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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O que é isso dos Swaps?

Todos nós já realizamos swaps.
Quando andávamos na escola, coleccionávamos cromos.
Comprávamos umas saquetas com 5 cromos que colávamos numa caderneta. Por ser uma questão de sorte e azar, tínhamos sempre cromos repetidos e outros em falta.
Vamos supor que a caderneta tinha 150 cromos e que os 5 cromos eram colocados nas saquetas com igual probabilidade. Se comprássemos 150 cromos (30 caderneta), em média só conseguíamos 95 cromos diferentes (e 55 repetidos). Se duplicássemos o número de cromos, em média ainda nos ficavam a faltar 20 cromos. Precisávamos comprar 160 saquetas (800 cromos) para termos a probabilidade de 50% de conseguir preencher toda a caderneta.

Havia necessidade de fazer swap de cromos.
Acabar a caderneta era um desespero.
Mas se na nossa escola várias pessoas fizessem a colecção, era muito mais provável que alguém tivesse repetido o cromo que nos faltava. Então, coleccionar cromos era uma forma das crianças socializarem-se com os demais colegas da escola. Pela troca todos ficavam a ganhar.
Como os cromos era um problema estatístico, quanto maior fosse o conjunto de pessoas a trocar, menos cromos cada um teria que comprar para conseguir preencher a caderneta.

Fig. 1 - Para termos sucesso, era obrigatório trocar os cromos repetidos

#código usado no R para simular o desporto dos cromos
cromos<-0
for (a in 1:1000) #número de simulações
   {x<-0
   for (i in 0:159) #número de cadernetas adquiridas
      x[i*5+(1:5)]<-sample(1:150,5,replace=TRUE) #sorteia os cromos das cadernetas de 1 a 150
  cromos[a]=length(table(x))} #conta quantos cromos há de cada tipo (número de 1 a 150)
mean(cromos) #número médio de cromos diferentes
sd(cromos) #desvio padrão do número de cromos diferentes
length(cromos[cromos==150])/1000 #probabildiade de preenchemos a caderneta toda

O contracto de swap não tem mal nenhum.
Sabemos que melhorávamos a nossa situação sempre que trocávamos um cromo repetido por outro em falta.
Quando trocávamos um cromo repetido por outro que também tínhamos repetido ou um cromo único por outro cromo de que não tínhamos nenhum, não melhorávamos mas fazíamos um favor ao nosso amigo.

Quantos exemplares repetidos era preciso darem-nos por um que tínhamos único?
Ninguém trocava um cromo de que só tinha 1 exemplar por outro cromo de que tinha vários porque piorava a sua situação.
Mas agora imaginemos que alguém nos oferecia 10 cromos que tínhamos repetidos por um de que tínhamos apenas um exemplar.
Este contracto era especulativo porque eu não queria aqueles cromos para nada. Apenas aceitava a troca se especulasse novas trocas no futuro ou noutra escola onde eu imaginava que o mix de cromos era diferente. Antecipava ser provável eu conseguir re-obter o cromo que estava a perder e ainda obter outros que actualmente não tinha.
Especular é ver no futuro, prever o que vai acontecer. Naturalmente que ninguém consegue prever o futuro com certeza.

Swap obrigações <-> acções
Um swap "clássico" é a troca de uma obrigação por uma acção (da mesma empresa).
A obrigação tem remuneração fixa (o cupão) e um pagamento final.
A acção tem direitos de voto na governação da empresa e uma cota parte dos lucros (o dividendo) que é variáveis de ano para ano e uma percentagem quando a empresa for vendida ou liquidada.
Em caso de falência, a obrigação tem prioridade no pagamento relativamente às acções.
Como a obrigação tem menor risco, a remuneração das obrigações é, em termos médios, menor que a cota parte dos lucros correspondente a cada acção, havendo uma cotação que torna os dois activos equivalente:

           Obrigação (- Remuneração; - Risco)  <=> Acção (+Remuneração; +Votos; + Risco)

Uma pessoa que seja mais medrosa vai aplicar as suas poupanças em obrigações enquanto que uma pessoa mais destemido vai-o fazer em acções.

Vamos supor que recebemos uma herança.
Um nosso familiar deixou  10000€ de acções e 10000€ de obrigações de uma empresa familiar, metade a mim e metade ao meu irmão. Eu, como sou medroso, vou trocar as minhas acções, 5000€, pelas obrigações do meu irmão (também 5000€). O meu irmão, mais destemido e empreendedor, com os 10000€ de acções também vai conseguir fazer parte da gerência da empresa (juntamente com os nossos familiares). Ficamos ambos a ganhar porque somos diferentes.

Posso ser um especulador.
Eu não quero as acções de todo mas o meu irmão também não as quer pelo que apenas me dá 1000€ de obrigações pelas minhas acções (ou eu dou 1000€ de obrigações pelas acções dele).
Apesar de eu não querer as acções para nada, eu aceito a troca porque especulo que vou conseguir trocar os 10000€ de acções (as minhas mais as dele) por obrigações de um dos meus primo por mais de 2000€. No final, penso ficar com mais de 6000€ de obrigações com que ficaria se trocasse as minhas acções directamente com o meu irmão.
Especulador é aquele que realiza uma troca não com o fim de ficar melhor mas com o fim de no futuro realizar outra troca e, finalmente, ficar melhor.

