Nietzsche anuncia a chegada do ‘último homem’ em Assim Falava Zaratustra.
Não é o 'último homem' no sentido apocalíptico, em que a humanidade se reduz a um último homem mas o 'último Homem' no sentido de ser uma visão pessimista do último estado de evolução da humanidade.
O indivíduo dessa 'última civilização', seja por decisão interna ou por pressão social, procura perder-se no rebanho, não fazer ondas, fazer e dizer apenas o que esperam que faça e diga, esmaga a mais pequena ambição de grandeza que possa surgir no seu pensamento.
Então, em o "Último Homem" devemos entender 'Homem' como a sociedade que agrega indivíduos medrosos e apagados e que, enquanto agregado, proíbe o sucesso e a liberdade de pensamento individuais porque isso pode perturbar o conforto da coesão social, a igualdade, a estabilidade das instituições e a paz enquanto uma anestesia de fracos e não uma conquista de guerreiros. Não interessa mais destingir o bem do mal, o que é preciso é que continue tudo na mesma.
E é por isso que é “último”: não porque tudo acabe depois dele, mas porque deixa de haver vontade de ir mais longe.
É a última estação do comboio. A partir daí, já não há destino — apenas repetição. Repete-se o que já foi dito, faz-se o que já foi feito, pensa-se o que já foi pensado. Tudo igual, séculos para trás e séculos para a frente.
Como me aconselhou a presidenta do pedagógico Sofia, o indivíduo tem de se reduzir a dizer o que está escrito na 'sebenta'. Aulas em que se repetem exercícios que se aplicam apenas a 'mundos imaginários' vindos de séculos passados, sem questionar, chegar sempre ao mesmo resultado e chamar a isso saber.
O "Além do Homem"
Nos Estados Unidos, a sociedade valoriza o indivíduo que tem ambição, que arrisca, desafia normas, aceita falhar e, ainda assim, cria algo que não existia, constrói fortuna a partir do nada. Ali, o espírito do “Além do Homem” ainda sobrevive.
Na Europa, a história é outra. Vive-se com medo da mudança, de se perder o "estado social", a educação e saúde gratuitas, sob a sombra do “Último Homem”. Quando chega uma inovação — quase sempre importada — a reacção é limitar, regulamentar, enquadrar. Sempre com o argumento de que “é uma ideia perigosa que pode pôr em causa a humanidade”.
O medo da mudança é antigo.
Na Bíblia, quando Roboão sobe ao trono, a situação torna-se ainda pior para o povo israelita, mostra ser um rei pior do que Salomão (sim, Salomão oprimia o seu povo), ainda mais rígido e pesado com o povo, acabando mesmo por criar divisão, instabilidade e a derrota imposta por exércitos estrangeiros que levou ao exílio na Babilónia.
E ainda hoje ouvimos o mesmo argumento: “A situação não é boa, mas se mexemos, vai piorar.”
É a justificaç~qo clássica dos fracos: não agir, não arriscar, não desafiar o status quo. Preferem manter o conforto aparente e a previsibilidade, mesmo que isso signifique estagnar.
Não se pode derrotar o regime sanguinário do Maduro porque "o Trump apenas quer o petróleo e vai lá meter um ainda pior".
Não se pode derrotar o Hamas nem o Hezbolah, bandos de terroristas sanguinários, porque vem aí um ainda mais radical, ainda pior.
Não se pode derrotar os aiatolas do Irão, regime opressivo e terrorista, só podem ser substituídos por ainda piores, mais radicalizados. O coitadinho do Khamenei até era um moderado.
Mas o medo europeu da mudança custa caro.
A guerra na Ucrânia mostrou que a política do apaziguamento e o conforto de comprar energia barata à Rússia e vender-lhe carros alemães não garantiram segurança.
É que quem apazigua, quem procura a negociação interminável e sem resultados, apenas mostra fraqueza de vontade e de acção acabando por pagar o preço da sua própria hesitação.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014 e o que fizeram os Europeus?
