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quarta-feira, 26 de junho de 2013

O FED, a causalidade e as expectativas racionais

A causalidade.
Na passada quinta feira, a Semi-Nova  (amiga da minha assistente operacional doméstica), ficou viúva.
- Mas porque morreu o homem? Foi acidente de trabalho? 
A minha assistente identificou que a causalidade foi:
- Como o Sergueianev bebia muita vodka então, o fígado rebentou.
Nos últimos dias tenho andado a convencer a minha mãe de que a Semi-Nova estava boa para tomar conta de nós (ou vice-versa). Claro que a minha mãe disse logo que ela era muito feia e magrita tal e qual uma colega da minha irmã mais nova que, por ser exageradamente feia, se casou com um preso que não se cansava de repetir, Tu és a mulher mais bonita que eu conheci na minha vida.
A rapariga imaginou a causalidade:
- Como ele me ama verdadeiramente então, acha-me muito bonita.
O problema é que o dito cujo omitia o fim da frase, "que conheci na minha vida prisional". Então, quando saiu em liberdade, deixou-a para todo o sempre. A moça ficou de rastos.
Afinal a causalidade era,
- Olhando para estes gajos então, tu és muito bonita.

Fig. 1 - Tens mesmo as melhores mamocas das que se vêm por aqui.

A cadeia trouxe à mente outra causalidade.
A minha mãe teve, em tempos tão recuados que eu não me lembro, uma rapariga como empregada doméstica. Apesar de ser gorda e parecida com um sapo que acabou de comer um saco de batatas, teve um filho que, algures na adolescência, se meteu pelos maus caminhos da vida. Começou por uma estadia de 2 anos "no colégio" por atirar o irmão ao poço e agora está a cumprir uma pena de 12 anos de cadeia por assaltos com violência.
Diz a minha mãe, Quando o João Paulo sair da cadeia, vai-se meter noutra brincadeira e não tarda nada, volta para lá  porque a cadeia é uma escola do crime.

Qual será a verdadeira relação?
Sendo certo que a percentagem de ex-condenados que comete crimes é maior que a percentagem de pessoas no geral, não terá a questão ser colocada ao contrário?
R2 -> "Estadia na cadeia" ---------------------> "Maior tendência a cometer crimes"
R2 -> "Maior tendência a cometer crimes" --> "Estadia na cadeia"
Em termos aparentes.
A relação de causalidade parece ter a ver com a precedência no tempo.
Se dou uma martelada no pé e, imediatamente a seguir, sinto dor então, a martelada causou a dor.
Quando eu era pequenino, volta e meia ouvia uma sirene que lançava ondas de barulho a quilómetros de distância.
óóóóÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓóóóó
Eu, na minha curiosidade infantil, vinha à rua e logo via alguns carros a passar a grande velocidade. Pensava eu para os meus botões, parecem os grilos a sair da toca quando eu lhes encharco a casa com a mangueirinha.
 
Fig 2 - Não tarda nada, o grilo sai a toda a velocidade.

Passados poucos minutos ouvia ao longe uma sirene que, mesmo sem ver de onde via, notava que se ia movendo, tiróri, tirori, tirori, tirori.
Finalmente, percorrendo o horizonte com os meus olhinhos pequeninos (mas que viam melhor que agora), não demorava muito a aparecer fumo na direcção em que o tirori se tinha calado.
Concluía eu que a sirene dos bombeiros era a causadora do aparecimento do fumo.
Afinal o que incendiava o fósforo era o barulho de raspar a cabecinha na caixa, zzzzzzzzzzzu.

Certo dia estavam 2 amigos no café
óóóóóóóÓÓÓÓÓÓóóóóóóóó - óóóóóóóÓÓÓÓÓÓóóóóóóóó
- É pá, tenho que ir rápido.
- Então pá, dizias que nunca, já mais, nunca mesmo, nem depois de morto mas afinal tenho que concluir que sempre te tornaste bombeiro.
-Toca a sirene ---> sais rápido ---> és bombeiro!
Não é nada disso, estás completamente enganado.
- Toca a sirene ---> saio rápido ---> arranjei uma amante toda boa cujo marido é bombeiro.

