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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Será acertado o OE2018 baixar os preços dos transportes de passageiros?

Os esquerdistas têm uma visão deficiente da economia social. 
Pensam eles que as pessoas de menores recursos financeiros, os pobres, devem pagar menos nos transportes públicos, electricidade, água, propinas, etc. exactamente porque são pobres.
Vêem eles, esquerdistas, esta redução no preço do acesso como um subsídio que o Estado tem que dar a quem precisa mais.
Mas esta visão está errada pois, em termos económicos, o preço social não tem por fim subsidiar os pobres mas, pelo contrário, aumentar a margem operacional (mais conhecida por "lucro antes de amortizações e juros") e subsidiar os mais ricos!
Vejamos como, em termos económicos, a coisa funciona usando o exemplo aos transportes público de passageiros.

Curva da procura.
A quantidade que se consegue vender agrega-se na "curva da procura" que, para cada preço, quantifica a quantidade total que as pessoas estão disponíveis para comprar.
Quanto mais baixo o preço, maior é a quantidade que as pessoas querem comprar o que se aplica também aos transportes públicos de passageiros.
Assim, a quantidade de bilhetes validados no sistema de transportes públicos aumenta quando o preço das viagens diminui mas o preço não afecta de igual modo as pessoas, pessoas com diferente rendimento, idade, estado de saúde, etc. reagem de forma diferente ao preço.
Estas diferenças podem ser aproveitadas pelos vendedores no sentido de melhorarem o serviço ao mesmo tempo que aumentam o seu lucro.
Vamos supor que as pessoas de uma cidade se podem dividir em nível de rendimento.
Apesar de falar do nível de rendimento, podem pensar noutras variáveis de segmentação.

Vou supor que existem 3 segmentos de mercado.
Os ricos que estão disponíveis para pagar um preço mais elevado mas viajam menos de transportes públicos.
Segmento 1 - Vamos supor que a quantidade de ricos que viajam, em milhares por dia, se agrega em:
    Q.ricos = 66.67-33.33*P

Segmento 2 - Também existem os remediados:
    Q.médios = 80-66.67*P

Segmento 3- E os pobres:
    Q.pobres = 200 - 400*P

Estas curvas da procura agregam-se na Curva de Mercado que, por exemplo, para um preço de 0.70€/viagem, quantifica que viajarão 76,67 mil pessoas por dia.
66.67-33.33*0.7 = 43,33 ricos;  80-66.67*0.7 = 33.33 médios e ZERO pobres.

Se o preço for de 0.20€/viagem, viajarão 246,67 mil pessoas por dia onde se incluem muitos pobres.
60 ricos;  66.7 médios e 120 pobres.

Fig. 1 - Curva da procura dos Ricos, Médios e Pobres e Curva de Mercado (a amarelo)

O custo de transportar mais um passageiro é muito pequeno.
Existem muitos bens cuja produção tem um custo fixo elevado e um custo variável (de produzir mais uma unidade) muito pequeno de que o transporte públicos de passageiros é um exemplo.
Grosso modo, o autocarro parado custa 60$; a andar sem passageiros, custa mais 40$ e acrescentar mais  um passageiro acresce apenas 0.1$ ao custo total.
O óptimo em termos sociais será, quando o autocarro tem lugares vagos, meter passageiros desde que paguem pelo menos 0.1$. O problema é que a empresa tem que "esfolar" o cliente para conseguir pagar os custos fixos.

Vamos supor que o custos fixos são 50000€/dia e o custo variável 0.1€/passageiro.
Se a empresa cobrar 0,7€/viagem, valor muito próximo do preço do monopolista, o lucro operacional será de 46 mil€ por dia (a área a amarelo da Fig. 2) o que implica um prejuízo de 4 mil€/dia.
Este preço quase anula os prejuízos mas exclui os pobres.

Fig. 2 - Para diminuir os prejuízos, é preciso cobrar 0,70€/viagem o que exclui os pobres.

Agora, a "política social" vai obrigar a empresa a cobrar apenas 0,20€/viagem o que já vai incluir a maioria dos pobres à custa do aumento do o prejuízo para 25 mil€/dia.

Subsidiar os pobres  não é caridade mas boa gestão.
Os esquerdistas defendem que subsidiar os pobres estigmatiza-los. Por isso, devem todos pagar o mesmo preço e o Orçamento de Estado subsidiar as empresas de transportes.
Esta visão está errada porque cobrar um preço diferente a alguns não é subsidiar já que todos ficam melhor. Os ricos e médios também vão poder pagar menos e o prejuízo vai diminuir!
E é exactamente isto que mostra a Ciência Económica: a segmentação do mercado é positiva para todos.
Parece um contra-senso mas, o preço geral (para os ricos e médios) pode diminuir para 0.6€/viagem se se permitir que os pobres paguem apenas 0,20€/viagem!
E, mesmo assim, o prejuízo diminui!
Apesar de a margem obtida com o "preço normal" diminuir 2,7 mil € por dia (a área a amarelo da Fig. 3), os pobres vão acrescentar 16 mil€/dia a esta margem (a área a azul à direita do tracejado da Fig. 3).
Assim, os pobres não estão a ser subsidiados pois, a redução do seu preço permite mesmo que os ricos e médios paguem menos e que, mesmo assim, o prejuízo de 4 mil €/dia se transforme num lucro de 9,9 mil€/dia.

Fig. 3 - Criar um preço para pobres  não é caridade pois permite diminuir o preço dos ricos e médios (perdendo a área a amarelo) e ainda aumentar a margem operacional (ganha-se a área azul à direita do tracejado)

Dito isto, o que concluir?
Que é preciso meter na cabeça dos esquerdistas que subsidiar os pobres não é caridade mas apenas uma forma inteligente de segmentar o mercado em tecnologias em que o custo fixo é muito elevado.
No caso concreto, a redução dos preços nos passes sociais é uma política tremendamente mal desenhada porque leva ao aumento do prejuízo das empresas de transportes.

O que eu defendo.
O tarifário é muito complexo.
As minhas propostas são no sentido de acabar com as zonas e com os passes e reduzir tudo a um cartão que funciona como "via verde".

1 - Acabar com as zonas.
As zonas têm por finalidade segmentar o mercado entre quem faz uma viagem longa (disponível para pagar menos por km) e quem faz uma viagem curta mas são muito complexos e difíceis quando a pessoa faz viagens diferentes ao longo do tempo.
A construção das zonas tem uma fórmula por trás que poderia estimar mas não vou perder tempo com isso.
(Afinal, dei-me ao trabalho de estimar a regra das zonas e é 0,80€ + 0,08€*km)
A minha proposta é que a pessoa valide o cartão à entrada e à saída e sejam calculados os quilómetros percorridos. Depois, é aplicada uma formula contínua.
Não concordo a ser proporcional (os tais 0,08€/km) e defendo que deve haver um desconto maior com a distância, por exemplo, 0,90 + 0,60Ln(Km):

 Km Preço   || Km Preço
 0,5 0,48 € || 4,0  1,73 €
 1,0 0,90 € || 5,0  1,87 €
 2,0 1,32 € || 10,0 2,28 €
 3,0 1,56 € || 20,0 2,70 €

Eu sou a favor de uma formula contínua para não haver perdas de direitos por meia dúzia de cêntimos (a famosa "mudança de escalão").
Quem não validar o passe à saída, paga 3,30€.

2 - Acabar com os passes mensais.
O passe mensal tem por finalidade segmentar o mercado entre quem faz muitas viagens ao longo do mês (disponível para pagar menos por viagem) e quem faz uma viagem ocasional.
É um problema a revalidação, o cálculo se valerá a pena ou não, etc.
A minha proposta é estender a filosofia dos quilómetros a a um período alargado de tempo, por exemplo, a média dos quilómetros percorridos diariamente nos últimos 90 dias.
Existe uma regra para a determinação do preço do passe que, grosso modo, são 24 viagens (uma redução de 60% para quem faça duas viagens por dia).
Então, pegar em todas as viagens realizadas nos passados 90 dias e aplicar à viagem de hoje um desconto crescente com essa média (também uma formula contínua), por exemplo,

 NV   Desc.    || NV     Desc.
 10    5%   || 50   60%
 15  10%  || 75   70%
 20  25%  || 100 75%
 30  40%  || 200 87%

3 - Os passes de empresa, de grupo e familiares.
Seria apenas agregar os cartões e obter descontos, o que já é feito pelas operadoras de telemóveis.
Por exemplo, para efeito do desconto da regra 2, a média de viagens de cada pessoa ponderar com o grupo, por exemplo:
   NVi = NV da pessoa + 0,1 * NV da mediana do grupo.

E onde entrava a segmentação pelo rendimento?
Sobre o preço normal da viagem, seria aplicado um desconto decrescente com o rendimento, por exemplo, Desconto Social = (Rendimento per capita - 2*IAS)/1000.
Uma família (um a ganhar o SMN e outro meio SNN e 2 filhos menores) com um rendimento per capita de 217,50€/mês, teria um desconto em todos os membros da família de 62,5%.


