segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Será que o Costa nos preparou para as nuvens negras que vejo no horizonte?

Há várias verdades na vida e uma delas é que as crises se repetem.

Por mais que se contestem os avanços da ciência económica, há algo que não pode ser colocado em questão. É que a economia tem tendência para crescer ao longo do tempo mas sofre de ciclos económicos, isto é, em metade dos anos o crescimento económico é maior do que a média e em outra metade dos anos a economia cresce menos que a média. Em particular, há anos em que a economia regride.

Olhando para os dados desde 1960 do PIB per capita, Portugal cresceu 2,76%/ano e os USA 1,93%. Em média, por cada 5 anos em que houve crescimento económico, houve um ano em que houve contracção da economia, crise.

O crescimento económico permite que produção média de cada português seja cerca de 5,3 vezes o que produzia em 1960€.


Se alguém gritar "Abriguem-se que vem ai uma crise económica" vai sempre acertar.

As crises económicas são como a morte, é certa mas a hora é incerta. Alguém dizer, "a crise é para o ano" está sujeito a erro mas "vem ai uma crise" acerta sempre.

A questão que coloco é se, tendo havido uma crise em 2008 a que tivemos muita dificuldade em responder por causa da fragilidade das contas públicas, havendo hoje uma crise, estamos mais preparados.


Pois parece que não!!!!

No início da crise de 2002 (de que já ninguém se lembra, quando o Durão Barroso disse "estamos de tanga") a dívida pública era 60% do PIB.

No início da crise do sub-prime (quando o Sócrates disse "o PEC 4 vai resolver tudo"), a dívida pública estava aumentada para 73% do PIB.

Actualmente, a dívida pública está em 118% do PIB. Deveria ter diminuído de acordo com a seta a vermelho para estarmos hoje na mesma situação que tínhamos em 2008!!!!!!!!!

Dívida pública portuguesa em % do PIB (Pordata)


A dívida aumenta a cada crise até explodir-nos.

Em 2011 o Passos Coelho, com muitos sacrifícios, conseguiu safar-nos da bancarrota.

Imagino que agora já não haverá quem nos salve, vai mesmo acontecer a banca rota.

Se compararmos o que aconteceu durante o Passos Coelho (queda do PIB per capita de 6,8%) com o aconteceu com os esquerdistas gregos (queda de 25%) podemos prever o que vem aí.

Evolução do PIB per capita português e grego relativamente a 2007


quinta-feira, 15 de setembro de 2022

O problema é que não há gás, logo, não há eletricidade.

No senso comum  a crise resulta dos preços elevados da energia.

Mas a realidade é totalmente diferente, a crise resulta de não haver gás russo.

O ano passado, por cada 100 kwh consumidos na Europa Ocidental, 10kwh foram gás natural importado da Rússia. De repente, a Rússia cortou o fornecimento desse gás natural havendo então necessidade de cortar no consumo.

Temos então que reduzir o nosso consumo de energia em 10% e 40% de consumo de gás.

Não há como dar volta a isto, não vale a pena subsidiar o consumo de energia porque não há energia suficiente para mantermos o nível de consumo do ano passado.


O corte na oferta é ainda superior a 10%.

É que houve redução na produção de petróleo russo (que poderia ser usado em substituição do gás natural) e na produção de fertilizantes de síntese (produzir um kg de nitrato de amónia gasta 1,5 m3 de gás natural).

Já estão a ver porque a UE quer que cortemos 15% no consumo de energia e o Costa foi lá dizer que "Portugal não precisa poupar até podendo substituir a Rússia como fornecedor de gás natural à Alemanha"?


Não será possível arranjar alternativas?

Muito difícil porque é difícil aos outros produtores de energia aumentar de forma tão substancial a sua produção num curto prazo. 

Além disso, aumentar a produção obriga a investimentos de milhares de milhões de euros a amortizar em 50 anos. E se, por exemplo, o Qatar investe 100 mil milhões € a aumentar a capacidade de produção e liquifação de gás natural e, daqui a um ou dois anos, a Europa Ocidental faz as pazes com a Rússia e deixa de comprar o gás ao Qatar? Quem fica com o prejuízo?

Prova de que se procuram alternativa à energia russa é observar-se o aumento explosivo na procura de carvão (e consequente aumento do preço). Em 2019 o carvão foi transaccionado a 62€/ton (e em 2020 a 50€/ton) e nos últimos 3 meses foi transaccionado a 360€/ton, um aumento de 480%.


Como vamos obrigar as pessoas a consumir menos energia?

Existem três soluções possíveis.

1= As pessoas reduzem de forma voluntária o seu consumo (desligam o aquecimento e o ar condicionado, andam mais de vagar e reduzem as deslocações de automóvel, consomem menos produtos intensos em energia como aço e alumínio).

2 = O Estado impõe racionamento. Por exemplo, desliga a electricidade nas casas em que gastem mais de 100kwh / pessoa por mês.

3 = Aumenta-se o preço da energia quer pelas "forças do mercado" quer cobrando taxas adicionais sobre o consumo de energia.


Não se pode subsidiar o consumo de energia!!!!

O preço tem aumentado porque não há energia disponível e as pessoas não querem, de forma voluntária, diminuir o consumo em 15%.

Se não vão a bem, têm de ir a mal, o preço tem de subir até as pessoas se sentirem obrigadas as reduzir o consumo de energia em 15%.


Vamos supor a seguinte situação.

O Costa é o chefe de comitiva de 100 pessoas vão fazer uma viagem pelo deserto com a duração 20 dias. No início da viagem cada pessoa recebe 100 moedas de "1 Neuro", um total de 10000 Neuros.

A água é vendida a 1 Neuro cada litro.

Sendo assim, cada pessoa pode comprar e consumir 5 litros de água por dia.

Começou a viagem e o camião de apoio pensava levar 10000 litros de água quando  apenas levava 9000 litros (houve um erro na conversão de libras para kg).

Ao fim de 10 dias, o condutor do camião deu conta do erro, reparou que já só tinha 4000 litros de água e as pessoas ainda tinham 5000 Neuros na carteira. A solução que encontrou foi aumentar o preços da água para 1,25 Neuros/litro. Desta forma, as pessoas vendo que tinham menos poder de compra, reduziram o consumo para 4 litros por dia.

A ideia do chefe de comitiva foi "Para que não passem sede, vou dar 10 Neuros a cada pessoas".

Mas o que as pessoas precisam é de água no camião, não é de Neuros no bolso pois o problema não é o preço elevado mas sim o não há mais água para consumir.


Não há alternativa à austeridade.

Quando tivemos, em 2008-2011, a grave crise que se chamou do sub-prime/divida soberana, o Passos Coelho pregou que as crises só se podem ultrapassar reduzindo o consumo, isto é, com austeridade.

O Costa gritou que era uma política errada, que dar dinheiro às pessoas iria fazer a economia crescer.

Vamos ver se vai agora aplicar essa máxima que nos últimos 10 anos não se cansou de gritar.

Ainda no outro dia, no Parlamento, gritou "o que a Direita quer é voltar à austeridade" a que totalidade da Direita gritou GASTE-SE COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ.

Fig. 1 - Entre meados de 2019 e inícios de 2020, a dívida pública a 10 anos estava nos 0,3%/ano e, em 6 meses, saltou para os 2,78%/ano (tradineconomics). Nem na bancarrota do Sócrates o aumento foi tão rápido.


As pessoas não compreendem como o consumo se liga ao consumo.

Sempre que eu tentei ensinar esta ligação, falhei.

Quando os esquerdistas não compreendem como a economia funciona, atacam-me como se o problema fosse eu!!

E tudo começou com uma pergunta, numa conferência, que fiz há 20 anos ao Louçã "Estuda as crises na Economia Capitalista mas, sendo de esquerda, não deveria também estudar as crises nas Economias Socialistas? Será que por lá não há crises?"

Acabei perseguido e despedido não por ser incompetente nem por ter dito algo errado mas acusado de ser racista, xenófobo e misógino!


Mas vamos ao que interessa.

