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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Votaram Sim ao Grexit: e nada nos aconteceu.

Os esquerdistas contaram-nos uma historieta. 
Nas últimas semanas quizeram-nos fazer acreditar que, votando os gregos a facor da saida do Euro (isto é, contra o novo acordo de resgate), a Zona Euro e, em particular, Portugal sofreria consequencias avassaladoras. Diziam eles que as taxas de juro da nossa divida pública iriam disparar para os valores próximos dos que vimos nos meses da crise.

A Sr.a Merkel sabe mais a dormir que os esquerdistas todos acordados.
Quando ontem se ficou a saber que o Não ao acordo de 3.º resgate tinha 61%, pensei eu que a Sr.a Merkel ia anunciar algo aos restantes cidadãos da Zona Euro. 
Mas não disse nada.
E se não disse nada, nada acontecerá de diferente. Como quem está com as calças nas mãos são os gregos, a inação quis dizer que os bancos gregos vão continuar fechados todo o tempo em que não houve acordo.
Se votarão "Não ao acordo" também votaram "Não à abertura dos bancos".

E como acordaram as pessoa hoje?
Pensei eu que as pessoas acordariam nervosas e que isso se iria traduzir pela desvalorização das obrigações de dívida pública portuguesa (i.e., pela subida das taxas de juro implícitas da dívida pública portuguesa).
Hoje levantei-me, tomei banho, fui acordar a minha mãe, tomar pequeno almoço, preparar a insulina e o pequeno almoço da minha mãe e, depois, liguei a televisão e não se falava nem de Berlim a arder nem de terramoto em Lisboa. 
Depois, liguei o computador e fui ver como transacciona a dívida pública em euros.

Afinal, a Grécia não nos afundou.
Concentremo-nos nas obrigações a 2 anos da dívida pública portuguesa que traduzem o risco de nós sairmos do euro nos próximos 24 meses. 
Entre Abril 2015 e Junho de 2015 a sua cotação oscilou entre 99,20€ e 99,40€.
Desde quinta feira passada (dia 2 de Julho) estas obrigações a 2 anos estão a transaccionar a 98,20€ (uma desvalorização de 1%), não tendo acontecido entre ontem e hoje qualquer alteração.

Fig. 1 - Irina, deita-te comigo que é verdade, eu sou mesmo muito rico, tenho mais de 1000 milhões € depositados num banco grego e amanhã já vou poder transferir metade desse dinheiro para a tua conta.
O Varofáquis garantiu e ele é especialista em Teoria dos Jogos.

Já as obrigações gregas a 2 anos, meu Deus!
Entre Abril 2015 e Junho de 2015 a cotação das obrigações gregas a 2 anos já estavam muito desvalorizadas oscilando entre 59€ e 69€ (uma média de 60€) 
Hoje estas obrigações a 2 anos estão a transaccionar a 45€ o que traduz uma desvalorização de 30%.

E na Alemanha, as coisas valorizaram.
As obrigações a 2 anos valorizaram 0,3% o que traduz um risco menor da dívida pública alemã.

E por isso é que o Varofáquis se demitiu.
Se ainda ontem afirmava com toda a convicção de que os bancos gregos iriam abrir hoje e continuam fechados, se anunciava inflamado que as taxas de juro de Portugal iriam disparar e estão na mesma, mais não lhe sobrava do que ir-se embora.

Faz-me lembrar o Truman.
Quando os americanos pensaram lançar a bomba atómica sobre o Japão, havia vozes que diziam que deveria haver um aviso e que, na hora anunciada, a bomba deveria ser lançada numa zona desabitada.
Mas outros diziam "E se a bomba não explode? Vão-se rir de nós, a nossa reputação vai ficar na lama."
Então, o Presidente Truman (no cargo desde 12 de Abril, dia em que sucedeu ao Roosvelt que morreu) decidiu que a bomba atómica teria que ser lançada sem pré-aviso.
O Varofáquis (e demais esquerdistas) anunciaram que iriam lançar a bomba atómica. Eu bem disse que essa bomba atómica não iria explodir mas os nossos analistas de TV (esquerdistas) anunciaram repetidamente que hoje seria o apocalípse.
Agora que se viu que a bomba atómica não passava de uma mala cheia de roupa suja, a derrota do governo grego foi total.

Antío (adeus).
Se as pessoas não tivessem votado pelo Não ainda se poderia dizer que "os malvados do Syriza enganaram o povo" como nós dizemos do "malvado do Sócrates que nos levou à bancarrota."
Mas se estivesse lá o Santana Lopes, o Rui Rio ou o Capucho, teria sido igual.

Mas o povo grego votou!
E decidiu Não.
Apesar de o referendo ter-se parecido mais com uma chapelada de um país sub-desenvolvido em que o governo faz massivamente campanha por um sentido de voto, anunciando mentiras (como, por exemplo, que os bancos gregos iriam abrir hoje sem restrições de liquidez), o povo grego votou e, por isso, vai sofrer as consequencias disso.
Agora, os gregos votaram e "vai ser respeitada a sua vontade"
Adeus e boa sorte.

Vejamos porque a Grécia tem que sair da Zona Euro.
Vamos supor que o PIB de todos os países da Zona Euro é 100€ mas que, se a Grécia sair o PIB cai 10% em todos os países (uma choque simétrico)

...............19...Grexit
18.........100€.....90€ 
Grécia...100€.....90€ 

Mas, como a economia grega é apenas 2% da economia da Zona Euro, em termos de perda em euros, a Grécia vai perder 0,20€ e os restantes 18 parceiros vão perder 9,80€ (no total).
Então, a Grécia pode fazer ameaça sobre os restantes países da Zona Euro de forma a apropriar-se de parte dos 9,80€ (são os tais 30% de corte na sua dívida pública que a Grécia "exige").
Olhando em termos estáticos, teremos que concluir que, os 18 países da Zona Euro ficarão melhor se aceitarem o corte dos 30% que avançar para o Grexit.

Mas o Jogo é repetido.
Já houve um perdão de parte da dívida pública grega e, nessa altura, foi assinado um acordo que os gregos não respeitaram. Então, se os parceiros da ZE perdoam agora 30% da dívida pública grega, daqui a um ou dois anos, a Grécia vai, usando os mesmos argumentos, exigir o corte de mais 30%.

E a ZE tem mais 18 parceiros.
Se a Grécia obtiver 30% de corte porque a sua saída causa prejuízo nos demais parceiros da ZE, Portugal, com o António Costa como primeiro ministro, vai ser tentado a exigir o mesmo.
E quanto irá exigir a Espanha? e a Itália? E os outros todos?

E a Alemanha?
Sei por fonte credível (falei com Deus durante os meus sonhos) que a França é muito a favor da acomodação da Grécia mas que a Alemanha tem mantido em cima da mesa a hipótese de abandonar o Euro.
Bem sei que os esquerdistas dizem que "isso era o melhor que poderiam fazer" mas ainda não ouvi o Syriza nem nenhum partido esquerdista pedir que a Alemanha abandone o Euro!

