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sábado, 26 de novembro de 2011

O Cavaco está maluco: o BCE não pode salvar a Itália nem ninguém

Por cada 100€ em depósitos bancários apenas existem 6.50€ em notas e moedas.
A economia europeia, por ser sofisticada, precisa de dinheiro para funcionar. Esse dinheiro são o outside money (notas e moedas), e o inside money (cheques, transferências bancárias e cartões sobre contas bancárias).
Como a moeda circula rapidamente, a quantidade de notas em circulação é muito pequena.
Na Zona Euro existem em circulação apenas 882.1 MM€ em notas e moedas corresponde a 9.36% do PIB (fonte:  BCE, Set2011).
Cada ano o BCE emite mais 50MM€ em notas e moedas.
Como a dívida externa italiana é de uma dimensão muito maior, 1850 MM €, não existe possibilidade de o BCE resgatar a Itália.
O Cavaco precisa urgentemente de uma pessoa competente para fazer umas contas e o aconselhar porque está a entrar no discursos ché-ché do Soares, Otelo e do Emplastro ("o Pinto da Costa é o meu pai").

Fig. 1 - Esta Bella Ragazza propõe-se a oferecer o sut a quem ajudar a pagar a dívida italiana. Ai que vou ter que largar mais uns 500€ para ajudar. Se fosses minha vizinha, derretia o meu ordenado todo a ajudar-te.

Recordando os posts passados
A construção desta minha conclusão tem uma certa sequência que é necessário ver:
1. O governador do BCE veio-me consultar sobre como salvar a Itália - 1
2. O BCE não pode imprimir notas
3. A inflação é um fenómeno puramente monetário


Quando depositamos o nosso carro numa garagem ele fica lá.
Mas quando depositamos dinheiro num banco não.
Em Portugal existem 245 mil milhões de € em depósitos bancários (fonte: Banco de Portugal, Set2011) e existem apenas 16 mil milhões de € de notas e moedas (fonte: BCE, set 2011, cálculo proporcional à ZE).
Agora imagine que tem 50000€ depositados no banco. De facto só lá depositou 3250€ em notas e moedas pois não se trata de um depósito mas de um empréstimo ao banco que o empresta a outra pessoa.

Teoria Quantitativa da Moeda
A quantidade de dinheiro que as pessoas pretendem deter, M, é uma decisão racional que está dependente de várias variáveis.

M é crescente com o PIB nominal
Como o dinheiro é principalmente usado para facilitar as trocas, quanto maior o PIB maior será a quantidade de moeda que as pessoas querem deter.

M é decrescente com a taxa de juro
Se eu, em vez de ter moeda, transferir o valor para um crédito, recebo uma taxa de juro. Então, ter moeda na mão dá-me um prejuízo igual à taxa de juro que perco.
A taxa de juro é igual à taxa de inflação mais a taxa de juro real pago na economia no período em que detenho a moeda (o período futuro).

M é crescente com o risco da economia
A moeda é a unidade de valor pelo que é o referencial sem risco. Quando na economia existe muito risco (nas crises), as pessoas querem entesourar moeda. Aqui sobressai a sua função de reserva de valor.
Podemos então formalizar a quantidade de moeda que as pessoas querem ter na carteira

M = A.(Y.P) - B.(p + r) + C.(risco) +  parte desconhecida
   Y = PIB real
    P = Nível geral de preços
    Y.P = PIB nominal
    p = Inflação esperada = DP
    r  = taxa de juro real
    M = quantidade de Moeda
    A, B e C parâmetros positivos
Podemos calcular os diferenciais (é como as derivadas)
    DM = A.(DY.P+Y.DP) - B.(Dp + Dr) + C.(Drisco)
    DM = A.(DY.P+Y.p) - B.(Dp + Dr) + C.(Drisco)

Agora, como a quantidade oferecida é determinada pelo Banco Central, podemos inverter a igualdade e simplificamos em incrementos relativos para determinar a taxa de inflação.

  p = DM + Dp + Dr - DY.P - C.(Drisco)  

Se o BCE aumentar a quantidade de moeda em circulação, a inflação aumenta proporcionalmente
Se o Banco Central for credível no seu mandato de manter a inflação de longo prazo (Dp + Dr = 0), então os preços aumentam proporcionalmente à quantidade de moeda emitida.
  p = DM  - DY.P - C.(Drisco)  

Por exemplo, se o BCE aumentasse a quantidade de moeda emitida em 10%/ano acima do que costuma fazer, a inflação passaria a ser 12%/ano.