Fig. 4 - Não se resolve nada porque preterem as gajas boas em favor de cepos.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

William Carvalho e A Selva

Há muito que queria ler A Selva. 
Quando andava no secundário, havia Os Emigrantes que era de leitura obrigatória (mas que eu não li!) e A Selva, publicado em 1930, de leitura aconselhável (que também não li!).
Bem, recordando esses tempos, não li nenhum dos livros obrigatórios. Se calhar, eu não era um aluno exemplar :-)
Neste mês de Agosto, a Ucraniana mandou-me um dos contos do Tchekov (O Homem na Caixa). Depois, movido pela curiosidade,  estive a ler A Estepe, publicado em 1888, que descreve uma viagem que o autor fez através da parte ocidental da Ucrânia (a que agora está em guerra). Há um relato da paisagem, a estepe, e de como as pessoas viviam lá, incluindo a miséria, a sexualidade e os judeus.
A Selva, 1930, é quase uma adaptação d'A Estepe não faltando a referencia à miséria, à sexualidade e mesmo aos judeus que eram uma ínfima minoria no Brasil (em comparação com a Ucrânia).
Talvez por essas semelhanças e por A Selva ter sido publicada 42 anos depois de A Estepe é que Tchekov é um dos grandes vultos da história da humanidade enquanto que Ferreira de Castro é "apenas" uma referência de trazer por casa.

Mas vamos à Economia d'A Selva.
Primeiro, os fundamentais.
1) Há homens no Maranhão e no Seará disponíveis para trabalhar.
2) Há fazendas de borracha na Amazónia que precisam de trabalhadores.
3) Um dia de trabalho produz mais riqueza na Amazónia (a recolher borracha) do que no Seará (na agricultura convencional). 

Estamos então em presença de um problema de afetação de recursos em que um recurso é "não transaccionavel" (a terra não pode mudar de sítio) e um recurso que é transaccionável (o trabalho pode mover-se).
Este problema seria instantaneamente resolvido se não houvesse "custos de transacção" (a viagem de 3000km).

N'A Selva, o contrato de trabalho incluia um empréstimo inicial.
O trabalhador começa por receber um empréstimo sem prestar garantias para ajudar a família a sobreviver e para a viagem. Este crédito é na ordem dos 2000$00.
Nos "tempos bons", este crédito corresponderia à facturação de 100 dias de trabalho (5 kg/dia de borracha a 4$00/kg). Nesses tempos, mesmo descontando a alimentação que era mais cara que o normal, ao fim de um ano a dívida estaria amortizada e, depois, era tempo de juntar para levar um pecúlio para arranjar mulher e criar filhos.
Mas, nos entretantos, os tempos pioraram. Ferreira de Castro aborda a questão da concorrência da Malásia mas tanbém quer dizer que a pobreza é motivada pela ganância dos patrões.

O problema foi a inovação tecnológica.
As fazendas brasileiras de borracha, onde o avô da minha mãe também trabalhou para, depois, se estabelecer como comerciante em Manaus, funcionaram muito bem até ter havido uma inovação tecnológica na Ásia!
Pelo lado da procura, estava tudo bem, a borracha era usada para fazer pneus (para bicicletas, carros e camiões) cuja produção estava em grande crescimento principalmente durante a Grande Guerra, 1914-1918.
O problema é a procura ter criado inovação tecnológica por parte dos ingleses. Não fossem eles os pais da Revolução Industrial.
E Ferreira de Castro fala da concorrência dos ingleses sem dar conta que essa concorrência apenas existe porque ocorreu uma industrialização do processo.

A tecnologia na Amazónia.
A planta produtora da borracha, a Hevea brasiliensis* Ficus elastica, faz parte da floresta tropical brasileira.
Sendo nativa, no Brasil a tecnologia era recolectora:
Partindo de um ponto à beira de um rio, desbravava-se um caminho pela mata dentro procurando encontrar  árvores da borracha. Este caminho era difícil de iniciar e precisava de constante manutenção.
Como a floresta era impenetrável e ainda não havia drones, não havia possibilidade de escolher previamente o percurso pelo que encontrar mais ou menos árvores era um processo de sorte e azar. Assim, uns caminhos acabavam por ser mais produtivos e outros menos.
O caminho dava uma volta voltando ao ponto inicial e deveria ter uma extensão que permitisse  ser percorrido de manhã (para colocar os copos) e novamente à tarde (para recolher os copos cheios). Em média, um caminho tinha cerca de 10 km com 20 ou 30 árvores produtoras, espaçadas entre si uns 500m.
Dada a pouca densidade das árvores produtoras e a dificuldade do percurso, mais de 80% do tempo de trabalho do trabalhador era perdido. Além disso, o período da cheia impossibilitava o trabalho durante grande parte do ano.

A árvore da borracha é vulgar nos nossos jardins

* A Hevea brasiliensis é nativa do Brasil e conhecida por "árvore da borracha do Pará". A árvore que temos nos nossos jardins e casas é a Ficus elastica e conhecida por "árvore da borracha indiana". 
Esta nota deveu-se à chamada de atenção do Pedro Alves que agradeço.
Acrescento que a árvore do Pará é mais produtiva pelo que é a planta usada nas plantações. 
Actualmente, a borracha natural, num total de 12700kt/ano é produzida na Tailandia (4380t/ano), Indonésia (3230t/ano), Vietname (1120kt/ano), China (820kt/ano), Índia (750 kt/ano) e  Malásia (700kt/ano) e praticamente nada no Brasil ( 200kt/ano). A produtividade é na ordem dos 1150kg/ha e o preço na ordem dos 1,20€/kg (ver fonte).

Qual foi a inovação tecnológica?
Os ingleses pegaram em plantas recolhidas na Amazónia e fizeram plantações na Malásia.
Primeiro, desmataram a floresta e, depois, plantaram a Ficus elastica numa malha regular 3 x 10 metros. Na plantação, a densidade das árvores é 1000 vezes maior pelo que podem ser escolhidos os melhores terrenos (livres de inundação e mais próximos do alojamento) e o trabalhador não perde tempo a caminhar nem a desmatar o caminho. Desta forma, num dia de trabalho um malaio produzia 10 vezes mais do que produzia um trabalhador brasileiro e com menos esforço físico.
Se um brasileiro produzia 5 kg de borracha por dia, um malaio produzia 50kg.

Na Malásia, a plantação permitia muito maior produtividade

O problema não estava na exploração do trabalhador.
Estava na concorrencia que a industrialização colocou aos produtores tecnologicamente atrasados.
Interessant Ferreira de Castro nunca ter colocado a questão "Como conseguem os malaios produzir a preços tão baixos?"
O problema das fazendas brasileiras estava na elevada produtividade das plantações concorrentes, com uma diferença de 10 para 1,o que induziu quedas nos preços de tal ordem que as fazendas brasileiras ficaram inviáveis e isto mesmo que o searense trabalhasse apenas para não morrer de fome.
Tanto era evidente que o negócio da borracha como era feito estava condenado que Ferreira de Castro colocou como últimas palavras do patrão antes de ser assassinado "não estou para meter aqui o dinheiro que ganho na criação de bois."

Vamos ao William Carvalho.
No caso de um futebolista, o contrato de trabalho também tem um crédito inicial.
O William quando era gaiato, tal como milhares de crianças portugueses, queria ser um novo "ronaldo" mas, para isso, tinha que ter um bom treinador e jogar numa equipa de futebol e que fosse competitiva.
Estranhamente, mesmo com o melhor treinador do mundo, um jogador não evolui sem "jogo nas pernas" e num ambiente competitivo.
O problema é que uma equipa só pode jogar com 11 e não se podem meter todos os "jovens promessas"  a jogar porque isso iria custar derrotas. Então, cada equipa só pode tentar alguns o que traduz um Custo de Oportunidade.

Vejamos o contrato da "jovem promessa"
O jovem promessa, sem formação nem jogo nas canetas, vale 600€/mês a jogar no Fanhões de Baixo.
Mas, com o devido apoio, pode vir a valer milhões.
Então, o Sporting, antes de lhe dar a formação ao potencial craque, faz um contrato de longo prazo.
Supondo que o jogador tem 12 anos e que vale hoje, num horizonte temporal até aos 35 anos, uma média de  600€/mês. Então, o valor actual do jogador será de 75000€ (taxa de juro de 3%/ano)
   VA = 600*14 / 3%*(1-(1+3%)^-23)
Vamos supor que, por causa da concorrência, o sporting oferece um contrato até aos 35 anos de 1000€/mês, o que traduz um investimento acima do seu valor actual de mercado de 50000€.
A estes 50000€ acrescem as despesas de formação e o custo de oportunidade.

O Jogador joga muito.
Vamos supor que, chegado aos 22 anos, o jogador continua com os 1000€/mês mas que agora um clube estrangeiro está disponível a pagar 350 mil€/mês (até fazer 35 anos). Como o jogador tem um contrato de 1000€/mês com o Sporting então, pode ser trespassado por 43,5 milhões €.
Isto porque para o clube estrangeiro tanto dá pagar 350 mil€/mês como dar 43,5 milhões€ pela transferência ao Sporting e pagar 1000€/mês ao William.

