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segunda-feira, 8 de junho de 2015

A inovação tecnológia e o nível de vida

A ameaça dos robots. 
Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades (Camões) e, nas últimas décadas, a mudança tem passado pelo aparecimento de "robots" cada vez mais sofisticados.
O problema da mudança é que as pessoas são parecidas com os animais que, em jovens, procuram novos territórios mas que, em velhos, querem manter o seu reinozinho. Assim, quando somos jovens somos irreverentes, apontamos novas soluções, queremos quebrar o estado das coisas, abraçamos a mudança e a inovação mas, quando chegamos a mais velhos, tornamo-nos conservadores, queremos que o mundo se mantanha como o imaginamos há décadas atrás.
Como quem nos governa é velho, a mudança é muito dificl de acontecer.
É por isso que o padre da minha terra perdia metade do tempo da missa a anunciar o Apocalipse, que os robots iriam destruir os postos de trabalho do povinho.

O que será um robot?
No nosso imaginário vemos o robot como um humanoide dotado de capacidades sobre-humanas mas o conceito aplica-se não só a aparelhos mecânicos como virtuais.
Um "programa de computador" que percorre sites da Internet à procura de umas férias (viagem de avião + alojamento) ao menor preço também é um robot.
Um "vírus informático" que se propaga de computador em computador e que, quando "vê" uma oportunidade, ataca o sistema de um banco para tentar fazer transacções financeiras fraudulentas também é um robot.
O robot não passa de uma máquina-ferramenta. Há 10 mil anos a máquina-ferramenta que revolucionou o mundo foi o arado, desde os anos 1970 são as máquinas  "computadorizados", e nos últimos anos, são os programas de busca.

Fig. 1 - Todos nós imaginamos que um dia teremos um robot destes para nos arrumar a cozinha.

Haverá algo mais importante nas nossas vidas que os nossos robots?
Quais? Mas temos algum robot a trabalhar para nós?
Sim.
O robot que lava a nossa roupa durante a noite (e o outro que lava a louça).
O robot que optimiza a quantidade de gasolina a injectar no motor do nosso carro (e que diminui o consumo de combustível em 30%).
O robot que observa a velocidade das rodas do nosso carro não permitindo que resvalem na travagem (o ABS).
E os muitos mais pequenos robots que nos cercam e sem os quais já não poderíamos viver. Estou a pensar naquele pequeno robot que vive nos telemóveis e que se lembram dos aniversários dos contactos (eu não tenho telemóvel!).

Como era Portugal em 1960?
Nesse tempo não havia robots e a nossa agricultura era toda feita à custa da força dos humanos e dos animais.
Se perguntarem a uma pessoa com 70 anos o que pensa da década de 1960 vão ouvir que "nesse tempo havia respeito" mas não havia muito mais coisas.
Nesse tempo uma enormidade de pessoas trabalhava na agricultura mas, mesmo assim, as pessoas passavam fome. 
Na  minha terra, que não era das mais pobres de Portugal, um lavradorzeco matava um porco por ano o que correspondia a meio quilograma de carne por dia para sustentar uma casa que nunca tinha menos de 6 pessoas.
Bem sei que era "carne da verdadeira" mas era muito pouca.
Pelos meus cálculos, em 1960 o rendimento  (a preços de hoje) do trabalho de um agricultorzeco da minha terra andava nos 100€/mês, de um "jornaleiro" homem nos 75€/mês e mulher nos 50€/mês.

Fig. 2 - Emprego na agricultura em Portugal (%, dados: Rocha, 1984 e Banco Mundial)

Nos anos 1960 começaram a aparecer as máquinas agrícolas.
Em 1960, 44% das pessoas trabalhavam no sector primário (42% agricultura, 1,3% pescas e 0,6% minas), 27% na industria e outras tantas nos serviços (Rocha, 1984, quadro 8). 
No entretanto, foram sendo introduzidas máquinas na agricultura até que hoje apenas 10% das pessoas trabalham na agricultura.
Em cada 4 empregos da agricultura, apenas 1 durou até aos dias de hoje o que traduz que as máquinas agrícolas destruíram uma enormidade de emprego. Imaginando que hoje se mantinha a mesma estrutura produtiva de 1960, a introdução da maquinaria destruiu 1,3 milhões de postos de trabalho, 2 mil postos de trabalho todos os meses dos últimos 55 anos.

O que será que aconteceu a esses trabalhadores agrícolas?
Será que estão no desemprego?
Não.
De repente, os filhos dos agricultores começaram a arranjar empregos nas fábricas com salários muito superior ao rendimento que os pais retiravam da agricultura. Aos 14 anos começavam como aprendizes a ganhar 50€/mês e, quando ao vinte e poucos anos chegavam a "artistas", poderiam já ter um ordenado de 250€/mês a 300€/mês, o triplo que conseguiam os seus pais na agricultura.  
Então, os 1,3 milhões de trabalhadores potenciais ao poderem mudar de actividades menos produtivas para actividades mais produtivas, forma o motor do nosso desenvolvimento económico.

O crescimento da economia não vem de as empresas produzirem mais.
O comum dos mortais pensa que o objectivo das empresas é conseguirem produzir mais com os mesmos trabalhadores mas não é isso que acontece por causa da saturação do mercado.
Sendo certo que produzir mais com os mesmos recursos traduziria um aumento da eficiência da empresa, não é certo que a fizesse aumentar o lucro por causa da queda dos preços.
Por exemplo, de nada interessaria quadriplicar a produção agrícolas quando as pessoas comem o mesmo.
O que é certo é que a empresa melhorar o seu lucro se produzir o mesmo utilizando menos recursos.
Hoje a nossa agricultura produz sensivelmente o mesmo que produzia em 1960 (4200 milhões € a preços constantes) mas com 1/4 dos trabalhadores. 
Os trabalhadores "libertados" foram para a industria, construção civil e, posteriormente, para os serviços (e.g., o turismo) onde novos bens e serviços com maior valor passaram a ser produzidos.

Na economia agrícola.
Porque temos terrenos fracos, a menos que passássemos bastante fome, na economia agrícola nunca poderíamos ter as contas com o exterior equilibradas. 
Hoje, na economia pós agrícola, já o conseguimos fazer pois, com os excedentes dos serviços que vendemos aos estrangeiros, temos dinheiro suficiente para comprar não só os produtos agrícolas que precisamos como a energia que não produzimos (o petróleo e gás natural).
Porque as pessoas ainda têm a cabeça nos anos 1960, ainda há 4 anos atrás ninguém achava possível que viéssemos a ter contas com o exterior superavitárias como temos actualmente.

Temos que abraçar o progresso sem medo.
As máquinas e ferramentas, os robots, serão cada vez mais sofisticadas o que levará a que mais e mais pessoas sejam libertadas dos seus actuais postos de trabalho.
Claro que podemos ver isso como "destruição" de postos de trabalho mas, se queremos progresso económico, se queremos cada vez viver melhor, esse é o único caminho que existe.
Mas há e continuará a haver muitas barreiras ao progresso.
Agora vou apresentar uma inovação muito simples que permite reduzir os custos dos transportes de mercadorias a metade do preço actual sem necessidade de novas infra-estruturas.

O transporte de mercadorias.
O processo de integração económica da Europa faz com que cada vez mais bens em processo de fabrico andem a circular pelos diversos países.
Como, em média, o transporte de um semi-reboque carregado custa cerca de 1,00€/km, transportar bens entre Berlim e Lisboa (2786 km) custa cerca de 0,12€/kg.