O problema das crises.
O BCE tem a obrigação de manter a inflação nos 2%/ano. Quando a economia está em águas calmas a obrigação do BCE é relativamente simples de cumprir.
Quando se aproxima uma crise sabe-se que, a prazo, o PIB nominal vai diminuir (DY.P < 0 ) pelo que será preciso o BC diminuir a quantidade de moeda em circulação.
No entanto, nas crises há um grande aumento do risco ( C.(Drisco) > 0 ) que mais que compensa a queda do PIB.
Nas crise, em termos globais, é necessário o BCE emitir mais moeda.

Como é difícil adivinhar com certeza o futuro, quanto mais grave a crise mais dificuldade tem o BCE em controlar a taxa de inflação no curto prazo. Podemos ver na Fig. 1 que a crise do Sub-prime descontrolou a taxa de inflação e o mesmo está a acontecer com a crise da dívida soberana. No entanto, apesar da dificuldade e da variabilidade de curto prazo, em média, no período 2007/2011 o BCE conseguiu manter a inflação nos 2%/ano.

Fig. 2 - Evolução da taxa de inflação na Zona Euro, 2000-2012 (fonte: BCE)

O governador, Trichet, é o mesmo pelo que as dificuldades de controle da inflação no período 2007-2011 resultam apenas da severidade das crises.

Agora já podemos olhar para a divida soberana italiana
A divida externa italiana líquida é de 1857 mil milhões€.
Em média terá necessidades de financiamento na ordem dos 250mil milhões€ por ano.
O BCE, para um inflação de 2%/ano, emite por ano cerca de 50 mil milhões€ por ano (um aumento de 5% da massa monetária).
O quantidade máxima de moeda que o BCE consegue emitir são 130 mil milhões€, menos de metade do valor necessário para resgatar a Itália.
Os 130MM€ não dão nem para metade da Itália. Agora somemos a Grécia (50MM€/ano), Portugal (40MM€/ano), a Espanha (200MM€/ano) e temos necessidades de 550MM€ por ano.
O BCE, no máximo, pode salvar 20% da dívida dos PIIGS.

Os 130MM€ implica a Zona Euro passar a ter uma taxa de inflação de 50%/ano.
Os dados empíricos indicam que, quando a inflação é de 2%/ano, a quantidade de moeda detida pela economia é 10% do PIB. Quando a taxa de inflação aumenta para 100%/ano, a quantidade de moeda diminui para 1% do PIB.

     M/(Y.P) = 10% - 0.023 ln(p/2%)

Então, maximizando neste modelo o poder de emissão do BC, temos 1.4% do PIB para uma taxa de inflação de 54%/ano.
No caso da Zona Euro, PIB = 9400MM€ (fonte: BCE), temos um máximo de 130 Mil Milhões€.
Ultrapassando este limite, a taxa de inflação explode para as centenas ou milhares por cento por ano.

Fig. 3. Ajudar esta italiana causa mais inflação que tomar três pastilhas de Viagra.

Alguém acredita num inflação de 54%/ano?
Alguém acredita que a Alemanha, França, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, e todos aqueles do Norte ficavam 1 minuto na Zona Euro se a taxa de inflação passasse a ser 54%/ano?
Alguém acredita que Portugal aguentava uma taxa de inflação de 54%/ano em solidariedade à Itália?