Será que hoje está calor porque os metereológos o anunciaram há uns dias?
Há 3 dias estava um vento frio mas os metereólogos anunciaram que hoje iria estar muito calor.
Será que foi o anúncio que induziu a onda de calor ou os metereólogos apenas previram, bem, o estado do tempo de hoje?

A precedência temporal não indica nada.
Penso que os meus exemplos convencem  que um acontecimento verificar-se antes de outro não obriga a que exista uma causalidade entre o primeiro e o segundo podendo mesmo a relação ser ao contrário.
Para que a causalidade exista tem que haver uma razão lógica que justifique a causalidade.
No caso da sirene dos bombeiros, mais tarde vim a saber que os bombeiros tinham um sistema de alerta que detectava os incêndios antes de ser ver fumo. O fumo e os bombeiros respondiam aos mesmo acontecimento (o incêndio).
Na economia existem relações empíricas que têm uma base teórica forte (por exemplo, se uma economia tiver mais capital então, o trabalho será mais produtivo) mas outras relações empíricas apenas existem porque a variável que a precede é como o cão que ladra antes dos assaltos.

Vamos ao caso do FED e da taxa de juro.
Uma das relações empíricas que existe mas que é do tipo "cão ladra -> ladrão vai entrar pela janela", é a relação entre a restrição de liquidez do FED e o aumento da taxa de juro.
Mas mesmo que o FED não fizesse nada, a taxa de juro subiria na mesma.
A diferença é que se o banco central não actuasse, nos períodos que precedem as crise económicas a inflação ficava muito baixa e nos períodos que precedem a expansão económica, a inflação subia muito.

Basta olhar para o ouro.
Há pessoas que pensam que se a moeda fosse o Ouro, haveria estabilidade dos preços. Mas se traduzirmos o nosso salário em gramas de ouro vemos que isso não é verdade.
Em Jul2010 o SMN seria de 15.645g/mês, em Jul2011 teria diminuído para 14.265g/mês, em Jul2012 já estaria nos 11.265g/mês para voltar em Jun2013 a ser 15.645g/mês. Nestes três anos, o SMN denominado em Ouro variou mais de 10%.

Fig. 3 - Cotação do Ouro Jun2010-Jun2013 (fonte: www.gold.org

Estimado Vivendi, 
É publicamente sabido que Ben Shalom Bernanke é judeu mas não é correcto referirmo-nos a uma pessoa desta forma porque há milhares de anos que ser judeu é motivo de perseguição.
Em Outubro de 2001 fui visitar Belmonte e, vendo a sinagoga fechada, sentei-me num degrau daquela rua estreita lá ao fundo da aldeia, já quase fora do casario em ruínas. Devo dizer que a arquitectura é horrível mas o Gehry está a desenhar outra.
Indo a passar uma velhota com um manado de couves à cabeça, meti conversa e logo se lhe juntaram outras duas ou três.
- As senhoras podem-me dizer onde mora aqui a comunidade judaica?
- Meu senhor, aqui não há judeus, só há uma velhota maluca que diz isso. Isso são tudo invenções de uns que vêm de Lisboa para ouvir um marroquino que vive na casa dessa maluca. Veja lá o senhor que ele diz que é pecado comer coelho e carne de porco.
Mas o pior estava para vir.
- Alto que se calhar o senhor é um desses de Lisboa.
- Se calhar, quem sabe.
Imediatamente viraram costas e continuaram o seu caminho.
Para recordar como nós portugueses somos intrinsecamente maus, recordo aqui António José da Silva, O Judeu.
Se o Vivendi disser publicamente que é judeu (mesmo não o sendo), verá que é imediatamente posto de parte mesmo por quem nunca imaginou e passará a viver com medo.
Isso é a maior prova de que, afinal, não vivemos num mundo livre e seguro.