Se não há gás suficiente para o consumo, o preço vai aumentar o que incentiva os consumidores a gastar menos (e os produtores a utilizar tecnologias mais caras para substituir parte da falta).

Mas globalmente, no conjunto de todos os bens da economia, só há duas soluções.

1 = Os preços todos aumentam (há inflação) mas os salários mantêm-se iguais (diminui o poder de compra).

2 = Os salários aumentam de acordo coma inflação mas a taxa de juro aumenta (aumenta a poupança).

Estranhamente, o efeito do aumento da taxa de juro é igual ao efeito de o salário se manter constante!!!

É que, por um lado, diminuir o poder de compra faz diminuir o consumo e, por outro lado, aumentar a taxa de juro faz aumentar a poupança que é o mesmo que dizer que vai diminuir o consumo.


E se o Costa "compensar" o aumento dos preços da energia e aumentar os salários?

Como não faz nada para que a produção de energia aumente, apenas vai fazer com que os preços da energia aumentem ainda mais. O que o Costa deveria fazer era pedir às pessoas para que poupassem energia, vestindo mais roupa no Inverno.

Ao aumentar os salários (por exemplo, via Salário Mínimo Nacional), vai dar o sinal aos investidores que vem ai o descalabro À moda do Sócrates.


Como é que o Costa vai agora dar a volta ao problema?

Vai ter que fazer o que fez o Imperador Hiroito no fim da Segunda Guerra Mundial (passou rapidamente de guerreiro a pacifista, levando ao suicídio dos "falcões") .

Ver-se livres dos esquerdistas que querem mais e mais e mais como se até amanhã não fizesse mais sentido e rodear-se daqueles que se contentam com menos.

De qualquer forma, temos todos que nos preparar para a austeridade mas com outro nome, talvez, à moda do Putin, "reagrupar as tropas".

É a política real.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Uma contribuição para o fim da confusão na circulação das trotinetas

Quem tem uma trotineta eléctrica não sabe onde pode circular.

No dia 8 de Janeiro de 2021 entrou em vigor o Decreto-Lei n.º 102-B/2020, de 9 de Dezembro, que altera o Código da Estrada em favor da micro-mobilidade:

A) O velocípede (a bicicleta) passa a ter os mesmos direitos que os veículos com motor sem perder o direito de circular nas ciclovias. Desta forma, os automóveis têm de ceder prioridade às bicicletas que se apresentem pela direita, como se estas fossem automóveis.

B) A trotineta eléctrica é considerada uma bicicleta quando tem "motor eléctrico (...) com potência máxima contínua de 0,25 kW e atingindo a velocidade máxima em patamar de 25 km/h (...)  (Al. b, n.º 3 do art. 112º do CE).

Claro que existem problemas na definição de "potência máxima contínua" pois o que temos é uma brochura do vendedor, por exemplo, a Xiami Pro 2 refere "uma potência nominal de 300W e uma potência máxima de 600W". Como a trotineta não é homologada, ninguém sabe como os valores anunciados pelo vendedor se transformam em "potência máxima contínua" para efeito do CE.


E as trotinetes mais potentes?

Vamos aceitar que as trotinetas ligeiras, que anunciam um peso até 16 kg e 350W de potência nominal estão cobertas pela al. b), n.º 3 do art. 112º do CE e que, por isso, podem circular nas ciclovias desde que a menos de 25km/h.

Subsiste o problema de descobrirmos o que são as outras trotinetas, que anunciam 2000W de potência nominal e velocidade máxima de 60km/h.


Serão ciclomotores?

Uma leitura textual da definição de ciclomotor (têm duas rodas e potência máxima inferior a 4 kW  (Al. a, n.º 3 do artigo 107º do CE), levanos a pensar que as trotinetas mais potentes caiem nesta categoria.

Sendo assim, as trotinetas mais potentes têm de ter matrícula e os condutores têm de ter carta de condução.

Mas, se assim fosse, como todas as trotinetas caiem nesta classe, seriam todas ciclomotores!


Não, não são ciclomotores nem velocípedes.

As trotinetas menos potentes são velocípedes por causa da al. b) do n.º 3 do art. 112º do CE.

E as trotinetas mais potentes não são velocípedes mas também não são ciclomotores por causa n.º 5 do art. 112º do CE (falta o decreto regulamentar): "O regime de circulação e as características técnicas de trotinetas com motor elétrico (...) que não respeitem o disposto na alínea b) do n.º 3 são fixados por decreto regulamentar."


O que eu penso sobre as trotinetes mais potentes.

Como escrevem os advogados, será assim salvo se aparecer outra opinião.

As trotinetas potência elevada não precisam de ter matrícula nem o condutor precisa ter carta de condução (porque não são ciclomotores) mas não podem circular nas ciclovias (porque não são velocípedes). 

Pode circular nas estradas como se fosse um automóvel e nas vias BUS por ter duas rodas.

Não pode circular em auto-estradas porque não é um motociclo.


Será que as trotinetes podem circular nos passeios?

Sou inclinado a dizer que sim desde que com cuidado porque os peões têm prioridade de uso.

A Berma e o Passeio são uma superfície da via pública (...) que ladeia a faixa de rodagem;

A diferença é que a Berma "não é especialmente destinada ao trânsito de veículos" enquanto que o  Passeio "é especialmente destinada ao trânsito de peões";

Como a trotineta eléctrica pode circular na berma, sou de opinião de que também pode circular no passeio se não tiver mais por onde circular em segurança. 


No futuro vai haver problemas de convivência.

Quem tem poder é mais velho, tem dinheiro para bons carros, procurando limpar as estradas de qualquer empecilho à circulação acelerada das suas máquinas.

Quem é jovem e pobre não tem poder além do votito.

O que vai acontecer é que vão começar a aparecer campanhas a diabolizar a trotineta, dizendo que é muito perigoso, mostrando estatísticas com milhões de acidentes por dia.

Já começam a aparecer relatos de cegos que tropeçaram, velhinhos que têm medo de sair à rua e de jovens que abriram a cabeça mas será cada vez pior.

Basta ver a grande notícia de haver em Portugal 148 acidentes por ano de trotineta (ver) enquanto nada é dito sobre em 2021 terem sido feridos 3939 peões por atropelamento dos quais 51 morreram (ver).


terça-feira, 6 de setembro de 2022

O pacote anti-crise do Costa está errado mas o da oposição também está.

Há muitos anos tive uma cadeira que se chamava Estratégia.

Não me lembro grandemente do que lá aprendi mas o pouco que me lembro é importante: 

Tal como o capitão do navio em mar alterado consultar repetidamente o seu destino (não basta garantir que o navio está a andar), os governantes precisam repetidamente recordar quais são as funções do Estado.

Parece que há um pensamento atribuído ao Confúcio que condensa isso da "missão", "Não vale a pena correres se não sabes para onde precisas de ir".

O Costa (e a oposição) vai dar dinheiro às pessoas sem saber o que procura o Estado fazer.


Os recursos do Estado são cobrados de uns e entregues a outros.

O Costa não inventa "dinheiro", retira impostos, taxas e taxinhas a uns e dá subsídios, subvenções e auxílios a outros.

Esta função do Estado diz-se "redistributiva" e, em tese, retira mais aos ricos e entrega mais aos pobres. A função redistributiva existe porque alguém identificou que há uma tendência na Economia de Mercado para que os mais ricos fiquem mais ricos (e mais escolarizados) e os mais pobres (e menos escolarizados) fiquem mais pobres. Se não houver a função redistributiva do Estado, geração após geração, os filhos dos ricos e com mais escolaridade serão mais ricos e com mais escolaridade e vice-versa.

Por questões filosóficas (somos todos humanos) ou práticas (numa sociedade com grandes diferenças socio-económicas há mais violência), todos aceitamos que o Estado deve combater, em maior ou menor grau, a disparidade de rendimento das pessoas.


Será que dar 125€ a todos os português retirados de todos os portugueses vai resolver alguma coisa?

Não percebo a lógica mais que não seja propaganda.