Certo dia estava um senhor na borda de uma ponte
Parecia que estava a pensar em se suicidar.
Aí, apareceu um cavalheiro com a barba por fazer e a cheirar mal e disse:
- Meu senhor que estás a pensar fazer uma loucura não o faças porque eu sou a tua fada madrinha. Pede-me um desejo que te será concedido.
- Minha fada madrinha? mas tens tão mau aspecto e és um homem.
- Não conheces a história da maça envenenada pela Fada Bruxa que adormeceu a Branca de Neve? Pois foi o que me aconteceu. Sou uma fada muito bonita e jovem envenenada. Agora, para eu quebrar este feitiço baixa as calças e vira-te de costas.
E assim aconteceu. Passados uns minutos (dizem que bons para um e mau para o outro), disse o suicida.
- Então agora já posso pedir que realizes o meu desejo.
- Meu filho que idade tens?
- 40 anos.
- E ainda acreditas nas fadas madrinhas? Então manda-te abaixo.

A economia discutida no barbeiro
O meu interesse pela economia surgiu no barbeiro. Tanta teoria interessante que surgia da mente daquele homem. O homem tinha solução para quase todos os problemas do mundo.
Desconfiei logo que nada tinha fundamento porque o homem apenas se dizia incapaz de curar os carecas. Então ele não sabia da ciência dele e sabia da ciência do Cavaco?
comecei a estudar economia e conclui que, afinal, o homem sabia tanto como o Cavaco.
Não sabia nada de nada.
Certo só sabia o número do autocarro que o levava para casa.
Nem sabia quanto custava o corte. Marcava no espelho 600$ e umas vezes dizia "deixe lá 400 paus", outras 500 e até me chegou a levar "300 paus porque você está magrinho".


A técnica dos demagógicos é não falar em números.
Ainda no outro dia vi um anúncio "venha fazer exercícios com o Dr. HU que faz bem aos rins, bexiga, figado, pulmões, coração, intestinos, e vigor sexual".
"Esqueceu-se" de dizer quanto bem fazia. Será que fazia melhor que dar uma caminhada? Não.
O Cavaco, Louçã e outros demagógicos também usam essa técnica:
O BCE pode injectar dinheiro na economia logo pode resgatar toda a gente.
Não dizem é que o BCE apenas pode emitir 50MM€/ano com um máximo de 130MM€ e que os PIIGS precisam de 550MM€/ano.
E mesmo a Alemanha só tem um superavit da balança corrente de 120MM€/ano.

Fig. 4. O BCE vai resgatar Portugal. O Pinto da Costa é o meu pai.

A inflação e o IVA
Emitir moeda é equivalente a aumentar os impostos.
Com uma taxa de inflação de 2%/ano, a emissão de moeda corresponde a uma receita de 0.5% do PIB (850M€/ano). Aumentando a inflação para 50%/ano, a receita aumentaria para 1.4% do PIB (2400M€/ano).
O IVA tem uma receita de 13500M€/ano.
Então, em vez de aumentar a inflação para 50%/ano podia-se subir o IVA de 23% para 25.5%.
Tenho a certeza que era melhor aumentar o IVA.

Será melhor a bancarrota ou a inflação?
O estimado leitor, se for esquerdista, comuna, broquista, está a pensar que eu cometi um erro de raciocínio.
Se, por exemplo, a Itália deve 100€, paga 3.5€/ano de cupão (juros) e devolve os 100€ daqui a 10 anos, se a taxa de inflação subisse para 50%/ano, em termos de poder de compra, a divida desvalorizaria para 8.61€.
Em vez da actual dívida de 1857MM€ a Itália passaria a dever apenas 160MM€.
Aí já o BCE poderia resgatar a Itália.

MAS ISTO SERIA UMA FRAUDE.
O que aconteceria é que os credores ficavam sem receber o seu valor.
O povinho que poupou e emprestou dinheiro à Itália (e demais países da Zona Euro) ficava sem 91.39% do seu dinheiro.
Por isso é que a taxa de juro da Grécia está nos 30%/ano, de Portugal nos 12%/ano e da Itália a caminho desses valores.
Os credores antecipam que nós os PIIGS são burlistas.
Entramos na Zona Euro prometendo que nunca mais íamos permitir a inflação e, uma vez apanhadas as poupanças dos incautos, pumba, atacamo-los com inflação.