Fig. 2 - Um homem ciumento é mais feliz casado com uma mulher feia e gorda


Vejamos uma especulação no mercado de petróleo.
Eu vou ao mercado e compro 100 barris de petróleo Brent do Mar do Norte para entrega em 15 Março 2014 por 10000€.
Mas eu não quero o petróleo para nada. O meu fito é, algures entre hoje e o dia de entrega, conseguir vender os 100 barris por mais de 10000€.
Se eu não conseguir vender a minha posição antes do dia 15 de Março então, terei perda total do meu investimento porque não tenho forma de ir buscar o petróleo ao Mar do Norte.

Teorema da eficiência de mercado.
Havendo um mercado em concorrência, a cotação de todos os activos trocados torna-os  equivalentes. Quer isto dizer que, em abstracto, considerando pessoas iguais, não há qualquer ganho nem prejuízo em trocar o activo A pelo activo B.
Apenas existe ganho quando os agentes económicos são diferentes, por exemplo, apesar de serem  dois irmão gémeos e com o mesmo emprego, um tem contracto de trabalho efectivo e o outro não.
Tal e qual como no caso do cromos. Por questão de sorte e azar, os cromos que nós tínhamos repetidos eram diferentes dos cromos que os nossos amigos tinham repetidos.

Swaps de moedas Libras <-> Euros.
Vamos imaginar duas fábricas de calçado totalmente idênticas, A e B, mas em que a empresa A tem clientes ingleses (em Libras) e compra peles na França (em Euros) enquanto que a empresa B tem clientes em França (em Euros) e compra peles na Inglaterra (em Libras).
Vamos supor que se a cotação se mantiver igual à de hoje, a empresa A tem um lucro de 1000€, igual ao da empresa B mas se houver uma desvalorização da Libra, a empresa A terá um prejuízo de 1000€ (e vai à falência) e a empresa B terá um lucro de 3000€ e vice-versa.
No sentido de diminuir o risco, a empresa A pode trocar as receitas em libras pelas receitas em Euros da empresa B de forma a que, qualquer que seja a cotação, ambas tenham sempre um lucro de 1000€ (nenhuma vai à falência).

Esta troca parece-me boa.
Parece e é boa porque mantém o lucro esperado (em termos médios) e reduz o risco (o desvio padrão do lucro). Se antes a situação oscilava entre muito lucro e ir à falência, com a troca, o lucro será sempre razoavelmente positivo.
Este contracto reduz o risco a zero.


Fig. 3 - Um swap de preto por branco ou branco por preto pode ser bom para todas as partes.

Cuidado com as aparências.
O gestor que fez esta troca é competente mas vamos supor que, decorridos uns meses, a Libra valorizou. Agora, a empresa A e a B vão continuar a ter um lucro de 1000€ mas agora surgem vozes na empresa A contra o negócio. Só agora, depois de se saber que a Libra valorizou, é fácil prever que a Libra valorizou.

- Era por demais evidente que a Libra ia valorizar.
 -Se o dr. não tivesse feito a troca, estávamos com um lucro de 3000€. Estás despedido porque o seu swap causou-nos perdas potenciais de 2000€.

Se o avaliador do mérito da operação for ignorante, mesmo um contracto de swap bem feito (porque reduz drasticamente o risco da empresa), tem 50% de probabilidade de vir a ser considerado ruinoso.
Um gestor que lide com um avaliador tosco, não pode fazer contractos deste tipo.
A pertinência do contracto de swap não pode ser julgada a posteriori mas apenas em referencia ao momento em que foi feito, com a informação disponível no momento em que foi assinado.

Vejamos um seguro automóvel.
Imaginemos um amigo nosso que arranjou um emprego a ganhar 2000€/mês e comprou imediatamente um carro de 100mil€ por 120 mensalidade de 1000€/mês (TAEG de 3.735%). Naturalmente que, se tiver um acidente ou um assalto, não poderá comprar outro carro pelo que o aconselhamos a fazer um seguro contra todos os riscos que lhe custou 2500€. Decorrido um ano e não tendo acontecido nada, ele vem dizer que teve um prejuízo de 2500€ por culpa nossa. Que nós o enganamos, que somos um vigaristas que devemos ter recebido parte do dinheiro.
Mas não foi nada disso.
O seguro foi bom porque cobriu o risco de perda do carro (por roubo ou acidente culposo).
A questão é que esse risco é pequeno e por isso é que o prémio só custou 2500€. A seguradora compensa um caso em que o carro é roubado (e pelo qual paga 97500€)  pelos 39 casos que não são roubados (dos quais recebem 97500€).
Se fosse certo que o carro ia ser roubado, o prémio teria que ser de 100mil€ porque a seguradora não é a Santa Casa da Misericordia.


Fig. 4 - O carro do sr. bispo de Bragança enchei-se de amores pelo carro vermelho.

Por isso é que não podemos dar conselhos financeiros.
Dissemos que fizesse o seguro e, como não aconteceu nada, fomos os culpados pelo prejuízo dos 2500€.
Se tivéssemos dito para não fazer seguro e o carro tivesse sido roubado, éramos os culpados por agora não haver reposição da situação.
É-se preso por ter cão e por não ter.
Quando alguém sem literacia financeira nos faz uma pergunta com a alegação de que "és grande conhecedor destas coisas" têm sempre que responder, "eu também não percebo nada disso, quem gere as minhas contas é a mulher."