Qual seria o prejuízo que a saída da Alemanha do Euro causaria nos restantes países?
Sei que a Sr.a Merkel já anunciou esta hipótese aos parceiros da ZE. Vai ressuscitar  o Marco Alemão começando com uma paridade de 1 para 1 com o Euro.
A nova Zona Marco será gerida apenas pelo Banco Central Alemão (como aconselha Hayek na sua "teoria da concorrência de moedas") e vai ter outros países (sem voto mas com partilha do lucros da emissão de moeda).
Há onze países que, juntamente com a Alemanha, vão sair imeditamente da Zona Euro e entrar na Nova Zona Marco.

A nova Zona Marco (45% da actual população da ZE)
    1. Alemanha
    2. Áustria
    3. Bélgica
    4. Eslováquia
    5. Estónia
    6. Irlanda
    7. Letónia
    8. Lituânia
    9. Finlândia
    10. Holanda
    11. Luxemburgo
    12. Portugal

Ficam na Zona Euro (encabeçada pelo triunvirato França/Itália/Espanha):
    13. França
    14. Espanha
    15. Itália
    16. Eslovénia
    17. Malta
    18. Grécia
    19. Chipre

A Polónia e a Checa vão, no futuro, entrar na Zona Marco.

Vai haver um referendo na Alemanha.
A perguntar se querem permanecer na Zona Euro com a Grécia lá (ou criar a Zona Marco gerida pelo Banco Central Alemão).
A Sr.a Merkel vai fazer campanha pelo Não e, no final, 97% dos alemães vão votar Não.
97% dos alemães vão votar a favor da criação da Zona Marco e a favor da permanencia da Grécia na Zona Euro.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 24 de novembro de 2013

O "incumprimento" alemão

Quando em 1992 a Zona Euro foi criada 
ficou combinado que a inflação ficaria nos 2.0%/ano, o que tem sido cumprido à risca.
Olhando para os dados (Fig. 1), desde o momento que os câmbios ficaram fixos (Janeiro de 1999) até agora (Outubro de 2013) a taxa de inflação média foi de 2,03%/ano (dados, BCE).
O BCE não pode ser governado pelos chavões políticos que pedem sempre mais crescimento económico e menos desemprego tendo antes que fixar os olhos na inflação e, quando esta está abaixo da meta, aumentar a quantidade de moeda em circulação e vice-versa. Como existe um atraso no efeito das medidas do BCE nos preços, o banco central tem que ter um modelo de previsão da evolução futura da inflação que inclui diversas variáveis onde se incluem as taxas de crescimento do PIB e de desemprego mas isso não quer dizer que o BCE tenha em atenção estas variáveis quando implementa as politicas monetárias.
Apesar de desde 1998 (a crise do Sub-prime e das dividas soberanas) ter sido mais difícil controlar a inflação, mesmo assim, a média desde Jan2008 até Out2013 está nos 1.99%/ano (o desvio padrão aumentou de 0.33pp para 0.84pp). 

Fig. 1 - Inflação na Zona Euro (dados,  BCE)

Taxa de câmbio.
O BCE não faz (quase) nada para controlar a taxa de câmbio do Euro que resulta das forças de mercado. O manter a taxa de câmbio num determinado valor obriga, no curto prazo, a endividamento/crédito face ao exterior e, no longo prazo, a uma política de salários e preços compatível com a taxa pretendida.
Se, num patamar muito inferior à taxa de inflação, considerarmos que também compete ao banco central da zona monetária promover o equilíbrio das contas com o exterior (a Balança Corrente), então o BCE também tem funcionado muito bem.
Os dados (Fig. 2) indicam que entre 1Q:1999 e 2Q:2013 o saldo da balança corrente esteve totalmente equilibrada (um saldo médio de -0.01% do PIB). 

Fig. 2 - Evolução da Balança Corrente da Zona Euro (dados,  BCE)

Nas variáveis que medem a performance do banco central, o BCE aproxima-se da perfeição (inflação na meta de 2%/ano e balança corrente equilibrada).

Então, onde estão os problemas da Zona Euro?
Estão nos países.
Antes da criação da Zona Euro os países do Sul da Europa tinham taxas de inflação superior aos países do Norte da Europa e, associada, uma maior taxa anual de crescimento nominal dos salários. Estas diferenças eram corrigidas com desvalorizações das moedas do Sul relativamente às moedas do Norte.
Como o câmbio fixo é uma das formas standard de controlar a inflação, quando se criaram as bases da Zona Euro (em 1992 no Tratado de Maastricht) acreditou-se que, com o câmbio fixo, as diferenças nas taxas de inflação iriam rapidamente desaparecer.
O problema já na altura identificado é que o processo de correcção nominal pelo câmbio fixo tem impacto económico negativo que os governos tentam torpedear aumentando o défice público financiado externamente (politicas fiscais expansionistas). Para evitar que tal surgisse na Zona Euro, os países comprometeram-se a manter o défice público abaixo dos 3.0% do PIB e a divida pública abaixo dos 60% do PIB.

Mas o problema de base não era o défice público.
Era o défice público ser usado para evitar que os preços (e os salários) ajustassem.
Usando politicas expansionistas (défice público) os governos permitem que se mantenham taxas de inflação diferenciadas o que causa a divergência dos preços. Desta forma, nos países com maior inflação (em que os salários também sobem mais que a média)  o nível de vida aumenta mas as empresas deixam de conseguir exportar. Este efeito é o motor do desequilíbrio das contas com o exterior (a balança corrente).

Vejamos o nosso Salário Mínimo Nacional.
O ser humano tem o problema de desvalorizar as coisas que tem. Chama-se a isto a "depressão pós parto": a mãe pensa que vai ficar muito feliz por ter uma criança mas, mal ela nasce, deixa de dar valor a isso. 
Nós também somos assim relativamente ao nosso salário.
Em 1998 as pessoas trabalhavam 45h/semana e o salário mínimo era de 298,80€/mês. Se actualizarmos esse valor com a taxa de inflação e corrigirmos o horário de trabalho, em 1998 o SMN era de 350€/mês.
Estava tudo bem, o Jorge Sampaio era o Presidente da Republica e o Primeiro Ministro o Guterres e não achavam esse valor pequeno e muito menos inconstitucional. Diziam então que quem trabalhava era justamente remunerado e ninguém se preocupava com isso.
Entre 1998 e 2011 o salário mínimo aumentou 65% em valor e o horário de trabalho reduziu 11%. Agora, o custo horário já é de 3,66€/h. Nestes 13 anos o SMN aumentou 83%, 4.7%/ano, mais do dobro dos 2%/ano previstos no tratado de Maastricht.
Agora o SMN são 485€/mês e toda a gente diz que é pouco.

E o crescimento económico?
Parece claro que os salários têm que crescer com o crescimento económico. O problema é que, comparando 1998 (antes do Euro) e 2013, o crescimento económico per capita foi 0,3%/ano.
Nestes últimos 15 anos tivemos 10 anos de governos socialistas, com politicas de crescimento que resultaram num endividamento massivo e em 0,3%/ano de crescimento.
Como pode ainda alguém acreditar nessa lengalenga da "politica do crescimento"?
Mesmo acrescentando o crescimento de 0.3%/ano, para respeitarmos o que assinamos em Maastricht (2%/ano), em 2013 o SMN teria que estar nos 365€/mês (ou 410,00€/mês com 45h/semana).

