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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O fim dos subsídios aos paineis electro-solares

As políticas de "incentivo" às energias alternativas do Sócrates foram um desastre que se transformou num sobre-custo de 40€/mês na conta da electricidade de cada famílias portuguesa.
Um dos projectos aloucados do Sócrates era a subsidiação de uma fábrica de painéis fotoelétricos em Abrantes.
O problema dos governantes ignorantes e loucos é que qualquer fala-barato, prometendo que vai criar 2000 ou 3000 postos de trabalho, os convence a dar-lhes centenas de milhões de euros em incentivos que o povo, mais tarde, tem que pagar.
Vejamos como esse projecto megalómano estava completamente errado e que o governo do Passos Coelho fez bem em terminar a subsidiação dessa loucura.

É COMPLETAMENTE FALSO.
Que aquele mago (que diz ir fazer a tal fábrica "mesmo que não tenha incentivos") tenha tudo vendido para a Alemanha, de facto vá fazer seja o que for.
Neste momento, existe um grande excesso de capacidade produtiva de painéis solares (ver German and Chinese Solar Firms Battle for Survival,  Der Spiegel) o que torna a teoria do tal mago (a quem o Sócrates prometeu 1000 milhões€) uma alucinação total.

"Since making solar modules is no longer difficult, more and more companies have entered the sector in recent years, not only in Germany and China, but also in Japan and Korea [...] then, one manufacturer after the other has filed for bankruptcy, more than half a dozen in Germany alone since December [ ... and] by contrast, there are 12,000 people working in the production halls underneath Zhu's office in Wuxi." ver, Solar Firms Battle for Survival.
Na fábrica de painéis solares do Zhu, os trabalhadores têm o ensino secundário completo e ganham 1.70€/h (um salário de 300€/mês) enquanto que o nosso salário mínimo (para pessoas com a 4ª classe) é de 4.5€/h.

Fig. 1 - Diz um para o outro: vamos criar aqui uma fábrica de painéis solares.


A Energia Solar.
No interior do Sol transformam-se 3150 t/s de massa em energia na proporção E = MC2, a famosa igualdade de Einstein. Na Terra conseguimos transformar 1g de massa em energia pela queima de 3 milhões de toneladas de carvão.
A energia do Sol caminha até à sua superfície e projecta-se para o Espaço na forma de luz do tipo "5800 ºK".
A luz solar atinge a parte superior da atmosfera terrestre com uma intensidade de 1.36 kw/m2.

Depois, a luz atravessar a atmosfera e chega à superfície da Terra.
Como a atmosfera absorve parte da luz, quanto maior a latitude (distância ao Equador), menor é a energia que atinge a superfície da Terra. Por esta razão é que  no ocaso conseguimos olhar para o Sol.
Em Portugal, num dia de céu limpo, a luz solar tem uma intensidade próxima de 1.0 kw/m2 (perpendicular à trajectória da luz) sendo superior no Algarve.

A luz solar pode-se transformar em elecricidade.
Imaginemos a Luz como uma metralhadora em que as balas, os fotões, viajam a 300000 km/s.
Quando um fotão atinge um electrão, este absorve a energia e salta um milésimo de milímetro fora do átomo.
Quando o electrão retorna ao átomo, liberta a energia que absorveu do fotão (emitindo outro fotão de outra cor).
É como uma pedra que bate na superfície da água e faz uma gota separar-se da superfície e subir.
A célula solar é um díodo (formado por dois semi-condutores) que só permite que os electrões se movimentem num sentido.  Desta forma, o electrão que salta não pode "cair" de volta no átomo sendo obrigado a percorrer um circuito eléctrico exterior onde a energia eléctrica é aproveitada (ver, Fig. 1).
Fig. 2 - Esquema do diodo fotovoltaico

Esta interpretação do fenómeno fotoeléctrico valeu a Einstein o prémio Nobel da física de 1921 e não a sua muito mais famosa Teoria da Relatividade.
Apesar de a energia do Sol ser quase grátis (é apenas preciso pagar a renda do local), o aproveitamento fotoeléctrico custa muito dinheiro porque a construção, instalação e manutenção dos painéis solares consome mais recursos escassos que as outras tecnologias (eólica, hídrica, carvão, gás natural ou nuclear).
Em termos tecnológico, a base do sistema são os Díodos Fotovoltaicos que são empacotados em Painéis Solares que são, depois, dispostos em estruturas de suporte que formam as Quintas Solares, por exemplo, a Topaz Solar Farm tem um preço de projecto de 2000 Milhões USD, uma potencia nominal de 55MW e potencia média efectiva de 125MW (22.8% da potência nominal) o que dá 16000USD/Mw.

Fig. 3 - Realmente, a luz do Sol dá choque (foto da minha piscina)


A energia foto-eléctrica tem vantagens e inconvenientes.

Tem três principais vantagens.
A) Os diodos não usam recursos minerais escassos. São feitos principalmente de silício que é muito abundante.

B) O custo de produção dos díodos deriva principalmente da investigação (os ordenados dos investigadores que se traduzem em patentes) o que faz com que, uma vez feita uma descoberta, a sua vantagem dure para todo o futuro.
Por causa de ser um processo acumulativo, o cujo custo de produção dos diodos fotoeléctricos diminui ao longo do tempo. Nos últimos 50 anos, o custo de produção dos diodos fotovoltaicos tem reduzido 7%/ano.

C) A investigação e a produção utiliza mão de obra escolarizada onde  os países desenvolvidos têm uma vantagem competitiva.
  
Tem quatro principais inconvenientes.
A) Apesar de os custos dos diodos estar constantemente a diminuir, como o custo dos diodos são uma pequena parte do custo final, a diminuição do custo de produção da electricidade diminui a uma taxa bastante menor.
Actualmente os díodos fotovoltaicos custam cerca de 1000USD/kw de potência nominal mas o custo do painel é de 2200USD/kw. Se somarmos o equipamento de suporte, o custo final andará nos 3000USD/kw.

B) As instalações solares são caras.
Custando cerca de 3000USD/kw de potencia nominal, como produzem apenas 20% da potencia nominal, o investimento em potência efectiva é próximo de 15000USD/kw (a Topaz Solar Farm tem um investimento projectado de 16000USD/Mw). Para uma duração do equipamento de 25 anos, uma taxa de juro de 5%/ano e uma perda de eficiência de 2%/ano, o custo de capital da energia fotoeléctrica é próximo de 150USD/Mwh (para 10%/ano, sobe para 225USD/Mw).

Nós pagamos na nossa conta de electricidade 125€/Mwh.
Acrescentam aos custos de capital, os custos de exploração e manutenção que também são elevadas (é preciso lavar regularmente os painéis e os suportes metálicos têm muito trabalho de manutenção). O custo final de produção da energia eléctrica com origem solar fica acima dos 200€/Mwh.
E ainda acrescem os custos de distribuição.