O problema é que o jogador não vai querer jogar a ganhar 1000€/mês!
Existem estudos que dizem que o ser humano é invejoso.
Numa divisão, em que A determina a proporção e B aceita ou recusa, caso em que ambos perdem tudo, quando Adá a B menos de 30%, é quase certo que B vai recusar perdendo ambos tudo. Se A proposer 50%, é quase certo que B aceita.
Neste caso, se o William receber pelo menos 120 mil€/mês, quase com certeza que vai recusar, deixando de jogar.
Se a 1000€/mês o jogador vale 43,5 milhões€, a 120 mil€/mês desvaloriza para 28,5 milhões€.

Qual é o poder negocial do William?
O único poder é a greve de zelo, pura e simplesmente, recusar a transferência e deixar de jogar.
Como ganha o mesmo, e este é o problema da "economia igualitária socialista" defendida pelo esquerdistas, não se esforça.

O problema n'A Selva acabou por ser a falta de incentivos.
E é referido pelo autor.
Como o trabalhador nunca mais se libertava da dívida, pura e simplesmente, deixava de trabalhar. Só fazia o mínimo para não morrer de fome e ter direito a uma bebedeira de vez em quando.
Má tecnologia e errados contratos de trabalho levaram as fazendas de borracha à falência.

Como deveria ser o contrato de trabalho do seringueiro?
Além de dever informação que permitisse calcular o salário, devia haver uma partilha do resultado extraordinário do esforço do trabalhador de, pelo menos, 30%.
Assim, primeiro, deveria ser dito o rendimento esperado do trabalhador:

A) Em média, um seringueiro consegue recolher 1000kg/ano de borracha que é paga a metade da cotação de Belém que é actualmente de 5$00/kg.
B) Em média, os mantimentos para um ano custam 3000$00.

Depois, deveria ser dado um incentivo extra:

C) Metade de tudo o que conseguires produzir acima dos 1000kg, vai directo para a tua conta-poupança

Finalmente, uma claúsula de salvaguarda para partilhar o risco:

D) Se, por alguma razão, ao fim de 5 anos não conseguires saldar a dívida, esta será perdoada e ficas com o saldo da conta-poupança e ainda 10% de tudo o que facturaste.

É o salário por objectivos.
Em vez do contrato do jovem jogador ser 1000€/mês terá que ter ainda objectivos:
A) 1000€ por cada jogo realizado na equipa principal
B) 5000€ por cada golo marcado.
C) Uma claúsula de rescisão razoável.

Já me faz lembrar o André Carrillo.
Pressionaram o jogador, castigaram-no, proibiram-no de treinar e, no fim, pagaram um ano de salários, ele não jogou e receberam um monte de nada.
E o jogador também nunca mais se encontrou (porque o Benfica não tinha espaço para o meter).
Só espero que o Sporting tenha aprendido alguma coisa mas parece que não.

Se o Carrillo não tem sorte no jogo, tem sorte na mulher

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fogos florestais: o progresso obriga à mudança

A "tecnologia" do incêndio florestal. 
As árvores são formadas por celulose (tem outras moléculas mas simplifiquemos) que é açúcar  polimerizado que oxida continuamente (é o normal envelhecimento da madeira e de tudo que é orgânico), libertando energia:
      (n)C6H10O5 + O2 => CO2 + H2O + Energia (4kcal/g)
Esta reação nas condições normais de humidade e temperatura é muito lenta, demorando milhares  de anos a oxidar uma simples folha de papel (que é feita quase integralmente de celulose).
Claro que existem fungos que conseguem realizar esta oxidação muito mais rapidamente (o apodrecimento) e mesmo animais (por exemplo, as térmitas) mas, mesmo assim, a oxidação ocorre de forma muita lenta e incompatível com um incêndio pois, a 60.ºC, os seres vivos morrem (acontece a pasteurização).

Aumentando a temperatura, a velocidade de oxidação acelera.
Se abaixo dos 100.ºC a oxidação é muito muito lenta, acima dos 300.ºC a celulose começa a decompor-se muito mais rapidamente em carvão (sólido) e em gases (simplificadamente, metano e monóxido de carbono).
      C6H10O5  + Calor => Carvão (C) + gases (CH4 e CO)
Quando mais elevada for a temperatura, mais rápida é esta decomposição que se chama "destilação".
Agora, o carvão arde ficando em brasa (a combustão mantém-se estável porque a camada exterior da "pedra" não deixa o oxigénio  entrar) mas os gases ardem muito rapidamente chegando a explodir.
A elevada temperatura, uma folha de papel que demoraria milhares de anos a oxidar, oxida numa fração de segundo.

Um incêndio é um "reator" com uma reação em cadeia.
Para que aconteça a decomposição da madeira, a temperatura tem que se manter acima dos 300.ºC o que acontece quando o carvão está a arder "por baixo".
Sem a temperatura fornecida pelo carvão, a madeira não liberta gases e não se transforma em mais carvão necessário para alimentar o "reator".
Os gases, porque atingem elevadas temperaturas, também ajudam a fornecer o calor necessário para que a madeira se continue a decompor.

 Fig. 1 - Esquema de uma fogueira ativa

A frente de fogo.
Tem a vegetação rasteira, muito fina e seca, a fornecer calor para que os arbustos e copas das árvores libertem gases inflamáveis que vão criar temperaturas muito elevadas (por irradiação) que ajudam a propagação do incêndio junto ao chão.
A dinâmica é favorecida em terrenos a subir e a favor do vento.



Fig. 2 - Esquema da frente de incêndio

Qual o efeito da água no "reator"?
A água arrefece o "reator" o que, por um lado, para a reação acelerada de oxidação do carvão e, por outro lado, evita que a madeira liberte mais gases combustíveis.
É semelhante a, quando no campismo fazíamos uma fogueira (bem sei que agora é proibido), ao efeito de espalharmos o material (deixaria de haver temperatura suficiente para a reação em cadeia continuar).

O contra-fogo é a tecnologia "inversa" à água.
Não arrefece a "reação em cadeia" na hora em que ela está a acontecer mas, queimando previamente parte da vegetação rasteira, deixa de haver densidade de combustível suficiente para que a temperatura atinja os valores necessários para que o fogo se auto-alimente.
Assim, quando a frente de fogo chegar a uma área previamente "tratada" com o contra-fogo, não consegue continuar.

Agora, a minha proposta para controlar os fogos florestais.
Usar água é pouco eficiente no combate aos fogos florestais porque:

A) A água tem pouca capacidade de apagar fogos o que obriga a transportar continuamente grande quantidades e a grandes distâncias (em camiões e aviões).

B) Tem que haver estradas até ao local o que é impossível porque a frente de fogo é dinâmica, e o transporte aéreo é muito caro.

C) O dinamismo da frente de incêndio obriga a que seja preciso repetidamente combater o incêndio (o que regamos agora de nada vai servir daqui a um minuto porque o fogo caminha para a frente).

D) Como a dinâmica é incerta, não é possível fazer um planeamento dos meios (os bombeiros têm que ficar à espera da chegada da frente de fogo).

Contra-fogo com uma tela de pano ignífugo.
Um pano ignífugo é uma tela feita em fibra de vidro, leve e barata, que serve de barreira à propagação de calor, chama e não arde.
Quando temos uma "estrada" estreita onde se vai fazer o contra-fogo, há o problema de haver um atravessamento ao longo da linha em chamas e ainda de o sapador sofrer muito calor.
O pano ignífugo vai fazer uma muralha com 3 metros de altura e uma extensão de 100 metros o que dá tempo para que a linha de contra fogo se afaste da "estrada".
Como o pano evita a passagem de calor, a necessidade de meios para evitar os atravessamentos tornam-se muito reduzidos podendo mesmo ser feito sem necessidade de água.
Naturalmente, eu proponho uma tela com 3 metros de altura e 100 m de extensão mas isso terá que ser determinado por experimentação no terreno.
Esta tela não será de difícil uso (mesmo com vento) porque pode ser usado na horizontal (deitada sobre o material a queimar).

Fig. 3 - Esquema de contra-fogo com tela ignífuga


Quanto custará a tela ignífuga?
Estive a ver uns preços e anda na ordem dos 5€/m2.
3 m x100 m = 300 m2 que custarão 1500€.
Pensando que terá um sistema de suporte e controlo (pegas, pilares e apoios), ficará nos 3000€.
E a tela pode ser usada vezes sem conta.

Na frente de fogo.
E tecnologia da tela ignífuga também pode mesmo ser usada como auxiliar das mangueiras de água na frente de fogo, situação em que será apenas necessário usar água no que passar por baixo da tela e não a apagar o fogo diretamente.

Fig. 4 - O contra-fogo faz-me lembrar que nem tudo o que está queimado é feio





quinta-feira, 27 de abril de 2017

Venezuela - Os esquerdismos, a pobreza e a ditadura

Boa tarde amigos.
Bem sei que tenho andado muito pouco activo!
Como não encontro razão substancial para, de repente, a minha mente ter feito um shut down, atiro as culpas para o evoluir da idade ou, mais provável, para a Ucrânianazinha.
 