As finanças mandam-me uma carta a dizer "Tem de pagar 1000€ hoje, tecle 123456789 no multibanco" e manda-me outra carta a dizer "O Estado deu-lhe 1000€, tecle 987654321 no multibanco para os receber".

Grande anúncio do Costa a dizer que me deu 1000€ mas, no final, não recebi nada porque fui eu quem paguei os 1000€.


Esses 125€ que vão para os contribuintes vêm dos contribuintes!

Em vez de dar 125€ a todos, o que se traduz em mais 600 milhões€ a pagar em impostos, dava apenas  aos que precisa, aos mais pobres, o que se seria realmente redistribuição.

Esse 125€ e todos os subsídios que vão ser dados sem olhar a quem abranger pessoas que não precisam, gastam isso num jantar, e que vão ser elas a pagar isso nos impostos.

Nada é gratuito, tudo tem de ser pago pelo contribuinte, isto é, pelos portugueses.


Vejamos as contas da CARRIS que diz que as viagens são grátis.

Peguei no relatório e contas de 2020 e concentrei-me em 2019 já que 2020 foi um ano anormal.

Os "Custos das Vendas" foram 104 milhões € e foram percorridos 490 milhões km x passageiro o que dá um custo de 0,214€/km (a viagem média tem 3,51 km e tem um custo de produção 0,75€) 

Uma trotinete custa 300€, dá para fazer uns 7500km o que dá 0,04€/km. Os custos de electricidade anda nos  0,005€/km a que se acrescenta 0,01€/km para manutenção (totaliza 0,55€/km).

Isto traduz que o custo da trotinete é 75% menor que o custo do transporte público.

Pode ser aborrecido quando chove mas é muito melhor andar de trotinete (não tem horário, vai de casa até ao destino e não é preciso esperar nas paragens) do que de autocarro.


Agora vai a pergunta.

Se se perguntar a um jovem "Pagas 0,75€ no autocarro ou 0,20€ de trotinete" que meio de transporte acham que o jovem vai preferir?

Claro que dizendo ao jovem "andas de graça no autocarro" escondendo que tem um custo de 0,22€/km, o jovem tem de andar de autocarro e assim ficar justificado o que não tem justificação.


Nos últimos 5 meses fiz 1800km de trotinete AOVO PRO.

Está como nova, não apresentando qualquer desgaste aparente. Havia quem dissesse "Essa marca branca, ao fim de um mês já não anda" mas não é verdade. Já tive um acidente (por minha má cabeça), deixei-a cair muitas vezes, andei por estradas e caminhos impróprios e mantém-se impecável.

E da minha experiência penso que quem faz as ciclovias por esse portugal fora nunca andou de trotinete.


Como deveriam ser as trotevias.

1 = Devem ser ao mesmo nível da estrada e apenas deve haver um traço contínuo (a linha de guia) a separar a estrada da trotevia (os pinos só servem para derrubar as trotinetes).

2 = O óptimo será ter pelo menos 1,00 metros mas basta ter 0,50 metros para não ser necessário estorvar os automóveis.

3 = Os carros têm de ter cuidado redobrado e facilitar pois cada trotinete na rua é menos um carro a estorvar. E lembrarem-se que quanto mais selvagens forem enquanto automobilistas, mais largas têm de ser as trotevias (e mais estreitas as vias destinadas aos automóveis)!



quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Portugal vai duplicar o PIB nos próximos 20 anos é a anedota do século.

Vou pegar apenas em 3 gráficos que mostram a evolução de Portugal nos últimos 52 anos.

No primeiro gráfico mostro a evolução do PIB  (o que traduz o nível de vida de cada português, em média) e localizar no tempo a entrada na UE-União Europeia e na ZE-Zona Euro. Os dados são do Banco Mundial.

Entre 1970 e 1999, o crescimento português foi de 3,5%/ano, o que sonha a SEDES. Mas de 2000 em diante, o crescimento reduziu-se para 0,6%/ano.

O que a SEDES está a pedir que voltemos a crescer entre 1970 e 1999. Pegar no que aconteceu entre 1970 e 1999, isto é, chamar de volta o Marcelo Caetano, a emigração massiva para a França. o período revolucionário e os 10 anos de Cavaquismo.

Parece-me difícil!

Fig. 1 - PIB português e evolução pedida pela SEDES

Mas mais grave é o que se acontece em comparação com os a Zona Euro.Entre 1970 o nosso PIB per capita convergiu com a média da Zona Euro 0,4 pontos percentuais por ano mas, a partir de 2000, está a divergir 0,1 ponto percentual por ano com a média da ZE.
O que a SEDES diz ser capaz de ensinar os governos e os portugueses a fazer aé a forma de passarmos a ter uma convergência de 1,8 pontos percentuais por ano.


Fig. 2 - PIB per capita português relativamente ao da ZE

Ainda estamos abaixo do PIB potencial de 2008.
Se ampliarmos com dados trimestrais do Banco de Portugal a evolução do PIB, vemos que a tendência de evolução do PIB potencial no período posterior à entrada na Zona Euro é de 1%/ano mas que, decorridos 14 anos da Crise do Sub-prime de 2008, ainda estamos abaixo da tendência de longo prazo.
Se em 14 anos ainda não retornamos à tendência de +1,0%/ano, como podemos sonhar em termos nos próximos 20 anos uma tendência de crescer 3,5%/ano.


Fig. 3 - Evolução do PIB trimestral entre 1995 e 2022 (dados, BP)


É impossível duplicar o nosso PIB nos próximos 20 anos.
É um discurso de candidata a miss mundo, terminar com o sofrimento na Terra, as alterações climáticas, a fome e a guerra, especialmente na parte que afecta as crianças e os lgbtqia+.
Atendendo a que a nossa economia está intimamente ligada às economias dos nossos parceiros da Zona Euro, não se prevê nos próximos anos descobertas de petróleo e gás natural, é impossível Portugal passar, de uma divergência de 0,1pp/ano para uma convergência de 1,8pp/ano com a ZE.
Nem que cá volte a Nossa Senhora de Fátima acompanhada pelo seu filho Jesus Cristo, ambos em corpo e alma.
Digamos que este livro da SEDES é um fair divers, uma anestesia para retirar o holofote da desgovernação do Costa que mais não faz do que encaminhar-nos para a pobreza.
Vamos duplicar o PIB mas, em vez dos 20 anos de vida sonhados, vai demorar 70 anos de vida vividos. 

O que diz o irmão rico ao irmão pobre?
- És tão rico, dá-me cem euros para me ajudar na prestação da barraca.
- Se começares hoje a trabalhar 12 horas por dias, daqui por 20 já não precisas dos meus cem euros porque já terás a casa mais do que paga.

Fig. 4 - Pai, eu gostava tanto que a Marisa fosse minha namorada! - Meu filho, se fores médico e trabalhares muito, daqui a 20 anos vais ter dinheiro suficiente para a conquistar. - Mas nessa altura, a Marisa vai estar velha e gorda! 



quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Como vai a propaganda do Costa esconder que o gás natural aumentou 1300%?

O primeiro ministro Costa é escorregadio como a enguia.

O problema é que existe mesmo um problema na energia que não pode ser escondido com anúncios e com propaganda.

O problema é que, nos anos 2017-2020, o preço médio do Gás Natural foi de 22€ por MWh (um custo de 0,022€/kwh) e hoje está a ser transaccionado acima de 300€/MWh, um aumento de 1300%.

Dá que ver que temos mesmo na Europa um grave problema de falta de gás natural.

Basta consultar https://tradingeconomics.com/commodity/eu-natural-gas.

Seria bom que o Costa com um, dez ou mil decretos, um ataque à ENDESA ou a dizer que as pessoas podem passar para o "mercado regulado" resolvesse o problema mas não vai acontecer.

Quando bater, vai ser forte e feio.

Já alguém questionou o Costa sobre quem serão os fornecedor do mercado regulado a preço reduzido? Serão a TAP, a CP, a RTP, a CGD ou outra dessas empresas públicas que são um sorvedouro de dinheiros públicos?

Só pode.



segunda-feira, 22 de agosto de 2022

A Rússia vai perder a guerra da Ucrânia porque não pode usar armas nucleares.