E quem se comprometeu pelos portugueses no tratado de Maastricht?
Em 1992, o Cavaco como primeiro ministro e o Mário Soares como Presidente da República.
Algum juiz do Tribunal Constitucional disse que era inconstitucional impor ao nosso país que o preços e salários só aumentassem 2%/ano?
Nada e até fizemos uma revisão da constituição de forma a ser possível passar para a ordem juridica interna as consequências do tratado mas, afinal, não foi suficiente porque agora tudo é ajustamento nominal inconstitucional.
Os preços subirem 10% e as pensões ficarem na mesma é exactamente igual a manter os preços e descer as pensões cairem 10%. No entanto, a primeira hipotese é constitucional e a segunda já não.
Nós somos mesmo governados por mentecaptos.

A subida do SMN é um crime contra os pobres.
Vamos imaginar uma lei cujo objectivo é defender as chouriças pequenina.
Essa Lei diz que uma chouriça só pode fazer parte do cosido se tiver mais de 20cm.
Em que é que esta lei protege os homens com uma chouricinha pequenina?
Passa-se o mesmo com as pessoas menos produtivas.
Se o salário mínimo acabasse com a pobreza, eu defendia já que tinha que subir para 1000000€/mês. O problema é que subir o SMN não é arranjar emprego para as pessoas a esse salário. É apenas condenar as pessoas que produzem menos à inactividade e à subsidio-dependência.
O aumento administrativos do SMN manteve o PS no poder mas roubou-nos o crescimento económico (que foi de 0,3%/ano), atirou centenas de milhar de pobres (as menos qualificadas) para o desemprego e isto porque o Estado tinha dinheiro fácil (a crédito) para as apoiar como subsidio-dependentes (do Rendimento Mínimo Garantido e do Subsídio de Desemprego).
Mesmo que a pessoa quiser trabalhar porque precisa, vem logo a Inspecção Geral do Trabalho para o proibir.

Depois, os esquerdistas queixam-se do desemprego.
Tornou-se oficial o discurso de que "os empresários que não conseguem pagar um salários digno têm que fechar" e "nós como sociedade não podemos permitir que as pessoas sejam exploradas pelos patrões".
E fecharam mesmo.
Os esquerdistas que façam empresas cooperativas.
Falências e mais falências, desemprego e mais desemprego foram respondidos com subsídios e mais subsídios, défice público e mais défice público, dívida e mais dívida, importações e mais importações até que BUMMMMMM, em 2010 rebentou.
Vamos ver como se comportou a Alemanha.
Em resposta às crises de 2002 e de 2008 a Alemanha teve défice público mas não foi considerado um problema porque a balança corrente estava positiva (em 2002:2004 estava positiva em 48€/mês/pessoa e em 2000:2010 em 115€/mês/pessoa).

Fig. 3 - Défice público

Fig. 4 - Balança Corrente alemã (M€ por trimestre, EuroStat)

O défice público de hoje são impostos, com juros, de amanhã.
O Estado paga a despesa pública com impostos e endividamento. Mas a única forma que tem de pagar a divida pública é, no futuro, cobrar mais impostos.
Se o país tiver balança corrente equilibrada, a divida pública está na mão dos nacionais que, mais tarde, vão usar esses títulos para pagar o incremento nos impostos.
De facto, a divida pública não é riqueza nacional (existem trabalhos científico sobre o não-efeito-riqueza da dívida pública) porque as pessoas sabem que, mais tarde, vão ter que a usar para pagar os impostos necessários para o Estado a amortizar.
Se a balança corrente for deficitária, a divida pública é riqueza dos estrangeiros que não são sujeitos aos impostos do país devedor. Então, quando a divida pública é detida por estrangeiros, é muito mais difícil arranjar base tributária para a amortizar.

Já percebem porque a Alemanha pode ter défice excessivo sem problema?
A Alemanha não respeita o limite dos 60% (tem 80% do PIB de dívida pública) mas os preços e salários face ao exterior estão baixos o que faz com que a economia seja superavitária. Desta forma, a divida pública não é um problema porque está na mão dos alemães que, mais tarde, a vão usar para pagar impostos.
No Japão passa-se exactamente o mesmo. A divida pública é mais elevada que a nossa (em termos líquidos o FMI diz que o Japão tem 140% do PIB e nós temos 115% do PIB) mas é interna (e.g., o IVA já começou a aumentar, de 5% para 10%).

Fig. 5 - We love Germany

Mas não tem nada a ver com o BCE.
O défice público não tem nada a ver com a governação da zona monetário, é antes uma decisão de cada um dos países que a constituem e de haver quem empreste dinheiro para que os países possam financiar o défice.
Um país pode pertencer a uma zona monetária sem qualquer supervisão do banco central, tal e qual como quando a moeda era o Ouro. Por exemplo, entre 1991 e 2001 a Argentina pertenceu à zona do dólar americano.
O problema é que, se o governo quiser torpedear a convergência nominal, a sua taxa de inflação elevada vai tornar a balança corrente deficitária.
No próximo poste vou mostrar como as economias periféricas estão a caminho do ajustamento.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A União Europeia também vai acabar, brevemente

A formação de alianças é uma resposta à adversidade do meio ambiente.
Aqueles programas de animais que dá nas TVs às 12h de Domingo são uma aula prática sobre a dinâmica que levou à criação da União Europeia e que justifica a sua existência.
Vemos nesses programas que, quando num território existem leões, os búfalos juntam-se em grandes grupos com os machos do lado de fora protegendo, com uma muralha de cornos afiados, as fêmeas e crias.
Em resposta ao ambiente hostil, os machos abdicam dos seus interesses individuais (comer e ter as fêmeas só para si) e cooperam na defesa da própria vida e da manada.
Quando não existem leões, os búfalos espalham-se pela pradaria e os machos concentram-se nos seus interesses individuais lutando todo tempo com os seus iguais para os atingir.

Porque será que se formam grupos?
Porque o perímetro da circunferência aumenta linearmente enquanto que a área do circulo aumenta ao quadrado. Então, 15 machos formando uma muralha exterior de cornos protegem uma área onde cabem 15 fêmeas (1 fêmea para cada macho) enquanto que 30 machos protegem uma área onde cabem 60 fêmeas (4 fêmeas para cada macho).
Se, em condições adversas, um macho fica sozinho, é imediatamente submetido pelos leões.
A defesa à adversidade externa é a força que mantém unido o grupo.

Porque se desfazem os grupos?
Pertencer a um grupo também tem um lado negativo pois os indivíduos mais fortes, que poderiam derrotar todos os seus irmãos, têm que partilhar com os mais fracos a erva e as fêmeas.
Então, existe também uma força de repulsão que faz os individuos querer ser independente: a não partilha dos recursos escassos.
É por esta última razão, a partilha do petróleo, que o Kuwait nunca se quis unir ao Iraque.

Fig. 1 - A CEE, no contexto da Guerra Fria, construiu uma muralha de cornos 

Como construímos as nossas amizades de infância? 
Havia um matulão que queria bater em toda a gente e nós, os fracotes, formávamos um grupo que, pelo número, se tornava mais forte que o matulão individualmente. 
As amizades da guerra são das mais fortes que existem porque os soldados, em presença de um ambiente extremamente hostil, têm que formar grupos coesos e desenvolver uma confiança cega nos camaradas.
Por essa razão é que, na Gestão, nos programas de "Team Building" os indivíduos são colocados em ambientes onde se sintam desconfortáveis.