Estas últimas semanas foram difíceis.
A mocinha não tem assistência médica. Acontece, de forma compreensível, que os estrangeiros que estão em Portugal, apenas têm acesso ao nosso SNS se tiverem visto de residência. Como não tem, tem que invocar o seguro de saúde que é o mesmo que dizer que tem que pagar do seu próprio bolso.
Então, tendo eu arranjado uma consulta de dermatologia na Dr.a Natividade Rocha pro bono e sendo que o diagonóstico foi "melanoma", a mocinha andou, tem andado, muito preocupada de forma que ontem o excisou na Clínica Douro Centro Médico que fica na Boavista-Porto.
Eu não fui (talvez estejamos afastados de forma permanente e irreversível).
Agora, são mais 15 dias de stress à espera dos resultados.
Se vier Positivo, há que ir outra vez à faca :-(
 
Os esquerdistas e a Venezuela.
Mas hoje quero falar de outras coisas, de como os esquerdistas tanto defenderam a revolução esquerdista na América do Sul.
Sim, mesmo aquele que agora banqueiro no Banco de Portugal onde lá está só a mamar dos nossos impostos.
Sim, a mamar dos nossos impostos porque, se não fosse a maquia que lá recebe sem nada fazer (porque também não o sabe fazer) essa massa entraria no orçamento de estado como receita.
Sim, estou a falar daquele que tanto falava contra o capitalismo mas que, assim que meteu a mão à massa, logo se calou.
Sim, afinal, foi aquilo tudo porque queria mamar na vaca das mamas gordas.
Agora vou falar no nome dele o que, com certeza, é um carimbo para mais um processo.
Sim, estava a falar do Sr. Professor Doutor Louçã.
 
 
Fig. 1 - Também eu gostava de ter qualquer coisinha no Banco de Portugal

 
A esquerda é a mãe da pobreza e da ditadura.
A ideia de pegar no que os ricos têm e dividi-lo pelos mais pobres parece levar a uma sociedade mais justa e em que as pessoas são mais livres.
Os esquerdistas chamam a quem é mais rico os exploradores, especuladores, esbanjadores e, aos outros todos, explorados, esforçados, trabalhadores.
Pegando na riqueza dos patrões, fiquemo-nos nos 10% da população, e dividindo-a pelos  restantes 90%, com certeza que vamos libertar os trabalhadores do jugo dos patrões, da necessidade de engolir sapos para poder ter o que comer ao fim do dia, da ditadura dos horários e das metas impostas pela avaliação de desempenho.
Isto, por parecer lógico, é que consegue convencer uma percentagem significativa da população. 
 
Se fizermos uma análise ao eleitorado das esquerdas.
Os esquerdistas colhem os votos das pessoas menos instruidas e mais mamonas.
Nas esquerdas antigas (maioria no PC e no PS) vemos velhos desdentados e analfabetos, daqueles que o José Cid disse virem de um sítio qualquer e, por isso, sofreu um boicote qualquer mas estava errado pois a maioria destes está lá para o Sul.
Nas esquerdas modernas (maioria no BE e ainda no PS) vemos filhos com 30 anos que vivem à custa dos pais e fundionários públicos que não fazem a ponta de um corno.
Certo, por esta análise, eu deveria ser do BE ou de coisa pior como o Partido dos Animais e da Natureza que é outra cambada de mentecaptos.
 
Hoje entrou uma vespa no gabinete de uma colega.
Veio a correr gritando "Tenho lá uma vespa que deve ter 20cm, anda lá matá-la" (bem sei no que estão a pensar, que este erro resulta de os homens mentirem às mulheres relativamente à fita métrica).
Eu defendi-me logo "Eu? Para ser despedido? Chama é a Liga de Defesa dos Animais e eles que a adoptem como animal de estimação pois é bem menos perigosa que esses cães assassinos que atacam crianças e que eles defendem."
Não existe qualquer diferença entre o frango que está assar no espeto, o porco cortado em febras no talho ou o cordeiro assado no forno e qualquer outro animal seja cão, gato ou piriquito.
Se se mata o frango, também se pode matar o cão.
 
Porque a ideologia esquerdista leva à estagnação económica.
Por variadíssimas razões estudadas e comprovadas pela Ciencia Económica mas, para não perderem tempo, vou apenas falar do risco.
 
Para haver crescimento, novas ideias têm que ser implentadas.
Todos nós que fazemos alguma coisas na vida (e isto não se reduz à nossa vida), achamos que eramos capazes de gerir a nossa "empresa" como está a ser gerida.
Depois de irmos uma dúzia de vezes ao barbeiro já nos achamos capazes de cortar cabelo, de andarmos um anito no ginásio, já nos achamos capazes de ser personal trainers daquelas gajas boas, depois de alguns anos no nosso emprego, já sabemos fazer tudo em piloto automático.
Olhando para uma sociedade assim, em que cada dia se repete o que se fez no dia anterior, os patrões são dispensáveis.
O problema é que para haver crescimento económico e desenvolvimento é preciso que hoje, com o mesmo esforço, consigamos criar mais valor do que criamos ontem e isso está apenas ao alcance de alguns.
 
A economia é tal e qual a escola.
Olhando para as crianças no primeiro dia de aulas, nada as separa. Mas, começando os testes, há umas que têm suficiente e outros, aparentemente iguaisinhos aos demais, têm excelente.
Digamos que a mente das crianças, aquele tecido gelatinoso que está dentro dos seus crânios, numas crianças tem mais capacidade de resolver os problemas dos testes que nas outras.
Na economia é igual, há pessoas que têm mais capacidade de criar valor, mais capacidade inventiva, inovadora, de observar oportunidades de criar valor e de implentá-las de forma eficiente.
 
Mas inovar tem riscos.
Se é verdade que apenas uma minoria de pessoas é criativa, existe ainda o problema de o lançamento de um novo produto no mercado acarretar custos iniciais e pode resultar, com grande probabilidade, num fracasso o que implica um prejuizo para o seu inventor.
Então, se o produto tiver sucesso (i.e, se o novo produto for entendido pelos consumidores como algo com maior valor do que o bem que vem substituir), tem que haver uma margem para compensar o risco do fracasso.
Em termo de esperança matemática, sendo
  LPA= Lucro do produto antigo (lucro normal, aceitável pelos esquerdistas)
  LS = Lucro em caso de sucesso
  PF = Prejuizo em caso de fracasso
  ProbS = Probabilidade de sucesso
O inventor apenas lançará o novo produto se: 
    LS * ProbS - PF * (1-ProbS) > LPA
Se, por exemplo, a probabilidade de sucesso for de 5% então, o lucro de lançar com sucesso um novo produto terá que ser mais de 20 vezes o lucro aceitável pelos esquerdistas.
Sendo assim, quem tiver sucesso, ficará rico e será atacado pelos esquerdistas que se "esquecem" que essa inovação apenas aconteceu porque o individuo correu o risco de perder as suas poupanças num fracasso mais que certo.
Tal como na raspadinha, sem o engodo do prémio gordo, não há inovação.
E por cada raspadinha premiada há muitas e muitas que fracassam.
 
Porque a ideologia esquerdista leva à repressão.
Porque os esquerdistas nunca reconhecem que estão errados.
Quando a economia pára,os esquerdisa em vez de arrepiarem caminho, acham sempre que é preciso "aprofundar o processo revolucionário".
E esse aprofundar é retirar mais aos ricos e dar mais aos pobres.
É atacar os especuladores, os exploradores do povo e os populistas onde se incluem os seguidores do Fethullah Gülen, a Mary Le Pen e o Trump.
Como cada "aprofundamento" leva a mais afundamento, o povinho começa a ver que a coisa não dá resultado e os esquerdistas têm que se virar para um estado policial.
Os culpados de tudo são os especuladores internacionais, os americanos encabeçados pelo racista e sexista Trump.
 
Por falar no Trump ter ajudado as mulheres.
Na sociedade maxista em que vivemos é entendido que uma mulher para ter sucesso na vida tem que ser o mais parecido com um homem.
Mas as mulheres burras bonitas e sofisticadas não podem ter sucesso?
É isso que a Ivanka Trump quer dizer quando diz que o pai ajudou as mulheres.
As mulheres também podem ter sucesso pela sua beleza e têm que o assumir sem complexo de inferioridade.
Quem tem cão, caça com cão, quem não tem, caça com gato.
Um homem bonito também pode usar a sua beleza para ter sucesso na vida.
 
Fig. 2 - Se a Irina andasse tapadinha, tinha que fazer limpezas para ganhar a vida.
 
"As coisas demoram tempo a dar resultado"
Quando os esquerdistas veem a economia a desabar, pedem mais tempo.
Não é possível transformar a sociedade capitalista em que o homem explora o homem numa sociedade justa da noite para o dia.
Há muitos interesses a combater, há todo o sistema que é corrupto.
Agora até parece que sou presidente de um clube de futebol.
 