Será que se a Rússia usar armas nucleares na Ucrânia, vai haver retaliação nuclear?
A ameaça de uso de armas nucleares na Ucrânia tem sido constante e a pergunta "Como responderiam os USA e a Europa Ocidental" não sai da cabeça do analista médio.
Pensa o analista médio que, o ocidente retaliando, dá-se início à terceira guerra mundial nuclear.
Mas falta uma peça no raciocínio, é que a Ucrânia tem armas nucleares!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E é muito mais provável a Ucrânia usar as suas armas nucleares como retaliação no sentido estratégico de "assegurar a destruição mútua".
Vai dizer que "em 1991, a Ucrânia desfez-se de todas as armas nucleares" mas tenho de explicar que existem dois tipos de armas nucleares, as armas explosivas (as bombas atómicas) e as armas radioactivas (as bombas sujas).

As armas nucleares explosivas.
Têm como fim causar uma explosão muito violenta e deixar pouca radioactividade.
Por exemplo, a Fat Man que foi lançada em Hiroxima tem um poder destrutivo equivalente a uma bomba de com 20 milhões kg TNT e utiliza 6,2kg de Plutónio 239 (uma esfera com 85mm de diâmetro).
O núcleo de uma bomba atómica de 20 000 000kg de TNT compara com uma granada de mão M-61 e com 3 moedas de 2€.
Uma bomba de 20 000 000kg de TNT seria uma esfera com 28,5m de diâmetro e apenas poderia ser transportada num barco.
A bomba nuclear liberta na explosão cerca de 1 ou 2 kg de isótopos radioactivos.

A dimensão de uma granada de mão M-61 e de uma bomba atómica comparada com 3 moedas de 2€

As armas nucleares radioactivas.
Não explodem, isto é, não acontecem reacções nucleares mas servem para espalhar material radioactivo que foi previamente criado.
No caso, o medo da Rússia é que a Ucrânia use "lixo nuclear" que está armazenado nas suas centrais nucleares (combustível utilizado) que é muito radioactivo e que o utilize na construção de bombas nucleares radioactivas.

E como se constrói uma bomba nuclear radioactiva?
Pega-se em combustível de uma central nuclear, tritura-se num moinho e retira-se o invólucro metálico.
Mistura-se o pó radioactivo com explosivo, por exemplo, ANFO, na proporção 50/50.
Pega-se na carcaça de uma bomba, por exemplo a FAB-250de 250kg e, em vez do explosivo, enche-se com a mistura explosivo/pó radioactivo.
Lança-se sobre as cidades fazendo explodir a bomba a 2000 m de altitude (para espalhar o pó).
Sai uma esquadrilha de bombardeiros e, ao largar as bombas, não causa destruição visível mas inviabiliza que a área continue ocupada durante milhares de anos.
Cada 10 kg de "lixo radioactivo" tem tanto material radioactivo como o libertado por uma bomba atómica equivalente a 20 milhões de Kg de TNT.
Uma bomba "suja" com 125 kg de material radioactivo liberta tanta radioactividade como 12 bombas atómicas.


Estão a perceber porque a Rússia tentou ocupar todas as centrais nucleares ucranianas?
A Rússia atacou no Norte para tentar ocupar as centrais mais ocidentais, a central de Rivne e a central de Khmelnitsky mas não conseguiu.
Se neste momento a Rússia tem declaradas 3039 bombas nucleares activas, a Ucrânia pode já ter 10 mil armas nucleares radioactiva.

Se a Rússia usar armas nucleares na Ucrânia ...
A Rússia pode destruir as cidades ucranianas sem ver as suas cidades ser destruídas (que podem ser re-construídas) mas existe o risco de a Ucrânia retaliar com armas nucleares radioactivas e, as cidades russas ficam intactas mas inabitáveis nos próximos séculos.
10 mil bombas "sujas" largadas do céu tornarão a maioria da Rússia inabitável pelo menos nos próximos 100 anos.
É isto que evita que os russos usem o seu armamento nuclear para subjugar a Ucrânia, penso eu de que...

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

A solução para a falta de habitação nas cidades é tapar as janelas.

As últimas semanas estive de férias numa das zonas habitacionais da cidade do Porto.
Numa antiga quinta com 64000m2 implantaram 8 edifícios de 7 pisos que ocupam 8500m2, 25% da área total disponível.
Isto acontece porque as janelas obrigam a uma largura do edifício de apenas 25m e a privacidade obriga a afastar as fachadas outros 25m. 

Fig. 1 - Exemplo de um apartamento sem janelas, bom para uma família com 2 adultos e uma criança.

 
Claro que podem afirmar, e é verdade, que há muitos terrenos por ai espalhados mas esses terrenos estão onde ninguém quer morar.
As pessoas querem cada vez mais viver nos centros das cidades, onde têm acesso próximo a todos os serviços e onde há mais emprego, pelo que há necessidade de densificar as cidades.
Ter, por exemplo, uma linha de metropolitano caríssima torna racional densificar a cidade ao longo do seu trajecto.
Retirar as janelas aos apartamentos deixa de haver o problema da privacidade o que permitirá que os "edifícios" se encostem uns aos outros e fiquem maioritariamente ou mesmo na totalidade enterrados!
Sem janelas, podemos ter 400 apartamentos num terreno de 3500m2 (25m x 140m de comprimento), com 10 pisos (parte ou totalmente escavados), suficientes para alojar 1500 pessoas. 
Este edifício pode ser totalmente subterrâneo e ter à superfície uma zona verde ou ser uma zona pedonal.
Além de habitação, também podem ser incluídas áreas de escritório. 

Fig. 2 - Repetição do T2 sem janelas num edifício com 140m de comprimento.

Esta solução deveria ser experimentada.
O leitor pode levantar a hipótese de que a qualidade de vida num alojamento sem janelas é baixa e que causa problemas sociais nas áreas envolventes mas é apenas uma hipótese pois tal nunca foi avaliado.  
Se eu tivesse algum poder, construía um edifício massivo sem janelas para arrendamento de longa duração transmissível e remível, localizado numa zona cara da cidade e avaliava o seu impacto na sociedade envolvente e nos indivíduos que ai habitem.
Fazia um arrendamento de longa duração para não colocar nos habitantes o risco de a experiência correr mal e ter de demolida.
Se conseguisse uma parceria com a Câmara, fazia o edifício totalmente enterrado num parque ou praça existente (como fizeram com o estacionamento em muitas praças), por exemplo, na Rotunda da Boavista. 

O que é um contrato de arrendamento de longa duração transmissível remível?
Legalmente é um arrendamento mas, ao ser transmissível, o arrendatário pode transmitir o contrato de arrendamento, a título gratuito ou não, a outra pessoa. Além disso, o arrendatário tem uma opção de compra por um preço previamente acordado. 
Vou fazer uma análise a preços constantes (isto é, retirando a inflação) do valor da renda e do valor de remissão.
Suponhamos que uma habitação custa 100000€, que se amortiza em 100 anos e que a taxa de juro real é de 2% ano (que é a tradução do spread). Estou a assumir que, ao fim de 100 anos, o valor da casa é zero.
Nesta simulação, a renda vai ser de 193€/mês.

O valor de remissão.
Vamos supor que, passados 50 anos, a pessoa decide comprar a casa. Nessa altura o arrendatário terá de pagar o valor que falta amortizar.
Na simulação, aos fim de 50 anos, o arrendatário tem de pagar cerca de 73000€ para ficar com a casa.
  

E agora a trotinete.
Já ultrapassei os 1500km, a maior parte em turismo e lazer, e cada vez gosto mais deste novo meio de transporte individual. Se se recordam, comprei uma trotinete AOVOPRO e tenho feito viagens para matar o tempo. Neste momento, porque lhe meti uma segunda bateria que me enviaram em compensação da publicidade exagerada, está com uma autonomia de: 

Velocidade  (1 bateria)  (2 baterias) 
15km/h           21km           42km
25km/h           18km           35km
30km/h           14km           29km.


