Mas, como o povo diz que o Defumadouro que a Tia Júlia sabe fazer evita isso, pensamos, com a ajuda de Deus, estar em condições de criar duas ou três crianças.
– Mas têm que saber que o Defumadouro é uma coisa séria. Pensem bem pois, se se comprometerem comigo, terão que o assumir até às últimas consequências, sejam elas quais forem, sem nada dizer nem perguntar. Aviso-vos que, na minha mão, o defumadouro não permite que os filhos doentes vivam mas apenas isso, o defumadouro não é uma prática médica, não cura, apenas evita.
– Mas tia Júlia, é isso mesmo. Nós não queremos que Deus permita que tenhamos que criar crianças doentes.
– Ouçam bem o que me estão a pedir pois, depois, não podem vir dizer que eu vos enganei. Estão-me a dizer que não querem criar crianças com a doença.
– Pois Tia Júlia, é isso mesmo que lhe estamos a pedir pois nem teríamos como as criar.
– Mas fixem bem o que lhes vou dizer. Sejam quais forem as circunstâncias, nunca poderão rasgar o pacto que vão fazer comigo e com Deus, nunca, em circunstância alguma. O pacto que vai materializar a vossa vontade de ter filhos saudáveis e evitar que tenham que criar filhos doentes é irrevogável. Todo e qualquer filho que venham a ter terá que ser sujeito ao Defumadouro, todo e qualquer, ouçam bem, todo e qualquer.
– Mas tia, não lhe estamos a pedir nada de extraordinário, apenas que evite que venhamos a ter filhos doentes, nada mais.
– Não pensem que não é nada de extraordinário, o que me pedem é terrível. Vão agora para casa pensar e se, daqui a uns dias ou meses, mantiverem a vontade de ter filhos e os sujeitar ao Defumadouro, voltem cá para jurar perante Deus que vão respeitar o pacto até às últimas consequências. Pensem bem porque têm que me dar carta-branca e, aconteça o que acontecer, viver as consequências em silêncio, nunca mais dizendo nem perguntando nada a ninguém.

A Maria Zé achou estranho tanto drama mas, pensou, “Concerteza que é apenas para fazer render o seu peixe. Estas coisas do bruxedo têm que estar envoltas em algum dramatismo para que as pessoas abram os cordões à bolsa”. Sabendo que a senhora vivia muito mal, deixaram o litro de azeite e a meia dúzia de ovos que tinham levado e ainda meteram, discretamente, uma nota de 5€ no bolso do seu avental. Despediram-se e foram embora. 

Ver capítulo seguinte (2- O defumadouro)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

As macro-cidades dos países pobres

O intuitivo será pensar que ...
É no tempo das vacas gordas, nas alturas em que os salários são mais elevados e o risco de despedimento é menor (nos trabalhadores), os preços não são esmagados e as encomendas são grandes (nos fornecedores) e existem lucros (nos proprietários) que os diversos agentes com interesses numa empresa se sentem motivados a optimizar os processos de criação de valor.
Mas a realidade é exactamente ao contrário. Tal como os alunos estudam mais quando a crise (os exames) se aproxima e a dificuldade da disciplina (o risco de chumbo) é maior, é no tempo das vacas magras que os agentes económicos optimizam o processo de criação de valor.

Vamos aos Governos.
No tempo de crise toda a gente diz que "a consolidação orçamental deve ser feita nos períodos bons" mas, chegando os períodos bons, aumentam-se pensões, salários de funcionários públicos, RSI, complemento para idosos, abonos de família, subsídio de desemprego, cortes nos impostos e nas contribuições e não só não se consolida nada como ainda se resvala mais.
Basta ver que, estando nós agora com uma "recuperação ténue", já apareceram os 12 sábios (o que me faz lembrar o filme Twelve Monkeys onde o único com juízo estava metido num manicómio) a anunciar que vão lutar pelo resvalar das contas públicas.

E isto vem a propósito das cidades densas.
O senso comum dirá que os países pobres são pouco eficientes, que tudo o que lá existe tem que ser rejeitado mas é exactamente ao contrário. 
Os países pobres são pobres porque não têm recursos (têm baixa intensidade de capital, de escolaridade e de tecnologia) pelo que, à falta de recursos, a sociedade tem que responder organizando-se de uma forma mais eficiente que os países com recursos. Assim, se quisemos que o nosso país evolua no sentido do progresso, temos que ver como as coisas se fazem nesses países pobres. 
Uma característica que observamos é que as cidades desses países desgraçados estão cada vez maiores e com maior densidade populacional. Usando os dados das cidades com mais de 5 milhões de habitantes (densidade média de 9250 pessoas / km2, wiki), as cidades dos países mais ricos em 10% têm uma densidade populacional 7% menor (GDPpc, ppc do BM). 

Fig. 1 - Relação entre o PIB per capita em paridade do poder de compra e a densidade das cidades (75 maiores cidades do mundo, dados: Banco Mundial e Wiki).

As cidades são como um processador.
Quanto mais denso é um processador, mais curta é a distancia média entre os componentes o que faz com que trabalhe mais depressa (quanto menor a distância, menos tempo demora a electricidade a fazer a viagem) e gaste menos energia (quanto menor a distancia, menos resistência tem o condutor).

Qual será a distancia média percorrida numa cidade?
Vamos imaginar que temos 50 milhões de habitantes para meter numa cidade.

Se a densidade for igual à do Distrito de Lisboa (810 hab/km2), serão precisos 61750 km2 (Portugal tem 92000km2) que é um círculo com um diâmetro de 280km. Nesta cidade, uma pessoa que habite no ponto A genérico e precise se deslocar para o ponto B (aleatórios dentro da cidade) terá que se deslocar em média 127 km. Esta distância aplica-se também às canalizações de água, gás, fios eléctricos e de telecomunicações, estradas asfaltadas, linhas de metropolitano, transportes públicos, etc. 

Se a densidade for igual à de Dhaka-Bangladesh (43500 hab/km2), serão precisos 366 km2 que é um círculo com um diâmetro de 38km. Nesta cidade mais densa, uma pessoa que habite no ponto A genérico e precise se deslocar para o ponto B (aleatórios dentro da cidade) terá que se deslocar em média 35 km.

Uma cidade densa como Dhaka tem necessidade de 1/7 da tubaria, fios, transportes públicos e estradas que uma cidade espraiada como o Distrito de Lisboa. 
Se uma em cada 1000 pessoas pratica Judo, à distância de 15 minutos (1,5km) a pé em Dhaka a escola tem 307 alunos enquanto que numa cidade com a densidade do Distrito de Lisboa só tem 6 alunos.