 
Fig. 3 - Se o Maduro fosse um democrata não haveria povo na rua a pedir eleições, ele próprio as marcava.
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Isto é muito importante para os homens

A menstruação é um dos problemas mais grave na vida dos homens. 
Tenho a certeza que já estão a dizer "Fosca-se que o bloggista assassino pifou de vez" mas não, nunca estive tão lúcido.
 Apesar de a menstruação ser um defeito das mulheres (não gritem que vou já clarificar este ponto), afeta muito o relacionamento amoroso dos homens não só porque em 20% do mês a mulher não quer fazer daquilo mas também porque uma grande maioria fica irritadiça ou mesmo impossível de aguentar.
O grave disto é que é exatamente nestes dias que os homens se iniciam no vinho, nas putas e, mais grave ainda, no gravíssimo e degradante hábito de ver jogos de futebol.
Atrás do vinho e das putas, já sabemos, vem o défice, a dívida pública e os populistas de direita pois, os esquerdistas são apenas utópicos que procuram com as suas extraordinárias ideias construir a sociedade perfeita onde o homem não explora o homem.
 Já agora, o homem, a mulher, o porco, a galinha, o coelho, elefante, o leão do circo, o mosquito, mais não sei quantos animais e bebidas com açúcar não exploram o homem, a mulher, o porco, a galinha, o coelho, elefante, o leão do circo, o mosquito, mais não sei quantos animais nem bebidas com açúcar.
Por este andar em que os utópicos estão a tomar conta de tudo, qualquer dia a única coisa politicamente correta e possível sem pagar um imposto ou uma taxa será apanhar na bolha.
Melhor dizendo, bolha não é correto, no novo léxico esquerdista politicamente correto, é "fazer o amor no órgão sexual masculino recetor". 
Tenho que fazer uma pequena correção pois é "fazer o amor no órgão sexual masculino recetor inferior" porque "fazer o amor no órgão sexual masculino recetor superior" (leia-se, manápula) não paga imposto mas é pecado mortal apesar de muito usado por padres, seminaristas e professores universitários.
Mas também causa divórcios porque nesses dias as mulheres têm o olfato apurado e, por causa disso, descobrem perfumes no pescoço dos homens que nunca deveriam descobrir.
Atrás do perfume vêm as discussões, a louça partida e, como nem todos os homens são como o Carrilho que aguenta estoicamente, a pancadaria e, por fim, os assassinatos.


Eu fui ao ginecologista!
Um velhote todo divertido.
Fui lá com a ucranianazinha pois, como já toda a gente já sabe, sofre de endometriose.
Eu arranjei-lhe Transtec 35 microg/h que ela cola 1/4 quando começa a sentir uma dorsita. Depois, quando a coisa aperta, vai Naproxeno.
Antes de ir, estive a investigar todo o seu passado clínico da ucranianazinha para escrever um "relatório médico" para o médico poder, rapidamente, ter acesso a toda a informação.
Claro que ela dizia "O médico não vai querer ler nada disto e, se for bom, olha para mim e vê logo o que eu tenho."
 
Mas eu lembrei-me de uma história de um médico.
Um paciente foi ao médico e, às perguntas "doí-lhe isto, doí-lhe aquilo," respondia sempre, "eu vim cá para o Sr. Doutor me dizer o que eu tenho e não o contrário."
Ao fim de 5 minutos o médico disse "O Sr. vai ter que ir a um médico mas a um veterinário pois eles é que descobrem tudo sem o paciente falar. Mas aviso-o já, na grande maioria dos casos, o tratamento consiste no abate sanitário."

Vamos então ao velhote.
Foi no Arrábida, custou 70€ e o velhote chamava-se Dr. António Alves.
O velhote é muito simpático e engraçado como se exige em alguém com tal especialidade.
Mas, na conclusão, disse uma coisa interessante.
Se uma mulher tem dores menstruais, a primeira coisa que tem a fazer é interromper a menstruação tomando pílulas de forma contínua.
Apontou a pilula "Esogestrel 0.15 mg + Etinilestradiol 0.02 mg" (conhecida por Merchion) que se vende em pacotes com 63 pastilhas (que dão para 2 meses), e tomar disso até pelo menos aos 50 anos.
Se, no entretanto, quiser tentar engravidar, interrompe o tratamento.
Good bye menstruação.
Só assim é que se pode parar a endometriose de evoluir.

Ai mas isso não é natural!
Lá na Ucrânia as pessoas não gostam de tomar comprimidos, só tomam coisas naturais como chá de limão (com rodelas de limão lá dentro), mel, pólen e geleia real.
Dizem que é por não serem naturais mas a verdadeira razão é o preço.
Os medicamentos não são comparticipados e uma carteira de 63 pílulas custa cerca de 450 Hryvnas (15€).
Quando uma professora universitária ou um médico ganham 3200 Hryvnas (110€) por mês para pagar as despesas todas, já vêm que não é possível tomar comprimidos.
Se calhar por isso é que as pessoas morrem por lá tão novos, não tendo nada a ver com Chernobyl.

Terá a menstruação alguma função biológica?
Cada vez mais pessoas concluem que não.
Que é apenas um defeito que a Seleção Natural não conseguiu corrigir.
Apenas causa desconforto, dor, perda de ferro (anemia) e de dias de trabalho e de brincadeira.
E, como já disse, faz os homens gastarem o seu orçamento em putas, vinho e idas ao futebol com todas as consequências macroeconómicas nefastas que dai nascem e mesmo incidentes diplomáticos que podem levar à guerra na Europa, entre os países do Norte e os desgraçados dos países do Sul ,que têm "o défice mais baixo da história da democracia".

Concluindo.
Se tem uma mulher rabugenta, sempre com "dores de cabeça" e irritadiça, interrompa-lhe a menstruação enfiando-lhe pílulas todos os dias até à sua morte (por causas naturais ou outras).
Mesmo se tiver uma filhinha que apenas não quer ir à piscina ou à ginástica argumentando "Pai, são coisas que não te posso contar" meta-lhe na bebida sem açúcar uma pílulasinha que isso logo passa.
No caso de ter uma sogra ainda abaixo dos 50, aplique-lhe o mesmo tratamento que vai ver que a sua vida vai melhorar significativamente.
Pouca dinheiro não só no vinho e nas putas como as pílulas (que uma caixa com 63 custa 1,34€) ainda lhe vai permitir poupar dinheiro em pensos e outras porcarias que as mulheres gastam.

Será natural andar de carro?
Há tanta coisa que não é natural, desde andar de carro e usar sapatos até beber água desinfetada.
Mas termos acesso a coisas tecnológicas é o que permite que vivamos até aos 90 anos de idade (e que trabalhemos até aos 70 anos com ocupações leves e a viver com acesso a muitos bens e serviços) quando os antigos só duravam até aos 30 anos (como Jesus, ok, foi por meios tecnológicos que o despacharam para junto do Pai) e tinham que trabalhar de sol a sol a cavar terra para passar uma vida de fome e de miséria.
Homens, vamo-nos unir e acabar com a menstruação.

Autor desconhecido

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Hoje vou falar do problema da dor crónica

OK, todos nós já estivemos doentes.
Eu já estive doente, já estive muito doente, já familiares meus diretos estiveram doentes e mesmo morreram e, no entanto, fui sempre trabalhar. Mesmo naquelas noite em que não preguei olho porque a minha mãe não parou de gritar, às 7h30 da manhã meti-me no meu carrinho e fui dar a minha aulinha por "respeito aos meus alunos".
Um do problema mais graves da vida, muito mais que a falta de dinheiro ou de mulher (parece-me que as duas coisas estão intimamente ligadas!) é a dor crónica que é capaz não só de destruir o corpo (causa pressão elevada e contração do vasos sanguíneos) como levar a pessoa ao desespero mental.
Em tempos, quando gritava toda a noite, a minha mãe sofria muito, queria que eu a matasse, mas, depois, foi a um médico anestesiologista que lhe receitou "uns farrapinhos" (como a minha mãe lhes chama) que, colados nas costas, acabam com a dor.
a minha mãe tomava tramadol ma causava-lhe muito vómitos.

Pareceu um milagre. 
Eu não dava nada por aquilo mas colei na mesma 1/16 e esperei. Ao fim de um dia, a dor reduziu a quase nada e, ao segundo dia, dormiu descansada. 
Depois fui investigar.
Esses farrapinho têm um químico, buprenorphine, que se liberta lentamente ao longo do tempo, um emplastro liberta 35 micrograma por hora mas, no caso a minha mãe, 1/16 de um farrapinho foi capaz de acabar com aquela dores terríveis. 
As instruções foram, primeiro colar 1/16 e, a cada 24 horas, se a dor persistir, colar mais 1/16 até a dor acabar. Será essa a dose indicada para controlar a dor.

Mas o que é a buprenorphine?
É uma molécula sintética da classe do opioides que foi sintetizada pela primeira vez em 1969 e que, depois de ano e anos de testes de eficácia e segurança, deu origem há apenas meia dúzia de anos a este farrapinhos.
É da classe do opioides porque bloqueia uns recetores de dor específicos que temos no cérebro mas é muito mais potente e seguro que a morfina.
A segurança do analgésico vem a possibilidade de ocorrência de paragem respiratória e, neste ponto, a buprenorphine é muito segura. 