Experimentei-a numa ida a Aveiro.
Como agora estou tecnicamente desempregado, fui a Aveiro (que é o meu distrito de residência) inscrever-me no IEFP. Fui de comboio onde levei a trotinete.
Nem precisei perguntar qual seria o autocarro e muito menos tive de chamar um táxi.
Vi no meu telemóvel o mapa e arranquei rumo ao destino.
Chegado lá, prendi a trotinete com um cadeado a um poste de bicicletas e fui à minha vidinha.
Depois, ainda passei um bocadinho e voltei à estação para apanhar o comboio.
Dali destinei-me ao Porto, tendo saído na estação de General Torres e feito na trotinete 6,7 km até casa da minha irmã (demorei 25m, uma média de 16km/h).
Por exemplo, ir de trotinete da Estação de Campanhã ao Hospital de São João (que fica longe como tudo) são apenas 5 km e demora 20 minutos.

A trotinete é um meio de transporte individual poderosíssimo. 
Passa por onde passa um peão e, se a levarmos pela mão (ou a empurramos ao pé, com o motor desligado), conta como um peão.
O problema são as estradas empedradas e em mau estado (piso partido) e o perigo vem de tirar as mãos do volante e de haver buracos na estrada.
Fig. 3 - No empedrado e no piso partido, a tremideira liquefaz os miolos.


A trotinete nos edifícios massivos.
Existem sempre pessoas que são contrárias ao progresso mas nos edifícios muito grandes, por exemplo, nos aeroportos, centros comerciais, estações de comboio, universidades, a trotinete permite vencer as grandes distância de forma cómoda e rápida.
Num edifício com 140m de comprimento, será necessário utilizar a trotinete!


quarta-feira, 13 de julho de 2022

O modelo de negócio das "trotinetes partilhadas" está completamente errado.

Este poste serve para introduzir conceitos de gestão "Modelo de Negócio".

Uma empresa pega em inputs (bens e serviços intermédios e matérias-primas) que, com trabalho e capital (equipamento, instalações e conhecimento) transforma no output (outros bens e serviços finais ou intermédios) que têm mais "valor" do que o custo de produção. A diferença, em termos de preços, será o lucro da empresa:

  Lucro = Preço de venda do output - (Preço dos inputs + Capital + Salários) 

Uma empresa para ser viável tem de ter um lucro, pelo menos, ligeiramente positivo.


Vamos ao Modelo de Negócio das trotinetes partilhadas.

Para o comum dos mortais, está certo o dito popular de que "já está tudo inventado" mas, para o empreendedor, existe disponível todo um mundo de novos produtos e novas oportunidades lucrativos.

Primeiro, o novo negócio tem de "criar valor", isto é, o valor atribuído pelos compradores ao novo bem ou serviço tem de ser maior do que o "valor destruído" na fabricação do produto. 

Segundo, o empreendedor tem de ser capaz de se apropriar de uma parte significativa desse valor criado.

Terceiro, a margem do empreendedor está limitada pelas alternativas que já existem no mercado, isto é, pela concorrência.


O valor criado pelas trotinetes partilhadas.

A pessoa pretende deslocar-se do ponto A para o ponto B, distantes 7,5km entre si. 

Se a pessoa for a pé, demora 2 horas. 

O valor da viagem da trotinete está em reduzir o tempo da viagem de 2 horas para 30 minutos. 

Supondo que a pessoa tem a trotinete em A e a pode deixar em B e que o custo do tempo são 10€/hora, então a viagem de trotinete cria um valor de 15€.


Agora, vamos ao custo de produção do transporte (o valor "destruído").

Vamos supor uma Trotinete Eléctrica Xiaomi Mi Electric Scooter Pro 2 que tem um preço de 445€,   uma autonomia de 40km (a 15km/h) e aguenta o equivalente a 500 cargas completas (20000km).

Custo = (445/20000 + 0,01)*7,5 = 0,25€ por viagem.


Se não houvesse concorrência.

A empresa vai poder cobrar um preço algures entre 0,25€ e 15€ por cada viagem.

Como o taxi tem um preço de 7,60€, a trotinete não pode cobrar mais do que este preço.

A trotinete BIRD/CIRC (é a mesma empresa) tem um preço de 5,50€ por viagem (1€ + 0,15€/min).


O preço da trotinete partilhada é 22 vezes o custo da trotinete pessoal!

Sendo que as trotinetes pessoais têm um custo na ordem dos 0,25€/viagem, o preço das trotinetes partilhadas é extraordinariamente elevado pelo que será de pensar que a BIRD/CIRC tem lucros enormes.

Nada mais errado pois a empresa tem é enormes prejuízos!!!!!!!!!! 

Em 2021 a empresa teve uma faturação de cerca de 200 milhões de euros para pagar custos na ordem dos 400 milhões de euros!!!!!!!

A empresa só seria rentável se cada pessoa tivesse pago 11€ por viagem, mais do que cobra um taxi (e que pode levar até 4 pessoas).


O que estará errado no Modelo de Negócio?

Está nos custos acrescentados para ser possível cobrar o preço ao consumidor.

A empresa tem um produto, a viagem de trotinete, que custa 0,25€ a produzir mas que, depois, precisa de um custo de 10,75€ para poderem ser cobrados os 0,25€!!!!!!

Digamos que a empresa incorre no grave erro de gestão de ter um "custo da embalagem e gestão" que é 43 vezes o custo de produção do produto.

Seria como ter um pão que custa 0,10€ a produzir mas, porque é entregue embrulhado em seda e por uma limusina, fica em 4,40€.

Não faz qualquer sentido.


Em que sentido tem de ser alterado o modelo de negócio?

A trotinete partilhada tem de se aproximar da trotinete pessoal o que se consegue alterando radicalmente o relacionamento com a trotinete partilhada.

O cliente toma a trotinete e só a vai deixar quando já não precisar dela. 

     Preço = 1€ por dia + 0,10€ por km + 0,50€ por troca + 2,50€ pela carga.

Será obrigação do cliente "tomar conta" dela. 

Se o cliente tiver necessidade de a deixar num local, esta fica bloqueada à sua espera. Se o cliente tiver necessidade de a deixar e apanhar outra noutro local, terá de pagar mais 0,50€.

Se o cliente carregar a trotinete, não precisa pagar a carga.

Se, por exemplo, o turista ficar 5 dias na cidade, percorrer 40 km por dia, pegou a trotinete com 90% de carga e devolve-a com 60% de carga. Terá de pagar.

     5*1,00€+ 40*5*0,10€ + (90%-60%)*2,50€ =25,75€

Se, um cliente pega de manhã a trotinete à saída do comboio com 90% de carga, faz 10km, demora 40 min e devolve-a com 75% de carga. Terá de pagar:

     1,00€ + 10*0,10€ + (90%-75%)*2,50€ =2,38€

Pegando noutra trotinete à noite para fazer o trajecto de volta, vai pagar 1,88€ (um total de 4,25€).

Se o cliente tomou uma trotinete com 30% de carga, ficou com ela no gabinete e devolveu-a com 85% de carga, vai pagar menos:

    1,00€ + 20*0,10€ + (30%-85%)*2,50€ = 1,63€

Este preço passa a ser inferior ao preço de um bilhete de autocarro.


Como é possível o cliente pagando muito menos para a empresa passar a ter lucro?

É que, ao considerar a possibilidade de o cliente tomar conta e carregar a trotinete, os custos de gestão ficam extraordinariamente diminuídos.

O cliente, durante algum tempo, vai considerar a trotinete como se fosse sua.


Vamos à minha trotinete particular.

Comprei-a no dia 1 de Abril e, em 100 dias fiz 1100 km, uma média de 11km por dia.

No entretanto tive um acidente a 20km/h que me obrigou a levar 3 pontos e a fazer um TAC. Por causa disso, ando agora de capacete (bem me diziam que deveria ser obrigatório). Ganhei respeito ao asfalto!

A principal regra de segurança é nunca tirar a mão do guiador, seja em que circunstâncias for. 

A segunda regra é olhar para trás apenas ligeiramente pois existe a tendência de, ao olhar para trás, guinarmos o guiador.