#Código em R utilizado
#o raio da cidade é
   raio=140
#Vai sortear o local de vida e de trabalho de 30000 pessoas
   n=30000
   viveX <- runif(n,-raio,raio); viveY <- runif(n,-raio,raio)
   trabX <- runif(n,-raio,raio); trabY <- runif(n,-raio,raio)
#Selecciona as 20000 pessoas que caiem dentro do circulo da cidade
   vive<-(viveX^2+viveY^2)/raio^2; trab<-(trabX^2+trabY^2)/raio^2
   viveX <- viveX[vive<=1][1:20000]; viveY <- viveY[vive<=1][1:20000]
   trabX <- trabX[trab<=1][1:20000]; trabY <- trabY[trab<=1][1:20000]
#calcula a distancia média entre o local de vida e de trabalho
   distancia <- ((viveX - trabX)^2 + (viveY - trabY)^2)^0.5
   mean(distancia)
   hist(distancia)

Fig. 2 - Frequência das viagens na cidade com 280km de diâmetro (simulação com o código R)

As nossas cidades devem crescer.
A conversa de que temos que desenvolver o interior, que as cidades (do Porto e Lisboa) são grandes de mais, blá, blá, blá, em termos económicos é totalmente errada.
Nós, se queremos ter uma vida melhor temos que concentrar as pessoas, reduzir o nosso querido país a um máximo de duas cidades. 
Temos que concentrar 6 milhões de pessoas em Lisboa e 4 milhões no Porto e deixar o resto do país despovoar-se naturalmente.
Claro que existem recursos naturais ligados ao território que estão fora de Lisboa e Porto (por exemplo, o clima algarvio) mas só deve haver lá pessoas na justa medida do que for necessário para explorar esse recurso natural.
Não deve ser dado nenhum incentivo para que as pessoas vivam fora de Lisboa e Porto. Se os médicos não querem ir para o interior, as pessoas têm que vir para o litoral.

A cidade do Futuro será muito densa.
Uma questão que está na ordem do dia é qual será a densidade que uma cidade poderá vir a ter no Futuro.
Uma cidade densa terá que ser construída em altura pelo que, em termos económicos, terá que ser ponderado, por um lado, quanto aumenta o custo de construção por haver mais pisos e, por outro lado, quanto o aumento da densidade diminui os custos de funcionamento e de deslocação das pessoas e dos bens.
Na minha simulação vou considerar como "célula" um apartamento T3 construído nas últimas décadas nos bairros sociais, 77 m2 com capacidade para 6 pessoas.
Fig. 3 - Planta de um T3 típico de um bairro social
  
Nesta cidade do Futuro o modelo actual dos edifícios (cada apartamento ter que dar para um espaço público aberto) terá que ser abandonado pois obriga à existência de muitas vias de comunicação. Terá antes que adoptar a filosofia dos insectos, ter a forma de um ninho de formigas.
O edifícios massivo vai repetir centenas de vezes a célula que será ligada por corredores (na horizontal) e escadas e elevadores (na vertical). Cada favo distará 6 m entre si para a ventilação natural e a entrada de (alguma) luz natural. Considerando os corredores como área perdida, este edifício terá uma área de implantação na ordem dos 50%. Os corredores terão que ser abertos (na parte livre entre os favos) para permitirem a circulação do ar, será um edifício poroso. 

Fig. 4 - Repetição da célula do edifício massivo.

Agora imaginemos um edifício enorme.
Imaginando um edifício com 1000 metros de comprimento por 1000 metros de largura e com 12 pisos, o edifício terá 75 mil células. Nesse edifício algumas das células serão o local de trabalho e de lazer da maioria das pessoas que lá vivem. Haverá infantários, escolas primárias e secundárias, cabeleireiros, cafés, discotecas, centros de saúde, lares da terceira idade, empresas têxteis e de vestuário, sapatarias, supermercados, etc. 
Supondo que 50% da área será destinada a habitação e metade às industrias e serviços num total de 25 m2 por pessoa, este edifício será capaz de albergar 230 mil pessoas, uma pequena cidade em cada edifício.

Fig. 5 - Uma repetição sem limite até que cada edifício se torne uma pequena cidade.

Quanto será então a densidade da cidade do futuro?
Prevejo que atinja (e talvez ultrapasse) os 200 mil habitantes / km2.
Com estas densidades veremos cidades na Índia, na China e em África com 250 milhões de habitantes.
A densidade será tal que toda a população de Lisboa caberá em 4 edifícios em volta da Avenida da Liberdade. Melhor dizendo, toda a população portuguesa caberá numa cidade onde ir da periferia mais distante ao centro demorará apenas 40 minutos a pé.
Claro que deixará de haver necessidade de transportes públicos, de autoestradas ou de caminhos de ferro.
E entre as cidades que serão países, as pessoas viajarão de avião e as mercadorias de camião e barco.

Para terminar, a verdadeira solução para a pretalhada.
Os esquerdistas falam muito dos afogados e de ser um crime de lesa majestade eu me ter referido aos desgraçados que vêm nos barcos como "a pretalhada".
Mas, interessante, nenhum dos meus leitores de pele escura de Angola, Moçambique ou Brasil disse nada sobre isso. 
Como podem os esquerdistas brancos dizer que é desumano eu chamar-lhes pretalhada quando são eles mesmos os responsáveis pela sua miséria?
Sim, sim, são os esquerdistas brancos os grandes causadores da desgraça dessas pessoas porque são contra a globalização.

Querem saber a melhor forma de solucionar o problema da pretalhada?
Não é mandar aviões da TAP buscá-los, torpedear as suas barcaças precárias e matar a tiro os que souberem nadar nem dar subsídios.
É acabar com as barreiras ao comércio.
Deixar que a pretalhada possa exportar para a Europa o que sabe produzir sem taxas alfandegárias nem entraves quantitativos. 
Deixar importar os bens agrícolas e manufacturados que são produzidos em África. 
Foi a abertura ao comércio com os USA que levou ao desenvolvimento do Japão e da Coreia do Sul e  a nossa abertura dos mercados da EFTA que induziram o nosso rápido desenvolvimento dos anos 1960.

LIVRE COMÉRCIO JÁ
Vamos todos lutar para que a Europa permita que os bens produzidos em África tenham livre entrada no espaço económico europeu.
Vamos lutar pelo aprofundar da globalização e do liberalismo económico, criar um Mundo onde cada um, independente da sua raça, escolaridade ou local de nascimento possa vender livremente em qualquer mercado o resultado do seu trabalho.
Quando isto acontecer, África desenvolver-se-á (como se está a desenvolver, por exemplo, a Etiópia) e mais ninguém quererá deixar a sua terra para vir para a Europa.
E, camaradas cabeças de vento desmioladas, como disse o Bruno Nogueira "cabeças de betão", deixem de ser hipócritas.