A causalidade macroeconómica.
O trabalho de Muth (1961) Rational Expectations and Prices Movements ao afirmar que, tal como os metereólogos, os agentes económicos usam  toda a informação que têm disponível para prever o futuro (e não uma regra adaptativa simples), causou uma revolução na Teoria Economia.
Este trabalho foi a semente da Nova Macroeconomia Clássica (que os comunas denominam por neo-liberalismo) na qual se prova que as politicas de estabilização macroeconómica são ineficazes (e.g.Kydland & Prescott, 1977).
Depois de 1961 sabemos que os agentes económicos alteram o seu comportamento antes que se observe a variável à qual eles estão a reagir. 
Por exemplo, sabendo nós que em Outubro vem o fio, em Setembro começamos a arejar a roupa de lã.
Como os bombeiros sabem que nos dias de calor a probabilidade de haver incêndios é muito maior então, antes mesmo de aparecer a mais pequena das fagulhas, já os bombeiros andam pelos matos armados com baldes de água.

No mercado monetário acontece o mesmo.
O FED e demais bancos centrais têm que manter a inflação baixa, na ordem dos 2%/ano e para isso aumentam e diminuem a quantidade de notas em circulação na economia.
A inflação ser alta ou baixa não tem grande impacto na economia mas existe o consenso de que a melhor taxa é 2%/ano. A taxa de inflação não tem significativo impacto económico porque não altera as taxas de juro reais que no triénio 2009-2011 foram de 4.3%/ano com desvio padrão de 9.9 pontos percentuais (ver, Fig.4).

Fig. 4 - Relação entre taxa de inflação e juro real, 2009-2011 (dados: Banco Mundial, estimação ponderada, 85% da população mundial)
  
Como o banco central controla a inflação.
Aumentando (ou diminuindo) a quantidade de notas em circulação, aumenta (ou diminui) a inflação.

O Juan Gomez quer saber como o dinheiro chega aos nossos bolsos.
No longo-prazo, o banco central tem uma taxa de aumento da quantidade de notas mais ou menos fixas,
Taxa de aumento da moeda = Taxa de inflação + Taxa de crescimento do PIB
Por exemplo, se o crescimento for de 2%/ano e a inflação de 2%/ano, a quantidade de moeda aumenta 4%/ano.
Como existe em circulação cerca de 10% do PIB, esse aumento é de 0.4% do PIB, 680 milhões €/ano.
O Banco central dá esse dinheiro que ao governo que compra com ele coisas, indo assim parar ao bolso das pessoas.
No curto-prazo os bancos centrais usam diversos instrumentos desde a "janela de desconto" até à compra no mercado secundário de activos (operações de open-market) passando pela alteração das reservas obrigatórias da banco comercial.

O Nemo insiste que o investimento não é igual à poupança.
Mas é sempre (mesmo que o investimento seja involuntário) porque a variação de stocks faz parte do investimento.
Não tem nada a ver com as reservas bancárias pois existe variação involuntária de stocks mesmo numa economia sem moeda.
(Pedia-lhe o favor de reler  A moeda, o Crédito, o financiamento e o juro)

Concluindo, o FED não tem nada a ver com a subida das taxas de juro 
O que acontece é que os governadores dos bancos centrais sabem que quando o risco de recessão aumenta (a crise  aproxima), as pessoas querem guardar notas como activo de refugio o que, se não for respondido rapidamente, causa a queda dos preços. Então, quando a crise se aproxima, o banco central injecta moeda no mercado monetário.
Os bancos centrais antecipam a crise usando de forma cega uma multidão de variáveis de fácil leitura num modelo de previsão do desempenho futuro da economia, por exemplo, o algoritmo rpart do R. Pegam em coisas diversas como "consumo de aço", "número de chamadas telefónicas", "carros que pagam portagem", "pluviosidade do mês anterior", etc., para prever as necessidades de liquidez.
Em sentido contrário, os governadores sabem que, quando a crise se aproxima do fim, as pessoas deixam de querer ter tantas notas pelo que há necessidade de absorver a liquidez em excesso.
Não é que a restrição de liquidez do FED tenha impacto nas taxas de juro mas o FED e a taxa de juro apenas respondem em simultâneo ao fim da crise.