C) São precisas instalações de grandes dimensão. Por exemplo, para substituir uma central nuclear de 1000MW serão precisos 12 000 000 m2 de painéis solares formando uma quinta solar com 50 000 000 m2 (a instalação seria um quadrado com 7km de lado). A manutenção de uma instalação desta dimensão é muito dispendiosa (imaginemos uma limpeza semanal dos 12 000 000 m2 de vidro que formam os painéis e os milhares de kilómetros dos ferros usados nos suportes que é preciso pintar regularmente).
Topaz Solar Farm, com 125Mw de potência média, projecta ter 25 000 000 m2.

D) Durante a maior parte do tempo (durante a noite e nas horas próximas), não há luz pelo que não há produção de electricidade. Então, é preciso ter outro equipamento (parado durante o período em que há luz) que forneça energia durante a noite, o que duplica os custos.


E) No Norte da Europa existe pouca luz solar.

O Sócrates não deveria ser louco de todo pelo que deveria ter alguma ideia na cabeça. 
Apesar de actualmente a energia fotoeléctrica não ser economicamente competitiva para produzir electricidade ligada à rede (um custo entre 150€/MWh e 250€/MWh contra 40€/MWh do carvão), como os custos têm diminuído ao longo do tempo, o Sócrates deixou-se convencer pelos vendedores de ilusões de que se iria desenvolver um know-how em Portugal que nos permitiria dominar o mercado quando a electricidade solar se tornasse competitiva.
Nessa altura, o "investimento" feito agora seria mais que recompensado.
Mas o Sócrates cometeu vários erros nesta sua análise.

Fig. 4 - O problema é que o rumo estava completamente errado e levou-nos à bancarrota


Primeiro: usou um modelo de previsão errado.
A) Supondo que a energia solar custa 200€/MWh e o Carvão 40€/MWh. O Sócrates pensou que, como é amiga do ambiente, a energia solar ficará competitiva a um custo de 60€/MWh.
Erro: Como só funciona quando há Luz (uma média de 6h por dia à potencia nominal) é preciso ter um sistema alternativo para fornecer electricidade durante os períodos de pouca luz, o que encarece o sistema. A energia fotoeléctrica só será economicamente competitiva com o carvão para um custo de produção de 20€/Mwh.

B) O custo de produção dos díodos fotoeléctricos têm diminuído 7%/ano.
Erro: O preço dos díodos fotoelétricos (cerca de 5000USD/Mw efectivo) são apenas 33% do investimento total. Então, a taxa de redução dos custos de produção são bastante inferiores a 7%/ano. Supondo que a taxa de crescimento é 1/3 deste valor (minha previsão), teremos 2.33%/ano.

Previsão do Sócrates: Diminuir de 200€/Mwh para 60€/Mwh à taxa de 7%/ano -> 18 anos
Previsão correcta (a minha): Diminuir de 200€/Mwh para 20€/Mwh à taxa de 2.33%/ano -> 100 anos

Gastar dinheiro acreditando que a tecnologia fotoeléctrica é competitiva daqui a 18 anos torna-se uma loucura porque a realidade indica que apenas o será daqui a 100 anos.

Segundo erro:  esqueceu-se das patentes.
Os diodos fotoelétricos são como os medicamentos em que uma parcela muito importante do seu valor está nas patentes que protegem a investigação necessária para o seu desenvolvimento.
Para os díodos fotoeléctricos ficarem mais eficientes e baratos é preciso investigar.
Assim, fazer quintas fotoeléctricas ou construir os painéis em nada aumenta a nossa capacidade de criar bens exportáveis com valor.
Seria a repetição da Kimonda que deslocalizou para Portugal a produção de microchips de memoria mas que, rapidamente, se tornou não competitiva porque não tínhamos patentes e era muito mais barato produzir na Coreia do Sul.

O caminho do Sócrates quanto às energias alternativas foi errado em todos os aspectos.

Foi errado na co-geração - Se era mais eficiente então não era preciso subsidiar.
Foi errado nas eólicas - Se o vento não custava nada não era preciso garantir um preço tão elevado à custa dos consumidores.
Foi errado na solar-eléctrica - Fazer quintas solares em nada aumenta a nossa capacidade competitiva, muito pelo contrário. E só daqui a 100 é que será um tecnologia competitiva para ligar à rede.
Foi errado nos carros eléctricos - Quando deu conta que havia excesso de produção, tentou corrigir um erro com outro erro pois os carros eléctricos são caríssimos (são precisas 7 baterias igual às dos nossos carros, 50Ah, para acumular a energia de 1 litro de gasóleo).
Foi errado nas barragens reversíveis - São investimentos muito grandes para uma rentabilidade negativa.
Foi errado nos biocombustíveis - Quando há fome no mundo, é um crime contra a humanidade usar alimentos (milho, soja, etc.) para fazer combustível.
Foi errado nos resíduos florestais - Era preciso queimar toda a madeira que se produz em Portugal para fazer funcionar as centrais que se subsidiaram. E os resíduos da floresta devem ficar no local pois têm um papel biológico muito importante como alimento a fungos, insectos e melhoramento das características biológicas do solo.

É interessante como o Sócrates não conseguiu acertar em nada.
Tudo o que fez foi errado.

O que deveria ser feito de agora para a frente
Em vez de se subsidiar a produção de electricidade e de equipamentos em que a maior parte do valor é importado deve-se investir na investigação feita nas universidades em parceria com empresas.
Só a investigação é que permitirá criar tecnologia e valor.
Mesmo que depois os painéis sejam produzidos na China, o valor estará na patente e na capacidade de criar novas soluções e não tanto em reproduzir o que já se sabe fazer.
É como a RDA que continuou a fazer carros como sabia fazer a Alemanha em 1940. Enquanto com investigação a Alemanha Ocidental desenvolveu a tecnologia criando marcas de prestigio (as Mercedes, Audi e WW), os carros da RDA saiam da fábrica novinhos em folha mas já prontos para ir para a sucata.
Actualmente a maior parte das peças dos Mercedes já são feitas no exterior mas uma parte substancial do preço final é para pagar o trabalho intelectual de desenvolver soluções técnicas e a marca que apenas a Alemanha sabe fazer bem.

Linhas de investigação que será preciso investir se quisermos um cluster de energia fotoeléctrica.
Investigar pequenas instalações "chave na mão": A produção fotoeléctrica é competitiva no fornecimento de electricidade a pequenas vilas isoladas (até 5000 habitantes) onde a distância (ou os roubos dos fios) não permite ligar o consumidor à rede eléctrica geral. É competitiva onde actualmente as necessidades são cobertas com geradores a gasolina.
Estas pequenas redes isoladas têm um mercado potencial colossal no Médio Oriente, África e  Índia.
Deveria ser investigada uma solução técnica de engenharia de uma central solar normalizada com os painéis solares associados a baterias (para a rede poder estar isolada).
Para povoações de 5000 habitantes pobres (consumo de 0.1 kw/habitante) será de investigar soluções técnicas com uma potencia média de 500kw e baterias de NA-S (uma quinta solar com 6000m2 de painéis e 30000m2 de área total).