O Tetra-Truck.
É esta a minha proposta de inovação.
Na Europa os veículos estão limitados a 18,75m de comprimento e obrigados a fazerem inversão de marcha numa rotunda com 12,5m de diâmetro. No entanto não existe nenhuma razão técnica ou económica para a existência destas limitações.
É assim apenas porque há muitos anos que o é assim.
Então, poderiam muito bem circular nas auto-estradas europeias camiões com 4 semi-reboques.

Fig. 3 - Visão lateral do Tetra-Truck

O Tetra-Truck reduziria o custo do transporte de mercadorias para metade.
Será metade porque o condutor é o mesmo, o camião, apesar de precisar ter muito mais potência (1000 Hp em comparação com os  normais 350Hp) será pouco mais caro e o consumo de combustível aumentará apenas para o dobro porque, num TIR normal, a frente do camião é responsável por 90% das perdas por atrito com o ar.
Em termos de congestionamento da infra-estrutura rodoviária, uma pista de auto-estrada consegue fazer passar 600 "cargas" /hora e, com tetra-trucks, essa capacidade duplicaria para as 1200 "cargas" /hora. 

As vias teriam que ser classificadas.
Como nas curvas os atrelados "cortam caminho", o Tetra-Truck só poderá circular em estradas largas e com curvas de grande raio. Mas isso resolve-se facilmente com a classificação das estradas em função do tamanho máximo que aguentam. Por exemplo, as estradas serão classificadas desde o E10 (capazes de suportar veículos até 10m) até ao E70 (capazes de suportar veículos até 70m).
Também, em função das subidas, as estradas teriam que ser classificada em termos de relação peso potência do camião (para que o camião circulasse pelo menos a 50km/h). Por exemplo, uma via com troços com 6% de inclinação imporia um limite máximo de 75kg/Hp que traduziria que o Tetra-Truck de 1000 Hp poderia circular com u8m peso bruto até 75 ton.

Fig.4  - Nesta via poderiam circular Tetra-Trucks de 1000 Hp com um peso bruto de 100 ton.

Haveria parques de grupagem.
Vamos supor uma empresa que vai transportar bens de uma multiplicidade de clientes nas vizinhanças de Guimarães (132 euro-palletes) para uma multiplicidade de clientes nas vizinhanças de Frankfurt am Main.
Primeiro, camiões pequenos e forgonetas transportariam as euro-palletes para um parque de estacionamento onde seriam agrupadas num Tetra-Truck.
Depois, o Tetra-Truck fazia a viagem de 2100 km de Guimarães até Frankfurt am Main.
Chegado a Frankfurt, a distribuição das euro-palettes seria feito em camiões pequenos ou furgonetas.
Até poderia acontecer o tetra-camião deixar um semi-reboque algures pelo caminho para ser atrelado a outro tetra-truck com destino a Roma.
Também o parque de grupagem poderia ser algures na cidade da Maia.
Até poderia haver empresas especializadas a fazer transportes de semi-reboques entre parques de estacionamento localizados pela europa fora.

Os Tetra-Trucks seriam bons para todos.
Diminuem o custo do transporte para metade o que fará com que bens com que os processos de fabrico pudessem ser mais partilhados em termos europeus o que melhoraria a eficiencia.
Também bens com menor valor intrínseco (por exemplo, batatas) poderiam passar a ser transportados.
Poderia haver 2 motoristas o que reduziria o tempo das viagens a metade.
As auto-estradas diminuiriam o congestionamento e aumentariam a sua rentabilidade (o valor das portagens cobradas).
Diminuiria a emissão de CO2 por tonelada transportada.

Será que alguma vezes iremos ver Tetra-Trucks nas estreadas europeias?
Penso que não.
O espaço político é formado por muitos Louçãs e companhia que dizem mal de tudo e de todos os que apresentam propostas para o aumento da eficiência das sociedades.
Dizem que isso são "os mercados" é o "grande capital" e que só interessa a quem "procura o lucro fácil" e à "especulação financeira".
Vão esses esquerdistas desmiolados atacar logo com o chavão da "destruição dos postos de trabalho", das "micro empresas" e que "temos é que investir no transporte ferroviário públicos" onde os maquinistas possam fazer greves que causem verdadeiro prejuízo à empresa (i.e., a todos nós pois se a empresa é pública ...).
Camiões não é coisa que interesse, é pequeno de mais para mentes tão inteligentes.

Por falar no Louçã, tem estado muito calado.
Os refugiados de África continuam a chegar à cadência de milhares por semana e os Franceses, os Alemães, os Espanhóis, os Italianos, um após outro, dizem que não os querem receber.
=> A minha petição <= tem pouco mais de 20 subscritores, o que acho muito estranho num país onde ninguém é racista (excepto eu).
O que será que o Louça pensa disto?
Oh pá, qual é a tua solução além de atacar o grande capital?

Fig. 5 - Se não se lhe põe a mão às boias, vai morrer afogada.

Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Porque não monoparentais e multiparentais?

Hoje fiz uma petição à Assembleia da República.
Eu penso que no sociedade onde as crianças concebidos fora do casamento são cada vez em maior percentagem, há divórcio, é permitido o aborto e existem casamentos entre pessoas do mesmo sexo, já é hora de abrir as práticas médicas associadas à reprodução À generalidade das pessoas e não apenas aos casais de sexos diferentes que sejam provadamente inferteis. 
Se concordarem, por favor, assinem.
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT73311

Petição à Assembleia da República para a introdução de alterações à
Lei n.º 32/2006 de 26 de Julho da Procriação Medicamente Assistida
Enviada no dia 21 de Abril de 2014
  
Ex.mo Sr.a Presidente da Assembleia da República,
Quando foi aprovada a Lei n.º 32/2006 de 26 de Julho relativamente ao uso de técnicas de Procriação Medicamente Assistida – PMA, Portugal era uma sociedade muito mais conservadora e fechada do que actualmente o é. Prova disso é que, entretanto, o aborto foi liberalizado até às 12 semanas de gestação (Lei nº 16/2007 de 17 de Abril) e passou a ser possível o casamento entre pessoas do mesmo sexo (Lei n.º 9/2010 de 31 de Maio).
Além do mais, desde 2006 o número de nados vivos em Portugal decresceu 30%, estando já significativamente abaixo do limiar de substituição da população.
Assim sendo, está na hora de democratizar e expurgar a Lei n.º 32/2006 de 26 de Julho dos preconceito negativos que existiam em 2006 relativamente às técnicas de PMA e que se traduzem i) na limitação da sua aplicação a apenas casais inférteis, ii) no secretismo associado à doação de gâmetas e iii) na proteção dada na Lei n.º 32/2006 aos pré-embriões que vai além da proteção dada pela Lei nº 16/2007 aos embriões resultantes da forma de procriação considerada natural.
Com todos estes motivos em mente, venho pedir à Assembleia da República que promova a alteração legislativa da Lei n.º 32/2006 de 26 de Julho da Procriação Medicamente Assistida nos seguintes termos:

Artigo 4.º – Condições de admissibilidade
1 – Revogado
2 – Revogado

Artigo 6.º – Beneficiários
1 – Revogado e substituido por – São benefíciários das técnicas de PMA os pais genéticos, a mãe uterina, os país adoptivos e, de forma superveniente, as crianças que vierem a nascer.
2 – Revogado e substituido por – Podem ser benefíciários das técnicas de PMA todas as pessoas a quem a lei não proíba de tentar ter filhos da forma considerada natural.