Fig. 6 - Vou seguir outro caminho, vou acabar com a fome e com as guerras no Mundo. 
(Dias depois de ser eleita) Para conseguir atingir os meus objectivo, vou começar por afundar os barcos da pretalhada e, depois, lanço bombas atómicas sobre todos os sítios onde haja guerras e onde se passe fome. Vou fazer como os americanos fizeram em 1992-93 quando salvaram a Somália da fome e da guerra (ver, UNOSOM) mas numa escala muito maior.

Quase me esquecia.
Das gajas boas para danar os rabetas de esquerda, desmiolados.

Fig. 7 - Estas mamas não prestam, são desprestigiante para um professor universitario. Prestigiantes são as mamas da Dr.a Manuela Ferreira Leite e da Dr.a Teodora Cardoso. 

Não há quem ponha mão nisto.

Pedro Cosme Vieira.

domingo, 26 de abril de 2015

A Cidade Franca

De tudo se pode tirar proveito.
Todos os dias chegam 1000 pessoas às praias europeias depois de arriscarem a sua vida a atravessar o Saara e, depois, o mar Mediteraneo. Se isso é um problema para essas pessoas, também se torna um problema para todos nós porque, uma vez na praia, ninguém sabe que destilo lhes dar. Metem-nas em campos de concentração o que, além de ser mau para os imigrantes, é mau para nós pois custa milhões de euros aos contribuintes europeus.

O Princípio das Vantagens Comparativas.
É uma das grandes descobertas da teoria económica e deve-se a David Ricardo (publicada em 1817).
O PVC mostra que o comércio é positivo para todas as pessoas porque permite que cada um se especialize na actividade para a qual tem mais "queda".
Eu, por exemplo, especializei-me em ajudar os jovens a prepararem-se para a sua vida profissional futura o que apenas é possível porque o Sr. Miranda se especializou a fazer almoços.
Num mundo onde todos estamos especializados somos mais produtivos porque aproveitamos as nossas melhores capacidades, os recursos naturais locais e as economias de escala dos processos produtivos.
Como cada pessoa só realiza uma tarefa, é necessário o comércio para que cada um de nós possa ter acesso a todos os bens que precisa e que não produz.
Se não houvesse comércio não teríamos electricidade, carro nem mesmo casa (não seriamos capazes de produzir cimento). Além disso, um médico não poderia saber tanto como sabe porque não poderia dedicar todo o seu tempo a aprender Medicina (e um engenheiro a aprender engenharia).

Fig. 1 - David Ricardo fez uma das descoberta com maior impacto na humanidade.

Mas a PVC não é óbvio.
Não é óbvio que o comércio entre as pessoas (no mercado) induza melhorias na vida de todas as pessoas. Menos óbvio o era em 1817, quando se pensava que a protecção e a escravatura eram as chaves para que um país fosse rico.
E por não ser óbvio é que ainda hoje os esquerdistas cabeças de vento são contra o "mercado". Dizem-se muito pelas liberdades mas, depois, são contra que as pessoas produzam, vendam, comprem e consumam o que muito bem entenderem e de forma livre (dadas as restrições pois a Economia trata da afectação dos Recursos Escassos).
Como não têm cabeça para compreender o bem que o comércio causa às pessoas, para não reconhecerem a sua pequenes intelectual, diabolizam o "mercado".

David Ricardo era mesmo português.
Vê-se pelo nome que não poderia ser outra coisa que não português.
Apesar de Ricardo ter nascido em Londres em 1772 de pais e avós que nunca estiveram em Portugal, sempre se afirmou como português, desde que nasceu até ao derradeiro dia da sua vida.
Pena que, apesar de ser um dos mais importantes pensadores que a humanidade já teve, esteja excluído do grupo dos nossos Egrégios Avós. Talvez seja pelo facto de ser judeu e de os seus antepassados terem sido expulsos de Portugal.

Mas o que tem o PVC com os desgraçados que se afogam no Mediterraneo?
É que são uma oportunidade para nós. Assim, podemos ajudá-los e, ao mesmo tempo, beneficiar enormemente com isso.
Vamos cobrar uma renda anual a cada pessoa que queira vir viver para Portugal e ver se alguém quer.
Se alguém aceitar pagar renda para viver cá é porque vive melhor aqui (pagando a renda) do que onde está (não pagando) e nós também ficamos melhor porque passamos a receber dinheiro que de outra forma não receberíamos.
É que cada pessoa que chega à Europa vem com uma fortuna escondida debaixo da pele. Considerando o máximo de tempo que uma pessoa pode trabalhar (à luz do Génesis, são 72h/dia), cada pessoa traz dentro do corpo 145 mil horas de trabalho potencial. Se conseguirem produzir 2€ de valor por cada hora de trabalho, cada uma daquelas pessoas transporta quase 300 mil € potenciais. Num horizonte temporal de 50 anos, transportam  6000€/ano de riqueza que no país deles não vale quase nada.
Mas nós portugueses temos medo dessas pessoas, temos medo que nos roubem os empregos e que sejam violentos. Mas eu tenho uma solução óptima para isso.

Fig. 2 - É preciso ajudar estas pessoas

Vamos fazer uma Cidade Franca isolada do resto de Portugal.
Cercamos uma àrea, na Zona Saloia ou no Alentejo, com uma cerca semelhante à que separa Melilla de Marrocos. A cerca terá 200 km de extensão e conterá 3000 km2 de terreno, cerca de 3% do território português (uma área idêntica à área do Distrito de Lisboa).
No meu exercício, a Cidade Franca será uma Zona Internacional. Assim, qualquer pessoa pode ir para lá viver e trabalhar e regressar ao seu país sem necessidade de visto nem passaporte.
Para viver na Cidade a pessoa apenas precisará de pagar uma renda anual.

Fig. 3 - Se esta vedação é humana em Mililla, também o será na Zona Saloia.

As pessoas residem na Cidade Franca como se continuasse no seu país de origem.
Por exemplo, um eritreu, não tendo passaporte nem visto, compra um bilhete de avião com destino à Cidade. Chegado ao aeroporto de Lisboa, apanha o Shuttle para a Cidade onde fica a residir com o mesmo estatuto que teria se estivesse na Eritreia. Quando pretender viajar de volta à Eritreia, vai no Shuttle até ao Aeroporto de Lisboa e apanha o avião de volta a casa. Se tiver visto para entrar noutro país, também poderá ir a partir da Cidade.
Como as pessoas não podem sair da Cidade para o resto de Portugal, estarem lá não terá qualquer impacto negativo nas nossas vidas.
A pessoa, além da residência, poderá estudar, ensinar, trabalhar, ser empregado ou patrão, poupar, investir, importar e exportar. Por estar dentro da Zona Euro, a moeda será o Euro e haverá livre comércio com os países da União Europeia. É isto tudo que está incluído na renda.
Quem quiser pagar vem.e quem não quiser pagar fica em casa desenrascando-se como puder.