Fig. 4 - Precisa de uma mulher? Temos uma solução chave-na-mão.


Desenvolver a tecnologia das baterias electroquimicas: Para compatibilizar a produção com o consumo, as quintas solares têm que estar associadas a baterias electroquimicas. As que mostram melhor potencial em termos de custos são as baterias Sódio-Enxofre. É preciso criar grupos de investigação nesta tecnologia para avançar no projectos de baterias NA-S com uma energia na ordem dos 10Mwh (equiparado a 17000 baterias do nosso automóvel).
Baterias deste tipo são utilizadas experimentalmente no Japão associadas a geradores eólicos (produzidas pela NGK/TEPCO).
O Sócrates também queria fazer uma fábrica de baterias para submarinos (mas do tipo da velhina bateria de chumbo que temos no nosso pópó) sem haver em Portugal uma única pessoa a investigar baterias. Era mais uma coisa a subsidiar pois, fazer disso sabem os chinocas e com salários 1/4 dos nossos.


Desenvolver a montagem dos díodos: Mais que fazer investigação no desenvolvimento dos diodos fotovoltaicos, em termos de negócio, é mais importante diminuir os custos que vão entre os diodos e o custo final de produção. Assim, um caminho será investigar suportes mais baratos (os painéis), de mais fácil manutenção (a limpeza e degradação) e na estrutura de suporte dos painéis.

Será que as empresas que aproveitaram os subsídios estão ricas?
Há pessoas que fazem o que for preciso fazer desde que isso dê dinheiro.
Foi o caso do Bruno Tesch que ficou muito contente com a encomenda do seu pesticida para ser usado nos campos de extermínio nazis. Foi executado no dia 16 de Maio de 1946.
O caso das opções energéticas do Sócrates foi igual. Era por demais evidente que Portugal não podia pagar o que o Sócrates prometia mas não quiseram saber.
O povo também estava anestesiado porque confiou na conversa do Sócrates.

Não porque agora ninguém quer pagar.
Chamam-lhe as rendas excessivas quando, de facto, são tecnologias de custos elevados.
Mas quem pensava que se ia aproveitar das loucuras do Sócrates acabou por ser também uma das suas vítimas.
Foi anunciada esta semana a falência do projecto do Roquete onde se soube que a CGD meteu 16 milhões de euros em nada (e outro tanto ao BPI) e muitos mais irão apresentar falência.

Fig. 5 - Anuncia-se como líder de mercado na energia solar. Já perdeu 95% do valor em Bolsa.
(dados: Bolsa PT, grafismo do autor). 

Fig. 6 - A EDP Renováveis concentrou os grandes projectos solares da EDP. Já perdeu 67% do valor em Bolsa.
(dados: Bolsa PT, grafismo do autor)

Finalmente.
O blog ficou só para mim.
Não foi por nenhuma razão especial.
Nos últimos 7 meses, o meu amigo Pedro Araújo só teve tempo para escrever 4 posts e achou por bem desistir do projecto que lançou em finais de 2010.
Isto dos blogs é bom para funcionários públicos de nomeação definitiva.

Uma jovem entra numa esquadra.
 - Sr. polícia acabei de ser violada.
 - A menina é capaz de descrever o violador?
 - Não vi nada porque estava muito escuro e eu fechei os olhos.
 - Só sei que era funcionário público.
 - Funcionário público? Se nem sabe se era preto ou branco como sabe que era funcionário público?
 - É que, sr. guarda, eu é que tive que fazer o servicinho todo.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O preço da electricidade e as "rendas excessivas"

De vez em quando vêm uns temas à praça pública
para logo desaparecerem. Um exemplo foi a campanha das "rendas excessivas" das empresas produtoras de electricidades. Vamos ver que o nosso problema não são os contratos exorbitantes assinados no tempo do Sócrates (mas também são) mas antes o excesso de capacidade de produção que a loucura do Sócrates com as eólicas causou. Então, a solução para o nosso problema não é rasgar contratos à moda do Chaves mas pedir à União Europeia para fazer uma Linha de Muito Alta Tensão em Corrente Contínua (High-voltage direct-current, HVDC) que permita vender o nosso excesso de produção aos espanhois.

O consumo de electricidade no Mundo.
O consumo de electricidade é proporcional ao poder de compra das pessoas. Pegando nos dados do Banco Mundial, quando o PIB per capital em termos do paridade do poder de compra aumenta 1%, o consumo de electricidade aumenta em termos médios 0.95% (dados do banco mundial, 2009, estimativa minha com WLS, ver fig. 1).

Fig. 1 - PIBpc, ppc e o consumo de electricidade (dados: Banco Mundial)

Em média,  no Mundo por cada 1USD produzido (em ppc) consomem-se 0.30KWh de electricidade (fonte: Banco Mundial, 2009).

O cosumo de electricidade em Portugal e na Espanha.
O poder de compra de um espanhol é cerca de 25% maior que o de um português sendo o consumo de electricidade por cada pessoa também maior em Espanha 25%.
Em Portugal em média, cada pessoa consome 0.55KW de electricidade (totalizando 5.8GW) e na Espanha cada pessoa consome 0.69KW (totalizando 31.5GW).
Em m Portugal consome-se apenas 15% da electricidade total da Península Ibérica.

A capacidade de produção electrica em Portugal.
Iniciado o plano hidroeléctrico no tempo do Salazar com a Barragem de Santa Luzia, actualmente Portugal tem construidas barragens com uma potência electrica instalada de 4.23 GW. Se somarmos as barragens em construção, teremos uma potência instalada de 5.8GW que iguala o consumo médio.

Fig. 2 - O que se pode encontrar nas margens de um embalse de uma central hidroeléctrica.  


A produção hidroeléctrica é variavel porque depende da vontade de São Pedro.
Depende da chuva que não se consegue controlar. Em Portugal, nos meses mais secos a produção fica-se pelos 8% da potência instalada enquanto que nos meses invernosos atinge os 100% da potência instalada. Em média a produção é cerca de 1.33GW, 28% da potência instalada.
Apesar de em média a produção ser de 1.33GW, há muitos dias em que ultrapassa os 4GW.