Não são os bombeiros irem passear nas florestas que causam os incendios florestais mas ambos (bombeiros e os fogos) respondem ao calor e à baixa humidade.

O Ouro também antecipa o fim da crise.
O Ouro mas não existe nenhum banco central que tente manter estável os preços em Ouro. Então, a cotação do Ouro aumenta na antecipação das crises (os preços em Ouro diminuem) e a cotação diminui quando se aproxima a expansão económica (os preços em Ouro aumentam).

Fig. 5 - As mulheres boas adoram o Ouro.

Pedro Cosme da Costa Vieira

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A covardia do António Borges

Na Grécia ganhou um qualquer que diz ser a favor da permanência na Zona Euro e logo vieram pessoas dizer que estávamos safos.
Mas não.
Continuamos condenados a sair do Euro porque os gregos e os nossos governantes não sabem governar um país com câmbios fixos.
Quando se tem moeda própria, a balança corrente deficitária ajusta pela desvalorização da moeda enquanto que em câmbios fixos, como é o caso dos países da Zona Euro, a BC deficitária ajusta pela descida dos salários (e vice versa). 
Isto não tem nada de ideológico nem político. É a forma como funciona a economia.


Fig. 1 - Eu explicava-vos porque os salários têm que descer, se vocês não fossem tão burros. O que me interessa é o tacho. Haaaa, tomai lá.

O câmbio altera-se muito rapidamente.
É normal haver, de um ano para o outro, uma alteração da cotação de uma moeda na ordem dos 20%. Então, estando a economia desequilibrada, a alteração da taxa de cambio muda rapidamente os preços relativos entre os bens produzidos no país e no exterior o que equilibra rapidamente a economia.

Qual é a diferença entre uma desvalorização e uma descida dos salários?
Ao haver uma desvalorização, o poder de compra dos salários reduz-se.
Assim, a prazo uma desvalorização é exactamente igual a uma descida dos salários mas existem diferenças no curto prazo por causa dos mecanismos de transmissão entre os preços e os salários.

Se a moeda desvaloriza 20%, como os bens importados são 30% da economia então, no imediato os preços internos vão aumentar 6%. Desta forma, vistos do exterior, os preços descem instantaneamente 14% e o  poder de compra dos salários diminui instantaneamente 6%.

Se os salários descem 20%, no imediato o poder de compra dos trabalhadores vai diminuir 20% porque os preços mantêm-se. Está aqui a grande diferença. A prazo os preços internos vão descer 14% pelo que o poder de compra dos salários só vai diminuir 6%, tal qual como na desvalorização da moeda, mas demora uns meses a acontecer um ajustamento dos preços.

Desta forma, desvalorizar a moeda 20% ou descer os salários 20% é igual e leva à diminuição do salário real em apenas 6% mas, nos meses iniciais, a descida dos salários tem mais impacto negativo na vida das pessoas e menos impacto no equilíbrio da economia.

Mas os nosso governantes e o novo povo são muito burros.
E não aceitam esta equivalência.
Também metem o Miguel Sousa Tavares como grande comentador de economia. Outro é o "professor". Que é que aquele homem percebe de economia?
São fulanos que de economia percebem tanto como eu percebo de mulheres, menos que nada.
Nada, é zero, mas eu sei coisas erradas. É como os ditos cujo. Percebem muito de economia, da errada.
Mas ganham uma boa maquia como comentadores.
Afinal eu é que sou o burro que não ganho nada (como comentador).
Se os governantes não conseguem convencer o povo desta equivalência, Portugal não pode continuar na Zona Euro.