A Cidade Franca será gerida por empresas privadas.
Agora tenho que resolver o problema da gestão da Cidade. Será preciso tratar das infra-estruturas, do abastecimento de água e recolha de lixos, da segurança, da aplicação da justiça e da cobrança dos impostos para pagar esses serviços todos e a renda. Será ainda preciso arranjar investidores que construam as casas e as instalações industriais, de serviços e de lazer.
À luz da economia, o melhor é a Cidade ser privada. Para haver concorrência, a Cidade será dividida em lotes idênticos, (por exemplo, 10), geridos cada um por uma empresa privada (em concorrência). Cada empresa terá que procurar ter um nível de serviços e de impostos que atraia pessoas produtivas e bons empresários para os seus lotes de forma a maximizar os seus lucros.
Sobre os lucros, as empresas pagarão ainda IRC ao Estado Português.

E quantas pessoas terá a Cidade Franca?
Agora passam o Mediterraneo cerca de 1000 pessoas por dia. Imaginemos que esse número aumenta para 2500 pessoas por dia. Num horizonte temporal de 30 anos, darão à costa 27 milhões de pessoas! Somando os filhos, para resolver o problema das praias europeias é preciso, num horizonte temporal de 30 anos, a Cidade ter capacidade para 50 milhões de pessoas.
É muita coisa, a Cidade terá 5 imigrantes por cada português.

Será possível meter 50 milhões de pessoas na Zona Saloia?
É que Portugal tem 10 milhões de habitantes e parece não ter lugar para mais ninguém.
Mas é possível se olharmos para as mega-cidades dos países menos desenvolvidos.
O Distrito de Lisboa tem uma densidade de 810 pessoas por km2 (vivem 2,24 milhões de pessoas em 2760 km2,) mas a zona urbana de Manila - Filipinas tem uma densidade de 15400 pessoas por km2 (vivem 22,5 milhões de habitantes, em 1475 km2). No espaço de um lisboeta cabem 19 manilos (ver, Fig. 4).

Fig. 4 - Comparação entre o Distrito de Lisboa-Portugal e a Área Urbana de Manila - Filipinas

Com uma densidade nesta ordem de grandeza será possível ter 50 milhões de pessoas numa cidade com 3000km2, semelhante em tamanho ao Distrito de Lisboa, sem estarem muito apertadas. Ainda dará espaço para parques e jardins públicos.
E 50 milhões de pessoas a 1000€/ano cada, são 50 mil milhões € por ano de renda, em 4 anos pagam a nossa dívida pública toda.

E, além da renda, teremos muitos outros benefícios.
Portugal vai vender água, 100m3 por segundo, e fazer o tratamento dos esgotos e dos lixos. A água não será problema pois o rio Tejo tem um caudal Médio de 330 m3/s e o lixo tratado previamente na Cidade (reciclando tudo o que seja possível).
Vamos ainda fornecer electricidade e serviços de logística. Fornecer serviços médicos, de educação e bancários.
A Cidade também será a origem de muitos turistas para as nossas praias e mercado para muitos dos nossos bens, hortaliça e frutas incluidas.
Com 50 milhões de habitantes, tudo isto vai render muito bom dinheiro e criar muitos postos de trabalho para os portugueses.
A nossa economia vai evoluir para uma economia de prestação de serviços semelhante à do Luxemburgo (que faz fornece estes serviços aos alemães).

Poderemos ser tão ricos como os luxemburgueses
Se criarmos uma Cidade Franca para acolher os milhões de deserdados que vivem por esse mundo fora, podemos ser ricos e, mesmo assim, ajudar as pessoas.
E isto tudo isto vem do Princípio das Vantagens Comparativas que um português descobriu há quase 200 anos.
Fig. 5 - Seremos todos sheikes árabe, só praia e gajas boas.

Pedro Cosme Vieira.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A 4.a guerra mundial no Kenya

Há quem diga que não houve 3.a guerra mundial.
E, se não houve a 3.a, muito menos podemos estar a viver a 4.a guerra mundial.
Mas, de facto, a 3.a existiu, combateu-se na Coreia e no Vietname,  África do Sul / Angola / Moçambique, América Central e do Sul, no Afeganistão e mesmo na Europa Central. 
A 3.a guerra mundial começou logo a seguir ao fim da WW2 e, contrariamente a esta, as maiores batalhas foram distantes da Europa. A última grande batalha foi a do Afeganistão e, simbolicamente, acabou com a queda do muro de Berlim e a reunificação alemã.
A União Soviética desmoronou-se, a China manteve-se politicamente comunista mas converteu-se ao capitalismo e, um pouco por todo o Mundo, as ditaduras comunistas ou acabaram ou converteram-se em ditaduras capitalistas (como em Angola e, em menor grau, em Moçambique que se matem como uma meia-democracia).
A Rússia do Putin, a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e mais uns paisécos ainda querem estrebuchar mas não passam dos derrotados da 3.a Guerra Mundial.
A WW3 foi menos intensa que a WW2 e a WW1 mas durou mais anos, foi uma guerra de 40 anos.

A bomba nuclear.
Interessante que, apesar de haver milhares de bombas nucleares, a WW3 foi combatida sem um único tiro nuclear. Talvez tivesse sido a sua existência que fez a WW3 ter sido uma guerra mais de desgaste económico que de confronto militar puro e duro.

Aqui, tenho que ir ao acordo 5+1 com o Irão.
Com o conhecimento actual, é muito fácil produzir uma bomba atómica.
Pode ser de Urânio 235, o que obriga a ter centrifugadoras para separar o U235 do U238 (que forma 99,3% do urânio). São precisos 60 kg de U235 enriquecido a 98% para fazer uma bomba atómico idêntica à lançada em Hiroshima. O Irão, com os seus 3000kg enriquecido a 20%, já podia construir uma bomba atómica tosca. 
Mas o mais fácil é usar Plutónio 239 produzido num reactor de grafite (do tipo do de Chernobil). A grafite faz-se por cozedura a partir de "condensado de refinação" (sem boro) e, depois, o Pu239 obtém-se por reciclagem do combustível em ciclo rápido. A bomba usada em Nagashaqui foi de Pu239.
O problema de usar o PU239 é que os satélites detectam a reciclagem (o processo liberta radiação) pelo que um processo secreto tem que passar pelo U235.