Artigo .... – Contrato Familiar
1 – O grupo familiar da criança que vier a nascer é composto pelos pais genéticos e, no caso de existirem, pela mãe uterina e pelos pais adoptivos.
2 – Crianças com os mesmo pais genéticos podem ter grupos familiares diferentes.
3 – Todos os membros do grupo familiar têm que se vincular ao Contracto Familiar que tem que:
    a) Ter a forma escrita;
    b) Ter data anterior à implantação do pré-embrião;
    c) Explicitar quem serão, para os efeitos legais, os pais das crianças que vierem a nascer (mínimo de um e máximo de dois).
    d) Explicitar se os membros do grupo familiar que não os pais legais têm a obrigação de prestar alimentos às crianças que vierem a nascer (por defeito, não). Quem prestar alimentos tem direito de, no futuro, exigir alimentos às crianças.
    e) Explicitar se os membros do grupo familiar que não os pais legais têm direitos ou obrigações hereditários relativamente às crianças que vierem a nascer (por defeito, não).
4 – Os membros do grupo familiar que não venham a ser os pais legais terão pelo menos direitos e deveres semelhantes aos dos avós.

Artigo 8.º - Maternidade de substituição
2 – Alterado – Entende-se por «maternidade de substituição» qualquer situação em que a mulher se disponha a suportar uma gravidez por conta de outrem e a entregar a criança após o parto fora do previsto no Contrato Familiar.
3 – Alterado – Se à data do nascimento da criança não existir Contrato Familiar ou se o mesmo for omisso neste ponto, a mulher que suportar uma gravidez de substituição de outrem é havida, para todos os efeitos legais, como a mãe da criança que nascer.

Artigo 10.º - Doação de espermatozóides, ovócitos e embriões
Revogado

Artigo 15.º - Confidencialidade
2 – revogado e substituido por – As crianças que vierem a nascer em resultado da aplicação de técnicas de PMA têm o direito a tomar conhecimento dos termos do Contrato Familiar.
3 – Revodado
4 – Revogado

CAPÍTULO III - Inseminação artificial
Revogados os Artigos 19.º a 23.º

CAPÍTULO IV Fertilização in vitro
Revogados os Artigos 24.º a 29.º

Artigo 35.º - Beneficiários
Revogado

Artigo 44.º - Contra-ordenações
1 - a) Revogado
1 - c) Revogado

Artigo 47.º - Outras técnicas de PMA

Revogado 

Vamos fazer uns filhinhos ...

sexta-feira, 28 de março de 2014

O mundo que há-de vir

A conhecimento ciêntífico é muito importante. 
No passado, o conhecimento era opinativo pelo que havia necessidade de usar a força para fazer valer os pontos de vista. Era o tempo da religião, da filosofia, da moral e da estética.
Demonstrativo do problema da opinião enquanto conhecimento é já todos termos dito "é boa como o milho" para logo outros nos terem contrariado com "não é nada de especial".
Com o aparecimento do positivismo, passou a haver uma procedimento para dirimir os diferentes pontos de vista.


O que será o positivismo.
É aceitar como verdadeiro apenas aquilo de que exista uma prova (positiva).
O argumento religioso de que "tem que haver outra vida depois da morte porque, caso contrário, a nossa vida não faria sentido" não é uma prova positiva porque parte de uma afirmação negativa "caso contrário, a nossa vida não faria sentido". Mas de onde se retira que a vida tem que fazer sentido não podendo ser apenas um conjunto de reacções químicas? Se aceitamos que a vida das moscas não faz sentido, porque é que a dos peixes, das pombas, dos ratos, dos cães, dos macacos ou a nossa precisa de fazer sentido? 


Fig.1 - Se vivo, logo, a minha vida faz sentido mesmo que eu não saiba qual é. No entretanto, vou comendo, bebendo e fazendo mais mosquinhas sem pensar mais nisso.


"Deus existe pois, caso contrário, quem teria criado o Universo?". Ora aí está mais uma prova negativa, "caso contrário, quem teria criado o Universo?", não sei. Também não sei o nome das pessoas que morreram em Hiroshima e, no entanto, morreram (ouvi eu falar). 
O positivismo obriga a que as opiniões em conflito esgrimam as suas provas, sejam elas dados retirados da realidade, experiências controladas ou deduções matemáticas, até que todas as diferenças fiquem anuladas e as pessoas fiquem amigas e de acordo.


Está-nos no sangue impor a opinião pela força.
O exemplo acabado é aquela lengalenga que o Sócrates destila na RTP com a Cristina Esteves que, por ser muito boa pessoa, nunca teve a coragem de o confrontou com a verdadeira verdade. O bicho até teve o descaramento de dizer que, no dia do jogo Portugal-Coreia do Norte, estava na escola quando nesse dia 23 de Julho de 1966 já não havia escola há muito e, para mais, o jogo começou às 15h de um Sábado.
As conversas do bicho fazem-me lembrar o Salazar depois do AVC que ainda fazia de conta que despachava os assuntos do governo.
Já com o José Rodrigues dos Santos, a coisa piou muito mais fino porque houve confronto de ideias e apresentação de factos.
O bicho teve que reconhecer que "não vim preparado para isto". Pois não, mesmo puxando para a frente e para trás a cassete do PEC4, o bicho chegou à conclusão de que o que afirmava não fazia sentido ao ponto de ter chegado ao fim em sintonia com o Passos Coelho "também eu fiz austeridade mas da boa".
Mas, como já vimos, "boa" é apenas uma opinião estética.
Quando não conseguimos argumentar só sobra a gritaria, o insulto e a via-de-facto.

Fig. 2 - Eu é que tenho razão, sua porca!

Na Economia também há muito disso.
A Economia é uma ciência e, portanto, o comentário opinativo tem que morrer quando em presença de factos contrários.
Eu ando a massacrar há anos que a austeridade não tem efeitos recessivos e que, em período de crise, a descida dos salários diminui o desemprego, aumenta as exportações e induz crescimento económico.
Mas há prémios Nobel que dizem o contrário, como o Krugman e o Stiglitz, mas estes homens estão completamente ultrapassados pelos dados. Eles forma bons mas há muitos anos, com o Figo, mas agora estão ultrapassados.
A nossa recessão de 2011-2013 deve-se ao ajustamento das nossas contas com o exterior (a balança corrente) que aconteceu pelo esgotar do endividamento externo e não às politicas de austeridade do Passos Coelho.
O que dizem os comentadores, Ferreira Leite, Bagão Felix, etc., etc.,  que afirmavam há uns meses que haveria recessão em 2014 por causa do reforço da austeridade quando se observa um crescimento cada vez mais robusto?
Continuam a dizer o mesmo.

O que diz a Economia?
Não só os modelos teóricos como os dados empíricos mostram que os países com contas equilibradas têm bom desempenho económico e que o "crescimento keynesiano" defendido pelos esquerdistas é uma balela.
O "crescimento keynesiano" resulta de o Estado tentar estimular a economia com mais despesa pública e menos impostos de que resulta um défice das contas públicas (e externo). 
Peguemos nos dados passados e vê-se que essa lengalenga não leva a lado nenhum.
A austeridade foi implementada pelo Cavaco Silva (1985-1995) e a lengalenga foi implementado entre 1995 (Guterres) e 2011(Sócrates), com 2 anos de intervalo do Durão Barroso. 
Enquanto que o Cavaco (1985-1995) conseguiu um crescimento no PIB per capita de 3,7%/ano sem endividamento externo, os esquerdistas (1995-2011) conseguiram apenas 1/3 deste crescimento (1,3%/ano) e com um endividamento de 9% do PIB (125€/mês por cada pessoa).
Mas, mesmo olhando para estes números, cabeça burra não muda de cassete.