Será a nossa situação e dos demais PIIGS desesperada?
Os anunciadores da desgraça dizem que se alguém sair da Zona Euro, a sua nova moeda vai desvalorizar 50%.
Isso é completamente falso não tendo qualquer fundamento.
Eu sei que aqueles que me ganharam lá naquele prémio defendem isso mas são uns ignorantes totais. Afirmo-o sem reserva.
Desde a fundação do Euro, a Alemanha manteve a evolução dos custos nominais horários do trabalho nos 2.2%/ano, muito próximo da taxa de inflação.
Nesse período os PIIGS, com a Grécia à cabeça, aumentamos os custos do trabalho o que aumentou os preços e levou à perda de competitividade das empresas.

Fig. 1 - Evolução dos custos horários do trabalho relativamente à Alemanha (Dados: Eurostat)

Agora, Portugal tem que descer os custos do trabalho em 15%.
Não é nada do outro mundo.
Já diminuiu 5% mas ainda é preciso cortar os subsídios de férias e de Natal como aplicado à função pública a toda a gente e aumentar o horário de trabalho em 0.5h/dia.
Não é nada que não se aguente. É muito melhor que ter uma taxa de desemprego de 15.2% e explosiva.
Mas a perda do rendimento vai ser muito menor que 15% porque os preços vão diminuir 10%.

A Grécia, a Irlanda e a Itália têm que descer 20%.
A Irlanda e a Grécia já reduziram os custos do trabalho em 10% relativamente a 2008 mas ainda têm que descer mais 20%. Como a descida na Irlanda foi facilitada pelo governo, o impacto social foi muito menor que na Grécia.

A Espanha tem que descer 30%.
É um trabalho muito mais difícil porque o governo espanhol tem assobiado para o ar e teimado em não fazer nada que facilite o ajustamento do mercado de trabalho.
Está preso à convicção que os salários não podem descer.

A treta do "crescer e criar emprego".
É como estar a afogar e, em vez de gritar para que lhe atirem uma bóia, teimar em dizer que está tudo bem e que tem que aprender a nadar.

Porque será bom o governo facilitar as descidas dos salários?
Os salários vão descer na mesma mas o trabalhador vai passar por um período de desemprego.
Ganha hoje 1000, vai para o desemprego e depois fica a ganhar 700.
Se a empresa não pode ajustar o salário, vai despedir o trabalhador ou falir porque não consegue gerar receita que permita pagar o salário.
Para uma descida de 5% temos uma taxa de desemprego de 15.2%.
Esperar que o mercado de trabalho ajuste por si, vai levar a taxa de desemprego para os 20% durante uns anos.

Dizem que os nossos empresários são maus.
É verdade porque as pessoas inteligentes, como o Louçã e eu, são funcionários públicos.
Há milhares de empresários que não tiram 1€/h de trabalho. E vivem cheios de preocupações. É melhor ser funcionário público.
Temos maus empresários, maus políticos, maus funcionário públicos, maus alunos, maus professores, maus de tudo.
Mas em Marrocos ou na Guiné-Bissau ainda há piores.

Quando a empresa abre falência, perde-se capital.
O trabalhador perde competências, as máquinas ficam sem uso, a carteira de clientes perde-se, há uma grande perda económica. Por isso é que a Irlanda está a ajustar a sua economia sem sobressaltos de maior. 

O António Borges deveria explicar porque os salários têm que descer.Mas é um covarde que pensa que o povo português é tão burro que não vale a pena o aborrecimento de explicar que tem que ser.
"Ai não, eu não disse isso, eu disse é que tenho um tacho qualquer no qual ganho umas pequenas maquias que dão para a despesa do golf e falou-se em cortar-me essa maquia".
"Eu quere continuar a mamar e por isso desdigo o que disse. Força, aumentem os salários a começar pelo meu."
"E façam eólicas e essas merdas que o povo burro gosta"
"Ai não, eu não disser isso."
"Disse que são essa inovações tecnológicas que nos vão colocar na vanguarda do Mundo como os navegadores que deram a conhecer novos mundos ao Mundo".