Swaps de taxa de juro Variável <-> Fixa.
Quando fazemos um contrato para comprar um imóvel a 50 anos, é muito difícil antecipar qual vai ser a taxa de juro de mercado daqui a tantos anos.
Como o banco se financia em contractos de curto-prazo (depósitos), tem que fazer um contracto que traduza as condições de financiamento que vai encontrar no futuro.
Então, nenhuma instituição de crédito faz um empréstimo de longo prazo com uma taxa de juro fixa.
A taxa de juro do contracto pode ser a EURIBOR mais uma margem real, spread, por exemplo, 3 pontos percentuais. Quer isto dizer que, daqui a 20 anos, se a EURIBOR for de 1%/ano, a taxa de juro será 4%/ano enquanto que se a EURIBOR for de 10%/ano, a taxa de juro será 13%/ano.

Mas o devedor quer prestação fixa.
A taxa de juro variável implica uma prestação variável que tem risco para o devedor pois pode, algures no futuro, não ter rendimento suficiente para a pagar.
Se interessar ao devedor ter uma prestação fixa, tem que trocar a sua taxa de juro variável por uma taxa fixa.
Imaginemos o Metro do Porto que deve 2300M€ se financiava a 50 anos à taxa variável EURIBOR a 3 meses + 2 pp. Como o aumento da alteração da taxa de juro em 1 ponto percentual implica um aumento dos custos financeiros de 23milhões€/ano, o gestor trocou a taxa variável por uma taxa fixa a 20 anos. Para isso, no dia 27/11/2012 foi ao mercado de swap e fez a troca à taxa de juro de 4.370%/ano.
Agora, nos próximos 20 anos, o Metro irá pagar 100.51M€ por ano de juros (para uma facturação de 53M€/ano!).
Apesar de nos próximos 20 anos não haver risco de a prestação subir, o problema é que, entretanto, a taxa de juro desceu. No dia 31/01/2013 a taxa de juro já estava nos 3.840%/ano. Então, a Metro vai pagar nos próximos anos 100.51M€/ano quando, se fizesse o contracto passados 2 meses, já só pagaria 88.32M€/ano. Reportando a diferença de 12.19M€ ao presente, nestes 2 meses o contracto tem perdas implícitas de 168.038M€ (valores descontados à taxa actual).


Fig. 5 - Cotação de swaps taxa Euribor 3 meses para  Taxa Fixa a n anos

Será que o gestor que fez a troca foi incompetente?
Na óptica da empresa, não houve qualquer erro. Se a empresa queria diminuir o risco, o melhor a fazer foi passar a taxa de juro de variável a fixa.
Mas em termos de gestor houve um erro porque já antecipava que o avaliador (politico) é incompetente em termos financeiros. Assim, o gestor assumiu o risco de ser considerado um mau gestor (a taxa fixa descer) com nenhum ganho no caso da taxa de juro subir.
No caso da Maria Luís, dizem que o swap deu lucro à REFER, mas ninguém lhe quer dar o mérito.
Dizem que foi a sorte.
E se calhar foi mesmo.

Vamos agora à actualidade politica.
É discutível se as empresas públicas devem minimizar o risco das taxas de juro. Mas vamos supor que existe um consenso de que as empresas públicas devem ser geridas como as empresas privadas pelo que devem reduzir o risco financeiro. Então, trocar taxas de juro variável por taxas de juro fixas não tem mal nenhum.

Diminuir o risco não tem mal nenhum.
Não há nada de negativo em realizar swaps que diminuem o risco da empresa, tenha sido feitos a mando do Sócrates, do Seguro, do Cavaco, do Passos ou do Gasparzinho, foram todos bem feitos. Mesmo que agora pudessem ser feitos de forma mais vantajosa, o agora não é o então.
Também se eu soubesse o que sei hoje, no euromilhões eu tinha apostado noutros números e estava rico. Os números estavam mesmo lá a olhar para mim mas ninguém pode seriamente dizer que eu não os seleccionei por ser burro ou desonesto.
Eu sabia que metia lá 2€ e que poderia não receber nada.

E os contractos especulativos?
Neste tipo de contractos, o risco da empresa aumenta com a antecipação de que o valor médio da taxa de juro que será paga vai ser menor.
Por exemplo, o lucro normal de uma empresa segue uma distribuição normal com 1000€ de valor médio e 500€ de desvio padrão. Depois de feita a troca, o lucro passa a ter 1100€ de valor médio mas o risco aumenta para 1000€ de valor médio.
Existem estratégias em que devemos assumir mais risco. Por exemplo, alguém que tem cancro e que, se não fizer nada, morre no prazo de 2 anos deve arriscar ser operado. Pode morrer na operação (90%) mas também pode acontecer durar mais 30 anos (10%).
Num jogo de futebol, quando a equipa fica a perder, passa a assumir uma estratégia com maior risco (maior risco de sofrer o segundo golo mas também maior probabilidade de empatar). Perdido por um, perdido por mil.
Apenas podemos dizer que os contractos especulativos são negativos se o ganho médio de assumir o risco for pequeno. Mas em abstracto, não se pode dizer que são todos maus.

E a alegada mentira da Maria Luiz?
Alguém dizer "as empresas públicas fizeram swaps" é a mesma coisa que dizer que empresas têm financiamento taxa fixa ou a taxa variável. Que se saiba, na pasta de transição nada é dito sobre o tipo de contractos.
O relevante é transmitir, para cada empresa, o total de encargos (o valor actual dos pagamentos previstos no futuro) e o risco desses encargos (o desvio padrão do VA). Agora o mix dos encargos, não é relevante.
Quando avalia~mos uma empresa é assim que se faz.
Por exemplo, olhamos para a Metro do Porto e dizemos que o VA de continuar a actividade nos próximos 30 anos, descontado à taxa de 4%/ano, é de -7000M€ com um desvio padrão de 3000M€. Se a empresa for liquidada, o valor de liquidação é de 2500M€ com um desvio padrão de 1000M€.