Vamos agora à ucranianasinha.
 Sofre de endometriose, o que lhe causa grande sofrimento em cada 20 dias do ciclo menstrual.
A endometriose afeta muitas mulheres e destrói a sua qualidade de vida porque ninguém consegue funcionar com tamanha dor.
Qual a solução que indicam à mulheres? 
Uns comprimidinhos de paracetamol (que na Ucrânia se chama  ацетамінофен - acetaminofeno)

Ma agora está a experimentar Trantec.
Um farrapo tem 20 miligramas de buprenorphine e é ativo durante muito tempo mas, porque se trata de um problema de difusão, a quantidade disponível no corpo aumenta até ao quarto dia e, depois,  começa a diminuir.
Estudando a semi-vida do buprenorphine dentro do corpo humano (uma média de 37 dias), aplicando 1/8 de um penso de 35 microg/h antes 4 dias do início da menstruação (nessa altura já começa a sentir dores ligeiras), é exatamente no quarto dia que a quantidade dentro do corpo é maior, para uma pessoa com 48kg, atinge 3,6 microg/kg de buprenorphine (ver, Fig. 1).


Fig. 1 - Evolução da quantidade de buprenorphine no corpo com 1/8 de farrapinho (48 kg de peso)
 
Até ao quarto dia esteve tudo bem.
Ontem à meia noite telefonou-me (bem dizia o meu amigo cego que hoje, sem telemóvel, não se pode ter mulher) a dizer que tinha muitas dores, não tantas como era normal mas, mesmo assim, não conseguia dormir.
Disse-lhe "Cola mais 1/8"
- Mas isso vai criar habituação - disse a coitadinha mas, como as dores estavam a aumentar, lá colou mais um bocadinho.
"E toma um comprimido de naproxeno porque só vais sentir o efeito deste novo farrapinho pela manhã."
Como não quis tomar o naproxeno que teria efeito em alguns minutos, só adormeceu às 3h da manhã.
Hoje de manhã ainda sentia alguma dor mas por esta hora já está completamente sem dor.

 Fig. 2 - Evolução da quantidade de buprenorphine no corpo quando se acrescenta 1/8 de farrapinho e se mantém o outro que já lá está há 4 dias (48 kg de peso)
 
Mas não deveria ter retirado o farrapinho velho?
Diz na caixa que sim mas é apenas para que a quantidade dentro do corpo não varie tanto.Retirando, fica mais previsível além de que, com o tempo, o penso descola (meti um adesivo por cima) e causa coceira.

Penso que já sei a dosagem certa.
Com 3 microgramas/kg no corpo consegue controlar as dores iniciais mas precisa de 5 microgramas/kg  para controlar o primeiro dia. Então, se começar 4 dia antes com 1/8 e reforçar com 1/16 passados 3 dias, vai chegar ao primeiro dia de menstruação com 5 microgramas/kg, quantidade que se vai manter estável durante 4 dias e acima de 3 microgramas/kg até ao dia 10 do ciclo (15 do tratamento).
Penso ser suficiente mas no próximo mês vamos ver. Tudo isto é um processo de tentativa e erro

 Fig. 3 - Evolução da quantidade de buprenorphine no corpo quando se acrescenta 1/16 de farrapinho e se mantém o outro que já lá está há 3 dias (48 kg de peso)

É bom e barato.
Uma caixa com 10 farrapos custa 41€ sem comparticipação pelo que, usando 1/8 + 1/16, estamos a falar de qualquer coisa como 0,80€ por ciclo mentrual para destruir uma dor impossível de tolerar.
Com participação normal custa 28€ e, para doentes com necessidades especiais, fica por 4,10€ (é preciso invocar na receita a portaria não sei quê).
A coitadinha começava por tomar 1 Benuron a cada 8 horas mas nos dias piores tinha que tomar um a cada 3 horas o que dava qualquer coisa como 70 comprimidos por ciclo, 3,5 caixas de 20 comprimidos. era uma custo de 10€ o que, para uma pessoa que ganha 100€/mês, é muita coisa.

Porque será que não se usa mais Trantec?
É talvez por ser um medicamento novo para o qual os médicos e família ainda não estão avisados e talvez também pelo preconceito de ser um opioide.
Temos todos que lutar para que a dor saia da vida das pessoas e o Trasntec é um milagre moderno para uma enormidade de situações complicadas.

Espero com esta informação poder contribuir para que milhões de pessoa com dor vejam a sua vida melhorada.
A tecnologia não serve apenas para fazer carros ou aviões mas também para criar moléculas que acabem com a dor, sem qualquer preconceito.

Já agora.
Precisei, disse o meu médico, de meter uns diazinho de baixa.
O esquerditas defendem tanto o direito dos trabalhadores e um deles é exactamente este!


quarta-feira, 8 de junho de 2016

O veto presidencial das barrigas de aluguer

O Presidente Marcelo vetou mas foi construtivo.
Confessa que é contra este avanço tecnológico ("um juízo sobre a matéria versada não pode nem deve ser formulado na estrita base de convicções ou posições pessoais do titular do órgão Presidente da República") mas a sua decisão nada tem a ver com isso mas apenas quer que a lei inclua algumas dúvidas do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (ver o parecer).

Fig. 1 - Eu queria engravidar mas descobri que não tenho útero.

O Presidente pede que a Lei explicite alguns pontos (ver texto do veto).

As questões levantadas pelo Presidente são sobre omissões na Lei que, como já expliquei no poste anterior, estão já resolvidas pela aplicação da lei geral. No entanto, o Presidente pensa que estes pontos devem estar claramente incluídos na Lei.
Pessoalmente, concordo com a inclusão de todas estas questões e até incluiria uma referente ao seguro obrigatório.

1) Tem que ser reconhecido à futura criança o pleno direito a conhecer as condições em que foi gerada.

2) O casal beneficiário e a gestante de substituição têm que ser informados "sobre o significado e consequências da influência da gestante no desenvolvimento embrionário e fetal" e que "a futura criança tem o pleno direito a conhecer as condições em que foi gerada."

3) Tem que ficar explícito quais os "termos da revogação do consentimento, e as suas consequências."

4) A lei tem que obrigar a que no contrato estejam explícitas as disposições "para o caso da ocorrência de malformações ou doenças fetais e de eventual interrupção da gravidez"

5) A lei tem que manter na gestante de substituição a "decisão sobre quaisquer intercorrências de saúde ocorridas na gestação, quer a nível fetal, quer a nível materno" como seja o aborto em caso de malformação do feto ou de risco de vida para a gestante de substituição.

6) A lei tem que proibir a imposição de "restrições de comportamentos à gestante de substituição".

Eu pedia ainda que houvesse um seguro obrigatório.
Nos anos 2000-2013, em média morreu uma mulher em cada 18 000 gravidezes (fonte: PorData) que é equiparado ao risco de morte de um trabalhador da construção civil e da industria transformadora durante um ano de trabalho.
O Sr. Presidente esqueceu-se que é preciso acautelar o caso em que a mulher gestante morre ou fica incapacitada. Este risco tem que ficar com alguém e sendo uma relação baseada num contrato quase de trabalho, se nada for dito, a lei geral vai meter o risco do lado da mulher mandante.
Para não haver o risco do projeto de maternidade se transformar num pesadelo, este ponto pode ficar acautelado com um seguro obrigatório de 1 milhão de euros que corresponderá a uma mensalidade de 1500€/mês durante 50 anos mais 100 mil € para despesas médicas.
Este seguro não terá um preço maior que 100€ (1000000/18000), o que é irrisório face ao custo total do procedimento da barriga de aluguer.
Estive a ver clínicas que promete fazer o procedimento de fertilização in vitro. Uma fala em 3400€ (ver, Ferticentro) enquanto que outra garante um preço, "tudo incluído", de 5000€ (ver, IVI). Para uma taxa de sucesso de 50%, traduz um custo médico e medicamentoso por criança na ordem dos 10000€.

Qual o custo da barriga de aluguer?
Apesar de a lei dizer que é gratuito, tem sempre um custo pelo menos humano pelo qual a mãe mandante ficará eternamente devedora. Se  calcularmos para a mãe de substituição um custo 1,5 Salários Mínimos, estamos a falar noutros 10000€.

Ninguém se preocupe porque, em termos estatísticos, a lei vai ter pouca expressão.
Apesar de passar a haver a possibilidade de  um casal investir 250 mil€ para ter 23 filhos com a mesma idade para fazerem uma equipa de futebol (11 jogadores titulares + 12 suplentes), aposto a minha cabeça em como isso nunca irá acontecer pois o máximo que as pessoas quererão ter é um filhito.
É que mesmo os que pensam ter filhos para receber o Rendimento Mínimo e o Abono, só se levarem as crianças para o Luxemburgo (265€/mês) pois, com o nosso RSI de 90,50€/mês mais o abono de 36,42€/mês, desanimam logo, só se as meterem a guardar carros e a pedir esmola à porta dos supermercados.