Fig. 3 - Os países têm que ser como eu: para me manter boa, tenho que manter um equilíbrio entre as calorias que entram e as que saiem.

Mas, na nossa vida, ainda há lugar para a filosofia.
Porque temos curiosidade sobre tudo e sobre muitas dessas coisas a ciência nada pode dizer. 
Uma dessas coisas é o Futuro e as opções morais (o bem, o mal e o aceitável) que temos que fazer para chegar a esse Futuro .
Será moral a clonagem humana para fazer indivíduos brainless que possam fornecer órgãos ao individuo original?
Será moral introduzir um gene terminator nos embriões humanos de forma a que as pessoas morram impreterivamente aos 80 anos de froma a não se tornarem um fardo para a sociedade?
Será moral seleccionar os embriões humanos de forma a desenvolver certas caraterísticas físicas, por exemplo, a inteligência?


O Marcos Azevedo chamou-me à atenção para o Admirável  Mundo Novo 
Um livro de futurologia de Aldous Huxley que foi publicado em 1932.
Em termos globais, o livro é pessimista relativamente ao progresso. 
O autor está preso no paradigma do trabalho escravo para o qual basta o trabalhador ter força bruta. 
Desta forma, imagina uma economia tem por base a industria da procriação que produz pessoas deliberadamente burras, escuras e atarracadas que são os meios de produção e uma minoria de pessoas inteligentes, loiras e de elevada estatura que governam o mundo e vivem dependentes da produção dos atarracados. 
Huxley também está preso à ideia de que a sociedade apenas é estável se for piramidal em que poucos mandam e muitos obedecem cegamente. Desta forma, antecipa que uma sociedade de iguais, todos inteligentes, será uma sociedade caótica.
Em 1932 vivia-se o nascimento da ditadura social-socialista de Hitler que defendia um mundo onde os arianos (inteligentes, altos e loiros) dominavam um mundo povoado de povos atrasados (burros, escuros e atarracados). Assim, Huxley também é uma critica a esta sociedade "perfeita". 
Huxley não antecipou o progresso das máquinas (os robôs) e a consequente sofisticação do processo produtivo que aconteceu desde então e que precisa de pessoas cada vez mais capacitadas e criativas. 
Mas um livro de futurologia não é para prever o Futuro mas apenas serve para nos questionarmos sobre as escolhas morais relativamente à técnica.

Será moral retirar às mulher o amor de mãe e às pessoas o amor de filho?
No livro as mulheres não têm filhos porque é quase proibido. Digo quase porque a ditadura acontece pela educação, lavam ao cérebro, e não pela força. Não há um aparelho policial repressivo porque o sistema de condicionamento das vontades é perfeito (quase).
O autor acha que o amor de mãe é algo de verdadeiramente maravilhoso pelo que o fim da sua existência é uma perda irreparável.
Mas o autor não previu o que está a acontecer: é que actualmente, mesmo ser proibido, as mulheres não querem ter filhos (e os homens ainda não os podem ter). 

Será moral pensar os seres humanos como meios de produção?
Se as mulheres não têm filhos, a reprodução é necessária para fazer a economia funcionar. Existe fecundação in vitro e cada embrião é dividido dezenas de vezes para produzir, numa "linha de montagem", dezenas de pessoas idênticas, burras, escuras e atarracadas que são usadas no processo produtivo. 
Há a ideia que estas pessoas são felizes (por causa do condicionamento) e apenas são considerados crises de felicidade nas pessoas inteligentes. O óptimo é ser burro pois ser inteligente é um fardo por causa dos dilemas morais. 
No nosso mundo, quando se fala da falta de filhos, considera-se ser um problema do Estado Social, de como vai ser possível a Segurança Social pagar as nossas reformas. 
Então, também estamos a pensar nos vindouros como meios de produção ao nosso serviço, ao serviço de quem está actualmente vivo. 

Fig. 4 - Como pode a família Duncan levar os 17 filhos à escola?

Será que o Não-existente gostaria de se tornar Existente?
Se não fossem os nossos pais nós não existíamos nem nunca viríamos a existir. A Bíblia tem uma referencia ao que nunca existiu e compara o homem que não aproveita a vida  com o que nunca existiu (Ecles 6:3). O autor bíblico considera que existir é melhor que não existir.
Claro que os nossos país tinham um objectivo para nós independente da nossa vontade (que não existia). No caso dos meus país era um fé inabalável de que tinham que fazer cristãozinhos para poderem entrar nos reinos dos céus. 
Será que alguém pensa transformar um Não-existente num Existente sem antecipar qualquer utilidade ao Existente que não seja o direito que tem o Não-existente em passar a existir? 

Se se eu transformar um Não-existente num Existente e depois o matar?
Será que o Não-existente, mesmo tendo existido apenas por breves instantes, fica mais feliz que se tivesse sido sempre Não-existente?
Daqui vem a dúvida moral sobre o aborto, o suicídio assistido, a eutanásia e a pena de morte. 

Será que devemos ter por base moral o Não-existente ou o Existente?
O Não-existente transforma-se em Existente e, no futuro, tornara-se de novo Não-existente pela morte.
No nosso julgamento dos pais, se são bons ou maus, devemos ter como base que, se não fosse a sua vontade, os filhos ter-se-iam mantido Não-existentes ou sem depois de já serem Existentes, poderiam ter sido melhor tratados?
Pensemos uns pais que têm uma doença qualquer genética e que têm 20 filhos dos quais escolhem os 4 que são saudáveis matando os restantes 16 filhos que são doentes.
Pensemos noutros pais com a mesma doença que, por causa do risco, não têm filhos.

Quais destes pais fizeram a escolha moral mais correcta?
Os primeiros transformam 20 Não-existentes em 20 Existentes, escolhem 4 e transformam os outros 16 novamente em Não-existentes. 
Os segundos não transformam nenhum Não-existente.
Eu considero que os primeiros pais fizeram a escolha moral mais correcta porque permitiram que alguns Não-existentes se tornassem Existentes. 

Fig. 5 - Esta é para ficar.

Fig. 6 - Quanto a esta, tenho pena porque até é simpática, mas é para derreter. 
.
Como vamos resolver a nossa crise demográfica?
Termos que fazer escolhas morais e nessas escolhas teremos comparar o nada fazer com o fazer algo que, actualmente, pensamos ser imoral.
Temos que relaxar tudo o que de moral existe sobre a reprodução, destruir todos os preconceitos, o que não vai ser fácil. 
Temos que comparar o nada fazer e que vai levar ao rápido minguar da nossa população com o fazer coisas verdadeiramente chocantes.

E o grupo dos 70 caloteiros?
Pior que o  Huxley que errou passados 80 anos nas previsões, os 70 caloteiros no próprio dia em que anunciaram que Portugal não poderia pagar a sua dívida a menos que a taxa de juro fosse 3%/ano, já a taxa de juro estava a baixo dos 2%/ano. 
É impressionante como as taxas de juro da dívida pública têm estado a cair, a atingir mínimos históricos impensáveis ainda no dia da mensagem de ano novo do Cavaco.
Esta queda deve-se a mensagem de ano novo do Cavaco e de as sondagens mostrarem que o PSD+CDS está, lentamente mas de forma firme, a subir e o PS a cair. 
Afinal nós somos um povo inteligente e não somos um bando de mentecaptos caloteiros. 
E com o défice de 0,5% do PIB que está previsto no Pacto Orçamental, em 30 anitos conseguiremos colocar a divida pública de volta aos 60%.
Lá para 2045 as pensões e os salários podem ser repostas ao nível de 2010. 
Não é assim tanto tempo. 