Mas o importante não é a bomba.
Vamos imaginar que o Irão pretendia que os judeus saíssem de Israel. Podia contaminar o território com Cobalto 60.
O Co60 tem a vantagem de ser fácil de produzir (num reactor nuclear) e da radioactividade decair rapidamente. Se, por exemplo, hoje Jerusalém fosse contaminada com um nível de radioactividade 1000 vezes o recomendado à vida humana, a cidade voltaria a ser segura em apenas 53 anos.
E o Co60 poderia ser discretamente usado na contaminação, a partir do Líbano, do Rio Jordão.

Mas se Israel soubesse da contaminação.
Caia em cima deles como, num dia de calor, moscas varejeiras em cima de carne morta.
Estou a imaginar 8 milhões de pessoas a fugir de Israel para os USA e, depois, um bombardeamento nuclear sobre o Irão que não deixaria pedra sobre pedra.
E, depois, ficava mesmo assim.
Por isso, o mais inteligente foi o Irão se ter comprometido a nunca mais tentar fazer uma bomba atómica.
Até porque a Arábia Saudita (sunitas) deu o OK para que os Israelitas sobrevoem o seu território a caminho do Irão (shiitas).

A 4.a guerra mundial. 
Parece ter duas frentes, a guerra entre islâmicos e cristão (e budistas) e outra entre os islâmicos shiitas (do Irão) e islâmicos sunitas (os outros islâmicos todos). 
No Iraque e Síria a guerra é mais shiitas - sunitas (o IS). 
Em África, a guerra é mais islâmicos - cristãos.

Fig. 1 - A frente de batalha Cristãos- Islâmicos em África (a vermelho).

Já vimos guerras destas em Moçambique.
Na década de 1980, na "batalha" de Moçambique também havia mortandades de civis. Mandavam parar um comboio e matavam toda a gente, centenas de uma vez.
Isto acontece porque é muito mais fácil matar 100 civis do que 1 militar. E. como os militares são civis com armas, matando civis, estão a matar sucedâneos de militares.
Na frente africana, seja no Kenya, RCA ou Chade, a táctica militar é matar à força toda.
MAs isto não vai levar a lado nenhum

Vejamos uns números.
No Kenya mais Etiópia há 140 milhões de pessoas enquanto que na Somália só há 11 milhões. Se hoje houvesse uma guerra em que por cada somali morto houvesse 5 etíopes e quenianos mortos, no fim do dia não haverá ninguém na Somália e ainda haveria 85 milhões de pessoas na Etiópia e no Kenya.
Além disso, por cada criança que nasce na Somália, nascem 10 no Kenya e na Etiópia.
Por isso, esta guerra a ser nos tempos medievais, já teria acabado com a aniquilação ou redução à escravatura de todas as pessoas que vivem na Somália.
Mas hoje existem os Direitos Humanos.

Um dia a "maioria" zanga-se.
O problema é que nessa frente de batalha não existe Convenção de Genebra nem Direitos Humanos.
Já vimos uma pequena amostra na República Centro Africana em que, de um dia para o outro, os cristãos começaram a caçar e a matar islâmicos. Também vimos uma amostra na Birmânia onde cidades inteiras desapareceram do mapa.
É que as pessoas vivem com grande carência material. Se em Portugal o salário líquido médio anda nos 800€/mês, nesses países as pessoas têm que viver com muito menos (cálculo em paridade do poder de compra, dados, Banco Mundial):

Portugal => 800€/mês
Kenya   =>    80€/mês
Etiópia   =>   40€/mês
Somália =>    20€/mês

Fig. 2 - Se em Portugal temos 800€/mês, no  Kenya, Etiópia e Somália têm muito menos

Alguém se está a imaginar a viver com um salário de 20€/mês, 40€/mês ou mesmo de 80€/mês?
É muito difícil, têm carências de toda a espécie, vivem em barracas, não têm roupa, comem só farinha  de milho cozida, passam sede, não têm assistência médica nem medicamentosa, não podem ir à escola, trabalham horas infindas. 
Estes "pequenos" massacres não causam dano nenhum na população queniana que, todos os dias, aumenta em 3000 pessoas (seriam precisos 20 destes massacres por dia).
Mas causam a enraivização e desumanização da população. 
De repente, dá-se um massacre como se viu no Ruanda.

É a "pacífica" guerra demográfica.
Apesar de ser pacífica, lentamente torna-se tensa quando a população que vai invadindo tem uma cultura difícil de ser assimilada.
Vamos ver no que dá.

A semana passada não disse nada.
É que na sexta-feira passada foram as eleições lá no meu trabalho, quero antes dizer, emprego, e eu perdi.
Quase que ganhava como CDU na madeira.
Na primeira votação, só me faltaram 8 votos para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
E na segunda votação, só me faltou apenas 1 voto para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
É que na primeira votação um candidato teve 11 votos e o outro 28 e na segunda votação, um candidato teve 7 votos e o outro 8.
(Falta dizer um pequeno pormenor: é que em ambas as votações, eu tive zero votos).
Naturalmente, fiquei a pensar na minha quase vitória, foi por um voto que não retirei a maioria absoluta ao que ganhou. 

Tive uma vitória à Álvaro Cunhal.
Eu andei toda a semana a gabar-me da minha grande vitória à Álvaro Cunhal mas uma comuna achou que eu não tinha tido vitória nenhuma "Tanto quanto sei, o Camarada Cunhal nunca teve zero votos."
Mas penso que chegou a ter, lá no tempo do Salazar, e que, mesmo assim, achava-se vitorioso.

Fig. 3 - Toda a semana a comemorar a vitória

Até me subiu a tensão arterial.
Esta semana fui ao médico e ele detectou que eu estava a ver pior e que a minha tensão arterial estava alta. Tinha a mínima a 9.
Imaginem que eu tinha verdadeiramente ganho! O mais certo seria que já estivesse morto.
Além disso, antes da eleição houve uma apresentação seguida de uma sessão de perguntas. Não é que um berdameco insinuou que este meu blog põe em causa o bom nome da instituição onde trabalho? E, ainda para mais, foi um aluno daqueles das associações, os que se dizem todos irreverentes e que querem mudar o mundo para melhor.
Como diz o povo, há males que vêm por bem.
Muita sorte para o verdadeiro vencedor que bem vai precisar dela.

Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Até onde cairá a taxa de juro?

Isso é totalmente imprevisível.
A taxa de juro da dívida pública portuguesa está a bater em baixo recordes históricos.
No período 2006-2009, a 10 anos tínhamos uma taxa de juro média de 4,4%/ano. Hoje a mesma taxa de juro está a esbarrar nos 2,0%/ano.

Lembram-se dos 74 esquerdistas caloteiros?
Que diziam há apenas uns meses de que tínhamos que bancarrotar porque a nossa dívida pública seria insustentável com a então taxas de juro maior do que 3,0%/ano?
Que será que dizem agora?