Detalhar a situação da mais pequena das empresas pública.
Obriga a um trabalho muito aprofundado de levantamento dos encargos actuais e dos encargos futuros (se a empresa é para continuar).
Por exemplo, o Efromovich avaliou a TAP em 20M€ e vieram grandes economista a terreiro dizer que valia muito mais. O certo é que até hoje ainda ninguém ofereceu sequer os 20M€. Este exemplo demonstra como é difícil avaliar os encargos de uma empresa ainda mais quando a gestão teve por objectivo esconder divida do reporte ao défice público.

Vamos agora à conversa.
Por fonte insegura, soube que a conversa de transição entre secretários de Estado foi a seguinte:

- Há problemas nas empresas públicas (diz o anterior).
- Isso já toda a gente sabe mas isso é um problema do ministério da economia (diz a Luís).
- Não é isso Luís, é que também tem impacto na divida pública.
- Mas isso já está tudo reportado, ou não? Há por aí algum gato escondido?
- Não sei bem mas falaram aí numas operações esquisitas de que eu nem sei bem o nome. Penso que é spots.
- Mas spots são anúncios publicitários. Gastou-se assim tanto em publicidade?
- Então não são spots são spoilers.
- Spoilers. aquelas faixas que tem nos carros kitados?
- Não, é outra coisa qualquer. É swings.
- Aquilo de andar a trocar as mulheres? O que é que isso tem a ver com as empresas públicas?
- Já não sei o que é pá. Eu vou ver ao certo e depois  mando-te um e-mail.

Será que a situação tem concerto?
Não. Uma vez feito o contracto, o mais que se pode fazer é outra troca que o anule de agora para o futuro. O prejuízo do passado já está feito.
Para que o contracto pudesse ser revertido, teria que ser um contracto de Opção de Troca.
Eu pagaria para ter a opção de, algures no futuro, fazer ou não, a troca.
Mas o contracto não foi desse tipo pelo que não pode ser anulado.

Agora, é como o processo de Al Capone.
A Al Capone era, alegadamente, um mafioso que cometeu, alegadamente, muitos assassínios e roubos.
Mas nada disso foi possível de provar.
O problema é que, como não foi provado que o homem cometeu crimes então, os rendimentos dele, alegadamente foram obtidos em actividades legais pelo que tinha que os declarar ao fisco.
Como não meteu esses rendimentos na declaração do IRS, apanhou umas centenas de anos de prisão por fuga ao fisco.
A Maria Luís está a ser vítima do mesmo tipo de processo.
Não conseguem provar que a senhora tenha feito nada de irregular. então, atacam na dizendo que mentiu sobre uma conversa qualquer na qual a senhora poderia até estar distraída.
Até pode acontecer como as minhas reuniões de trabalho com os meus colegas. Eles falam, falam, falam, falam, mas no fim eu não me lembro de nada.

Vou acabar com o Rui Rio que deveria estar de férias, calado.
O Salazar quando ficou velho e caquéctico arranjar um sucessor, o que é próprio dos tirano. Desde o Staline, ao Franco, todos fizeram um testamento político no qual indicavam quem os iria sucessor.
O problema é que nas democracias isso não existe, é o povo que decide.
O poder vem do eleitorado que é livre de escolher quem achar melhor. Não é o Rio nem a Ferreira Leite que decidem o que é bom ou mau mas o povo é que sabe, por maioria, o que que.
A obra deita no Porto nos últimos 12 anos não pertence ao Rui Rio pois ele foi apenas um funcionário do povo. Não tem legitimidade para dizer que A, B ou C vai destruir a sua obra pois a obra não é sua. A obra é do povo que, com os seus impostos, pagou o que foi feito.
O Rui Rio recebeu um mandato do povo e UM ORDENADO AO FIM DO MÊS para trabalhar segundo a vontade do povo.

Ele tinha maquinado mandar o Passos ao charco.
Era o fito desta crise politica. Repetir o golpe que mandou o Durão Barroso ao chão e meteu lá o Santana Lopes (com o Portas).
Agora seria Rio com Portas mas o Passos vê mais com um olho que o Rio com os dois.
O seu candidato a Gaia (que é o oficial do PSD) estar atrás do candidato do Filipe Menezes (que é independente).
O seu candidato ao Porto (que é independente) estar atrás do  Filipe Menezes (que é o oficial do PSD).
O F.C.Porto estar cada vez mais forte.
São derrotas a mais num tosco que apenas se alimenta do ódio, ao Pinto da Costa e a tudo o que mexe.
Eu nem gosto do Menezes mas fiquei mais próximo dele.


Fig. 6 - Custa digerir tanta derrota mas tomar omeprazol ajuda e é barato (uma caixa de 56 cápsulas da basi só custa 2.63€)

 
Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O défice parece descontrolado mas não é bem assim

Já sabemos há uns tempos que o défice está um pouco descontrolado.
Eu sempre desconfiei que o orçamento de estado para 2012 tinha previsões muito optimistas para a receita fiscal e essas visões exageradas não se concretizaram.
Como as previsões, principalmente do IVA, estavam exageradas, agora não se concretizaram pelo que o défice que em 2012 vai ficar (sem medidas adicionais) entre os 5.5% do PIB e 5.7% do PIB (uma derrapagem entre 1600M€ e 2000M€).