A terceira regra é abordar os obstáculos sempre na perpendicular

Mesmo as riscas brancas das passadeiras, porque têm uns milímetros de altura e são escorregadias, instabilizam a marcha. Nunca tentar subir da estrada para o passeio, mesmo quando este é rebaixado, sem ser na perpendicular.

A quarta regra é, em caso de dúvida, travar (que a queda será a menor velocidade :-).


Meti-lhe uma segunda bateria.

Em termos tecnológicos, quero falar deste projecto de engenharia.

A minha trotinete, AOVOPRO, não tem as características anunciadas (tem menos potência e menos autonomia) pelo que protestei pedindo que me enviassem outra bateria.

Depois de pensarem um bocadinho, mandaram-me uma bateria nova e eu decidi junta-la à que lá estava.

O meu irmão Rui (que é engenheiro na Toyota) abriu o compartimento da bateria, soldou uns cabos em paralelo aos cabos que saem da bateria (só cortou o isolamento, não chegando a cortar nenhum cabo) e colou a nova bateria ao poste do guiador.

Ligou o fio vermelho ao fio vermelho e o fio preto ao fio preto e já está, muito simples e ficou a funcionar perfeitamente bem.

Esquema da ligação em paralelo da segunda bateria (que ficou colada no exterior). A bateria tem de ter "controlador interno" mas não é preciso mudar o carregador nem fazer qualquer alteração interna.

As alterações que aconteceram.

Uso exactamente o mesmo carregador mas agora demora o dobro do tempo a carregar. Se antes demorava 3h45m, agora demora 7h30m. Isto é um inconveniente para quem tem muita pressa mas tem a vantagem de aumentar a duração da bateria (quanto mais lentamente se carregar, mais cargas a bateria aguenta).

A autonomia duplicou de 20km para 40km (a 15km/h). Isto traduz que a bateria que me enviaram é exactamente igual à bateria que estava instalada na trotinete (e que eu pensava ter um problema!).

Se andar a 30km/hora, a autonomia diminui para 30km.

Os modos de limitação de velocidade (ECO, LENTO e SPORT) descomandaram-se (aumentaram substancialmente) mas o limite fino (em km/h) continua a funcionar bem.

A relação entre a "carga da bateria" do computador de bordo e a autonomia alterou-se. Pego na carga indicada, multiplico por 52km e subtraio 12km para obter os quilómetros que ainda me sobram.

Relação entre a carga indicada e a autonomia (a 15km/h).

Estou muito contente com a trotinete.

É uma enorme liberdade estar num sítio qualquer e decidir "Vou ver aquela coisa que está a 5km daqui" e percorrer essa distância sem qualquer custo.

Já andei de comboio com ela e correu muito bem. Tem apenas o inconveniente de dentro da estação não se pode andar em cima dela (se estiverem a ver :-).

Aconselho a todas as pessoas mas reforço, capacete, roupa com manga comprida, nunca tirar a mão do volante, nunca olhar para trás nem tentar subir obstáculos na diagonal.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

O problema do actual aumento dos preços é não ser inflação!!!!!

O senso comum diz que a inflação é o aumento dos preços mas não é correcto.

Pede-se às pessoas mais sensíveis que não leiam este texto nem olhem para a fotografia. Se desobecer, assume inteira responsabilidade pelas consequenciais nefastas que lhe possam vir a acontecer. O

Este texto não pretende ofender seja quem for, traduz uma opinião pessoal que não vincula a minha entidade patronal, Portugal, a UE ou quem quer que seja e não pretende ofender ninguém.

 

Não ler a partir daqui!

Actualmente, por causa da cultura woke esquerdista de cancelamento, todos os textos têm de ter uma bolinha vermelha e a avisar as "pessoas mais sensíveis", isto é, os mentecaptos esquerdistas.

Em tempos leccionei um curso na faculdade de letras da universidade do porto e tentei "rebentar" com o senso comum sem fazer este aviso e o que aconteceu é que acabaram por "rebentar" comigo. Mas, diz o povo, o último a rir é o que ri melhor.

I see trees of green, red roses too; I see them bloom for me and you; And I think to myself what a wonderful world.


Mas vamos à subida dos preços. 

Há uma discussão em Portugal em torno da actual subida dos preços e do seu pretendido aumento dos  salários e pensões para compensar a perda do poder de compra. Anunciou mesmo o nosso primeiro ministro que, no próximo ano, as pensões e os salários (das empresas privadas) terão um aumento histórico.

O problema económico é que, não sendo o actual aumento dos preços uma verdadeira inflação, caminhamos novamente a passos largos para a bancarrota.


A inflação é tratadana Macroeconomia e é um caso particular de subida de preços.

A inflação é uma subida de preços mas generalizada, isto é, que afecta todos os bens e serviços, salários, pensões e impostos na mesma forma. Se, por exemplo, as batatas aumentam de 10€/saco para 11€/saco (aumento de 10%), também as discotecas aumentam de 15€ para 16,5€ e os cortes de cabelo de 5,00€ para 5,50€ (os mesmos 10%). Também os salários e as pensões "sofrem" o mesmo aumento percentual.

Ao aumentarem os preços de todos os bens, salários e pensões na mesma proporção, o efeito na economia é nulo. Chama-se a isto Neutralidade da Moeda. Não se chama Neutralidade da Inflação porque o que causa inflação é o aumento da quantidade de moeda em circulação.

Taxa de Inflação = Taxa de aumento da quantidade de moeda - Taxa de crescimento da economia.

Se, por exemplo, o BCE aumentar a quantidade de moeda em 10%/ano e o crescimento económico for de 3%/ano, então, a inflação vai ser de 7%/ano.


A subida de preços que não a inflação é tratada pela Microeconomia.

Vamos imaginar que em Portugal, todos os anos, se produzem 1000 toneladas de maçãs e que as empresas portuguesas  produzem produzem compota de maçã. A receita da compota  é 100kg de maçã (100€), 100kg de açúcar (100€) e trabalho (20€). Assim, produzimos 2000 toneladas de compota com um custo de 1,10€/kg.

Portugal importa o açúcar ao preço de 1€/kg, metade à Rússia e metade ao Brasil (total de 1 milhão €) que paga com a exportação de 909 ton de compota, metade para cada país fornecedor.

Subtraindo as exportações à produção,  ficamos com 2000-909 = 1091 ton para consumir.

O "dinheiro" para o consumo vem da produção de maçãs e do salário na fábrica de compotas.


De repente, a Rússia deixou de nos vender açúcar!!!!!

Não podemos continuar a usar as 1000 ton de açúcar pois já só temos o Brasil como fornecedor! 

Por um lado, a escassez faz com que o preço do açúcar aumente para 2,00€/kg o que faz o Brasil aumentar a produção e as exportações de 500 ton para 750 ton (custo de 1,5 milhões €).

Por outro lado, o excesso de produção de maçãs faz o seu preço cair de 1,00€/kg para 0,50€/kg. Esta redução de preço faz com que a produção diminua para 750 ton.

O custo é de (100*2€/kg + 100*0,5€/kg + 20)/200kg = 1,35€/kg.

Apesar de os portugueses não comerem açúcar, notaram que o preço da compota aumentou 35%. Os produtores de maçã também notaram uma quebra no seu rendimento de 1000 (1000*1€/kg) para 375 (750*0,5€/kg).


Será de aumentar o salário dos trabalhadores em 35% e subsidiar os produtores de maçãs?

O problema é que, para pagar o açúcar ao Brasil (1,5 milhões €) temos de lhes vender 1111 ton de compota, ficando para os portugueses apenas 389 toneladas.

Desta forma, não há como compensar usando meios monetários a diminuição da riqueza disponível de 1091 ton para 389 ton.


Vamos a um exemplo ainda mais ilucidativo.

Quando as pessoas entraram no Titanique foi dada uma nota de 1000 Titaneuros a cada passageiro tendo-lhes sido dito "Se o barco for ao fundo, dão esta nota ao bombeiro e ele leva-vos para um salva-vidas".