A economia das hidroeléctricas.
Os custos de produção da energia hidroeléctrica são, em mais de 90%, custos fixos (juros e amortizações) e estão muito dependente das condições do rio (o factor de carga que mede a percentagem de tempo em que a barragem está em produção).
Por exemplo, as barragens do Douro (Picote + Miranda + Bemposta + Carrapatelo + Régua + Valeira + Pocinho + Crestuma Lever) têm um factor de carga de 43% que compara com 23% como média das outras barragens.
A produção hidroelétrica é o aproveitamento de um recurso escasso pois apenas pode ser feita se houver rios energéticos (grandes declives e caudais), como é o caso do Douro. Desta forma, as barragens que o Sócrates lançou vão ter um custo de produção muito elevado porque vão aproveitar rios fracos que apenas permitem um factor de carga na ordem dos 15%.
Vamos supor um custo da barragem de 2000€/kw de potência instalada, amortizada em 30 anos com uma taxa de juro de 6%/ano. Teremos C/kw = 3000*5%/(1-(1+5%)^-30) = 145€/ano.
     Para um factor de carga de 43%, teremos 3.9 cênt€ / kwh -> é muito barato
     Para um factor de carga de 23%, teremos 7.2 cênt€ / kwh -> é equivalente às eólicas

Para um factor de carga de 15%, teremos 11.0 cênt€ / kwh -> é muito caro 
As barragens que foram lançadas no tempo do Sócrates são economicamente inviáveis.
São mais um fardo para pagarmos na conta de electricidade. Devem ser imediatamente suspensas.

O consumo é variável ao longo do tempo.
Durante o dia o consumo varia entre 3750MW (no período de super-vazio, entre as 2h e as 6h) e 7500MW (no pico, entre as 19h e as 22h) sendo normal observar nos dias muito frios consumos na ordem dos 8800MW.
Como o custo variável da produção hidroelétrica é praticamente nulo, em termos económicos a barragem deve estar sempre ligada à rede. Assim, só considerando a produção hidrieléctrica já haverá momentos em que a produção excede o total consumido.
Fig. 3 - A produção hidroelétrica é uma variável aleatória

A produção complementar.
Para compatibilziar a produção hidrica (um máximo de 4.23GW e um mínimo de 0.40GW) com o consumo (um máximo de 8.80GW e um mínimo de 3.75GW), foram implementadas ao longo do tempo as soluções técnicas que permitiam responder ao pico de consumo de 8.8GW ao menor custo médio de produção.
Foram construidas centrais termoeléctricas a carvão, a fuelóleo e, ultimamente, a gás natural que somam uma capacidade intalada de 5820MW.
Quando o Sócrates entrou, existia uma capacidade instalada de 10000MW para um consumo médio na ordem dos 5.0MW.

Como funciona a gestão da rede.
O "sistema" tem que garantir que o preço da electicidade cobre pelo menso o custo médio de produção. Caso contrário, ninguém faz uma central.
Então, como o nosso mercado electrico é muito pequeno foi preciso criar um "regulador" que define em cada ano é o custo médio de produção ponderando os custos de capital, de combustivel e de operação.
Depois, o regulador comunica qual deve ser o preço de venda da electricidade para cobrir esses custos.
Se o governo achar esse preço muito elevado, tem que subsidiar o preço.
A invenção dos caloteiros foi empurrar esse subsídio para o próximo governo através do "défice tarifário" que fica a dever aos produtores de electricidade. Em Portugal esse défice já vai nos 2000 milhões€.
Concluindo, as receitas dos produtores não estão dependentes da sua produção, nem podem estar porque o nosso mercado é pequeno e as centrais são tecnicamente diferentes.

Como se autoriza os produtores a entrar na rede de distribuição?
Os regulador tem que minimazr o custo médio de produção. Então, autoriza a ligação à rede das centrais que têm menor custo variável de produção.
Em termos económicos, primeiro ligam-se as centrais hidroelétricas, depois as centrais a carvão. Esta duas fontes de energia deveriam fornecer uma potência constante na pordem dos 4.0MW.
Depois, para o período do dia de maior consumo, legam-se as centrais a gás natural.
Ainda existe a possibilidade de importar alguma, pouca porque não existem linhas de transporte, electricidade de Espanha.
Por fim, como o fuelóleo está muito caro, apenas nos dias de Inverno frios e sem chuva é que as centrais a fuelóleo são requisitadas para trabalhar e apenas nas horas de pico.

A loucura do Sócrates.
De repente aparece um louco a governar portugal, o Sócrates, que se lembrou de expandir a capacidade de produção em mais 6000MW.
Por um lado, 4000MW de produção eólica e, por outro lado, 2000MW em cogeração com tarifa regulada e com prioridade de entrada na rede.
Em meia dúzia de anos o Sócrates destroi completamente o equilibrio do mercado eléctrico.
O problema principal não foi a energia eólica e a cogeração serem caras (tamvém é um problema) mas é ter passado a haver excesso de capacidade de produção.
Este problema é ainda maior porque a produção eólica se concentra nos meses mais chuvosos em que já há grande produção hidroeléctrica.

Fig. 4 - O Sócrates quando alguém dizia que as eólicas eram uma erro.

E havia os produtores antigos.
O elevadissimo custo actual da electricidade em Portugal não deriva só dos contratos assinados no tempo do Sócrates, as tais "rendas excessivas", mas também deriva de haver uma infra-estrutura (barragens e centrais termoeléctricas) que têm custos fixos muito elevados cujos contratos de fornecimento garantem o pagamento desse custo fixo.
Quando esses contratos foram assinados, era normal que assim fosse porque não se previa a loucura do Sócrates em expandir a potência electrica instalada.
Agora, essas centrais estão paradas o que é um sobrecusto para os consumidores.

Que solução temos para o problema?
Foi um erro terrivel que apenas é defendido pelos antigos membros dos governos que vivem à custa disso e que vai desde o Carlos Pimenta e do Catroga do PSD até ao Pina Moura do PS, ex-PCP.
Agora, para resolver este problema não podemos fazer como o Chaves e rasgar os contratos. E meter os responsáveis na cadeia não resolve nada mas seria de toda a justiça.
Temos que arranjar quem nos compre esta capacidade excedentária de produção electrica.

Passos, deixa a loucura do comboio e concentra-te no transporte da electricidade para a Espanha.
O nosso único possível cliente é a Espanha. Mas para isso temos que transportar a electricidade até lá.
Em termos técnicos é preciso fazer uma linha de muito alta voltagem em corrente contínua (HVDC) com  3000MW capacidade com cerca de 500km que permita liguar a rede electrica portuguesa à rede electrica espanhola.
Isto custará menos de 1500 milhões de euros e será dinheiro muito melhor empregue que fazer uma linha de comboios que só vai dar prejuizo pois não consegue competir com os camiões.
Além do mais, Portugal tem autoestradas em demasia e uma nova linha de comboi é cometer a loucura do Sócrates de, em cima de algo que já existe em excesso, criar uma linha de comboios.

Em termos de custos para Portugal da HVDC.
A linha ficará 1/3 em Portugal e 2/3 em Espanha e, por fazer parte da rede europeia de electricidade, será financiada a 90% pela UE pelo que o encargo para Portugal fica em 50 Milhões de €.
Isto não é nada, é o prejuizo da CP de um mês, e permitirá mitigar um problema gravíssimo.