O tamanho e coesão do grupo é um equilíbrio entre as forças de repulsão e de atracção.
Quando a ameaça externa aumenta, a força de atracção sobrepõe-se à força de repulsão tornando o grupo maior e mais coesa. Quando a ameaça externa diminui, a força de repulsão torna-se dominante e o grupo diminui de dimensão e de intensidade.

Onde esta conversa explica a existência da União Europeia?
Quando a CEE - Comunidade Económica Europeia foi fundada em 1957, vivia-se na Guerra Fria e os países eram muito fechados.
Era muito pequeno o comércio de bens e serviços (as taxas alfandegarias eram muito elevadas).
Não havia mobilidade de pessoas. Os mais velhos recordam que era quase impossível obter um passaporte; que para se ir comprar uns caramelos a Espanha era preciso Visto e éramos revistados à saída e à entrada;  que era impossível ir trabalhar para um país estrangeiro.
A situação mais grave foi a construção da "Cortina de Ferro" para evitar que as pessoas saíssem da Europa de Leste.

Fig. 2 - No pós-WWII, a Europa Ocidental ficou cercada pela ameaça soviética a Leste e a islâmica a Sul

Mas essa fase foi, lentamente ultrapassada tendo a ameaça soviética acabado em 1991 com a queda do muro de Berlim e o comércio internacional no Mundo foi crescendo a uma cadencia constante. De 12% do PIB em 1960, o comercio internacional aumentou até os actuais 27% do PIB (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - O comércio internacional tem aumentado 0.32 pp por ano
(dados: Banco Mundial, grafismo do autor)

O comércio internacional é muito importante
Porque permite que os países se especializem nas actividades em que têm vantagens comparativas. Por exemplo, em Portugal importamos algodão que usamos na tecelagem de lençóis que exportamos com lucro. Como o nosso clima não permite cultivar algodão, se não houvesse comércio internacional não poderíamos produzir e exportar têxteis e vestuário.

O comércio internacional da União Europeia tem aumentado mas ...
Mas esse aumento está paralelo com a média mundial. Assim, não resulta directamente do processo de integração europeia mas antes de cada vez mais países tomarem consciência de que a abertura das economias, as exportações e as importações e a movimentação de capitais, pessoas e ideias, é um factor muito importante do seu desenvolvimento.
Essa tomada de consciência levou a que, de um mínimo de 13 países em 1949 e apenas 26 em 1961 (no GATT), actualmente já façam parte da OMC - Organização Mundial do Comércio 156 países.
Actualmente, até Cuba e o Zimbabwé acham vantajoso pertencer à OMC.
O crescimento do comércio internacional que se observou no interior da União Europeia (de 20% do PIB em 1960 para os actuais 40% do PIB) está em paralelo com o que se tem observado na média do Mundo (ver, Fig. 4).
Fig. 4 - O comércio internacional nos países da UE e no Mundo (dados: Banco Mundial, grafismo do autor)

E até houve zonas do Mundo, fora da UE, onde o crescimento do comercio internacional foi muito superior. Por exemplo, a China e a Índia aumentaram o comércio internacional de cerca de 3.5% do PIB em 1970 para cerca de 30% do PIB actualmente (+ 0.6 pp/ano).
Por contrário, o Brasil mantém-se uma economia muito fechada tendo apenas subido de 7% do PIB (nos anos 1960) para os actuais 12% do PIB.

Como as ameaças acabaram, vêm ao de cima as forças que afastam os países
A principal força que empurra a UE para a dissolução é as pessoas do Sul da Europa acharem-se com direito a ter o mesmo nível de vida económico das pessoas do Norte da Europa e os do Norte da Europa não estarem disponíveis a transferir parte do seu rendimento para que essa ideia se materialize.
Quando havia a ameaça soviética, a Alemanha via essas transferencias como o "preço da paz". Agora que a Rússia se tornou um país quase normal, acabou a necessidade de pagar por uma coisa que está naturalmente garantida.
Os países do Norte da Europa não estão mais disponíveis para ajudar ao sustento dos do Sul pois têm o guarda chuva da Organização Mundial do Comercio, a ameaça da União Soviética acabou e a ameaça islâmica não se está a mostrar perigosa (e afecta mais os países do Sul que lhe estão mais próximos).

A tese de termos direito ao mesmo que os alemães é perigosíssima porque parece justa.
Porque diabo não podem os portugueses ter o mesmo rendimento que os alemães se somos todos feitos de carne e osso e até trabalhamos mais horas?
Vejamos com uma comparação como esta tese é perigosa.
Imagine que os habitantes da Quinta do Mocho (um bairro de Sacavém, Lisboa onde a generalidade das pessoas é pobre, tipo favelados do Brasil), se achavam com o direito de viver tão bem como os do Restelo (bairro fino de Lisboa) tendo as mesmas casas, os mesmos carros, passar férias nos mesmos sítios, etc.
Como é que isto se iria fazer?
Só se fosse com um generoso subsídio para a maioria das pessoas que vive no mocho pago com um pesado imposto sobre as que vivem no Restelo.
Caso contrário, os do Mocho dariam cabo do Restelo.

Fig. 5 - Moleque de favela já nasce com cara de marginal.

Agora vemos que o argumento da igualdade Norte-Sul não tem lógica.
À escala da Europa passa-se o mesmo não sendo possível acabar com as diferenças que existem entre o Norte e o Sul.
Viver na Europa do Sul tem vantagens (clima, vida relaxada) e inconvenientes (menor produtividade) não sendo possível manter as vantagens e exigir a anulação dos inconvenientes.
Por contrapartida, os Alemães quereriam o clima e o relaxe do Sul da Europa.
Isso só aconteceria se os alemães fossem viver para o Sul e todos fossem trabalhar para a Alemanha.
Isso não é fisicamente possível.

Mas subsistem algumas ameaças.
Como já não podemos justificar a existência da Zona Euro (e, em última análise, da UE) e as consequentes transferências de recursos do Norte para o Sul com as vantágens internas e ameaças externas, queremos justificar a sua existência com as ameaças internas, com o cataclismo do seu fim.
Todos rezamos para que a dissolução da Zona Euro e da União Europeia cause um prejuízo terrível principalmente à Alemanha e demais países do Norte.
É quase como os suicidas que procuram, com a sua explosão, causar no inimigo mais do que um morto.
Se ouvirmos o discurso dos esquerdistas, vai ser terrível porque a Alemanha não terá para onde exportar os seus Mercedes.

Mas isso é tudo mentira
Uma União Europeia em que cada país mantem as suas contas equilibradas é um factor de progresso da Alemanha mas tem que ser pesado o custo que a UE tem ao contribuente alemão e o benefício comercial que daí retira.
Neste momento, os custos estão maiores que os benefícios.

Fig. 6 - Amor, fiz 5 operações plásticas para ficar mais elegante. Acreditas?

Nós não só importamos da Alemanha como também exportamos para lá.
Portugal exporta 500 milhões de euros de bens para a Alemanha onde os automóveis têm um peso de 30%.
E será mais difícil para os países do Sul da Europa competir no mercado mundial que à Alemanha.