Havia 5000 pessoas a bordo e 100 salva-vidas com capacidade individual para 50 pessoas.

Quando o Titanique começou a afundar, repararam que um sabotador tinha rebentado com metade dos salva-vidas.

Será que se o capitão tivesse dado outra nota de 1000 Titaneuros a cada passageiro, já haveria salva-vidas para todas as pessoas?

É este o efeito monetário, imprimir notas e dá-las às pessoas não aumenta a produção e, consequentemente, não pode aumentar o consumo.


"Usem-se garrafas de água vazias como flutuadores"

Foi o que gritou o bombeiro mas o capitão logo respondeu "Não, não, as pessoas não podem ficar molhadas, dêem titaneuros com fartura a todos os passageiros".

Onde eu quero chegar com isto?

Portugal poderia utilizar as centrais termoeléctricas a carvão para fazer face à escassez de gás natural e de petróleo mas não, dá-se 60€ a cada família e logo está tudo resolvido.

A Alemanha vai recomeçar a usar carvão mas também podia tornar a ligar as centrais nucleares mas também não quer, vai descer o IVA dos combustíveis.

Mas isto não vai dar em nada porque NÃO HÁ SALVA-VIDAS SUFICIENTES.


Difícil de entender?

Os wokes esquerdistas da faculdade de letras da universidade do porto não perceberam.


É uma guerra.

A Europa está em guerra, muitas pessoas estão a ser mortas, muitos bens estão a ser destruídos, muita produção não está a ser feita ou está a ser desviada para a frente de batalha e nós, mesmo distantes, vamos sofrer uma degradação da nossa qualidade de vida.

Não vale a pena os esquerdistas venderem ilusões. 


Quanto mais ilusões venderem menos tempo se vão aguentar no poleiro.

O Costa diz maravilha da sua governação mas reparemos no perigo em estamos de uma nova bancarrota: em 2010 a dívida pública portuguesa era 100,2% do PIB (suficiente para a bancarrota Sócrates+Teixeira dos Santos) e em 2020 está em 120,8% do PIB!!!!!!!

As taxas de juro vão disparar por ai acima e o Costa não tem estaleca para governar em tempos de crise, não é um Cavaco Silva e muito menos um Passos Coelho.

É fácil navegar quando o vento está de feição.


Porque as taxas de juro aumentam.

Se consumíamos 1091 ton e agora só temos 389 ton disponíveis, tem de haver uma redução do poder de compra dos consumidores, isto é, uma redução nos salários.

Se o governo esquerdista popularucho obrigar a haver aumento nos rendimentos, por exemplo, aumentando o salário mínimo, a variável macroeconómica de ajustamento que fica é a taxa de juro.

É que quanto maior a taxa de juro, menor é o consumo e maior é a vontade das pessoas em trabalhar (aumentando a produção).

O Costa até pode pensar que controla os salários mas não tem hipóteses na taxa de juro.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

É uma imoralidade subsidiar carros eléctricos

Os carros eléctricos têm "incentivos".

Têm isenção do IUC, do ISV e do IVA sobre o ISV e ainda há 5 milhões € para os primeiros compradores do ano.

Isto é imoral porque, por um lado, só quem tem muito dinheiro é que compra carros eléctricos (o carro eléctrico mais vendido em Portugal, o Tesla Model 3, tem um preço mínimo 55000€) e, por outro lado, existem muitas pessoas com muitas dificuldades económicas a viver em locais, fora dos centros das grandes cidades, com inexistentes ou muito caros transportes públicos.

Sendo assim, o incentivo à compra de veículos eléctricos deveria maior em termos percentuais mas  apenas para quem tem dificuldades económicas e que têm dificuldades de transportes.


A minha ideia de veículo eléctrico é a trotinete!

Os decisores políticos, sejam ministros, presidentes da câmara ou da junta devem começar por dar umas voltas de trotinete pelas suas terras para verem como um meio de transporte tão barato é cómodo e poderoso. As voltas permitiriam rapidamente identificar as políticas erradas que estão a ser tomadas como seja o empedrar nas zonas centrais e de maior densidade das cidades.

Basta meter, no meio do empedrado, uma pista lisa com 40cm de largura, como se fosse uma pista para o eléctrico. A pista deve estar no meio da linha de tráfego de forma a que os carros não a possam utilizar, sob pena de degradação. 

Fig. 1 - As vias empedradas têm de ter uma faixa central lisa para as trotinetes poderem circular


Mas vamos à economia da trotinete.
A minha trotinete custou-me 280€, tem uma autonomia de 20km a 12km/h e de 15km a 24km/h.
O vendedor diz que vai dar para 12000km mas vamos supor que também está errado, que só vai dar para 8000 km, um custo de 280/8000 = 0,035€/km.
A electricidade implica um custo de 0,005€/km.  
Somando as duas parcelas dá 0,04€/km.

Uma pessoa que precise fazer uma viagem de 7,5 km (que é a extensão média das viagens em Lisboa), demorará cerca de uma 30 min e terá um custo de 0,30€. Em comparação, um taxi custa 6,00€ durante o dia e 7,35€ durante a noite e uma viagem ocasional em autocarro custa 2,00€.


Finalmente, o subsídio à aquisição do veículo elétrico.
Eu lavo a roupa a todas as pessoas necessitadas que mo pedem e isso inclui o José Alberto que é esquizofrénico, tem 52 anos e vive sozinho numa pensão muito fraquinha a 100 m da minha casa com uma pequena pensão, disse-me que recebe 297€/mês, para tudo.
O moço, quando precisa ir a algum lado, seja comer na cantina social, ao centro de saúde ou visitar um amigo, tem de ir a pé.
No outro dia, para experimentar se "um maluco" consegue andar de trotinete e porque ele me andava sempre a pedir, disse-lhe. Zé, pega a minha trotinete e vai dar uma volta.
Nos primeiros 10 metros percorridos oscilou mas ao fim de 50 metros já parecia um profissional.
Supondo que o "desgraçado" paga 100€ para dar valor ao equipamento, 5 milhões de euros por ano davam para quase 30 mil trotinetes.

Vejam só a quantidade de pessoa precisadas (incluindo crianças das aldeias que têm muitas dificuldades no deslocamento para a escola) era possível ajudar com um subsídio que é dado apenas a ricos.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

O modelo de negócio das apostas desportivas e a falência da Betmarkets.io

Em tempos tive um aluno que teve uma enorme média de curso.

Não interessa o valor, interessa apenas dizer que foi o aluno com melhor média de sempre da faculdade onde eu trabalho. Depois, foi fazer um mestrado no Reino Unido e também teve excelente desempenho académico.

Esse aluno criou uma empresa que tinha como produto um "agregador" de apostas desportivas, acessível no endereço Betmarkets.io.

Quando eu soube do projecto, disse logo "Isso vai falhar porque o produto não cria valor" e foi exactamente isso que aconteceu, falhou com estrondo.

Neste post vamos ver o que é o negócio das apostas desportivas e porque o Betemarkets.io teria mesmo de falhar.

Fig. 1 - É grande mas não deixa de ser um asno


A tecnologia das apostas desportivas.

Uma aposta desportiva é um "jogo de soma nula", isto é, o que um apostador ganha é exactamente o que outro apostador perde.

Vamos supor que o jogo "Benfica-Porto" dá 2€ por cada 1€ apostado (proporção, odds, de 2 para 1). Neste caso, se o apostador A mete 10€ em "O Benfica vai ganhar ao Porto" o apostador B tem de meter 10€ em "O Benfica não vai ganhar ao Porto". Desta forma, se o Benfica ganhar, o apostador A ganha 10€ e o apostador B perde 10€.

A proporção do ganho vai ser determinada pela proporção das apostas. Vamos supor que existem muitos apostadores e que as apostas na "Vitoria" somam 123456€ e as apostas na "Não Vitória" somam 234567€. Como os prémios têm de ser iguais a (123456+234567) =358023€, a proporção terá de ser: 

    Vitória = 358023/123456 =  2,9000

    Não Vitória = 358023/234567 =  1,5263

Um apostador que tenha metido 100€ na "Vitória", caso acerte vai receber 290€. Outro apostador que tenha metido 100€ na "Não Vitória", caso acerte vai receber 152,63€.