A HVDC Itaipu-S.Paulo e Cabora Bassa-Joanesburgo
São duas linhas de 3150MW que ligam a barragem de Itaipu à cidade de S. Paulo, Brasil, numa extensão de 810 km.
Cabora Bassa liga-se a Joanesburgo com uma linha HVDC de 1920 MW e 1420 km de extensão.

Nota final: o Passos e o FMI deram-me razão.
Primeiro o Passos Coelho ao afirmar que não nos vamos conseguir financiar no mercado da dívida em Setembro de 2013 e hoje o FMI ao afirmar que os custos do trabalho em Portugal têm que diminuir 15%, vêm-me dar razão.
Agora só é preciso implementar as medidas.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 17 de setembro de 2011

Electricidade: +30%.

Lembram-se do argumento de que o vento e a água são nossos, não custam nada?
Lembram-se do argumento de que os vira ventos iriam permitir a Portugal uma poupança de não sei quantos milhões em importações?
Lembram-se do Sócrates ir dizer à Assembleia Geral da ONU que "Portugalo is the countri of the aeróliques"?

Fig. 1 - Isto é um recurso renovável mas a brincadeira vai-te ficar cara. Quem paga o investimento nas boobies?

Ai meu Deus porque não avisaste o povo que estávamos a ser enganados?
As energias renováveis são um erro colossal que implica um encargo para os consumidores de energia eléctrica de 1350 milhões de euros por ano.
Em 2008 eu antecipei que avançar-se para as energias Renováveis em detrimento do Nuclear era uma opção que teria elevados sobrecustos para o país. Cheguei a ser entrevistado pelo JN e tive muita gente que me atacou. 
Os vira ventos eram o futuro. O ar e o vento eram de graça pelo que não era possível nada ficar mais barato que isso. O investimento ficava para calote, e o Povo acreditou, principalmente os intelectuais.
Agora vem a factura para pagar: é preciso aumentar o preço da electricidade em 30%.
como já toda a gente identificou, aumentando a electricidade 30%, as emrpesas ou vão à falência ou têm que reduzir nos custos do trabalho.
Então, vem ai mais uma redução do nível de vida induzida pelo aumento do preço da electricidade que as famílias pagam mais uma redução no seu rendimento.
É a parte sombria do keynesianismo: investir aumenta o emprego e o produto.

O Passos Coelho já veio dizer que não está a pensar na energia nuclear que, julgo, poderá ser a solução para o nosso problema energético. Mas estará o Passos Coelho a pensar em alguma coisa?
Penso que não.

Em Portugal está tudo condenado aos 30%.
A electricidade subir 30%;
Os impostos subir 30%;
As prestações dos créditos à habitação subir 30%;
A despesa das famílias em Saúde e Educação subir 30%;
Os salários descer 30%.

Está na hora de Portugal declarar a independência da Madeira.
Imagine que vai jantar com os seus amigos, conta a dividir por todos.
Chega a factura e começa a ler:
António, 11.2€; Manuela, 10.5€; Joaquim, 9.9€, Alberto João, 160€.
- É pá, como pode ser isto? - digo eu.
- Está aqui tudo claro, eu era magrinho e aproveitei para comer duas lagostas e beber duas garrafas de champanhe. Eu também pago a minha parte não sei porque vocêes não querem pagar a vossa. Olhem para o meu prato, estão aqui as castas de tudo, à vista de todos, eles não estão a por preço a mais. Eu precisava de defender as minhas células - diz o Alberto João.
-E quem defende as nossas carteiras? - digo eu.
Temos que falar sem tabus sobre vermo-nos livres da Madeira. Não dá para aguentar mais.
Mais vale ajudarmos Timor que dizem bem dos cubanos do cont'nente e sofrem muito.

Os empreiteiros e outros que fizeram as obras sabendo que não havia cabimento de verbas no orçamento para tal, têm que perder o dinheiro. Custe a quem custar.
Se o Passos Coelho entrar com a massa para a Madeira, vou-lhe fazer a maior guerra que me for possível.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Poderá a energia nuclear resolver algum dos problemas de Portugal?

A PERE é um fardo herdado do guterrismo-socratismo.

Sob o enquadramento da Produção Eléctrica em Regime Especial, principalmente durante os 6 anos do socratismo, foram assinados contratos de longo-prazo que penalizam os consumidores de electricidade em cerca de 1350 milhões de € por ano.
A co-geração calor/electricidade será responsável por um encargo de 350milhões€/ano e a energia eólica por um encargo de 1000milhões€/ano.
Este encargo de 11€/mês por cada português torna as empresas menos competitivas e as famílias mais pobres.

Fig. 1 - Carrega e não bufes.

Os custos das principais tecnologias de produção de electricidade.
A electricidade, em termos económicos,  não é um bem homogéneo.
Sendo que a procura varia ao longo do tempo, existem tecnologias que respondem à variação e outras não. Digamos que umas tecnologias têm uma "entrada na rede" que é totalmente controlável pela vontade humana (o gás natural) e outras não dependem em nada dessa vontade (a eólica).
Esta é uma das principais razões para não se dizer que a tecnologia com custos de produção mais baixos é a melhor.
Fig. 2 - Comparação das diversas tecnologias de produção de electricidade

Os custos da Fig. 2 foram obtidos com os seguintes pressupostos:

Fig. 3 - Cálculo dos custos de produção (exemplo com um taxa de juro real de 5%/ano)

A taxa de juro real é obtida retirando a taxa de inflação da taxa de juro efectiva.

Comparação entre o nuclear e o carvão.
Custo total e taxa de juro.
Para taxas de juro reais menores que 5%/ano, o carvão e o nuclear são as tecnologia que têm menores custos de produção. Quanto mais baixa for a taxa de juro mais vantagem tem o nuclear (por exemplo, nos USA ou na Alemanha o Estado paga taxas reais na ordem do 1%/ano).
No caso de Portugal, com taxa de juro reais muito acima dos 10%, não existe qualquer viabilidade económica para o nuclear.

Custo efectivo e factor de carga.
Como o nuclear tem um custo fixo muito elevado (2/3 do total), o seu custo efectivo aumenta muito se o factor de carga, a procura, diminuir. Então, a potência nuclear instalada só pode responder à procura eléctrica de Vazio descontando em termos probabilisticos a produção hidro e eólica (que têm custos de muito curto prazo quase nulos).
No caso de Portugal, a procura de Vazio é cerca de 4000MW e a mas a produção hidro + eólica, em mais de 25% do tempo, é superior a este valor.
Também por esta razão,  não existe qualquer viabilidade económica para o nuclear em Portugal.

Fig. 3 - Belezura, eu sou o carvão para deitar. Jorge Nuno me mandou para aquecer o quarto seu. Desentope aqui meus bicos do gás.