Fig. 7 - Nunca as taxas de juro estiveram tão baixas (a 3 anos já estão abaixo de 1,6%/ano).

Podem ver o ficheiro huxley-aldous-1932-Admiravel-mundo-novo.pdf.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 12 de março de 2014

A promoção da natalidade precisa de medidas radicais.

Em 2013 a natalidade foi uma miséria.
Para uma população ser estável é preciso que, em média, cada mulher tenha uma filha que se traduz em 2,07 filhos porque nascem ligeiramente mais rapazes que raparigas (diz o INE que nos últimas 5 décadas nasceram 1,07 rapazes por cada rapariga). 
Noutra face da mesma moeda, para termos uma população de 10 milhões de habitantes, é preciso haver 125 mil nascimentos por ano (10000 / 81 * 2,1).
Estas variáveis são duas faces da mesma moeda mas estão desfasadas porque quem morre agora nasceu há 80 anos atrás.
Nascendo tão poucas crianças, Portugal está condenado ao apagamento demográfico. 

Porque será que não nascem crianças?
Pura e simplesmente porque as pessoas não querem ter filhos.
Se pensarmos na motivação que levou os nosso avós a ter os nossos pais:
   => fazer cristãozinhos
   => trabalhar nos campos da família
   => garantir o sustento na velhice e
   => ter segurança contra os assaltantes,
nada disso existe agora.
A única motivação que actualmente ainda existe é ter um brinquedinho, tal qual como ter um cão ou um gato mas mais inteligente e também mais caro.
Nos anos 1980 era bonitinho ter um casalinho, nos anos 2000 a moda é o brinquedinho único e em 2020 a moda será o babyless porque, além da despesa e inutilidade dos filhos, a gravidez estraga a barriguinha e inflama as coxas.

Fig. 1 - Podes pensar que és boa mas eu quero-te ver depois de teres 12 filhos.

Mais desenvolvimento implica menos filhos.
Contrariamente ao que os esquerdistas dizem, é nos países e nas famílias mais pobres (e menos escolarizados) que o número de filhos é maior. Por isso, não é a actual crise que faz a natalidade descer mas antes pelo contrário.
Em Portugal a tendência de redução do número de filhas por mulher já vem desde 1960 (não tenho dados para antes) e está, desde 1990, estável nas 0,65 filhas por mulher quando deveria estar próxima de 1,00.
Desde 1980 que a decisão quanto ao número de filhos não é suficiente para a renovação da população portuguesa pelo que observar-se a partir de 2010 mais mortos que nascimentos é apenas uma consequência disso.
Se a tendência continuar nas 0.65 filhas por mulher, nos próximos 30 anos Portugal vai perder em média 100 mil pessoas por ano. 

Fig. 2 - Evolução no número de filhas por mulher (Portugal, dados: Banco Mundial e INE)

Fig. 3 - Evolução no número de nados-vivos (Portugal, dados: Banco Mundial e INE)

Comparando o Mundo de 1960-64 com o de 2007-2011 
A queda da natalidade observa-se em todo Mundo.
Pegando nos dados referentes a todos os países, ponderando pela população, vemos que:
   => Um aumento de 6% de rendimento causa uma redução de 1% no número de filhas por mulher. 
   => Cada ano que passa, há uma redução de 1,1% no número de filhas por mulher. 
Como não é um fenómeno de agora nem local, não vai passar quando a Troika se for embora ou o Seguro formar governo.

Fig. 4 - Evolução no número de filhas por mulher no Mundo (dados: Banco Mundial). A castanho são os dados de 1960-64 e a azul os dados de 2007-11. A estimação é pelo MMQ ponderado pela população dos países.

Se 2013 foi mau, 2014 será pior, 2015 será péssimo e 2016 será ainda pior que péssimo.
Cada ano que aí vem, a natalidade irá reduzir ainda mais porque o número de mulheres férteis vai diminuindo e o número de filhos por mulher vai descer ainda mais.

Mas não faltam pessoas no mundo.
Em vez de nos preocuparmos com a natalidade, podemos deixar entrar aqueles africanos que se afogam no mediterrânio e se arranham no arame farpado que cerca Ceuta (que é nossa mas que desde 1640 está ocupada pelos Espanhóis) a tentar entrar na Europa.
Por exemplo, Hong Kong deixa entrar cada dia 150 chineses da mainland (55 mil por ano) para repor uma população de 7 milhões. Dentro de 30 anos (uma geração) metade da população de HK será nascida na China e dentro de 60 anos, 75% mas não é problemático porque os chineses que entram em Hong Kong são muito parecido em termos culturais e genético com os de HK.

Mas nós seremos diferentes.
Em termos proporcionais com HK, para mantermos os 10 milhões de habitantes teremos que aceitar 80 mil africanos por ano.
Mas assim, daqui a 60 anos a população portuguesa será maioritariamente constituída por africanos que são um bocadinho diferentes do português típico actual.
Claro que cada um de nós não tem nada contra os africanos em termos individuais mas a questão a que temos que responder é se aceitamos que, daqui a duas gerações, os portugueses sejam diferentes do que somos hoje em termos de língua, cultura, religião, aspecto físico e mesmo História.
Ficarmos como os Tártaros da Crimeia que, há uns 60 anos eram maioritários no seu país tendo cultura, história e lingua próprias e hoje são apenas 12% e têm que falar russo.
Se não aceitarmos essas alterações, temos que aumentar a natalidade em 50%, das 0,65 meninas por mulher para 1,00 (e de 83 mil* crianças para 125 mil por ano).
* Na altura em que escrevi o poste não tinha o número exacto. Em 2013 nasceram 78779 crianças.

Fig. 5 - Deixa lá o Ronaldo que só treina e anda cá que é preciso fazermos criancinhas pelo menos parecidas com as portuguesas.

Como se pode aumentar a natalidade?
Não é fácil porque é uma tendência associada ao desenvolvimento. Como já mostrei, quanto mais ricas e escolarizadas,  menos filhos têm as pessoas.
Desta forma, dar incentivos financeiros é uma pura perda de tempo e de dinheiro. E o "trabalho a tempo parcial" também não funciona porque os filhos não servem para nada e, nas sociedades desenvolvidas, o trabalho, em vez de ser um sacrifício, dá realização pessoal.
Então, não fica nenhum instrumento de política que possa ser usado para aumentar a natalidade.
Não há nada que possa ser feito.

O Passos anunciou um grupo de trabalho para a natalidade.
Mas os homens não vão fazer absolutamente nada.
Vão escrever um "livro branco sobre a natalidade" que vai conter um conjunto de banalidades do tipo:
     => A quebra da natalidade põe em causa a sobrevivência do Estado Social
     => É preciso outra política de natalidade
     => É preciso deixar a austeridade populacional e começar o caminho do crescimento da natalidade
     => É preciso re-estruturar a população
E depois a coisa vai para uma estante e não se vai materializar numa única criancinha. Nem uma para amostra. Se em 2013 nasceram 83 mil crianças, daqui a 10 anos vão nascer 70 mil.
Ainda se eu fosse membro dessa comissãozeca, ainda arranjava umas secretárias boas para fazermos uma experiência piloto.

Fig. 6 - Vamos despachar esta reunião rapidinho que hoje ainda tenho que dar mais duas reuniões.

Quantos filhos terão os membros dessa comissãozeca?
A comissãozeca deveriam ter apenas ciganos e fulanos da Opus Dei, daqueles que têm pelo menos uma dúzia de filhos.