É melhor a bancarrota.
A bancarrota fará com que o nossa país não tenha mais credibilidade.
É melhor dizermos que não podemos pagar a nossa dívida e desvalorizamo-la.
Por exemplo, se multiplicarmos o prazo da dívida actual por 3 passando a dívida a 10 anos para dívida a 30 anos e pagarmos uma taxa de juro de 2.82%/ano (a taxa de juro alemã a 30 anos), corresponde a "perdoarem-nos" 2/3 da nossa dívida (a taxa de juro portuguesa a 30 anos é de 9.866%_/ano). Fonte: bloomberg.
A dívida a 100 dias passaria a ser 300 dias (à taxa de juro alemã para esse prazo).

Durante muitos e muitos anos o Estado não conseguirá financiamento. Mais nenhum velhinho vai entregar os seus euros aos certificados de aforro.

Ao pagarmos o valor nominal e a taxa de juro.
Em termos morais ficamos mais confortados.
Diremos "Nós não nos recusamos a pagar as nossas dívidas nem burlamos as expectativas quanto à inflação. Apenas não permitimos que os mercados especuladores sugassem o nosso sangue".

A inflação é muito pior.
A bancarrota fará com que o nosso país, durante muitos e muitos anos, não tenha credibilidade.
Mas a inflação tem não só este problema (o Estado não cumpriu a promessa de manter a inflação) como o sistema monetário perde a sua credibilidade.
A bancarrota destroi a credibilidade do Estado mas a inflação destroi isso e a credibilidade do Banco Central.
Nunca mais será possível fazer empréstimos de longo prazo (a taxa prefixada).

Outra maluqice do cavaco - o BCE comprar toda a dívida pública acima de 10%/ano
Outra maluquice do Cavaco é propor que o BCE anunciasse uma taxa de juro máxima para a dívida dos países, por exemplo, 10%/ano, e, caso essa taxa de juro fosse ultrapassada, o BCE comprava a divida toda.
Isto é uma maluquice. Vejamos porquê.
1. Portugal emite 1000M€ e o mercado exige 12%/ano pelo que o BCE compra a 10%/ano.
Passado um ano, Portugal tem que pagar 1100M€ ao BCE.
2. Portugal emite 2000M€ de dívida (paga os 1100MM€ e fica com dinheiro 900M€ fresco) que o BCE  compra a 10%/ano.
3. Portugal emite 3000M€ para pagar a dívida e ter mais dinheiro.
4. Daqui a 100 anos, o BCE ainda não recebeu nenhum e tem que comer pentiuns, resmas, aviões com milhares de  milhões de € de divida pública portuguesa. Seria um google de euros.
5. Para o BCE nos emprestar esse dinheiro, alguém tinha que o por lá: os burros dos alemães.
Nunca a gente iria pagar nada.

O Sócrates ainda lá estaria.

Se o BCE comprasse sempre a nossa dívida, ia ser uma delícia para o Sócrates. E o Oliveira Costa, mesmo de cadeira de rodas, ia ficar no então prospero BPN até morrer. Tinham que o embalsar como fizeram ao Lenine.
Nem o Duarte Lima precisaria de matar, alegadamente, a D. Rosalina pois não lhe faltaria dinheiro.
O Sócrates ia ficar PM até morrer e depois de bater a bota, vinha o neto do Guterres seguido do bisneto do Santana.
Só se os nossos parceiros da Zona Euro fossem burros como o Cavaco é que pensávamos em pagar fosse o que fosse.

Fig. 5. Voltei de Paris rejuvenescido para poder aguentar como PM mais 48 anos.