O que se pode concluir? Vamos rasgar os contratos da PERE.
Portugal não aguenta os encargos da PERE pelo que o caminho apontado será a "renegociação" dos contratos assinados pelo guterrismo-socratismo em nome do Estado Português e procurar novas condições que partilhem as perdas entre os consumidores e os agentes que assinaram esses contratos porque eles já sabiam que eram muito pesados para Portugal.

Fig. 4 - Precisam rasgar contratos? Não se esqueçam do especialista.

E se alguém nos quiser vender um relógio de ouro por 10€?
Claro que é roubado. E a nossa lei diz que "quem recepta coisa roubada, fica sem ela".
Esses contratos são autênticos roubos.
Podemos dizer que são tecnologias que custam muito dinheiro e se que não fossem estas empresas seriam outras. Que criaram muito postos de trabalho, que foi um desafio que o Estado lhes lançou, blá, blá, blá, ...
O do relógio alegou que teve que correr quilómetros para fugir ao antigo dono, que o relogio tinha gravado "para a minha amada lady Betty" e teve que pagar a um relojoeiro para alterar isso, blá, blá, blá, ...

Fig. 5 - Tens que ter paciência pá. Olha o equilíbrio Zen pá ...

Mas é ilegal
Nada é ilegal para o Estado. Altera-se a lei. Altera-se a Constituição. Já não digo que façam como o Chaves: um telefonema para que alterem "voluntariamente" os termos do contrato, senão mete os fulanos na cadeia por Atentado à Segurança do Estado.
Lá terá que ser: chamamos o Vale Tudo.

ALTERNATIVA - UMA CANTADA À ESPANHA
A Espanha produz 7000 MW eléctricos em centrais nucleares que quer fechar.
Tem aumentado muito o uso de carvão para responder ao aumento da procura.
Mas quer reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera.
E aumentar a produção de energias renováveis.
Está aqui uma oportunidade de negócio para nós.

Fig. 6 - Só tenho pena que não sejas feia e gorda para veres como eu verdadeiramente te amo. Tira, tira que eu estou prisioneiro da tua inteligência, ah ah ah ah ah .... Rezamos depois ah ah ah ah ah ... Isto é asma.

Vamos convencer os espanhois.
A Espanha, apesar de estar em crise, consegue taxas de juro muito mais favoráveis que Portugal. E as centrais nucleares são produzidas pela Alemanha e França que terão interesse no seu financiamento.
Nestas condições, será possível arranjar financiamento com uma taxa de juro real abaixo dos 5%/ano.
Os espanhois podíam "comprar" (o mais correcto é dizer pagar) a energia da nossa PERE e contabilizá-la como produção deles em "tecnologias limpas".
Nós, como contrapartida, deslocamos as centrais nucleares deles para Portugal.
Neste negócio, não se diz à Espanha que ia pagar as loucuras do nosso PERE mas contabilizamos cada tonelada de CO2 não emitida a 20€/tonelada o que dá 2 c.€/kwh. Para 8000Mw dá os 1350milhões€ por ano que precisamos.

O nuclear terá mais vantagens para Portugal?
Os 8000Mw eléctricos efectivos correspondem a uma potência instalada de 10000Mw que se traduz num investimento de 2 mil milhões€ por ano, durante 20 anos. Desse total, pelo menos metade fica em Portugal.
Cria durante os 20 anos da construção mais de 25000 empregos directos na construção civil.
Cria 10000 empregos bem remunerados durante o funcionamento, 5 mil engenheiros.
Como a Espanha tem um consumo eléctrico de Vazio na ordem do 20000Mw e com tendência crescente, a potência nuclear instalada poderia ser ainda maior, ir até aos 15000Mw para uma produção efectiva de 12000Mw eléctricos.

Terá inconvenientes?
Claro que sim. Senão, os espanhois queiram-nas lá. Eles não são burros de todo.
Tem o perigo de perda radioactiva por acidente como aconteceu em Chernobyl ou Fukushima.
E temos que aceitar que vamos ficar com os resíduos radioactivos para sempre.
Mas Portugal tem baixo risco de terramoto, é um país seguro, estável, com um nível de desenvolvimento tecnológico razoável. Com bons locais para o armazenamento dos resíduos.
Mas se queremos continuar a viver bem, temos que aceitar riscos.

Um acidente pode ser muito grave mas o risco é muito baixo.
O risco de morrermos num acidente de viação é milhões de vezes maior.
O risco de morrermos de cancro da pele por irmos à praia é milhões de vezes maior.
O risco de morrermos engasgados a comer é milhares de vezes maior.

Fig. 7 - Eu quero a mulher radioactiva. Zzzz ...

Onde instalar a coisa?
A localização de uma potência tão elevada tem que ser feita junto ao mar, para ter uma boa Fonte Fria o que diminui o investimento e aumenta o rendimento, e para ter acesso ao transporte pelo marítimo.
Tem que ficar o mais próximo possível de Espanha, ser numa zona de baixo risco sísmico e ficar a mais de 20km  das cidades e infra-estruturas importantes.
Mas também tem que estar próximo de populações que possam fornecer 25000 trabalhadores.
E, ser numa zona economicamente deprimida, com taxas de desemprego elevadas.
Este local existe entre Aveiro e a Figueira da Foz. Vai captar mão de obra de toda a Região Norte.

Fig. 8 - O local óptimo para a central nuclear.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O abandono Nuclear: estará a Dra. Merkel a actuar de forma emotiva?