É uma missão colossalmente impossível.
Vamos imaginar que a maioria das mulheres continua a ter filhos normalmente (0,65 raparigas/mulher; 1,35filhos/mulher) e que uma minoria é obrigada a ter mais filhos. Para haver, em média, 2,07 filhos por mulher é preciso que 7% das mulheres portuguesas sejam obrigadas a ter 12 filhos (5,81 filhas/mulher).
Isto implica obrigar 350 mil mulheres a ter 12 filhos o que é uma missão de dimensão descomunal.
Tenho que concluir que nada pode ser feito para que a população portuguesa não seja vitima do apagamento demográfico.

Vou fazer uma proposta desesperada - A industria da procriação
Temos que alterar totalmente a forma como vemos a natalidade.
Temos que rasgar todas as convenções sociais, morais e religiosas que vêem a natalidade como algo divino e passar para uma sociedade que veja a maternidade como uma industria que produz pessoas usando mães e pais como meios de produção.
Em termos tecnológicos a procriação não coloca desafios pelo que, se ultrapassarmos os actuais entraves culturais, o problema pode ser tecnicamente resolvido.

1) Os operários da industria da procriação.
Terão que ser as pessoas de mais baixo rendimento e de menor escolaridade porque já têm uma tendência a ter mais filhos e têm um "custo de produção" mais baixo.
Por exemplo, se uma mulher com potencial para ganha 3600€/mês se aplicar a tempo inteiro a cuidar de 12 filhos, o custo por criança será de 300€/mês enquanto que se o seu potencial for de 600€/mês, o custo será de apenas 50€/mês.

Mas a inteligência é parcialmente hereditária.
Pelo menos em tendência, podemos aceitar que serão as pessoas menos inteligentes que têm menores escolaridade e rendimento.
E também existe alguma evidencia de que a inteligência das pessoas é, parcialmente, genética. Por Exemplo, comparando a inteligência de dois irmão gémeos que foram criados por famílias diferentes, a correlação do QI é na ordem de 75% (Flanagan e Kaufman, 2010). Aplicando esta regra aos pais então, se os pais tiverem uma inteligência média inferior a 100, os seus filhos terão um inteligência média de 90.
A industria da procriação vai substituir um futuro em que somos uma população africanizada por um futuro em que somos uma população desmiolada.

Fig. 7 - Num futuro Portugal desmiolado, voltarei a ser rei e senhor.

2) Os pais genéticos.
Sendo certo que a maioria dos meios de produção terão que ser pessoas com inteligência abaixo da média e sendo preciso que os país genéticos tenham uma inteligência superior à média então, a industria da reprodução terá que ter pais biológicos inteligentes (que fornecem os óvulos e espermatozoides) e pais sociais burros que promovem a gravidez e criam as criançinhas.
Como o ambiente tem influência na inteligência das pessoas, com país biológicos mais inteligentes que a média e pais sociais com inteligência inferior à média resultarão crianças com inteligência média.

Será a "mãe de substituição" moral à luz do cristianismo?
Em nada a mãe de substituição viola a moral cristã.
Segundo a moral da Santa Madre Igreja, um ser humano tem alma desde o momento da concepção. No momento em que o espermatozoide se une ao óvulo cria uma pessoa com identidade única e provida de alma. Por causa desta interpretação que faz da vida humana é que a Igreja considerar o aborto igual a um assassinato.

A recolha dos óvulos =>  Como dos óvulos e espermatozoides ainda não resulta uma criança particular mas apenas em probabilidade, ainda não têm alma. Então, em termos de moral cristã a sua recolha é idêntico a arrancar um dente.

Fecundação => No exacto momento da fecundação, a "criança" adquire a sua particularidade que a Igreja considera suficiente para Deus a investir da alma. Então, passa a ser uma pessoa com um pai e uma mãe  mesmo que a fertilização seja in vitro.
Não poderá haver pecado na criação de uma nova pessoa (em embrião in vitro) desde que à partida nos comprometamos a tentar tudo para que essa pessoa venha a ter uma vida autónoma, isto é, seja implantada.
É como não ser pecado a fornicação desde que tenha por objectivo fazer mais cristãozinhos.

Barriga de substituição => Se a criança nasce com tempo de gestação insuficiente então, tem que ir para os cuidados intensivos neonatais. Isto é totalmente aceite pela Igreja e ninguém vê qualquer problema numa criança que tenha estado uns meses nos cuidados intensivos.
A barriga de substituição é uma forma de cuidados intensivos neonatais apenas diferente na intensidade.
Se é moral uma criança com 28 semanas de gestação ir para cuidados intensivo mecânicos também é moral uma "criança" acabadinha de fazer in vitro ir para o ventre de uma mulher receber cuidados intensivos.

No futuro, os cuidados intensivos neonatais serão fornecidos por uma porca.
Isto talvez venha a ser possível, em que uma porca, talvez transgénica, possa prestar "cuidados intensivos" a um feto desde o momento da concepção até às 36 semanas.
É possível mas difícil porque as barreiras pseudo-morais fazem com que não haja investigação nesta tecnologia.

3) O contracto de procriação
Por um lado temos as famílias de procriação.
Se olharmos para os incentivos actuais (Rendimento Social de Inserção e Abono de Família), hoje uma família pode ter um subsidio na ordem dos 120€/mês.
Penso que um valor de 150€/mês por criança é um valor razoável para uma mãe pobre se sentir motivada a ter filhos. Este preço evoluirá em função da dinâmica do mercado da procriação (oferta  e procura de mulheres para trabalhar na indústria).
O contrato terá as seguintes condições:
    1 => O mulher compromete-se a ter 12 crianças como barriga de substituição.
    2 => A família da mulher compromete-se a criar as crianças como seus filhos.
    3 => O Estado atribui à família uma compensação financeira de 150€/criança.
    4 => O Estado atribui à família uma habitação T8 com 250 m2 na sua zona de residência.
    5 => As famílias terão o apoio de técnicos e de auxiliares de manutenção doméstica.
    6 => Para efeito de futura pensão de velhice, o dinheiro recebido é equiparado a um salário.
    7 => A família tem que permitir o acompanhamento e visita dos país genéticos.

Por outro lado, temos os pais genéticos.
Serão seleccionadas pessoas usando certos critérios (inteligência elevada e ausência de doenças genéticas graves) vinculadas por um contrato:
    1 => Os pais genéticos podem escolher o parceiro da procriação, na medida do possível. 
   2 => Têm a opção de registar os filhos como seus mas com um vínculo legal diminuído (direito de visita mas sem obrigação de alimentação nem herança). 
    3 => As crianças de uma mesma pessoa serão criados pela mesma família de procriação. 

Fig. 8 - Pediram-me e eu, pelo meu país, faço tudo. Já punhetei os meus 12 mourinhinhos.

Quanto custará a industria reprodutiva?
O custo de uma criança até aos 21 anos andará nos 50 mil €. Então, 40 mil crianças por ano implicam um investimento público de 2 mil milhões € por ano o que representa 1,2% do PIB.
É muito dinheiro mas compara com os 6000 milhões € que se gastam no ensino básico e secundário.
Agora só é desenhar uma forma justa de financiar o sistema.

Uma sobretaxa no IRS.
Penso que será o mais justo porque o imposto pago será consignado para a procriação e decresce com o número de filhos de cada contribuinte.
Por exemplo, pode ser uma sobretaxa de 10% sobre o IRS.

     Número de filhos     Sobretaxa
             0                           15%
             1                           10%
             2                             5%  
             3                             0%
          +3                            -5%

Os pais genéticos ficam livres da sobretaxa.