Finalmente uma curiosidade: no Mundo existe mais ouro que notas e moedas.
Existem no Mundo 168 mil toneladas de Ouro o que dá 24g pessoa. A 55€/g dá 1320€/pessoa.
A quantidade de moeda andará nos 900€/pessoa.
Interessante haver mais valor em ouro que em notas e moedas.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Santo Aleixo vai expulsar os PIIGS

Em 1980, Santo Aleixo do Mendigos era uma pequena aldeia no meio de um grande descampado.
O seu povo era calado e respeitador da paz e silêncio dos vizinhos. Pareciam alemães.
A uns quilómetros da aldeia e no meio do descampado, viviam 5 familias de ciganos denominados por PIIGS (as familias Patruscos, Ionescos, Ilinescos, Garranos e Santaneiros).
Nos acampamentos o povo cantava, os cães ladravam, as crianças gritavam, as mães berravam, os pais davam tiros de caçadeira para o ar. Era barulho dia e noite.
Certo dia o patriarca foi à aldeia e voltou com uma novidade.

 - Estive na aldeia e é um silêncio, uma calma, um respeito pelos vizinhos. É verdadeiramente repousante. Se fossemos viver para lá até ganhávamos saúde.

Cada um disse:

 - Aqui é uma barulheira terrível, uma falta de respeito. Vamos para a aldeia senão, qualquer dia mato estes gajos todos.

Fig. 1 - Tocavam disto dia e noite

O processo de convergência
O patriarca foi falar ao Presidente da Junta e lá lhe contou que estavam fartos de barulho e que se queriam mudar para a aldeia.
Então, pensando que a união ia melhorar o comércio na aldeia, o Junta e os PIIGS assinaram um tratado com 5 condições:
    1.ª condição. Os PIIGS mudam o acampamento 1 km para mais próximo da aldeia.
    2.ª condição. Enquanto se ouvir barulho na aldeia, os PIIGS ficam aí.
    3.ª condição. Quando se deixar de ouvir barulho, os PIIGS avançam mais 1 km. 
    4.ª condição. Quando os PIIGS encostarem à muralha podem passar a viver na aldeia.
    5.ª condição. Uma vez dentro da aldeia, nunca mais precisam sair.

Fig. 2 - Foi assinado um tratado mas que não era para cumprir

A evolução da situação
Os PIIGS foram-se aproximando e em 2000 passaram a viver dentro da aldeia.
A princípio parecia estar tudo a correr bem mas, com o tempo, os PIIGS começaram a pôr a música um pouco mais alta.
O Junta foi falar com o patriarca para ver se ele reduzia de novo a música.

- Vocês estão a querer mandar em nós só porque somos ciganos. A nossa cultura é fazer barulho. Nós não somos alemães.

Retorquiu o Junta:

- Mas homem, vocês vieram para cá para gozar do silêncio e agora estão a perturbar a paz. Vamos ter que um procedimento por incumprimento do tratado.

Veio o procedimento por incumprimento que não deu em nada 
No dia de S.to Aleixo a música tinha tocado até tarde e os PIIGS usaram esse precedente.
Então, o procedimento por incumprimento foi arquivado.
Depois de não dar em nada, os PIIGS compraram cães que começaram a ladrar toda a noite, violas para tocar dia e noite, voltaram aos tiros e a atirar lixo para tudo que era sítio.
E começaram-se a queixar ao Junta do barulho e da desarrumação.
Que a Aldeia tinha que lhes insonorizar as barracas porque não podiam viver assim.

- Mas homem, vocês é que têm que deixar de fazer barulho. Vocês quando vieram para cá disseram que não queriam barulho e não estão a respeitar isso.

- Lá está você, imperialista, explorador sanguinário, mercado sem rosto, está a querer mandar em nós, uma cultura milenar. Nós não somos alemães

Fig. 3 - Podes ser muito boa pessoa mas não aguento mais os teus berros toda a noite.

E agora? 
Não há outra solução que não seja rasgar o artigo 5.º do tratado e expulsar os PIIGS de volta ao descampado.
Como é possível convencer os PIIGS que são eles que fazem o barulho?
Por um lado dizem querer silêncio mas, por outro lado, berram toda a noite.
A única solução é pô-los a andar.

O caso português
Nós entramos na Zona Euro porque queríamos taxas de inflação baixas (para ter juros baixos).
No entretanto subimos os salários como se houvesse inflação e não cumprimos nada a que nos tínhamos comprometido.
Agora que estamos em bancarrota gritamos a pedir taxas de inflação mais altas.
Que os alemães não nos deixam mandar na nossa vidinha. Que nos querem colonizar.