Vamos a umas contas.
Temos uma dívida pública de 130% do PIB, o que parece muito.
Supondo uma taxa de crescimento do PIB de 1,2%/ano, uma taxa de inflação média de 1,9%/ano, uma taxa de juro de 2,0%/ano.
Com um superávite primário de 1% do PIB, atingimos uma dívida de 60% do PIB em 2050.
Para cumprirmos o acordado com os nossos parceiros europeus (redução de 2% do PIB da dívida pública por ano), só temos que pôr de lado 1% do PIB e não os 6% ou 7% que os esquerdistas anunciavam (que é o orçamento da Saúde).

E se a taxa de juro descer?
Se a taxa de juro descer para 1%/ano, nas mesmas condições, já não precisamos de superávite.
Basta o défice público privado ser equilibrado para que em 2050 já tenhamos pago 70% da nossa dívida pública.

Fig. 1 - Evolução da taxa de juro da dívida pública portuguesa (dados: Investing, "previsão" do autor)


E o acordo da Grécia?
É só fumaça mas, com a redução das taxas de juro (sem risco), é possível que a Grécia "pague" a sua dívida de 180% do PIB de forma muito mais suave que o previsto há 4 anos atrás.
Se com taxas de juro de 4%/ano era preciso que a Grécia apontasse para um superávite primário na ordem dos 4% do PIB (para reduzir por ano à dívida 3% do PIB), com taxas de juro de 2,0%/ano, já só é preciso um superávite primário de 1,5% do PIB.

Mas o Salário Mínimo!
Em teoria até pode haver lá ideias boas, o chavão do combate à evasão fiscal e outras conversas, mas não tenho esperança de que isso funcione.
Mas passar o SMN grego dos 580€/mês, já muito maior que o nosso, para 751€/mês, vai destruir toda e qualquer boa ideia.

Fig. 2 - Podem ser boas mas não tenho esperança de que funcionem.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Livre para ser infeliz

Aqui vai algo que parece nada ter a ver com a economia.
O PS, um amigo, pensando que o texto do Padre Anselmo Borges ("Solidão e ética do cuidado", JN, 21 Fev 2015) lhe era dirigido, pediu-me um comentário.

A Sociedade do Descartável
Em termos estéticos, Borges começa com uma citação que tem extensão exagerada (25% do texto) mais porque apenas quer transmitir a ideia de que, além da Sociedade de Consumo em que as pessoas são felizes se tiverem mais coisas (combatida ferozmente no discurso oficial da Igreja), começa a aparecer a Sociedade do Descartável em que as pessoas são felizes por descartarem as coisas que compraram recentemente e que ainda se mantêm como novas.
Não é um pensamento nada de novo já estando mesmo contido no conceito de "amor platónico": antecipamos que a nossa felicidade vem de possuir algo mas, mal nos apropriamos desse algo, deixamos de lhe dar valor. O valor da coisa perde-se não pela mudança do objecto (do bem, que se mantém tal e qual) mas sim do sujeito (de nós, que ficamos saturados).
Confúcio condensa esta ideia na afirmação de que A nossa felicidade não vem de aquirirmos o que não temos ou de recuperarmos o que já tivemos mas sim de darmos valor ao que temos. 
Eu (e esse amigo) sou um contra-exemplo dessa sociedade do descartável porque uso roupa que comprei há já 25 anos e mesmo outra que me deram (por os donos se terem cansado dela).
Mas Borges tem um pequeno erro de leitura do conceito pois condensa a sociedade do descartável como "a sociedade que quer o permanentemente novo, atirando o velho para fora" quando, nessa sociedade, o deitado fora continua totalmente novo, indistinto do que vai ser comprado para o substituir. 

O descartar das relações e a solidão da rejeição.
Borges, afinal, não quer falar das coisas mas da solidão dos "velhos" (por isso é que usa, erradamente, "o velho" para justificar o descartar). No entanto, a comparação que faz entre os bens e as relações é bastante forçada para não dizer mesmo, errada.

O erro na comparação entre bens e relações é que, por um lado, os bens existem (e podemos comprá-los) enquanto que, por outro lado, as relações se criam e são uma partilha entre pessoa, nós e o outro (ou outros). Assim, não são comparáveis. 
Podemos mandar os bens para o lixo mas nunca as relações pois, uma vez criadas, vão perdurar para todo o sempre nas outras pessoas onde continuaremos presentes em pensamento. Quantas vezes encontramos pessoas de quem não temos a mais pequena recordação mas que, tendo-se cruzado connosco no passado, se lembram de nós como se essa relação nunca tivesse terminado?

O paradoxo é que Borges afirma que o combate da solidão obriga à existência de "solidez de relações e de afectos." Mas se caminhamos para a Sociedade do Descartável, todas as pessoas ficarão mais felizes por as relações e afectos serem descartáveis. Nessa sociedade a solidão combater-se-á exactamente com  encontros de curta duração, as pessoas encontrarão solidariedade na Sociedade do Alterne (pois as pessoas nunca poderão ser descartadas). Será  nos transportes públicos, nos cafés, nos tempos de espera que as pessoas encontrarão as relações (que durarão apenas alguns minutos).
Afinal "velhos" é uma metáfora para aqueles que se mantêm na antiga Sociedade do Permanente e os "outros" é uma metáfora para aqueles que entraram na Sociedade do Descártavel.

A culpa. Prmeiro, Borges pensa que não devem ser os "velhos" a fazer um esforço para combater a sua solidão mas sim os "outros". Isto vem muito da moral cristã (o Messias veio à Terra para nos salvar) mas, porque as relações e os afectos se criam a partir do nada, não podemos pensar assim. Na Sociedade do Descartável em que os "velhos" se sentem perdidos (uma minoria de pessoas desadaptadas), cada "velho" pode combater a sua solidão criando relações e afectos com outros "velhos". Assim, não haverá qualquer necessidade de os "velhos" estarem à espera que os "outros" os salvem. A salvação está entre eles.

A ética. Depois, Borges pensa que os "outros" têm o dever moral de ajudar os "velhos" a vencer a solidão,  quem se tornou "outro" tem a obrigação ética de ajudar quem se quer manter "velho". Mas se o "velho" se quer manter na Sociedade do Permanente por opção própria, se quer ter essa liberdade, então, tem que assumir as suas consequências. 

A maldição. Borges anuncia que aquele que hoje é um "outro", descartando relações e afectos, no futuro será um "velho", vivendo na solidão.
Mas isso obrigaria a imaginar que o que já é "outro", que já vive na Sociedade do Descartável (ou do Alterne), vai querer regredir para a Sociedade do Permanente, procurando exactamente nas relações que descartou (e não noutras quaisquer) a sua companhia. 
E porquê nas relações que descartou e não noutras novas? O que têm de especial as pessoas que conheceu no passado (ou hoje) relativamente às que vai conhecer no futuro?