Será que vamos ficar com salários ao nível dos chineses?Não. Em média, um português ganha o triplo de um chinês e, descendo 15%, ainda ficamos muito acima.
Não é descer 50%, é apenas 15%.
É alguém capaz de me dizer de onde esses iluminados tiram esse número de 50%?
De que cartola?

Na emergência actual o governo tem que actuar para induzir uma descida rápida dos custos do trabalho.1 - Cobra como TSU excepcional aos trabalhadores sobre os subsídios de férias e de Natal como o corte aplicado aos funcionários públicos;
2- Com esse dinheiro, desce a TSU do empregador dos salários inferiores a 1200€, mais nos salários mais baixos, de forma a descer os salários em 15%.

A prazo, o código do trabalho tem que incluir mecanismos para o ajustamento dos salários.

O Borges, o Catroga, o Mexia e toda a cambada só querem um tachinho.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 26 de maio de 2012

O quantitive easing do FED

Ontem fui-me deitar e, durante a noite, tomei consciência que não tinha acrescentado nenhuma informação estatística ao meu poste. Então, hoje de manhã já tinha o Sérgio a recordar-me isso. Então, que foi isso do quantitative easing tanto anunciado na nossa comunicação social?
Não foi nada. Foi apenas uma caixa de ressonancia de algo banal: o aumento da liquidez quando se antecipa uma crise.

Vamos ver o que diz a wikipédia sobre quanto tem aumentado cada ano a quantidade de dólares em circulação, Currency.
A moeda em circulação traduz todas as notas que o banco central emitiu para a economia e que não foi aprisionado por bancos centrais de outros países. Como o USD, o dólar americano, é a base do sistema monetário internacional, os bancos centrais de todos os países têm dólares "mortos" nas suas reservas que não contam como "moeda em circulação". O caso mais conhecido é o Banco central da China que tem bilhões, como diz o Berardo.
Os dados indicam que a taxa de crescimento da quantidade de USD em circulação tem diminuído de 8%/ano nos anos 1970 para 5%/ano nos anos 2000.

Fig. 1 - Taxa de crescimento da quantidade de dólares em circulação (fonte, wiki)

A taxa de inflação era maior nos anos 1970 e agora está estável

Fig. 2 - Taxa de crescimento dos preços, USA (fonte: tradingeconomics)

Então, se somarmos a taxa de inflação (2%/ano) com a taxa de crescimento, (também 2%/ano), em termos de tendência, a velocidade de circulação apenas está a diminuir 1%/ano. Isto quer dizer que as pessoas aumentam a quantidade de moeda em 1%/ano.

Fig. 3 - Taxa de crescimento do PIB, USA (fonte: tradingeconomics)

Vamos agora ao último ano.
Quando as pessoas têm contas bancárias à ordem, os bancos têm que constituir reservas.
Assim, quando as pessoas mudam o seu dinheiro de depósitos a prazo para depósitos à ordem, os bancos têm que aumentar a quantidade de notas que têm no cofre.
Como eu já falei noutro poste em Nov2011, na antecipação das crises, o risco aumenta pelo que as pessoas têm tendência a aumentar o liquidez, o saldo das contas à ordem. No último ano, os depósitos à ordem americanos cresceram 18.1% (medido pelo M1). Como resposta , o FED teve que aumentar a quantidade de moeda em circulação em 8.4%.
Mas faz parte da oscilação normal da quantidade de moeda em circulação (ver fig.1).
Mas não é para comprar divida pública nem para ceder liquidez a bancos falidos, tipo os gregos ou os nossos BPP e BPN.

Lembro-me de
O ex-Sr. Ministro das Finanças dizer que "emprestar dinheiro ao BPN é um bom negócio para a CGD". E dizer que "Portugal ganha dinheiro ao emprestar dinheiro à Grécia".