Este desenho consegue arrecadar 1000 milhões € por ano que permitem o funcionamento da indústria reprodutiva nos primeiros 10 anos. Depois será preciso fazer uns cortezitos aqui e ali e transferir umas verbazitas e uma sobretaxa no IVA ou na TSU.
Mas estamos a falar de 1,2% do PIB para evitar o desaparecimento da população portuguesa.

Nada disto vai avançar.
Se há coisas de que tenho a certeza é de que, quanto à natalidade, vai-se falar muito mas nada se vai fazer.
Já em 2007 o Sócrates anunciou apoios à natalidade que não deram em nada.
Ano após ano a natalidade vai cair e todos os anos haverá notícias e serão anunciadas medidas cosméticas de que nada resultará.
Nada, absolutamente nada mas somos mesmo assim.

Fig. 9 - Os meus pais foram escolhidos pela sua inteligência.

E os 70 do re-escalonamento da dívida?
E ainda dizem que os burros estão em extinção.
Nunca vi tanta burridade junta. É a brigada do reumático que não aceita que o seu tempo já passou.

Primeiro não sabem o que é o conceito de re-escalonar.
Re-escalonar é alterar os prazos, taxas de juro e montantes da divida de forma unilateral.
Estender os prazos nas condições de mercado não é reescalonar mas apenas fazer o rolamento da dívida (rollover).

Segundo falam de juros de 3%/ano quando já estão nos 1,8%/ano.
Como já disse repetidamente, a divida pública não é colocada a 10 anos mas numa mistura de prazos que tem uma maturidade média muito mais baixa. Portugal consegue facilmente gerir a sua dívida pública num prazo médio de 3 anos o que se traduz hoje por uma taxa de juro média de 1,80%/ano, muito abaixo do valor máximo que a brigada do reumático diz ser necessário impormos aos nossos credores.
Bem sei que a dívida pública do tempo do Sócrates está nos 4%/ano (altura em que não ouvi estes asnos dizer quee ra insustentável) mas hoje já está abaixo da metade deste valor.

Fig. 10 - Nós e mais 67 asnos defendemos o re-escalonamento da dívida pública portuguesa

Ver o ficheiro Excel com os dados.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Robocop 2014

Hoje vou falar um bocadinho de ficção económica. 
A ideia de um artefacto poder libertar o homem dos trabalhos mais penosos e de menor valor já vem desde a pré-história.
Primeiro, domesticamos animais para carregar cargas, puxar carros e arados, correr atrás da presa e para nossa defesa pessoal.
Depois criamos as máquinas movidas pela força hidráulica, pelo vapor e pelos motores a explosão ou eléctricos.
Nas últimas décadas, criamos máquinas programáveis (os robôs) que têm vindo a substituir a força humana em tarefas que se pensava impossível como, por exemplo, pegar numa chapa de aço e transformá-la na carcaça de um automóvel, quase sem intervenção humana.
Um robô não é mais que uma máquina (mecânica ou virtual) que executa tarefas complexas segundo um programa de computador. Aparentemente, o robô é autónomo mas, na realidade, apenas executa as tarefas previstas pelo programador em função da informação que a máquina vai recolhendo do meio ambiente.

"Os robôs vão acabar com os empregos". 
Os pessimistas vêem nos robôs (e na mão de obra barata da Ásia) uma ameaça ao seu emprego mas, na realidade, é a robotização que tem permitido que, ano após ano, fiquemos a viver melhor. Claro que todos nos queixamos da crise mas, se olharmos por cima das flutuações do dia a dia, é um facto que hoje vivemos muito melhor e trabalhamos muito menos e em ocupações muito mais agradáveis que o fizeram os nossos pais e avós quando eram da nossa idade.
Recordo-me de ser criança e de ver os meus vizinhos  (a ti Aurora e o ti Durbalino, que já lá estão) a trabalhar nos campos. Há 40 anos atrás, trabalhavam ao sol e à chuva num trabalho muito duro e nada aliciante, 12h/dia com apenas metade do Domingo para descansar.
A preços de hoje, os meus vizinhos tinham um rendimento de 1,30€/hora pelo que, trabalhando como agora 40h/sem, teriam um salário de 175€/mês, menos que os 178€/mês que recebem os do RSI - rendimento social de inserção, sem fazer nada.
E os meus vizinhos consideravam-se riquinhos.


"E no meu tempo é que era, trabalhar até cair e passar fome de rachar"
diz a minha mãe que se lembra do funeral do pai do ti Durbalino (o pai era armador) "em que foi preciso correr o lugar para pedir umas meias emprestadas e fazer uns sapatos de cartão que, depois de engraxados, até davam uma vistinha" terminando sempre a dizer que "falam de crise mas hoje os filhos andam em bons carros, têm boas casas e os netos andam a estudar, que eu queria e não pude".
Em 1959 o meu pai comprou um carro do mais fraquinho que havia (um Carocha) por 52000$00, que a preços de hoje, são 22500€. Hoje, por este preço, compra-se uma limusina.

Fig 1 - A linha robotizada de montagem de carcaças de automóvel permitiu a democratização do automóvel.

O importante não é trabalhar mas é produzir riqueza.
Numa sociedade o importante não é haver trabalho para fazer pois disso há sempre e em demasia.
O importante é produzir riqueza, bens e serviços, pois é disso que precisamos para sermos felizes.
Depois da produção, apenas há o problema da distribuição que, ao longo dos últimos séculos,  tem sido resolvido razoavelmente bem.
Na Arábia Saudita ou no Kuwait pouco se produz com o trabalho (a produção sai da Terra) e não me consta que as pessoas de lá se queixem de falta de trabalho.

Mas os robôs não são humanoides.
No imaginário das pessoas, um robô tem que ter pernas, braços, tronco e cabeça mas a realidade não tem nada a ver com esse imaginário.
É aqui que falham totalmente as previsões levadas a filmes como o Robocop.
Os robôs mecânicos reduzem-se a um braço. Por exemplo, a estação orbital internacional tem um robô exterior, o Canadarm2, que é usado para apanhar as naves de re-abastecimento. Tem uma forma comprida com 17,6 m de extensão e apenas 35 cm de diâmetro (ver). O Canadarm2 pode "caminhar" por todo o exterior da estação saltando (ora ancora a "mão", ora ancora o "ombro") entre os pontos que têm uma "tomada" de electricidade, auxiliado pelos seus 4 "olhos".

Fig. 2 - A estação orbital internacional tem um robot exterior, o Canadarm2 (a barra vermelha mostra a relação entre o comprimento e o diâmetro do robô).

Hoje a maioria dos robôs é virtual.
É o multibanco que, mediante a informação que introduzimos, vai à nossa conta bancária retirar o dinheiro e encaminha-o para o destino pretendido.
É o pórtico da SCUT que detecta que passamos lá, vai à nossa conta e retira o dinheiro e ainda envia para os clientes da Via Verde uma carta a avisar.
É a execução das ordens de compra e venda de activos financeiro que damos pela internet.
É carregarmos num botão do comando do nosso televisor e o robô ir a um repositório procurar o telejornal que passou ontem e envia-lo para o nosso televisor.
Mas o mais famoso de todos os robôs é o Google que tem um "aranhão" que envia as filhinha (as "aranhinhas") pelos ligações de internet e, assim que uma "aranhinha" chega a um servidor de páginas de internet, reproduz-se e envia filhinhas por esse mundo fora até o "contaminar" todo. Nós também temos vários robôs deste tipo a "trabalhar" no nosso computador (são as "cookies").
Já alguém imaginou quanto empregos se criariam se a recolha, processamento e pesquisa que os robôs virtuais da Google fazem fosse feita pela mão de humanos?
Nenhum. Pura e simplesmente, esse serviço não existiria pois não cria suficiente riqueza para justificar o uso de trabalho humano. Seria idêntico a obrigar os comboios a ser empurrados por humanos pensando que isso acabaria com o desemprego: pura e simplesmente, deixava de haver comboios.