Fig. 2 - Todos estes 14 jogadores são meus filhos e ainda tenho as 12 raparigas da claque.
 
Vou fazer uma previsão sobre o número de nascimentos em barrigas de substituição.
Para isso, vou buscar algumas estatísticas.
Relativamente aos casamentos de pessoas do mesmo sexo, entre 2010 e 2015, houve uma média de 310 casamentos por ano, 0,9% do total, o que quantifica que, em cada 110 casamentos, um foi entre pessoas do mesmo sexo.
Relativamente PMA,  os casais com infertilidade são cerca de 10% do total, 1/3 devido a problemas da mulher, 1/3 a problemas do homem e 1/3 a problemas de ambos e causas desconhecidas.
Os nascimentos usando Procriação Medicamente Assistida são cerca de 700 por ano, 0,9% do total.
Nas mulheres com problemas  de fertilidade, cerca de 15% têm problemas ao nível físico do útero.
Juntando estes números todos, talvez seja de vermos qualquer coisa como 700 / 3 *15% = 35 nascimentos por ano em barrigas de aluguer.
A minha previsão é que vamos ter abaixo de 50 crianças/ano a nascer em barriga de aluguer.

E isto compara com 21 mil abortos por ano por decisão da mulher, 600 vezes mais.

Fig. 3 - Se uma dessas crianças for outro Fernando Pessoa ou Cristiano Ronaldo ...

As pessoas não querem ter filhos.
Se fosse no antigamente, quando ter filhos era a prova do abençoamento de Deus, era possível vermos pessoas ricas a ter dezenas ou mesmo centenas de filhos. Mas Deus, ao revelar ao Homem a tecnologia da barriga de substituição, retirou-lhe a vontade de ter filhos.





domingo, 5 de junho de 2016

As dúvidas (do Marcelo) às barrigas de aluguer

A regra geral deve ser a liberdade individual.
As acções e relações entre as pessoas devem ser livres e não reguladas pela lei a menos que exista uma razão sólida para que essa liberdade seja limitada.
E a razão sólida para limitar a liberdade das pessoas tem que passar por haver um prejuízo à sociedade que não seja possível de reparar com uma taxa paga pela pessoa que causa o prejuízo. Mesmo que não seja possível compensar o prejuízo, os custos necessários para limitar a liberdade do individuo não podem ser superiores a esse prejuízo.
Só assim, com liberdade, é que podemos ter uma sociedade criativa e onde as pessoas, independentemente das suas ideias, credos ou religião, possam conviver pacificamente e viver uma vida agradável.

Fig. 1 - Se a senhora acha bonito ter dentes de ouro, deixa-a lá ter dentes de ouro


Porque razão sou contra as Barrigas de Aluguer?
Há pessoas que são a favor e pessoas que são contra. Sendo que a liberdade individual deve ser a regra, quem está contra é que tem o dever de procurar razões válidas para que essa liberdade seja limitada nos demais humanos.
Além disso, se procurarmos razões racionais talvez nos convençamos de que estamos errados no sentido de que não se justifica proibir as barrigas de aluguer.

Eu, sou contra as raspadinhas porque os mais pobres, desconhecedores das leis das probabilidades, derretem o pouco dinheiro nestas coisas à procura da fortuna que nunca aparece. Sou contra e incomoda-me ver alguém entrar na papelaria para comprar uma raspadinha. Sou contra mas não acho que deva ser proibido. Se o Zé, o Eugénio ou o Paulo querem andar a pedir moedas para as "investir" nessa ilusão, que o façam à vontade mas moeda minha, nunca verão nenhuma.
As pessoas sabem que não podem dizer "sou contra porque são contra" e, por isso, é que têm aparecido na comunicação social justificações para que esta inovação tecnológica não possa ser utilizada.
Vamos então discutir essas razões. 

1 - A Natureza não quer que essas crianças nasçam.
Na literatura mais fechada da religião cristã, começa a circular a ideia de que o nascimento de um filho é uma decisão de Deus. Se uma mulher engravida e, depois, aborta, é um crime porque a criança desde o momento da concepção é um ser humano completo (não vou discutir isto).
Mas então porque será imoral a barriga de aluguer?
 E que, se uma mulher, por questões biológicas, não pode gerar um filho, então, isso traduz que a Natureza (que é o outro nome de Deus) não quer que essa criança nasça.
Se uma mulher não tem útero, é porque a Natureza não quer que essa criança nasça. Se nascer será então um crime contra a Natureza.

Mas a tecnologia humana recusa à Natureza muitas mais coisas. 
Também é contra a Natureza aplicar antibióticos e vacinas para evitar que os micróbios sigam o seu caminho natural e matem as pessoas.
Quando uma pessoa parte uma perna, tem uma hemorragia ou uma infecção, a Natureza mais não quer que essa pessoa morra, o que tentamos combater com tecnologia.
Não era o Papa João Paulo II que tanto usou a tecnologia não só na tentativa de não morrer (tiveram que o abafar) como até para andar (no papa móvel)?
 Não será contra a Natureza vestirmos roupa? Se não temos pelo farto como os cães do Alasca é porque a Natureza não quer que vivamos em climas frios.
Se as nossas pernas não nos permitem andar a 120km/h e os braços não nos permitem voar não será igualmente contra a Natureza andarmos de carro ou de avião?

Mas foi Deus quem criou todas as tecnologias.
Segundo os cabalistas, logo nos 6 dias da Criação, Deus criou não só todas as tecnologias que existem hoje como também as que irão ser descobertas em todo o futuro que há-de existir mas, da mesma forma que nos Jardins Zoológicos escondem a comida para o macaco se distrair a pesquisar, Deus escondeu a tecnologia dentro dos frutos da Árvore da Sabedoria para que a Humanidade, ao descobri-la, se sentir senhora do seu destino. Exactamente no mesmo dia em que Deus criou Adão e Eva, Deus criou a tecnologia das "barrigas de aluguer" mas teve-a milhares de anos escondida à espera que fosse descoberta. 
Vamos supor que Deus não queria que essa tecnologia fosse usada, neste caso, tal como confundiu as pessoas na Torre de Babel, também confundiria as mentes humanas que a descobriram.

E o Homem faz parte da Natureza.
Ou acreditamos em Deus ou acreditamos que o Homem é mais um animal que faz parte da Natureza.
E sendo que o Homem faz parte da Natureza, todo o que fazemos também faz parte da Natureza.
Assim, a nossa tecnologia é tão natural como a tecnologia dos corais que cria recifes nos mares tropicais ou a tecnologia dos castores que cria açudes e represas.

2 - É a transformação das pessoas em coisas.
Vamos supor um mundo em que uma elite minoritária, 1000 pessoas, gera outras pessoas em barrigas de aluguer, 100 mil pessoas, apenas para que sejam escravos do processo produtivo. Vamos mesmo supor que os escravos, tal como se passa com os nossos automóveis, são mesmo "terminados" assim que a sua produtividade desce abaixo de um limiar.

Este processo não seria muito diferente do que se passa nos aviário onde os ovos vão para a incubadora apenas porque, algumas semanas mais tarde, os frangos são precisos no talho e aconteceu na maior parte da humanidade quando se criavam (e caçavam) homens para serem escravos.

Mas será que o escravo ou os seus descendentes se consideram coisas?
Esta é a questão principal. Será que eu tenho legitimidade para julgar a vida de outro a ponto de dizer que essa pessoa está coisificada porque a sua concepção teve por fim uma vida que eu considero indigna?
Sempre eu, eu julgo, eu considero indigna mas sem nunca perguntar à outra pessoa o que ela acha.
É que todos nós temos antepassados que foram escravos e, se essas pessoas não tivessem sido dadas a uma "vida indigna", nós não existiríamos.
Vejamos eu próprio. A mãe da mãe da minha mãe (de nome Clara Borges segundo a minha tia Clara pois na certidão de nascimento da minha avó diz "filha de mãe incógnita"), não é assim há tantas gerações, era apenas a minha bisavó, nasceu escrava e viveu escrava até ao dia 13 de Maio de 1888. Naturalmente, os pais dela, avós, bisavós e sabe Deus quantas gerações nasceram apenas porque os seus senhores precisavam de escravos para amanhar a terra. E não é por isso que, penso, se julgavam coisas e muito menos eu, apenas três gerações depois, penso ser uma coisa. Sou, pelo menos, um "animal sensível".

Porque não perguntam às pessoas geradas em barrigas de aluguer?
No mundo já nasceram centenas de pessoas pelo recurso a barrigas de aluguer. Será que já alguém perguntou a essas pessoas se se acham coisas ou se se acham pessoas diminuídas por terem sido geradas com recurso à tecnologia?
Não perguntaram nem querem perguntar pois já todos sabemos qual seria a resposta: acham-se pessoas totalmente normais.