Se virmos a realidade pelos olhos do governo, 
o desvio não é sua culpa porque é uma herança do "desvio colossal" de 2700M€ que aconteceu nos primeiros meses de 2011 (ainda com o Sócrates) que se traduziu num incumprimento das metas acordados que foi escondido com os fundos de pensões da banca.
Assim, quem for optimista, vê nos números que as coisas estão a correr melhor que o previsto pois não só se vai consolidar o valor acordado com a Troika para 2011 (2885M€) como ainda se vão recuperar 700M€ do desvio de 2011.
Uma vez acontecendo um desvio (por exemplo, um aumento das reformas), irá perdurar para todo o sempre pelo que o controlo de qualquer desvio é uma missão que obriga a muito esforço ao longo de vários anos.

Quem for esquerdista dirá que tudo é um fracasso.
Nem que o desvio fosse de apenas 1€, os esquerdistas anunciariam o fracasso total.
Como nunca seria possível o Governo acertar exactamente no número, se houvesse um desvio de 1€ para abaixo seria "ir além da Troika" e se ficasse acima 1€, era a prova do fracasso das políticas de austeridade neo-liberal do Passos Coelho.

Se não metermos gasolina no carro, ele vai parar. Mas se metermos gasolina, gastamos o nosso dinheirinho e o carro, mais cedo ou mais tarde, vai parar na mesma. Então, meter gasolina é uma perda de dinheiro. 

Quem leva uma vida saudável fazendo actividade física regular e seguindo uma alimentação regrada vai morrer tal e qual as outras pessoas. Então, não vale a pena fazer o sacrifício de ter uma vida saudável.

Para sermos correctos, a recuperação está um bocadinho descarrilada.
Pois, para atingir o défice de 3% do PIB em 2014 seria necessário reduzir o desvio colossal de 2011 a metade. Se assim fosse feito, em 2011 o défice ficaria na ordem dos 5.3% do PIB o que ainda tornaria possível  atingir um défice de 3% do PIB em 2013.
Mas, para isso, é preciso tapar até ao fim do ano parte do desvio com uma receita adicional de 1000M€.

Os agentes económicos entendem que o governo se está a esforçar.
O Passos pode não estar a fazer as coisas como deveriam ser feitas mas tem mostrado alguma convicção no que faz.
Esta convicção está a ser testada no caso da "Concessão da RTP" em que, vitima de um ataque por toda a parte, ainda não recuou.
Desta forma, as perspectivas de longo prazo parecem estar a melhorar o que se traduz na estabilização da taxa de juro de longo prazo em redor do nível existente na tomada de posse do actual governo (ver, fig. 1).
Uma taxa de "juro sem risco" (é assim que se denomina a taxa de juro do soberano) na ordem dos 10%/ano é muito elevada mas está na ordem de grandeza de outras economias por esse mundo fora (por exemplo, o Brasil, a Argentina e a Venezuela).
Ainda estamos muito longe de sermos considerada uma economia europeia de baixo risco (os 4%/ano que tínhamos em 2009) mas já se deram uns passos, pequenos, para descer abaixo da barreira psicológica dos 7%/ano indicada pelo Teixeira dos Santos como o limite da sustentabilidade da nossa economia, local onde têm vivido a Itália e a Espanha.

Fig. 1 - Evolução das taxas de juro na Crise das Dívidas Soberanas (dados: Bloomberg)

Antes de entrarmos no Euro, Portugal, Espanha e Itália estavam na faixa dos spreads de 4%/ano a 6%/ano e parece que estamos a convergir outra vez para essa faixa.
O Gaspar acredita que a convergência vai continuar atingindo em meados de 2013 os 5%/ano.

Fig. 2 - Evolução das taxas de juro 10Y na Crise das Dívidas Soberasna relativamente às bonds alemãs
(dados: ECB, grafismo do autor)

O problema é o desemprego.
Se a taxa de juro tem evoluído favoravelmente, dentro do pensamento do Gaspar e um bocado melhor que eu antecipava, já o desemprego tem evoluído muito desviado do optimismo do Gaspar e muito mais próximo dos números catastróficos que avancei em Fevereiro sobre o desemprego.
Eu previ que o desemprego iria atingir 19% no fim da legislatura (2015) e tudo encaminha para que esse valor venha a ser ultrapassado (ver, Fig. 3)


Fig. 3 - Evolução da taxa de desemprego (dados: INE) e previsão de evolução (minha)

O desemprego é muito mais grave que a RTP.
Depois de a administração da RTP (onde o presidente recebe +17000€/mês e os vogais 15000€/mês) avançar com informação falsa (de que a RTP tinha dado lucro em 2011 e iria dar lucro em 2012) que o JN desmontou completamente, não sobrava mais que se demitir.
Parece que o serviço público é mesmo este: mentir à força toda e combater alguém, no caso o governo, usando meios do povo.
Mas o que a RTP tem de diferente relativamente à SIC ou TVI para derreter centenas de milhões de euros?
Eu vou fazer uma proposta para que a RTP me seja concessionada.
Quando aquilo estiver sobre meu mando, aí haverá o tal serviço público que ninguém sabe o que é.

Fig. 4 - Dado o seu cu'rico, está contratada como minha secretária da direcção.
Aviso que a secretariação envolve irmos regularmente ao arquivo da RTP.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O buraco dos transportes públicos, públicos

As empresas públicas de transportes públicos não são geridas de forma racional.
E todo o problema começa em serem cobrados preços menores que os custos reais de produção dos transportes. Este "subsídio" obriga a haver uma densidade de rede superior ao que seria socialmente óptimo.
Por exemplo, os autarcas exigem a linha de caminho de ferro do Tua porque o preço das viagens é menos de 1% do do custo que se eleva a várias centenas de euros por passageiro transportado.
Sem se experimentar um preço igual ao custo, nunca se pode saber qual o valor social da existência da linha de transportes.