Isto é um discurso contra a mudança.
A sociedade está em constante mudança, é um constante devir, o que faz com que as gerações mais velhas estejam em constante choque com as gerações mais novas.
Isto é algo que dura há centenas de milhar de anos e que continuará enquanto houver Humanidade.
E Borges já é a geração anterior.
E eu já sou a geração anterior.
Mas a sociedade nunca volta para trás, o progresso é um caminho sem retorno, nunca o que já é "outro" vai querer voltar a ser "velho." 

A Liberdade.
A nossa sociedade evolui no sentido da Sociedade Livre, em que cada um sabe o que é melhor para si e em que apenas as acções declaradamente prejudiciais aos outros (à sociedade) é que são limitadas pela Lei.
Claro que ainda vamos no início do caminho, onde muitas Leis e muitas imposições éticas condicionam o nosso comportamento (e nós o do outro), mas isso vai acabando.
Vemos aproximar o fim da Ética (que não é mais do que a tentativa de uns para condicionar o comportamento dos outros de acordo com as suas convicções de bem e de mal, ideia de Nietzsche), onde cada um é que sabe o que é o bem e o mal (para si) e a Lei trata de lhe lembrar o que é o Mal para os outros.
É a liberdade económica, o famigerado neoliberalismo, de fazermos o que bem nos apetece, trabalhando muito e tendo muitos bens ou não trabalhando e tendo uma vida espartana, despidos dos confortos modernos.
Teremos a liberdade de viver na solidão, na infelicidade ou mesmo de deixar de viver. 
Mas para vivermos de forma livre, sem constrangimentos, teremos que assumir todas as consequências das nossas opções de vida.
Como diz o povo "Quem não trabuca, não manduca."

Pedro Cosme Vieira

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A escusa fiscal usando paraisos fiscais

Na última semana surgiu o Swiss Leak.
Uma pessoa qualquer publicou uma lista qualquer de contas num banco qualquer que seriam usadas para fugir ao fisco.
Vamos ver se consigo explicar como funcionam esses paraísos fiscais e de como isso não tem mal nenhum.

A residência do titular do rendimento.
O imposto sobre o rendimento, seja IRS ou IRC, é devido pela pessoa/empresa no país onde tem residência fiscal e sobre todo o seu rendimento, independentemente do local de origem.
Vamos imaginar que ia passar umas férias à Espanha e que fazia um vídeo qualquer. E que depois, fazia o seu upload para o Youtube em meu nome e esse vídeo gerava 1 milhão € na China. Como eu tenho residência fiscal em Portugal, as nossas finanças iriam tributar-me em sede de IRS em 48%.
Reparem que o vídeo foi filmado em Espanha e o rendimento seria gerado na China. Se eu morasse no Mónaco, pagava IRS no Mónaco mas como sou residente em Portugal, teria que o pagar aqui.

A tributação na China.
Teria que ser um imposto indirecto, IVA, Imposto de Selo ou uma taxa ou taxinha qualquer mas não IRS nem IRC.

Não ouço os esquerdistas.
Portugal oferece isenção de IRS aos reformados que recebam a reforma noutros países e que a venham gastar para cá. Isto é uma forma de ajudar os velhotes ingleses, franceses, alemães a fugir ao fisco de forma muito mais agressiva do que faz a Suíça ou o Luxemburgo e não ouço os esquerdistas a gritar que isto é um crime fiscal, que estamos a ajudar ao branqueamento de capitais. A razão é que somos beneficiados com as transferências das pensões e os prejudicados são as finanças dos outros países.
É Deus para nós e o Diabo para os outros.
Por causa disto é que existem os paraísos fiscais e a generalidade dos países ajudam as pessoas dos outros países a fugir ao fisco.

Se eu criasse uma empresa
nas Ilhas Caimão, a Foge ao Fisco SA (da qual eu era o único titular) e vendia os direitos comerciais do vídeo a essa empresa por 1€. Neste caso, seria ela a ser a titular do rendimento gerado na China e pagaria IRC às finanças das Ilhas Caimão (0% de IRC) e não às nossas finanças (os tais 48% de IRS).
Isto é totalmente legal e totalmente lógico, se a empresa é uma entidade per si e se tem sede fiscal num país qualquer, é nesse país que vai pagar IRC.
Se Portugal não quisesse que fosse assim, alterava a lei mas, neste caso, a AutoEuropa não pagaria IRC em Portugal porque os seus donos são residentes na Alemanha.
O problema é que não poderia trazer o dinheiro para Portugal a menos que fosse por empréstimo (não pagaria imposto), doação (pagaria 10% de imposto sucessório e de doações) ou dividendos (pagaria 26,5% de IRS mas se eu fosse uma SGPS não pagaria nada).

Os Estados são monopolistas.
Se as pessoas não tivessem como fugir ao fisco, o Estado passaria a ser monopolista na cobrança de impostos o que faria com que a taxa de imposto aumentasse.
Podemos dizer que o Estado se preocupa com o bem-estar do contribuinte mas a evidência empírica diz que o Estado vai assumindo cada vez mais encargos (com o Estado Social) e, para lhes dar cumprimento, aumenta os impostos até as pessoas não poderem mais.
Por exemplo, na Grécia o primeiro anúncio dos esquerdistas foi contratar mais funcionários públicos, aumentar os seus salários, electricidade gratuita, etc. etc. que traduz despesa pública e "cobrar impostos aos ricos".
O anúncio esquerdista é sempre "cobrar impostos ao grande capital, aos especulares sanguinários e aos ricos" mas acaba em cima de toda a gente porque esse grande capital não existe.

Por exemplo
Nos países nórdicos, nos anos a seguir à Segunda Guerra Mundial aumentaram os impostos "provisoriamente" porque era preciso fazer face à destruição causada pela guerra. O problema é que o "provisoriamente" só acabou passados 50 anos e porque as pessoas começaram a fugir ao fisco.
Se ninguém fugisse, o IRS, o IRC e o IVA iam todos para 80%.

Qual seria o mal de eu fugir com os rendimentos do meu vídeo?
Não haveria mal nenhum e por isso é que os países o permitem.
É que o vídeo iria buscar rendimento à China que de outra forma não viria para cá.
Então, o Governo, periodicamente, dá um perdão fiscal para que as pessoas possam trazer esses rendimentos para cá. Isso já aconteceu com todos os governos fossem do PS, do PSD, do CDS e mesmo do PCP. Já ninguém se lembra mas em 1974/75 quando o PCP estava no Governo, não existia qualquer limitação nem tributação à transferência de dinheiro do exterior para Portugal.
Todos os países procuram captar a repatriamento de capitais sejam os USA, a Inglaterra, a França ou mesmo Cuba.