Eu penso que a Dr.a Merkel é racional e quer ajudar Portugal mas isso não é transmitido pela Comunicação Social. Um leitor deste blog, a quem agradeço, referiu que o abandono da energia nuclear na Alemanha é uma decisão emotiva que irá trazer problemas a Portugal. Vejamos que não.
E que dizer à E. Coli fatal ter vindo da agricultura biológica?
As centrais nucleares da Alemanha estão velhas
As centrais nucleares da Alemanha são dos anos 1970 estando numa fase terminal da sua vida útil, com perdas de eficiência. A Alemanha para continuar a produzir electricidade com combustível nuclear teria que construir novas centrais.
Fig. 1 – Produção eléctrica nuclear na Alemanha e na China (1990-2010, Banco Mundial)
O consumo de energia está a deslocar-se para a Ásia
A Alemanha (e Itália) tem um consumo de electricidade em decrescimento o que coloca um risco de negócio muito grande na construção de novas centrais nucleares que precisam 40 anos para se amortizarem. As autoridades alemães prevêem mesmo uma redução de 40% no consumo de electricidade a médio prazo.
O consumo de electricidade tem diminuído nestes países porque têm deslocalizado a sua indústria pesada para a Asia.
Relativamente a 1990, na Alemanha consome-se praticamente a mesma electricidade enquanto na China se consome 6.5 vezes e com um aumento médio de 9.4%/ano.
Fig. 2 – Evolução do consumo de electricidade (1990-2010, Banco Mundial)
A Alemanha quer a Rússia como parceiro estratégico
A Alemanha pretende que os Países de Leste se desenvolvam como seus parceiros estratégicos (recordo que 20 milhões de alemães nasceram em territórios que hoje pertencem a esses países de onde foram expulsos em 1945) e a importação de gás natural da Rússia funciona como um instrumento fulcral nessa estratégia de integração económica: A Rússia exporta matérias-primas e a Alemanha produtos de elevado valor.
Para a Alemanha, a Europa de Leste também funcionará como um contrapeso relativamente às pressões da União Europeia com os seus países falidos que querem mama.
A Itália quer integrar-se com os países do Norte de África que também são exportadores de gás natural.
Fig. 3 – Evolução do uso do gás natural na produção de electricidade (1990-2010, Banco Mundial)
Acresce que a Alemanha é um grande exportador de equipamento para a energia eólica e pretende expandir as exportações experimentando as inovações tecnológicas internamente o que também obriga ao uso de gás natural em centrais de apoio.
A Alemanha vai aproveitar o excesso de capacidade produtiva da França
A França construiu centrais nucleares antecipando um grande aumento do consumo de electricidade que não se verificou. Assim, tem excesso de capacidade instalada que a Alemanha procura adquirir a preço de saldo.
Desta forma, como a Alemanha compra o gás natural à Rússia que não o pode vender a mais ninguém e vai adquirir capacidade instalada na França que também não está a ser aproveitada por ninguém, a sua decisão é completamente racional e as decisões racionais trazem benefícios a toda a gente incluindo Portugal.
Finalmente: Está tudo em choque porque a E.Coli veio da agricultura biológica
O azeite espanhol marado, as vacas loucas, os nitrofuranos, a gripe das aves, o leite chinês adulterado, veio tudo da indústria alimentar intensiva. Parecia que o que era moderno era mau e que o antigo, a agricultura biológica, estava acima de qualquer risco.
Aquilo é um choque: um fulano no seu quintal, faz uma agriculturazita biológica seguindo os protocolos tradicionais e causa uma crise alimentar tremenda, com dezenas de mortos e centenas de pessoas nos cuidados intensivos. E se o problema não fosse atacado com a eficiência alemã, aquilo teria causado milhares de mortos.
Este caso faz-me recordar que as centrais nucleares não indemnizam em caso de fuga radioactiva acidental. Parece gravíssimo mas será que este alemão da agricultura biológica vai indemnizar alguém?
As centrais nucleares têm risco, os aviões têm risco, os automóveis têm, a electricidade tem risco, o mar tem risco, tudo tem risco.
Imaginemos o pior cenário que pode acontecer e a realidade vai ser mil vezes pior.
Estar vivo é um grande risco mas não podemos deixar de viver com medo de que o céu nos caia em cima das nossas cabeças.
Fig. 4 – Bunga Bunga: La vita è a soli due giorni.
Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 2 de abril de 2011

As energias renováveis são um erro colossal


Nos anos 1930 decidiu-se um plano para a produção energética que incluia três tecnologias: a hidroeléctrica, a térmica a carvão e a térmica a fuelóleo. Com pequenas adaptações, este plano foi implementado antes do fim do seculo XX. Nos últimos 15 anos o Estado implementou a politica megalómana de duplicar a potência de produção com um investimento de 15000 milhões de euros na tecnologia eólica o que não tem qualquer racionalidade económica e que se traduz num buraco financeiro de 1000 milhões de euros por ano.

A procura de energia eléctrica
Apesar de em termos individuais a quantidade procurada de electricidade ser imprevisível, em termos agregados, é variável mas tem um padrão razoavelmente estável. Observa-se uma variação do consumo ao longo do dia, da semana e do ano. A variação mais importante é em termos diários, indo de 3750Mw no período de Super Vazio (de madrugada) até 7500Mw no período de Ponta (entre as 18h30 e as 21h30). Em termos semanais, ao Domingo a quantidade procurada é menor em 1000Mw e, em termos anuais, em Dezembro a quantidade procurada é maior em 750Mw que a procurada em Maio.

 Figura 1 - Padrão de procura de electricidade ao longo do dia



Para responder à procura, existem várias soluções  técnicas para a produção de electricidade que têm diferentes custos e características.
A produção eléctrica
Um produtor eficiente procurará uma mistura de tecnologias de produção que permitam o menor custo de produção. Nos anos 1930 decidiu-se usar três tecnologias: hidroeléctrica, térmica a carvão e térmica a fuelóleo que foi implementada. 
Produção hidroeléctrica
É muito barata, entre 15€/Mwh e 25€/Mwh, mas é um recurso limitado porque depende de haver rios com elevados declives, é variável, imprevisível num horizonte temporal de um mês e não é controlável porque depende da chuva. Em termos económicos, porque são necessário grandes investimentos iniciais e não é controlável, o custo de oportunidade é quase nulo o que torna economicamente obrigatório que toda a energia hidroeléctrica produzida seja injectada na rede eléctrica.
A variabilidade da produção eléctrica resulta das alterações na pluviosidade. Em Portugal o factor de capacidade, FC, dos aproveitamentos hidroeléctricos é, em média, 25% mas varia ao longo do ano atingindo um mínimo em Agosto (na ordem dos 8%, 400MW) e um máximo em Dezembro (até 100%, 4837Mw). Como a electricidade não é armazenável, comparando com a quantidade procurada, há bastantes dias no Inverno em que, entre a 3h e as 7h, há excedente de produção que tem que ser destruída.
Figura 2 - Produção média anual hidroeléctrica (Mw)
Produção termoeléctrica a carvão
Também tem um custo baixo, entre 25€/Mwh e 35€/Mwh, tendo as vantagens de não ser um recurso escasso e de a potência produzida ser controlável. No entanto, uma máquina a carvão tem pouco controle: apenas produz com FC de 0% ou próximo de 100% e demora pelo menos uma semana a ligar. Assim, esta tecnologia não consegue responder às alterações da quantidade procurada ao longo do dia. Ao longo do ano, já é controlável ligando-se ou desligando-se uma das 12 máquinas existentes em Portugal. A potência máxima que pode ser injectada na rede eléctrica portuguesa usando o carvão é de 2486Mw.
Em termos económicos, por ter um baixo custo de produção, assumida a produção hidroeléctrica como um dado, tenta-se maximizar a produção termoeléctrica a carvão. A optimização incorpora a destruição de electricidade durante a noite (que tem um custo de oportunidade quase zero).
Produção termoeléctrica a gás natural e fuelóleo
A produção termoeléctrica a gás natural e fuelóleo é bastante mais cara que as anteriores, na ordem dos 40€/Mwh a 60€/Mwh. A principal vantagem desta tecnologia é a sua controlabilidade no curto prazo: pode-se ligar uma turbina a gás natural em 15 minutos e oscilar quase instantaneamente a sua potência entre 60% e 100%. Em termos económicos, apenas se utiliza quando não for possível cobrir as necessidades com produção hidroeléctrica e termoeléctrica a carvão. O custo de produção está muito dependente da cotação do petróleo. A potência máxima que se pode produzir é de 4941Mw.
A mistura de centrais eléctricas existentes com estas 3 tecnologias foi decidida na década de 1930 e lentamente implementada até ao fim do cavaquismo (1995) com a adaptação do gás natural. Foi desenhada para permitir responder a situações de seca extremas (pois o carvão mais o gás e fuelóleo podem atingir 7400Mw de produção) e construir uma mistura óptima na gestão corrente.
Um produtor eléctrico racional responde à quantidade procurada de electricidade tendo a produção hidroeléctrica como um dado do seu problema de minimização do custo de produção. Assim, planeia a uma semana de distância que máquinas a carvão devem ser ligadas e varia a produção eléctrica de curto prazo com as máquinas a fuelóleo e a gás natural. Apresento uma simulação para um dia de Inverno em que há um pequeno reforço da produção hidroeléctrica e térmica a carvão na hora de pico de consumo:

Figura 3 - Mistura óptima de produção electrica ao longo do dia

Produção eléctrica eólica
É uma tecnologia muito cara, na ordem dos 60€/Mwh a 70€/Mwh. Tal como a produção hidroeléctrica, obriga a grandes investimentos; tem um custo variável de produção baixo, na casa dos 10%; é um recurso limitado porque depende de haver locais com vento; é muito variável e muito imprevisível num horizonte temporal de um dia; a produção é maior no Outono/Inverno e não é controlável. Tem um FC média na ordem dos 20%. Dada a grande potência instalada, 10000Mw, e a variabilidade dos ventos, existem períodos em que a potência injectada na rede eléctrica é praticamente zero e outros em que é superior ao consumo total de pico, 8000Mw. Tem então as desvantagens da produção hidroeléctrica (não controlável e variável) e as desvantagens da produção a gás natural e fuelóleo (muito cara).
Acresce como desvantagem que no período em que há mais vento, o Inverno, também é quando há maior produção hidroeléctrica que já era excedentária em parte desse período. Então, a energia eólica é pouco aproveitável (ver, fig.3). No Verão, quando seria necessária para compensar a menor pluviosidade, também não há vento. Na primavera e Outono, a grande oscilação diária prejudica o uso das máquinas a carvão e obriga a expandir o uso das máquinas a gás que são uma tecnologia cara.
Independentemente de a electricidade produzida ter não uso, o Estado garante um preço próximo dos 75€/Mwh.
Figura 24 - A inutilidade de grande parte da produção electrica de origem eólica

O investimento feito em parques eólicos foi da ordem dos 15 mil milhões de euros que estão garantidos pelo Estado. Assim o Estado Português comprometeu-se a pagar, melhor dizendo, obriga os consumidores de electricidade a pagar, mais de 1300 milhões de euros por ano por uma mercadoria que vale, a preços de mercado, pouco mais que 300 milhões de euros por ano. Assim, a fachada de ir à ONU anunciar que somos dos países do mundo que temos maior produção eólica tem um custo para Portugal de mais de 1000 milhões de euros por ano. Este é mais um buraco financeiro que deveria estar contabilizado na Dívida Pública e que ajuda à descida do rating da república.
Centrais hidroeléctricas reversíveis
A electricidade não se pode armazenar em grande quantidade. Mas é possível, com as centrais hidroeléctricas reversíveis, usar os excessos de produção das máquinas a carvão durante a madrugada, que tem um custo de oportunidade quase nulo, para aumentar a produção durante a hora de ponta. Não é viável a transferência enérgicas a uma distância maior que um dia.
É um recurso muito escasso porque obriga a zonas com muito elevada inclinação e que permitam a construção de barragens com muito volume de água. Como tem um investimento que é o dobro de uma hidroeléctrica normal, o custo de produção ficará entre os 40Mwh e 50Mwh. Além disso, por cada Mwh produzido consome 1,5Mwh.
Esta tecnologia não tem grande interesse para mitigar o problema do excesso de produção eólica do Inverno porque nessa altura do ano já existe uma produção hídrica excedentária. Será mais um elevado encargo para o país que não resolve nada.
Carros eléctricos
Outra forma de tentar resolver o problema da irracionalidade do investimento megalómano em energia eólica é actuar do lado da procura. Assim, o Governo lembrou-se dos carros eléctricos. Mas isso, contrariamente ao anunciado, fica muito caro.
Um litro de gasolina tem 8.1 Mcal. Um automóvel que consome 6l/h, que tem um motor com rendimento de 45% então, terá uma potência útil média de 35cv que são 25Kw. Aparentemente custa 9.60€ porque o preço da gasolina é 1.60€/l. Mas nesse preço o custo é de apenas 0,68€/l a que acresce  0.12€/l da margem de comercialização e 0,90€/l de impostos. Assim, para o país, o custo do carro a gasolina é de 4,1€/h. O resto não é custo mas uma receita do Estado (1350 M€ por ano) e das bombas de gasolina.
O custo de produção da electricidade eólica é 0,070€/kwh a que tem que se acrescentar o custo do transporte da electricidade, 0,05€/kwh, mais as perdas na rede, na bateria e no motor eléctrico que soma pelo menos 30%. Então, o carro eléctrico a circular com a mesma potência custa 4.35€/h. Fica mais caro que o carro a gasolina e ainda temos que somar que um carro eléctrico é bastante mais caro que um carro a gasolina e é mais pesado pelo que gasta mais energia e tem pior performance.
Podem dizer que o custo de oportunidade da electricidade é zero mas então que a disponibilizem já a preço zero para consumo doméstico e industrial.
Produção termoeléctrica nuclear
É muito barata, entre 20€/Mwh e 25€/Mwh, mas, como o investimento é muito grande, a máquina nuclear tem que trabalhar com FC de 100%. Desta forma, o dimensionamento da produção nuclear tem que considerar apenas o consumo de Super Vazio que em Portugal é de 4000Mw. Como existe produção hidroeléctrica que cobre esse período durante 4 meses do ano, a opção nuclear não é viável em Portugal. Se acrescentarmos a variabilidade induzida na rede pela produção eólica, fica totalmente fora de questão.
Se Portugal quiser investir na tecnologia nuclear terá que ser para o mercado espanhol que tem um consumo em Super Vazio de 20000Mwh e pouca produção hídrica.

Meu Deus, como é possível sermos governados por pessoas tão incompetentes?
Nossa Senhora de Fátima, que apareceste para salvar Portugal, como permites que 30% do povo tenha intenção de votar nos incompetentes que nos levaram à bancarrota?

Fig. 5 - I'm the father of the electro-eolical-country, the bancarroted portugalo

Pedro Cosme Costa Vieira

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