Quem não acertar não recebe nada (tem perda total).


Um jogo mais complicado.

Vamso apostar na diferença de golos que pode ficar em >=3; 2; 1; 0; -1; -2; <=-3.

Agora temos 7 hipóteses sendo que as Odds vão garantir que, qualquer que seja o resultado do jogo, o total pago aos apostadores é igual ao total recebido de apostas (3438632€).

Fig. 2 - Exemplo de apostas na diferença de golos num jogo de futebol

No exemplo, as melhores Odds são para um resultado muito desequilibrado a favor do Benfica (porque é improvável) mas esta proporção não é uma previsão de nenhum cartomante mas apenas a razão  entre os valores apostados, 42,213 = 3438732€/81442€.

Quanto mais resultados forem possível, mais improvável é acertar num resultado particular pelo que as Odds serão maiores. Se, por exemplo, o jogo fosse "As diferenças de golos nos jogos Benfica-Porto e Sporting- Braga" já haveria 7 x 7 = 49 resultados possíveis. Por exemplo, apostando 10€ no resultado de 3 ou mais golos de diferença para as equipas de fora e acertando, recebe 8473€ (ver, Fig. 3). 

No exemplo representado na Fig. 3, o que os apostadores acham mais provável (e onde apostam mais dinheiro) são os resultados assinalado a amarelo (e que têm menores odds).

Fig.3 - O apostador tem de acertar em simultâneo na diferença de golos de 2 jogos (a casa cobra 1% de taxa). 


O modelo de negócio da "casa de apostas".

A "casa das apostas" precisa de facturar para viver, o que vai conseguir cobrando uma percentagem  sobre as apostadas, por exemplo, de 1%.

Neste caso, a expressão I2: =SOMA(B2:H2) passará a ser I2: =SOMA(B2:H2)*(1-1%) o que vai diminuir as odds em 1%.


Se a empresa não cria nada, onde está a criação de valor para o apostador?

Está em três lugares.

1) O apostador pensa, erradamente, que tem mais conhecimento do que os demais apostadores, isto é, pensa que consegue "bater o mercado". Seja porque lê muitos jornais desportivos ou apenas porque se pensa mais inteligente do que a média, pensa que está a apostar contra jogadores maioritariamente lorpas e que, por isso, vai conseguir um ganho à custa dos lorpas. 

2) O apostador é fanfarrão, sente necessidade de, no seu circulo de amigos, mostrar que tem valor e vai conseguir isso anunciando ganhos nas apostas de forma entusiasmada. Quando perde, cala-se, "Esta semana não apostei nada".

3) O apostador é amante do risco. Prefere perder 10€ (com probabilidade de 99%) podendo ganhar 990€ (com probabilidade de 1%) a ter 10€ (assumi uma taxa de intermediação de 1%).

E a "casa de apostas" vai-se apropriar de parte deste ganho de valor.


Como funcionava a Betmarkets.io

A) Era um "agregador" de casas de apostas, semelhante ao que faz o skyscanner para as viagens de avião. Observando um leque alargado de "casas de apostas", pagaria a maior proporção encontrada.

Se a "Casa A" propunha 1.98; a "Casa B" 1,93 e a "Casa C" 1,97, seria para a proporção 1,98.

B) Mas o principal "produto" era a replicação da estratégia dos apostadores ganhadores.

Vamos supor que tinha 1000 apostadores, ao fim de algum tempo, uns mostravam ganhos e outros perdas. Um apostador poderia pedir para replicar as apostas de um apostador pagando 20% do que conseguisse ganhar com a replicação.

Vamos supor que o apostador Joaquim foi quem, nos últimos 6 meses, mostrou melhor resultado (por cada 100€ apostados, recebeu 150€). Se eu escolho "nos próximo mês aplica 1000€ e segue o Joaquim", o algoritmo vai fazer, proporcionalmente, as mesmas apostas que o Joaquim e, supondo que no fim do mês tenho 1500€ (ganhei 500€), tenho de pagar 100€.


Problema do "agregador".

Ao escolher a maior proporção para cada um dos resultados possíveis, estatisticamente, o resultado seria de prejuízo.

Individualmente, as "casas de apostas" não têm risco porque o valor que vão pagar é igual ao valor que recebem menos a margem mas, ao considerar sempre o melhor de todas as "casas de apostas", em média, serão sempre pagos mais prémios do que os valores apostados.

Para evitar este prejuízo, seria preciso cobrar uma taxa pelo serviço o que, psicologicamente, seria mal visto pelos apostadores: "Se posso apostar na casa A a 1,98, vou directamente a A e não passo a taxa".


Problema do "seguidor"

É que, nas apostas, ganhar é, em grande parte, resultado da sorte e do azar. Assim, o apostador que foi o mais ganhador nos últimos 6 meses tem quase a mesma probabilidade de perder dinheiro nos próximos 6 meses como  o apostador que foi o mais perdedor nos últimos 6 meses.

Além disso, havendo muitas pessoas a replicar a aposta do apostador A, motivado pela forma como as odds são calculadas (em concorrência com os outros que perdem), degrada os potenciais ganhos de A, causando-lhe um prejuízo não compensado e tornando a sua estratégia, mesmo que melhor informada, perdedora.


Não há nenhuma aposta que seja melhor do que a outra.

Voltemos à Fig.2.

Apostar no resultado ">=3" e perder não é "menos inteligente" do que apostar "-1" e ganhar pois a improbabilidade do resultado ">=3" é compensado com odds muito superiores. Desta forma, meter o dinheiro em qualquer das opções demonstra a mesma racionalidade, sendo o resultado final, falhou ou perdeu, apenas o resultado da sorte e do azar.


Há aqui um problema qualquer.

De um aluno considerado brilhantíssimo pela academia resultou uma ideia de negócio totalmente errada e tola.

Isto traduz que i) o que lhe foi ensinado não foi adequado e ii) o sistema de classificação da academia está errado.


Uma vez chamei-o à atenção.

Eu ensinava "computadores" e obrigava os alunos a irem às aulas (assinavam o nome numa folha). Claro que nunca ia ver as assinatura ou controlar quem ia às aulas, sendo apenas uma tentativa para que os alunos não se perdessem nas noitadas.

Quando houve o primeiro teste e esse aluno teve 20 valores, fui ver a fotografia. Reparei depois que, apesar de não estar na aula, a assinatura aparecia na folha!!!!!

Um dia ele apareceu e eu, em tom descontraído disse "Interessante que nas últimas aulas não apareceste mas a tua assinatura está na folha".

Tratou-me mal, só faltando dizer "as suas aulas apenas servem para perder tempo".

Digamos que as notas funcionavam como reforço da sobranceria, pensando que era mais inteligente que todos os outros, que tinha o rei na barriga.

Pessoas "reforçadas" não aceitam ideias diferentes só se rodeando por bajuladores e lambe botas. E isso leva ao fracasso pois se não conseguirmos, com argumentos, convencer os outros de que a nossa ideia está correcta, é porque está errada.

É muito o que acontece no nosso Portugal!

O coitado estragou a vida dele pois o dinheiro dos apostadores desapareceu!!!!!!

Afinal, era um esquema de ponzi!!!!!!!


Finalmente, continuo com a trotineta.

Já fiz 512 km por ciclovias, estradas secundárias, estradas de terra batida, estradas nacionais e vias rápidas.

Como já referi, as características da trotineta não são as anunciadas (tem menos potência, menos autonomia, menos bateria, menos velocidade) mas foi relativamente barata e tem-se aguentado bem.

O que gosto mais é da liberdade de violar as leis da estrada!!!!!!

Vou contra-a-mão, passo nos vermelhos, subo passeios, atravesso a relva dos parques, sempre a andar.

E os condutores de carro têm-se mostrado muito respeitadores.

O problema são as trepidações, os paralelos que os "camaristas" insistem a meter nas zonas de baixa velocidade para os carros.

Fig. 4 - O empedrado liquefaz os miolos



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