Fig. 1 - Se não se fizer nada, a enxurrada leva os transportes públicos.

A estrutura de custos das empresas públicas de transportes
Uma empresa de transportes tem, por um lado, os custos financeiros que resultam dos investimentos e prejuízos que aconteceram no passado, e os custos de operação que resultam do funcionamento da empresa no dia a dia (electricidade, combustíveis, seguros, manutenção e trabalhadores).
Neste momento, as empresas públicas de transportes têm uma dívida de 17MM€ (mil milhões de euros) que empola a dívida pública em 10% do PIB. Esta dívida implica custos financeiros na ordem dos 1700M€ por ano (amortização em 20 anos e taxa de juro de 7.5%/ano), 1% do PIB.


Parece que 1% do PIB não é grande coisa mas se compararmos com as importações líquidas de petróleo mais os bens alimentares (que, em termos líquidos, são 6MM€, 3.5% do PIB), vemos que estamos a falar de valores muito importantes.

Como pensa o governo resolver o problema desta dívida?
A ideia é separar os custos financeiros dos custos operacionais.
Parte 1 - Aumentar os preços dos transportes até estarem cobertos os custos operacionais.
Quando se aumentam os preços, diminui a procura. Numa conferência que fui, um autor estimou em -0.25 a elasticidade preço/quantidade dos transportes.
Primeiro aumento - 1 Agosto.
Como o preço aumentou 15%, a procura vai diminuir 4% e a receita vai aumentar 10%.
A diminuição da procura vai permitir identificar as linhas que estão em excesso. Fecham-se as linhas mais penalizadoras das contas reduzindo-se os custos operacionais, previsionalmente, mais que 5%.
Segundo aumento - 1 Janeiro.
Recalculam-se os custos e receitas operacionais e fazem-se novos aumentos, +15%?, o que reduz mais uma vez a procura e fecham-se mais umas linhas.
Este processo vai continua até os custos operacionais estarem cobertos pelos preços.

Parte 2 - Passar as dívidas para um fundo (veículo financeiro estruturado).
Actualmente o Estado transfere para as empresas públicas de transportes cerca de 1000M€ por ano.
Como grande parte das dívidas das empresas públicas de transportes estão garantidas pelo Estado, a ideia é fazer um produto estruturado, os tais que deram problemas, com os 17MM€ da dívida e emitir obrigações sobre este veículo.
O Estado garante o pagamento de 1000M€ por ano mas ainda ficam a faltar 700M€ por ano que vai ser difícil resolver. Terá que ser uma mistura de
H 1. Partilhar com as autarquias.
H 2. Portajar alguma coisa, por exemplo, a entrada nas cidades ou as ICs à volta das cidades.
H 3. Meter uma taxa consignada nos combustíveis.

Mas as pessoas vão passar a andar de automóvel.
Há a ideia que andar de automóvel é mau para o país. Que gasta gasolina que é importada.
Isto é falso.
Os transportes públicos também gastam combustível importados e, por mais estranho que pareça, gastam mais que os automóveis porque andam, a maior parte do tempo, vazios.
Mas os transportes públicos parecem andar lotados.
Isto é um erro de análise denominado "enviesamento do observador cliente"
Como a necessidade de transporte das as pessoas acontece ao mesmo tempo, o cliente fica com a sensação que há muitas pessoas. Como, naturalmente, viajam mais pessoas quando os transportes estão lotados, a percepção fica enviesada.
A análise tem que ser feita por um observador parado e que mede a taxa de ocupação regularmente durante todas as horas do dia.
Aí, veríamos que os os transportes públicos, em média, andam vazios.
Depois, há o custo do investimento que paga juros pagos ao exterior e que é muito menor no caso dos automóveis que no caso dos transportes públicos.
Somando as parcelas, os transportes públicos implicam uma maior saída de dinheiro para o estrangeiro que o automóvel.
O automóvel ainda paga ao Estado e autarquias impostos (IVA e ISP), taxas várias, estacionamento e portagens.
Somando tudo, é melhor para o país as pessoas deslocarem-se de automóvel.

As pessoas têm que andar mais a pé.
Há a ideia que o transporte público tem que parar à porta de cada casa. Isto está errado.
Uma pessoa entre os 12 e os 65 anos, pode caminhar 1km em 10 minutos. Passando os transportes públicos nas zonas mais densas, as linhas devem estar afastadas 3 km entre si. Numa cidade com um diâmetro de 15 km, só há justificação para 5 linhas de transportes públicos com paragens afastadas 2 km entre si.
Actualmente, Lisboa (Carris-175) e Porto (STCP - 110) têm  300 linhas com paragens com um espaçamento menor que 500m.

Fig. 2 - Antes de eu tirar a cueca, vai dar uma voltinha a pé até ao Multibanco.