Fig. 7 - Importações e Exportações para a Alemanha (dados: INE, grafismo do autor)


Fig. 8 - Por cada euro que importamos da alemanha, exportamos 0.90€ (dados: INE, grafismo do autor)


Acabado ou reduzido o projecto União Europeia, continuaremos todos sob o guarda-chuva da OMC.
E manter-se-ão os acórdos multilaterais enquanto forem do interesse mútuo dos países onde se inclui, por exemplo, o FMI e a Interpol.
Estando a aumentar as forças de divisão (o custo de manutenção) e a diminuir as forças de união (os ganhos do comercio e as ameaças externas), é de prever que a UE vá diminuindo de intensidade transformando-se, a média prazo, em algo parecido com o MERCOSUR, depois a uma associação do tipo dos PALOPs e, finalmente, à nossa "mais velha associação do mundo" com a Inglaterra (transforma-se em nada).

Fig. final - Do quarto do hotel onde estou de férias vê-se Manhattan. Vamos amor, cansar.


Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A licenciatura, o dr. Relvas e a desvalorização do Escudo

Este ano leccionei a disciplina de Seminário de Economia 2
que é uma disciplina que vem responder ao Paradigma de Bolonha de o aluno "aprender a aprender". Assim, "obriga-se" o aluno a tornar-se capaz de aprofundar o seu conhecimento sobre um determinado tema acedendo a fontes de informação seleccionadas por si (fora da tradicional aula expositiva).

O que representa ser licenciado.
Pressupõe ter autorização, licença, para exercer uma profissão complexa.
Um licenciado (a exercer uma profissão), quando se depara com um problema para o qual não tem resposta imediata, tem que ser capaz de criar uma resposta sólida pela procura e estudo por si próprio das fontes de informação disponíveis (referindo as fontes).
Mas os nossos alunos, portugueses, têm muita dificuldade em desenvolver esta capacidade de aprender sozinhos porque a nossa cultura académica está cimentada numa tradição secular de "exames sem consulta" onde as respostas são de memória e à autoridade desse "conhecimento livresco".
E como a memoria tem falhas, o aluno tem que concentrar o seu estudo nas vésperas da prova ("para manter a matéria fresquinha") e, quando interrogado decorridos uns meses, diz:
- Devo ter aprendido isso numa cadeira qualquer mas já foi há tanto tempo que não me lembro de nada - quando a resposta deveria ser:
- Posso dar agora algumas indicações genéricas sobre o assunto mas preciso de algum tempo para poder dar uma resposta fundamentada a esta questão concreta.

Fig. 1 - Aprendi isso na cadeira de Natação I, mas já não me lembro de nada!


Num programa de artes marciais passado na televisão
Entrevistador
- Mestra Coissarópa, que diplomas precisou obter para ser mestra desta arte marcial?
Diz a mestra
- Cara, nenhum. Comecei praticando, como todo o mundo, aqui na praia. Um dia, estava fazendo uma técnica e um dos moleques me pediu para eu lhe explicar.
- Depois veio outro e outro e outro e os moleques começaram me chamando Mestra.
- Não sou mestra da universidade mas todo o mundo me pergunta coisas que eu explico e, como gostam, me vão chamando mestra.
- Minha mãe também é mestra, doceira.


Fig. 2 - Me chamam a mestra do corpo esculturau. H i i i i u u u pumba.

Existem profissões em que é preciso uma acreditação institucional mas outras não.
As profissões complexas em que é difícil verificar a competência profissional durante a execução das tarefas, obrigam a que haja um processo de aprendizagem, avaliação e certificação das competências profissionais do individuo antes de este iniciar a profissão.
Por exemplo, uma pessoa não pode começar a dar consultas médicas, primeiro tratando doenças simples e aprendendo com a experiência que vai adquirindo para depois ficar médico de corpo inteiro. Assim, uma pessoa antes de começar a "dar consultas" precisa frequentar e ter aprovação a determinadas disciplinas leccionadas numa universidade credível.
Pelo contrário, também existem profissões complexas, mas em que é fácil verificar a competência do profissional (pelo cidadão comum). Neste caso, já é possível que uma pessoa inicie a profissão sem ter "licenciatura".
Por exemplo, cozinhar é complexo mas, como vemos imediatamente no sabor da comida a competência do cozinheiro, ninguém vai a um restaurantes por o cozinheiro ser licenciado por uma universidade.
O nosso Cristiano Ronaldo está mais do que licenciado para o futebol.

Mesmo nestas profissões, a escola é muito importante
Porque os professores seleccionam e sistematizam o conhecimento necessário à formação do profissional tornando o processo de  desenvolvimento das capacidade do indivíduo mais rápido e eficiente.
Apesar de uma pessoa extraordinário poder transformar-se num bom profissional, apenas a escola está preparada, apesar de muito teórica, em ajudar à pessoa tornar-se um profissional extraordinário.

Vejamos o exemplo positivo da UTAD nos vinhos.
Apesar de durante centenas de anos o fazer vinhos de qualidade ser algo adquirido em família e pela experiência, desde que a UTAD lançou a licenciatura em enologia, apesar de a nota média dos alunos que o frequenta ser baixa, veio permitir um enorme desenvolvimento dos vinhos de mesa do Douro e Verdes.
Não é por acaso que, nos últimos anos, os vinhos criados mesmo em pequenas adegas, têm atingido posições de pódio em concursos internacionais cegos onde também são avaliados vinhos das melhores regiões do mundo, como, por exemplo, a região de Champanhe.

Mas a licenciatura também serve para encobrir fraqueza e incompetência.
Muitos dos licenciados são pessoas normais que se tornam profissionais apenas "suficientes".
Pelo contrário, também existem pessoas extraordinárias que não tiveram oportunidade de se licenciarem e que mesmo assim se transformaram em profissionais "muito bons".
O Paradigma de Bolonha pretende que estas pessoas excelentes se tornem ainda melhores.
Mas, normalmente, quando um licenciado "suficiente" se cruza com um extraordinário que é "muito bom" mas sem escolaridade, usa a sua licenciatura para o diminuir.
Por exemplo, quantos "actores com conservatório" desconhecidos já ouviu na TV dizer mal "desses que fazem coisas mas que nunca tiveram conservatório"?


A Declaração de Bolonha (wiki)
Havendo na Europa um choque entre a cultura anglo-saxónica (onde as competências são mais importantes que os diplomas) e a cultura latina (onde os diplomas são mais importantes que as competências), houve necessidade de compatibilizar o sistema de diplomagem.
Como a cultura anglo-saxónica se tem mostrado mais competitiva, foi usada como modelo.
A Declaração de Bolonha foi transposta para Portugal pelo Decreto-Lei 74/2006.

Agora e principalmente nos países que apenas adoptaram recentemente esta filosofia, quem já exerce a profissão de forma competente (de facto), "deve" ficar licenciado para o seu exercício (de jure) porque:




Art. 5.º - O grau de licenciado é conferido aos que demonstrem:
     a) Possuir conhecimentos e capacidade de compreensão ... [acima do nível secundário]
     b) Saber aplicar os conhecimentos ...
     c) Capacidade de resolução de problemas ...
     d) Capacidade de recolher, seleccionar e interpretar a informação ...
     e) Competências que lhes permitam comunicar informação, ideias, problemas e soluções ...
     f) Competências de aprendizagem ...  ao longo da vida com ... autonomia.