No que eu trabalhei com uma moça jeitosa.
Podem pensar que foi um treino para fazer criancinhas.
Interessante que fui ver umas estatísticas sobre crianças.
Em 1960 Angola tinha 5,0 milhões e Portugal 8,9 milhões de habitantes.
Agora, por cada 1000 crianças que nascem, em Angola 170 morrem e em Portugal 4 antes de atingirem os 5 anos de idade. Então deveríamos pensar que em Portugal há mais crianças mas não.
Em Angola nascem 960 mil e em Portugal 80 mil por ano crianças  (e em Moçambique mais de 1 milhão por ano).
Dizem que nascem poucas crianças? Juntando apenas Angola e Moçambique nascem 2 milhões de crianças por ano das quais 240 mil morrem antes dos 5 anos de idade.
Morrem muitas crianças mas o importante é quantas escapam de forma que em 1960 estes 2 países que formavam o "nosso império colonial" tinham 12,6 milhões de habitantes (e nós 8,9) e hoje têm 50 milhões (e nós 10,5) e sempre a somar. 

Fig. 1 - Evolução do número de crianças que nascem menso as que morrem antes dos 5 anos de idade, em cada ano (dados, WB)

Foi sobre Investimento Directo Estrangeiro.
Os países menos desenvolvidos têm desvantagens que se traduzem no aumento do custo de produção dos bens. Por exemplo, em Moçambique fica mais caro produzir algodão do que nos USA.
Como o IDE transfere para os países mais atrasados competências, capital e abertura a mercado com poder de compra, os países competem por esse investimento. Como os tratados internacionais não permitem a atribuição de subsídios directos, os países dão incentivos fiscais que, porque têm que ser aplicados a todas as empresas, têm um impacto negativo na receita fiscal. Portugal deu e dá incentivos fiscais (e no preço da electricidade) às fábricas de automóveis e de material electrónico que hoje são a nossa principal exportação.

Fig. 2 - Vamos então trabalhar nisso do IDE

Os preços de transferência.
Se queremos ajudar uma empresa e não podemos dar-lhe subsídios nem reduzir mais o IRC, a solução é permitir que a empresa "importe" das suas sucursais (localizadas em paraísos fiscais", compram bens e serviços a um preço mais elevado que o normalmente cobrado em concorrência).
Por exemplo, se quezessemos atrair a Mercedes para cá, podíamos permitir que a suxursal daqui paguasse  pelo uso da marca 25% do preço de exportação do automóvel (que pertenceria a uma hipotética Mercedes Caimão SA).

Será que isso causaria prejuízo à Alemanha?
Não porque os rendimentos seriam gerados aqui e não seriam gerados de outra forma (para a Alemanha) e robusteceria a empresa o que faria com que o número de empregos bem pagos na Alemanha aumentasse (pessoas a trabalhar no design e desenvolvimento dos mercedes).
além disso, mais cedo ou mais tarde, a hipotética Mercedes Caimão SA iria transferir esses lucros das Ilhas Caimão para a Alemanha.

Todos os países fazem o mesmo.
Todos os países deixam que as suas empresas usem paraísos fiscais para ganhar vantagem contra as empresas dos outros países mas anunciam que são contra isso.
Toda a gente faz isso mas são como o Frei Tomás, faz como ele diz e não como ele faz.

Só aquele deputado ou ministro inglês é que foi honesto.
Disse ele que só não foje ao fisco quando não pode.
O Cadilhe quando era ministro de qualquer coisa, fugiu à SISA, o Sócrates fugiu a uma comissão que recebeu de um negócio na Venezuela e toda a gente foge, só se não puder.

Foi mesmo isso.
O Sócrates negociou junto do Chaves um negócio de prejudicou os Venezuelanos em não sei quantos milhões e favoreceu uma empresa portuguesa também em não sei quantos milhões.Depois, recebeu uma comissão por isso (parece que de 30 milhões de dólares americanos).
Os venezuelanos não se queixaram e andamos nós a chatear o himenzinho.
Foi como a liberalidade de 20 milhões que o Salgado recebeu de um favorzito feito em Angola ou o Melancia os 50 mil contos que recebeu quando esteve em Macau

Será que amanhã a Grécia vai ser expulsa do Euro?
Não há necessidade disso.
O problema da Grécia não é financeiro, não é a dívida à Troika,  mas é económico, as pessoas querem gastar mais do que são capazes de produzir.
As políticas dos esquerdistas passam pelo aumento da despesa pública (sem terem como a pagar)  e pelo aumento dos salários (sem as empresas produzirem para isso). Então, independentemente da moeda que usarem, o Estado vai ter que deixar de pagar as suas contas e as empresas vão ter que despedir os trabalhadores menos produtivos.
E fica logo tudo resolvido, com o estado em bancarrota e elevadas taxas de desemrpego que vai para a economia informal.

MAs vão sair do Euro.
Porque os esquerdistas não vão querer descer os salários em termos nominais e, sem isso, o desemprego irá aumentar cada vez mais. Dizem que em 1991 na Ucrânia chegou aos 95%.
Os esquerdistas vão querer manter o salário minímo nos 751€/mês (melhor dizendo, nos 256 mil Drakmas por mês) e isso é impossível em euros. Mas saindo, o Drakma desvaloriza 50%, metem as culpas aos especuladores sanguinários e ao grande capital e os mesmo 256mil Drakmas ajustam para ficarem a vale 375€/mês.
O governo Grego é que vai pedir para sair do Euro pois é a única forma de não falar com a Troika e de manter as promessas eleitorais quanto ao Salário mínimo, aos salários e contratações dos funcionários públicos, ao amentos das pensões, electricidade grátitis, e tudo o mais .
Mas no fim, em vez de term o poder de compra dos 580€/mês actuais, ainda vão ficar com menos mas todos contentes porque bateram o pé à Alemanha.

Quanto é o salário de um funcionário público em Cuba?
7 USD, 6,15€/mês.
E lá, dizem os esquerdistas, é que existe o verdaeiro Estado Social.

As minhas eleições.
Já entreguei a candidatura e tive que apresentar o meu curriculum vitae onde escrevi, com orgulho:

5 - Bloguista
Sou fundador do blog Economicofinanceiro.blogspot.com onde escrevo regularmente sobre a realidade económica e financeira portuguesa tendo já acumulado quase 850mil visitas. O blog tem 401 fans do Facebook, 95 seguidores do NetworkedBlogs e 101 membros do Google Rede Social. 
Sou, sem dúvida, o bloggista mais lido de entre todos os economistas portugueses.

Obrigado a todos os meus leitores e seguidores.

Pedro Cosme Vieira

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