Os transportes terão que ser uma mistura transporte individual / transporte público.
Nas zonas de grande densidade (centros de cidades) e grande tráfego (ligação entre cidades), justifica-se a existência de transportes públicos pesados que, sendo muito caros, precisam de muitos passageiros para serem socialmente rentáveis. Estes eixos pesados terão que ser ligados por transportes públicos ligeiros e meios individuais. Assim, as linhas que existem, muitas delas desenhadas antes de 1950, precisam de ser completamente refeitas apostando em
Transportes públicos
Comboio - Eixo Porto Lisboa e alguns transportes sub-urbanos de Lisboa e Porto
Metro - Linhas existentes em Lisboa e Porto e mais nada
Autocarro urbano: linhas complementares e de ligação ao Metro e Comboio
Autocarro sub-urbano: linhas complementares e de ligação a zonas de baixa densidade. Ligações com e entre centros urbanos.
Táxis - cobertura de zonas com baixa densidade de população
Transportes individual
- Ligação a paragens de autocarro, metro e comboio até 3 km.
Bicicleta - Ligações até 5 km e viagens de jovens até 10 km. Uso em cidade e em zonas menos densas.
Automóvel particular - Transporte pendular casa/emprego em zonas pouco densas e ligações aos transportes públicos pesados.
É preciso dar prioridade aos ciclistas e peões e tratar como tentativa de homicidio o desrespeito dos automobilistas para com a vida dos ciclistas e dos peões.
A óptica do Código da Estrada não deve estar no veículo ter motor e dar mais de 40km/h mas no risco de vida do individuo no caso de haver um choque. É tal o desrespeito para com os ciclistas que, na Volta a França, os jornalistas atropelam os ciclistas. É bater no ceguinho.

Fig. 3 - A solução está na mistura.

Conclusão.
A subida dos transportes em 15%, 30% ou 50% custa muito mas vai melhorar a vida dos portugueses.
De facto, o custo tem que ser pago pelos portugueses, e a política de preços baixos apenas serviu para ter uma rede de transportes exagerada e socialmente mal desenhadas.
Vamos a ver se este governo faz alguma coisa de jeito.
Arrancou bem mas é preciso fazer muito mais.
É preciso uma task force só para os transportes públicos.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 2 de julho de 2011

Quanto irá o Estado Português PAGAR pelas privatizações?

A generalidade das pessoas pensa que o Estado vai receber dinheiro pela privatização das empresas públicas. Infelizmente, o Estado vai receber dezenas de milhares de milhões de euros negativos para se ver livre dessas empresas. Vejamos porquê.

Fig.1 - O Jardel não está falido. Contabilista disse que Jardel tem milhões em riqueza negativa.
Qual é o valor de uma empresa?

1. O valor contabilístico:
A contabilidade patrimonial regista todos os activos (dinheiro em caixa, máquinas, edifícios, stocks, dívidas de clientes, etc.) e todos os passivos (dívidas a bancos, a fornecedores, etc.). Subtraindo-se aos activos os passivos, temos o Valor Contabilístico, VC, da empresa.
Quando o VC é negativo, diz-se que a empresa está tecnicamente falida. A generalidade das empresas públicas está nesta situação.
O VC serve de pouco porque os gestores têm tendência a empolá-lo. Como os prémios dos gestores estão dependentes do VC e é difícil controlar a classificação das saídas de dinheiro, há uma pressão para classificar como activos (capital e existência) coisas que são custos. O caso mais famoso foi a ENRON mas está sempre a acontecer.
Por isso é que há as agências de rating e as auditoras.
Quando se descobre uma sobre-valorização dos activos, faz-se uma correcção: são as imparidades.
Fig.2 - Está registado no Benfica como um activo de 10milhões€: uma forte imparidade.
2. O valor económico:
O valor económico tem duas possibilidades: o valor de liquidação da empresa e o valor de continuar a actividade.
2.1. O valor de liquidação:
Se pegarmos em todos os activos da empresa (máquinas, edifícios, stocks, carros, etc.) e o vendermos, parte para a sucata, parte em segunda mão, parte para outras empresas ou particulares, e somarmos todo o dinheiro recuperável dos nosso devedores, obtemos o Activo da Empresa.
A empresa liquidando-se tem um passivo de liquidação pois tem que pagar todas as dívidas e encargos que tem mais as indemnizações aos trabalhadores.
Subtraindo o passivo de liquidação  do activo de liquidação, obtemos o Valor de Liquidação, VL, da Empresa.
2.1. O valor de continuação da actividade:
Num determinado ano, uma empresa tem como custos os produtos intermédios e matérias primas que gasta mais os salários, as rendas e os juros do capital pedido emprestado. Depois, obtém receitas da venda da sua produção no mercado.
Obtemos o lucro de um ano, LA, subtraindo os custos totais de um ano à facturação desse ano.
Como a empresa vai durar "para sempre", é preciso somar o lucro (descontado) para todos os anos fazendo de conta que os resultados se capitalizam como num deposito bancário à taxa de juro de mercado, TJ.
Valor de Continuação da Actividade,VCA, vem dada por
     VCA  = LA * (1+ TJ)^-1 + LA * (1+ TJ)^-2+ LA * (1+ TJ)^-3 + ...
     VCA  = LA / TJ
Por exemplo, uma empresa que dê um lucro médio de 100mil€/ano, para uma taxa de juro de mercado de 5%/ano, valerá 2milhões€. Sem acontecer nada nos fundamentais da empresa, se taxa de juro de mercado subir para 10%/ano, a empresa desvaloriza para 1mihão€.
Uma empresa bem gerida apenas existe enquanto o valor de continuar a actividade for maior que o valor de liquidação. Quando o VCA ficar menor que o VL, o gestor deve liquidar a empresa.
Então, o valor económico da empresa é dado pelo máximo entre o VL e o VCA
Valor Económico da Empresa = Máximo (VL, VCA)

Fig. 3 - Só podes escolhe uma: a Maria Continuação ou a Joana Liquidação.

No caso das empresas públicas, por o Estado ser fraco, não consegue liquidar as empresas.