Mas não se quis uma validação de competências
Poderia ser previsto que "a admissão às ordens profissionais mediante aprovação num exame de ingresso na profissão é equivalente à obtenção de uma licenciatura num sistema de ensino tradicional". 
Talvez fosse uma avaliação difícil de fazer, mas seria possível de realizar.

Temos um sistema misto.
Sob o pressuposto de que o candidato tem em vista o prosseguimento de estudos,  o estabelecimento de ensino superior (é o que diz o par. 1º), reconhece, através da atribuição de créditos, a experiência  profissional e a formação pós-secundária do candidato (é isto que diz a al. C).
Nesta parte, a escola pode sujeitar o candidato a provas de avaliação. Essa avaliação pode ser curricular (projectos que realizou, obras que publicou, etc.) e ser um conjunto de provas.

Por exemplo, o Título de Agregado concedido pelas universidades portuguesas como o mais alto grau académico (acima do Doutoramento, do Mestrado, da Licenciatura e do Bacharelato) é um processo deste tipo em que o há uma avaliação e discussão do currículo do candidato que também faz prova da sua capacidade pedagógica e é sujeito a perguntas.
Não tem aulas nem necessidade de aprovação em disciplinas.

Foi isso que aconteceu com o Relvas.
Mas qual é a profissão do Relvas?
Não é um médico cirurgião, um engenheiro que realiza uma ponte ou um advogado que faz um contrato que exigiriam, concerteza, uma acreditação prévia por uma entidade reconhecida.
A profissão do Relvas cai naquelas licenciaturas que não são nada em concreto do tipo Relações Internacionais, Comunicação, Ciência Politica, Relações Públicas, Marketing Relacional, Sociologia das Organizações, etc., etc., etc. que servem apenas para concursos públicos e para não ser preciso sabermos o nome da pessoa porque passamos a chamá-la "doutor" ou "doutora".
É uma profissão complexa mas vive mais de aptidão pessoal do que da instrução obtida numa universidade. Mas melhora.

O Relvas teve 10 valores na "experiência profissional".
Certo dia, o Relvas pensou em "prosseguir os estudos" e não apenas pedir uma validação das suas competências. Quis melhorar, tornar-se melhor profissional.

O Relvas já tinha o ensino secundário pelo que, tendo em vista o prosseguimento de estudos, o estabelecimento de ensino superior (é o que diz o par. 1º), reconheceu, através da atribuição de créditos, a experiência profissional e a formação pós-secundária do candidato (é isto que diz a al. C).

À data, a experiência profissional do Relvas, ser deputado e outras coisas que não me lembro, foi considerada extensa (deu 150 em 180 créditos) mas de pouco valor porque só lhe atribuíram a classificação de 10 valores.
Provavelmente, se fosse agora, teria a mesma extensão de equivalências mas com mais valores. Tal qual como se eu refizesse agora o exame da 4.A classe, teria melhor classificação.

Será errada a filosofia que levou à licenciatura do Relvas?
Não acho.
O argumento tem sido "andei anos a queimar pestanas para estar no desemprego e esse fez 4 cadeiras e já se chsma doutor".
São as criticas dos licenciados intrinsecamente fracotes e que não dão em nada.
São daqueles que dizem "eu sou licenciada em Canto pela melhor universidade portuguesa e estou desempregada porque metem n'A Tua Cara Não Me é Estranha aquele Lucy que só tem a 4.A classe".
Todas as pessoas têm que ter a esperança de ver o seu esforço reconhecido. Sendo que na nossa sociedade isso passa por ser "doutor", então é necessário que as universidades estejam abertas a acolher os profissionais de grande potencial. 

Vamos agora à pergunta do exame.
Eu fiz uma pergunta curta mas dificil a que os 6 alunos não conseguiram dar resposta. Mas esforçaram-se e apresentaram alguma coisa da literatura pelo que, juntamente com as minhas colegas, atribuímos 10 valores a 5 deles.
A a dúvida deles era se eu era capaz de dar resposta à questão. Vamos a ver o que eu sou capaz de dizer.

Tema: Fundamentando a sua argumentação na teoria económica e na evidência empírica publicada além de dados disponibilizados pelas instituições de referência mundial, e.g., o Banco Mundial, construa um texto em que avalie o impacto da desagregação, total ou parcial, da actual Zona Euro. Em particular, avalie como irão evoluir não só as cotações das novas moedas e do euro mas também o PIB e o desemprego nas economias europeias.

Primeira parte: o que diz a teoria económica
A) Diz que os preços relativos entre os bens que nós produzimos internamente e os que são produzidos no exterior equilibram a nossa balança comercial. Se os nossos preços aumentam (em relação ao exterior), as exportações diminuem e as importações aumentam (e vice-versa). Como a Balança Comercial é uma componente muito importante das contas com o exterior, uma desvalorização da moeda causará o equilíbrio da nossas contas com o exterior (a Balança Corrente).
Os alunos teriam que meter uma referencia a um livro de macroeconomia onde este mecanismo estivesse explicado para ficar fundamentado.
B) Diz que no mercado de trabalho existe a curva da oferta (que é crescente com o salário real) e a curva da procura (que é decrescente com o salário real). Diz ainda que, havendo desemprego acima do "desemprego natural", o salário real tem que descer para o mercado equilibrar.
Se a moeda desvalorizar (e os salários subirem menos que a taxa de desvalorização), o seu valor real diminui (fica menor o poder de compra dos salários). Então, a desvalorização vai diminuir os salários reais que faz diminuir o desemprego.
Os alunos também teriam que meter uma referencia a um livro de economia do trabalho ou microeconomia.

Segunda parte: arranjar uns dados. 
Agora seria preciso estimar quanto o nosso escudo irá desvalorizar para equilibrar as nossas contas externas e o nosso mercado de trabalho.
Como fui buscar trabalhos que dizem que estas duas variáveis estão ligadas no mesmo sentido, vou comparar a situação actual (em termos de taxa de câmbio real) com o período em que tínhamos as nossas contas externas equilibradas (1990-1995) e em que a taxa de desemprego era baixa (nos 5%).

Fig. 3 - O Escudo irá desvalorizar cerca de 12%. Na abcissa está a taxa de cambio real relativamente a 1990 (dados: Banco Mundial

Feitas as coisas, até parecem simples e aquelas previsões catastrofistas de que o Escudo irá desvalorizar 50% ou mais não passam de tentativas para assustar o povinho.
A Fig. 3 confirma que o desequilíbrio da Balança Corrente acontece ao mesmo tempo que o aumento da taxa de desemprego (que já tinhamos descoberto pelo estudo da teoria).

Terceiro, o trabalho vinha enriquecido com as políticas alternativas à saida da Zona euro
Se o governo aplicar o corte dos subsídios de desemprego e de Natal a todos os funcionários de forma a reduzir a TSU em 6 pontos percentuais (que diminuirá os custos do trabalho em 5%) e o aumento do horário de trabalho em 0.5h/dia permitir ganhar mais 5%, a nossa economia equilibrará.
Isto porque associado à diminuição dos custos do trabalho, virá uma diminuição dos preços dos bens e serviços produzidos em Portugal.