3 - Há muitas crianças abandonadas nas instituições.
Ouvi este argumento da minha colega AT, "Uma mulher que não possa ter filhos, pode ir a uma instituição e adoptar uma das crianças que ficaram órfãos ou que foram abandonadas pelos pais." mas deve ter ouvido este argumento na missa pois é a visão oficial do Cardeal Patriarca.
Claro que, pensei eu, e porque não mandar vir de África uma das milhares de crianças que há por lá a morrer de fome e de miséria?
E já agora, podemos aplicar este argumento a todas as mulheres. Porque não proibir haver um filho novo enquanto houver uma única crianças em África a passa miséria?

Faz-me lembrar uma história.
Um casal, uma mulher muito feia que casou com um homem igualmente muito feio, planeando ter um filho, foram ao médico para "a consulta de rotina".
- Sr. Doutor, eu e o meu marido estivemos a conversar e decidimos ter um filho e, querendo garantir que o nosso filho nasce saudável e bonito, estamos cá para fazermos as análises e exames necessários.
 - Não estou a perceber! - disse o médico admirado enquanto olhava para aos dois - Bonito! Parece que me estão a pedir que esse vosso filho não seja vosso!

Fig. 2 - Queremos que os nossos filhos sejam bonitos como nós!


É isso mesmo.
Os pais querem que os filhos sejam parecidos com eles, que a criança vá a um sítio qualquer e logo digam "Tu és filho do fulano, tira-se logo pela pinta" e que outros digam "Esta menina é uma fotocópia da mamã."
Também os avós querem dizer "Olha para esta fotografia de quando o teu pai era pequenino, olhando para ti até parece que o estou a ver de novo pequenino pois és igualzinho a ele."
Mesmo os pais com orelhas grandes, nariz pequeno ou batatudo, dentes tortos ou com seis dedos nos pés dão-se ao prejuízo de ter e criar um filho pelo egoísmo de ver um ser pequenino igualzinho a eles.

Além do mais, há a esperança.
Sim, os pais são egoístas pois quando têm um filho esperam que lhes seja um apoio quando forem velhinhos e incapazes. E a evidência empírica talvez diga que os filhos adoptados não tenham tanta ligação aos pais adoptivos que os filhos genéticos aos pais verdadeiros.
Nenhuma mãe (nenhuma é capaz de ser forte de mais) podendo ter um filho genético, o trocaria por um filho adoptivo.

O que separa os nossos parentes dos nossos amigos?
É que os nossos parentes têm uma relação genética connosco. Há genes que têm que são os mesmo que nós temos e isso coloca-os num nível especial. Claro que também temos os nossos amigos e muitas vezes não gostamos nossos parentes mas é inegável que existe uma ligação física com eles.

4 - Está-se a explorar a mulher que vai alugar a sua barriga.
Todos nós vivemos melhor por podermos trocar as nossas capacidades pelas nossas necessidades.
Se eu só tenho o meu corpo, posso vender o meu trabalho e, com isso, ganhar dinheiro para comprar bens e serviços.
É por demais evidente que a troca que todos nós fazemos das nossas capacidades pelas nossas necessidades é o motor da nossa qualidade de vida e do progresso da humanidade.
Já imaginaram como seria se não vendêssemos o nosso corpo na forma de trabalho tendo que produzir tudo o que consumimos?
Alguém sabe como se constrói um automóvel, telemóvel, ou computador?
E como iríamos fazer um filme? Faríamos nós o papel de todos os actores?
Já estão a ver que passaríamos a viver uma miséria pior que a que se vive em África.
Agora, a tecnologia permitir que alguém trabalhe em Vieira do Minho num Call Center que responde a pessoas em França, não é diferente de a tecnologia permitir a uma mulher alugar a sua barriga durante 9 meses para dar vida a um ser humano por encomenda de outra mulher.
Isso mais não deve ser visto como mais uma liberdade individual, mais uma conquista do 25-de-abril.

Fig. 3 - Isto é apenas a prova do amor que a mulher tem pelo seu homem.


E as dúvidas do Presidente Marcelo?
Parecem dúvidas pertinentes que resultam de a lei estar mal escrita. Mas também poderá ser apenas uma reserva moral, um estar contra por estar contra e querer arranjar desculpas para vetar a lei.
Vejamos se as suas dúvidas fazem sentido.

O que acontece se a gestante de substituição se arrepender?
Como nada foi escrito, mantém-se válida a Lei N.º 16/2007 que dá o direito à mulher grávida para abortar.
"1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando: 
...
e) For realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez.
"

É o risco do negócio.
A mãe promotora vai gastar entre 10000€ e 20000€ e este investimento tem o risco de a mãe substituta poder-se arrepender e abortar.
Para diminuir o risco, a mãe promotora terá que procurar uma mãe substituta que lhe dê alguma confiança, por exemplo, uma irmã, a sua mãe ou uma mulher que já tenha levado outras gravidezes de substituição até ao fim.
Por aqui não vejo qualquer dúvida.

O que acontece se a mandante se arrepender?
Sendo que o filho é, em termos legais, seus, trata-se de um normal abandono de recém nascido.
Será encaminhado para a adopção pensando eu que qualquer tribunal dará prioridade à mãe gestante, aos avós e aos parentes mais chegados que queiram adoptar a criança.
Também, por aqui não vejo nenhum problema.

O que acontece se a criança tiver uma deficiência grave e a mandante quiser abortar?
Neste caso, continua-se a aplicar a Lei N.º 16/2007, i.e., o direito de optar está do lado da mulher grávida.
Pensando que a mãe de substituição não é religiosa já que a Igreja condena a barriga de aluguer, o mais provável é que a mãe substituta aceite abortar.
Em 2014, por cada 1000 crianças que nasceram, foram realizado 5,2 aborto por potencial deficiência grave da crianças que viesse a nascer (ver), sendo que uma parte destes fetos abortados morreria antes do nascimento da criança.
Acrescentando que são realizados testes genéticos ao pré-embrião antes da implantação, a probabilidade de isto acontecer numa gravidez de substituição será ainda menor, talvez apenas 1 caso em cada 1000.
Juntando as duas probabilidades (a pequena probabilidade de o feto ter problemas mais a probabilidade de a mandante querer abortar e a substituta não) mais que poucas pessoas usarão barrigas de substituição, este problema não tem qualquer relevância estatística.

Parece-me que as dúvidas do Presidente Marcelo são exageradas.
São problemas menores numa abertura maior que é a possibilidade de se usar uma tecnologia avançada de procriação medicamente assistida.
Penso que o melhor seria deixar a coisa andar e avaliar como a concretização da tecnologia funciona na prática.

Será que a mãe substituta tem direito a licença de parentalidade?
Esta dúvida era minha mas, estive a ler o Código do Trabalho, e tem direito pois basta uma testado médico a atestar que é puérpura (não é obrigatório que o filho seja registado em seu nome).

"Artigo 36.º - Conceitos em matéria de proteção da parentalidade
1 - No âmbito do regime de proteção da parentalidade, entende-se por:
a) Trabalhadora grávida, a trabalhadora em estado de gestação que informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico; 

b) Trabalhadora puérpera, a trabalhadora parturiente e durante um período de 120 dias subsequentes ao parto que informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico ou certidão de nascimento do filho; 

c) Trabalhadora lactante, a trabalhadora que amamenta o filho e informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico."

Fig. 4 - Calma que a minha mãe de aluguer tem direito a uma horita para me dar de mamar.

Será preciso criminalizar o não cumprimento do contrato?
Não vejo necessidade haver qualquer aditamento à lei da subtracção de menores (art. 249 do CP).
Se a mãe de substituição subtrair a criança, vai lá a polícia, retira-lha e entrega-a à mãe genética (mandante) da mesma forma que acontece se no infantário quiserem ficar com as criancinhas ou quando um dos progenitores foge com a criança.
Penso não ser preciso escrever mais leis por causa disto.

Fig. 5 - Sou contra as barrigas de aluguer mas vou usar uma desculpa qualquer para continuar a ser visto como um gajo porreiraço

Sou contra o visto prévia do contrato de parentalidade.
As pessoas deveriam ser livres de escrever no contrato de parentalidade aquilo que bem entendessem.
A lei deveria apenas dizer que "por contrato particular realizado antes da implantação dos pré-embriões a gestante pode abdicar da criança a favor da mãe mandante."
Repito que, havendo uma decisão médica de que se verificam as condições de aplicabilidade da lei, a decisão deveria ficar dentro da questão técnica/médica e não haver visto prévio de organismos que, por serem permeáveis a questões religiosas e políticas, podem bloquear a aplicabilidade da nova lei.



Fig. 6 - É o voltar do visto prévio a um contrato que deveria ser particular

Se o aborto não precisa de parecer de ninguém ...
Acho, e muitas pessoas acham, o direito ao aborto muito pior que o direito a recorrer a uma barriga de aluguer. E se uma mulher pode fazer um aborto até às 10 semanas de gestação sem dar cavaco a ninguém e está exenta de taxa moderadora (por estar grávida), não faz sentido exisgir parecer prévio a quem quizer usar uma barrega de aluguer.
Sou terminantemente contra isto.

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