Não há paciência.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Portugal está mal? Não. Cuidado é com os EUA

Há algo de podre nas agências de rating. Portugal reuniu sem grande dificuldade um consenso político alargado em torno de um plano de austeridade imposto pelo FMI, BCE e UE para nos emprestarem 78 mil milhões de euros e evitarmos, desse modo, a bancarrota. Houve eleições e o governo tem maioria no Parlamento. Todos os sinais são positivos e a Moody's baixa o rating da dívida sem mais nem menos. Até aqueles que eram mais benevolentes com estas agências vieram gritar para a praça pública.

Quem estiver mais atento às notícias dá conta que, de facto, algo anda virado do avesso: a directora-geral do FMI falou ontem sobre um possível default dos EUA e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convocou para hoje uma cimeira de emergência com o presidente da Comissão, Durão Barroso e os três ‘senhores' do euro, Jean-Claude Juncker do Eurogrupo, Jean-Claude Trichet do BCE e o comissário Olli Rehn. O objectivo é discutir o segundo plano de resgate da Grécia, o perigo de a Itália entrar em incumprimento e a situação espanhola. Quanto a Portugal, não se passa nada para já...

Portugal? "Passa-se alguma coisa por aí?", pergunta Lagarde

Ou seja, o grande paradigma do crescimento económico está com problemas tão graves ou mais do que os apontados a Portugal, com a agravante de um eventual incumprimento norte-americano traria problemas sistémicos, mundiais. Como todos sabemos, os problemas estruturais de finanças públicas não surgem da noite para o dia. Vejamos então o que dizem as agências de rating, todas de raiz norte-americana (Fitch tem agora capitais franceses) sobre os EUA.


Standard & Poor's


 United StatesAAA
Jun 2011
Fitch

 United StatesAAA
September 2000

Moody's


 United StatesAaaMar 2010

O triunvirato dá nota máxima aos EUA nas suas mais recentes notações. A mais activa tem sido a S&P, com avisos sérios, ameaçando mesmo rever o rating do seu país natal até...2015. Que dureza!

Não havia sinais de alarme na economia norte-americana, visíveis para especialistas como os que trabalham nas agências? Bom, é verdade que a crise financeira de 2008 também lhes passou ao lado. Talvez tivessem dispensado a maioria do seu pessoal para férias nessa altura!

FIGURA 1: Dívida pública dos EUA em % do PIB
FIGURA 2: Os tectos para a dívida púbica dos EUA foram
crescendo ao longo dos anos, adaptando-se às circunstâncias

Curiosamente, o que preocupa os norte-americanos não é tanto o crescimento da dívida, mas sim o facto de o país estar no limiar do seu tecto legal (FIGURA 2). Portanto, a directora-geral do FMI, já instalada nos EUA, disse esperar que os dois partidos (Republicano e Democrata) cheguem a um compromisso até à data – 2 de Agosto – que a Casa Branca deu como limite para o Congresso aumentar o tecto máximo do endividamento dos EUA, que chegou ao seu limiar a 16 de Maio.

Apesar do impasse nas negociações, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, assegurou ontem que o país não deixará de cumprir os seus compromissos financeiros. “Os Estados Unidos não entrarão em default” (incumprimento da dívida), reforçou.

Ficamos assim todos mais descansados. O descontrolo das contas públicas pode ser resolvido nos EUA e em países como Portugal, onde a dívida anda pelos 93% do PIB e o défice pelos 9% (5,9% é o objectivo para este ano). Basta estabelecer um limite constitucional para o endividamento (em % do PIB), mas adaptá-lo ao longo do tempo, se necessário. O mesmo se poderia fazer com o défice, só para facilitar e não andarmos aqui todos com a cabeça à roda de cada vez que uma agência de rating dá notas sem olhar para os testes dos seus alunos.