Fig. 4 - Eu sou muito pessimista, mas estes números parecem-me razoáveis e nada catastróficos.

Nota Final para as minhas colegas detratoras
Esta é a primeira vez que a correcção de um exame é publicada num blog.
É o progresso.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A exportações não estão a aumentar como diz o governo

As exportações, diz o Governo, aumentam a grande velocidade
mas, de facto, estão apenas a retornar ao valor de 2008.
Se olharmos para a série de longo-prazo das exportações vemos que, antes de entrarmos na Zona Euro (de termos passado para o regime de câmbios fixos relativamente à maioria dos nossos mercados de exportação), as exportações cresciam 7.0%/ano e, desde então, a sua taxa de crescimento ficou reduzida a 1.4%/ano (ver, Fig. 1).
O facto de o PIB (ver, Fig. 2) e as exportações (ver, Fig. 1) terem passado a crescer apenas de forma anémica e o desemprego ter aumentado continuamente (ver, Fig. 3), ilustra que a nossa economia não consegue lidar com os câmbios fixos.
O Euro, ao fixar o câmbio da nossa moeda relativamente aos nossos principais parceiros comerciais, tornou-se uma camisa de forças que os nossos governantes e cidadãos não conseguem desatar.

Como não nos sabemos governar em Câmbios Fixos, temos que retornar ao Escudo.
Assim, a crise que vivemos começa há 10 anos atrás quando a nossa economia não conseguiu digerir a crise de 2003, o que se foi propagando no tempo e resultou numa marretada fatal quando a Europa foi atingida, em 2009, por uma nova crise, a do Subprime.

Fig. 1 -Evolução das exportações portuguesas, preços constante, 1993-2012
(dados: INE, grafismo meu)

Fig. 2 -Evolução do PIB português, 1996-2012
(dados: INE, grafismo meu)

Fig. 3 -Evolução da taxa de desemprego portuguesa, 1993-2012
(dados: INE e Banco Mundial, grafismo meu)

O Ajustamento
Dizer que a economia portuguesa já ajustou (leia-se: os salários já reduziram o suficiente) porque as exportações estão a crescer mais de 10%/ano é TOTALMENTE EXAGERADO pois é apenas o fenómeno de curto prazo de reposição dos valores anteriores à crise do Subprime (rever, Fig. 1).
Em 2009 houve uma quebra de 20% nas exportações que, entretanto, tem sido anulada pela convergência com à tendência de longo-prazo.

Mas o Défice Comercial tem reduzido.
Sim, o DC está a reduzir desde 2008. Desta forma, não é algo que resulte da politica (de austeridade) do actual governo mas é uma tendência que começa com a Crise do Subprime (ainda no tempo do Sócrates).
A subida da taxa de juro que se iniciou em 2008 (que quantifica a dificuldade de acesso ao crédito externo) é a força que faz corrigir a balança comercial pela impossibilidade de comprarmos produtos importados a crédito (rever, Porque é que a taxa de juro equilibra a economia, 2011). 

Fig. 4 -Evolução do défice comercial português, preços constante, 1993-2012
(dados: INE, cálculo do autor, grafismo meu)

A correcção acontece à custa das importações.
Como, relativamente a 2008, as exportações só aumentaram 0.2MM€/mês então, o Défice Comercial reduziu de 2.00MM€/mês para 0.8MM€/mês principalmente à custa de uma redução das importações em 1.0MM€/mês (de 5.0MM€/mês para 4.0MM€/mês).

Fig. 5 -Evolução do défice comercial português, preços constante, 1993-2012
(dados: INE, cálculo meu, grafismo meu)

Por cada 100€ de correcção da balança comercial relativamente a 2008 (o ano pré-crise),  83.5€ resultam de uma diminuição nas importações e apenas 16.5€ resultam de um aumento nas exportações.

É o problema da dinâmica da economia.
A economia tem uma dinâmica própria que é independente daquilo que as pessoas ou os governos querem ou anunciam.
Dizem os comunas que "Portugal alienou a soberania económica" mas essa nunca existiu.
Existem as forças de mercado a que nos temos de sujeitar ou passar para uma economia do tipo da Coreia do Norte em que o Estado decide tudo. Mas nesse país as pessoas têm toda a soberania para passar fome,  frio, andar a pé e morrerem como puderem.
Alguém ter a liberdade de decidir que o seu ordenado vão ser 20000€/mês é a mesma coisa que decidir que nunca terá um emprego.

Fig. 6 - Eu ter decidido, usando da minha soberania, que quero esta para minha amante, estou a decidir que nunca terei uma amante. Não me falta soberania de decisão mas falta-me o cacau do Ronaldo.
(fonte: uns país cuidadosos)

O governo pode decretar que "o preço da gasolina passa a ser 0.10€/l" mas, depois, onde a vão as pessoas que actualmente vendem gasolina buscar o produto a esse preço?
Vamos, com os nossos submarinos, invadir o Irão?
Será que o Chaves Comuna da Venezuela nos vai vender gasolina a 0.10€/l para mantermos a nossa soberania económica?
O hipotético governo do Louçã também pode vir a decidir contratar mais 50000 professores e 25000 médicos e enfermeiros. E pode-os contratar mas o ordenado terá que ir para calote porque não há dinheiro.

Diz o do sindicato dos médicos para o ministro da saúde
     - Os médicos exigem um mínimo de 35€/hora porque menos é uma indignidade.
Diz o sr. ministro.
     -O governo está disponível a pagar 100€/hora mas os médicos portugueses têm que fazer o que fazem os seus colegas da "nossa" Guiné.
     - Claro que sim. Mas o que é que eles fazem que nós não saibamos fazer?
     -No fim do mês, o ordenado vai para calote e prometemos em nome do Estado Português e respeitando a Constituição que, quando for possível, irão receber esses ordenados com a taxa de juro paga pelo Tesouro Alemão porque somos tão sérios como eles.
     - E quando será isso?
- O ano 1386 foi o ano subsequente a 1385 logo, o ano 2150 será o subsequente a 2149.

Se os comunas e broquistas dizem que o Estado deve pregar o calote a torto e a direito, isso aplica-se a todos, inclusive aos seus salários e subvenções. Tal qual se faz na "nossa" Guiné onde a Troika não entra.

Fig. 7 - São 35€/hora / Dou-te 100€/h se fizeres o a Lizete faz: vai para calote.
(fonte: General Motors)


Com as importações passa-se o mesmo que com as "meninas da vida".
Se não há dinheiro, não há brincadeira.
O Passos Coelho não decretou que as pessoas estavam proibidas de importar. O problema é que, não havendo crédito nem dinheiro para pagar as importações, estas acabam.
O único crédito que existe é o previsto no Memorando de Entendimento e na "cedência de liquidez" do BCE aos bancos portugueses.
Se amanhã entrarem 100€ líquidos por um destes dois mecanismos então, será possível manter um défice comercial de exactamente 100€. Caso contrario, o défice comercial anula-se automaticamente.
Por cada 1€ a menos, serão menos 0.83€ de importações (e mais 0.17€ de exportações).