Pedro Cosme Costa Vieira
















segunda-feira, 11 de julho de 2011

Portugal está mal? Não. Cuidado é com os EUA

Há algo de podre nas agências de rating. Portugal reuniu sem grande dificuldade um consenso político alargado em torno de um plano de austeridade imposto pelo FMI, BCE e UE para nos emprestarem 78 mil milhões de euros e evitarmos, desse modo, a bancarrota. Houve eleições e o governo tem maioria no Parlamento. Todos os sinais são positivos e a Moody's baixa o rating da dívida sem mais nem menos. Até aqueles que eram mais benevolentes com estas agências vieram gritar para a praça pública.

Quem estiver mais atento às notícias dá conta que, de facto, algo anda virado do avesso: a directora-geral do FMI falou ontem sobre um possível default dos EUA e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convocou para hoje uma cimeira de emergência com o presidente da Comissão, Durão Barroso e os três ‘senhores' do euro, Jean-Claude Juncker do Eurogrupo, Jean-Claude Trichet do BCE e o comissário Olli Rehn. O objectivo é discutir o segundo plano de resgate da Grécia, o perigo de a Itália entrar em incumprimento e a situação espanhola. Quanto a Portugal, não se passa nada para já...

Portugal? "Passa-se alguma coisa por aí?", pergunta Lagarde

Ou seja, o grande paradigma do crescimento económico está com problemas tão graves ou mais do que os apontados a Portugal, com a agravante de um eventual incumprimento norte-americano traria problemas sistémicos, mundiais. Como todos sabemos, os problemas estruturais de finanças públicas não surgem da noite para o dia. Vejamos então o que dizem as agências de rating, todas de raiz norte-americana (Fitch tem agora capitais franceses) sobre os EUA.


Standard & Poor's


 United StatesAAA
Jun 2011
Fitch

 United StatesAAA
September 2000

Moody's


 United StatesAaaMar 2010

O triunvirato dá nota máxima aos EUA nas suas mais recentes notações. A mais activa tem sido a S&P, com avisos sérios, ameaçando mesmo rever o rating do seu país natal até...2015. Que dureza!

Não havia sinais de alarme na economia norte-americana, visíveis para especialistas como os que trabalham nas agências? Bom, é verdade que a crise financeira de 2008 também lhes passou ao lado. Talvez tivessem dispensado a maioria do seu pessoal para férias nessa altura!

FIGURA 1: Dívida pública dos EUA em % do PIB
FIGURA 2: Os tectos para a dívida púbica dos EUA foram
crescendo ao longo dos anos, adaptando-se às circunstâncias

Curiosamente, o que preocupa os norte-americanos não é tanto o crescimento da dívida, mas sim o facto de o país estar no limiar do seu tecto legal (FIGURA 2). Portanto, a directora-geral do FMI, já instalada nos EUA, disse esperar que os dois partidos (Republicano e Democrata) cheguem a um compromisso até à data – 2 de Agosto – que a Casa Branca deu como limite para o Congresso aumentar o tecto máximo do endividamento dos EUA, que chegou ao seu limiar a 16 de Maio.

Apesar do impasse nas negociações, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, assegurou ontem que o país não deixará de cumprir os seus compromissos financeiros. “Os Estados Unidos não entrarão em default” (incumprimento da dívida), reforçou.

Ficamos assim todos mais descansados. O descontrolo das contas públicas pode ser resolvido nos EUA e em países como Portugal, onde a dívida anda pelos 93% do PIB e o défice pelos 9% (5,9% é o objectivo para este ano). Basta estabelecer um limite constitucional para o endividamento (em % do PIB), mas adaptá-lo ao longo do tempo, se necessário. O mesmo se poderia fazer com o défice, só para facilitar e não andarmos aqui todos com a cabeça à roda de cada vez que uma agência de rating dá notas sem olhar para os testes dos seus alunos.

Pedro Palha Araújo


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