Protestaram com "as mais duras palavras que existem" e, passado uns meses, voltou tudo para o sofá.
O pequeno conforto proporcionado pela energia barata russa aconselhava a não fazer ondas.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2022 e o que fizeram os Europeus?
Mais protestos mas, se não fosse a imediata acção dos americanos, ingleses e polacos, a Ucrânia tinha sido derrotada em meia dúzia de dias.
Agora, passamos a ajuda para 'divida comum' (como se ninguém a tivesse de pagar) e alegremente escudamo-nos atrás do Órban votar contra.
Ninguém tem culpa que não seja o Órban.
"Nós Europeus não tiveram nada a ver com a guerra no Irão".
Não fomos informados nem poderíamos ter sido porque dávamos logo com a língua nos dentes.
Na Europa, aplaudem-se os discursos dos governantes que negam ajuda aos EUA para manter o estreito de Ormuz aberto.
O problema é que o conflito envolvendo forças de Israel e USA tem grande impacto nos países dependentes da importação de petróleo e gás. Desta forma, mesmo que os europeus defendam na sua política de empata de que tudo deve continuar como está, deveriam ter agido rapidamente e em força não para dominar, mas para reduzir ao minimo a duração do conflito e minimizar assim o impacto económico e estratégico de uma redução de 20% no mercado de hidrocarbonetos.
Se temos reservas energéticas para 90 dias, temos de gerir a duração da guerra tendo sempre esses 90 dias na mente.
Mas os europeus — e também japoneses e sul-coreanos — reagiram pela fraqueza: afirmaram que não eram parte do conflito, e até tentaram tirar proveito da situação através de ganhos indirectos, explorando a oposição gerada pela intervenção militar. Afinal, o Irão havia declarado que não deixaria passar navios de quem interviesse na guerra.
Mas a postura de “não intervenção” não gera autonomia, cria dependência.
Dependência das decisões e vontades dos verdadeiros protagonistas do conflito — os Estados Unidos e Israel, que são exportadores de petróleo e gás natural e que, por isso, não se preocupam com a duração do corte nos abastecimentos.
Mais uma vez, a hesitação, o medo de agir e a busca por conforto e consenso, típicos do Último Homem europeu, mostram que escolher a segurança aparente às custas da liberdade estratégica tem um preço muito real.
Cada dia de discursos de feito feito é mais um dia de hesitação que mais não faz do que aumentar o preço da energia, fortalecer a posição de quem tem armas e recursos, e deixar claro que a dependência externa é um luxo perigoso.
O medo de agir, a preocupação excessiva com o “politicamente correto” e a busca por consenso, que caracteriza o Último Homem europeu, traduz-se em vulnerabilidade concreta.
O futuro europeu?
Será um passo a passo da Europa não para manter o "Último Homem" mas para a irrelevância.
Venezuela como o 51.º estado dos USA.
Os europeus vieram logo dizer que o Trump só pode estar maluco ao afirmar que a Venezuela até se pode tornar um estado americano.
Mas não é a União Europeia que está em processo de absorver a Ucrânia?
Neste momento a China tem 1400 milhões de habitantes e os USA tem 350 milhões. Olhando para a diferença na população, os analistas vaticinam que a China vai-se tornar a super-potência mundial por volta de 2150.
Mas esquecem-se que os USA podem aumentar de tamanho, incorporando territórios como Cuba ou Venezuela.
A Venezuela tem 30 milhões e Cuba têm 10 milhões de habitantes, somando 12% da actual população dos USA. Com um período de transição de uns 10 ou 20 anos, é viável tornarem-se estados dos USA.
A área da Venezuela, 916000 km2, é maior do que o Texas, 696 km2.
Não vejo porque não quando a Roménia ou a Hungria fazem parte da UE.
quinta-feira, março 19, 2026