O polícia do futuro já existe.
Mas não tem o aspecto do robocop nem anda por aí a dar tiros.
São as câmaras de vigilância que observam o movimento das pessoas, são os pórticos das autoestradas que seguem os nossos carros, são as torres de telecomunicações que registam por onde passa o nosso telemóvel, são as finanças que sabem quando pedimos factura.

São os drones voadores.
Que têm uma mobilidade muito maior que qualquer robô humanoide.
Os drones podem estar dormentes no porão de um navio qualquer e, a milhares de kilómetros de distancia, alguém decidindo que precisa de informação, o drone obedece e levante voo a caminho do alvo que pode estar a centenas de kilómetros (sem intervenção humana).  
Uma vez nas proximidades do alvo, avisa o seu "senhor" que assume os comandos recolhendo milhares de fotografias e vídeos de elevada resolução.
Além de não haver exposição do operador ao perigo, um mesmo operador pode controlar/utilizar vários drones ao mesmo tempo, multiplicando assim o poder de observação e de fogo.

Como eu imagino o policiamento do futuro.
Vai-se basear na observação.
Haverá sensores capazes de observar com o mesmo detalhe que um polícia em patrulhamento.
Haverá câmaras, microfones, sensores de telemóveis, leitores de matrículas fixos nos locais onde passam mais pessoas.
Haverá também drones que, em caso de necessidade, se movem rapidamente para locais não coberto e é preciso recolher informação, por exemplo, caiu um avião numa zona remota ou aconteceu uma tragédia climática.
A informação recolhida pelo sistema será prescutada pelos robô informáticos, algoritmos complexos que tentam identificar situações anómalas, por exemplo, num pórtico de autoestrada deixarem de passar carros.

Fig. 3 - Polícias destes vão acabar.

O sistema chama uma pessoa.
Classificada pelos robôs uma situação como anómala, o sistema pede a intervenção humana tocando uma companhia na casa de uma pessoa que pode estar a centenas de kilómetros de distancia.
Alguém que está em casa, mesmo uma velhinha qualquer acamada, ouve a campainha e, querendo entrar ao serviço, carrega no OK. Se a pessoa demorar mais que X segundos a responder, o sistema escolhe outra pessoa.
A pessoa que entra on-line recebe na sua conta bancária um quantitativo em dinheiro. Estes quantitativos são determinados em leilão.

O sistema envia informação para avaliação.
No monitor aparecem imagens, sons e outra informação sobre o local onde se passa a situação identificada como anómala com o detalhe que o robô considere adequado para o agente tomar uma decisão mas mantendo tanto quanto possível a privacidade das pessoas que andam no espaço público.
A pessoa acompanha a situação classificando os movimentos das pessoas como normais ou anormais  (como os likes do facebook) e o sistema vai reavaliando continuamente a situação. O sistema, se achar necessário, pede ajuda a mais agentes, recebendo várias classificações para o comportamento de cada indíviduo.

Fig. 4 - Amor, sei que está a gostar de estar aí em baixo mas, como o alarme está a tocar, vou parar e entrar em vigilância.

O sistema envia informação para o local.
Identificada uma situação potencialmente perigosa, o sistema acciona alarmes de incêndio, aconselha caminhos seguros a sair, chama bombeiros para o local ou forças policiais. Recolhe ainda informação para futuramente obrigar os vândalos a pagar os estragos ou para ser usada na prevenção e combate ao terrorismo ou em julgamentos criminais.

Os robôs também são usados na guerra.
São os drones e os misseis, torpedos e bombas inteligentes.

Fig. 5 - Uma verdadeira bomba inteligente.

Vejamos como um robô ajuda o combatente.
Quando se dispara uma arma, imaginando a linha de laser, a bala vai-se desviar do objectivo porque 1) o alvo move-se, 2) a gravidade puxa a bala para o chão e 3) o vento lateral desvia a trajectória da bala. Então, apesar de uma arma de grande calibre como a Braunning 0.50BMG ser capaz de atingir um alvo a mais de 3000m (tem uma velocidade de saída de 1220m/s = 4300km/h), a capacidade humana não consegue fazer os cálculos necessários para a bala corrigir a tragectoria da bala até ao alvo.
Para uma velocidade média de 600m/s, a bala demora 5 segundos a percorrer 3000m pelo que é preciso compesar uma queda relativamente à linha de laser de 125m e, numa pessoa a pé, descontar os passos dados nesse período de tempo.
Agora imaginemos que existem câmaras que seguem o movimento do alvo e a trajectória da bala. Então, o soldado identifica o alvo a atingir e apenas lhe aponta um laser e carrega no gatilho.
A máquina, usando câmaras de observação e formulas matemáticas calcula a direcção em que a bala deve ser disparada. Agora existe a possibilidade de o robô observar, decorridos apenas 0,5 segundos, que a bala se desviou por causa do vento lateral e, re-introduzindo essa informação no sistema, calcular nova trajectória e disparar nova bala. Então, a arma vai disparar automaticamente uma rajada de balas usada cada uma para "medir" os elementos necessários para calcular a trajectória que permite atingir o alvo.

Fig. 6 - AO fim de 0.5s, o sistema robótico detectando que a bala se desviou da trajectória idealizada, corrige o cálculo e faz novo disparo, automaticamente.

Mas cada vez há mais há intervenção humana.
Nos países onde há pena de morte, decidir que uma pessoa deve morrer é uma decisão complexa e moral muito difícil. Mas na guerra, a decisão de matar está no dedo de quem dispara a arma. Ainda pior são os bombardeamentos ou as minas anti-pessoal que matam sem ninguém julgar e decidir em concreto a pertinência de cada uma das mortes causadas.
Contrariamente ao previsto nos filmes apocalíticos, as mortes apoiadas por sistemas roboticos dependem cada vez mais da decisão humana, tomada de forma mais cuidadada e mais informada.
Se compararmos as mortes "cirúrgicas" da guerra israelo-palestiniana com as mortes "tradicionais" da guerra civil síria, vemos como os sistemas tradicionais são uma selvajaria.

Os filmes são sempre pessimistas.
A ficção científica tem uma visão muito pessimista do futuro acabando sempre com uma guerra entre máquinas e humanos em que a humanidade é atirada para a miséria e o sofrimento.
No Planeta dos Macacos a ficção chega mesmo ao limite de o progresso tornar os humanos escravos dos macacos.
Mas o futuro será muito melhor que o presente.
Há 15 dias, enquanto no judo fazia umas cambalhotas, notei uma dor de dentes. Então, na segunda feira passada fui ao dentista e, apesar de me ter doido um pouco, o Barros aplicou um revestimento num dente que tinha erosão na raiz e que não existia ainda há meia dúzia de anos. Se não fosse esse progresso, daqui a pouco o meu dente ia à vida.
Aproveitei para tirar um bocadinho de tártaro e deu que doeu um bocadinho dando para imaginar como seria miserável a vida mesmo do homem mais rico do Séc. XIX quando tinha que arrancar os dentes sem anestesia.

Fig. 7 - Hoje, a cirurgia estética até transforma um bocado de pele murcha numas mamas extraordinariamente boas. 

Pedro Cosme Costa Vieira

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