Pedro Palha Araújo


domingo, 12 de dezembro de 2010

As Euro Zone Bonds são inviáveis


Para que pudesse haver Euro Zone Bonds era necessário que os países do Norte da Europa pagassem as dívidas dos países do Sul da Europa no caso, quase certo, de estes entrarem em bancarrota. Como os cidadãos do norte não são tansos, isso nunca acontecerá.

As Bonds, (em português: obrigações), são dívidas traduzidas num título. Por exemplo, se eu comprar uma obrigação de 1000€ quer dizer que eu empresto 1000€ ao emissor da obrigação.

Quem compra obrigações (empresta dinheiro - o credor) pensa numa taxa de juro real (i.e., um aumento no seu poder de compra) e acrescenta-lhe a inflação antecipada e a expectativa que tem do risco de incumprimento das obrigações (do devedor falir não pagando o acordado).

A componente da taxa de juro que traduz o risco de incumprimento denomina-se na gíria financeira por Spread, (em português: incremento).

Em termos simples, um credor que quer uma taxa de juro real de 0.5%/ano, que antecipa uma taxa de inflação de 1.5%/ano e que calcula o risco de incumprimento do devedor como 1%/ano, então pede 2%/ano como taxa de juro mínima pelo empréstimo.

Relativamente aos países, o risco de incumprimento resulta da impossibilidade financeira mas, principalmente, da falta de vontade. Se eu ouvisse um político de um país dizer que “a solução para os nossos problemas é não pagar aos credores estrangeiros”, naturalmente antecipava um risco muito elevado desse país, vir a incumprir as suas obrigações.

Ao nível da Zona Euro existem diferenças culturais importantes entre os países relativamente ao cumprimento das suas obrigações: Em média, os cidadãos do Norte consideram um imperativo absoluto cumprir as obrigações enquanto que os do Sul são mais “flexíveis”. Estas diferenças culturais fazem com que, sabiamente, as pessoas que poupam algum dinheiro e o querem aplicar garantindo que na sua velhice o têm de volta exijam uma taxa de juro superior aos países do sul da Europa. Aos países do Norte os aforradores contentam-se com taxas de juro próximas de 2%/ano enquanto que a Portugal exigem taxas superiores a 6%/ano.

A emissão de Euro Zone Bonds, por haver o pressuposto de que os países da Zona Euro garantem solidariamente o cumprimento dessas obrigações, seria vantajosa, em termos de taxas de juro exigidas, para Portugal. Por exemplo, Portugal precisa de 50mil milhões de Euros em 2011 e com Euro Zone Bonds, em vez de pagar 3mil milhões de Euros de juros por ano (6%/ano), passaria a pagar apenas mil milhões de Euros (2%/ano). Parece uma ideia brilhante.

Mas isto é óbvio. Se formos a um banco e pedirmos 1 milhão de euros, dizem-nos que não. No entanto, se levarmos como avalista, por exemplo, o Sr. Eng. Belmiro de Azevedo, eles não só nos emprestam como ainda nos trazem um cafezinho.

E se Portugal, a Grécia, a Espanha ou a Itália decidirem não pagar quem é que vai pagar? Terão que ser os países do Norte que pensam ser um imperativo moral assumir os seus compromissos.

Mas não há tansos: ninguém de juízo perfeito quer ser nosso avalista. Passa-se o mesmo ao nível das Euro Bonds.

Os cidadãos do norte da Europa sabem que se Portugal voltasse a ter crédito a uma taxa de 2%/ano, tínhamos mais 30 anos de regabofe: subir pensões, subir ordenados, dar subsídios a qualquer chafarica, RSI, PPP, 30 linhas de TGV, mais 5 aeroportos internacionais, mais 10 auto-estradas, e tudo mais que o marketing político dissesse que dava votos.

Eles sabem que, apesar de estarmos numa situação aflitiva há vários anos, em 2010 a despesa pública e o défice crescem. Eles, e eu também, temos a certeza absoluta que a despesa pública e o défice apenas não aumentarão em 2011 se não houver quem nos financie.

E por não haver tansos por essa Europa fora, as Euro Zone Bonds nunca existirão.
..
Pedro Cosme Costa Vieira

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