Vejamos, apenas, qual o Valor de Continuar a Actividade da RTP.
Em 2010, a RTP teve um prejuízo de 234 Milhões de euros. Em termos contabilísticos, esta verba foi classificado como "compensações pelo serviço público" mas é uma treta para esconder o prejuízo. Cerca de metade deste valor foi paga pelo orçamento e a outra metade foi paga pelos consumidores de electricidade.
A manter-se a RTP como está, terá este prejuízo anualmente, LA com valor negativo. Para uma taxa de juro de 6%/anos, o valor de continuação da actividade da RTP é negativo e igual a
     VC = -234 / 6% =  -3900Milhões de euros
Portugal tem que pagar 3900milhões de euros para se ver livre da RTP
Fig. 3 - RTP: Uma onda que vai imundar Portugal

Todas as empresas públicas portuguesas estão tecnicamente falidas, o valor de liquidação é negativo e o valor de continuar em actividade é altamente negativo.
O Estado não tem dinheiro para privatizar as empresas públicas, nem os governantes têm coragem para as liquidar. Então, vai ficar tudo na mesma.
Vão privatizar o bocado da REN, da EDP e ficamos por aí.

A resolução à bruta: o Empowerment.
Este modelo de resolução dos problemas das empresas públicas é normalmente aplicado em países que precisam de uma forte reestruturação do tecido produtivo. Foi aplicado nos anos 1990 em todos os países que deixaram a economia planificada da URSS e de África. Também foi aplicado na África do Sul na saída do Apartheid.

Primeiro. O Coelho define um nível de encargo aceitável a ter com a empresa pública a privatizar (que pode ser zero). Por exemplo, define uma transferência de 60Milhões€ por ano para a RTP a pagar por quem consome electricidade. Assim, consegue reduzir em 75% o encargo existente.
Segundo. O Coelho arranja uma pessoa qualquer falida, eu, e entrega-me 75% da RTP, com o seus 1000milhões€ de passivo e o pouco activo que tem, por 75mil€. Os 60Milhões€/ano cobrem este passivo.
Terceiro. Firmamos um contrato de serviço público: Eu obrigo-me a uma série de regras de programação previstas num contrato e vou receber o salário mínimo e, por cada dia que a RTP continue em actividade, mais 1000€ de prémio.

Fig. 4 - O buraco é tão grande que já não pode ser resolvido a bem

E isto dá resultado?
Dá todo o resultado porque os credores e funcionários têm menor poder de pressão contra mim que contra o Estado.
Eu estou a lutar pelos meus 75mil€ mais os 1000€ por dia de prémio enquanto que os governantes não estão a lutar por nada. É uma ligação muito remota entre os objectivos dos governantes e o desempenho da empresa.
Se eu falir, não tenho por onde pagar. Então, os credores e funcionários vão ter que negociar não podendo ser tão agressivos como são contra o Estado porque
Temos todos que nos desenrascar com os 60Milhões/ano.

Será que eu vou ficar rico?
Se eu for muito competente, fico milionário, senão, trabalho por tuta e meia, perco 75mil€ e fico conhecido com o fulano que deu cabo da RTP, uma empresa exemplar.
O Estado fica sempre a ganhar poupando milhares de milhões de euros e os governantes não ficam com o ónus de terem liquidado uma empresa extraordinária.
Tenho a certeza que conseguia levar a missão a bom porto.

Fig. 4 - Eu sou capaz, eu vou safar a RTitanicP.

A privatização do petróleo russo criou vários bilionários mas foi a única forma que a Rússia de Boris Yeltzin encontrou para continuar a exportar, no meio do caos, petróleo.
Esta será a única forma de privatizar as empresas públicas portuguesas. Uma encerrarão (como a Setenave de que já ninguém fala)  e outras transformar-se-ão em casos de sucesso.

Fig. 5 - Vou cortar o telefone para evitar o risco de me enfiarem a RTP.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O primeiro embate: Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Cada empregado dos ENVC dá um prejuízo a Portugal de 6944€ por mês.
Os ENVC anunciaram o despedimento de 53% dos seus 720 empregados. Digo empregados porque lá não se faz nada.
Cada mês, os ENVC precisam de uma transferência do Estado de 5 Milhões de Euros. A dividir pelos 720 empregados, dá uma transferência de 6944€ por mês e por cada empregado.
O que está lá esta gente a coçar?
É fechar já os ENVC, mandar toda esses empregados para casa. Fica muito mais barato pagar-lhes o Subsídio de Desemprego e eles em casa sem estragar mais nada.
Fig. 1 - Sinal de aproximação aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

O Governo não pode recuar.
Esta é a primeira prova de força do Governo. Se facilitar, não segura mais a situação.
Pode-se dar já por vencido.
Tem que manter o tal preocupado administrador em serviço e despedir sem dó nem piedade aqueles que fizeram o ataque às instalações.
Fig. 2 - Ainda não somos uma república das bananas.


A Câmara Municipal é contra os despedimentos.

Não é só por o executivo de Viana do Castelo ser do PS, habituado ao regabofe. É mais porque é fácil fazer política autárquica de rua com o orçamento dos outros. Sendo o Estado, figura abstracta e difusa, a pagar, não custa nada.
A solução é passar o activo e passivo (onde se incluem os empregados) da ENVC para a propriedade do Município de Viana do Castelo e a Câmara ficar a geri-los como bem entender. Dando lucro, vai para a Câmara, dando prejuízo, desenrasque-se domo puder, cobre aos seus munícipes taxas e impostos.
Não vamos ver o Sr. Presidente em mais nenhuma manifestação.
Fig. 3 - O fim do regabofe.

Pedro Cosme Costa Vieira

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