O Governo está muito pessimista.
O Passos Coelho dizer (com base numa alegada previsão do INE) que vamos atingir o equilíbrio da balança comercial em 2013, é exageradamente pessimista porque indica que o nosso governo antecipa que o crédito externo vai piorar.
O Governo está a imaginar que,  em 2013, uma vez acabado o plano de ajuda da Troika, o dinheiro vai secar deixando de ser possível manter o actual nível de importações.
Se as exportações mantiverem a tendência de longo-prazo, as importações precisam reduzir anda mais 600M€/mês para a balança corrente equilibrar.

Será grave diminuir as importações?
Depende muito do que deixamos de importar.
Vamos ver o que o INE diz sobre as nossas importações e como evoluiu o processo de ajustamento.
Se pegarmos nos dados sobre as importações, em cada 100€ importados e a variação foram

------------------------------------------------------------------------------------------
                   Classe de bens                                      Peso         Variação (2008/2012)     
     Alimentos e bens industriais relacionados       ->  14.5€                 -  4%
     Produtos químicos                                         ->  13.5€                +  4%
     Petróleo e coisas relacionadas com energia    ->  13.5€                + 28%
     Maquinas, computadores, electrodomésticos ->  17.0€                 - 40%
     Automóveis e demais veículos                       ->  12.0€                 - 43%
     Aço e produtos metalúrgicos                         ->   6.0€                  - 35%
                        Remanescente                            ->  23.5€
---------------------------------------------------------------------------------------
     Quadro 1 - Principais rubricas das importações e sua variação 2008/12 (dados: INE, cálculo meu)

O problema da consolidação pela redução das importações
É negativo, extraordinariamente negativo, porque as rubricas que aumentam são a energia e as que reduzem são bens de investimento.
Apesar de o Sócrates nos ter obrigado a "investir" milhares de milhões de euros em eólicas (que agora nos custam centenas de milhões de euros por ano de juros que temos que pagar na conta de electricidade), a importação de energia aumentou 28%.
A importação de máquinas, equipamentos, computadores, material eléctrico e material circulante reduziu em 40% o que indica que o ajustamento da balança comercial acontece pela quebra abrupta do investimento (os televisores, frigoríficos e automóveis adquiridos pelas famílias, por serem bens duráveis, seriam investimento das famílias).

Esta dinâmica de consolidação já se verificou em 2002 (rever, Fig. 5) e traduziu-se pela diminuição da tendência de crescimento do PIB de cerca de + 4%/ano para + 1%/ano (rever, Fig. 2).
A consolidação actual traduz-se numa nova diminuição na taxa de crescimento do PIB potencial de cerca de + 1%/ano para - 1%/ano.

Criticar é fácil mas o que pode fazer o Governo?
Tem que actuar com mais força e convicção.
Não é dizer, decorrido mais de um ano, que as condições de privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo estão definidas e que será para manter os postos de trabalho.
Então, temos que lá meter no dia da privatização 250 milhões de € e pagar os ordenados aos 700 que lá estão ao alto até se reformarem.
Tal e qual o que fizeram no BPN: pagar para privatizar.

Uma senhora, anteriormente com 120 kg, foi-se queixar ao nutricionista
- Sr. Doutor, no nosso memorando de entendimento, acordamos que eu, para voltar a ter 60kg, teria que fazer 30 minutos de exercício violento por dia e reduzir a comida em 25%.
- Decorrido 1 ano, estou com 100kg. Não valeu a pena.
- Vou passar a comer mais e cortar no exercício pois é assim que vou emagrecer.
Diz o médico:
- Minha Sr.a, não pense nisso pois vamos no bom caminho.
- 100kg é muito melhor que 120 kg mas ainda não é suficiente.
- Agora tem que passar o exercício para 60 minutos por dia e cortar a alimentação em mais 25%.

1. Descer os custos do trabalho
   A) Aumentar o horário de trabalho das 40h/semana para as 45h/semana
   B) Cortar os subsídios de férias e de natal nos trabalhadores do privado com um imposto
   C) Usar o valor obtido pela medida B) para
                C.1) Reduzir a TSU do empregador.
                C.2) Reduzir significativamente ou acabar com o IRS sobre os juros.
                C.3) Reduzir significativamente ou acabar com as mais valias dos investimentos.
                C.4) Reduzir significativamente ou acabar com o IRC.
                C.5) Manter o RSI, o rendimento mínimo, activo.

2. Permitir que as empresas desçam os salários
Alterar a legislação do trabalho de forma a permitir que as empresas desçam o salário de um trabalhador até 70% do salário base "acordado" no Contrato Colectivo de Trabalho.

Parecem medidas duras?
Então esperem pelo "não fazer nada" a que o Guterres e o Sócrates nos habituaram no período 1995/2011.
Os trabalhadores podem pensar que aguentam o seu salário e que o "capitalista" é que tem que pagar a crise. Mas o "produto potencial" vai continuar a contrair 1%/ano pelo que vamos empobrecendo.
Em 2001 estávamos no pântano (disse-o o Guterres)
Em 2002 estávamos de tanga (disse- o Durão Barroso)
Em 2011 estávamos numa situação muito difícil (disse-o o Teixeira dos Santos)
Em 2012 estamos em risco (disse-o o Gaspar)
Em 2020 estamos f... (digo-o eu, mas quem sou eu).

Querem que eu fale do Relvas?
Está como estaremos em 2020.
Não se safa.

Finalmente, as minas de Moncorvo
No tempo do Salazar também se faziam investimentos loucos.
Um deles foi tudo o que está relacionado com as Minas de Moncorvo:
A) a navegabilidade do Douro tinha por fim o transporte do minério de Moncorvo e foi um colosso financeiro que não teve qualquer aplicação digna. Bem, agora passam lá um cruzeiros mas o investimento foi colossal.
B) A siderurgia de Sines que não chegou a trabalhar também tinha por fim esse minério.
No entanto, o minério não presta nem nunca prestou.
"Parecia não haver preocupação quanto às características do minério. O seu baixo teor de ferro e o elevado teor de fósforo, que o tornavam de difícil comercialização nos mercados internacionais e impunham onerosos tratamentos para utilização na Siderurgias Nacional não estavam na primeira linha das preocupações."
Rocha Gomes, 1979, 67 – O jazigo de ferro de Moncorvo ,  (fomos colegas em 1989/1992 como responsáveis pela leccionação da disciplina de Prospecção Mineira, eu na FEUP e ele na FCUP).

De facto, não presta porque tem muito fósforo, o teor em ferro é baixo e o transporte é caro.
O fósforo é muito difícil de retirar do minério e, tornando o aço quebradiço, retira-lhe o valor.
Então, o minério de Moncorvo, apesar de existir em grande quantidade, não tem valor económico.
Parece-me que o Governo vai enterrar mais uns milhões num projecto ruinoso.

Amigo Paulo Portas: não interessam projectos que criem emprego mas apenas projectos que criem riqueza.
Quem acredita que mais emprego é mais riqueza (mesmo que sejam uns a abrir covas e outros a tapá-las) são os comunas e não os fulanos da direita como tu dizes ser.
AAAHHHAAAAA  o Miguel reencarnou em ti e ainda ninguém deu conta.


Pedro Cosme Costa Vieira

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